Conheça The Artist Union, a plataforma que inova na relação entre artista e fã

Entrevistamos Ranidu Lankage, CEO da companhia que artistas e fãs de música independente; brasileiros como Alok, Gabe, Vintage Culture e FractaLL estão entre os principais parceiros da ferramenta.

A tecnologia avançou muito nos últimos anos e trouxe facilidades para todos nós. As mudanças possibilitaram avanços nas mais diversas áreas, como na música. Hoje, produtores com apenas um laptop conseguem atingir uma grande qualidade de produção que, no passado, só seria possível com equipamentos caros de última geração — e isso só tende a ficar cada vez mais simples, com mais pessoas podendo acessar essas ferramentas, tornando por sua vez o mercado mais competitivo. Com essa grande quantidade de conteúdo disponível, os produtores têm de procurar novas formas de atingir os futuros fãs e ir além dos tradicionais Facebook e Soundcloud.

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As possibilidades são grandes, mas uma plataforma está fazendo grande sucesso entre os artistas e as gravadoras, e merece destaque pela grande ajuda que está trazendo ao nosso mercado. Ela se chama The Artist Union e provavelmente muitos de vocês já devem ter ouvido falar. Funciona basicamente da seguinte forma: o artista faz upload da sua música no Soundcloud ou diretamente na plataforma da AU, e para que o fã possa baixá-la, ele tem que “pagar” com engajamento, ou seja, o download é disponibilizado a partir de um like na página do artista, de um tweet, ou um compartilhamento em alguma rede social, além da coleta de e-mails. Dessa maneira, o fã ajuda o artista na divulgação da música em vez de pagar em dinheiro por ela, numa relação de ganha-ganha. Muitas gravadoras, assim como a Phouse Tracks, estão substituindo a venda de músicas digitais pelo download gratuito, o que garante um alcance muito maior na divulgação, mas não exclui o retorno financeiro através das plataformas de streaming.

Para entender melhor esse sistema, conversamos com o srilankês Ranidu Lankage, músico e idealizador e CEO do The Artist Union, sobre a história, o funcionamento e as inovações trazidas por sua empresa.

Como surgiu a iniciativa da Artist Union?

Como ex-funcionário da Google, músico pop premiado com disco de platina na minha nativa Sri Lanka e DJ com gigs no Ultra Miami e Coachella, eu senti que eu estava no melhor lugar pra ajudar os artistas a partir da tecnologia. Sempre quis construir algo na internet que pudesse ajudar os músicos. Uma coisa que me dei conta bem cedo é que a prova social nas plataformas que realmente importam se tornou o novo padrão. Sem essa prova social — como o número de seguidores no Soundcloud —, nenhum artista vai conseguir um agente ou manager interessado em trabalhar com ele, assim como boa parte dos blogs e portais olham para o próprio alcance desse sujeito antes de apoiá-lo. Então eu senti que os músicos precisavam de uma plataforma pra estar ao lado deles, e aí que veio a ideia da Artist Union.

Quais são os principais objetivos da plataforma? Que lacuna você diria que ela preenche no mercado musical?

O objetivo principal é ajudar o artista a aumentar seu alcance e solidificar uma carreira musical; ser o combustível que os leva ao próximo passo. A maior lacuna que preenchemos é quando tornamos ferramentas de crescimento complexas, baseadas em API — como gates do Soundcloud, do Spotify ou do Youtube —, simples e acessíveis para eles, e de graça! Sem sites como o nosso, eles teriam que estudar API e construir essas ferramentas por conta própria.

O Soundcloud foi por muito tempo a plataforma para DJs e produtores independentes exporem seu trabalho e também pesquisarem novos sons, mas as novas políticas de direitos autorais da empresa a colocaram em declínio. Como vocês lidam com essa questão dos direitos autorais — ainda mais estando ligados diretamente ao SC?

Eu ainda acredito no Soundcloud como a plataforma-base para música eletrônica e cultura DJ mundialmente. Não existe outra que permita a DJs e produtores alcançarem uma audiência global e a oportunidade de ser descobertos. Também entendo que o SC acaba levando uma reputação ruim pelo que detentores de copyrights, como as majors ou sociedades como a IFPI, fazem em termo de remoção de conteúdo. No final das contas, o Soundcloud tem que se ater às leis de direitos autorais pra poder executar sua plataforma legalmente, e eu tenho certeza que eles estão fazendo o melhor que podem pra manter a maior quantidade possível de conteúdo legal disponível online. Acho que a comunidade deveria dar um desconto pra eles nesse tema e focar no verdadeiro problema, que é o uso não autorizado de samples e os bootlegs. Se os DJs e produtores focarem em criar mais conteúdo original, não teremos tantos problemas de violação de copyrights e as contas não serão barradas. Na Artist Union, nós seguimos as regulações da DMCA e aderimos aos pedidos de bloqueio de conteúdo feitos pelos donos dos direitos.

COLOCAR EM DESTAQUE “Acredito que hoje somos a plataforma de angariamento de fãs mais inovadora.”

Como CEO da AU, qual sua experiência nesse mercado antes? Você diria que criou o projeto por perceber que a demanda pela compra de música digital viria a cair drasticamente?

Tendo crescido no Sri Lanka, eu fui um dos pioneiros em combinar o pop e o hip hop do Ocidente com nossa linguagem e música nativas. Eu fui o primeiro artista do país a ser tocado na BBC Radio 1 e a aparecer na MTV asiática. Também vendi milhões de discos e ringtones e me apresentei em mais de 15 países. Já gerenciei um selo e seus respectivos artistas. Com essa bagagem, eu tinha uma noção muito boa do que os músicos precisavam em cada estágio das suas carreiras — do novato ao superstar. Também sentia que podia falar a linguagem deles, que eu era parte da mesma tribo.

Acho que todo mundo nessa comunidade sabe que o mercado dos downloads está encolhendo e que pagar por eles é coisa do passado. Não me entenda mal, eu ainda acredito que os downloads vão durar bastantes anos, especialmente no mercado dos DJs, no qual é impossível executar seu trabalho usando streamings — mas eventualmente as coisas vão acabar se acomodando nesse universo do streaming. Essa é a nossa visão a longo prazo dentro da AU, bem como seguir inovando com ferramentas para os artistas construírem suas bases de fãs nesse mercado mutante.

Qual a principal inovação que a Artist Union trouxe ao mercado?

Acredito que hoje somos a plataforma de angariamento de fãs mais inovadora. Trouxemos diversas ferramentas novas, como o powerscore do Soundcloud, que já foi usado por mais de 50 mil artistas até hoje. Com o powerscore, basicamente você pode mensurar o quão bem você está se saindo como DJ/produtor e como sua carreira está seguindo. É o Klout adaptado ao Soundcloud, e nós pavimentamos uma riqueza de informações às quais você não teria acesso. Nós também ajudamos nossos artistas a angariar dinheiro através de doações. Os principais nomes já conseguiram milhares de dólares dessa forma.

Também estou muito satisfeito com nossa nova plataforma promocional. Trabalhamos com nomes muito talentosos mundo afora, e pegamos alguns brasileiros que tinham poucos seguidores no Soundcloud, como o Talking Dirty e o Saturn Keys, e conseguimos promover as faixas deles pra mais de 130 mil pessoas. Em um mês, levamos milhares de seguidores até esses caras, que também tiveram suas músicas compartilhadas por majors como a Big Beat Records.

O selo Artist Union Exclusives também teve um grande hit com a “Classic”, do FractaLL e do Adriann, que atingiu o número 1 no SC com quase dois milhões de plays.

Por que você acha que temos tantos brasileiros usando a AU?

Tivemos a sorte de trabalhar desde cedo com o Denis Usanov na Mixfeed e o Lucian na Sublime, e eles nos ajudaram a trazer muito conteúdo incrível de brasileiros. Agora temos mídias incríveis como vocês da Phouse e estrelas como Alok, Gabe, FractaLL, Vintage Culture, entre outras, usando nosso serviço pra se conectar com seus fãs. Nos sentimos abençoados demais por poder apoiar a comunidade dance brasileira, e esperamos que essa relação só cresça!

A plataforma claramente visa agradar aos artistas e aos consumidores de música. Mas e quanto às gravadoras e os selos — como tem sido a receptividade deles ao The Artist Union?

Muitos selos têm usado nossa plataforma também. Alguns grandes exemplos são a Musical Freedom, do Tiësto, a gigante brasileira/russa Mixfeed e a Bit Bird, label do San Holo. Mais e mais selos têm adotado uma postura liberal quanto aos direitos autorais, permitindo que suas músicas sejam baixadas e remixadas gratuitamente. Acredito que usar o conteúdo como meio para o crescimento de marcas que então lucram a partir de shows e mercadoria seja o futuro. Os selos e artistas mais espertos já estão fazendo isso. Entendo também que as receitas de streaming vão continuar crescendo, o que é uma boa notícia pras labels.

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