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Como a XXXPERIENCE completa 20 anos em uma cena imediatista

Flávio Lerner

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Erick Dias fala sobre os vinte anos de uma das marcas mais expressivas da cultura clubber brasileira.

Amanhã é uma data especialíssima para um dos maiores e mais representativos núcleos da cultura clubber nacional. A XXXPERIENCE, que tem celebrado seus vinte [isso mesmo, VINTE!] anos de atuação neste 2016 com festivais pontuais em diversos cantos do Brasil, fecha essa comemoração com chave de ouro no seu último ato do ano. Parte final de uma XXXtrilogy, que lançou três conceitos nos últimos três anos para marcar essa passagem [“Vale dos Dragões”; “Portal dos Desejos”; “Reino Mágico”], a #XXX20 traz à Arena Maeda, em Itu, nomes como Steve Angelo, Infected Mushroom, FTAMPA, Alok, Chapeleiro, ILLUSIONIZE, Tropkillaz, Skazi, Ben Klock, Dubfire, Stephan Bodzin, DJ Mau Mau, Volkoder, The Martinez Brothers, Claude VonStroke e muitos outros, em quatro palcos que representam EDM, trance, techno e tech house. Erick Dias, responsável por, junto ao sócio de No Limits, Edson Bolinha, liderar a XXX desde 1998, deu uma palavrinha retrospectiva sobre essas duas décadas de muito trabalho e muitas mudanças, em papo que você lê abaixo.

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São 20 anos de XXXPERIENCE, e 18 anos que vocês da No Limits trabalham à frente da marca. Como enxergam, de forma geral, as mudanças que rolaram no cenário da música eletrônica nesse tempo todo?

20 anos é um tempo e tanto. Muitas coisas mudaram ao longo desse período, tanto dentro do evento como na cena nacional e global. Passamos por várias fases, combatemos uma discriminação da mídia pesada no meio da década passada, nos reposicionamos — de rave a festival — e hoje vivemos um cenário de concorrência direta com grandes festivais internacionais que passaram a atuar no mercado brasileiro com um budget desproporcional, o que é bastante produtivo, pois alavanca o segmento, eleva o nível de entrega, faz com que o público tenha muito mais opções. No que tange à música em si, ela é cíclica. Ondas vão e vêm, sobretudo no Brasil. Permanecem em atividade os artistas que não surfam, mas que fazem um trabalho original, autêntico e que envolva as pessoas.

E pra vocês, enquanto empresa, o que mudou com o passar do tempo? Imagino que, se por um lado é muito melhor termos uma cena maior, mais profissional e mais sólida, por outro a competição aumenta bastante, o que é um desafio.

Como falei, a concorrência hoje é até desleal do ponto de vista de investimento. Entretanto, a solidez e a reputação de um evento como XXXPERIENCE fala muito alto. Alguns festivais que chegam ao país pela primeira vez também sofrem para se estabelecer, já que é preciso construir a marca aqui — não basta apresentar um lineup de primeira. Hoje trabalhamos com a estrutura mais enxuta possível e com o planejamento muito bem arquitetado para otimizar os resultados. O momento do país não é nada favorável e requer muita atenção.

Por marcar os 20 anos do projeto, 2016 tem sido um dos anos mais movimentados da XXXPERIENCE, mas, vislumbrado já há três anos, o plano era de que essa celebração fosse ainda maior, não é mesmo? De certa forma, rolou uma frustração por uma data tão especial ter calhado justamente com esse momento não favorável? Como vocês têm encarado esse desafio?

Sim, vou te falar que se o momento fosse outro, poderíamos levar pelo menos 50% a mais de pessoas. Mas não temos muito a reclamar. Graças a Deus, o planejamento da trilogia vai ser encerrado com chave de ouro. Neste sábado vamos entregar uma Edição Especial digna dos 20 anos. Estamos muito felizes em poder oferecer aquele lineup comemorativo para os fãs do trance, um Steve Angello no Love Stage, um Dubfire com Ben Klock e Stephan Bodzin para os techneiros, bem como The Martinez Brothers, Claude VonStroke, Amine Edge & DANCE e Adriatique para os fãs de deep e tech house. Sem contar o time nacional, que está muito bem representado, sem dúvidas. Crise à parte, vamos celebrar com força neste sábado!

 “Se não fosse um momento de crise, poderíamos levar pelo menos 50% a mais de pessoas.”

Você e o Edson Bolinha são os principais nomes a frente do projeto, mas em uma marca tão grande, com tanta estrutura e planejamento, imagino que exista toda uma vasta equipe por trás. Com quantas outras pessoas ou empresas vocês trabalham? Como se dá, resumidamente, essa divisão de tarefas?

No evento trabalham cerca de mil pessoas, entre colaboradores diretos e indiretos. Temos um gerente do evento, os líderes de cada setor, que coordenam suas equipes, e todo o restante do staff, que chega para prestar serviço no dia, após um longo processo de seleção e treinamento. Bolinha e eu sabemos de cada centímetro, planejamos uma Edição Especial com quase um ano de antecedência. Fazemos questão de controlar tudo bem de perto a fim de garantir qualidade máxima em cada ação.

No meio da dance music, grande parte das faixas, dos artistas e dos gêneros musicais já surge com prazo de validade — eles têm um ciclo de vida muito curto, em que nascem, crescem com muita força em pouco tempo e logo morrem. Como é fazer 20 anos em um meio em que essa descartabilidade é cada vez mais forte?

Não é fácil. Talvez o segredo seja colocar a mão na massa, se envolver de corpo e alma no dia a dia, como sempre fizemos. Essa “descartabilidade” é um hábito de comportamento da nova geração. Como tudo está disponível a qualquer momento, basta um Google, eles não se preocupam em se aprofundar em determinado tipo de conteúdo, em história ou arte. Soma-se a isso o fator cultural do país. Para se manter nesse cenário, é preciso envolver o público, dar o que eles querem, mas sempre surpreendê-los com algo inesperado. Isso serve para todos os players, marcas, eventos ou artistas.

Vocês são desbravadores da cena brasileira. Quais enxergam como as principais contribuições que a XXXPERIENCE trouxe pra esse nicho?

O evento foi pioneiro em muitos sentidos. Prêmios, turnês, lineups, CDs, DVDs, brindes, cenografia, e até em reposicionamento de marca. Se a música eletrônica é um fenômeno presente em livros, filmes, comerciais de TV, moda, jornais e revistas, a XXXPERIENCE é um dos alicerces dessa cultura no Brasil, inegavelmente.

“Os holandeses são a melhor referência. Eles transformaram a experiência do público consumidor de música eletrônica.”

Que outros núcleos e festivais da cena clubber vocês levam como inspiração e referência?

Os holandeses são a melhor referência. Eles transformaram a experiência do público consumidor de música eletrônica, reinventaram o jeito de consumir — ir a um festival deixou de ser um mero rolêzinho para ouvir seus DJs preferidos, passou a ser um espetáculo comandado por grandes artistas com cenografias absurdas. Isso transformou a cena global.

Como produtores executivos nesse mercado, vocês mantêm sempre um olho nas tendências que rolam no mundo todo, e no Brasil também. Que movimentos, cenas ou microcenas que estão sendo encubadas vocês observam com maior entusiasmo? Quais as principais apostas para o futuro?

Eu procuro viajar bastante e me manter antenado nas tendências. Acho que hoje vivemos um momento de transição, o que pode ser muito frutífero do ponto de vista criativo. É nessas horas que as mentes mais brilhantes conseguem se reinventar e fazer nascer novos gêneros e sons. Vejo com bons olhos a volta da house music tradicional, o retorno do trance com uma força esmagadora, a transição do electro house para o future house, o fortalecimento do techno e o reinado do “deep house”. Estou gostando de ver os nomes nacionais fazendo tracks com cantores brasileiros. Não é novidade, mas acho que ainda há muito a ser explorado nesse sentido.

A XXXPERIENCE começou influenciada pelo movimento raver europeu, e se manteve como rave por muitos anos, até migrar para o formato de festival — um dos maiores marcos da sua trajetória. Apesar de os festivais estarem cada vez mais populares, vocês não enxergam esse movimento de raves ressurgindo, de certa forma? Como vislumbram isso?

Sim, sem dúvidas. O trance voltou com tudo. Nossas últimas edições mostram isso e é justamente por esse motivo que o #XXX20 terá o Peace Stage em novo local, ainda maior e duas apresentações dessa linha no palco principal: Chapeleiro — que na real não é trance, mas fala com essa galera — e o back to back de Infected Mushroom e Skazi, que certamente vai ser histórico.

 “Se a música eletrônica é um fenômeno presente em livros, filmes, comerciais, moda, jornais e revistas, a XXXPERIENCE é um dos alicerces dessa cultura no Brasil.”

Em entrevista pro THUMP em 2014, você e o Bolinha falaram sobre os desafios de fazer as raves em uma época em que elas eram algo ainda bastante desconhecido e mal visto pela opinião pública. Hoje, como é a relação de vocês com a imprensa? Vocês ainda enxergam a música eletrônica muito estigmatizada mundialmente, sobretudo na relação com o uso de drogas?

Hoje nossa relação com a imprensa é muito mais suave. Acho que está superada essa associação exclusiva de drogas e música eletrônica. Toda a sociedade sabe que as drogas são uma questão de saúde pública e que elas estão por todos os lados, desde a esquina da sua casa até a sala de aula, infelizmente, mas fazemos a nossa parte com muita dedicação junto aos órgãos públicos competentes em cada edição do evento.

Quais os principais — mais peculiares, emocionantes ou engraçados — episódios que vocês têm pra contar desses 20 anos?

Um peculiar: a Edição Especial de dez anos, que foi um marco sem precedentes — reunimos 30 mil pessoas com um lineup unicamente trance e sem dispor de meios de comunicação de massa na campanha. Um emocionante: a apresentação de Paul van Dyk em 2010, encerrando o festival; ali realizamos um sonho. Um engraçado: não me recordo exatamente de um, mas de vários. Normalmente acontecem quando encerra o evento e os sócios se reúnem para celebrar e relaxar depois de mais de 18 horas de tensão.

Com essa última edição comemorativa dos 20 anos, encerra-se o #XXX20 bem como a XXXtrilogy. O que vocês podem nos adiantar para o ano que vem? E quantos anos vocês ainda vislumbram nessa empreitada? Podemos esperar mais 20 [risos]?

Olha, podem esperar muito ainda, com certeza. Enquanto houver tesão nessa parada toda, haverá XXXPERIENCE Festival com o mesmo amor de sempre. Sobre o ano que vem, ainda é muito cedo pra falar, mas já temos um ponto de partida e eu estou muito animado sobre isso. Aguardem! ~

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Entrevista

Saiba tudo sobre o Caos, novo clube do underground de Campinas, que estreia com Carl Craig

Jonas Fachi

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Caos
Em entrevista exclusiva, Eli Iwasa, uma das fundadoras do novo clube campineiro, traz todos os detalhes do empreendimento e revela, em primeira mão, a atração especial de abril
* Com a colaboração de Flávio Lerner
* Foto de capa por Bill Ranier; artes e vídeos promocionais por Muto

Quando em 29 de maio de 2013 a “japa do techno” Eli Iwasa abriu as portas do Club 88 pela primeira vez — junto com seus sócios Rodolfo Salin, Antonio Carlos Diaz, Juka Pinsetta e João Mota —, era a concretização de um sonho que cresceu, transbordou, fomentou a cena local e dentro de uma semana se transforma em uma nova realização: o club Caos, que inaugura em Campinas no dia 22 trazendo pela primeira vez à cidade a lenda do techno de Detroit, Carl Craig.

E Carl é aquele artista para o qual a palavra “lenda” realmente se encaixa, sem cair em banalizações ou esvaziamentos. Tanto que foi escolhido a dedo pela DJ, empresária, sócia-proprietária e curadora Eliana Iwasa para ser a grande atração do primeiro ato desse novo empreendimento no interior de São Paulo.

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Eli possui mais de 15 anos de carreira na música eletrônica, e já passou por clubs como o lendário Lov.e em São Paulo, o Kraft em Campinas e diversos eventos e gigs pelo país afora — seja como produtora, curadora ou DJ. À frente do Club 88, que continua funcionando normalmente no belíssimo Jockey Club de Campinas, a artista bookou artistas como Mind Against e Michael Meyer, e agora o momento é de expansão.

O Caos é o segundo estabelecimento do grupo e foi desenhado para abrigar artistas de maior porte — além de Craig, já estão confirmados Marco Carola (12/01) e um grande artista israelense (para abril) que ainda não foi anunciado oficialmente, revelado em primeira mão por Eli nesta entrevista exclusiva que você lê abaixo.

+ Em turnê pela América Latina, Carl Craig volta ao Brasil neste fim de ano

Assim, o Caos promete estimular ainda mais a já movimentada cena do interior paulista, com seu espaço industrial aconchegante e ressignificado especialmente para que as pessoas sintam-se livres na pista, guiadas pela soberania musical.

Confira todos os detalhes que Eli nos revelou sobre o novo reduto underground campineiro:

Como mostrado na apresentação do projeto à imprensa, o Caos chega para cobrir uma demanda local por artistas de maior renome, devido à falta de capacidade no Club 88 atualmente. Quando vocês perceberam que existia esse potencial latente para um projeto maior?

Sempre houve um desejo de receber esses artistas, e o Caos nasceu justamente para possibilitar essa realização. Quando procuramos o local, pensamos no tamanho ideal que nos permitisse viabilizar esses nomes que sonhamos tanto em bookar, e que oferecesse uma experiência diferente do Club 88. Nós voltamos ao nosso começo, onde o que importava era a música sem muitas firulas — com apenas som e luz que proporcionassem algo bem intenso na pista.

Talvez um dos grandes diferenciais desse novo club é sua localização. Parece existir no Brasil uma tendência extraída da Europa por espaços com características industriais. O que o Caos vai apresentar de diferente em relação à estrutura, capacidade e, mais importante, atendimento e soundsystem?

O Caos ocupa um antigo galpão industrial, onde ficava uma siderúrgica — uma das características mais interessantes do espaço é que ele conta com diversas janelas, com luz natural inundando o club assim que amanhece. O ambiente é rústico, cru, mas é fundamental que as pessoas tenham conforto.

A pista conta com dois bares grandes, uma área externa bem ampla, e vamos trabalhar com o sistema cashless, que é super moderno e garante maior tranquilidade para você consumir na festa. Quanto ao soundsystem, vamos deixar para quem for à inauguração, mas posso te adiantar que é de uma marca que usamos em alguns de nossos eventos em Campinas.

“É simbólico ter na inauguração um artista que nos faz revisitar nosso passado ao mesmo tempo em que nos faz olhar para frente — porque Carl Craig é história, mas nunca deixou de ser um visionário.”

Não é qualquer clube que consegue inaugurar com uma das lendas de Detroit, Carl Craig. Qual a expectativa para sua vinda? O Caos tem pretensão de oferecer quantas horas de apresentação para os convidados?

O techno de Detroit sempre foi uma influência muito grande para mim, e Craig um dos meus produtores favoritos. É um artista que se manteve atualizado, atuando um diversas frentes, e  cuja música só reforçou sua relevância ao longo dos anos. Depois da apresentação arrebatadora no DGTL em São Paulo, a expectativa realmente é muito alta. Acho que é muito simbólico ter um artista como ele na noite de inauguração de um club que nos faz revisitar nosso passado ao mesmo tempo em que nos faz olhar para frente — porque Carl é história, mas nunca deixou de ser um visionário.

Além de você como anfitriã, teremos o lendário Mauricio Lopes e o duo campinense Black Sun na estreia do Caos. Em relação a residentes, existem nomes cotados?

O time de residentes de um club se forma conforme sua história é escrita, e os personagens importantes para ela aparecem nesse processo. Os residentes do Club 88 estão entre os melhores DJs de Campinas e região, em minha opinião, e conquistaram seu lugar com a qualidade de seus sets ali. No Caos, tenho certeza que este grupo também vai se formar no seu ritmo e tempo.

Caos

Antes de tudo, vem o Caos

Em janeiro, outro nome importante do circuito global chega a Campinas: Marco Carola. Nessas duas primeiras datas, podemos observar que o techno e o tech house prevalecem. É esse o estilo de música que o Caos vai focar, ou haverá abertura para outros nomes importantes de estilos como deep house ou house progressivo?

Um ponto importante é que não vamos levantar bandeira de estilo algum — o que importa é a qualidade musical. Temos o techno de Detroit de Carl Craig, o tech house cheio de classe de Marco Carola, mas também confirmamos o Guy J no dia 06 de abril, para quem gosta de progressive house, além de três artistas de techno que ainda não posso relevar, mas que estão entre os mais relevantes do estilo.

Além de uma data mensal fixa, o espaço irá receber outros gêneros de música, como o hip hop. Como vai funcionar exatamente esse diálogo entre estilos e públicos tão diferentes?

Já temos uma programação diversificada no Club 88, e nossos projetos de hip hop e pop (o Groove Urbano e a Wolf) também terão suas noites no Caos mensalmente. Cada noite e cada público servem para enriquecer nosso trabalho, nossa experiência, e o que podemos oferecer ao público.

“Não vamos levantar bandeira de estilo algum — o que importa é a qualidade musical.”

Parece haver uma tendência recente de novos clubes, com propostas cada vez mais nichadas, surgindo pelo Brasil. Como você enxerga esse atual momento do mercado dos clubes e da cena eletrônica em geral? Crises econômicas à parte, você diria que este é um dos melhores momentos para abrir esse tipo de negócio no país?

Sempre acreditei que crises trazem muitas oportunidades. O interior de SP abriga muitos dos maiores festivais do Estado, tem um público que consome avidamente música eletrônica, provou que é importante celeiro de talentos, com ótimos produtores e DJs, e conta com o Club 88 e o Laroc, que investem fortemente em sua direção artística de forma constante — assim, percebemos que havia demanda e espaço para um novo club. Num momento em que o mercado está tão retraído, por que não encarar mais um empreendimento se tudo conspirou a favor?

Como é o processo de estudo e incubação da ideia de criar um novo clube até, efetivamente, o seu nascimento? Conta pra gente o trabalho que envolve a criação de um empreendimento desse tipo.

Nosso trabalho é muito intuitivo — sempre falo que não servimos como modelo de negócio algum, de uma maneira mais tradicional assim falando [risos]. Lógico que todos esses anos de experiência servem como base para tomada de decisões, e no caso do Caos, foi apenas seguir um desejo latente em ter um espaço maior, para não termos que criar uma estrutura temporária cada vez que quiséssemos expandir nossas atividades para fora do Club 88. Todos nós temos uma inquietude que nos faz sempre pensar qual o próximo passo, o próximo negócio, evento…

Quando o 88 completou quatro anos, sentimos que era hora de crescer. A primeira coisa é encontrar o local adequado — ou no nosso caso, descobrir um local e pensar que seria incrível ter um club ali, como foi com o prédio do Jockey Club. Eu já tinha em mente que artistas gostaria de trazer, e corremos para a obra ser finalizada a tempo.

“Não há excessos: o Caos é uma grande pista de dança com um baita soundsystem e uma iluminação projetada para criar a atmosfera certa para dançar.”

Quais são as principais referências que nortearam o conceito e os princípios do Caos?

De alguma maneira, o Caos é como o final e início de um ciclo, e sentimos que é um retorno às nossas origens, quando o que realmente importava era apenas a música, mas com o olhar para o futuro. Tudo que era excesso foi retirado: o club é uma grande pista de dança com um baita soundsystem e uma iluminação projetada e pensada para criar a atmosfera certa para dançar. Desde a comunicação até a decoração, tudo foi simplificado, sem rodeios, sem exageros, para que você tenha a experiência e a percepção mais pessoais possíveis.

Espero que as pessoas realmente vivenciem uma imersão musical ao som de ótimos artistas, e possam compartilhar conosco a realização de mais um sonho.

Como o Caos vai se diferenciar de todos os outros clubes conceituais do mercado brasileiro?

Posso falar da estrutura, do espaço, dos bookings, mas o que na verdade sempre nos diferenciou, e espero que continue no Caos, é a relação que criamos com as pessoas que prestigiam nosso trabalho, com nossa equipe e com os artistas. Esse apreço pelo outro, por uma boa festa — é claro — e o amor genuíno ao que fazemos é o que vai tornar o Caos especial.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Entrevista

30 músicas para 30 anos: DJ Mau Mau celebra 3 décadas de carreira com playlist exclusiva

Flávio Lerner

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DJ Mau Mau 30 anos
Um dos principais nomes da cena nacional comemora 30 anos como DJ neste sábado, em São Paulo; confira o depoimento e a playlist que o Mau Mau montou para a Phouse!

Modelo, inspiração, exemplo, referência, ícone, respeito… São inúmeras as palavras que clubbers e profissionais da cena house/techno poderiam usar para resumir o DJ Mau Mau. Afinal, não é qualquer DJ brasileiro que festeja 30 anos de profissão com uma trajetória consistente, sendo pioneiro em tempos de terra seca e tendo a capacidade de se manter atual e relevante depois de tantas transformações nesse cenário.

Exemplo disso é o último ato de seu ano comemorativo: após aproveitar a marca pra celebrar em diversos momentos especiais durante todo este 2017, a festa derradeira desses seus 30 anos de DJ não é nada parecido com um baile da saudade tocando flashback para tiozões saudosistas, mas a nova edição da Capslock de Paulo Tessuto — um dos maiores exemplos [e reflexos] do que é a cena clubber contemporânea.

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Antes de discotecar pra jovens mudérnos e hedonistas no sábado — fechando com chave de ouro um ano que teve direito até a B2B com o DJ Marky no palco eletrônico do Rock in Rio —, o Mau Mau gentilmente topou dar um depoimento à coluna com uma breve retrospectiva de sua trajetória; de quebra, escolheu pra gente 30 músicas que representam essas três décadas de carreira, incluindo nomes como Kraftwerk, Front 242, Moby, John Tejada, Paul van Dyk, LFO, Carl Craig e Galaxy 2 Galaxy, além de uma faixa autoral.

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Basta, então, clicar na playlist abaixo [tracklist ao final do artigo] e ler as palavras a seguir pra curtir essa pequena viagem no tempo com um dos DJs-símbolo de São Paulo. Com vocês, DJ Mau Mau:

Sempre fui apaixonado por música. Na adolescência, minha experiência inicial foi através de vários grupos profissionais de dança que participei. No final dos anos 80, frequentei o Largo São Bento, em São Paulo, onde gangues e grupos de hip hop munidos de equipamentos de som portáteis se encontravam para disputas de breakdance. Foi nesse momento que o universo do DJ começou a me conquistar.

Um pouco antes de completar 18 anos, tive minha primeira oportunidade como DJ: no porão do casarão mais underground da cidade, o Madame Satã, reduto de punks, góticos e modernos, comandado pelos mestres Marquinhos MS e DJ Magal, duas grandes fontes de inspiração. Nos primeiros cinco anos, os toca-discos eram apenas um passatempo, e eu exercia outras atividades como sustento — fui bancário, trabalhei no escritório do DMC Brasil e fui coreógrafo do grupo Dance Division. Com o tempo, me apaixonei pela profissão, outras oportunidades apareceram e ganhei residências importantes no final dos anos 80: Club Malícia, US Beef Rock, Rouge Neon e Walkabout.

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Nos anos 90, adotei o nome profissional de DJ Mau Mau, quando fui convidado para comandar a cabine de som do Sra. Kravitz, ao lado do DJ Renato Lopes. Naquele momento, meu trabalho ganhou destaque e pude desenvolver meu estilo, voltado para o underground. Em meados dos anos 90, nasceu em São Paulo o primeiro after hours do Brasil: o Hell’s Club. Convidado pelo promoter e amigo Pil Marques, comandei por quatro anos essa grande revolução que moldou um novo comportamento na noite.

Em seguida, outras residências importantes: o after do Club Base, com o promoter Paulo Silveira, e a noite Technova no Lov.e Club, a convite de Oscar Bueno. Depois dos anos 2000, fui residente da noite Mothership no D-EDGE, onde, depois de alguns anos, fui transferido para a residência do Superafter, em que sigo até hoje. Atualmente, também comando a noite Houseira, no Club Jerome, com meu amigo Roque Castro.

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A carreira de DJ também me direcionou para a produção musical, em que desenvolvi muitos projetos e parcerias. Fazendo remixes e participações em shows, trabalhei com artistas nacionais importantes, como Roberto Carlos, Rita Lee, Marina Lima, Edgar Scandurra, Kiko Zambianchi, Edson Cordeiro, Laura Finocchiaro, DeFalla, Rodrigo Pitta, Franco Junior, Daniela Mercury, Jota Quest, Dudu Marote, Adriana Calcanhoto e o maestro Fabio Gomes Oliveira. Minhas músicas foram tocadas por DJs internacionais que admiro e que sempre foram fonte de inspiração: Laurent Garnier, Stacey Pullen, Mr C. e Carl Cox, entre outros.

A profissão também me proporcionou conhecer outros países e culturas. A convite do mestre Garnier, fiz minha primeira apresentação na França em 1995, no festival Trans Musicales, em Rennes. Depois ganhei residência por dois anos na festa francesa Open House, onde passei pelas principais capitais do país. Os convites internacionais não pararam: Inglaterra, Portugal, Alemanha, Turquia, Japão, Itália, Espanha, Bélgica, Estados Unidos, Argentina, Uruguai, Chile e Bolívia.

Em 2017, já recebi homenagem pelos anos de carreira do Nation Disco Club, primeiro reduto clubber em São Paulo, do final dos anos 80, comandado pelo DJ Mauro Borges, e também do Music Non Stop de Claudia Assef, entre outras comemorações. No início do ano, recebi o convite para tocar na Carlos Capslock através do L_cio e do Paulo Tessuto, e desde então estou muito ansioso.

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A Capslock é o tipo de festa que eu gostaria de frequentar, mas a minha agenda de trabalho não permite. Ter a oportunidade de comemorar essa data tão especial numa das festas mais legais da atualidade é um presente ao lado de amigos queridos! Tantos momentos de plena felicidade dedicados à música passaram voando, mas a paixão em pesquisar novos estilos musicais, desenvolver sons em estúdio e depois testar o resultado nas pistas pelo mundo continua a mesma do início de carreira.

São 30 anos de dedicação e amor. Assim, preparei uma retrospectiva com 30 músicas que marcaram minha carreira. São composições em estilos diferentes que em algum momento fizeram parte do meu repertório, e mesmo as mais antigas ainda soam bem atuais. ​Divirtam-se!

Tracklist:

[Anos 80]

1- Section 25 – Looking from a Hilltop (Megamix)

2- Colourbox – Hipnition

3- Front 242 – Don’t Crash

4- Kraftwerk – Numbers

5- Test Dept – The Faces of Freedom 1,2,3

6- Fast Eddie – Acid Thunder

7- Mike Dunn – Life Goes On

8- Adonis – No Way Back

9- Bam Bam – Give It To Me (Club Mix)

[Anos 90]

10- LNR – Work It To The Bone (The Original Classic)

11- West Bam – Alarm Clock

12- Dr. Baker – Kaos 1989

13- LFO – LFO

14- Xpansions – Move Your Body

15- DSR – Babaloo

16- Capricorn – 20 Hz

17- Speedy J – Something For Your Mind

18- Moby – Go

19- Humate – Love Stimulation (Paul van Dyk’s Love Club Mix)

20- Galaxy 2 Galaxy – Hi-Tech Jazz

21- Secret Cinema 2 ‎- Straight Forward

22- Kosmic Messenger – Flash

23- Jonny L – This Time (Carl Craig Mix 2)

[Anos 2000]

24- M4J – Macumba

25- DJ Mau Mau – Space Funk

26- John Tejada – Sweat (On The Walls)

27- The Martian – Particle Shower

28- Gabriel Ananda – Doppelwhipper

29- Luna City Express – Fresh

30- Justin Maxwell & John Tejada – I’ve Got Acid

A Capslock com o DJ Mau Mau rola neste sábado, dia 09, em São Paulo, em local ainda não revelado; o line ainda traz Tessuto, L_cio, Ella De Vuono, Max Underson, Vitor Lagoeiro e o alemão Sebastian Voigt.

Flávio Lerner é editor da Phouse; leia mais artigos de sua coluna.

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Entrevista

João Brasil: “Sou tipo um rapper, um funkeiro; minha matéria-prima é meu cotidiano”

Castelan

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Por

João Brasil
Rock in Rio, funk, EDM, Brazilian Bass, memes, morte da cultura dos mashups e novo clipe: confira um papo transante com o “cronista” João Brasil
* Com a supervisão e colaboração de Flávio Lerner

Em poucas semanas, damos as boas-vindas para mais um verão. Novos sons, hits e festas chegam em quantidades grandes para ajudar a suportar o calor que já bate na nossa porta. Mais ou menos nessa época do ano passado, o grande hit era claro: “Michael Douglas”, do João Brasil, havia se tornado uma febre fonográfica instantânea — em todos os cantos do país, geral deixava bem claro que nunca mais iria dormir.

Completando agora uma década de carreira, e após já ter desfrutado da exposição de hits como “Moleque Transante” (este pelo projeto Rio Shock), “Baranga” e incontáveis mashups, João embarcou em uma nova fase, mais eletrônica, onde pôde refrescar seu som através do EP #Naite, que, dentro da estética que batizou de “Low Funk” — que mistura seu amor pelo funk carioca a diversas outras referências da dance music e brasilidades populares —, traz quatro músicas, incluindo “Latinha”; novo single que, assim como “Michael Douglas”, vai deixar os entendedores entenderem do que se trata seus “lá-lá-lás” e “ló-ló-lós”.

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Aproveitando o gancho desta entrevista, o João nos convidou para mostrar com exclusividade aqui na Phouse o clipe de “Latinha”, que traz imagens de nada menos que sua performance no último Rock in Rio. De quebra, decidiu conversar conosco a respeito disso e de muitas outras questões da sua carreira — papo que você pode conferir logo depois de assistir ao clipe abaixo, em primeira mão!

O clipe de “Latinha” será lançado oficialmente nesta quinta-feira

João, conheci o teu trabalho através do projeto 365 mashups, de 2010, e ali ouvi misturas que nunca tinha sequer imaginado. Queria que você contasse um pouco sobre a importância desse projeto e o que ele te trouxe em termos de carreira.

Esse foi o maior projeto que fiz na vida. Realmente fiz um mashup por dia durante um ano. Estava morando em Londres e fazendo mestrado, foi muito intenso. O projeto me levou para espaços como o jornal The Guardian, proporcionou uma parceria minha com o Fatboy Slim no disco dele, me colocou para tocar em festivais como o Back to Black, também em Londres e tocar durante a queima de fogos do Réveillon de Copacabana para mais de dois milhões de pessoas.

“A nova política da internet praticamente matou a cena de mashup. Estamos voltando aos anos 80, com o Spotify como a nova rádio e o músico independente com cada vez menos voz.”

Os mashups reinaram até o começo desta década, mais ou menos; depois, podemos notar um declínio acentuado na popularidade deles. O que você acha dessa cultura dos mashups e por que ela caiu tão acintosamente nos últimos anos?

A nova política da internet praticamente matou a cena de mashup. Derrubaram minha página no Soundcloud, assim como as de diversos artistas que faziam mashups e remixes. Hoje em dia, praticamente, não conseguimos subir nenhum remix ou mashup que não seja oficial. Antes mesmo de completar o upload do mashup, o sistema o derruba. É uma pena, estamos voltando aos anos 80 — o Spotify e os outros players de streaming viraram a nova rádio, e as grandes gravadoras voltaram a ter uma importância muito grande. O músico independente está com cada vez menos voz a cada ano que passa.

Talvez nada represente melhor a capacidade de mashups do João Brasil do que esse clássico que mistura um pagode do Grupo Raça, um beat de funk e um dos gols mais perdidos da história do futebol brasileiro

Você lançou recentemente o novo EP, #Naite, com um show de sucesso no Rock in Rio. Como foi fazer o lançamento em um festival tão importante?

Foi épico. Foi o melhor dia da minha vida profissional como um performer. A galera estava muito animada, pulando muito, vibe incrível. Montamos o meu maior show até hoje, com painel de LED, fogos, brincadeiras com o público e tudo mais a que tínhamos direito. Era um mar de gente, foi inesquecível para todo mundo que estava lá. A galera recebeu as novas músicas muito bem e já tinha gente cantando algumas delas, foi demais!

“Eu sou um observador e cronista do que acontece ao meu redor. Sou tipo um rapper, um funkeiro, onde a minha matéria-prima para as canções está no meu cotidiano.”

A faixa “Michael Douglas” virou seu maior hit até hoje. Conta um pouco pra gente do meme e de como surgiu a ideia de fazer esse som.

Eu estava no Sul, em Atlântida, no club Pista 3. Estava todo mundo muito animado, éramos um grupo grande, todo mundo pulando e se abraçando. Vários DJs amigos do Sul, o crew de Brasília New Chicks On The Block, todo mundo cantando “Nunca mais eu vou dormir”, sobre outra música que estava rolando. Aí eu mandei “Ih, que isso?! Michael Douglas!”, o povo chorou de rir, pirou. Pensei na hora: tenho um hit. Voltei para o Rio e produzi a música em uma semana. A minha cabeça de “mashupeiro” logo fez a música soar como um mashup de funk com EDM.

Reza a lenda que esse áudio de Whatsapp que originou o meme “Michael Douglas”

Por que você acha que “Michael Douglas” explodiu tanto? Você entende que tem mais a ver com a sonoridade dela ou pelo fato de se tratar de uma piada com um meme?

Ela fala com todo mundo. O cara mais velho que adora o ator Michael Douglas, o baladeiro insider que sabe o que “Michael Douglas” significa na noite e as crianças que não querem dormir nunca. Atingiu a todos. Os amigos da minha filha de cinco anos cantam na escola. Realmente o que aconteceu foi algo surreal. E a sonoridade fácil ajudou a disseminação também: batida de funk e synths de EDM.

#Naite é o mais recente EP do produtor

“Michael Douglas” faz alusão ao MDMA, e “Latinha” brinca com Loló. Você por acaso quer ser o novo Tim Maia cantando “Chocolate”?

Ou a Rita Lee cantando “Lança Perfume”? [Risos] Adoraria ser o novo Tim Maia, mas me contento em ser um observador e cronista do que acontece ao meu redor. Sou tipo um rapper, um funkeiro, onde a minha matéria-prima para as canções está no meu cotidiano.

Estamos divulgando aqui em primeira mão o clipe de “Latinha”. Você tem alguma curiosidade pra nos contar sobre a faixa, o vídeo e seu processo de produção?

A ideia que tive foi: quero uma música épica, eletrônica, com humor e cantada em português, bem na linha de “Michael Douglas”, mas sem batida de funk. O funk iria ficar na interpretação do vocal, na vibe mesmo. Confesso que me incomodo que a maioria dos produtores de música eletrônica do Brasil tem nomes gringos e faz músicas em inglês. Não sou contra ninguém compor em inglês, eu mesmo já compus, mas compor apenas nesse idioma, sendo brasileiro, eu acho um pouco estranho.

“A maioria dos produtores de música eletrônica do Brasil tem nomes gringos e só faz músicas em inglês. Não sou contra ninguém compor em inglês, eu mesmo já compus, mas acho um pouco estranho.”

Não é a minha onda, gosto muito de música brasileira. Eu chamei o Brazza Squad para fazer o drop da música. O remix que eles fizeram de “Michael Douglas” ficou fantástico, toco sempre nos meus sets, e foi natural chamá-los para uma colaboração na “Latinha”. Não poderia ter escolhido parceria melhor para essa faixa. O clipe, todo filmado no Rock in Rio, passa bem a energia dessa nossa colaboração.

João Brasil

João Brasil e Brazza Squad, no Rock in Rio

Trabalhar com o Brazza Squad foi uma mistura inédita na sua carreira? Existe alguma mistura ainda não feita que você quer levar para o público?

Foi a primeira vez que colaborei com DJs de Brazilian Bass. Curti muito o resultado, gosto muito do estilo. Já tinha feito mashups nessa onda, mas nunca uma música do zero. Ainda quero fazer muitas novas misturas nessa vida [risos], principalmente com esses funks novos a 150 BPM que estão rolando agora nas comunidades do Rio.

No final de agosto saiu o clipe da faixa “Youtubers”, uma ode psicodélica a uma galera que hoje influencia a opinião das pessoas em alguma medida, e em uma entrevista pro G1 você até os chamou de “novos rockstars”. Até quando você acha que dura este momento de ouro dessa galera?

Acho que dura ainda um bom tempo. O YouTube é a nova televisão da molecada mais nova. Outro dia fui numa palestra sobre o Musical.ly e descobri o mundo dos “musers”. Eles foram os maiores responsáveis por espalhar o “Michael Douglas” para a criançada, fizeram várias versões. Ainda vamos ver muitas plataformas e influenciadores surgirem. Está tudo cada vez mais rápido, porém os melhores vão saber aproveitar a oportunidade e surfar as diferentes ondas, ao mesmo tempo em que muitos vão ficar pelo caminho.

João Brasil

João, no Rock in Rio, executando seu passinho clássico: a “sarrada gravitacional”

Como tem sido o retorno das pessoas a essa sua mistura entre EDM e funk carioca? Pela nossa experiência, o grosso do público da cena eletrônica no Brasil tem um preconceito enorme com o funk…

Eu amo funk, adoro as batidas. Sou do Rio, e por aqui é muito difícil não ter um pouco dessa influência. O preconceito com o funk não é exclusivo do público da dance music, muita gente tem. É uma música produzida, originalmente, por negros e pobres. O preconceito não é apenas musical, infelizmente. Odeio preconceito e adoro funk — os mashups e minhas misturas são maneiras que encontrei de construir um mundo onde todos possam se divertir, independentemente de sua origem, classe social, orientação sexual, religião ou cor.

“Minhas misturas são maneiras que encontrei de construir um mundo onde todos possam se divertir, independentemente de sua origem, classe social, orientação sexual, religião ou cor.”

Ao mesmo tempo, o estilo se desenvolveu muito nos últimos anos, e faz sucesso tanto nas favelas quanto nas festas de playboy. Você tem alguma ideia de por que existe ainda tanta resistência no Brasil ao funk carioca?

O Brasil sempre viveu um complexo de vira-lata, sempre achou que tudo que vem de fora é melhor, e isso não é de hoje. Não damos valor às nossas verdadeiras riquezas, aos nossos verdadeiros talentos. Ainda precisamos ter nomes gringos e músicas em inglês para ter música na playlist Eletro BR do Spotify. Ainda precisamos contratar um gringo como o Diplo ou o Hardwell para tocar nossa própria música — como “Baile de Favela” — para nós mesmos. Ainda temos muito que evoluir como sociedade.

Depois desses últimos lançamentos, quais são os planos? Uma turnê por aqui no exterior? Mais videoclipes?

Depois de “Latinha”, vamos finalizar o clipe de “Rave de Favela”, que será lançado até o final do ano. Vou lançar mais um single também. Entro numa agenda intensa aqui pelo Brasil no verão com a turnê do #Naite, que só vai acabar no carnaval, e depois parto para a Europa e os Estados Unidos para a minha turnê gringa no verão de lá.

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