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Análise

Um mergulho na rica discoteca de Chaves e Chapolin

Flávio Lerner

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Chaves e Chapolin
No aniversário de morte de Roberto Bolaños, trazemos uma seleção de faixas dançantes que fizeram parte dos seriados do Chespirito — além de um EP de remixes de Chaves

Hoje, dia 28/11, completam-se três anos da morte de um dos maiores ícones da cultura pop latino-americana. Nascido na Cidade do México, em 1929, Roberto Gómez Bolaños criou personagens e programas de televisão que fizeram a cabeça de nove entre dez brasileiros nascidos nas últimas décadas.

Em homenagem à data, resgato, com adaptações, texto que escrevi na época para o extinto blog LOFT55, criado por mim naquele ano e encerrado neste, quando assumi a editoria da Phouse.

No artigo, que vocês leem a seguir, mostro como até Chaves e Chapolin têm forte relação com a música das pistas de dança, já que a disco music, o funk [o original, claro, não o brasileiro] e o soul, tão presentes na trilha brazuca dos programas, são os estilos raiz da dance music — sobretudo a disco, mãe solteira da house.

Ao final, também trago um EP de um excelente produtor mineiro, lançado há sete anos, que remixou samples da trilha e dos diálogos de Chaves com muita classe. Sigam-me os bons:

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Muito graças ao SBT, que passou durante décadas Chaves e Chapolin exaustivamente, os principais personagens do nosso saudoso Roberto Bolaños tornaram-se, provavelmente, os maiores expoentes da cultura pop brasileira. E se algumas das melhores características dos seriados do Chespirito são os cenários, efeitos e demais tosqueiras de baixo orçamento, não podemos dizer o mesmo da trilha sonora — ao menos da nacional, já que o SBT recriou Chaves e Chapolin à sua maneira, incluindo boa parte do som.

Provavelmente extraídas de discos de trilhas brancas [faixas livres de direitos autorais], o canal teve um bom gosto gigantesco ao selecionar as músicas de fundo, quase sempre assinadas por compositores ingleses. Mas além da musicalidade riquíssima, elas marcam uma era: os seriados de Bolaños nasceram nos anos 70 e foram importados ao Brasil no início dos anos 80. Natural que boa parte da trilha tivesse bastante influência de funk, de soul e principalmente de disco music, que nasceu e dominou o mundo entre essas décadas.

Selecionei, então, dez das mais notáveis “disco tracks” que marcaram nossa versão brasileira de Chaves e Chapolin. Porque Chespirito também é cultura de pista! ;)

Começamos com minha favorita: “Mechanical Toys”, de John Charles Fiddy. Vocês certamente vão reconhecê-la e, coincidentemente, me lembro de estar cantarolando essa melodia pouco antes de saber do falecimento do Bolaños.

Outra clássica. Escala de baixo típica da disco.

“Walking the Dog”, mais uma grooveira de John Charles Fiddy.

Aqui a maior prova do que estou dizendo: rolou até um MFSB — grupo da Filadélfia, responsável por um dos primeiros hinos da era disco — saindo da vitrola no Chapolin!

Em outra versão desse episódio do vazamento de gás, na mesma cena, a Florinda dançou outro petardo funky — “Mozaik”, do jazzista Billy Cobham.

Falando em funky, e esse groovão pegado de Peter Morris em “Breezin In”?

“Francoise”, de Brian Wade, é outra sonzeira jazzy-funk que rolou no Chapolin.

Pós-disco com timbres que remetem à space disco de Todd Terje e à música de games. Alguém aí falou em churros?

“Sunshades” é uma música linda que representa a elegância da música latina e dos arranjos tropicais. Podia ser Alan Parsons Project, mas é Len Beadle.

Essa daqui vocês também vão lembrar de cara. Uma das mais tocadas e uma das mais tranquilinhas, embora também tenha toda a levada da disco music no baixo. Será que o Alok e o Bruno Martini se inspiraram nesses assobios pra fazer a “Hear Me Now”?

E encerramos com a disco mais disco de todas: batida 4×4, groovão frenético e vocais de diva. “Walking on Music”, de Peter Jacques Band, é um italo disco pronto pra tocar na pista. SON-ZEI-RA!

Enfim, temos aqui uma trilha sonora que Giorgio Moroder com certeza aprovaria.

+ Assista a uma reportagem de 1979 no estúdio de Giorgio Moroder

CHAVES REMIXADO

Tudo muito bom, tudo muito bonito, mas você pode ainda estar se perguntando onde diabos está a música eletrônica. Se não a temos propriamente dita na trilha sonora das séries do Chesperito [por motivos óbvios], então deixa com o psilosamples. Um dos primeiros lançamentos do produtor low-profile mineiro — um dos nomes mais interessantes da cena nacional, embora não muito conhecido, sobre quem já falei por aqui em 2015 — é um EP chamado Gentalha, de 2010.

Nele, o artista, também conhecido como Zé Rolê, que costumeiramente mistura seus beats quebrados e experimentais com samples que remetem a sons da sua infância e juventude, deu um trato bem louco não só nas músicas da trilha de Chaves, mas também nos diálogos da versão brasileira — incluindo aquelas risadas que parecem um mashup de uma descarga sendo puxada com cachorros latindo à distância.

+ Conheça o psilosamples, um dos melhores produtores da dance music experimental brasileira

Se Moroder aprovaria a trilha sonora anterior, aqui podemos dizer que o Aphex Twin daria o seu aval — mesmo sem nunca ter visto o Senhor Barriga sendo recebido com pancadas quando chega na vila.

Bolaños eterno!

Flávio Lerner é editor da Phouse; leia mais artigos de sua coluna.

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DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

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Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Parceria entre Boiler Room e Ballantine’s retorna ao Brasil em novo projeto

Flávio Lerner

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Boiler Room São Paulo
Foto: Reprodução
Série “Hybrid Sounds” mescla artistas eletrônicos com nomes orgânicos 

Juntos há cinco anos, Boiler Room e a marca de uísque Ballantine’s já montaram projetos ousados e incríveis no cenário musical. A partir de 2016, a união foi ainda mais longe com o lançamento da série Stay True, que visitava diversos países com lineups cuidadosamente curados para celebrar a cultura de cada nacionalidade. Naquele ano, tivemos nada menos que o Boiler Room Stay True Brazil — o lendário Boiler Room de Recife, que fez história em nosso país. Em 2017, a parceria voltou rebatizada como True Music, trazendo nomes como Seth Troxler e Little Louie Vega a Salvador, junto a expoentes brazucas como Fatnotronic e Renato Ratier, e agora, em 2018, a Stay True traz seu novo projeto, Hybrid Sounds, para São Paulo.

A proposta da Hybrid Sounds é trazer lives inéditos e inesperados, colocando no mesmo palco artistas de música eletrônica com projetos acústicos, que provavelmente nunca se encontrariam em outra oportunidade. Em SP, isso será visto através do conceituado grupo do underground paulistano Teto Preto, que tocará em conjunto com a produtora berlinense rRoxymore. Expoente da Chicago house, Derrick Carter é o headliner do evento, enquanto a MC Linn da Quebrada e o cantor e compositor Tom Zé — um dos grandes nomes da música brasileira — completam o lineup.

+ RELEMBRE: No Forte do Brum, o Boiler Room de Recife celebrou a música brasileira e fez história

Em local ainda mantido em segredo, o Boiler Room True Music: Hybrids Sounds São Paulo rola no dia 23 de maio, uma quarta-feira, e terá transmissão ao vivo pela plataforma, como de praxe. O evento sucede as edições que rolaram em Moscou e em Beirut, no Líbano, e antecede a edição de Valência, na Espanha, que encerra o projeto. Ao final, um EP da série Hybrid Sounds será lançado, com faixas inéditas dos artistas que colaboraram em cada região (Teto Preto X rRoxymore em SP; Overmono X Solo Operator em Moscou; Dollkraut X Zeid & Maii em Beirut; e KiNK com um artista ainda não revelado, em Valência).

Para quem quer participar da festa, é necessário se inscrever no site e torcer para ganhar o convite por e-mail.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Análise

O indie dance original respira com a volta do Friendly Fires

Flávio Lerner

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Friendly Fires
Foto: Reprodução
Depois de mais de seis anos sem lançamentos, o trio britânico que marcou os anos 2000 está de volta

Fundado em 2006, o trio britânico de dance-rock/indie danceFriendly Fires foi importantíssimo para uma guinada mais eletrônica e dançante à cena indie da década passada, que encontrava-se em sua era de ouro com a ascensão de bandas como The Killers, Franz Ferdinand, The Strokes e Bloc Party. Seu surgimento — somado à ascensão de grupos como Klaxons, Chromeo, Cut CopyMetronomy e o brasileiro Cansei de Ser Sexy — fez com que aquele cenário mais centrado nas guitarras passasse a ter um foco maior nos sintetizadores e nas batidas. O LCD Soundsystem não estava mais sozinho.

Comandando pelo carismático e rebolativo Ed Macfarlane — com suas dancinhas impagáveis ao vivo e nos videoclipes —, o Friendly Fires explodiu mesmo em 2008, com o primeiro e homônimo álbum, e desde então acumulou milhões de fãs no mundo inteiro. Nunca fizeram exatamente música eletrônica de pista, mas bebiam claramente de fontes como a house e o synth pop de grupos como New Order e Depeche Mode. E não só isso: a batida e a vibe ensolarada das músicas trazia muito da música brasileira. Singles como “Jump in the Pool” e “Kiss of Life” surgiram com fortes elementos de percussão de samba — e em 2008 e 2009, o grupo chegou a realizar apresentações em conjunto com uma escola de samba.

Em 2011, às vésperas do lançamento do segundo álbum, Pala, que se afastava ainda mais do indie rock, foram capa da conceituada revista inglesa NME, e tiveram a ousadia de dizer que preferiam escutar Justin Timberlake do que Morrissey — antigo líder do grupo The Smiths, que dominou a cena indie nos anos 80. Pra roqueiros britânicos que levam esse tipo de comparação muito a sério [o que, arrisco dizer, seja boa parte do público da revista], uma declaração do tipo soava como heresia.

O trio seguiu sua vida muito bem, obrigado. Pala também fez sucesso, e o FF seguiu apresentando-se em shows lotados no mundo inteiro nos próximos anos. Mas pararam de fazer música. Em 2014, deram um tempo de vez, e só foram voltar agora, quatro anos depois, com shows de retorno na Inglaterra realizados nas últimas semanas. E claro, novo single — o primeiro em mais de seis anos.

“Love Like Waves” foi lançada no último dia 05, e segue a linha do Friendly Fires que já estamos acostumados, sem grandes alterações na estrutura sonora. É uma canção boa e agradável, que resgata o saudosismo dos fãs e empolga pelas novas possibilidades, mas também não chega a ser dos melhores sons já feitos pelo trio.

Novos singles devem surgir nas próximas semanas, culminando, em breve, com o aguardadíssimo terceiro álbum. Se mantiver a qualidade dos LPs do passado, tem tudo para ser um dos grandes lançamentos de 2018.

Bóra relembrar outros grandes singles do grupo:

* Nota do Autor: Indie dance/nu disco, assim como progressive house e deep house, foi mais um dos estilos que caiu naquela salada de tags do Beatport, na década passada, e acabou passando a ser usado para se referir a uma sonoridade completamente diferente. Aqui, evidentemente, falo sobre o indie dance original, que vai de bandas como o Cut Copy a produtores como o Tensnake.

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