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O auge, a derrocada, o retorno do Trance e o que a EDM tem a ver com isso

Fernando Matt

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Um (não tão) breve resumo do que foram os últimos 20 anos do trance mundial.

Tudo começa com um período que compreende 1998 a 2010. Desde o seu boom na Europa, especialmente na Alemanha e Holanda, o trance viveu tempos memoráveis. Tendo destaque principalmente nas mãos de Paul Oakenfold, Paul van Dyk, Ferry Corsten, Armin van Buuren, e Tiësto, a trance music alcançou o seu grande auge, chegando a participar de uma abertura de olimpíada, nas mãos de Tiësto.

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Nos rankings anuais da DJ Mag, até então realizado por artistas, clubs e djs, classificaram o trance como sendo o estilo mais visado e valorizado do mundo. De 1997 até 2017, foram 15 dos 20 top #1 com um DJ de trance ou progressive no topo, fora os segundo e terceiro lugares, também recheados de artistas de trance.

Fonte: Wikipedia.

Após 2009, com a popularização de um som mais comercial, especialmente nos Estados Unidos, conhecido como Big Room, ou mais popularmente conhecido como EDM (electronic dance music), e o massivo investimento de empresas como a SFX (detentora do Tomorrowland), e os donos do Ultra, Russell Faibisch e o falecido Alex Omes, conseguiram uma massiva atenção para esse estilo, que se provou muito eficiente, nas mãos de caras como David Guetta, Hardwell, Dimitri Vegas & Like Mike, e outros, emplacando diversas faixas como top #1 da Billboard e Beatport seguidamente, e o estilo passou a dominar o mercado, expandindo-se para os festivais e clubs mundo afora. Uma mudança se deu também na forma com eram escolhidos os “Melhores DJs do Mundo”, com a DJ Mag abrindo a votação ao público a partir de 2010, a votação perdeu credibilidade, tendo diversas denúncias de “pay to win” para as melhores posições do ranking.

Desde o boom do Big Room/EDM, as tracks desse estilo nos principais sites de vendas de música os classificaram como PROGRESSIVE HOUSE. Isso descaracterizou totalmente o estilo que tem originalmente esse nome, e colocou na mesma sacola artistas como Guetta e Sasha, Hardwell e Deadmau5 (!!!!!!), e tantos outros exemplos. A descaracterização do progressive house criou um problema de identidade no gênero, que só foi corrigido recentemente no Beatport, com a reclassificação dos seus charts, e a inclusão do Big Room como estilo próprio.

Com o crescimento estrondoso da EDM pelo mundo, o mercado para outros estilos de música eletrônica se tornou mais escasso, incluindo nisso a trance music. Tivemos casos emblemáticos da mudança de gênero dos artistas pra acompanhar a onda do Big Room/EDM, e vou citar alguns dentro do trance:

Ummet Ozcan, Gareth Emery, Dash Berlin, Marco V, W&W, Arty, Andrew Rayel, Sander van Doorn, Leon Bolier, Tiesto, e Armin van Buuren.

Tiësto foi quem iniciou o movimento de migração dos artistas de trance para o EDM/Big Room, e foi a perda mais sentida, uma vez que até então era uma das grandes referências do gênero. Outros tantos os seguiram, até que a moda alcançasse o maior artista de trance da atualidade, Armin van Buuren.
Quem não lembra do TROUSE (junção de trance com bigroom house) em 2013 pra 2014, e as tentativas dos artistas de tornar o bigroom palatável ao gosto dos trancers?

Tiësto na Abertura das Olimpíadas de Atenas:

Tiësto em 2011, dentro do universo EDM com track em parceria com Hardwell:

E a nova faceta do Armin rendeu a ele grande destaque, ainda maior, nos festivais como Tomorrowland e ULTRA, onde seu som se descaracterizou completamente, não devendo nada a sets de Hardwell ou do Dimitri Vegas & Like Mike. Alcançou mais fãs, mas em consequência disso criou grande polêmica dentro da comunidade trance, chamando o público para “hear some a state of trance”, tocando tracks completamente bigroom ao invés disso.

Armin van Buuren durante sua apresentação no Tomorrowland Brasil, com um set bem misturado, focado em festivais:

No início de 2016, o artista Ferry Corsten iniciou um movimento forte com tracks emblemáticas em seus EPs HELLO WORLD, emendadas com o anúncio do retorno do famoso alias GOURYELLA (que iniciou com Tiësto em 2000, e que retomou sozinho agora), com seu single “Anahera”, alcançou rapidamente o top #1 entre todos os DJs e o público, sendo escolhida a música do ano do Trance. Gouryella trouxe ao trance um respiro ao estilo, que estava apagado mundialmente.

Ferry Corsten com sua track como Gouryella – Anahera

Artistas clássicos como Solarstone, Giuseppe Ottaviani, John O’Callaghan, Alex M.O.R.P.H, e mais especialmente os egípcios Aly & Fila (que estão chegando na edição 500 de seu programa Future Sound of Egypt) e tantos outros, mantiveram a comunidade trance ativa, preparando o terreno para o que viria a seguir.

Seguindo os passos de Ferry Corsten e seu estrondoso sucesso com Gouryella, outros artistas passaram a produzir mais faixas de trance como antigamente, surpreendendo a todos, como Gareth Emery, Arty, e mais recentemente, Sander van Doorn, com seu alias Purple Haze, e W&W com seu novo alias NWYR, ambos no ultimo Ultra Music Festival em Miami, que aconteceu no último final de semana. Mesmo Armin van Buuren passou a produzir mais tracks de trance (seja como Armin, ou como seus alias Gaia e Rising Star), e voltou a tocar mais faixas do gênero em seu programa A State of Trance, o que vem agradando muito aos fãs. Na edição do ASOT 800 na Holanda, Armin mostrou o melhor de sua forma, trazendo esperança de que os tempos áureos do trance voltem. Como businessman e sabendo do peso de seu nome, Armin van Buuren continua tocando sons mais comerciais em festivais como Ultra, mas em seus eventos ASOT, parece que o trance está voltando ao escolhido 5 vezes como melhor DJ do mundo.

Set do Armin no Mainstage do Ultra – EDM

Set do Armin no palco ASOT do Ultra – Trance

Hoje, vemos vários DJs retornando do Big Room/EDM ao trance, e nós vemos isso como positivo. O estilo está saturado, e não só o trance, mas o techno, o progressive house, o deephouse e outros tantos gêneros tem a ganhar com o retorno de seus estilos aos holofotes com o enfraquecimento do big room. Dekmantel no Brasil que o diga. Mesmo nos Estados Unidos, onde o big room criou raízes fortes, há um movimento de valorização do trance, com a criação do selo DreamState, evento exclusivo de trance com proporção de festival, com vários dias de duração, além dos eventos Transmission, em Praga, e o festival Luminosity, na Holanda.

Entendam. Essa não é uma crítica ao EDM. É um estilo forte, de presença marcante nos festivais, e que move multidões. Há espaço para TODOS. Mas a nova onda de diversificação da cena de música eletrônica é benéfica para todos.

Que venha a nova era de ouro do Trance!

E VIVE LA TRANCE! 

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Entrevista

Saiba tudo sobre o Caos, novo clube do underground de Campinas, que estreia com Carl Craig

Jonas Fachi

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Caos
Em entrevista exclusiva, Eli Iwasa, uma das fundadoras do novo clube campineiro, traz todos os detalhes do empreendimento e revela, em primeira mão, a atração especial de abril
* Com a colaboração de Flávio Lerner
* Foto de capa por Bill Ranier; artes e vídeos promocionais por Muto

Quando em 29 de maio de 2013 a “japa do techno” Eli Iwasa abriu as portas do Club 88 pela primeira vez — junto com seus sócios Rodolfo Salin, Antonio Carlos Diaz, Juka Pinsetta e João Mota —, era a concretização de um sonho que cresceu, transbordou, fomentou a cena local e dentro de uma semana se transforma em uma nova realização: o club Caos, que inaugura em Campinas no dia 22 trazendo pela primeira vez à cidade a lenda do techno de Detroit, Carl Craig.

E Carl é aquele artista para o qual a palavra “lenda” realmente se encaixa, sem cair em banalizações ou esvaziamentos. Tanto que foi escolhido a dedo pela DJ, empresária, sócia-proprietária e curadora Eliana Iwasa para ser a grande atração do primeiro ato desse novo empreendimento no interior de São Paulo.

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Eli possui mais de 15 anos de carreira na música eletrônica, e já passou por clubs como o lendário Lov.e em São Paulo, o Kraft em Campinas e diversos eventos e gigs pelo país afora — seja como produtora, curadora ou DJ. À frente do Club 88, que continua funcionando normalmente no belíssimo Jockey Club de Campinas, a artista bookou artistas como Mind Against e Michael Meyer, e agora o momento é de expansão.

O Caos é o segundo estabelecimento do grupo e foi desenhado para abrigar artistas de maior porte — além de Craig, já estão confirmados Marco Carola (12/01) e um grande artista israelense (para abril) que ainda não foi anunciado oficialmente, revelado em primeira mão por Eli nesta entrevista exclusiva que você lê abaixo.

+ Em turnê pela América Latina, Carl Craig volta ao Brasil neste fim de ano

Assim, o Caos promete estimular ainda mais a já movimentada cena do interior paulista, com seu espaço industrial aconchegante e ressignificado especialmente para que as pessoas sintam-se livres na pista, guiadas pela soberania musical.

Confira todos os detalhes que Eli nos revelou sobre o novo reduto underground campineiro:

Como mostrado na apresentação do projeto à imprensa, o Caos chega para cobrir uma demanda local por artistas de maior renome, devido à falta de capacidade no Club 88 atualmente. Quando vocês perceberam que existia esse potencial latente para um projeto maior?

Sempre houve um desejo de receber esses artistas, e o Caos nasceu justamente para possibilitar essa realização. Quando procuramos o local, pensamos no tamanho ideal que nos permitisse viabilizar esses nomes que sonhamos tanto em bookar, e que oferecesse uma experiência diferente do Club 88. Nós voltamos ao nosso começo, onde o que importava era a música sem muitas firulas — com apenas som e luz que proporcionassem algo bem intenso na pista.

Talvez um dos grandes diferenciais desse novo club é sua localização. Parece existir no Brasil uma tendência extraída da Europa por espaços com características industriais. O que o Caos vai apresentar de diferente em relação à estrutura, capacidade e, mais importante, atendimento e soundsystem?

O Caos ocupa um antigo galpão industrial, onde ficava uma siderúrgica — uma das características mais interessantes do espaço é que ele conta com diversas janelas, com luz natural inundando o club assim que amanhece. O ambiente é rústico, cru, mas é fundamental que as pessoas tenham conforto.

A pista conta com dois bares grandes, uma área externa bem ampla, e vamos trabalhar com o sistema cashless, que é super moderno e garante maior tranquilidade para você consumir na festa. Quanto ao soundsystem, vamos deixar para quem for à inauguração, mas posso te adiantar que é de uma marca que usamos em alguns de nossos eventos em Campinas.

“É simbólico ter na inauguração um artista que nos faz revisitar nosso passado ao mesmo tempo em que nos faz olhar para frente — porque Carl Craig é história, mas nunca deixou de ser um visionário.”

Não é qualquer clube que consegue inaugurar com uma das lendas de Detroit, Carl Craig. Qual a expectativa para sua vinda? O Caos tem pretensão de oferecer quantas horas de apresentação para os convidados?

O techno de Detroit sempre foi uma influência muito grande para mim, e Craig um dos meus produtores favoritos. É um artista que se manteve atualizado, atuando um diversas frentes, e  cuja música só reforçou sua relevância ao longo dos anos. Depois da apresentação arrebatadora no DGTL em São Paulo, a expectativa realmente é muito alta. Acho que é muito simbólico ter um artista como ele na noite de inauguração de um club que nos faz revisitar nosso passado ao mesmo tempo em que nos faz olhar para frente — porque Carl é história, mas nunca deixou de ser um visionário.

Além de você como anfitriã, teremos o lendário Mauricio Lopes e o duo campinense Black Sun na estreia do Caos. Em relação a residentes, existem nomes cotados?

O time de residentes de um club se forma conforme sua história é escrita, e os personagens importantes para ela aparecem nesse processo. Os residentes do Club 88 estão entre os melhores DJs de Campinas e região, em minha opinião, e conquistaram seu lugar com a qualidade de seus sets ali. No Caos, tenho certeza que este grupo também vai se formar no seu ritmo e tempo.

Caos

Antes de tudo, vem o Caos

Em janeiro, outro nome importante do circuito global chega a Campinas: Marco Carola. Nessas duas primeiras datas, podemos observar que o techno e o tech house prevalecem. É esse o estilo de música que o Caos vai focar, ou haverá abertura para outros nomes importantes de estilos como deep house ou house progressivo?

Um ponto importante é que não vamos levantar bandeira de estilo algum — o que importa é a qualidade musical. Temos o techno de Detroit de Carl Craig, o tech house cheio de classe de Marco Carola, mas também confirmamos o Guy J no dia 06 de abril, para quem gosta de progressive house, além de três artistas de techno que ainda não posso relevar, mas que estão entre os mais relevantes do estilo.

Além de uma data mensal fixa, o espaço irá receber outros gêneros de música, como o hip hop. Como vai funcionar exatamente esse diálogo entre estilos e públicos tão diferentes?

Já temos uma programação diversificada no Club 88, e nossos projetos de hip hop e pop (o Groove Urbano e a Wolf) também terão suas noites no Caos mensalmente. Cada noite e cada público servem para enriquecer nosso trabalho, nossa experiência, e o que podemos oferecer ao público.

“Não vamos levantar bandeira de estilo algum — o que importa é a qualidade musical.”

Parece haver uma tendência recente de novos clubes, com propostas cada vez mais nichadas, surgindo pelo Brasil. Como você enxerga esse atual momento do mercado dos clubes e da cena eletrônica em geral? Crises econômicas à parte, você diria que este é um dos melhores momentos para abrir esse tipo de negócio no país?

Sempre acreditei que crises trazem muitas oportunidades. O interior de SP abriga muitos dos maiores festivais do Estado, tem um público que consome avidamente música eletrônica, provou que é importante celeiro de talentos, com ótimos produtores e DJs, e conta com o Club 88 e o Laroc, que investem fortemente em sua direção artística de forma constante — assim, percebemos que havia demanda e espaço para um novo club. Num momento em que o mercado está tão retraído, por que não encarar mais um empreendimento se tudo conspirou a favor?

Como é o processo de estudo e incubação da ideia de criar um novo clube até, efetivamente, o seu nascimento? Conta pra gente o trabalho que envolve a criação de um empreendimento desse tipo.

Nosso trabalho é muito intuitivo — sempre falo que não servimos como modelo de negócio algum, de uma maneira mais tradicional assim falando [risos]. Lógico que todos esses anos de experiência servem como base para tomada de decisões, e no caso do Caos, foi apenas seguir um desejo latente em ter um espaço maior, para não termos que criar uma estrutura temporária cada vez que quiséssemos expandir nossas atividades para fora do Club 88. Todos nós temos uma inquietude que nos faz sempre pensar qual o próximo passo, o próximo negócio, evento…

Quando o 88 completou quatro anos, sentimos que era hora de crescer. A primeira coisa é encontrar o local adequado — ou no nosso caso, descobrir um local e pensar que seria incrível ter um club ali, como foi com o prédio do Jockey Club. Eu já tinha em mente que artistas gostaria de trazer, e corremos para a obra ser finalizada a tempo.

“Não há excessos: o Caos é uma grande pista de dança com um baita soundsystem e uma iluminação projetada para criar a atmosfera certa para dançar.”

Quais são as principais referências que nortearam o conceito e os princípios do Caos?

De alguma maneira, o Caos é como o final e início de um ciclo, e sentimos que é um retorno às nossas origens, quando o que realmente importava era apenas a música, mas com o olhar para o futuro. Tudo que era excesso foi retirado: o club é uma grande pista de dança com um baita soundsystem e uma iluminação projetada e pensada para criar a atmosfera certa para dançar. Desde a comunicação até a decoração, tudo foi simplificado, sem rodeios, sem exageros, para que você tenha a experiência e a percepção mais pessoais possíveis.

Espero que as pessoas realmente vivenciem uma imersão musical ao som de ótimos artistas, e possam compartilhar conosco a realização de mais um sonho.

Como o Caos vai se diferenciar de todos os outros clubes conceituais do mercado brasileiro?

Posso falar da estrutura, do espaço, dos bookings, mas o que na verdade sempre nos diferenciou, e espero que continue no Caos, é a relação que criamos com as pessoas que prestigiam nosso trabalho, com nossa equipe e com os artistas. Esse apreço pelo outro, por uma boa festa — é claro — e o amor genuíno ao que fazemos é o que vai tornar o Caos especial.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Notícia

Ícone do house progressivo, Nick Warren é headliner de festa em São Paulo

Jonas Fachi

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Nick Warren São Paulo
O segundo evento do núcleo Unik ID traz o expoente britânico de volta à cidade que tem um peso especial em sua carreira

Nesta semana, uma longa espera chegará ao fim. Depois de quatro anos, um dos mais consagrados DJs da história da dance music desembarca novamente no Brasil. Quase 20 anos após ter marcado época em São Paulo ao escolher a cidade para gravar sua segunda compilação pela Global Underground (ouça abaixo), o inglês está de volta para consolidar um novo ciclo musical na capital financeira do Brasil.

Falar de Nick Warren não é uma tarefa fácil. Sua trajetória impressionante como DJ e brilhante como produtor musical o colocou frente a frente com o que já houve de melhor na cena clubber e festival no mundo. Podemos dizer que a apresentação do próximo sábado, em evento realizado pelo núcleo Unik ID, será algo emblemático. Por quê? Para entender, precisamos voltar um pouco no tempo e relembrar a estreita relação que o DJ de Bristol já teve com a cidade.

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Em 1998, durante a explosão do estilo house progressivo desenvolvido por ele e ícones como Sasha, John Digweed e Danny Howells no Reino Unido, Nick apostou na capital paulista para compilar um de seus álbuns mais interessantes e distintos. Foi um dos raros momentos em que o artista flertou com techno de maneira magistral, acabando por conceber um disco que poderia ser facilmente apresentado nos dias de hoje.

Vale ainda destacar que nenhum outro artista compilou tantos álbuns para a gravadora mais importante dos anos 90 e 2000. Foram oito cidades escolhidas a dedo por Nick para expressar sua música e também adaptá-la ao movimento local. A escolha por São Paulo serviu como uma pequena amostra do potencial que a cidade já apresentava em ser uma das lideres de desenvolvimento eletrônico no mundo, como mais tarde veio a se tornar. Durante todo esse tempo, o artista obteve grandes momentos por aqui, em clubs com o Warung, o Sirena e, mais recentemente, na Amazon.

Em 2017, o público paulista de apreciadores do estilo que o DJ ajudou a criar e consolidar pode dizer que teve um ano especial. A vinda de nomes como John Digweed, Guy J, Hernan Cattaneo e agora Nick Warren fecha uma temporada que deverá ser lembrada como de mudança e abertura de ideias para outros estilos. Nick estará dando uma volta na história quando iniciar seu long set em um dos eventos mais aguardados dos últimos tempos. Em recente publicação em sua página no Facebook, o artista demonstrou todo entusiasmo para voltar à cidade: “Brasil, eu já estava com saudades de vocês!”.

O núcleo Unik ID, uma das bandeiras mais fortes da capital para o house progressivo, chega para realizar sua segunda edição já contando com um artista do mais alto escalão do cenário conceitual. Tudo isso foi possível após o retorno positivo no primeiro evento, em que trouxeram dois produtores de destaque nos últimos anos — Cid Inc e Darin Epsilon.

Nick Warren São Paulo

Sábado, dia 16, a pista em anexo ao AUDIO Club receberá ainda um B2B com dois talentosos produtores que vêm se destacando em nossa cena: Luciano Scheffer e Goraieb. Completam o lineup Pedro Capelossi, Gui Milani e Pk Live. Você pode conferir mais informações no Facebook.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Entrevista

Albuquerque: “Faço questão de inovar sempre; cada cenário, cada estação do ano requer um som diferente”

Jonas Fachi

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Entrevista Albuquerque
Um dos DJs mais conceituados no Brasil, o curitibano Albuquerque fala com a Phouse sobre ascensão e gestão da carreira, Warung Recordings, Radiola, ADE e a cena de Curitiba

É inegável, hoje ele é um dos DJs mais ativos e requisitados do país. Seu talento sempre foi a força motriz por trás do sucesso que o leva a se apresentar em clubs como Warung, em Itajaí, onde é residente, até o Watergate em Berlim.

Porém, para ser um DJ que gere influência e seja uma marca reconhecida no cenário, existem outros fatores que fazem a diferença para se destacar em um mercado tão competitivo como o nosso, e Ricardo Albuquerque é um especialista nesse quesito.

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Neste ano, ele assinou um remix para o respeitado produtor Christoph pela Warung Recordings, gravadora que ajuda a gerir ao lado de Leo Janeiro. Ao mesmo tempo, esteve em tour por países como EUA, Espanha e Portugal, onde se apresentou no consagrado BPM Festival.

Esse equilíbrio de se fazer relevante atrás dos decks e no estúdio, aliado a uma agência de respeito e a pessoas que cuidam de sua imagem com o máximo profissionalismo, o fazem estar sempre sendo cotado para os horários nobres dos eventos em que se apresenta, vivendo o que ele mesmo considera seu melhor momento. Nesta entrevista, fomos buscar saber do artista todos os segredos do seu sucesso, além da evolução da cena eletrônica em sua cidade, Curitiba.

O talento sempre foi e sempre será a força motriz por trás do sucesso de um artista, porém existem outros fatores que fazem a diferença para se destacar em um mercado tão competitivo como o nosso. No que um DJ precisa estar mais atento para que seu nome esteja sempre relevante e ao mesmo tempo não se torne cansativo?

Acredito que não exista uma ciência exata para se alcançar destaque, mas com certeza, num mercado tão cheio e concorrido, é mais do que necessário que o artista esteja bem assessorado. Sozinho, é muito difícil fazer qualquer coisa. Eu procuro contar com ótimos profissionais e isso vai de management à assessoria de imprensa e agência, todos muito bem capacitados e que convergem as ideias com as minhas. É muito importante falarmos a mesma língua quando o assunto é a carreira; todos da equipe têm que entender a peculiaridade de um trabalho artístico, que vai muito além de cada gig.

Sobre não se tornar cansativo, me preocupo muito com isso. Procuro sempre criar temas novos para nossas festas, buscar inspirações em áreas diferentes e, claro, variar meu repertório. Não sou o tipo de DJ que é escalado pra fazer warmup e toca o mesmo set do peak time. Faço questão de inovar sempre — cada cenário, cada estação do ano requer um som diferente. Quem acompanha meu Soundcloud sabe muito bem disso. Surpreender o público faz parte do meu dia a dia e eu curto muito, me dá vontade de fazer mais!

Você esteve participando mais uma vez do ADE neste ano. Quais foram suas impressões? O artista que não esta lá está um passo atrás do mercado?

Sim, foi nosso quarto ADE. Fico impressionado com a quantidade de pessoas que vão pra Amsterdã nesse período e não participam da conferência. Claro que a cidade é fantástica, os coffee shops são iradíssimos e as festas surreais, mas ir até lá e não ouvir o que os mestres têm a dizer? Mancada!

Não acho que seja necessário estar lá todos os anos, é um programa bem oneroso, mas com certeza minha evolução como gerenciador da minha carreira e do meu selo se deve a esse encontro anual. Os temas são totalmente relevantes à nossa profissão, portanto é mais que claro pra mim que estar lá me faz crescer a longo prazo. Surgem novas ideias, novas percepções, constatações, tudo nos agrega muito — a longo prazo, repito.

“Num mercado tão cheio e concorrido, é mais do que necessário que o artista esteja bem assessorado. Sozinho, é muito difícil fazer qualquer coisa.”

Em sua tour pela Europa, você se apresentou na edição portuguesa do BPM Festival, fazendo um B2B muito comentado com o Chaim. Como surgiu essa parceria? 

Eu e meus amigos somos fãs do Chaim há cerca de seis anos. Nos conhecemos pessoalmente no BPM México de janeiro — na ocasião conheci a esposa dele, que também trabalha na indústria de festas. Ela nos apresentou, e quando nos reencontramos em Portugal eu fiz questão de chegar cedo pra acompanhar o set dele. Devido aos atentados recorrentes na Europa, a fiscalização da entrada do club estava demorando muito e vi que ele acabou tocando pra bem pouca gente.

Quando ele terminou o set, o convidei pra tocar comigo mais tarde, tendo em vista também que era um showcase do Warung, nós éramos os anfitriões e ele o convidado. Ele topou e tocamos juntos no meu slot. Claro que por conhecer o trabalho dele há tempos, foi mais fácil adaptar a linha; acabamos cedendo um pouquinho cada um. É desafiador, claro, mas muito legal!

Na próxima semana você se apresentará na tour da Kubik em Curitiba — festa que busca uma proposta audiovisual diferente. Qual a expectativa de receber o evento em sua cidade?

A Radiola Kubik será a única noite do projeto com 16 horas de festa, e com algumas surpresas também. Queríamos um diferencial e isso se reverte em bônus para o público. Eu me apresentei na Kubik São Paulo em 2015 e achei muito legal a conexão entre o som e o disparo das luzes nos cubos. O local será o mesmo do Tribaltech e tenho certeza que todos irão sair satisfeitos. Me apresento à meia-noite, e nosso convidado internacional, Guti, se apresenta às 02h.

“Corremos atrás de patrocínios, licenças, alvarás e toda burocracia necessária pra levar qualidade pro público. Se depender do Estado, não sai nada, e se sai é mal feito.”

Parece ser uma tendência Curitiba receber eventos de música eletrônica em lugares antes não imaginados. O Tribaltech agora tem um novo local muito elogiado dentro da cidade, o Warung está marcando época na pedreira Paulo Leminski. Você acredita que é apenas uma fase ou o poder público como um  todo tem concedido maior abertura a diferentes culturas musicais?

Eu acredito ser só o começo. O público quer o novo e nós também. Com certeza esses locais novos e inusitados surgem por mérito dos organizadores e produtores de eventos. A festa dos cinco anos da Radiola, por exemplo, foi no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, por nosso esforço. É triste dizer, mas se depender do Estado não sai nada, e se sai é mal feito. Corremos atrás de patrocínios, licenças, alvarás e toda burocracia necessária pra levar qualidade pro público. Quando o evento tem envolvimento das secretarias é feito por obrigação. Eu nunca vi um que preste, nem quando quem está lá no comando se esforça. Mas enfim, Curitiba tem essa chama diferenciada por parte dos núcleos. Aqui o som fala mais alto, e espero que continue assim.

Há algum tempo você anunciou que a Radiola Records estava tirando um tempo nos lançamentos para buscar aprimoramento musical. Em que fase se encontra a gravadora agora? Podemos esperar lançamentos em breve?

Mais que musical, esse aprimoramento foi profissional. Uma label, assim como qualquer empresa, precisa se organizar. Essa pausa fizemos há mais de um ano. No momento, temos 27 lançamentos disponíveis nas lojas e mais quatro até janeiro na agulha. O último foi o Lost Souls EP, uma bomba que toco sempre e quase derrubou o Watergate [risos]. Todos vieram me perguntar o que era aquela faixa, e era minha e do [produtor argentino] Tomy Wahl feita aqui na Radiola, quando ele veio pra tour. Essa track também saiu com um remix do romeno JUST2.

Pela frente nos releases, teremos mais uma faixa minha com remix do Dionigi, Caoak com remix do Ronnie Spiteri, Ariel Merisio com remix do Boghosian e algumas surpresas pro primeiro semestre de 2018. Aumentamos a equipe e vamos pra cima!

Você tem realizado seus próprios eventos, levando a Radiola para esse meio também. Existe um interesse em consolidar a marca também como um evento musical, ou são festas pontuais?

A Radiola Label Night é a festa temática do nosso selo e já tem seis anos. Nesse período estivemos nos principais clubs e festas do país, como Warung, Beehive, D-EDGE, Place Lounge e Colours. São mais de 40 eventos realizados em que já tivemos em nossos lineups diversos artistas internacionais relevantes, como Nick Curly, Djebali, Hot Since 82, David Glass, Oli Furness, Tomy Wahl, Jesse Perez, Joyce Muniz, Jamie Trench, Emanuel Satie, Dorian Paic, Russ Yallop, Gallya, Shosho, Ricky Ryan, entre outros. A marca de festas sem dúvida tem o foco musical e de entretenimento.

Em 2018 estamos lançando nosso novo website para facilitar pros contratantes. Além disso, teremos as festas Jardim Elétrico e Sonido Profundo, que dependem da disposição do lugar pra realização. Respondendo a pergunta, sim, pretendemos consolidar ainda mais a marca Radiola.

Como tem sido conciliar uma agenda carregada de shows, produzir música, eventos e ainda gerir juntamente com o Leo Janeiro a Warung Recordings? Você acredita que está vivendo a melhor fase da sua carreira?

A cada ano que entra, percebo estar vivendo o melhor momento da carreira — tudo isso devido a muito trabalho e força de vontade, de todos da equipe. É complicado conciliar tudo o que quero fazer, mas sinto que lidar com isso é o que eu mais gosto. As gigs são basicamente nos finais de semana, então o que eu faria da vida se não fosse fazer música e festa? Estou curtido muito produzir e tenho muita coisa pra lançar nos próximos meses.

Tenho um álbum em um projeto novo em que já tenho dez músicas prontas e alguns esqueletos pra desenvolver. Sobre a Warung Recordings, evidentemente é o selo do club. Como já disse em outras ocasiões, eu e o Leo gerenciamos hoje e nos dividimos em diversas funções do selo, mas ele não nos pertence — pertence à empresa Warung. Podemos opinar e indicar alguns artistas, mas tudo é passado pra direção, que opta pela quantidade de lançamentos e pelo material que quer fazer. Muita gente me manda demos sem nunca ter tocado lá ou sem ter vinculo algum com o espaço; eu tento explicar que não mando nas diretrizes do selo, fazemos esse trabalho por amor ao club e a música.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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