Entrevista

DJ, produtor e professor, Andre Salata vive um dos principais anos da carreira

Em papo com Alan Medeiros, o respeitado Andre Salata fala sobre a entrada para a D.AGENCY, lançamentos por selos gringos importantes e o que tira de aprendizado como professor de produção musical.

A palavra revelação, segundo o dicionário, reflete o ato ou efeito de revelar. No mundo dos negócios e esportes em geral, ela é utilizada para tratar de um profissional cujo crescimento captou atenção da crítica e do público em determinado período. Na música eletrônica brasileira, Andre Salata pode ser considerado uma das revelações de 2017, embora tal consideração soe bastante inadequada ao analisarmos sua longa história na música eletrônica e suas incontáveis contribuições técnicas e acadêmicas relacionadas à produção nacional — área que tem Salata como referência de qualidade, também por seu trabalho como professor de mixagem e masterização na Universidade Anhembi Morumbi.

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O sucesso e a visibilidade conquistados em 2017 são justificáveis por conta de seus últimos lançamentos. Logo no começo do ano ele emplacou um EP de originais na gigante Get Physical, com remix do aclamado dubspeeka. Posteriormente, voltou a lançar pelo selo alemão, remixando o também alemão Agent!. Além disso, assinou boas colaborações com Noir Music e Not For Us, e passou a integrar o casting de artistas da D.AGENCY.

Maduro, consciente de seu lugar no mercado e sedento por novas pistas, Andre Salata apresenta-se como um profissional capaz de explorar ao máximo seus conhecimentos em prol da evolução de sua personalidade artística. Assim, aproveitamos o momento importante de sua carreira para um bate-papo exclusivo.

Andre, a recente entrada para o casting da D.AGENCY marca um importante momento de transformação na sua carreira. O que você espera dessa parceria?

Sou frequentador do D-EDGE desde sua abertura em São Paulo, em 2003, e sempre gostei dos projetos do club. A agência é mais uma parte que eu aprecio. Trabalhar com eles tem tudo a ver com o som que produzo e discoteco, então acredito que esse encontro renderá bastantes frutos.

Você possui uma respeitada carreira como profissional de áudio aqui no Brasil. Em algum momento, já chegou a pensar em focar todo seu tempo nisso e deixar a discotecagem de lado?

Não pensei em fazer isso em nenhum momento, mas confesso que tem semanas em que isso automaticamente acontece, pois a agenda do meu estúdio anda bem concorrida — então muitas vezes sobra pouco tempo para pesquisar, gravar sets e mesmo produzir meu som. O que tenho feito é alocar horário na agenda pra mim mesmo. Agora, largar a discotecagem é pouco provável, mesmo porque os horários em que o estúdio funciona não colidem com os horários em que eu geralmente me apresento.

“Como professor, você sempre está aprendendo. Aprendo muito como interpretar cada pessoa, cada dúvida ou cada dificuldade. Isso mostra que ninguém é igual a ninguém.”

O que mais te encanta na relação aluno/professor? O que você tira de melhor do aspecto humano dessas experiências?

O que me encanta é que você percebe que sempre está aprendendo. Não digo isso tecnicamente, apesar de muitas vezes eu pesquisar pra responder algumas questões de alunos, mas aprendo muito como interpretar cada pessoa, cada dúvida ou cada dificuldade. Isso é um aspecto bastante humano que te faz parar pra pensar, e sempre mostra que ninguém é igual a ninguém e que devemos nos atentar sempre a isso em qualquer processo.

Como aconteceu seu primeiro contato com a Get Physical? Quão importante tem sido o apoio e suporte do selo para o impressionante crescimento que sua carreira tem tido em 2017?

O primeiro contato que tive foi no RMC, edição carioca em 2016, quando estava participando de um painel em que você mostrava suas demos. Apresentei “Magnetism”, e um dos convidados era o [dono do selo] Roland Leesker, que na hora veio falar comigo para assinar a faixa. Dali em diante fui conhecendo as outras pessoas que trabalham por lá — tudo via e-mail. Naquele ano, também no RMC, o [A&R] Matt de Plesis veio, e o conheci pessoalmente, uma pessoa incrível. Em junho, na tour europeia, conheci finalmente todos do escritório, e a galera tem uma vibe incrível, super família. Eles têm me ajudado bastante, principalmente em sugestões de como direcionar meu som e minha carreira, e parece que tem dado certo!

Você sente que as pistas europeias compreendem melhor seu estilo de som, ou nesse ponto nosso público já está equiparado com o europeu?

Bom, eu tive apenas quatro gigs por lá, então talvez seja pouco para poder comparar com pistas do Brasil. A princípio não senti muita diferença na questão de compreenderem o som. O que me chamou a atenção foi tocar no Watergate e no Sisyphos, ambos em Berlim, onde não é permitido utilizar o celular. Isso parece que conecta muito mais o público com o som que você está tocando. É algo que podíamos ver acontecendo em alguns clubs e festas no Brasil, há mais ou menos uma década.

Recentemente você lançou bons remixes: um para o alemão Agent!, pela Get Physical, e outro para o Leo Janeiro, via Not For Us. Como é pra você trabalhar na posição de remixer? Esse formato de produção te limita ou expande suas ideias?

Eu gosto muito de remixar, principalmente quando os áudios enviados no pacote são bacanas, porque aí consigo dar uma visão própria para os elementos e a track em si. De maneira alguma sinto que limita minhas ideias, mesmo porque acredito que quando te pedem um remix, apreciam teu estilo de produção — e nada mais legal do que fazer sua leitura de uma faixa, não é? Para mim, o remix sempre deve remeter à faixa original de alguma forma.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. Qual é o seu grande objetivo com a música?

Meu grande objetivo é continuar produzindo um som que mostre minhas emoções e, ao mesmo tempo, emocione as pessoas que estejam ouvindo, seja lá de qual forma isso ocorrer!

* Alan Medeiros é colaborador eventual da Phouse.

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