* Por Danilo Bencke
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Os sintetizadores foram responsáveis por uma revolução musical, já que criavam timbres que nunca tinham sido ouvidos antes. Com o tempo, se tornaram uma das principais ferramentas de um estúdio musical, pois conseguem criar praticamente qualquer som que o produtor venha a precisar: baixos, leads, pads, bateria e efeitos. Isso não só mudou a forma de produzir música, como também foi a base do desenvolvimento da música eletrônica.

O primeiro dispositivo a gerar sons usando apenas circuitos elétricos foi criado no final do século IX. Mas foi somente no início dos anos 60 que o sintetizador começou a figurar como um instrumento musical de verdade, graças ao pioneirismo de Bob Moog e Don Buchla, que criaram o primeiro sintetizador a ser disponibilizado comercialmente, abrindo as portas para um incontável número de modelos e marcas que seguiram.

Os primeiros sintetizadores analógicos eram grandes e complicados de usar, mas com o avanço da tecnologia eles se tornaram cada vez menores e mais fáceis de utilizar. Hoje em dia, você pode facilmente tocar um sintetizador em seu próprio computador.

A história da música eletrônica quase se confunde com a própria história dos sintetizadores, sempre andando lado a lado com as novas tecnologias e tendências, passando por estilos e gerações, influenciando e sendo influenciada por todos os tipos de música e músicos. Veremos agora cinco sintetizadores que possuem relação direta com o surgimento e desenvolvimento do gênero.

1 – Minimoog

O primeiro sintetizador compacto a ser disponibilizado comercialmente — e ainda um dos melhores — foi usado em diversos gêneros musicais. Lançado em 1970 e comercializado até 1981, o Minimoog monofônico revolucionou a música eletrônica, fomentando a base para todos os sintetizadores que vieram depois.

Antes dele, os sintetizadores modulares eram grandes e caros, sendo inadequados para apresentação ao vivo e principalmente para carregar em viagem pelas turnês. Assim, o Minimoog foi pensado para incluir somente as partes mais importantes de um sintetizador modular em um móvel compacto, sem a necessidade de cabos para conectar os elementos.

O Minimoog foi amplamente usado por diferentes gerações e gêneros musicais e permanece muito utilizado até hoje, mais de quatro décadas após sua invenção, devido ao seu design intuitivo e pela riqueza de seus sons em todos os registros — desde o rock da banda Rush ao eletrônico do Kraftwerk, até o reggae de Bob Marley and the Wailers. Isso mostra a versatilidade do sintetizador e suas diversas utilidades e aplicações na música.

Renomado por seu baixo funky e seus leads peculiares, a Moog ainda faz alguns sintetizadores de hardwares que seguem os passos do original. Hoje em dia, a Arturia faz a emulação de software oficialmente licenciada dele, o plugin Mini V3.

2 – Roland TB-303

TB-303 (cujo nome vem de “Transistor Bass”, “baixo transistorizado”) foi um sintetizador/sequenciador produzido pela Roland Corporation entre 1982 e 1983, que desempenhou um papel crucial no desenvolvimento da música eletrônica contemporânea. Sua história, porém, é bastante curiosa.

O TB-303 foi originalmente vendido como uma forma de fornecer um acompanhamento de baixo para guitarristas enquanto praticavam sozinhos. No entanto, a ideia inicial não vingou e o TB-303 foi um fracasso total de vendas. Isso porque ele não soava como um baixo de verdade, mas como um som completamente novo e diferente. A produção durou cerca de 18 meses, sendo produzidas apenas 20 mil unidades.

Somente alguns anos depois, a partir de meados dos anos 80, que o sintetizador foi cair nas mãos de DJs e músicos de Chicago, que encontraram um uso para o hardware no contexto da house music (que se encontrava então em desenvolvimento). Em 1985, o grupo Phuture (formado por Spanky, DJ Pierre e Herb J) gravou “Acid Tracks”, uma jam de 12 minutos que deu início a um novo gênero: o acid house.

O conhecido som “acid” pode ser produzido com um TB-303 tocando uma melodia enquanto se altera a frequência de corte do filtro, a ressonância e a modulação do envelope. Muito utilizado por artistas como New Order, Daft Punk, Aphex Twin, Orange Juice, Josh Wink, DJ Pierre e Hardfloor.

3 – Roland Juno

A série de sintetizadores Juno da Roland é uma das mais famosas e populares da história — entre eles, o Juno-6, Juno-60 e o Juno-106, lançados entre 1982 e 1983. Eles sem dúvida estão entre os mais amados e utilizados por amadores e profissionais. Muito disso se deve à sua grande sonoridade e fácil programação.

O Juno não foi essencial apenas para o electropop dos anos 80, mas também ajudou a definir as primeiras cenas de house e techno dos anos 90. Seu som de lead pesado, com muitos harmônicos, ficou conhecido como “hoover”, o que viria a ser um dos principais timbres do trance e hard house da década de 90.

Um preset simples, aparentemente inofensivo chamado “WhatThe”, foi programado como uma piada (daí o nome) pelo técnico Eric Persing, mas foi pego pelo produtor de techno Joey Beltram em 1991 e um novo estilo nasceu. Depois que Beltram e seus amigos iniciaram a tendência com a faixa “Mentasm” em 91, a Human Resource colocou o preset “WhatThe” nas paradas com o rap-techno “Dominator”. Mais notavelmente, os britânicos do Prodigy atingiram os corações e as mentes de uma geração com o controverso single “Charly”.

O Juno tem sido usado extensivamente por diversos artistas famosos e influentes, o que contribui para a popularidade duradoura e o respeito desses sintetizadores, apesar de sua arquitetura relativamente simples e alcance limitado de possibilidades sonoras. Alguns artistas que utilizaram o Juno são: Fatboy Slim, Moby, Depeche Mode, The Prodigy e The Chemical Brothers.

4 – Yamaha DX-7

Lançado pela Yamaha em 1983, foi o primeiro sucesso comercial da era de sintetizadores digitais. Foi o primeiro também a utilizar síntese FM, o que gerava sonoridades completamente distintas de tudo que se ouvia até então.

O DX-7 é bem conhecido por seu piano elétrico, sinos e outros “plucks”, com sons que possuem attack bem presente e complexos. Seu característico timbre pode ser ouvido em muitas gravações, especialmente de música pop desde a década de 1980.

Todavia, era considerado difícil de ser programado, devido à complexidade da síntese FM. Consequentemente, seus sons predefinidos (presets) foram amplamente utilizados, o que significa que a maioria dos músicos preferiam se apresentar e gravar com os sons prontos que já vinham no sintetizador em vez de criarem seus próprios. Esses sons foram tão usados, que até o final da década de 1980 eles já eram considerados como clichê.

Foi usado por artistas como The Crystal Method, Kraftwerk, U2, The Cure, Beastie Boys e Astral Projection. Mais recentemente, a empresa Native Instruments fez uma emulação de software desse sintetizador, o FM-8, que vem sendo muito utilizado para criar sons complexos como os do dubstep. Não à toa, é tido como um dos favoritos do Skrillex.

5 – Access Virus

O Access Virus é um sintetizador analógico virtual feito pela empresa alemã Access Music GmbH. O primeiro modelo, Virus A, foi lançado em 1997, e desde então tem sido atualizado com frequência. Essa evolução ajuda a explicar por que ele ainda é um queridinho dos músicos hoje em dia.

Conhecido por seu poderoso som e sua flexibilidade, ele oferece uma maneira fácil de conectar o hardware do sintetizador com o software de produção musical no computador, fornecendo integração total entre os dois, parte crucial para o funcionamento de um estúdio moderno.

Este é o sintetizador mais recente da lista, tendo sido incluído por ser um dos responsáveis pela nova sonoridade da música eletrônica, principalmente no techno e no trance. Foi usado por DJs como Headhunterz, Hardwell, Angerfist, Paul Oakenfold, DJ Sammy e Sasha, além de ter sido utilizado em larga escala por artistas de diversos outros gêneros — Nine Inch Nails, Depeche Mode, Dr. Dre, Linkin Park, TJR, Excision e até o famoso compositor de trilhas sonoras Hans Zimmer são exemplos.

Em suma, a música eletrônica pode ser um gênero considerado inovador, mas sempre teve muita inspiração no passado. Muitos produtores possuem uma certa reverência por ferramentas vintage e pelo som de sintetizadores clássicos, que se tornaram a marca de muitos estilos musicais. A sonoridade dessas máquinas icônicas estará sempre enraizada na história da música eletrônica.

* Danilo Bencke assina a novíssima coluna da AIMEC na Phouse.

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