Opinião

O que esperar dos sets do lendário Danny Tenaglia em Warung e D-EDGE

A estreia de um dos pioneiros da house music é um dos grandes momentos da história dos dois clubes. Saiba mais sobre a trajetória do ícone, e por que você pode se surpreender ao vê-lo tocar neste final de semana.

A dance music como é conhecida hoje não seria a mesma sem o esforço de algumas pessoas lá atrás, quando tudo ainda era um grande laboratório de experiências. E se existe alguém que tem sua figura se confundindo com a história e o progresso da música eletrônica, essa pessoa é Danny Tenaglia. Quando muitos dos que hoje são frequentadores da noite em clubs ao redor do mundo nem eram nascidos, Danny já estava fazendo a diferença. Aos 56 anos, e depois de um longo hiato, o americano chega finalmente para uma turnê pelo Brasil.

Uma das apresentações mais aguardadas está em sua presença no Inside do Warung. O Templo foi historicamente palco de quase todos os pioneiros da cena eletrônica, e agora, poderá riscar da lista o “New York man”. A teoria nos diz que seu nome deveria ser reverenciado e estar na ponta da língua de qualquer clubber que se considere bem-informado quanto à música eletrônica, porém a realidade da cena brasileira reforça a necessidade de apresentar a sua importância. Isso revela também o quanto é difícil se manter como um DJ renomado mundialmente por, digamos, mais de 30 anos — são poucos que já alcançaram essa marca e continuam sendo importantes. Danny não só é isso, como também sua música nos dias de hoje representa uma espécie de resistência que remete à verdadeira cultura do DJing, estando ligado à volta das impressões em vinil.

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Quando começou a frequentar a lendária Paradise Garage ainda no final dos anos 70, sendo influenciado pelo estilo arrojado de Larry Levan, Tenaglia percebeu que aquele era o modelo de clube — com seu calor humano — e a forma de tocar que imitaria um dia. Deixou Nova Iorque em 1985 e começou a tocar em Miami como residente na discoteca Cheers, jogando os primeiros registros da house de Chicago. Voltou a Nova Iorque cinco anos depois e começou a criar seus próprios remixes, incluindoEmergency on Planet Earth”, de Jamiroquai (1993), e “Human Nature”, de ninguém menos que Madonna (1994).

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Depois disso, o resto é história; suas residências em clubs lendários da cidade como Roxy e Twilo o projetaram nacionalmente como DJ. Mais tarde, seu remix de “I Feel Loved”, da banda Depeche Mode, o levou a ser nominado para o Grammy. Além disso, venceu três vezes o International Dance Music Award, outras três vezes o DJ Awards e duas vezes o Muzik Awards — prêmios que provavelmente nenhum outro artista alcançou tantas vezes.

Um momento foi um ponto de conversão da em sua carreira, quando seu estilo flertou com a explosão do house progressivo, no final anos 90 e após a virada do século, época em que o swing e o groove tribal estavam no auge. Ele então lançou em 1999 sua primeira compilação para a série Global Underground do Reino Unido, intitulada Global Underground 010: Athens, e assim acendeu o fogo internacional.

Esse trabalho — um CD gravado ao vivo, bastante diferente do que Danny vinha fazendo até então — até hoje continua sendo um dos conjuntos mais sombrios de Danny. A foto da capa, um homem de aparência gentil com um boné ianque, simplesmente não parece se encaixar. As datas do DJ em toda a Europa dispararam pelo mistério do mix gravado ao vivo, indagando as pessoas em relação ao que os DJ sets de Danny eram de verdade. É baseado nesse disco que é importante que todos fiquem atentos ao que Danny irá apresentar em sua passagem pelo Brasil. Suas duas datas, no D-EDGE em São Paulo (21), e no Warung em Itajaí (22), prometem ser daquelas noites que cada frequentador na pista de dança agradecerá por ter se disposto a ir.

E é justamente a evolução do seu estilo que revela o quanto isso pode impactar em seus shows por aqui — quem for esperando apenas clássicos da house music, com BPM baixo e vocais “oitentistas”, pode ser surpreendido. No set acima, gravado no ano passado em um dos clubs responsáveis pelo renascimento da cena de NY — o Output, no Brooklyn — Danny Tenaglia ecoou BPMs elevados de seu velho estilo pouco conhecido, e mais impressionante, de tribal dark progressivo. Aguardamos!

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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