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Sasha retorna ao Warung para um longset repleto de memórias

Jonas Fachi

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Alguns acontecimentos podem se tornar lendas, desde que pessoas de determinada cultura social acrescentem uma simbologia que torne o fato relevante para suas vidas, e assim sobreviva em suas memórias ao longo do tempo. Todas as culturas possuem lendas e a clubber não é diferente, alias, está repleta delas. Ouvimos dos resistentes noturnos relatos que marcaram o desenvolvimento em determinado momento do cenário, moldando pessoas, cidades e até mesmo toda uma geração. Exemplos como o The Hacienda e seus frequentadores do movimento pós-punk do Reino Unido buscando liberdade de expressão, até acontecimentos miraculosos em salas escuras do industrial club Berghain em Berlim, povoam o imaginário popular e aumentam o entusiasmo quase fantasioso de se colocar junto aquilo.

Sabe quando você ouve tantas vezes sobre algum acontecimento e se encanta a cada vez até sentir que realmente fez parte daquilo? Desde que comecei a escrever para Phouse, dentre os diversos temas que me inspiravam a contar sobre, um deles esteve em segundo plano esperando seu momento ideal. Comecei a frequentar os clubes do litoral catarinense e por consequência o Warung Beach Club ouvindo de frequentadores mais antigos com quase unanimidade qual foi a noite mais impressionante já testemunhada ao longo da história do clube, e os olhos sempre me brilhavam ao se falar do set de 10 horas de  Alexander Coe logo em sua aguardada estreia no carnaval de 2006. Um domingo guardado quase que de forma religiosa por parte daquelas felizes almas que lá estiveram presentes, e agora, 10 anos e alguns meses depois um leitor que provavelmente é ativo hoje, pode-se perguntar, ‘’ok, 10 horas de set é algo que não acontece a muitos anos no Warung, isso por si é especial, mas o que mais aconteceu? Por que alguém ainda se prende a escrever sobre esse dia? Deve haver um contexto mais profundo e simbólico nisso tudo.’’ De fato, existe, e esse texto é uma pequena tentativa de alcançá-lo, com a ajuda de memórias distantes através de convidados que sobreviveram para contar e principalmente no intuito de despertar os interessados do futuro um sentimento de expectativa capaz de deixá-los no mínimo inquietos, pois Coe, ou simplesmente Sasha, tem presença confirmada entre as últimas datas no calendário de 2016, e vem de longset!

Para entendermos porque a repercussão desse dia sobrevive até hoje devemos considerar um conjunto de fatores externos e internos. Os externos podem ser avalizados olhando para o passado e entendendo o momento em que o artista vivia na época, mas isso vamos deixar para depois. Os internos, somente quem esteve presente no dia e pode ver a apresentação de Alexander, é que consegue nos trazer luz para entendermos sua importância. Uma das figuras essenciais na história do clube sem duvidas é Fabio Mergulhão. Sua capacidade e leitura de momento fizeram registrar através de sua lente algumas das fotos mais emblemáticas já feitas, e que hoje dão possibilidade de ilustrar o entendimento dessa matéria. Ele pode de forma até inesperada ter uma visão muito próxima junto a cabine da relação simbiótica que estava se iniciando ali, entre artista e publico:

‘’O Manager dele não queria ninguém na cabine, e o Sasha deixou que eu ficasse com ele o tempo todo. Minha namorada, atual mãe dos meus filhos, me mandou um SMS as 09:00 hrs, não existia WhatsApp, a mensagem era: Já deu, né! Eu, Zagonél, Sasha e sua mulher fomos até a casa do Conti na caçamba de uma saveiro, e minhas fotos foram usadas na página do Sasha na internet na época, incrível. ‘’

Daniel Waltrick acompanhou o clube da praia brava desde os primeiros anos, o influenciando a hoje ser um dos Djs mais respeitados do sul do Brasil, a importância de estar nesse dia de carnaval em sua decisão de se tornar um DJ foi fundamental:

‘’Para mim foi muito marcante porque como DJ, esse foi um dos momentos cruciais que ajudaram a nortear minha carreira desde então, a soma de musicalidade, técnica e carisma em um mesmo artista.. eu realmente estava muito impressionado e sabia que estava presenciando algo muito especial.’’

Danee hoje compõe regularmente line-ups do clube e é solicitado pelos frequentadores por sua enorme capacidade de interpretar o que a pista precisa, e isso só pode ser feito por alguém que absorveu experiências únicas antes de passar para o lado de cima da pista:

‘’Frequento o clube há mais de 10 anos, e fico tranquilo em fazer uma afirmação assim: foi um dos melhores Warungs da história! Um momento tão ímpar que até hoje muitas pessoas (da velha guarda) comentam sobre esse dia, pelo set em si, a energia da pista e a maneira que o Sasha se expressava no palco, dava pra ver que era muita coisa ao mesmo tempo tendo seu brilho, o club, o artista, o público, o sol nascendo… ‘’

Gustavo Conti, uma das mentes por trás da concepção do templo, viu os primeiros pilares sendo erguidos em meio a mata e em frente ao mar, trazendo para o Brasil um conceito e ideia musical totalmente nova, sua ideologia e amor pela música mudaram a vida de muitas pessoas. Depois da vinda de nomes como Danny Howells, Hernan Cattaneo, John Digweed, Lee Burridge, Timo Maas e alguns outros expoentes do estilo que dominava o mundo, praticamente só faltava ele, trazer Sasha era um sonho, e ele se tornava realidade. Mais que um set, mais que conseguir contratar o artista mais requisitado daquela época, foi como tudo aconteceu, Sasha veio para quebrar as regras e mudar conceitos, pois a partir de então, os longsets vivaram rotina e desejo de todos os convidados a se apresentar:

‘’Enfim chegava a grande noite, a mais aguardada, não só para mim mas também por todos que me acompanham desde a Rave (clube de Curitiba) e claro uma legião de fãs que o acompanham por todo planeta.

Jamais imaginei que ele, meu ídolo, poderia tocar em algum club meu.
Tínhamos como bússola o projeto ‘’Nothern Exposure’’ que era um novo universo abrindo diante de nossos olhos.’’

A série de compilações Northern Exposure de Sasha e John Digweed lançada em 1996 e 1997 influenciou pessoas de todos os cantos do planeta, foram 4 Cds que direcionaram toda a cena eletrônica por um mesmo caminho e fizeram algumas destas desejar trazer aquele estilo para suas respectivas realidades, e assim, a ideia de se fazer um clube que pudesse educar as pessoas com esses artistas no comando, foi um dos motivadores de se iniciar um projeto sem qualquer garantia, mas diferente de tudo:

‘’Já tinha visto Sasha tocar algumas vezes, mas ver aquele semblante em estado de graça foi inacreditável.
Quando me perguntam como foi essa noite, apenas repito as palavras do próprio: “it was a legend ” e acrescento ainda escrito em ouro para que nada e ninguém possa apagar aqueles momentos mágicos de nossas mentes.
Acho que a estória da caçamba você já sabe…
Depois ele continuou tocando na sala da minha casa, pode imaginar isso??
Só tenho a agradecer, meu ídolo virou meu amigo! ‘’

É importante salientar que 2006 foi um ano ímpar nas histórias de Sasha e do Warung. Apesar de a década de 90 o ter levado ao estrelato, sendo o primeiro Dj a conhecer o interior de um jato particular e receber mais de 50 mil dólares por duas horas de show, ele teve seu auge na década seguinte. A eleição como número 1 da DJ mag em 2000, o primeiro álbum autoral em 2002, indicações ao Grammy, o início da série involver e depois do seu projeto live, Sasha chegava ao templo apresentando sua melhor versão. Como nenhum outro grande DJ jamais tinha se aventurado a pensar, criou sua própria controladora (Maven) que lhe permitia desconstruir as músicas ao vivo com o suporte de um do Imac G5 e o software ableton por quanto tempo quisesse. No lado do templo, com um público interessado, emotivo e fiel, abraçados por um amanhecer ilustrado pelo sol, o clube tinha sido eleito como um dos 3 melhores do mundo pela revista inglesa mixmag, todos tinham seus olhos voltados para aquele triângulo de madeira e o Brasil finalmente tinha um ponto de parada obrigatório para qualquer DJ que quisesse estar em um dos melhores.

Essa soma de fatores internos e externos estava em ebuluição, e alguma coisa iria acontecer. Em seus longsets, Sasha traça uma linha tênue entre a sutileza em que te deixa confuso no começo, até a imposição de um ritmo intenso, inquebrável e paradoxal de sua verdadeira capacidade estarrecedora de alinhar elementos em sequência, no decorrer da noite desdobra loops, efeitos e recortes de vocais misturando varias faixas ao mesmo tempo até despertar sua mais profunda energia, formada por uma explosão emocional, e quando você se der conta, já se passaram varias horas.

Naquele dia, Sasha inverteu o senso comum e atravessou a noite para o dia surpreendendo e emocionando música após música, eu não estive lá, mas os depoimentos ainda apaixonados de todas as pessoas com quem falei e as oportunidades de te-lo visto em suas vindas nos últimos anos me mostram isso. Estou conformado de que nunca nada vai ser como aquele set, a expectativa da primeira vez é insuperável, e a possibilidade de escolher quando parar é imbatível. Ainda assim, Sasha está novamente em uma grande fase, seu ultimo álbum o colocou em mais um degrau, se é que ele tem limites de onde pode ir, e mais, o dia 28 é o mesmo de 2006, ele terá 5 ou 6 horas (mais?) para trabalhar, vai estar em sua pista favorita, e promete transcender uma vez mais os horizontes de todos que estiverem presentes. Espero que esse texto possa de  alguma forma aliviar a dúvida dos que se criaram em outro momento, e desperte novamente os sentimentos perdidos daqueles que vieram desse estilo de entender música. A todos, Sasha nos aguarda!


Acompanhe os contatos do artista. Fotos em crédito: Fabio Mergulhão

https://www.facebook.com/events/1742080039391519/

http://www.djsasha.com/

https://www.residentadvisor.net/dj/sasha

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Tomorrowland anuncia segunda fase do lineup para 2018

Phouse Staff

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Tomorrowland fase 2
Apenas um dia depois de revelar seus primeiros artistas para este ano, a produção confirmou novas atrações — incluindo astro do hip hop

Apenas um dia depois de soltar a primeira fase do seu lineup — que teve a confirmação de Hardwell como principal surpresa —, o Tomorrowland preencheu mais de 30 novos espaços que estavam vazios em sua programação para este ano.

Desta vez, podemos destacar o anúncio do famoso rapper americano French Montana, a primeira atração confirmada do palco Organ of Harmony Hip Hop, que indica um casamento mais sólido do festival com o gênero.

Além dele, também foram adicionados nomes como Dimitri Vegas & Like Mike, Sunnery James & Ryan Marciano, Martin Solveig, Vini Vici, KAYZO, Alison Wonderland, Andhim, Richie Hawtin, Jamie Jones, Recondite e Tale of Us.

+ Com surpresa, Tomorrowland revela os primeiros artistas de 2018

Confira como ficou o lineup até este momento:

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Pela Spinnin’, Tujamo lança releitura para hit de 2009

Phouse Staff

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Riverside
Confira a nova roupagem impressa pelo alemão em “Riverside”, de Sidney Samson

O DJ e produtor alemão Tujamo lançou nessa sexta-feira, 19, pela Spinnin’ Records, uma releitura do clássico “Riverside”, de Sidney Samson.

A versão original foi lançada em 2009 e agitou pistas ao redor do mundo desde então. Agora, Samson aceitou a proposta de Tujamo para relançar o som em outra roupagem. A nova versão dá um tom mais grave à melodia principal, e leva ao ambiente dos grandes festivais, onde tem tudo para fazer bastante sucesso.

“Eu imediatamente disse sim quando o Tujano sugeriu que refizéssemos ‘Riverside’! É uma faixa muito especial para mim. Foi meu primeiro grande hit internacional e a razão de eu começar a fazer turnês globais”, declarou Samson, via assessoria de imprensa. “Eu espero que os fãs amem essa versão ‘Reloaded’ tanto quanto gostaram da original.”

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Review

Vivenciando um Universo Paralello: Capítulo 2 – O festival

Júlia Gardel

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Universo Paralello o Festival
Vamos falar do que realmente importa agora: o festival

Seguimos hoje com o segundo capítulo da minha aventura na mais recente edição do Universo Paralello, que rolou entre o fim de 2017 e o começo de 2018 na praia de Pratigi, na Bahia. Depois de trazer, na semana passada, dicas importantes para se preparar para a viagem e o que esperar do UP, agora vamos direto ao coração do evento: a música, os palcos e a experiência do festival em si.

+ CLIQUE AQUI para ler a primeira parte deste review

CAPÍTULO 2 – O festival

Se você é novo no Universo Paralello, ao chegar lá você não entende nada, é normal. Eu demorei uns dois dias para me localizar lá dentro, principalmente porque o evento é montado enquanto ocorre. Não são todos os palcos que funcionam no primeiro dia, então ao chegar no UP você se depara com o Main Floor terminando de ser construído, assim como alguns bares e a praça de alimentação, mas tudo fica pronto bem rápido. Lá tem pouca sinalização ou placas, mas faz parte da aventura de experimentar um “universo paralelo”.

Palcos

Main Floor (Foto por Fernando Sigma)

Neste ano o evento contou com seis palcos: o UP Club, o Chillout, o 303 Stage, o Tortuga, o Palco Paralello e o Main Floor, além da área do Circulou.

O UP Club é mais voltado para o low BPM, onde se apresentaram diversos artistas brasileiros e internacionais, tocando do deep ao techno e tudo que há de melhor num visual voltado para o mar, numa estrutura toda de bambu e um palco de cabeça de índio gigantesco e sensacional!

Chillout (Foto por Fernando Sigma)

O 303 Stage é um palco voltado 100% ao high BPM das sub vertentes do trance, como o high tech. Já o Chillout possui um nome autoexplicativo. Cada dia você ouve um ritmo diferente: samba, reggae, música indiana, árabe… De tudo um pouco pra você relaxar de frente pro mar. A maioria das apresentações foram em live set.

O Tortuga teve bastante mistura também: hip hop, dubstep, trap… Foi um palco mais alternativo, decorado nesta última edição em formato de polvo. Enquanto isso, o Palco Paralello recebeu lendas da música brasileira, como Lenine e Gabriel Pensador. Um ambiente bem cultural e mais voltado para bandas, cantores e rappers.

303 Stage (Foto por Flashbang)

Já o Main Floor é histórico. Nesta edição o coração do festival contou com uma lona em decoração de escama de cobra referente ao conto de Adão e Eva, tema que foi abordado pelo flyer do evento. No quesito decoração, ele deixou a desejar aos antigos frequentadores do festival, que disseram tê-lo preferido nas edições anteriores. Aos novatos como eu, esse fator passou despercebido e tudo pareceu muito lindo e psicodélico. O palco contou com nomes ilustres da cena do trance, tanto nacionais quanto internacionais, passando por diversas das subvertentes do gênero.

No primeiro dia (27 de dezembro), apenas o Tortuga, o UP Club e o 303 Stage estavam abertos. O Main Floor abriu no dia 29 ao som da Ekanta, a mãe do Alok e do Bhaskar, anfitriã do UP. O Palco Paralello abriu no dia 28, e o Circulou deu início a suas atividades também no primeiro dia. No dia 04 de janeiro, nada acontece no evento; os portões fecham cedo e o som termina na noite anterior, data em que a maior parte das pessoas já foi embora. Se você está indo sozinho, voltar no dia 03 é uma boa sugestão.

Tortuga (Foto por SENSE)

O Circulou, pra quem não sabe, é uma Zona de Preservação das Culturas do Universo Paralello — um grupo fantástico de pessoas que realizam diversas oficinas e atividades culturais. Seus afazeres se iniciam antes mesmo do festival, com algumas pessoas da região de Ituberá ou próximas.

No espaço voltado para o Circulou, você encontra teatro, malabares, palhaços, danças, apresentações musicais de todos os tipos, oficinas de artesanato, aula de parada de mão, entre muitos outros (você pode conferir a programação completa das atividades do último ano aqui).

Circulou (Foto por Flashbang)

Em quase todos os dias, das 10h às 14h, ocorreram as sessões do Diksha, uma tradição do Universo Paralello que atrai muitas pessoas em busca de um estado meditativo para curtir ainda mais o festival. A Diksha é uma transmissão de energia que busca aquietar a atividade mental, propiciando experiências de transcendência e expansão da consciência. As pessoas que a aplicam são iniciadas pelos avatares Sri Amma e Sri Bhagavan para serem canais de energia.

Vale muito a pena participar, mas é preciso acreditar e liberar a mente pra que você possa experimentar ainda mais esse momento. Eu deveria ter feito isso mais vezes, foi o dia que eu mais curti e me soltei. Tirou toda a agitação e preocupação da minha mente, o que me fez focar apenas no momento que eu vivenciava.

Diksha no Circulou (Foto por Flashbang)

Comidas, bebidas e preços

Dentro do evento você encontra diversas opções de comida. Desde pratos feitos a pratos de arroz feijão, comida japonesa, pizza, opções veganas, wraps, crepes, churros, sorvete e tudo que você pode imaginar. Você tem opções até para o seu café da manhã. Há tendas de açaí com granola, opções de sucos da poupa, e tudo por um preço muito acessível. Eu não vi nenhuma opção que custasse mais do que R$ 25,00.

O açaí era servido em um copo bem grande e custava em torno de R$ 15,00. As pizzas tinham diversos tamanhos e custavam de R$ 15,00 a R$ 20,00. Eram vendidas por tamanho e inteiras, não em fatias únicas à parte, por isso achei um preço bem justo.

Um prato de arroz e feijão com frango ou carne grelhado era também R$ 20,00. Tudo girava em torno dessa faixa de preço, e outras opções como churros e sorvetes eram tudo a R$ 6,00. Dava para se alimentar muito bem, de forma saudável e a um preço justo. Além disso, existe no espaço do Circulou a cozinha comunitária, onde aqueles que levaram suas próprias panelas ou comidas se reúnem para cozinharem juntos em um fogão à lenha.

+ Assista ao set completo do Alok no Universo Paralello

O preço dos bares era também excelente, principalmente se comparado às festas de São Paulo:

Água – R$ 4,00

Refrigerantes e sucos – R$ 6,00

Gatorade e energético desenvolvido pelo próprio Universo Paralello – R$ 10,00

Catuaba – R$ 9,00

Drink de quiosque – R$15,00 o frozen de vodka sabor tangerina, limão, uva ou maracujá

As doses de vodka e whisky não eram assim tão caras também. Ainda é permitida a entrada, por pessoa, de uma garrafa de champanhe para a virada do ano — é a única bebida alcoólica permitida na revista do evento. Caso você não tenha levado, você encontra quiosques que realizam reservas de garrafas de champanhe para a virada, tudo em torno de R$ 120,00 e R$ 150,00.

Um pequeno imprevisto foi a questão do gelo. Após alguns dias devido à alta temperatura, houve falta de gelo, e por isso a entrega de copos com gelo para refrigerantes, sucos e energéticos foi proibida, sendo estes usados apenas para drinks como copos de catuaba. Porém, cada bar passava uma informação diferente. Uns diziam que eram só para sucos e drinks, outros para energéticos e sucos, outros somente para drinks, o que gerou um desconforto para alguns pelo fato de ter que tomar um guaraná às vezes quente num calor de 40º. Mas no fim tudo se ajeitou.

UP Club (Foto por Fernando Sigma)

Lojas

Muitas lojinhas se encontram no festival: lojas de roupa, de acessórios, a loja oficial do UP, entre muitas outras coisas, mas nem tudo é tão barato assim. Se você gosta de comprar, prepare os bolsos e preste atenção — algumas coisas parecidas você pode encontrar em lojas diferentes e por preços diferentes. Há desde saias artesanais lindas de R$ 300,00 a blusinhas e tops por R$ 40,00.

Você também encontra vendedores artesanais, os conhecidos hippies, de brincos, colares, pulseiras e as demais bugigangas de praia. Muitos cobram caro, alguns exageram um pouco por causa dos gringos, mas de tudo você encontra e muita coisa bonita!

Foto por Flashbang

Wi-fi

A proposta do UP é se desligar do mundo, e lá o sinal é realmente muito ruim, mas sabemos que passar oito dias sem contato com a família ou pessoas próximas pode ser um pouco complicado. Até para emergências é sempre bom você ter um meio de comunicação. Nesse caso o evento fornece wi-fi pago. Você tem a opção de pagar por um dia de uso ou pelo festival inteiro, e os preços se alternam.

No começo, um dia de internet saia por R$20,00, enquanto o pacote completo custava R$ 80,00. Esses preços vão diminuindo conforme o evento vai passando, até o ponto em que, por exemplo, três dias saia por R$ 40,00, e o festival todo R$ 60,00.

O wi-fi só funciona próximo ao local do stand, mas às vezes ele pega fora dali. Quando há muitas pessoas utilizando a internet o sinal vai cair muitas vezes, vai ser preciso reconectar toda hora, mas o sinal pega, você envia suas mensagens numa boa. Em horários em que quase ninguém se encontra por ali, ele flui perfeitamente.

Dica: Esse wi-fi é contado por horas, então se você o compra por um dia, você na verdade tem 24 horas de internet. Dificilmente você vai usar essas 24 horas de internet — você no máximo vai usar uma hora por dia, então às vezes um dia ou dois de pacote é suficiente.

Recomendação: Dificilmente seu power bank vai durar os oito dias, por isso você encontra uma solução dentro do UP: o guarda-volume eletrônico, um caminhãozinho repleto de tomadas que, por R$ 10,00, carrega o seu celular ou power bank. Tudo é nomeado e registrado por CPF, e funcionou perfeitamente bem.

Foto por Fernando Sigma

Cashless

Esta edição contou com o sistema cashless, abolindo as fichas de sua existência e evitando assim o gasto de papel e a perda de dinheiro. Cada um recebia, pelo valor de R$ 10,00, um cartão do Universo Paralello que você poderia recarregar quantas vezes necessário através dos caixas. Seu saldo era revelado a cada compra através de um cupom fiscal e do celular do atendente. Mas caso você esquecesse, era só solicitar no caixa mais próximo. O cuidado agora era não perdê-lo e não molhá-lo, para evitar o mau funcionamento do cartão e não perder todo o seu dinheiro.

RecomendaçãoNeste ano o evento passou a aceitar cartão de crédito e débito, mas apenas em alguns caixas. Leve sempre um cartão por garantia, mas ainda é melhor levar a maior parte do seu dinheiro em nota, para não correr risco de ficar sem.

Lineup

Logica (Foto por SENSE)

Meu propósito aqui não é falar sobre todos os nomes, nem todos os sets, até porque isso seria impossível e interminável. O que vale aqui é dizer que todos os DJs que pude ver fizeram um excelente trabalho, com sets de alguma forma notáveis ou inesquecíveis. A vibe do evento foi preenchida por muita música boa. Você acordava ouvindo clássicos e ia dormir ouvindo mais clássicos. A festa foi excelente do começo ao fim e citarei alguns dos momentos que mais me chamaram a atenção.

Sobre a escolha do lineup na virada, no palco do UP Club, não há nem o que comentar. A sequência de Patrice Baümel, Boris Brejcha e Guy J foi de longe a mais épica do palco, pra começar 2018 da melhor maneira possível. O Boris lotou o UP Club, criando mais uma vez uma atmosfera histórica. Guy J fez o primeiro amanhecer de 2018 ser eternamente memorável, e Baümel brindou a virada com seus melhores clássicos.

Gabe, Eli Iwasa ANNA marcaram presença no UP, assim como o Victor Ruiz em sua abertura ao som de Pink Floyd. Todos fizeram um set que marcou nossos corações. Além disso, Alok surpreendeu com um set bem underground e repleto de clássicos, fazendo todos dançarem do começo ao fim.

No Main Floor, Neelix foi uma das melhores apresentações. Além de ser um artista incrível, humilde e extremamente simpático, trouxe uma energia que emocionou a todos — assim como Zanon, Vegas, 4i20, Astrix e Vini Vici. O Infected Mushroom deixou a desejar no quesito set old school, como havia sido anunciado. A todos que pensaram ouvir a versão original de “Insane” e “I Wish” nesse UP, saibam que eu também senti a dor de vocês por ouvir na verdade dois remixes. Um momento que poderia ter entrado para a história, infelizmente não aconteceu. Enquanto isso, no mesmo ambiente, Alok e Bhaskar se reuniram através do seu antigo projeto Logica.

Eli Iwasa (Foto por Fernando Sigma)

A virada

A todo momento o UP te proporciona música e cultura, mas existem alguns breaks durante a festa, pausas no cronograma. O principal ocorre na virada do ano, quando todos os palcos param com o som por volta das 20h ou 21h, tirando o Main, que se mantém ativo por mais tempo. Nessa hora, todos se arrumam e a preparação dos palcos é feita. Só às 00h30 o restante volta à ativa.

Perto da meia-noite, todos se reúnem nas areias do Main Floor. Todo o festival reunido em um só lugar, uma energia contagiante perante a ansiedade do ano novo. Mas eu não vou contar o que ocorre na virada, ter a surpresa é muito melhor! É lindo, realmente marcante. Por mais simples que possa ser, é atrativo, intenso e emocionante. É aquele verdadeiro momento em que você percebe não só que o ano se passou, mas onde verdadeiramente você está.

Essa história não acaba por aqui: fiquem ligados na Phouse para o próximo e último capítulo sobre essa minha experiência no Universo Paralello: um relato final sobre a essência e o conceito do festival, junto a um guia de recomendações do que levar na sua bagagem.

Júlia Gardel cobre eventos para a Phouse.

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