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No Brasil, a EDM não morreu, ela apenas foi adaptada

No Brasil, a EDM não morreu, ela apenas foi adaptada

Os últimos grandes festivais no Brasil mostram que o estilo está mais vivo do que nunca — embora diferente.

Sei que esse papo de que EDM morreu já deu no saco. Há anos vemos declarações de que a EDM está morrendo ou está morta, vindo de grandes nomes como Skrillex e Fatboy Slim — mesmo aqui na Phouse, que abre a possibilidade para diferentes opiniões de diferentes jornalistas, essa tese já foi defendida. Mas agora, talvez mais do que nunca, está claro que a EDM segue viva. E essa noção veio com muita força depois do que vimos no último final de semana no Ultra Music Festival, em Miami, e no Lollapalooza Brasil, em São Paulo. Os dois grandes festivais mostraram que o público, mais do que nunca, está curtindo o gênero.

A ironia com a “morte da EDM” voltou a bombar nas redes sociais da cena eletrônica brasileira nesse último final de semana.

No Lollapalooza, tivemos várias demonstrações do quanto a EDM está gigante e incomodando muita gente. Ao G1, Braulio Lorentz, por exemplo, defecou pelos dedos em uma matéria sobre o duo americano The Chainsmokers, que fez um dos melhores shows do festival, mas que, para o jornalista, “roubou o público da tão aguardada banda de rock Metallica“, “utilizando truques de DJs” e “tocando músicas pop” como “Closer”, “Roses” e “Something Just Like This” (esta, fruto de uma parceria com o Coldplay). 

Toda essa revolta talvez fizesse algum sentido se as músicas pop que os caras tocaram (e cantaram) não fossem de sua própria autoria, se eles não fossem DJs para usar tais “truques”, ou se até mesmo não tivessem alcançado o topo das paradas mundiais com suas excelentes faixas — as quais, sem dúvidas, o público foi ali para ouvir. Além disso, vale lembrar que ninguém rouba público de ninguém. Quem foi para ver Metallica estava vendo Metallica, quem foi para ver The Chainsmokers, viu The Chainsmokers; e nos anos anteriores não foi diferente, com nomes como Jack Ü, Calvin Harris, etc.

Claro, em muitos aspectos um show do Chainsmokers é mais simples do que um Marky, Solomun, Riche Hawtin (que me pergunto se o jornalista em questão conhece e consegue distinguir, ou se para ele é tudo igual), mas nem por isso é inferior; são apenas propostas diferentes. Se fosse uma piada, como Lorentz sugeriu, como seria capaz de roubar o público da maior atração do festival? Os fãs foram ver a atração certa, e talvez quem não estivesse no lugar certo fosse o jornalista, que, como boa parte da grande imprensa brasileira, parece ainda não ter entendido o valor da cultura DJ, ficando naquele papo antigo de que um DJ set é inferior a um show de uma banda, de que a música eletrônica é inferior ao rock. Mas infelizmente, não é novidade: como nosso colunista Flávio Lerner escreveu aqui em fevereiro, à ocasião da campanha difamatória da Jovem Pan com o festival Dekmantel São Paulo, o preconceito disseminado pela grande mídia ainda é um dos maiores obstáculos que nossa cena enfrenta.


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No mesmo Lollapalooza, pode-se destacar também mais uma apresentação que mostrou a grande força da música eletrônica no Brasil. Vintage Culture teve a entrada da pista do Palco Perry interditada por conta da superlotação. Muita gente ficou de fora sem poder assistir à apresentação do fenômeno brasileiro.

Esse tipo de constatação volta a nos questionar sobre a tal “queda da EDM”. E é aqui que precisamos esclarecer um ponto que gera muitas desavenças: EDM, para muitos, é sinônimo de Big Room/progressive house, o gênero mais mainstream que dominava a cena. Partindo dessa constatação, quando falam que a EDM caiu, faz sentido. Observando como CEO da Phouse nesses últimos três anos, eu entendo que houve uma falta de curadoria especializada em alguns clubs e festivais, que abriram espaço para “artistas” que mal dominavam a arte de discotecagem ou sequer entendiam a essência de se construir uma pista, fazer um bom warmup… Isso levou à saturação da EDM enquanto Big Room.

Esse ciclo é normal, e acredito que estamos voltando a vivenciá-lo no Brasil com a bolha que está se formando em volta do low-bpm/deep house/Brazilian Bass. Há muitos bons nomes por aí que têm grande potencial de conquistar o mundo, ao exemplo de Chemical Surf, Cat Dealers, Jord, Ricci, Illusionize, Malik Mustache e até os pioneiros Vintage Culture e Alok. Podemos considerar que essa turma nova representa uma nova fase da EDM no Brasil, na qual se mudou o estilo, mas não a essência: com fogos, efeitos e muita tecnologia envolvida, podemos ousadamente afirmar que Vintage Culture e Alok não ficam tão longe de um grande show de EDM. A fórmula continua igual, tendo sido apenas adaptada para o mercado brasileiro.


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No entanto, a curadoria de um bom lineup e os artistas com bom feeling de pista seguem sendo fundamentais — e nesse sentido já estamos nos perdendo mais uma vez, pois muita gente já não aguenta ir a um club para ouvir vários headliners, e novatos que se acham headliners, tocando a noite toda a mesma coisa. Está rolando novamente a mesma confusão que ocorreu com a geração Big Room, que achava que ser produtor musical é o bastante para poder comandar uma pista. Esse tipo de falha gera os mesmos problemas de antes: DJs iniciantes querem bancar de Hardwell e Dimitri Vegas & Like Mike, tentando transformar clubs em grandes festivais como Tomorrowland, com direito a berros e até xingamentos aos microfones em seus 15 segundos de fama. Isso tudo só serve para esvaziar a cultura eletrônica e reforçar a visão de críticos como Braulio Lorentz.

Por outro lado, alguns dos grandes clubs e DJs/produtores nacionais têm trabalhado com seriedade para levar a uma renovação da EDM, sem pecar no quesito de curadoria. Um exemplo é o nosso caçula Laroc, que recentemente apresentou artistas como Sunnery James & Ryan Marciano, Kryder, Eric Morillo, Ferry Corsten e Galantis. Já o veterano Green Valley anunciou Hardwell para abril, indicando que os bons tempos de EDM no club estão voltando, sem contar o próximo Ultra Brasil, que deve vir com uma dose cavalar do gênero, assim como os principais headliners do Electric Zoo, que chega ao país pela primeira vez.

Artistas brasileiros como FTampa, Marcelo CIC, JAKKO e Felguk estão se reinventando e voltando com seus shows e músicas mais comerciais, deixando um pouco de lado o Big Room e apostando em uma sonoridade mais pop/radiofônica, tal qual os próprios Chainsmokers. Foi o caso também de “Hear Me Now”, a mais recente produção do Alok com Bruno Martini e Zeeba, que pouco tem da sua marca registrada Brazilian Bass. Portanto, é simples de entender que por mais que tentem matá-la, a EDM está bem longe de morrer — ela apenas se transforma.

Foto: Gui Ubarn – Laroc

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