Steve Angello: “Não acredito em ir atrás de um som apenas por ele ser popular”

Um dos maiores nomes da cena eletrônica atual, o grego-sueco fala com exclusividade à Phouse sobre a turnê no Brasil, Top 100 da DJ Mag, Size Records, popularidade e planos para o futuro.

Steve Angello é atualmente reverenciado como um dos grandes mestres da música eletrônica mundial. Referência por sua carreira solo e idolatrado por sua participação no trio Swedish House Mafia, o produtor sueco estará em qualquer lista dos nomes mais respeitados em qualquer parte do planeta. No Brasil, para uma sequência de cinco shows — hoje mesmo, dia 12, é atração dos 20 anos de XXXPERIENCE —, Angello nos dedicou alguns minutos para responder perguntas sobre os mais variados tópicos. Assertivo e contundente, falou sobre modismos, as direções da cena eletrônica, DJ Mag, seu apoio a novos artistas, planos para o futuro e sua ótima relação com o público brasileiro. Em uma entrevista imperdível, recheada de sabedoria e conhecimento de causa, ele nos mostra mais um pouco do porquê é um dos gigantes da música mundial.

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Pra começar, vamos falar um pouco da sua relação com o Brasil. Você já esteve aqui algumas vezes, incluindo as duas edições do Tomorrowland, nas quais o seu set foi um dos mais amados pelo público. Por que você acha que a sua conexão com os brasileiros é tão forte? Come você se sente quando vem ao país e recebe uma recepção tão calorosa?

Antes de mais nada preciso dizer que o show que eles [Tomorrowland] produziram foi maravilhoso; em segundo lugar, o público estava fenomenal. Eu amo me apresentar no Brasil, tenho ido aí há anos e vi crescer de pequenos clubes a festivais gigantescos. Eu sinto que o país está muito perto do meu coração e vou fazer o meu melhor para trazer os melhores shows que eu puder para os brasileiros!

A cena da música eletrônica é muito dinâmica e novos sons e estilos estão sempre surgindo e de repente ganhando muita atenção e popularidade. Você tem sido relativamente fiel ao seu próprio estilo, apesar de nunca abandonar a criatividade. Tem alguma coisa entre essas novidades para a qual você gostaria de dar uma chance? O que você pensa sobre os novos sons e as direções que a música eletrônica tem tomado?

Eu sempre evoluí enquanto artista e tentei ser criativo e inovador dentro daquilo que eu amo. Eu não acredito em ir atrás de uma sonoridade apenas porque ela é popular, eu não acredito em seguidores, eu amo líderes e amo pessoas que trabalham para inovar naquilo que fazem. Só porque o futebol é mais popular que o basquete, não significa que todos os jogadores de basquete devam começar a jogar futebol. Eu acredito em artistas verdadeiros.

“Só porque o futebol é mais popular que o basquete, não significa que todos os jogadores de basquete devam começar a jogar futebol.”

Levando em conta a qualidade impressionante das suas produções e a fenomenal recepção tida pelo seu álbum, Wild Youth, os fãs estão sempre curiosos para saber no que você tem trabalhado. O que você pode nos dizer sobre seus próximos projetos?

Obrigado pelo elogio! Eu fico feliz que o trabalho duro e a dedicação sejam reconhecidos pelos fãs. Não é fácil superar a mentalidade do copiar e colar de hoje em dia, mas é isso que me move. Há muito acontecendo no momento e o ano que vem será o maior até agora!

Este ano nós vimos uma notável diminuição no número de lançamentos da sua label, a Size Records. A Size é conhecida por ser uma gravadora que sempre priorizou a qualidade em vez da quantidade, mas existe alguma razão em especial para o baixo número de lançamentos recentemente? Por que o selo esteve tão discreto em 2016, comparado aos anos anteriores?

Nós temos um gran finale para o ano! Temos trabalhado sem parar em novas artes e identidade visual do selo e o resultado está maravilhoso, o melhor até hoje! Estou muito orgulhoso da minha atual família aqui na Size. Ano que vem teremos o melhor ano até agora na história do selo!

“Eu dou apoio a qualquer um que esteja subindo e precise de suporte. Uma vez que eles se tornam maiores e começam a priorizar o aspecto financeiro, eu sou o primeiro a dar uma freada. Muitos apenas seguem tendências e isso não é o que os verdadeiros artistas fazem.”

Todo ano, o anúncio do ranking Top 100 DJs da DJ Mag é motivo de discussão, crítica e até fúria por parte de algumas pessoas. Você tem consistentemente feito parte da lista desde 2006, tornado este ano uma incrível 11a participação em sequência. O que esse ranking significa pra você? O que você pensa sobre a relevância dessa lista e tudo que a cerca? 

Eu respeito a revista e as pessoas que trabalham lá. Eu apenas não vejo isso como algo fundamental dentro da indústria da música. Muitas pessoas dependem dos votos desse prêmio, mas eu pessoalmente não dou a mínima. Eu não peço votos, não participo de competições. Eu estou aqui para espalhar minha mensagem e se as pessoas estiverem gostando disso, é o que vai me fazer feliz.

Nós regularmente vemos a ascensão de novos e talentosos produtores na cena, e você como um mestre desta arte certamente consegue identificar os próximos grandes nomes antes de nós, meros mortais. Que produtores têm chamado sua atenção recentemente? Nos conte sobre alguns caras que devemos ficar de olho!

Eu amo os novos artistas. Existe algo mágico em alguém que ainda não atingiu um certo patamar. Você pode transformar e ajuda a desenvolver alguém naquilo que eles amam. Eu dou apoio a qualquer um que esteja subindo e precise de suporte. Uma vez que eles se tornam um pouco maiores e começam a priorizar aspectos financeiros, eu sou o primeiro a dar uma freada nisso. Muitos apenas seguem tendências e isso não é o que os verdadeiros artistas fazem, então você consegue rapidamente perceber quem é de verdade. Eu acho que vocês deveriam dar uma conferida no Highly Sedated. A química deles e o amor pela música é incrível!

* A Phouse agradece especialmente ao Gabriel Lisboa, da agência Plus Talent, por fazer a ponte entre a revista e o artista, possibilitando a realização desta entrevista.

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