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Entrevista

Alec Araujo: “O progressive house de hoje é bom demais para ser ignorado”

Jonas Fachi

Publicado em

11/08/2017 - 14:35

Em entrevista com Jonas Fachi, Alec Araujo fala sobre a estreia de seu programa mensal na Frisky Radio, de Nova Iorque — uma das rádios mais respeitadas do planeta.

Como artista, Alec Araujo alcançou altos níveis de reconhecimento e apoio, dos quais muitos produtores só sonham. De suporte de DJs como Hernan Cattaneo, Nick Warren, Paul Oakenfold e Dave Seaman a feedback positivo da icônica banda alemã Kraftwerk, Alec já conseguiu muito em sua carreira. Um dos pioneiros da cena eletrônica no Sul do país, ele ajudou a construir as bases de um movimento cultural que explodiu durante a primeira década do século 21 no Rio Grande Do Sul, e que agora está novamente circundando as mentes da nova geração de clubbers no país — o house progressivo.

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Sua dedicação à música por quase duas décadas de carreira é refletida através de poderosos sets, que compartilham de uma perspectiva única e atingem ouvidos afiados por novos talentos. A capacidade elevada em construir mixagens com energia e atmosfera são aclamadas em toda América do Sul, levando-o a ser convidado para se apresentar em clubs com Warung e D-EDGE, além de podcasts para diversos programas de todo mundo. Agora, a Frisky Radio — uma das rádios eletrônicas mais respeitadas do planeta, que recebe mixes e faz curadoria exclusiva há quase 20 anos de grandes expoentes, como Nick Muir, 16 bit Lolitas, Robert Babicz, Quiver, Martin Garcia e Miss Nine — ganha um novo integrante. Pelo podcast Fenix Sessions, Alec será o segundo brasileiro a fazer parte do disputado roster da Frisky, que dispõe de quase 40 artistas. Nesta entrevista, ele nos conta como conquistou seu espaço na consagrada rádio de Nova Iorque, além de referências, produções, insights sobre a cena nacional, e claro, detalhes do seu show mensal que vai ao ar na próxima segunda.

Alec, conte-nos: como surgiu o convite da Frisky?

Há anos que recebo convites para sets na Frisky. O time da rádio sempre me apoiou, e a afinidade entre eles e minha música só cresceu durante esse tempo. Há algum tempo eu já amadurecia a ideia de ter meu próprio show, e acredito que o convite veio no momento certo — um momento em que me sinto maduro na minha carreira. Acredito que os trabalhos realizados durante esses anos de relacionamento só favoreceram para que o Fenix Sessions se tornasse real, e no momento adequado.

O nome escolhido para o seu programa é Fenix; parece que existe um simbolismo por trás dessa escolha.

Quando eu residia em Porto Alegre, diversos amigos sempre me questionavam quando eu iria ter minha própria festa, pois éramos uma turma enorme de pessoas que gostavam de um mesmo estilo, o progressive house — e não era normal escutar esse estilo em clubs. Naquela época, resolvi que teríamos que criar uma festa, com algo novo musicalmente. O nome “Fenix” veio da ideia de “renascer das cinzas”, da renovação esperada por todos em relação à música tocada, e pegou. Tenho um carinho especial pelo seu significado, e não poderia fazer diferente [com o nome do podcast]. Também pelo conceito nostálgico criado pelas pessoas em relação à festa, resolvi que manteria o nome no show.

“Fenix” também significa o novo. Por isso, fiz questão de trazer artistas que o público não conhecia para cada evento, e também produções deles para meus sets. Continuarei fazendo sempre isso nos shows mensais. Há musicas em que o propósito é diferente de tocar ao vivo, mas no show elas serão encaixadas no momento merecido, juntamente com sons que já funcionam nas apresentações. Quero fazer o diferente do meu jeito.

“Eu sempre acreditei que a cena é você quem faz.”

Você atualmente vive em São Paulo, mas é do Rio Grande do Sul, onde foi pioneiro. Em que época foi isso, e como você vê a cena do seu Estado de origem?

De 2000 a 2012 foram os anos em que mais toquei naquela cena. Era uma festa melhor que a outra. Eu amo meu Estado e tenho uma consideração enorme por todas as pessoas que, de uma forma ou de outra, ajudaram a construir a minha carreira. O RS realmente tem um público maravilhoso. Eu fico feliz de ver hoje artistas gaúchos como o Fran Bortolossi, produtor da Colours, fazer não só sua festa como a sua carreira de DJ um sucesso. Produtores como o Do Santos, que é meu conterrâneo, se destacarem não só no Brasil como no mundo com suas músicas é incrível.  Ouvi sets do Mezomo (Santa Maria) com excelente repertório. O PoSher, que é um DJ novo, é um artista dedicado e com gosto e técnica musical incríveis. Tem o Ednner Soares aka Zipman, que é um produtor e técnico de áudio dos melhores — o Marco Carola e o Stefano Noferini tocam músicas dele. O Cesar [Funck, do Sonic Future] já é para mim um dos maiores produtores mundiais. O Rodrigo Moita também, sempre foi um batalhador: mora hoje em SP e é sócio da Entourage, um dos maiores empresários do ramo no Brasil.

Estes são somente alguns de um leque de talentos inefáveis do meu Estado. Festas como a Levels contribuem a cada edição com excelentes atrações e público bonito em seus eventos, isso sem contar com clubs como a Beehive, que mantêm uma tradição em qualidade em seus lineups. Eu sempre acreditei que a cena é você quem faz, então acredito que as pessoas que trabalham com amor e dedicação com a música eletrônica estão colhendo bons frutos atualmente por lá.

Você também foi pioneiro na produção musical no país. Recentemente, sua faixa pela Global Underground foi relançada em uma série comemorativa da gravadora. Qual o sentimento em ter lançado por uma marca tão importante no cenário global?

A faixa “Baghdad” foi feita em parceria com meu amigo e irmão de produção de muitos anos, o Fernando Goraieb. Para a gente, é sempre uma surpresa com alegria quando lançamos em um label como o GU. A nossa parceria se estende até hoje e somos amigos dentro e fora do estúdio; duas crianças grandes. O legal de lançar em um label expressivo, ao menos para mim, é a questão de os olhos lá focarem no Brasil como um lugar que tem, sim, produtores esforçados e com grande talento para a música.

Ouvi também sobre sua parceria com o Wolfgang Flur, um dos membros da lendária banda eletrônica Kraftwerk. Como aconteceu isso?

O Wolfgang curtiu um remix do Kraftwerk que fiz para o Hernan Cattaneo tocar. Falou que havia amado o trabalho, e perguntou se eu poderia enviar a ele uma cópia, juntamente com os canais do remix abertos para que ele fizesse sua própria versão. Fiquei lisonjeado com tudo isso. Em seu livro  I Was A Robot ele citou meu nome — achei muito gentil e educado. A partir disso, a amizade estreitou, e recentemente recebi dele uma proposta para um novo trabalho, um novo remix.

Atualmente, como está sua carreira? No que tem trabalhado?

Estou contente com as produções recentes, oportunidades e apresentações que têm surgido. Neste ano tive músicas lançadas nos labels Clinique e Nube Music.  A convite da Hot Cue Music, produzi um remix da faixa “Smyrna”, do Nightboy, que já tem o suporte do Hernan Cattaneo, e outro remix para a gravadora Chief Rouge Records. Há faixas também que serão lançadas por 3XA, Astrowave e Varona Label. Recentemente retornei de Santa Catarina, onde pude tocar no InProgress Showcase. Público lindo e vibe inacreditável. Santa Catarina possui uma energia pura e próxima com o progressive, e senti isso com muito mais intensidade desta vez.

Também estou muito contente pela oportunidade de mostrar meu trabalho no D-EDGE no dia 27, juntamente com um time de amigos e DJs que admiro. Aproveito para deixar o meu agradecimento pessoal ao clube pela recepção do Progression, e a todo o pessoal pelo empenho e trabalho já realizados. Faremos uma grande festa. Dia 14 de outubro retorno ao RS para tocar em Garibaldi, no Freedom Music. Eventos como este são importantíssimos para o crescimento da música eletrônica, pois são feitos com muito foco, determinação e principalmente amor — e o público é quem mais ganha com isso.

“Os clubs precisam abrir as portas para a boa música, independentemente do estilo.”

Existe um movimento que tenta inserir o house progressivo em São Paulo. Por que agora a cidade e até clubs importantes, como o D-EDGE, estão abrindo as portas para o estilo? Sabemos que o techno sempre predominou por aí…

Acredito no amadurecimento da música e das pessoas como um todo. Há o momento certo para as coisas acontecerem. Aqui em SP, o núcleo da Unik ID está fazendo um trabalho bonito dentro da cena progressiva, trazendo Darin Epslon e Cid Inc para a sua primeira edição — quer dizer, o movimento está mais forte. Progressive house é um estilo bonito de se tocar e de se mixar. Há toda uma técnica por trás, as músicas são mais trabalhadas, as harmonias mais intensas e os breaks das produções atuais são explosivos e completos. O que está acontecendo atualmente dentro desse estilo é bom demais para ser ignorado. Minha opinião é que os clubs precisam abrir as portas para a boa música, independentemente do estilo.

Quais são os produtores que têm frequentado sua playlist ultimamente? E você poderia nos adiantar algo sobre o set de estreia na próxima semana?

A lista é enorme. Tenho um respeito gigante pelo talento de cada um deles. Estão em outro nível nas produções e são pessoas incríveis. Vou citar alguns: Nicolas Rada, Ezequiel Arias, Lucas Rossi, Emi Galvan, Subconscious Tales, SHFT, Dmitri Molosh, Christian Monique, Martin Gardoqui, Franco Tejedor, Guhus, Ignacio Torne, Clyde Rouge, Santo Adriano, Bablak, Antrim, Michael A, Eze Ramirez, Sebastian Busto, Ewan Rill. No Brasil: Luciano Scheffer, Fer J, Danilo MorttaguaAndré Sobota e André Salata têm feito trabalhos com suporte de muito artista grande. Mas há vários ainda no anonimato, e não vejo a hora de ver a música deles em alguma edição do Fenix Sessions.

Quanto ao set, tenho recebido músicas que são verdadeiras histórias para se ouvir, e vai ser ótimo poder contá-las durante os 60 minutos do show. Vou trabalhar para ter uma obra prima a cada mês para oferecer a quem puder ouvir. O Fenix Sessions terá o que tenho de melhor, de mais novo, e também tudo o que aprendi nesses anos como DJ e produtor, em técnica e estudo musical. Não é para ser um simples set. É um trabalho para fazer parte da vida de alguém.

Estreando no dia 14, o Fenix Sessions vai rolar na Frisky Radio nas segundas segundas-feiras de cada mês. Você pode conferir a programação e o link para ouvir o lançamento do programa aqui.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Gui Boratto lança “Pentagram”, seu quinto álbum de estúdio

Phouse Staff

Publicado há

Gui Boratto Pentagram
Foto: Reprodução
Disco sucede “Abaporu”, de 2014

Nesta sexta-feira, enfim foi lançado via Kompakt o aguardado quinto álbum de estúdio de Gui BorattoPentagram. Em menos de uma hora, o LP traz 12 faixas de um Boratto inspirado e que parece saber exatamente o que está fazendo e onde quer chegar, em um caldeirão de referências que vão desde as bandas de synth pop dos anos 80 (como New Order, Depeche Mode e Tears For Fears) a produtores vanguardistas de hoje em dia, como James Holden — passando ainda, é claro, pela escultora brasileira Lygia Clark, que influenciou no conceito visual do disco.

No BRMC, o músico já havia falado das influências estéticas que o levaram ao conceito da obra, que carrega uma ampla bagagem de arquitetura (formação acadêmica de Gui), geometria e design. “Eu queria transmitir o ponto de vista do pentagrama científico: não é algo religioso“, disse agora, em release de imprensa. A última faixa do disco, “618”, tem exatos seis minutos e 18 segundos, e iguala com a proporção áurea do pentagrama.

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A música é dinâmica, maximalista e viajante, repleta de musicalidade. Como já havia dito — também no painel do BRMC —, este é seu álbum mais orgânico, recheado de instrumentos acústicos, sobretudo cordas e instrumentos de orquestra, mais notáveis em “Scene 2”, que tem uma pegada jazz. Há também sintetizadores modulares, como o clássico Buchla. Em “Overload”, Luciana Villanova, que já participou em canções como “Beautiful Life” e “No Turning Back”, volta a emprestar sua voz a uma produção do marido.

Ouça Pentagram:

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Entrevista

Casal que faz techno unido, permanece unido: como o amor gerou o Binaryh

Phouse Staff

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Dia dos namorados
Foto: Acervo pessoal
Camila Giamelaro conta a história do seu relacionamento com o parceiro de vida e de estúdio, Rene Castanho 

Música eletrônica boa é sempre feita com amor, certo? E o que dizer quando esse amor é compartilhado? Neste dia dos namorados, convidamos Camila Giamelaro, metade do duo de techno etéreo Binaryh — projeto que ela divide com sua cara-metade, o Rene Castanho — pra contar pra gente como foi que tudo surgiu: de um relacionamento que parecia que nunca ia rolar ao nascimento de um dos projetos mais frutíferos da cena underground nacional.

Porque casal que faz techno unido, permanece unido. Conta pra gente, Camila:

Rene e Camila no primeiro Natal juntos. Foto: Acervo pessoal

Eu e o Rene nos conhecemos em 2009, quando eu estava procurando um lugar para aprender a tocar e acabei encontrando a DJ Ban. Na época, fiz o curso de DJ e o Rene dava aulas de produção musical, por isso a gente nunca se cruzou pelos corredores. No final do meu curso, acabei fazendo amizade com o pessoal da escola, então vez ou outra aparecia por lá pra bater papo. Foi nessas idas que o conheci, mas naquela época ambos estávamos namorando outras pessoas.

Em 2012, por mera coincidência, estávamos os dois solteiros. Eu continuava indo à escola, mas com menos frequência. Quando o Rene descobriu o meu “estado civil” ele começou a investir, me convidando pra ir mais vezes à DJ Ban, chamando pra sair… Com o final do relacionamento recente, eu não tava muito interessada, e quis apenas manter amizade, mas ele, como bom brasileiro, não desistiu, e seguiu firme e forte nas investidas.

O casal Rene e Camila formou o Binaryh em 2016. Foto: Acervo pessoal

No início de 2013, o próprio Ban Schiavon me convidou pra conhecer as novas instalações da escola, que ainda estava em reforma. Quando cheguei ao último andar, um pessoal da DJ Ban trabalhava em ajustes — entre eles, claro, o Rene. Quando o Ban me perguntou o que achei da nova escola, respondi brincando:

— Achei demais, e inclusive quando eu comprar minha casa vou contratar vocês pra reformar tudo: você, Ban, vai ser o mestre de obras, o Rafa vai cuidar da parte elétrica, a Dani vai supervisionar tudo… E você Rene, que tá parado, o que você pode fazer?

— Eu vou morar com você — respondeu, em tom muito sério.

Camila e Rene na DJ Ban. Foto: Acervo pessoal

Enquanto todo mundo ria, eu fiquei sem palavras, morrendo de vergonha porque nós não éramos tão íntimos pra uma resposta daquelas. O Ban desconversou, e o assunto morreu por aquele dia. Na semana seguinte, combinei com alguns amigos de ir a um club ver o Marc Houle tocar. O Rene ficou sabendo e ligou oferecendo carona (ele morava no bairro do Tatuapé, em São Paulo, e eu em São Bernardo do Campo — totalmente fora de mão). Ainda com um pouco de vergonha da resposta sobre a brincadeira da casa, agradeci e neguei o convite.

Na noite da balada a gente se encontrou na porta, e foi bastante constrangedor. Foi aí que apareceu do nada um amigo de longa data e não me largou mais, deixando o Rene totalmente de escanteio. A partir daquela noite ele começou a repensar se valia a pena ou não continuar investindo, já que só dava bola fora.

Camila e Rene no famoso Berghain, em Berlim. Foto: Acervo pessoal

Em fevereiro, comemorei meu aniversário no D-EDGE, com um lineup que prometia ninguém menos que Richie Hawtin e Matador — infelizmente o primeiro não apareceu, por causa de uma forte nevasca que rolou no Canadá e atrasou o voo dele. O Rene foi de “all in”: resolveu que aquela seria sua última investida, tudo ou nada. Cheguei cedo pra aproveitar o club ainda vazio com os amigos, e no meio da noite ele aparece. Não sei bem explicar, mas ali foi o momento em que comecei a olhar pra ele de uma forma diferente. Papo vai, papo vem, um cigarro aqui e outro ali, e finalmente acontece o nosso primeiro beijo.

Passamos a nos falar todos os dias, e o primeiro encontro depois daquela noite foi tão natural que a gente parecia estar namorando há muito tempo. Alguns meses depois, o Rene decidiu que era hora de realizar aquela profecia: fomos morar juntos, já que nos dávamos tão bem e estávamos trabalhando no mesmo lugar — eu havia sido recém-contratada pela DJ Ban também.

Primeira apresentação do Binaryh Live. Foto: Acervo pessoal

Em 2014, tivemos nosso primeiro filho: um selo de techno que serviu para nos mostrar que realmente temos uma sintonia excelente nas ideias e tomadas de decisões. Naquele ano, o Rene montou seu estúdio na sala de estar do apartamento, e eu comecei a participar das produções, apenas dando algumas ideias de como as músicas poderiam ficar melhores.

Com o passar do tempo e mais duas lindas vira-latas pra conta da nossa família, a minha participação naturalmente foi aumentando, e foi assim que surgiu o Binaryh, com o intuito de apenas de lançar música. Mas tudo muda quando a gente conhece a BLANCAh, e nossa amizade cresce. Não demorou pra que ela nos apresentasse pra Steyoyoke, label alemã em que ela já atuava, e foi uma grata surpresa quando o selo nos acolheu super bem também.

Em setembro de 2016, lançamos nosso primeiro EP, Primary Code. O resto, como vocês já sabem — ou já leram aqui — é a história do casal acontecendo.

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Entrevista

Grupo Laroc revela detalhes sobre novo clube underground

Flávio Lerner

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Laroc underground
Nova casa terá projeto arquitetônico semelhante ao Laroc. Foto: Divulgação
Nova casa ficará exatamente ao lado do Laroc Club, em Valinhos
* Atualizado em 28/05/2017, às 19h47

O Grupo Laroc anunciou recentemente que está abrindo uma nova casa noturna, totalmente voltada à música eletrônica underground. A partir daí, a Phouse entrou em contato com Mario Sergio de Albuquerque, sócio-diretor do Laroc Club, que, além de confirmar a inauguração do empreendimento para 2018, revelou à coluna mais detalhes sobre o novo espaço.

Quando e onde

Segundo Mario Sergio, já está definido: o clube abre entre outubro e novembro deste ano. A localização será literalmente ao lado do Laroc, no quilômetro 118 da Rodovia D. Pedro I, em Valinhos, SP. Logo, o complexo que já abriga o Laroc Club e a casa de shows Folk Valley ganhará um novo membro dentro de poucos meses.

“O novo club vem pra ser a terceira casa do grupo, dentro de um complexo que praticamente estamos criando de entretenimento na cidade de Valinhos. É exatamente ao lado do Laroc, numa área mais elevada, mais alta, com uma visão 360 das montanhas, bem mais verde, super bacana”, revela o business man. “É como se fosse uma segunda pista, mas não é. As conversas surgiram dessa maneira, mas decidimos que é outro clube, outro nome, outra identidade, outra história”, continua.

Por estar em fase final de desenvolvimento, o nome ainda não foi revelado.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma do pop.”

Por quê

Criado há dois anos e meio, o Laroc costuma dar muito espaço a artistas da cena house/techno underground, abrindo noites completamente voltadas a esse nicho. Essas noites, porém, não costumam encher a casa, que tem capacidade para até seis mil pessoas. Assim, Mario Sergio explica que em um ambiente menor, diminuindo o tamanho e o custo operacional, fica muito mais viável seguir trazendo essas atrações — e também mais interessante do que a ideia inicial de abrir uma segunda pista. Segundo ele, a casa terá capacidade para cerca de duas mil pessoas.

“A gente sabe que tem umas cinco datas no ano que aceitam uma segunda pista e que têm público suficiente pra acomodar mais do que as seis mil pessoas. Mas a gente também entende que abrir uma pista apenas cinco vezes no ano seria algo ocioso, então não seria tão interessante, já que a ideia é aumentar o volume de operações. O Laroc abre hoje em 18 datas no ano, vai passar a abrir 14 — uma por mês mais duas durante o Carnaval —, e o club novo vem pra abrir mais 12 datas. Com isso, os dois clubes passam a ter 26 datas, o que nos dá mais oito eventos no ano, e com maior pluralidade de atrações. Praticamente, de quatro finais de semana de um mês, o grupo abre em três: Laroc, club novo e Folk”, explica.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma de mais mainstream, mais comercial, mais pop. Esse é o principal motivo da abertura de um novo espaço: entender que a gente tem um público muito bom de techno/tech house, mas que o Laroc ainda é muito grande.”

Isso não significa, no entanto, que a sonoridade do Laroc será sempre a mesma. “Sempre bati na tecla de que o Laroc era um club multicultural que poderia atender qualquer tipo de evento, e isso continua existindo”, segue de Albuquerque. “Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

Laroc underground

Complexo de entretenimento em Valinhos tem Folk Valley, Laroc e espaço mais à direita para o novo clube. Foto: Divulgação

Identidade

Mario Sergio revela que o novo espaço traz a mesma assinatura visual das outras duas casas do complexo em Valinhos, mas adaptada para traduzir seu próprio conceito. “Todas as casas do grupo têm as mesmas características. Elas são conceituadas a partir da tenda, que é nosso artigo principal. Tanto Laroc quanto Folk têm a mesma característica arquitetônica, e o clube novo vem na mesma linha, inclusive de layout e acabamentos”, revela.

“O público é exigente em todas as vertentes, não é porque é underground ou mainstream, e a gente manterá esse nível de excelência, de qualidade, no clube novo. Vamos agregar bastante em produção, que é um diferencial da nossa parte, porque os clubes do underground são mais minimalistas, não têm tanto esse nível de exigência. Então este é mais um motivo pra trazermos esse conceito novo pro underground, com características fortes do nosso grupo.”

O sócio-diretor também explicou como se divide a construção do projeto gráfico: “A concepção do Laroc, os projetos, desenhos, foi feita por nós, os sócios. Somente a parte de stage design, light design e video content foi produzida por um escritório holandês, o TWOFIFTYK, que provavelmente estará conosco nesse projeto também, desenvolvendo a parte interna da tenda, de palco e tudo o mais. A gente deve ter um pouco mais de pegada cenográfica na parte externa, brincando com o ambiente, e deixar a casa com características diferentes — mais luz, menos led, menos papel picado, mas ao mesmo tempo com bastante efeito visual.”

“Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

O Laroc não corre riscos?

Em pouco tempo de existência, o Laroc vem sendo considerado por muitos — de artistas a frequentadores — como um dos melhores clubes do mundo. Perguntei ao Mario Sergio se, agora que o clube vai mais ou menos se dividir em dois, deixando a parte mais pop/comercial ao Laroc, ele não corre o risco de perder um pouco do seu charme e prestígio. O empresário foi acertivo:

“Não, muito pelo contrário. A gente ganha força como grupo agindo em bloco, a gente vê cases de sucesso pelo mundo como o próprio Hï Ibiza, que é um derivado do Ushuaïa — que é um pouco diferente, lá um é clube dia e o outro é noite… Nós manteremos o club novo também como sunset club, porque o ambiente segue tendo bastante a agregar, mantendo a história do pôr do sol como atrativo. Isso atrai mais fatores positivos e deixa o Laroc ainda mais exclusivo, porque diminui o número de aberturas: uma por mês dá pra ficar com saudade e querer ir de novo. Ao mesmo tempo, cria mais uma opção pra outra vertente musical, outro tipo de público, o que também será um diferencial nosso”.

A nova casa deve ter seu nome e mais detalhes revelados dentro dos próximos meses.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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