Uma pataquada histórica ameaça cancelar o show do Kraftwerk na Argentina

Não há limites para a ignorância e a estupidez dos burocratas — sobretudo quando se trata de música eletrônica.

Parece notícia do Sensacionalista, mas é do jornal argentino Clarin. O Kraftwerk, uma das bandas mais influentes da história da cultura pop e da música eletrônica, tem show agendado pra Buenos Aires no final deste mês, dia 23, no Estadio Luna Park. Mas o evento está seriamente ameaçado, graças às medidas BRILHANTES dos governantes portenhos para “solucionar” os problemas expostos no festival Time Warp de abril, quando cinco jovens morreram por consumir ecstasy adulterado: banir todos os eventos de música eletrônica na cidade.

Não bastasse toda essa genialidade praticamente matar a cultura clubber inteira, já que lima tanto os clubs quanto os festivais, ela agora pode detonar com um espetáculo de música eletrônica que nem clubber é: o Kraftwerk ficaria impossibilitado de tocar em BsAs porque a sentença judicial proíbe qualquer artista que use “sintetizadores ou samplers como instrumentos principais”. Isso mesmo: a capital argentina, um dos maiores polos culturais da América Latina, está BANINDO OS SINTETIZADORES. Não é a China proibindo Facebook, não é o ISIS proibindo instrumentos musicais, não é a Coreia do Norte proibindo sorrisos; é a fucking Buenos Aires barrando o enriquecimento cultural dos seus cidadãos através de burocratas completamente inaptos que não fazem ideia de como lidar com baladas e drogas. Pra piorar tudo, a notificação de que o show teria que ser cancelado veio da Agencia Gubernamental de Control somente há duas semanas, quando mais de 70% dos ingressos já foram vendidos. Parabéns a todos os envolvidos!

Esses estadistas bundões tão precisando ouvir um clássico desses pra ver se abrem um pouquinho a cabeça

Ainda ficamos na expectativa que um mínimo de razoabilidade estale por ali e o show dos alemães seja autorizado — até mesmo porque, ainda segundo o Clarin, o Sónar está garantido pra dezembro, autorizado pelo Ministério da Cultura por “serem concertos, sem pista de dança ou DJs” [pra ver como esses juízes e governantes tão sintonizadaços, hein?!]. Mesmo assim, a possibilidade desse absurdo rolar, por si só, já é estarrecedora.

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