O DJ-jornalista Camilo Rocha anunciou novidades e declarou que “falta doideira” na cena nacional

Ao site LOFT55, o expoente brasileiro falou sobre seus novos projetos, as origens da cena clubber brasileira, o jornalismo-DJ no País e cinco filmes e livros essenciais sobre a cultura DJ

No dia 15 de setembro, o LOFT55 — site que fundei e no qual sou editor, e que tem parceria aqui com a Phouse — completou seu primeiro aniversário. Para comemorar a ocasião, fizemos uma matéria com o paulistano Camilo Rocha, provavelmente o maior e mais consagrado DJ-jornalista do País.

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O Camilo foi escolhido por ser um nome-chave, admirado por todos os nichos entre o espectro underground–mainstream e referência pela sua cobertura jornalística da cultura de pista, tendo passado por veículos como a revista Bizz [onde explodiu], BBC, Rolling Stone, House Mag, Folha de São Paulo e Estadão. Depois de anos de Rraurl — site essencial para a história clubber brasileira, fundado em parceria com Gaia Passarelli e Gil Barbara —, o Camilo vinha fazendo um trabalho despretensioso, mas igualmente importante no seu blog Bate-Estaca, que foi uma das minhas grandes inspirações quando comecei a ler sobre dance music, o que por sua vez refletiu bastante na criação do LOFT55.

Esse nosso papo especial rendeu uma matéria dividida em duas, cuja última parte foi ao ar nessa quinta-feira. Na “parte I”, focamos na vida e carreira do Camilo, e ele aproveitou pra anunciar duas novidades: acaba de sair do Estadão para virar editor de projetos especiais em uma nova startup de jornalismo digital, que estreia em outubro; e a estreia de seu podcast quinzenal, o Caixa Alta, sempre com um convidado [o primeiro, aliás, que foi com o Marcio Vermelho, já está disponível na segunda parte da entrevista].

Ainda na primeira parte, falamos sobre como tem sido conciliar os trampos de DJ com os de jornalista, como ele enxerga o jornalismo de pista no Brasil, e também em como foi o começo da cultura clubber por aqui [a qual, aliás, ele explicou que entende como algo diferente da cultura DJ], no club Nation, em São Paulo, onde ele começou a tocar em 1988.

Já a segunda parte foi mais voltada às opiniões do Camilo sobre os cenários regionais da música de pista — ele comparou os polos de Santa Catarina e Paraná com São Paulo —, a importância dos rótulos musicais, “DJs de verdade” versus “sound colocators” e o Batalha de DJs, reality show de 2013 em que participou como jurado/treinador ao lado do Maestro Billy. Pra fechar com estilo, o cara elencou cinco filmes e cinco livros essenciais sobre a cultura de pista.

Sem dúvida nenhuma, essa prosa toda rendeu uma leitura interessantíssima para quem se interessa pela história do DJismo no Brasil. Dá uma olhada em alguns trechos marcantes:

“Ter a perspectiva do DJ, de comandar uma pista, ajudou muito no meu entendimento desse universo como jornalista. Minha pesquisa como jornalista também enriqueceu meu repertório como DJ, pois quando você é só DJ tende a focar muito em certas linhas de som. […] Ultimamente, gosto de pensar que não são duas carreiras, mas uma só: a da pesquisa e disseminação de informação.”

“No Madame Satã e em muitas das casas dos anos 80 que fizeram história não era possível ver quem tocava. Boa parte das pessoas dançava de sobretudos escuros olhando para o chão, quando não virados para a parede. Foi difícil para DJs como Magal e Mau Mau emplacarem hip hop ou house no Satã.”

“Eu acho que o profissionalismo está ótimo e é sempre bem-vindo, é uma marca do amadurecimento de um cenário. Por outro lado, está faltando doideira. Um artista se gabando por ser profissional é como político se gabando por ser honesto, não faz mais que a obrigação, certo? Eu queria ver mais gente doida, fora da curva, queria ver algumas genialidades indomáveis, personagens inclassificáveis. Tem um monte de “profissional” que parece que saiu de uma fôrma.”

“Não acho que os DJs apertadores de botão roubam mercado de quem é bom, nunca. Quem curte Marky não aceita Paris Hilton.”

Você lê a entrevista com o Camilo Rocha na íntegra aqui.

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