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Papos com Justice e Vitalic, calor e planos futuros; como foi o Sónar 2017

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Jornalista espanhola representou a Phouse na edição principal do maior festival de música avançada e tecnologia do mundo; entre entrevistas com artistas, frequentadores e diretores, os franceses Justice e Vitalic são o destaque.

* Por Paula López Barba

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Três da tarde, quase 40 graus em Barcelona. Leques e pistolas de água para aguentar o sábado no Sónar mais quente e lotado. Recorde de 123 mil visitas. Dois homens loiros e muito brancos deitados no chão, recebendo o forte sol espanhol. Provavelmente eles sejam de um país do norte da Europa. O Sónar tem um 54% de público estrangeiro, a maioria europeu. É difícil acompanhar o ritmo de atividades e o calorzão deste ano, mas poucos deitam e relaxam — há shows demais para ver nos cinco palcos. Aqui as pessoas não vêm só para dançar música eletrônica. Desde a sua primeira edição há 24 anos, o Sónar é um encontro de música avançada, criatividade e novas tecnologias; uma eclética proposta que mistura um público de idades, gostos e com objetivos muito diferentes — desde melômanos até aqueles que vêm só para se divertir, sem se importar com o artista. Você pode dançar trap ou sentar no auditório para escutar música contemporânea. Há também aqueles que vêm para fazer contatos no Sónar Pro ou para dar uma volta pelas propostas tecnológicas, este ano focadas na inteligência artificial e na realidade virtual. “As pessoas vêm para experimentar, descobrir e curtir”, diz Enric Palau, fundador e codiretor do Sónar.

O elevado preço do ingresso — mais de R$ 700,00 — e a ausência de uma área para barracas afastam o público mais novo e com menos dinheiro. Você pode escolher entre Sónar dia, noite ou ambos. “Eu estou indo só para a parte do dia, a noite é demais para mim”, diz Vicent, um espanhol cansado na saída do festival após um sábado intenso. Há espaço para todo e para todos. A semana Sónar concentra varias atividades em diferentes partes da cidade, incluindo as exposições de Björk e de David Bowie e um congresso de tecnologia, criatividade e business, o Sónar +D, que neste ano foi ampliado em dois dias. “É um encontro europeu para a reflexão sobre como a tecnologia pode ajudar no desenvolvimento das artes e da cultura eletrônica”, diz Georgia Taglietti, diretora de comunicação do Sónar, que insiste que se trata de mais do que um festival de música. “É uma experiência multissensorial, não apenas acústica.”

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Há também frequentadores que explicam bem a receita do sucesso. “É um festival horizontal com muitos artistas que não são headliners, mas que têm muito a dizer”, relata Albert, jornalista cultural que há 14 anos não perde uma edição. Ele fala de Anderson Paak, Moderat e DJ Shadow como destaques deste ano, mas sempre há também alguns nomes muito conhecidos no lineup. Esta edição começou na quarta-feira (14/06) com o DJ set e conferência de Björk em um ato meio improvisado, aplaudido por alguns e criticado por outros, mas é verdade que são os artistas consolidados, porém não tão conhecidos, que formam a maior parte do festival.

É o caso de Forest Swords, que entrevistei depois do seu show. A proposta do britânico é pouco comercial, mas muito aclamada pela crítica desde o início. Ele explica como fez a transição do mundo do design gráfico para a música, e como uma atividade alimenta a outra: “Eu estou acostumado a entender o mundo de forma visual, e transfiro o visual para sons. É abstrato, mas me ajuda a ter ideias”. Esta foi sua segunda vez no Sónar, e se diz com sorte de participar, apesar de reconhecer que nunca teve uma ambição especial de estar no palco, por ser muito tímido. Ultimamente, tem colaborado com Massive Attack e num filme de Liam Young (um arquiteto que faz vídeos sobre como serão as cidades do futuro), e nunca esteve no Brasil, mas gostaria muito. “Eu sei que os brasileiros são muito apaixonados pela música. No Brasil há uma boa energia musical, o que poderia me inspirar. Também é um país muito visual.”

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Logo após o show de Forest Swords, é o esperado momento do venezuelano Arca junto ao japonês Jesse Kanda. Eles deixaram muito altas as expectativas com a participação no Sónar 2015, mas neste ano muitos concordam que o começo do show foi longo e lento demais. A combinação da presença de Arca no palco com os intensos visuais conseguiu estimular as pessoas que estavam quase dormindo na primeira parte. A quinta-feira (15/06) termina cedo; temos que poupar forças para a sexta (16) e o sábado (17), dias fortes que têm também a parte da noite, que vai até às seis da manhã.

Na sexta, o público começa lentamente com grupos como Playback Maracas, um divertido e moderno duo catalão, que começou a misturar ritmos eletrônicos e tropicais há um ano. Eles adorariam fazer tour na América do Sul. “Se formos ao Brasil, não voltamos mais”, me dizem entre risadas, depois da sua primeira vez como artistas no Sónar. Logo depois é o momento da Juana Molina, ex-atriz argentina que há 20 anos defende o estilo intimista e experimental entre a eletrônica e o folk. Ela apresenta o seu sétimo álbum Halo, elogiado trabalho que combina naturalidade e escuridão com músicas sugestivas que não são muito dançantes — assim como também não o são as do duo NONOTAK. Naquela tarde, o auditório inteiro do Sónar dia se levantou para aplaudir o som e os visuais impecavelmente conectados da dupla. A proposta da ilustradora francesa e o arquiteto japonês não só tem a ver com a música; luz e espaço são igualmente importantes. Outros para quem o visual é uma ferramenta fundamental são os alemães do Moderat, que projetam suas características ilustrações no Sónar noite, na frente de um público totalmente dedicado. Também durante essa noite, apresentaram-se DJ Shadow, Nicolas Jaar, Anderson Paak e Nina Kraviz, entre muitos outros.


NONOTAK @ Sónar Barcelona

No sábado, as forças vão diminuindo após os três dias de festival. Muitos estão com ressaca da noite da sexta e não chegam no Sónar dia ou chegam deitados, como aqueles homens que se bronzeavam no chão. Mas é o dia mais lotado, porque para muitos outros é o único, e vão aproveita-lo ao máximo. As altas temperaturas e as filas para comprar em bares ou ir ao banheiro não ajudam, mas ainda há muito Sónar, e vale a pena aguentar para ver artistas como Marco Carola, De La Soul, The Black Madonna, Vitalic ou Justice.

O que é difícil é não dançar com Justice. A característica cruz brilhou em Barcelona novamente. Antes do show eu entrevistei o Gaspard Augé e o Xavier de Rosnay. Embora acostumados à fama e aos grandes festivais, eles reconheceram estar um pouco nervosos. “Vamos muito a Barcelona, mas não sabemos como vai ser a energia dessa noite porque é a primeira vez que fazemos o nosso show num espaço fechado”, disse Xavier. Apesar do seu aspecto de rockstars um pouco blasé — não tiram os óculos de sol durante a entrevista toda —, falamos com descontração dos planos e da relação da dupla com o Brasil. Eles não vêm mais para a América do Sul porque é muito caro transportar o que eles precisam para o seu espetacular cenário, e não vale a pena se eles têm poucos destinos. “Na América do Sul os limites naturais e políticos são mais difíceis de atravessar do que na América do Norte”. As distâncias e a paisagem latino-americana não lhes permitem ir com caminhões pela estrada, e voar com a quantidade de toneladas necessária não é barato. Mesmo que a música deles tenha pouco a ver com os ritmos brasileiros, se tivessem de escolher um país na América do Sul em termos musicais, seria o Brasil. “Há uma emoção especial na música brasileira, que não é encontrada em outros lugares. Gostamos principalmente da bossa nova”, revelou Gaspard.

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Quem às vezes aparece no Brasil é o também francês Vitalic, que me explica que o novo álbum, Voyager, tem menos techno e rock e mais disco. “Eu já estou com 40 anos e o meu trabalho é mais melódico e conta mais histórias, não é apenas para a pista de dança.” Ele diz que normalmente demora uns quatro anos para compor um álbum. “São dois anos de tour; no terceiro ano começo a pensar e no quarto finalizo o trabalho. Não me sinto forçado a produzir muito. Além disso, eu trabalho sozinho e preciso pensar e deixar a música crescer lentamente.” Ele adora vir a Barcelona e ao Sónar, mas também confessa estar muito nervoso antes do show, que é um dos últimos, às quatro da manhã no sábado.

Domingo é o momento de recuperar as horas de sono perdidas dos últimos dias, mas ainda falta o concerto de encerramento com um show muito diferente do resto das propostas do festival: Death Speaks, do compositor norte-americano David Lang. Trata-se de música contemporânea pós-minimalista interpretada pelo pianista norte-americano Nico Muhly, junto dos berlineses do Stargaze, em uma das principais salas de concerto da cidade. O público também é muito diferente, embora seja possível perceber alguns rostos familiares dos dias anteriores. Com sons suaves, lentamente se desvanece o Sónar Barcelona deste ano.

Desde 2002 o Sónar também visita outras cidades — incluindo três edições em São Paulo (a última delas, em 2015). As próximas paradas são Buenos Aires em novembro, Bogotá em dezembro e Hong Kong e Istambul em março de 2018. Quando pergunto aos organizadores se há previsão de um retorno ao Brasil, eles dizem que por enquanto não têm planos para outros países, porque há uns meses eles estão só focados na próxima edição de Barcelona, que será uma data muito especial: o 25º aniversário do festival.

* Jornalista espanhola, produtora da Television Española no Rio de Janeiro, Paula López Barba contribuiu com esta reportagem para a Phouse.

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