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“2017 vai ser um ano de aperto de cintos; será difícil equilibrar as contas”

Flávio Lerner

Publicado em

28/11/2016 - 18:21

Às vésperas do RMC São Paulo, Claudio da Rocha Miranda Filho, sócio-fundador da conferência, fala sobre o mercado da música eletrônica e perspectivas para o futuro.

Chegamos na efervescente época do RMC, a tradicional conferência da indústria da música de pista no Brasil. Na semana passada tivemos a edição nacional, em Curitiba; nesta próxima, é a vez da sul-americana, em São Paulo; e, em fevereiro, a edição mundial, no Rio de Janeiro, como já é de praxe desde 2009. Nesses oito anos de Rio Music Conference, tanto o mercado quanto a conferência em si cresceram muito, um retroalimentando e impulsionando o desenvolvimento do outro. Já tivemos edições em diversas outras capitais brasileiras, o que é extremamente saudável e produtivo, ajuda a descentralizar a cena, normalmente focada nas regiões Sudeste/Sul. Contudo, atualmente, locais relevantes que já estiveram no mapa do evento — Florianópolis, Brasília, Belo Horizonte, Recife… — não são contemplados nesta temporada.

Para entender melhor o que vem rolando nos bastidores, troquei uma ideia com Claudio da Rocha Miranda Filho, sócio-fundador da sigla e conselheiro da AFEM [Association For Electronic Music], sobre o momento atual e as perspectivas para o futuro — em um papo que você lê abaixo.

Em 2016, teremos tido três edições do RMC, diferentemente dos últimos anos, em que tivemos em torno de seis ou sete. Locais como Recife, Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre, além da própria Santa Catarina — uma das regiões mais importantes para a cena nacional — já não estão mais no radar das conferências. Por quê?

Enxugamos as edições do RMC por uma limitação orçamentária momentânea da plataforma. Estamos em um período de uma grave crise no país e é claro que isto afetou não apenas a iniciativa do RMC, mas a atividade da indústria da música eletrônica, clubes, festas e festivais Brasil adentro como um todo. 

O produto do entretenimento musical, por mais amadurecido que possa estar em nossa cultura e em nosso país, ainda é de certa forma supérfluo. Voltamos, em muitos lares brasileiros, à era de “comida no prato, roupa no corpo”. O que quero dizer é que há a dificuldade no atendimento das necessidades básicas, da subsistência. É natural que esse impacto dificulte o cenário da música eletrônica e sua cadeia produtiva, profissionais e prestadores de serviços.

De qualquer forma, com a transformação da edição de Curitiba em edição Brasil, e a de São Paulo em edição latino-americana, estamos alinhados com o posicionamento do projeto de ser o principal hub continental da nossa indústria, assim como identificar e abordar as particularidades de cada região do Brasil. A edição do Rio, que continua sendo a principal, reunindo a maior incidência de painéis e convidados internacionais, será em 2017, fatalmente, uma das melhores que já realizamos até hoje.

Por que as datas das três conferências se mantêm tão próximas, e como esses três eventos se inter-relacionam?

A edição de Curitiba era mais cedo, de fato. Buscamos uma associação com um projeto da Fundação Cultural de Curitiba que daria um impulso no evento, mas o outro projeto fora cancelado. Do Rio e em SP, sempre foram essas datas.

Existem temáticas comuns a todos os encontros, que não podem faltar; alguns convidados também, mas a perspectiva, abordagem e o tamanho, essencialmente, mudam de uma praça pra outra. Em Curitiba temos uma audiência de 400 a 500 pessoas; em São Paulo, de 700 a 900; e no Rio de 1400 a 1600 participantes. Claro que o número de painéis e duração acompanham a demanda das cidades.

“A edição do Rio em 2017 será fatalmente uma das melhores que já realizamos até hoje.”

Os últimos anos têm sido de crise, e sabemos como isso afeta inteiramente o mercado. Contudo, soluções criativas têm sido encontradas e, mesmo que ainda não dentro do ideal, os festivais e eventos de música eletrônica estão conseguindo se manter nesse período nebuloso — o que, inclusive, foi tema de uma das mesas do RMC Curitiba. Surpreende a você que essa cena nacional esteja se sobressaindo nesse período? O que você consegue vislumbrar para 2017 e um futuro a curto e médio prazo?

A crise é grave e profunda. Os eventos têm acontecido, mas os resultados financeiros, pelo que me parece, não têm sido muito favoráveis. Grandes eventos internacionais que chegaram no país não confirmaram sua permanência em 2016, e em 2017 acho que teremos mais ausências no calendário. Isso vale pros eventos nacionais também. 2017 vai ser um ano de aperto de cintos; será difícil equilibrar as contas.

Como vocês definem os temas das mesas e os palestrantes convidados?

Em primeiro lugar, procuramos dividir a grade de programação e uma abrangência equilibrada entre quatro macrotemas: mercado, artístico, tecnologia e tendências. Paralelamente, mantemos a nossa coordenação de atividades atenta e com os ouvidos abertos às demandas dos nossos embaixadores. O grupo dos embaixadores é um extrato muito importante de praticamente todas as categorias profissionais da nossa indústria. São indicados por outros embaixadores por serem referencias positivas em suas áreas de atuação. Por fim, o DNA do RMC é ser colaborativo. Se você tiver um tema interessante e oportuno, indicação de experts e a fim de propor uma mesa, o palco é do mercado e está lá pra isso. De qualquer forma, teremos uma boa novidade no que diz respeito a esse assunto em breve…

“O DNA do RMC é ser colaborativo. Se você tiver um tema interessante e oportuno, indicação de experts e a fim de propor uma mesa, o palco é do mercado e está lá pra isso.”

Claudio, você frequenta constantemente conferências no mundo todo, como o expoente ADE, na Holanda. Como você compara essas experiências e as cenas desses países com as cenas e experiências brasileiras? Você diria que cada vez mais o Brasil está alcançando esses polos mais consolidados?

Sem dúvida que sim. Seja artisticamente ou em termos de capacitação do mercado — muito impulsionada pela chegada dos grandes festivais —, nossa cena se desenvolveu muito nos últimos anos. É claro que ainda não temos esse tipo de cultura enraizada como em alguns países europeus e isso nos distância em muitos aspectos. Mas essa mesma distância nos trás oportunidades de desenvolvimento, sem contar no vasto tamanho do nosso mercado.

E como você enxerga o papel do RMC, desde sua fundação, para o desenvolvimento da cena nacional? Diria que ele foi fundamental para a cena brasileira atingir um novo patamar?

Nossa missão é oferecer espaço para as grandes mentes desse mercado, contribuir com o seu desenvolvimento e promover o intercâmbio com o exterior. Estamos felizes em estar caminhando para a nona temporada e os resultados alcançados até agora.

Estou escrevendo um artigo sobre o preconceito que a música eletrônica, em pleno 2016, ainda sofre. Tivemos a situação quase surreal com o Kraftwerk na Argentina, que quase foi cancelado por ser um show baseado em synths; e o lance da IPHAN Rio com o UMF, que dificultou demais a realização do Ultra. Isso sem falar também na Fabric, que foi fechada recentemente em Londres e só agora conseguiu reabrir suas portas. Vê algum tipo de retrocesso nessa questão do preconceito com a cultura clubber?

Como toda a cultura, a de música eletrônica e festivais precisa ter seus aspectos de identidade, herança e história preservadas e divulgadas. De tempos em tempos, mesmo com reconhecida legitimidade em todos os setores da sociedade civil, uma classe artística atuante e legião de fãs e consumidores nos quatro cantos do mundo, nos deparamos com preconceitos acerca de velhas questões que precisam ser enfrentados com diplomacia e informação. Associações de classe como a AFEM, sindicatos e organizações da indústria têm buscado uma atuação e interferência mais direta na política — o que definitivamente é um caminho necessário para que se tenha uma compreensão mais precisa desse tema. ~

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Entrevista

Conquistando a Ásia: DJs brasileiros falam sobre o novo polo da música eletrônica

Nayara Storquio

Publicado há

Ásia
O jovem Liu estreia na Ásia nesta semana. Foto: Rafael Oliveira/Divulgação
Bhaskar, Liu, FELGUK e Cat Dealers relatam suas experiências no continente
* Com a colaboração, revisão e edição de Flávio Lerner

Quando falamos de dance music no contexto internacional, os primeiros destinos que vêm na nossa cabeça são Europa e Estados Unidos. Não se iluda; este é apenas mais um reflexo da influência musical e cultural que esses lugares têm sobre nós. A verdade é que o novo oásis da indústria da música eletrônica está bem mais longe do que imaginamos: na Ásia. E é pensando nisso que não só os Top DJs mundiais como também os brasileiros estão se aventurando em terras orientais e fazendo muito sucesso.

Que a Ásia vem roubando a atenção do mercado não é de hoje. É evidente que o continente proporciona condições ideais para realização de festivais, por exemplo. Se avaliarmos o clima, o público, as paisagens e o custo, fica fácil saber o porquê. Ainda em 2015, o CGA Strategy divulgou um ranking dos 250 melhores festivais do planeta, e a Ásia, com apenas dez concorrentes, emplacou cinco: o Sunburn, na Índia; o Zoukout, em Singapura; e Clockenflap e Storm Electronic Festival, na China. De lá pra cá, a cena só cresceu.

Sabendo da mina de ouro que se tornou o “mundo oriental”, os nossos DJs também resolveram desbravar o continente. Alok, FELGUK, Cat Dealers, Sevenn, Liu, Bhaskar, D-Stroyer, Gaby Endo, Wav3motion, Renato Cohen, Gui Boratto e André Pulse são alguns dos que se destacam nessa aventura, e a Phouse entrevistou alguns dessa lista que só aumenta.

Ásia

Foto: Divulgação

Neste sábado, dia 04, a label UP Club desembarca no Half Moon Festival, em Koh Phangan, Tailândia. O showcase do selo de Alok vai levar muita brasilidade consigo com Liu, Bhaskar, Shapeless, Ekanta, Logica (antigo projeto de Bhaskar e Alok) e o Tripical (o único artista que não é brasileiro) fechando o line. Alok já deixou suas marcas no Oriente, e é visto como um dos nomes que “puxou o carro” para os seus colegas terem mais espaço no outro lado do planeta. O DJ mais popular do Brasil faz várias turnês no continente asiático desde 2016, tocando em países como China, Indonésia, Vietnã e Filipinas.

Seu irmão, Bhaskar, também tem experiência no continente. O DJ já tocou no SKY Garden, em Bali, no 1900 Le Theatre, no Vietnã, além do próprio Half Moon Festival, e nos contou sobre suas impressões. “[Os asiáticos são] Um povo muito evoluído mentalmente. O que sinto é que é mais difícil perder a pista na Ásia. Todos estão super envolvidos do começo ao fim da apresentação, e parecem não se cansar nunca!”, complementa o DJ. O artista comentou também sobre as limitações da cena e sua crescente evolução. “Como a música eletrônica não tem barreiras, era de se esperar que chegasse aqui [na Ásia], e esse crescimento tem sido constante. Cada vez que eu volto eu noto a diferença. A única parte chata é que vários clubs têm limites de horários bem restritos, então se torna difícil fazer sets mais longos.”

Já o jovem Liu, que inclusive tem descendência chinesa, está chegando agora na cena oriental, e entende que o mercado asiático é promissor. “A Ásia é um dos maiores novos polos de música eletrônica do mundo, pois é um continente massivamente populoso e que está em constante expansão econômica”, argumentou. Ele defendeu ainda o “up” que tocar no continente pode dar na carreira.

“Acredito que exista uma grande relevância e respeito na carreira dos artistas em atingirem a Ásia, já que é um mercado fechado e difícil de chegar”. Liu revelou que já foi até convidado para participar de um reality show sobre DJs na China. “Foi uma grande honra em saber que represento os DJs chineses no Ocidente. Não sei se vou poder participar devido às minhas datas no Brasil”. O garoto toca nesta semana em dois showcases da UP Club (Vietnã, no dia 03, e Tailândia, no dia 04).

Os caras do Sevenn também podem ser considerados parte dessa história. Americanos de nascimento, mas brazucas de coração, os dois têm a maior parte da sua agenda hoje em dia voltada para o nosso país, sendo inclusive representados pela Artist Factory — agência de São Paulo que cuida da carreira de muitos dos nomes aqui citados. O Sevenn está com uma turnê recheada de destinos asiáticos para 2018. Só neste mês de agosto eles vão tocar no Japão, na Índia, na Tailândia e na Coreia no Sul. A Phouse tentou contato com o duo e o Alok para mais detalhes de suas experiências orientais, mas não recebemos resposta até o fechamento desta matéria.

Enquanto para uns a Ásia ainda parece ser “outro planeta”, para outros ela já faz parte da vida profissional. É o caso do FELGUK. Os brasileiros já tocam por lá há quatro anos, e revelaram pra gente que a presença eletrônica no continente só cresce. “Quando falamos da Ásia, falamos da maior população do mundo, a velocidade com que a música eletrônica cresce lá é impressionante. Os menores festivais são quase do tamanho dos maiores daqui. Acredito que nos próximos anos a Ásia será o novo polo da música eletrônica, se já não é”, comentam.

Os dois acrescentam que antes deles, o Wrecked Machines, antigo projeto do Gabe, já havia passado por lá. Ainda segundo os DJs, a vertente mais popular era o psytrance, e a maioria das festas e festivais aconteciam no Japão. Outra característica de destaque no cenário asiático de dance music é a estrutura. “São extremamente inovadores quando o assunto é produção de eventos. Os níveis de produção e tecnologia usados nos clubs e festivais, é de ficar de boca aberta”, lembrou o duo, que já tocou no M2 Club, em Shanghai, e V2Tokyo, no Japão.

“A música como um todo, inclusive a EDM, tem a capacidade de unir as pessoas, independentemente da cultura, do credo e da filosofia” — FELGUK.

Outra dupla que chegou na empreitada oriental recentemente é o Cat Dealers, cujos integrantes destacaram que grande parte da cena de lá é influenciada por padrões ocidentais. “O Top 100 da DJ Mag é bastante influente entre o público asiático. Vários países do continente têm acesso restrito a sites e redes sociais ocidentais, portanto países como a China usam o ranking para saber quem são os DJs em alta pelo mundo”, disseram, indo ao encontro da carta aberta ao público que 3LAU escreveu sobre a relação entre o Top 100 e a Ásia, em 2016.

Para os Dealers, a chegada ao continente asiático também foi proporcionada pela popularização de uma de suas produções mais recentes. Eles revelaram que “depois de ‘Sunshine’, que fez bastante sucesso na Rússia”, foi possível pôr a Ásia na agenda. A turnê incluiu shows na China, Hong Kong, Vietnã e Coreia do Sul, em julho deste ano. Apesar do crescimento do mercado, eles confessam que chegar na Ásia ainda é um “feito inusitado” para alguns. “Os outros DJs sempre nos perguntam como são os detalhes, como é a vibe do público, como são os clubs… Rola curiosidade demais, parece que fomos tocar na Lua”, brincam.

Os números não mentem: tanto os exemplos da exportação dos nossos DJs quanto as pesquisas evidenciam a Ásia como um potente mercado para o setor. Divulgado em maio, o IMS Business Report 2018 já tinha apontado a música eletrônica como o gênero que mais cresceu em popularidade no continente. O estudo revela que 64% da China e do Taiwan escutam dance music, chegando a 74% na Coreia do Sul. Dá pra apostar, então, que vai ter muito DJ indo pra lá nos próximos anos — e, tomara, cada vez mais brasileiros espalhando a sua arte.

Nayara Storquio é redatora da Phouse.

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Entrevista

Federal Music aposta em racionalidade e “pés no chão” para seguir bombando no Brasil

Nayara Storquio

Publicado há

Federal Music
Raul Mendes no Federal Music. Foto: Filipe Miranda/Reprodução
Raul Mendes explica como driblou o desânimo e os obstáculos para seguir firme com seu festival

O nosso país não passa por um dos melhores momentos econômicos já há algum tempo, e isso afeta vários setores da dance music nacional, entre eles os festivais. Em tempos de vacas magras, o Federal Music Festival vem procurando se reinventar para se manter na agenda, driblando as adversidades impostas pelo momento, pelo público e pelo mercado.

Em 2015, depois de uma intensa campanha publicitária que atraiu pessoas de todas as partes do país, o Brasil conheceu o Federal Music. O festival surgiu em 2011, com o intuito de tornar Brasília uma das cidades referência em música eletrônica, e nesses sete anos acumulou mais de 190 mil frequentadores, virando tradição na capital nacional.

“É muito triste apostar em tendências e as pessoas quererem somente o ‘feijão com arroz’. Meus sócios me fizeram enxergar o evento mais como business: fazer só o que o público quer” — Raul Mendes

O “Federal”, como os brasilienses o apelidaram, é hoje o maior evento de música eletrônica da sua região. “Criamos a maior marca de música eletrônica do Centro-Oeste do país e temos grande parte nisso, pois não medimos esforços até então para trazer o que há de melhor no mundo para cá”, comenta o DJ e produtor Raul Mendes — sócio-fundador do evento ao lado do DJ Raff —, em contato com a Phouse.

Mesmo com os grandes resultados da popularização do gênero no Planalto Central, nem tudo foram flores na trajetória do evento. Com a chegada da crise, que forçou cancelamentos de festivais ao redor do país nos últimos anos, o Federal teve que remar para não desaparecer. “Brasília é uma cidade que anda para trás. Fica cada vez fica mais difícil empreender no mercado de entretenimento. É a comunidade batendo de um lado, a gente tentando resolver de outro, e o público criticando. Difícil equalizar essa vibe. Se tivéssemos mais incentivo e mais tolerância, seria o ideal”, segue Mendes.

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As dificuldades chegaram a um ponto crítico no ano passado, quando Raul chegou a anunciar seu afastamento, alegando desmotivação. “É muito triste apostar em tendências, investir pesado e as pessoas quererem somente o ‘feijão com arroz’ comercial que toca toda hora”, explica. “Em 2015, 2016 e 2017 foi assim, e cada vez piorando, então tomei a decisão de sair. Porém, o negócio não anda 100% sem a minha presença, e meus sócios me fizeram enxergar o evento mais como business: fazer só o que o público quer realmente ouvir, e pronto.”

A partir de agora, o Federal se planeja para driblar os imprevistos, contratempos e dificuldades impostas pelo macroambiente com “pé no chão, pouca emoção e trabalhando mais dentro do racional”. A edição de 2018 segue dentro dos conformes, e já tem algumas atrações confirmadas. Infected Mushroom, SKAZI, Astrix, Paranormal Attack, Reality Test, Trindade B2B Dimitri Nakov, Freakaholics e Hi-Profile são os nomes para o palco de psytrance em destaque até agora, enquanto os brasileiros Felguk, Liu, Devochka, Cat Dealers, Evokings, KVSH e VINNE, além do italiano Jude & Frank, são os DJs já escalados para o segundo palco, de low BPM/brazilian bass. Diversos outros nomes ainda serão anunciados.

Primeira fase, anunciada no começo do mês, já tem acréscimos

“No psytrance, os heróis são os artistas internacionais. Na house, deixamos de priorizar os gringos e estamos consumindo mais cena nacional. Analisamos quem está mais em evidência no momento em nossa cena — os artistas mais pedidos e os eventos que estão mais bombando”, explica o boss do Federal Music. Além dos dois palcos, em que prometem “cenografia inédita”, o evento trará novidades para este ano. Em primeira a mão, Raul nos adiantou que desta vez o festival terá sua primeira edição “que adentrará o dia”, em vez de se encerrar na madrugada, como de praxe. A produção ainda promete elevar as expectativas em qualidade: “Vamos ter uma entrega jamais vista. Nesta edição teremos muito a nível de experiência, fora o lineup”, concluiu.

Em local inédito, ainda mantido em segredo, a oitava edição do Federal Music vai rolar no dia 11 de outubro. Em lote promocional, os ingressos já disponíveis via Sympla.

Nayara Storquio é colaboradora da Phouse.

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Premiere

PREMIÈRE: Gezender, Moebiius – Samadhi (BLANCAh Remix)

Phouse Staff

Publicado há

BLANCAh Hernan Cattaneo
Foto: Reprodução
Faixa será lançada em EP pela Neurom Records

Hoje tem lançamento de faixa exclusivo aqui pela Phouse. Trata-se do remix de BLANCAh para “Samadhi”, collab entre os produtores brasileiros Gezender e Moebius. A faixa faz parte do EP Tantra, que será lançado oficialmente no próximo dia 26, pelo selo berlinense Neurom Records. Além da original e da produção da BLANCAh, o disco traz remixes dos projetos paulistanos TessutoTeto Preto.

“A BLANCAh é nossa amiga há muitos anos. Ela é de Florianópolis, de onde eu vim, e onde o Moebiius mora, e nosso trabalho tem muitas coisas em comum”, explicou Gezender à imprensa. “Eu mostrei a música para ela, que adorou e topou fazer o remix.” Em contato com a Phouse, a artista complementou: 

“Geralmente quando eu aceito fazer remixes para outros artistas, tenho uma tendência de colocar muito da minha identidade, a ponto de quase parecer outra música. No caso desse remix específico, foi diferente. Foi o trabalho mais generoso que eu fiz porque fiz pensando no Tiago Franco [Gezender]. Pelo carinho que eu tenho por ele, pelo fato de eu já conhecê-lo há um tempão, por conhecer um pouquinho do gosto musical dele, da cena que ele criou em Floripa…”, declarou a BLANCAh. “Então eu tentei usar os sintetizadores um pouco mais rasgadinhos, alguns momentos lembrando de leve um electro, pensando bastante nas lembranças que eu tinha dele. Eu não criei muitas viagens etéreas nele, fui mais específica e direto ao ponto.”

E apesar de o EP só chegar daqui a sete dias, é nesta noite de quinta que vai rolar a festa de lançamento do EP. O rolê é no Tokyo, em São Paulo, a partir das 23h. O lineup traz os autores de Samadhi e dois dos remixers do EP: BLANCAh e Tessuto.

“Convidamos dois dos artistas que fizeram remixes para a ‘Samadhi’, com sets que passeiam entre house, electro e techno”, complementa Gezender. “As influências japonesas presentes no Tokyo, onde acontece a festa, passeiam também pelas nossas produções, e o local escolhido pra este lançamento vem muito a calhar. Vai ter pista fervendo até as 6h da manhã!”

Você pode conferir mais informações na página do evento.

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