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Análise

Um mergulho na rica discoteca de Chaves e Chapolin

Flávio Lerner

Publicado em

28/11/2017 - 18:46
Chaves e Chapolin
No aniversário de morte de Roberto Bolaños, trazemos uma seleção de faixas dançantes que fizeram parte dos seriados do Chespirito — além de um EP de remixes de Chaves

Hoje, dia 28/11, completam-se três anos da morte de um dos maiores ícones da cultura pop latino-americana. Nascido na Cidade do México, em 1929, Roberto Gómez Bolaños criou personagens e programas de televisão que fizeram a cabeça de nove entre dez brasileiros nascidos nas últimas décadas.

Em homenagem à data, resgato, com adaptações, texto que escrevi na época para o extinto blog LOFT55, criado por mim naquele ano e encerrado neste, quando assumi a editoria da Phouse.

No artigo, que vocês leem a seguir, mostro como até Chaves e Chapolin têm forte relação com a música das pistas de dança, já que a disco music, o funk [o original, claro, não o brasileiro] e o soul, tão presentes na trilha brazuca dos programas, são os estilos raiz da dance music — sobretudo a disco, mãe solteira da house.

Ao final, também trago um EP de um excelente produtor mineiro, lançado há sete anos, que remixou samples da trilha e dos diálogos de Chaves com muita classe. Sigam-me os bons:

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Muito graças ao SBT, que passou durante décadas Chaves e Chapolin exaustivamente, os principais personagens do nosso saudoso Roberto Bolaños tornaram-se, provavelmente, os maiores expoentes da cultura pop brasileira. E se algumas das melhores características dos seriados do Chespirito são os cenários, efeitos e demais tosqueiras de baixo orçamento, não podemos dizer o mesmo da trilha sonora — ao menos da nacional, já que o SBT recriou Chaves e Chapolin à sua maneira, incluindo boa parte do som.

Provavelmente extraídas de discos de trilhas brancas [faixas livres de direitos autorais], o canal teve um bom gosto gigantesco ao selecionar as músicas de fundo, quase sempre assinadas por compositores ingleses. Mas além da musicalidade riquíssima, elas marcam uma era: os seriados de Bolaños nasceram nos anos 70 e foram importados ao Brasil no início dos anos 80. Natural que boa parte da trilha tivesse bastante influência de funk, de soul e principalmente de disco music, que nasceu e dominou o mundo entre essas décadas.

Selecionei, então, dez das mais notáveis “disco tracks” que marcaram nossa versão brasileira de Chaves e Chapolin. Porque Chespirito também é cultura de pista! ;)

Começamos com minha favorita: “Mechanical Toys”, de John Charles Fiddy. Vocês certamente vão reconhecê-la e, coincidentemente, me lembro de estar cantarolando essa melodia pouco antes de saber do falecimento do Bolaños.

Outra clássica. Escala de baixo típica da disco.

“Walking the Dog”, mais uma grooveira de John Charles Fiddy.

Aqui a maior prova do que estou dizendo: rolou até um MFSB — grupo da Filadélfia, responsável por um dos primeiros hinos da era disco — saindo da vitrola no Chapolin!

Em outra versão desse episódio do vazamento de gás, na mesma cena, a Florinda dançou outro petardo funky — “Mozaik”, do jazzista Billy Cobham.

Falando em funky, e esse groovão pegado de Peter Morris em “Breezin In”?

“Francoise”, de Brian Wade, é outra sonzeira jazzy-funk que rolou no Chapolin.

Pós-disco com timbres que remetem à space disco de Todd Terje e à música de games. Alguém aí falou em churros?

“Sunshades” é uma música linda que representa a elegância da música latina e dos arranjos tropicais. Podia ser Alan Parsons Project, mas é Len Beadle.

Essa daqui vocês também vão lembrar de cara. Uma das mais tocadas e uma das mais tranquilinhas, embora também tenha toda a levada da disco music no baixo. Será que o Alok e o Bruno Martini se inspiraram nesses assobios pra fazer a “Hear Me Now”?

E encerramos com a disco mais disco de todas: batida 4×4, groovão frenético e vocais de diva. “Walking on Music”, de Peter Jacques Band, é um italo disco pronto pra tocar na pista. SON-ZEI-RA!

Enfim, temos aqui uma trilha sonora que Giorgio Moroder com certeza aprovaria.

+ Assista a uma reportagem de 1979 no estúdio de Giorgio Moroder

CHAVES REMIXADO

Tudo muito bom, tudo muito bonito, mas você pode ainda estar se perguntando onde diabos está a música eletrônica. Se não a temos propriamente dita na trilha sonora das séries do Chesperito [por motivos óbvios], então deixa com o psilosamples. Um dos primeiros lançamentos do produtor low-profile mineiro — um dos nomes mais interessantes da cena nacional, embora não muito conhecido, sobre quem já falei por aqui em 2015 — é um EP chamado Gentalha, de 2010.

Nele, o artista, também conhecido como Zé Rolê, que costumeiramente mistura seus beats quebrados e experimentais com samples que remetem a sons da sua infância e juventude, deu um trato bem louco não só nas músicas da trilha de Chaves, mas também nos diálogos da versão brasileira — incluindo aquelas risadas que parecem um mashup de uma descarga sendo puxada com cachorros latindo à distância.

+ Conheça o psilosamples, um dos melhores produtores da dance music experimental brasileira

Se Moroder aprovaria a trilha sonora anterior, aqui podemos dizer que o Aphex Twin daria o seu aval — mesmo sem nunca ter visto o Senhor Barriga sendo recebido com pancadas quando chega na vila.

Bolaños eterno!

Flávio Lerner é editor da Phouse; leia mais artigos de sua coluna.

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LIFT OFF

Infected Mushroom brinda fãs com novo álbum cheio de energia

“Head of NASA and the 2 Amish Boys” segue a linha “raiz” do disco anterior

Nazen Carneiro

Publicado há

Infected Mushroom
Foto: Reprodução
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Passadas duas décadas, o Infected Mushroom continua sendo o projeto de psytrance mais vendido do mundo. Em 2017, Return to the Sauce marcou o retorno da dupla às suas raízes, e agora o novo álbum — Head of NASA and the 2 Amish Boys, primeiro lançamento pela gravadora Monstercat — segue essa linha.

“Quase um ano e meio de trabalho foi aplicado na construção desse álbum. Acreditamos que o disco seja um marco em nossa carreira”, afirmaram Amit Duvdevani e Erez Elsen para a imprensa. A primeira faixa, “Bliss with Mushrooms”, tem dez minutos de puro psy, e é fruto de mais uma colaboração com Bliss. Na sequência, “Guitarmass” — como o nome já indica — traz a guitarra, marca registrada de ambos os artistas, além de plugins exclusivos dos “cogumelos infectados” a 145 BPM.

Dando nome ao álbum, “Head of NASA” tem uma atmosfera sci-fi e espacial, e está ligada a “uma brincadeira sobre alguns dos membros da nossa equipe, que acabou evoluindo para uma história complexa de ficção científica, que por sua vez levou a esse conceito espacial do álbum”, conforme a própria dupla revelou à Billboard Dance. Já “Chenchen Barvaz” faz referência aos timbres utilizados, que remetem aos grasnados dos patos (“barvaz” significa pato em hebraico).

Todas essas faixas estão tocando mundo afora, mas “Walking on the Moon” tem destaque especial. Inspirada no estilo brasileiro capitaneado por Alok, o brazilian bass — o que é abertamente admitido pela dupla —, o som contém uma estrutura forte, algo incomum para o Infected. Além disso, “Walking on the Moon” foi incluída no jogo Rocket League Vs Monstercat, o que trouxe novos ouvintes ao som do duo.

“Here We Go Go Go” traz melodias profundas — mesmo —, e segundo os artistas, se encaixa muito bem tanto no início quanto no final dos seus sets. Finalizando o álbum, uma track muito especial que mostra a diversidade e abertura da dupla para a experimentação. “Lost in Space” tem a colaboração do rapper israelense Tuna e da girl band A-WA, e combina três idiomas: inglês, hebraico e árabe. Mistura e inovação sem esquecer as raízes — a cara do Infected Mushroom!

Nazen Carneiro é colaborador da Phouse.

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Review

“Pedra Preta”, o 1º álbum do Teto Preto, é um grito de resistência

O celebrado grupo do underground paulistano mostra sua maturidade artística em seu primeiro full lenght

Alan Medeiros

Publicado há

Pedra Preta
Foto do clipe de "Pedra Preta": Reprodução/Facebook

Nos últimos anos, São Paulo se transformou em um caldeirão cultural com uma chama multicolorida a iluminar um mar de ideias brilhantes. Nesse cenário, diversas mentes criativas surgiram, mostraram a que vieram e se tornaram referência para uma série de iniciativas que passaram a pipocar pelo país. No olho desse furacão, exercendo posição de protagonismo, lá estava a Mamba Negra e, consequentemente, o Teto Preto.

A relação entre festa e grupo é intrínseca. O Teto Preto nasceu na pista da Mamba e obviamente foi criado por frequentadores e entusiastas da festa. Nesse processo, o grupo foi decisivo para construção do perfil sonoro que tanto marcou a Mamba Negra frente ao seu público. Muito além da música, estamos falando de arte em diferentes camadas — estamos falando de representatividade. A festa representa a banda, a banda representa a festa. Por sua vez, o público se sente fortemente representado por ambos.

Os primeiros trabalhos do Teto Preto foram lançados pelo selo da Mamba, o MAMBA rec, em 2016. O EP Gasolina foi prensado em vinil com duas faixas extremamente marcantes: “Já Deu Pra Sentir” e “Gasolina”. O resultado? Dois hits históricos para jornada do grupo. Na sequência, um hiato de dois anos até “Bate Mais”, single em antecipação ao Pedra Preta, primeiro álbum de estúdio completo da banda, que chegou às plataformas digitais neste mês com oito faixas, sendo sete originais e inéditas.

 

Pedra Preta reflete a atual maturidade artística de seus compositores, mas não deixa a chama da ousadia e irreverência se apagar. Novamente, não se trata apenas de música: Laura Diaz (Carneosso), Loic Koutana, Pedro Zopelar, Savio de Queiroz e William Bica promovem um grito de resistência ao longo de todas as faixas que formam o full lenght. A atmosfera densa do disco dita o ritmo de uma narrativa longa e inteligente, que aborda assuntos como a tragédia do Museu Nacional neste ano.

Por falar em “Pedra Preta”, vale ressaltar que a faixa-título do álbum também ganhou um clipe. Lançado ontem, 22, e com duração de mais de oito minutos, o vídeo dirigido por Rudá Cabral, Laura Diaz e Joana Leonzini traz um storytelling denso e aberto a interpretações, mas com uma clara crítica ao conservadorismo da sociedade brasileira e honrosa menção ao perfil de público da Mamba Negra — o trabalho foi coproduzido pela MAMBA rec em parceria com a Planalto. Sem dúvida alguma, Pedra Preta é uma vitória importante para a sobrevivência da cultura eletrônica de vanguarda no Brasil.

  

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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ESPECIAL

Tha_guts e o som envolvente que rege o selo da Gop Tun

Produtor gaúcho é uma boa mostra do amadurecimento da Gop Tun Records

Alan Medeiros

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Gop Tun Records
Tha_guts. Foto: Divulgação

Neste mês de novembro, o coletivo paulistano Gop Tun celebrou seis anos de uma história construída muito em cima da seriedade com que o coletivo paulistano trata seus projetos artísticos, dentro e fora da pista. Referência na cena house/disco brasileira, o atual patamar do projeto permite que algumas de suas iniciativas sejam encaradas como formadoras de opinião.

Para isso, uma das principais ferramentas do núcleo é a Gop Tun Records, gravadora que possui um catálogo ainda enxuto em número de releases, mas que em 2018 e principalmente 2019, deve ser expandido através de uma intensificada no cronograma. Até então, cada ano tinha entre um e dois lançamentos. Neste ano, foi observado um aumento no fluxo, já que até aqui, três releases ganharam a luz do dia através da plataforma criada pelo coletivo paulistano.

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Atualmente, o time de artistas que compõe o quadro de lançamentos do selo é composto por residentes da Gop, por nomes de forte influência frente à indústria nacional (como Renato Cohen) e algumas mentes brilhantes de outras partes do mundo, como HNNY, Prins Thomas e Lauer.

Para os próximos meses, Bruno Protti (aka TYV) e Gui Scott, duas das cabeças pensantes da gravadora, contam que haverá uma expansão no time de artistas, com mais nomes brasileiros e sul-americanos entrando para o casting da label. Sem a pressão de obrigatoriamente pensar em vinil, a Gop Tun Records se mostra mais apta para apostas e ousadias em seu programa de lançamentos.

+ Um papo com os caras da Gop Tun, que estão trazendo o Dekmantel a São Paulo

O último EP da gravadora foi assinado pelo produtor gaúcho Tha_guts, um novo nome frente a geração atual de produtores brasileiros. Guto Pereira, mente por trás do projeto, entregou à Gop um release denso e repleto de referências distintas que se revelam ao longo das cinco faixas originais. O trabalho sucede Plastic Noise, disco que o revelou para o cenário da eletrônica brasileira. Após o full lenght lançado de maneira quase que independente, Guto decidiu se aproximar da música eletrônica de pista em suas jams de estúdio, e o resultado foi esse belíssimo trabalho lançado pelo selo do coletivo.

Ao ouvir as faixas de Mirror, é possível entender essa complexidade envolvente que tange o trabalho do coletivo paulistano em seus mais diversos projetos. Tal fato dá autoridade para que o núcleo e os artistas envolvidos em suas festas e seus releases possam se desenvolver de forma assertiva. Além das cinco faixas originais, Guto também assinou um futuro single com a gravadora, que deve ser trabalhado somente no segundo semestre de 2019. Enquanto isso não acontece, ouça na íntegra o seu mais recente lançamento:

  

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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