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“Baobab” é um dos trabalhos mais originais e bem-elaborados do ano

Música eletrônica livre e retorno às origens: por que você precisa conhecer o primeiro álbum de Rodriguez Jr.

Considerado um dos melhores lives de 2016 pelo Resident Advisor, o já renomado mundialmente Rodriguez Jr. está de volta à gravadora que o projetou — a Mobilee — e com um álbum carregado de sentimentos nostálgicos. Em Baobab, temos dez faixas que suscitam emoções poderosas através da música.

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+ Produtor francês Rodriguez Jr. apresenta inédito projeto ao vivo acompanhado de tour mundial

Olivier Mateu (seu nome verdadeiro) é facilmente lembrado no cenário europeu como parte do duo The Youngsters — reconhecidos por seus dois álbuns de estúdio lançados pela gravadora de ninguém menos que Laurent Garnier, a F-Communications. Após lançar o alter ego Rodriguez Jr., Mateu ascenceu entre os produtores mais respeitados que surgiram nos últimos cinco anos. Com seu estilo, como ele mesmo gosta de intitular, “caleidoscópico”, move-se através de sons eletrônicos contemplativos, espumantes, para um techno profundo e urgente.

Em 2016, músicas como “Petropolis” e o EP Chrysalism já davam sinais do que Jr. estava preparando para este segundo álbum — sucessor de Bittersweet, de 2011. Em suas próprias palavras, “Baobab é sobre raízes. Foi escrito principalmente durante as minhas viagens e eu precisava me reconectar às minhas raízes: a música que eu costumava ouvir quando adolescente no sul da França, minhas primeiras festas, essa fantástica sensação de frescura, entusiasmo e inocência. É por isso que eu decidi chamá-lo de Baobab: uma grande árvore, ‘orgulhosa’ de crescer em um ambiente exuberante, com suas raízes profundas no chão” [em português, a árvore chama-se Baobá].

Rodriguez Jr. explora acordes em seus trabalhos como poucos no mundo atualmente. A quantidade de elementos simbióticos e claros de se ouvir ao redor de toques bem puros de piano é impressionante. Como descrito em seu lançamento, no último dia 2, “os silêncios propostos entre cada faixa permitem a reflexão sobre o que você acabou de ouvir. Utilizando habilmente sons e efeitos, ele entende a importância dos espaços vazios”.

O trabalho conta com colaboração de Liset Alea, cantora e compositora do grupo Nouvelle Vague, cujos vocais brilham em três das faixas de Baobab, bem como os próprios vocais de Rodriguez Jr. figuram em “Heal Me” — uma faixa que aborda as complexidades do ser humano, sendo possivelmente o maior destaque de todo o álbum.

“Monticello”, a sétima música, transcreve todo um lado de mistério que Jr. gosta de imprimir em suas músicas. Olhando para “Tomorrow Never Comes” é possível identificar a maior ênfase no que se refere ao propósito de se fazer um álbum em que o produtor busca suas raízes — ela contém elementos de sintetizadores bem característicos dos anos 80. “Waste Tomorrow” fecha o álbum com a mesma brisa da abertura, mas agora com batidas dançantes, linhas de baixos longas e acordes emotivos.

Rodriguez busca perfeitamente o cruzamento final entre todas as suas influências nesse trabalho. Em sua biografia, ele já pregava o que agora foi refletido em Baobab: “Boa música eletrônica não é uma prisão; ela deve ser interessante em todos os lugares, desde uma pista de dança até sua sala de estar”.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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