O novo álbum do Urbandawn é uma verdadeira obra de arte do Drum and Bass

Nos últimos tempos, as redes sociais tem se tornado um grande palco de discussão sobre o que alguns afirmam ser a estagnação musical da cena eletrônica nacional, isso por conta de artistas talentosíssimos que se perdem ao se limitarem a produzir algo novo, preferindo sem perceber, seguir sendo cópias de artistas que poderiam servir-los apenas como boas referências.

Em meio a essa crise de criatividade, eis que o mercado tem nos presenteado também com uma outra parcela de artistas que seguem o outro lado da moeda. Um desses grandes exemplos é o Felipe, nome por trás do projeto de Drum and Bass Urbandawn, que recentemente foi destaque na gigantesca BBC Radio 1.

Ao ter acesso ao material, ficamos extremamente surpresos com o resultado de “Gothenburg Cluster“, álbum que conforme o titulo dessa matéria, pode ser classificado como uma verdadeira obra de arte do DNB.

Para entender mais sobre a história desse belíssimo trabalho, fomos imediatamente em busca do Felipe, convidamos ele para trocar umas ideias e entender um pouco melhor do seu trabalho, processo de produção, apresentação na BBC, mercado brasileiro e projetos futuros. Aperte o play para ir apreciando o álbum enquanto confere o nosso bate-papo:

Como foi para você receber o convite para apresentar o seu trabalho na BBC Radio1, uma das mais importantes rádios do planeta?

É uma honra inenarrável poder contar com o suporte deles, a BBC tem um espaço muito importante dentro da musica eletrônica, em todos os estilos. Desde a primeira vez que fiz uma entrevista ao vivo com eles por telefone em 2015, tenho tido um suporte significativo da rádio, programas de caras como Mistajam, Friction e Roni Size tem sido peças fundamentais para o desenvolvimento da minha carreira na Inglaterra e Europa.

Quanto tempo você esteve trabalhando nesse álbum? Como foi o processo de produção?

Quase um ano de muito trabalho, um pouco mais de 10 meses pra ser exato! Meu background musical vem de diversos gêneros e sou músico a mais de 15 anos, então sempre tive a vontade de trabalhar em um álbum de musica eletrônica de uma maneira mais orgânica, usando e gravando diversos instrumentos e com um approach musical mais intimista.

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Comecei o álbum semanas antes da minha turnê europeia em outubro de 2015 e finalizei na primeira semana de julho desse ano. Toquei e gravei instrumentos como guitarra, violão, baixo, bateria além de ter experimentado muito com soundesign, aonde explorei bastante a gravação e manipulação de foley recordings. Foi um processo bem saudável e inspirador, poder passar em diversos estúdios tanto aqui no Brasil quanto lá fora, gravando ideias e até convidando músicos amigos foi algo que sempre almejei com produtor e músico.

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Embora tenhamos grandes pioneiros do DNB no Brasil, ao exemplo do DJ Marky, esse é um gênero que ainda não se popularizou para essa nova geração que curte música eletrônica no país. Como você enxerga isso?

O D&B é um estilo que intimida um pouco, é muito rápido e muitas vezes bem musical e experimental, então é natural (infelizmente) que o publico seja menor em um país como o Brasil. O estilo teve um boom muito expressivo há 15 anos  – caras como Marky, Patife, Andy e vários outros fizeram o estilo crescer bastante, principalmente em São Paulo.

Depois de alguns anos saiu um pouco do radar mas sempre continuou existindo e evoluindo, e hoje em dia temos a safra mais forte de produtores de D&B, caras que tem um trabalho expressivo fora do país e fazem o estilo acontecer por aqui.

Acredito que o estilo possa ficar ainda mais forte nos próximos anos, esse publico novo está começando a usar a internet como uma ferramenta de pesquisa musical ao invés de apenas ouvir o que é trend no Spotify, então acho que estilos como o D&B e outros possam ter um publico maior em um médio/longo prazo.

O que podemos esperar do Urbandawn para 2017?

Agora que meu álbum foi lançado, a ideia é ter um trabalho maior com remixes e singles mais focados pros DJ’s, já tem muita coisa legal programada pro primeiro semestre de 2017!

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