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Entrevista exclusiva com Öwnboss, projeto em ascensão na cena eletrônica brasileira

Izaias Lopes

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O duo curitibano Öwnboss, integrado por Mario Camargo e Eduardo Zaniolo, concedeu uma entrevista à Phouse, e falou sobre o início do projeto, como adquiriu espaço na cena e lançamentos de sucesso. Contou sobre o suporte de nomes como Bruno Be e Vintage Culture, planos para este ano e muitas outras curiosidades.

Os rapazes, que decidiram se mudar de Florianópolis para o Rio de Janeiro logo no início do projeto, deixando familiares e amigos sem entender o que estava acontecendo, hoje têm o suporte da Plusnetwork e Division Management, e já tocaram nos principais clubs do país, como Maori, Anzu e Green Valley.

Um nome que acreditou em seu potencial, Öwnboss deu seus primeiros passos na indústria criativa sem dinheiro para marketing, e hoje conta os frutos que conquistou com seu trabalho, como tocar no mesmo palco que DJs como Afrojack, Illusionize e Kungs.

Na entrevista, o projeto também revela ter muitas novidades chegando neste ano, como lançamentos por selos gringos, colaborações com artistas nacionais e muitas músicas originais. Confira!

Como vocês se conheceram e de onde surgiu a ideia de montar o projeto Öwnboss?

Então, é uma história que aconteceu muito rápida. Já nos conhecíamos de vista, pois frequentávamos as mesmas festas em Santa Catarina, porém não nos falávamos muito e mal sabíamos algo sobre a vida um do outro. O engraçado é que a gente foi se conhecer mesmo e criar essa sintonia, que temos de verdade até hoje, em um after na casa de um amigo em comum. Ficamos a manhã inteira conversando sobre objetivos de vida, sonhos, planos, e resolvemos da noite pro dia nos mudar de Florianópolis para o Rio de Janeiro, para montar uma empresa pra prestar serviços no ramo de entretenimento, já visando alavancar o projeto e começar a tocar à medida que a empresa e a nossa inserção no meio fosse crescendo – na época seria a forma mais rápida e fácil de se infiltrar na cena, porém não foi bem assim que aconteceu (risos). 

Mais ou menos uns 14 dias depois dessa nossa conversa, já tínhamos nos mudado para o Rio, largando tudo sem pensar muito, e daí, então, surgiu o nome pro nosso projeto Öwnboss (próprio chefe), que significa apesar de na época a gente ter uma condição segura com a nossa família, nossos empregos, algumas gigs na região, escolhemos sair da nossa zona de conforto para fazer algo maior e ir em busca da vida que queríamos.

Logo no começo dessa mudança pro Rio, nossos amigos próximos e familiares mal entendiam o que estava acontecendo, pois foi algo bem repentino. Mas a gente sentiu que era a hora de fazer e até hoje moramos aqui. Largamos tudo e seguimos em busca dos nossos objetivos através da música. Basicamente, tudo o que fazemos está relacionado à música. 

Vocês começaram o projeto apenas como DJs, tocando em festas. Após isso, passaram aproximadamente seis meses focando em produção musical. Explica para nós como foi esse processo. Vocês já produziam algo antes de iniciar o projeto ou aprendeu tudo nesse curto período?

O projeto iniciou apenas como DJ. Tocávamos antes em outros projetos e sempre tivemos a curiosidade em aprender a produzir música eletrônica. Durante toda a nossa criação, sempre buscamos informações, como fazer cursos on-line. Porém, imaginávamos que iriamos atingir um nível bom em produção com o projeto rolando. Não foi o que aconteceu. Faltou um pouco de experiência e até estrutura no começo para se aprofundar ainda mais em produção. 

Com o passar do tempo, percebemos que estava difícil conseguir datas e ficou nítido que precisávamos parar o projeto para focar em produção. Independentemente do tempo que demorasse pra gente se sentir seguros e começar a lançar nossas próprias músicas, iríamos continuar se dedicando a ela. Após isso, aí sim retomaríamos o projeto com tudo para chegar onde desejávamos. 

Nesse período de 6 meses, além de respirar produção musical 24 horas por dia, contamos com ajuda de alguns amigos. Fizemos algumas viagens estratégicas para passar algumas semanas com alguns produtores de nome e contamos com a grande ajuda do DJ e produtor Bruno Be, que acreditou em nosso potencial e abriu as portas do estúdio dele, sendo um atalho muito importante nesse processo para que tudo ocorresse da forma como ocorreu.

Hoje, temos um estúdio com ele, então a evolução é constante, sem falar que foi surpreendente ver um cara autodidata como o Bruno Be nos passar esse atalho realmente por acreditar em nós. Temos muito a agradecer a ele.

Em dois anos de projeto, vocês se apresentaram frequentemente pelos principais clubs do país, ao exemplo do Maori, Anzu e Green Valley. Qual o principal fator que vocês consideram essencial para tantas gigs realizadas em um período considerado curto? Seria trabalho de marketing? Agenciamento? Lançamento de músicas?

 Acreditamos que foi um conjunto de coisas na nossa vida. Quanto no Ownboss, sempre soubemos onde queríamos chegar, e foi incrível que mesmo sem saber ao certo como iríamos alcançar nosso objetivo, muitas portas foram se abrindo sem a gente imaginar. Acreditamos que a força de pensamento e trabalho foram as principais chaves. Algumas coisas aconteceram porque persistimos até conseguir e outras ocorreram de forma mágica.

A primeira track que lançamos atingiu 5 milhões de visualizações no YouTube, e isso deu um levante bom em nosso nome. Naquela época, nem na melhor das hipóteses imaginaríamos que nossa primeira track iria repercutir tanto (lembrando que sempre estávamos sem dinheiro para investir em marketing, então foi incrível como aconteceu).

Nossa segunda música lançada teve suporte do Kungs, sem a gente nunca ter tido contato com ele. Mal conseguimos postar ela no SoundCloud por problemas com direitos autorais. Foi algo incrível ver que ela sempre estava entre as listas das músicas tocadas em seus sets. Começamos a receber várias mensagens de gringos pedindo ela. Inclusive ficamos sabendo que ela estava tocando em rádios nos EUA e na Europa.

Logo em seguida, veio nossa terceira track, que ficou conhecida em um vídeo postado no Instagram, e teve suporte do Vintage Culture e outros artistas nacionais. Assim foi o início da nossa caminhada.

A partir desses momentos, as pessoas começaram a nos olhar com outros olhos. Os contratantes que nos conheciam começaram a abrir as portas, e a proporção começou a crescer junto com lançamentos de outras tracks. A partir disso, conseguimos chegar aos grandes clubes.

No carnaval, vocês fizeram uma boa maratona de shows, passando pelo camarote CarnaUol, na Sapucai, tocando ao lado do Kungs; logo após tocaram na Anzu, com Illusionize; e encerraram no Maori Beach Club, com Afrojack. Como foi essa experiência de ter tocado nesses grandes eventos, ainda mais ao lado desses grandes artistas? 

Foi a realização de todo um trabalho que vem sendo feito a um bom tempo. Viajar e tocar nos lugares que tocamos foi para lavar a alma. Realmente foi gratificante e nos deixou ainda mais motivados para trabalhar. Passamos muito tempo sonhando e imaginando como seria ter uma sequência de datas importantes. Só podemos falar que queremos muito mais e estamos trabalhando para isso a todo vapor.

Por falar em conquistas, vocês recentemente entraram para a Plusnetwork e Division Management. Falem um pouco sobre o que isso representa para a carreira de vocês.

A entrada para uma agência de ponta sempre foi o primeiro objetivo, visto por nós como um grande passo para o nosso projeto. A nossa caminhada com o Öwnboss nunca foi fácil, e quando recebemos o convite para trabalhar com o suporte da Plusnetwork, que é uma das maiores agências da América Latina, e ter todo um trabalho de management feito pela Division, que alavancou vários artistas na cena nacional e internacional, foi algo incrível. Costumamos dizer que nós damos pequenos largos passos, e com certeza esse foi um desses.

Vocês têm lançado diversas tracks nos últimos tempos, algumas delas com alguns dos maiores nomes do cenário nacional, como Bruno Be e Vintage Culture. Conte um pouco sobre essas parcerias e o que elas representam para o projeto Öwnboss.

Ver o seu trabalho ser valorizado por artistas de ponta e maiores que a gente é sensacional. O melhor é que tudo foi acontecendo de forma natural. Acompanhamos o Bruno Be muito antes de idealizar nosso projeto e assistimos todo o crescimento do Vintage Culture, que inclusive foi um dos artistas que mais nos motivaram a seguir em frente por conta de suas músicas que transformaram o cenário nacional. Depois de um ano do projeto ter músicas com ambos, constatamos que isso foi mais um grande passo nessa trajetória e mais uma realização para o projeto. Com certeza vem muito mais por aí.

Dentre todos os lugares que vocês tocaram, qual vocês mais gostariam de voltar?

Acho que todos os lugares onde tocamos deixaram uma marca em nós muito grande, desde o início do projeto até agora. Nossas últimas gigs, que tomaram proporções maiores, nos deixaram sentimento bom de realização. Em toda a nossa caminhada, passamos por tantos lugares irados que é difícil responder qual foi o melhor. Adoraríamos voltar em todas e fazer tudo de novo (risos)!

Mas com certeza os réveillons da Green Valley, Maori e Anzu foram os lugares que mais nos fizeram felizes. Esperamos voltar a tocar nesses espaços com certeza. Temos uma lista dos lugares que queremos voltar e outra que ainda queremos tocar. Incrivelmente, o Brasil está cheio de super clubes e isso é muito bom.

Quais são os planos para 2017? Mais lançamentos? Álbum? O que podemos esperar?

Para 2017, estamos nos estruturando, terminando nosso novo estúdio, estudando e planejando amadurecimento do nosso som. Fizemos um ano de 2016 de muitos remixes e bootlegs e em 2017 queremos começar a lançar nossas músicas próprias, que com certeza irão levar nosso projeto a um outro nível. Independentemente do gênero, temos muita história musical dentro de nós para mostrar, e agora em 2017 nos sentimos preparados para criar novas melodias.

Acreditamos também que o mercado precisa de coisas novas e estamos atrás disso incansavelmente, por isso estamos demorando um pouco para lançar nosso primeiro EP.

Para 2017, esperem nosso nome cada vez mais presente na cena, pelo menos é o que esperamos (risos). Temos alguns lançamentos por selos gringos já encaminhados, algumas tracks originais engatilhadas e outras collabs com artistas nacionais, que com certeza irão dar orgulho ao público que nos acompanha. 

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Entrevista

Aninha fala sobre a carreira e anuncia nova residência

Jonas Fachi

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Aninha
Expoente da cena nacional, a DJ veterana, especialista em warmups e residente do Warung, revela o próximo clube em que promete fazer história

Uma das artistas mais queridas e respeitadas do cenário nacional há quase 20 anos, Aninha é reconhecida por seus warmups compostos de uma verdadeira aula de bom gosto e técnica. Com agenda sempre repleta de shows de norte a sul do país, além de turnês internacionais, uma das residentes mais antigas do Warung Beach Club soma apresentações históricas ao lado de gigantes da cena internacional, que frequentemente rasgam elogios ao seu talento inquestionável, construído por anos de personalidade musical própria.

Em uma era de artistas trocando de estilo constantemente, a DJ com base em Curitiba é uma das maiores referências sul-americanas de consistência sonora sem seguir tendências. Contudo, sua carreira ainda transcende a vida atrás dos decks através da liderança nos bastidores do mercado, ajudando a catapultar novos artistas e realizando seus próprios eventos.

Dona da AIA Records e sócia da Seas — label party que conquistou Balneário Camboriú por ser uma das últimas resistências de vida noturna da Barra Sul —, a DJ em breve lançará sua nova empreitada: a festa “Cr/se” (leia-se “crise”), em parceria com HNQO e Fabø. O projeto promete uma experiência única e revitalizadora para a cena. Além disso, Aninha nos contou em primeira mão que é a mais nova residente do Terraza Music Park, em Floripa.

Nesta entrevista exclusiva, ela nos conta detalhes sobre a carreira, os desafios do mercado e fala sobre sua nova residência.

Em tantos anos de carreira você coleciona uma série de apresentações emblemáticas, sempre relembradas pelos seus fãs. Poderia contar-nos sobre algum momento em especial ao longo de sua trajetória?

É difícil contar apenas um momento nesses 16 anos. Mas diria que tocar no Skol Beats SP (2006), antes do Loco Dice, tocar no Circoloco DC10 Ibiza (2006) antes de Tania Vulcano, abrir para a Magda no Warung (2013) — onde precisei estender meu set devido a problemas técnicos no laptop dela — e tocar antes do Villalobos, também no Warung (2011). Todos esses momentos foram desafiadores, de grande crescimento e claro, muito especiais.

Esta é uma pergunta recorrente em entrevistas com artistas que já possuem anos de estrada, porém gostaria de saber sua opinião também. Quais são as principais diferenças e os desafios de um DJ que está iniciando uma carreira hoje em relação ao artista de dez anos atrás?

A tecnologia é a principal delas. No meu caso, tocava com vinyl, mas não havia internet rápida para ouvir as músicas. Precisava ligar para as lojas ou passar cerca de oito horas pesquisando com internet discada — depois da meia noite, pra não atrapalhar minha família. Hoje está tudo tão fácil e mastigado, com todos os recursos à mão da galera, os melhores equipamentos, riders cumpridos [risos]. Naquela época não havia toca-discos na maioria das cidades, então precisava transportar sozinha a case de discos e as MKs. Não havia também tanto cuidado com logística, marketing e posicionamento, no entanto, não dávamos tanta importância, já que o principal objetivo era levar sua música para o número maior de cidades e pessoas que pudesse. Hoje o desafio é se manter interessante para esta geração que não se preocupa somente com a música, mas com o conjunto do artista.

Você sempre se destacou na importante e imprescindível função de preparar a pista para outros artistas. Parece que novos DJs têm dificuldade de assimilar como se deve comandar uma pista nos primeiros horários. Como você tem observado gente nova nessa função?

Isso não acontece apenas com os novos artistas, é algo geral. Mas será que eles gostam de ter essa função? Ou usam daquele horário para mostrar seu talento para ser no futuro o artista principal? Ou quem sabe não havia espaço no lineup para encaixá-lo da melhor forma? Vejo que muitos artistas tocam as mesmas músicas que tocariam como headliners com o BPM baixo, mas não podemos julgá-los, já que muitos passaram anos tocando seus estilos da melhor forma. Cabe ao promoter ter a sensibilidade na hora de definir seu evento e ao artista tentar ser sempre flexível para escolher músicas que encaixem para determinado horário. Enfim, “N” motivos. Por outro lado, conheço outros tantos que fazem o warump com maestria, e que se destacam em qualquer horário de uma festa.

No último ano você protagonizou importantes noites em horários avançados. Como você tem conseguido adaptar seu set para atender a um momento da noite que exige mais energia, sem perder sua identidade? Você tem pensando em trabalhar mais vezes nessas fases da noite?

Sempre toquei em horários de mais destaque em outras cidades — aliás, adoro mostrar meu trabalho com mais amplitude. Mas muitas vezes não tive oportunidade no Warung ou em outros clubs, por causa de construção e coerência do lineup. Isso é normal.

Além de artista, você vem realizando uma série de eventos, a exemplo do Seas. Houve o anúncio de outra label party que está a caminho, denominada “Cr/se”. Conte-nos os detalhes sobre esses projetos, e no que diferem um do outro.

O Seas é nosso projeto de Balnaério Camboriú voltado à house com esse ar de praia — impossível não ser assim ali na região —, onde tenho como sócios o Nezello e o [seu irmão] Sharles Nezello. Faremos eventos em parceria com outros clubs e nossos próprios com mais independência. O Seas está tomando uma proporção muito maior do que esperávamos a curto prazo e estamos super felizes com o resultado!

Sobre o Cr/se, é nosso novo projeto em Curitiba, mais urbano e independente, de house a techno, com parceria dos artistas locais e outros núcleos independentes do Brasil. Estamos na fase final da estruturação dele e queremos fazer algo simples, em que todos se sintam livres, com valores justos, mas com muita qualidade.

Tenho acompanhado seus mini-vídeos em estúdio com o Fabø. Você parece estar destinando maior tempo para a produção musical. Como conciliar tudo? Quando serão os próximos lançamentos?

Sim. Consegui resgatar toda essa parte criativa que estava congelada nos últimos cinco anos, pois estava totalmente voltada à [antiga agência] 24bit, e posteriormente a Alliance [nova agência]. Já terminamos 12 tracks juntos, temos três lançamentos marcados para fevereiro e março (via Kingstreet Sounds, AIA-D e Eisenwaren), mas estamos aguardando a resposta dos outros selos. Sozinha tenho também um lançamento no meu selo AIA com um remix do L_cio em abril, um remix para a Any Mello e outro lançamento na Austro Music.

O mercado da música eletrônica é cíclico e muito dinâmico. Você está com uma nova residência no Terraza, club que hoje em dia pode ser considerado um dos mais underground do Brasil e que ajudou a moldar a cena em Florianópolis. Conte-nos um pouco sobre essa nova fase.

Sempre tive essa relação de amor com o Terraza. Mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer. A oportunidade chegou na melhor hora e estou muito feliz. O club está em sua fase mais madura e com muitos planos para um novo posicionamento no mercado. Estamos em momentos bem parecidos e ajudarei o [DJ residente] Ricardo Lin e todo o grupo no que for preciso para que esse crescimento aconteça.

Como artista, é preciso sempre estar se reinventado e se unindo a pessoas que tenham o mesmo ideal. Quando você iniciou, imaginava que estaria onde está hoje? Qual a chave para manter-se relevante em um mercado cada vez mais competitivo?

Nossa, nunca imaginei. Mesmo porque, era tudo muito novo em Santa Catarina. Eu só me dei conta que estava sério quando não conseguia mais estudar por causa das minhas viagens e tive que largar o emprego também. Sobre manter-se relevante, devemos observar as novas ondas e nos adaptarmos a elas sem perder a nossa essência. Estamos em constante mudança e isso não se limita apenas ao Brasil. Sou artista da velha guarda, mas que ama estar entre os novos grupos, de ouvi-los e aprender com eles. Gosto de olhar para frente e de ser prática. Se não deu certo em algo ou se não me adapto, já invento outra coisa e bola pra frente. O importante é não parar.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Saiba tudo sobre o Caos, novo clube do underground de Campinas

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Entrevista

Saiba tudo sobre o Caos, novo clube do underground de Campinas, que estreia com Carl Craig

Jonas Fachi

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Caos
Em entrevista exclusiva, Eli Iwasa, uma das fundadoras do novo clube campineiro, traz todos os detalhes do empreendimento e revela, em primeira mão, a atração especial de abril
* Com a colaboração de Flávio Lerner
* Foto de capa por Bill Ranier; artes e vídeos promocionais por Muto

Quando em 29 de maio de 2013 a “japa do techno” Eli Iwasa abriu as portas do Club 88 pela primeira vez — junto com seus sócios Rodolfo Salin, Antonio Carlos Diaz, Juka Pinsetta e João Mota —, era a concretização de um sonho que cresceu, transbordou, fomentou a cena local e dentro de uma semana se transforma em uma nova realização: o club Caos, que inaugura em Campinas no dia 22 trazendo pela primeira vez à cidade a lenda do techno de Detroit, Carl Craig.

E Carl é aquele artista para o qual a palavra “lenda” realmente se encaixa, sem cair em banalizações ou esvaziamentos. Tanto que foi escolhido a dedo pela DJ, empresária, sócia-proprietária e curadora Eliana Iwasa para ser a grande atração do primeiro ato desse novo empreendimento no interior de São Paulo.

Eli possui mais de 15 anos de carreira na música eletrônica, e já passou por clubs como o lendário Lov.e em São Paulo, o Kraft em Campinas e diversos eventos e gigs pelo país afora — seja como produtora, curadora ou DJ. À frente do Club 88, que continua funcionando normalmente no belíssimo Jockey Club de Campinas, a artista bookou artistas como Mind Against e Michael Meyer, e agora o momento é de expansão.

O Caos é o segundo estabelecimento do grupo e foi desenhado para abrigar artistas de maior porte — além de Craig, já estão confirmados Marco Carola (12/01) e um grande artista israelense (para abril) que ainda não foi anunciado oficialmente, revelado em primeira mão por Eli nesta entrevista exclusiva que você lê abaixo.

+ Em turnê pela América Latina, Carl Craig volta ao Brasil neste fim de ano

Assim, o Caos promete estimular ainda mais a já movimentada cena do interior paulista, com seu espaço industrial aconchegante e ressignificado especialmente para que as pessoas sintam-se livres na pista, guiadas pela soberania musical.

Confira todos os detalhes que Eli nos revelou sobre o novo reduto underground campineiro:

Como mostrado na apresentação do projeto à imprensa, o Caos chega para cobrir uma demanda local por artistas de maior renome, devido à falta de capacidade no Club 88 atualmente. Quando vocês perceberam que existia esse potencial latente para um projeto maior?

Sempre houve um desejo de receber esses artistas, e o Caos nasceu justamente para possibilitar essa realização. Quando procuramos o local, pensamos no tamanho ideal que nos permitisse viabilizar esses nomes que sonhamos tanto em bookar, e que oferecesse uma experiência diferente do Club 88. Nós voltamos ao nosso começo, onde o que importava era a música sem muitas firulas — com apenas som e luz que proporcionassem algo bem intenso na pista.

Talvez um dos grandes diferenciais desse novo club é sua localização. Parece existir no Brasil uma tendência extraída da Europa por espaços com características industriais. O que o Caos vai apresentar de diferente em relação à estrutura, capacidade e, mais importante, atendimento e soundsystem?

O Caos ocupa um antigo galpão industrial, onde ficava uma siderúrgica — uma das características mais interessantes do espaço é que ele conta com diversas janelas, com luz natural inundando o club assim que amanhece. O ambiente é rústico, cru, mas é fundamental que as pessoas tenham conforto.

A pista conta com dois bares grandes, uma área externa bem ampla, e vamos trabalhar com o sistema cashless, que é super moderno e garante maior tranquilidade para você consumir na festa. Quanto ao soundsystem, vamos deixar para quem for à inauguração, mas posso te adiantar que é de uma marca que usamos em alguns de nossos eventos em Campinas.

“É simbólico ter na inauguração um artista que nos faz revisitar nosso passado ao mesmo tempo em que nos faz olhar para frente — porque Carl Craig é história, mas nunca deixou de ser um visionário.”

Não é qualquer clube que consegue inaugurar com uma das lendas de Detroit, Carl Craig. Qual a expectativa para sua vinda? O Caos tem pretensão de oferecer quantas horas de apresentação para os convidados?

O techno de Detroit sempre foi uma influência muito grande para mim, e Craig um dos meus produtores favoritos. É um artista que se manteve atualizado, atuando um diversas frentes, e  cuja música só reforçou sua relevância ao longo dos anos. Depois da apresentação arrebatadora no DGTL em São Paulo, a expectativa realmente é muito alta. Acho que é muito simbólico ter um artista como ele na noite de inauguração de um club que nos faz revisitar nosso passado ao mesmo tempo em que nos faz olhar para frente — porque Carl é história, mas nunca deixou de ser um visionário.

Além de você como anfitriã, teremos o lendário Mauricio Lopes e o duo campinense Black Sun na estreia do Caos. Em relação a residentes, existem nomes cotados?

O time de residentes de um club se forma conforme sua história é escrita, e os personagens importantes para ela aparecem nesse processo. Os residentes do Club 88 estão entre os melhores DJs de Campinas e região, em minha opinião, e conquistaram seu lugar com a qualidade de seus sets ali. No Caos, tenho certeza que este grupo também vai se formar no seu ritmo e tempo.

Caos

Antes de tudo, vem o Caos

Em janeiro, outro nome importante do circuito global chega a Campinas: Marco Carola. Nessas duas primeiras datas, podemos observar que o techno e o tech house prevalecem. É esse o estilo de música que o Caos vai focar, ou haverá abertura para outros nomes importantes de estilos como deep house ou house progressivo?

Um ponto importante é que não vamos levantar bandeira de estilo algum — o que importa é a qualidade musical. Temos o techno de Detroit de Carl Craig, o tech house cheio de classe de Marco Carola, mas também confirmamos o Guy J no dia 06 de abril, para quem gosta de progressive house, além de três artistas de techno que ainda não posso relevar, mas que estão entre os mais relevantes do estilo.

Além de uma data mensal fixa, o espaço irá receber outros gêneros de música, como o hip hop. Como vai funcionar exatamente esse diálogo entre estilos e públicos tão diferentes?

Já temos uma programação diversificada no Club 88, e nossos projetos de hip hop e pop (o Groove Urbano e a Wolf) também terão suas noites no Caos mensalmente. Cada noite e cada público servem para enriquecer nosso trabalho, nossa experiência, e o que podemos oferecer ao público.

“Não vamos levantar bandeira de estilo algum — o que importa é a qualidade musical.”

Parece haver uma tendência recente de novos clubes, com propostas cada vez mais nichadas, surgindo pelo Brasil. Como você enxerga esse atual momento do mercado dos clubes e da cena eletrônica em geral? Crises econômicas à parte, você diria que este é um dos melhores momentos para abrir esse tipo de negócio no país?

Sempre acreditei que crises trazem muitas oportunidades. O interior de SP abriga muitos dos maiores festivais do Estado, tem um público que consome avidamente música eletrônica, provou que é importante celeiro de talentos, com ótimos produtores e DJs, e conta com o Club 88 e o Laroc, que investem fortemente em sua direção artística de forma constante — assim, percebemos que havia demanda e espaço para um novo club. Num momento em que o mercado está tão retraído, por que não encarar mais um empreendimento se tudo conspirou a favor?

Como é o processo de estudo e incubação da ideia de criar um novo clube até, efetivamente, o seu nascimento? Conta pra gente o trabalho que envolve a criação de um empreendimento desse tipo.

Nosso trabalho é muito intuitivo — sempre falo que não servimos como modelo de negócio algum, de uma maneira mais tradicional assim falando [risos]. Lógico que todos esses anos de experiência servem como base para tomada de decisões, e no caso do Caos, foi apenas seguir um desejo latente em ter um espaço maior, para não termos que criar uma estrutura temporária cada vez que quiséssemos expandir nossas atividades para fora do Club 88. Todos nós temos uma inquietude que nos faz sempre pensar qual o próximo passo, o próximo negócio, evento…

Quando o 88 completou quatro anos, sentimos que era hora de crescer. A primeira coisa é encontrar o local adequado — ou no nosso caso, descobrir um local e pensar que seria incrível ter um club ali, como foi com o prédio do Jockey Club. Eu já tinha em mente que artistas gostaria de trazer, e corremos para a obra ser finalizada a tempo.

“Não há excessos: o Caos é uma grande pista de dança com um baita soundsystem e uma iluminação projetada para criar a atmosfera certa para dançar.”

Quais são as principais referências que nortearam o conceito e os princípios do Caos?

De alguma maneira, o Caos é como o final e início de um ciclo, e sentimos que é um retorno às nossas origens, quando o que realmente importava era apenas a música, mas com o olhar para o futuro. Tudo que era excesso foi retirado: o club é uma grande pista de dança com um baita soundsystem e uma iluminação projetada e pensada para criar a atmosfera certa para dançar. Desde a comunicação até a decoração, tudo foi simplificado, sem rodeios, sem exageros, para que você tenha a experiência e a percepção mais pessoais possíveis.

Espero que as pessoas realmente vivenciem uma imersão musical ao som de ótimos artistas, e possam compartilhar conosco a realização de mais um sonho.

Como o Caos vai se diferenciar de todos os outros clubes conceituais do mercado brasileiro?

Posso falar da estrutura, do espaço, dos bookings, mas o que na verdade sempre nos diferenciou, e espero que continue no Caos, é a relação que criamos com as pessoas que prestigiam nosso trabalho, com nossa equipe e com os artistas. Esse apreço pelo outro, por uma boa festa — é claro — e o amor genuíno ao que fazemos é o que vai tornar o Caos especial.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Entrevista

Albuquerque: “Faço questão de inovar sempre; cada cenário, cada estação do ano requer um som diferente”

Jonas Fachi

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Entrevista Albuquerque
Um dos DJs mais conceituados no Brasil, o curitibano Albuquerque fala com a Phouse sobre ascensão e gestão da carreira, Warung Recordings, Radiola, ADE e a cena de Curitiba

É inegável, hoje ele é um dos DJs mais ativos e requisitados do país. Seu talento sempre foi a força motriz por trás do sucesso que o leva a se apresentar em clubs como Warung, em Itajaí, onde é residente, até o Watergate em Berlim.

Porém, para ser um DJ que gere influência e seja uma marca reconhecida no cenário, existem outros fatores que fazem a diferença para se destacar em um mercado tão competitivo como o nosso, e Ricardo Albuquerque é um especialista nesse quesito.

Neste ano, ele assinou um remix para o respeitado produtor Christoph pela Warung Recordings, gravadora que ajuda a gerir ao lado de Leo Janeiro. Ao mesmo tempo, esteve em tour por países como EUA, Espanha e Portugal, onde se apresentou no consagrado BPM Festival.

Esse equilíbrio de se fazer relevante atrás dos decks e no estúdio, aliado a uma agência de respeito e a pessoas que cuidam de sua imagem com o máximo profissionalismo, o fazem estar sempre sendo cotado para os horários nobres dos eventos em que se apresenta, vivendo o que ele mesmo considera seu melhor momento. Nesta entrevista, fomos buscar saber do artista todos os segredos do seu sucesso, além da evolução da cena eletrônica em sua cidade, Curitiba.

O talento sempre foi e sempre será a força motriz por trás do sucesso de um artista, porém existem outros fatores que fazem a diferença para se destacar em um mercado tão competitivo como o nosso. No que um DJ precisa estar mais atento para que seu nome esteja sempre relevante e ao mesmo tempo não se torne cansativo?

Acredito que não exista uma ciência exata para se alcançar destaque, mas com certeza, num mercado tão cheio e concorrido, é mais do que necessário que o artista esteja bem assessorado. Sozinho, é muito difícil fazer qualquer coisa. Eu procuro contar com ótimos profissionais e isso vai de management à assessoria de imprensa e agência, todos muito bem capacitados e que convergem as ideias com as minhas. É muito importante falarmos a mesma língua quando o assunto é a carreira; todos da equipe têm que entender a peculiaridade de um trabalho artístico, que vai muito além de cada gig.

Sobre não se tornar cansativo, me preocupo muito com isso. Procuro sempre criar temas novos para nossas festas, buscar inspirações em áreas diferentes e, claro, variar meu repertório. Não sou o tipo de DJ que é escalado pra fazer warmup e toca o mesmo set do peak time. Faço questão de inovar sempre — cada cenário, cada estação do ano requer um som diferente. Quem acompanha meu Soundcloud sabe muito bem disso. Surpreender o público faz parte do meu dia a dia e eu curto muito, me dá vontade de fazer mais!

Você esteve participando mais uma vez do ADE neste ano. Quais foram suas impressões? O artista que não esta lá está um passo atrás do mercado?

Sim, foi nosso quarto ADE. Fico impressionado com a quantidade de pessoas que vão pra Amsterdã nesse período e não participam da conferência. Claro que a cidade é fantástica, os coffee shops são iradíssimos e as festas surreais, mas ir até lá e não ouvir o que os mestres têm a dizer? Mancada!

Não acho que seja necessário estar lá todos os anos, é um programa bem oneroso, mas com certeza minha evolução como gerenciador da minha carreira e do meu selo se deve a esse encontro anual. Os temas são totalmente relevantes à nossa profissão, portanto é mais que claro pra mim que estar lá me faz crescer a longo prazo. Surgem novas ideias, novas percepções, constatações, tudo nos agrega muito — a longo prazo, repito.

“Num mercado tão cheio e concorrido, é mais do que necessário que o artista esteja bem assessorado. Sozinho, é muito difícil fazer qualquer coisa.”

Em sua tour pela Europa, você se apresentou na edição portuguesa do BPM Festival, fazendo um B2B muito comentado com o Chaim. Como surgiu essa parceria? 

Eu e meus amigos somos fãs do Chaim há cerca de seis anos. Nos conhecemos pessoalmente no BPM México de janeiro — na ocasião conheci a esposa dele, que também trabalha na indústria de festas. Ela nos apresentou, e quando nos reencontramos em Portugal eu fiz questão de chegar cedo pra acompanhar o set dele. Devido aos atentados recorrentes na Europa, a fiscalização da entrada do club estava demorando muito e vi que ele acabou tocando pra bem pouca gente.

Quando ele terminou o set, o convidei pra tocar comigo mais tarde, tendo em vista também que era um showcase do Warung, nós éramos os anfitriões e ele o convidado. Ele topou e tocamos juntos no meu slot. Claro que por conhecer o trabalho dele há tempos, foi mais fácil adaptar a linha; acabamos cedendo um pouquinho cada um. É desafiador, claro, mas muito legal!

Na próxima semana você se apresentará na tour da Kubik em Curitiba — festa que busca uma proposta audiovisual diferente. Qual a expectativa de receber o evento em sua cidade?

A Radiola Kubik será a única noite do projeto com 16 horas de festa, e com algumas surpresas também. Queríamos um diferencial e isso se reverte em bônus para o público. Eu me apresentei na Kubik São Paulo em 2015 e achei muito legal a conexão entre o som e o disparo das luzes nos cubos. O local será o mesmo do Tribaltech e tenho certeza que todos irão sair satisfeitos. Me apresento à meia-noite, e nosso convidado internacional, Guti, se apresenta às 02h.

“Corremos atrás de patrocínios, licenças, alvarás e toda burocracia necessária pra levar qualidade pro público. Se depender do Estado, não sai nada, e se sai é mal feito.”

Parece ser uma tendência Curitiba receber eventos de música eletrônica em lugares antes não imaginados. O Tribaltech agora tem um novo local muito elogiado dentro da cidade, o Warung está marcando época na pedreira Paulo Leminski. Você acredita que é apenas uma fase ou o poder público como um  todo tem concedido maior abertura a diferentes culturas musicais?

Eu acredito ser só o começo. O público quer o novo e nós também. Com certeza esses locais novos e inusitados surgem por mérito dos organizadores e produtores de eventos. A festa dos cinco anos da Radiola, por exemplo, foi no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, por nosso esforço. É triste dizer, mas se depender do Estado não sai nada, e se sai é mal feito. Corremos atrás de patrocínios, licenças, alvarás e toda burocracia necessária pra levar qualidade pro público. Quando o evento tem envolvimento das secretarias é feito por obrigação. Eu nunca vi um que preste, nem quando quem está lá no comando se esforça. Mas enfim, Curitiba tem essa chama diferenciada por parte dos núcleos. Aqui o som fala mais alto, e espero que continue assim.

Há algum tempo você anunciou que a Radiola Records estava tirando um tempo nos lançamentos para buscar aprimoramento musical. Em que fase se encontra a gravadora agora? Podemos esperar lançamentos em breve?

Mais que musical, esse aprimoramento foi profissional. Uma label, assim como qualquer empresa, precisa se organizar. Essa pausa fizemos há mais de um ano. No momento, temos 27 lançamentos disponíveis nas lojas e mais quatro até janeiro na agulha. O último foi o Lost Souls EP, uma bomba que toco sempre e quase derrubou o Watergate [risos]. Todos vieram me perguntar o que era aquela faixa, e era minha e do [produtor argentino] Tomy Wahl feita aqui na Radiola, quando ele veio pra tour. Essa track também saiu com um remix do romeno JUST2.

Pela frente nos releases, teremos mais uma faixa minha com remix do Dionigi, Caoak com remix do Ronnie Spiteri, Ariel Merisio com remix do Boghosian e algumas surpresas pro primeiro semestre de 2018. Aumentamos a equipe e vamos pra cima!

Você tem realizado seus próprios eventos, levando a Radiola para esse meio também. Existe um interesse em consolidar a marca também como um evento musical, ou são festas pontuais?

A Radiola Label Night é a festa temática do nosso selo e já tem seis anos. Nesse período estivemos nos principais clubs e festas do país, como Warung, Beehive, D-EDGE, Place Lounge e Colours. São mais de 40 eventos realizados em que já tivemos em nossos lineups diversos artistas internacionais relevantes, como Nick Curly, Djebali, Hot Since 82, David Glass, Oli Furness, Tomy Wahl, Jesse Perez, Joyce Muniz, Jamie Trench, Emanuel Satie, Dorian Paic, Russ Yallop, Gallya, Shosho, Ricky Ryan, entre outros. A marca de festas sem dúvida tem o foco musical e de entretenimento.

Em 2018 estamos lançando nosso novo website para facilitar pros contratantes. Além disso, teremos as festas Jardim Elétrico e Sonido Profundo, que dependem da disposição do lugar pra realização. Respondendo a pergunta, sim, pretendemos consolidar ainda mais a marca Radiola.

Como tem sido conciliar uma agenda carregada de shows, produzir música, eventos e ainda gerir juntamente com o Leo Janeiro a Warung Recordings? Você acredita que está vivendo a melhor fase da sua carreira?

A cada ano que entra, percebo estar vivendo o melhor momento da carreira — tudo isso devido a muito trabalho e força de vontade, de todos da equipe. É complicado conciliar tudo o que quero fazer, mas sinto que lidar com isso é o que eu mais gosto. As gigs são basicamente nos finais de semana, então o que eu faria da vida se não fosse fazer música e festa? Estou curtido muito produzir e tenho muita coisa pra lançar nos próximos meses.

Tenho um álbum em um projeto novo em que já tenho dez músicas prontas e alguns esqueletos pra desenvolver. Sobre a Warung Recordings, evidentemente é o selo do club. Como já disse em outras ocasiões, eu e o Leo gerenciamos hoje e nos dividimos em diversas funções do selo, mas ele não nos pertence — pertence à empresa Warung. Podemos opinar e indicar alguns artistas, mas tudo é passado pra direção, que opta pela quantidade de lançamentos e pelo material que quer fazer. Muita gente me manda demos sem nunca ter tocado lá ou sem ter vinculo algum com o espaço; eu tento explicar que não mando nas diretrizes do selo, fazemos esse trabalho por amor ao club e a música.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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