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Entrevista

Alec Araujo: “O progressive house de hoje é bom demais para ser ignorado”

Jonas Fachi

Publicado em

11/08/2017 - 14:35

Em entrevista com Jonas Fachi, Alec Araujo fala sobre a estreia de seu programa mensal na Frisky Radio, de Nova Iorque — uma das rádios mais respeitadas do planeta.

Como artista, Alec Araujo alcançou altos níveis de reconhecimento e apoio, dos quais muitos produtores só sonham. De suporte de DJs como Hernan Cattaneo, Nick Warren, Paul Oakenfold e Dave Seaman a feedback positivo da icônica banda alemã Kraftwerk, Alec já conseguiu muito em sua carreira. Um dos pioneiros da cena eletrônica no Sul do país, ele ajudou a construir as bases de um movimento cultural que explodiu durante a primeira década do século 21 no Rio Grande Do Sul, e que agora está novamente circundando as mentes da nova geração de clubbers no país — o house progressivo.

+ Por que Guy J pode ajudar a escrever uma nova página na cena gaúcha

Sua dedicação à música por quase duas décadas de carreira é refletida através de poderosos sets, que compartilham de uma perspectiva única e atingem ouvidos afiados por novos talentos. A capacidade elevada em construir mixagens com energia e atmosfera são aclamadas em toda América do Sul, levando-o a ser convidado para se apresentar em clubs com Warung e D-EDGE, além de podcasts para diversos programas de todo mundo. Agora, a Frisky Radio — uma das rádios eletrônicas mais respeitadas do planeta, que recebe mixes e faz curadoria exclusiva há quase 20 anos de grandes expoentes, como Nick Muir, 16 bit Lolitas, Robert Babicz, Quiver, Martin Garcia e Miss Nine — ganha um novo integrante. Pelo podcast Fenix Sessions, Alec será o segundo brasileiro a fazer parte do disputado roster da Frisky, que dispõe de quase 40 artistas. Nesta entrevista, ele nos conta como conquistou seu espaço na consagrada rádio de Nova Iorque, além de referências, produções, insights sobre a cena nacional, e claro, detalhes do seu show mensal que vai ao ar na próxima segunda.

Alec, conte-nos: como surgiu o convite da Frisky?

Há anos que recebo convites para sets na Frisky. O time da rádio sempre me apoiou, e a afinidade entre eles e minha música só cresceu durante esse tempo. Há algum tempo eu já amadurecia a ideia de ter meu próprio show, e acredito que o convite veio no momento certo — um momento em que me sinto maduro na minha carreira. Acredito que os trabalhos realizados durante esses anos de relacionamento só favoreceram para que o Fenix Sessions se tornasse real, e no momento adequado.

O nome escolhido para o seu programa é Fenix; parece que existe um simbolismo por trás dessa escolha.

Quando eu residia em Porto Alegre, diversos amigos sempre me questionavam quando eu iria ter minha própria festa, pois éramos uma turma enorme de pessoas que gostavam de um mesmo estilo, o progressive house — e não era normal escutar esse estilo em clubs. Naquela época, resolvi que teríamos que criar uma festa, com algo novo musicalmente. O nome “Fenix” veio da ideia de “renascer das cinzas”, da renovação esperada por todos em relação à música tocada, e pegou. Tenho um carinho especial pelo seu significado, e não poderia fazer diferente [com o nome do podcast]. Também pelo conceito nostálgico criado pelas pessoas em relação à festa, resolvi que manteria o nome no show.

“Fenix” também significa o novo. Por isso, fiz questão de trazer artistas que o público não conhecia para cada evento, e também produções deles para meus sets. Continuarei fazendo sempre isso nos shows mensais. Há musicas em que o propósito é diferente de tocar ao vivo, mas no show elas serão encaixadas no momento merecido, juntamente com sons que já funcionam nas apresentações. Quero fazer o diferente do meu jeito.

“Eu sempre acreditei que a cena é você quem faz.”

Você atualmente vive em São Paulo, mas é do Rio Grande do Sul, onde foi pioneiro. Em que época foi isso, e como você vê a cena do seu Estado de origem?

De 2000 a 2012 foram os anos em que mais toquei naquela cena. Era uma festa melhor que a outra. Eu amo meu Estado e tenho uma consideração enorme por todas as pessoas que, de uma forma ou de outra, ajudaram a construir a minha carreira. O RS realmente tem um público maravilhoso. Eu fico feliz de ver hoje artistas gaúchos como o Fran Bortolossi, produtor da Colours, fazer não só sua festa como a sua carreira de DJ um sucesso. Produtores como o Do Santos, que é meu conterrâneo, se destacarem não só no Brasil como no mundo com suas músicas é incrível.  Ouvi sets do Mezomo (Santa Maria) com excelente repertório. O PoSher, que é um DJ novo, é um artista dedicado e com gosto e técnica musical incríveis. Tem o Ednner Soares aka Zipman, que é um produtor e técnico de áudio dos melhores — o Marco Carola e o Stefano Noferini tocam músicas dele. O Cesar [Funck, do Sonic Future] já é para mim um dos maiores produtores mundiais. O Rodrigo Moita também, sempre foi um batalhador: mora hoje em SP e é sócio da Entourage, um dos maiores empresários do ramo no Brasil.

Estes são somente alguns de um leque de talentos inefáveis do meu Estado. Festas como a Levels contribuem a cada edição com excelentes atrações e público bonito em seus eventos, isso sem contar com clubs como a Beehive, que mantêm uma tradição em qualidade em seus lineups. Eu sempre acreditei que a cena é você quem faz, então acredito que as pessoas que trabalham com amor e dedicação com a música eletrônica estão colhendo bons frutos atualmente por lá.

Você também foi pioneiro na produção musical no país. Recentemente, sua faixa pela Global Underground foi relançada em uma série comemorativa da gravadora. Qual o sentimento em ter lançado por uma marca tão importante no cenário global?

A faixa “Baghdad” foi feita em parceria com meu amigo e irmão de produção de muitos anos, o Fernando Goraieb. Para a gente, é sempre uma surpresa com alegria quando lançamos em um label como o GU. A nossa parceria se estende até hoje e somos amigos dentro e fora do estúdio; duas crianças grandes. O legal de lançar em um label expressivo, ao menos para mim, é a questão de os olhos lá focarem no Brasil como um lugar que tem, sim, produtores esforçados e com grande talento para a música.

Ouvi também sobre sua parceria com o Wolfgang Flur, um dos membros da lendária banda eletrônica Kraftwerk. Como aconteceu isso?

O Wolfgang curtiu um remix do Kraftwerk que fiz para o Hernan Cattaneo tocar. Falou que havia amado o trabalho, e perguntou se eu poderia enviar a ele uma cópia, juntamente com os canais do remix abertos para que ele fizesse sua própria versão. Fiquei lisonjeado com tudo isso. Em seu livro  I Was A Robot ele citou meu nome — achei muito gentil e educado. A partir disso, a amizade estreitou, e recentemente recebi dele uma proposta para um novo trabalho, um novo remix.

Atualmente, como está sua carreira? No que tem trabalhado?

Estou contente com as produções recentes, oportunidades e apresentações que têm surgido. Neste ano tive músicas lançadas nos labels Clinique e Nube Music.  A convite da Hot Cue Music, produzi um remix da faixa “Smyrna”, do Nightboy, que já tem o suporte do Hernan Cattaneo, e outro remix para a gravadora Chief Rouge Records. Há faixas também que serão lançadas por 3XA, Astrowave e Varona Label. Recentemente retornei de Santa Catarina, onde pude tocar no InProgress Showcase. Público lindo e vibe inacreditável. Santa Catarina possui uma energia pura e próxima com o progressive, e senti isso com muito mais intensidade desta vez.

Também estou muito contente pela oportunidade de mostrar meu trabalho no D-EDGE no dia 27, juntamente com um time de amigos e DJs que admiro. Aproveito para deixar o meu agradecimento pessoal ao clube pela recepção do Progression, e a todo o pessoal pelo empenho e trabalho já realizados. Faremos uma grande festa. Dia 14 de outubro retorno ao RS para tocar em Garibaldi, no Freedom Music. Eventos como este são importantíssimos para o crescimento da música eletrônica, pois são feitos com muito foco, determinação e principalmente amor — e o público é quem mais ganha com isso.

“Os clubs precisam abrir as portas para a boa música, independentemente do estilo.”

Existe um movimento que tenta inserir o house progressivo em São Paulo. Por que agora a cidade e até clubs importantes, como o D-EDGE, estão abrindo as portas para o estilo? Sabemos que o techno sempre predominou por aí…

Acredito no amadurecimento da música e das pessoas como um todo. Há o momento certo para as coisas acontecerem. Aqui em SP, o núcleo da Unik ID está fazendo um trabalho bonito dentro da cena progressiva, trazendo Darin Epslon e Cid Inc para a sua primeira edição — quer dizer, o movimento está mais forte. Progressive house é um estilo bonito de se tocar e de se mixar. Há toda uma técnica por trás, as músicas são mais trabalhadas, as harmonias mais intensas e os breaks das produções atuais são explosivos e completos. O que está acontecendo atualmente dentro desse estilo é bom demais para ser ignorado. Minha opinião é que os clubs precisam abrir as portas para a boa música, independentemente do estilo.

Quais são os produtores que têm frequentado sua playlist ultimamente? E você poderia nos adiantar algo sobre o set de estreia na próxima semana?

A lista é enorme. Tenho um respeito gigante pelo talento de cada um deles. Estão em outro nível nas produções e são pessoas incríveis. Vou citar alguns: Nicolas Rada, Ezequiel Arias, Lucas Rossi, Emi Galvan, Subconscious Tales, SHFT, Dmitri Molosh, Christian Monique, Martin Gardoqui, Franco Tejedor, Guhus, Ignacio Torne, Clyde Rouge, Santo Adriano, Bablak, Antrim, Michael A, Eze Ramirez, Sebastian Busto, Ewan Rill. No Brasil: Luciano Scheffer, Fer J, Danilo MorttaguaAndré Sobota e André Salata têm feito trabalhos com suporte de muito artista grande. Mas há vários ainda no anonimato, e não vejo a hora de ver a música deles em alguma edição do Fenix Sessions.

Quanto ao set, tenho recebido músicas que são verdadeiras histórias para se ouvir, e vai ser ótimo poder contá-las durante os 60 minutos do show. Vou trabalhar para ter uma obra prima a cada mês para oferecer a quem puder ouvir. O Fenix Sessions terá o que tenho de melhor, de mais novo, e também tudo o que aprendi nesses anos como DJ e produtor, em técnica e estudo musical. Não é para ser um simples set. É um trabalho para fazer parte da vida de alguém.

Estreando no dia 14, o Fenix Sessions vai rolar na Frisky Radio nas segundas segundas-feiras de cada mês. Você pode conferir a programação e o link para ouvir o lançamento do programa aqui.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Entrevista

“Queremos saber o que o mundo acha do Rooftime”

Trio que chegou chegando na cena brasileira explica de onde veio e para onde vai

Flávio Lerner

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Rooftime
Gabriel Souza Pinto, Rodrigo Souza Pinto e Lisandro Carvalho formam o Rooftime. Foto: Lufre/Divulgação
* Com a colaboração de Lucio Morais Dorazio

Ter seu primeiro lançamento pela Spinnin’ Records e em parceria com um dos maiores nomes do seu país é um sonho praticamente inalcançável para muitos. Não para o Rooftime. O trio, formado pelos irmãos Gabriel e Rodrigo Souza Pinto (25 e 21 anos, respectivamente) com o amigo Lisandro Carvalho (21), fez sua estreia no final de setembro com “I Will Find”, collab com o Vintage Culture.

Pouco se sabe sobre o projeto, que não só nunca havia lançado uma música oficialmente, como também ainda não fez nenhuma apresentação ao vivo, nem no formato DJ set. Os caras, portanto, são novos não só na idade, como também estão chegando agora na cena — e dá pra dizer que já chegaram sentando na janelinha.

Além de ultrapassar um milhão de plays no Spotify e chegar a quase quatro milhões de visualizações no YouTube em questão de semanas, e de ser escolhida como música tema do Réveillon John John Rocks 2019 — que rola na praia de Jericoacoara, no Ceará —, a track indica uma sonoridade e um caminho repletos de potencial a serem seguidos pelo grupo.

Assim, entramos em contato com os rapazes, naturais de Itatiba–SP, para entender melhor de onde vieram e para onde vão daqui pra frente.

O clipe de “I Will Find” foi gravado em Jericoacoara, no cenário do John John Rocks

Contem pra gente um pouco sobre as origens de vocês e o primeiro contato com a música. Como surgiu o Rooftime?

Gabriel: Sempre fomos apaixonados pela música, mas sem grandes perspectivas. Eu já tinha acabado a faculdade de Administração com foco em Comércio Exterior na PUC–Campinas, havia trabalhado na área recentemente, mas não era o que me motivava. Nunca deixei que a música saísse da minha vida, então mantinha sempre o projeto com algumas bandas, junto com o Rodrigo todas as vezes.

Rodrigo: Na época, eu estava no segundo ano da faculdade, fazendo o mesmo curso que o meu irmão fez, mas também sentia que não era aquilo que eu queria. Sendo filhos de artistas, nós dois convivíamos com música desde o berço, então sabíamos que esse seria o nosso caminho também. Mas o grande problema era nos acharmos no meio musical e criar algo diferente.

Lisandro: Eu sempre tive essa preocupação também, porque comecei a produzir desde muito cedo, e queria encontrar algo totalmente fora da caixa. Tive um projeto antes, mas eu ainda sentia que não era o melhor em que eu poderia chegar. Tudo isso mudou quando eu conheci o Rodrigo na van, indo pra faculdade. Na época, eu fazia o mesmo curso de Administração. A gente começou a conversar sobre música, e todas as ideias bateram muito rápido!

Rodrigo: Não demorou muito para gente se reunir em casa, onde nos juntamos com o meu irmão. Isso foi no começo de 2017, no mês de maio, se eu não me engano. Afinamos o violão e saíram as primeiras melodias. Começamos na brincadeira, sem compromisso, como um hobby mesmo, sem muita ideia do que poderia acontecer. Desde então, a gente se reúne quase que diariamente pra fazer música, que é o que a gente ama fazer de verdade.

O nome “Rooftime” tem uma origem bem interessante. Contem melhor essa história pra gente.

Gabriel: No começo, não tínhamos um lugar reservado em casa pra poder criar. A gente se reunia no último andar de casa que, através de uma janela, dava acesso ao telhado. Subir lá, naquela época, era uma aventura, um mundo paralelo que encarávamos como um refúgio criativo, onde o mais importante era criar e ter ideias. Aos poucos isso foi se tornando rotina, e sempre que surgia alguma coisa nova, a gente dizia: “hora de subir no telhado”. Assim surgiu o nome “Rooftime”.

+ “I Will Find”, de Vintage Culture e Rooftime, é lançada pela Spinnin’

Quais são as maiores inspirações musicais de vocês?

Lisandro: Cada um de nós traz um pouco das nossas referências, mas pra compor nossa sonoridade, escutamos muita house music, indie rock, funk americano, soul, jazz e folk. Estamos sempre em busca de artistas novos e atentos a vários estilos, mas nossas inspirações hoje são Solomun, David August, RÜFÜS DU SOL, Claptone, Jan Blonqvist, Fatima Yamaha, Drake, Karmon, Milky Chance, Tube & Berger e alguns outros.

Podemos esperar que “I Will Find” seja uma boa amostra da identidade sonora do projeto? Uma coisa meio synth pop, mesclando elementos da house e do blues/rock — algo na linha do Elekfantz, mais ou menos

Rodrigo: A “I Will Find” é o melhor cartão de visitas possível. Nela, todo mundo pode ouvir e sentir a nossa intenção dentro da música eletrônica, com uma pegada acústica e sempre muito original. Acho que essa mistura de synth pop com um pouco da nossa essência é o que define nosso som, pois sempre sentimos que as faixas saem diferentes, mas também muito carregadas de emoção. Cada um dos três deposita tudo o que sente em cada música que criamos juntos, e acho que isso foge de qualquer denominação de estilo musical.

Rooftime
Foto: Lufre/Divulgação

Vocês nunca se apresentaram publicamente, mas sempre produziram. Como se dá esse processo de produção do trio?

Lisandro: A gente sempre tenta fazer algo com a nossa identidade, e na maioria das vezes o processo é bem orgânico, criativo e espontâneo. Não existe uma regra. Tudo começa no improviso: criamos juntos a harmonia, melodia e ritmo independente da aptidão musical de cada um. Temos bastante afinidade e as ideias acabando surgindo naturalmente.

Como surgiu a oportunidade de coproduzir com o Vintage Culture, logo no primeiro lançamento?

Gabriel: A “I Will Find” foi a primeira música que produzimos logo depois de nos conhecermos. Mal tínhamos um projeto formado, nem sequer um nome. Assim que terminamos, queríamos um feedback. Mandamos a música para o Lukas e ele abraçou a track na hora. Foi um ano de espera e de muita ansiedade, e agora, vendo a repercussão, não poderíamos estar mais felizes!

“Hoje conseguimos nos ver dentro do mundo musical de outra forma, muito diferente de antes, quando a única coisa em comum entre nós era um sonho” — Gabriel Souza Pinto.

E por que esperar um ano para esse lançamento? Foi uma estratégia de debutar o projeto já com o pé na porta?

Lisandro: Quando soubemos do interesse do Lukas pela faixa, tomamos a decisão de focar todos nossos esforços em produzir mais. Nem pensávamos mais na “I Will Find”, estávamos preocupados em consolidar nosso estilo musical e ficarmos cada vez mais entrosados no nosso processo criativo. Então, passamos todo esse tempo criando muitas outras músicas, trabalhando forte todo dia, muitas vezes até a madrugada, para que tivéssemos a certeza de que era o caminho certo.

Gabriel: Acho que tudo veio a calhar na hora certa. Por mais longa que tenha sido a espera para mostrar nosso trabalho para todos, sabemos que tudo foi muito proveitoso e necessário. Hoje conseguimos nos ver dentro do mundo musical de outra forma, muito diferente de antes, quando a única coisa em comum entre nós era um sonho.

Agora que o projeto foi lançado oficialmente, dá pra imaginar que vocês tenham já muitos outros lançamentos e gigs agendados pra logo mais. O que vem por aí?

Lisandro: Estamos nos preparando para lançar nossa segunda música, e a ansiedade não para de aumentar. Queremos lançá-la ainda neste ano, e estamos trabalhando forte nisso. Mas temos faixas preparadas para além do ano que vem, então tem muita coisa vindo por ai!

Gabriel: Também estamos estudando algumas possibilidades de gigs. Queremos ter certeza de nos apresentarmos na hora certa. Não podemos confirmar nada por enquanto, mas quem sabe no final do ano não surge alguma coisa?

Rodrigo: Estamos muito ansiosos pelo que está por vir. Temos colaborações com grandes artistas da cena a caminho, mas basicamente queremos que a nossa música ultrapasse as fronteiras e atinja um público cada vez maior. Queremos saber o que o mundo acha do Rooftime!

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Review

Menos é mais: menor, Federal Music apostou em line justo e cenário futurista

Oitava edição do festival mostrou amadurecimento da produção em Brasília

Nayara Storquio

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Review Federal Music
Foto: Coletivo 2takeapic/Divulgação
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Na última quinta-feira, dia 11, Brasília hospedou a oitava edição do Federal Music Festival. Aterrissando em um dos cartões postais da capital, a Torre de TV Digital, o evento de 2018 apostou na atmosfera oferecida ao público. Com estrutura cenográfica exclusiva, três palcos e mais conforto, o Federal 2018 focou mais na organização. Para cerca de dez mil pessoas, a produção ofereceu um lineup justo nas 12 horas de festa, mesmo apesar de o festival ser menor do que vinha sendo nos últimos anos, quando recebeu entre 20 mil e 30 mil frequentadores.

Se você já foi a Brasília, deve ter reparado que por lá a arquitetura é levada muito a sério. Dentre os monumentos icônicos da capital, a Torre de TV Digital é um dos mais futurísticos. No estacionamento da “Flor do Cerrado”, como a torre é chamada, foi onde foi montada esta edição.

Review Federal Music
Foto: Coletivo 2takeapic/Divulgação

Logo na entrada, a estrutura de andaimes que ostentava o nome do evento,  os parceiros e os patrocinadores, recebia a galera. O prédio de 120 metros de altura, e toda sua vibe espacial estilo casa dos Jetsons, contribuiu muito para o cenário inédito. Era impossível não admirar o monumento ao passear por ali.

Nesse cenário, três palcos estavam dispostos como opção para o público: Mantra Stage, House Mag Stage BURN DJ Stage. O palco da House Mag era a única estrutura totalmente coberta; não se sabe se por motivos meteorológicos ou de acústica, mas a cobertura não parecia fazer parte da cenografia, deixando o palco com um ar de galpão.

Review Federal Music
Foto: Coletivo 2takeapic/Divulgação

Todavia, a falta de ornamentação do toldo não influenciou em nada o sucesso da pista, que trouxe alguns dos nomes brasileiros de mais destaque na cena atual. O duo Cat Dealers, o KVSH, o Liu e o FELGUK foram os que lotaram completamente a capacidade de todas as áreas do palco — pista, camarotes e lounges. Helmer B2B Invictor, Devochka, VINNE, CIC, Evokings, Jude & Frank, Skullwell & Simple Jack e Raul Mendes & Áquila fechavam o time.

Do outro lado do estacionamento ficava o Mantra Stage, cuja cenografia não decepcionou. Composto por duas estruturas separadas, um gazebo colorido na pista e um palco psicodélico ornamentado com as figuras de dois camaleões, o Mantra teve ótima aceitação — sempre cheio, desde as 21h, quando tudo começou, até as 09h do dia seguinte.

Review Federal Music
Foto: Coletivo 2takeapic/Divulgação

Também não era pra menos, já que o palco, que trazia muito psytrance, foi comandado por ninguém menos que Astrix, Infected Mushroom, Skazi, Paranormal Attack. Performances de Hi Profile B2B Vegas, Reality Test, Phaxe, Dekel, Dimitri Nakov b2b Trindade, Freakaholics e Giaco & Wizards & 32 Project se apresentaram por ali. O poder do sistema de som era tão grande que interferiu em alguns sets dos outros palcos, porém o problema foi corrigido no decorrer do festival.

Entre House Mag e Mantra, ficavam a área de alimentação, bares, banheiros, lojinha oficial e demais áreas de conveniência. Um dos pontos altos foi o bar da BURN, que oferecia drinks diferenciados a R$ 26,00 cada. Eram quatro opções servidas num dos quatro copos exclusivos do evento, limitados em quantidade, para influenciar o público a ser mais sustentável.

O que funcionou consideravelmente no número de copos descartáveis, porém não com as garrafinhas d’água, que apesar de custarem R$ 8,00 a unidade, cobriram o chão no final do evento. O número de lixeiras pareceu não ser suficiente para o público esperado, que foi de aproximadamente dez mil pessoas.

Review Federal Music
Foto: Coletivo 2takeapic/Divulgação

Não podemos esquecer do BURN DJ Stage Room, onde houve um livestream com artistas locais. Os vencedores do concurso DJ Room também tocaram lá, e a atração especial foi o DJ Morttagua. Esse palco ficava bem atrás do House Mag Stage, e talvez tenha sido o único prejudicado nessa edição. Sua localização não era tão evidente quanto os demais, e o acesso era exclusivo a quem vinha dos lounges e camarotes.

Quem curtiu a maioria das edições do Federal Music notou uma grande evolução e maturidade na produção. Mesmo com o encurtamento dos recursos devido à crise no Brasil, o Federal mostrou que é possível entregar um evento digno sem fugir do prometido e aproveitando locais incríveis e pouco explorados da capital do país.

Nayara Storquio é redatora da Phouse.

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REVIEW

Segunda edição do Só Track Boa BH pode ser considerada a melhor de todos os tempos

Opinião foi endossada pelo próprio Vintage Culture

Luckas Wagg

Publicado há

Foto: Fabrizio Pepe
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Nesse último sábado, 29, rolou em Belo Horizonte mais uma edição do Só Track Boa Festival. Com um lineup recheado de grandes nomes, como Vintage Culture, Bruno Be, Malaa, KVSH, CIDVolac, não é exagero dizer que esta foi a melhor edição da franquia.

E vejam bem, não sou apenas eu quem está falando. O comentário do público em geral seguiu essa linha, em opinião compartilhada até pelo Vintage Culture, que nos contou, e depois publicou no Instagram, que esta foi a maior e melhor edição do Só Track Boa já realizada em toda a história — sim, até mesmo melhor que a edição principal, que rolou em São Paulo há pouquíssimo tempo.

Só Track Boa BH
Foto: Imagem Dealers/ Fabrizio Pepe

Ao contrário de SP, que teve dois palcos, a edição mineira contou apenas com o mainstage. Reunindo 20 mil pessoas no Estádio do Mineirão, a festa começou às 16 horas, com o energético set de RDT, seguido por LOthief. O tempo, porém, era chuvoso, o que deixou em cheque a sua possibilidade de sucesso. Mas para a surpresa de todos, nem a chuva nem nada atrapalhou o brilho do evento, que ficou lotado do início ao fim.

Organizado pelo reconhecido empresário Otacílio Mesquita e sua crew da OTM Produções junto à Entourage, o Só Track Boa Belo Horizonte foi sem dúvidas um dos festivais mais bonitos e bem organizados que pude conferir nos últimos tempos — e olhem que fui em bastante festivais por esse Brasilzão, hein! Apesar de o Mineirão ajudar muito, por ser um estádio novo e bem cuidado (ao contrário do Canindé, em São Paulo), a produção se preocupou com os mínimos detalhes. Desde bares, camarotes, acessos, tudo foi muito bem ornamentado e distribuído.

After do Vintage encerrou a festa. Foto: Fabrizio Pepe

Entre os destaques da noite, começamos pelo superstar e anfitrião Vintage Culture, que marcou presença do início ao fim. Atrás do palco, o artista tinha uma espécie de playground exclusivo para si e seus convidados, que puderam desfrutar de mesa de ping pong, totó, fliperama, bons drinks e uma área de descanso.

Apesar de ser uma das atrações mais esperadas e conhecidas da label, Lukas Ruiz surpreendeu com um set vibrante do início ao fim. Sua apresentação foi recheada de faixas autorais, incluindo os seus novos hits “Pour Over” e “I Will Find” — além de alguns bons clássicos da house music e um ao vivaço de “Cante Por Nós”, com a participação do cantor Breno Miranda. A apresentação do DJ também proporcionou ao público uma experiência única, com um audiovisual diferenciado e muito fogos e efeitos do início ao fim.

Foto: Imagem Dealers / Fabrizio Pepe

Quem também roubou a cena foi o mineiro KVSH, que já estava há oito meses sem “jogar em casa”, conforme declarou em um Stories pelo seu Instagram. O jovem prodígio entrou no palco por volta das 04h30 da manhã e conseguiu manter o público eufórico do início ao fim — que também contou com a apresentação ao vivo de Lagum cantando sua faixa com a DJ Samhara, “Eu Não Valho Nada”. O DJ fez também um tributo ao Avicii com um mashup de “Wake Me Up” com “Don’t You Worry Child” — exatamente como Axwell e Ingrosso fizeram no Ultra Europe.

Outro artista que surpreendeu foi o americano CID, que mandou uma houseira do início ao fim, tocando diversos clássicos e demonstrando toda sua experiência com a pista, em uma performance bem autêntica; além de Dashdot, que fez um set super linear e trouxe ao palco a DJ, produtora e cantora dinamarquesa Ashibah, que fez um live vocal, levando o público ao delírio.

+ CLIQUE AQUI para conferir nosso papo com a Ashibah

Não foi à toa que todos saíram comentando o fato daquela ter sido uma noite histórica. O line ainda contou com “apenas” Volac, Bruno BeMalaa, Chemical Surf com a participação especial do Gabriel o Pensador Gustavo Mota em um b2b insano com a Groove Delight; e fechou tudo com o Vintage retornando ao palco para um super after que foi até as 10h da manhã.

Mas além de lineup e estrutura, talvez o grande diferencial desta edição — e que motivou essa percepção geral de ter sido o melhor Só Track Boa Festival de todos — tenha sido o público, ensandecido, muito mais animado do que de costume. Percebi que na pista tinha muita gente mais nova, galerinha de 16, 17 anos, o que demonstra como a cena em BH está em crescimento, e fomentando um pessoal que virá a ser muito em breve a nova geração da cena eletrônica no Brasil.  

Assim, o Só Track Boa foi mágico, ficou na história da cena mineira e ganhou o coração dos frequentadores de uma vez por todas. Seguindo a sua saga de conquistar os quatro cantos do Brasil, o festival já tem data marcada para acontecer em Belém, no dia 20 de outubro, e Salvador, em 14 de novembro.

Luckas Wagg é CEO da Phouse.

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