Fernando-Sigma

Alterando a realidade para capturar a sua essência: conheça a Sigma F

Fernando Sigma, da Sigma F, é o segundo personagem da série “Click: a música por trás das câmeras”, que investiga o trabalho dos fotógrafos da cena eletrônica.

Pense você na ingrata tarefa encarada por um fotógrafo que se dedica ao mercado da música. Seu trabalho é registrar da melhor forma possível, de maneira visual, um espetáculo que é na sua maior parte auditivo. Como transmitir toda a energia de um momento, de uma batida, em uma simples imagem? Sem dúvida, não é um trabalho para qualquer um. Exige talento, dedicação e uma conexão profunda com a música.

Na era em que as redes sociais são instrumento fundamental para a propagação da música eletrônica, DJs, produtores, labels, eventos e todos os outros agentes da cena têm usado fortemente o apelo visual como forma de divulgação de seus trabalhos. Instagram, Facebook, Snapchat e outros são diariamente tomados por imagens estonteantes de grandes festas, palcos maravilhosos, viagens a lugares exóticos e tudo mais que puder ser capturado pela lente de uma câmera.

O que poucos param pra pensar é que por trás de cada uma dessas fotos, há um profissional que dedica sua vida a isso, a passar a mensagem da música eletrônica através da fotografia. Na série Click: a música por trás das câmerasvamos te apresentar, em cinco capítulos, alguns dos maiores nomes da fotografia no mercado da música eletrônica brasileira. Eles estão nos maiores eventos, trabalham com os principais artistas e enxergam a música como mais ninguém.

CAPÍTULO 2: Fernando Sigma

Com apenas 21 anos nas costas, Fernando Sigma já é uma realidade no mercado da fotografia ligada à música. Sócio-fundador da Sigma F, empresa de criação de material e mídia para música eletrônica, Fernando tem se dedicado ao cenário underground, fotografando principalmente eventos ligados ao techno e ao tech house. Apesar da juventude, o rapaz já tem muita história pra contar.

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O que veio primeiro: a paixão pela música ou pela fotografia? E como as duas se uniram?

Desde bem novo sempre fui apaixonado por música, gostava muito de música clássica e rock de diferentes gêneros. Aos 17 anos comecei a trabalhar com fotografia — uma época em que eu não fazia muitas festas de música eletrônica e não conhecia muito bem o gênero. A paixão por esse estilo musical começou de dois anos para cá, quando conheci outras vertentes além do comercial que todos me apresentavam. Foi a partir de então que comecei a me focar muito para conseguir realizar meus trabalhos em festas desse segmento. No começo foi bem difícil. Achar alguém que me desse uma oportunidade foi o maior desafio. Foi aí que conheci o Gustavo [Freitas], da agência LAUD. Ele foi o primeiro que viu potencial no meu trabalho e me colocou para fotografar os eventos dele.

Conte um pouco da sua rotina e dos principais desafios da profissão.

Minha rotina começa no fim de semana. É um trabalho bem intenso, pois algumas das festas que eu faço duram cerca de 18 horas, e costumo fazer duas ou três no fim de semana. O tempo é muito curto para dormir ou comer. Quando acabam as festas, outro trabalho começa, que são as edições das fotos — algo que tem que ser feito com agilidade e entregue em prazos curtos.

Os maiores desafios para um fotógrafo de festa eletrônica são a iluminação, que muitas vezes não nos ajuda — temos que criar planos mirabolantes para conseguir acertar a luz —, e também quando a festa não está cheia; este com certeza é o maior desafio para nós, pois temos o trabalho de mostrar através das fotos que a festa foi incrível (mesmo quando não foi!).

As festas de techno são as que me geram os maiores obstáculos, pois costumam ser muito escuras e os clientes gostam de ter fotos sem flash, então é preciso fazer praticamente o impossível e também ter paciência para acertar a luz quando ela está nos momentos mais claros. No entanto, eu amo esses desafios, pois eles me fazem evoluir cada vez mais, e também tornam os eventos mais interessantes de se fotografar.

Gosto de criar uma atmosfera particular, mudando as cores, colocando filtros e luzes, revelando não apenas o que as pessoas viram, mas também o que sentiram.

Qual foi o momento mais curioso da sua trajetória profissional?

Bom, o momento mais curioso aconteceu recentemente. Há muito tempo sou um grande admirador do Boris Brejcha, e sempre que ele vinha ao Brasil eu não podia ir aos shows dele, por ter algum job no mesmo dia. Na última vinda dele a São Paulo, um dia antes do show houve um encontro de fãs, e de última hora me chamaram para fotografar esse encontro! Passamos o dia inteiro com ele e foi incrível, pois além de ele ser um ótimo DJ, ele também é uma pessoa incrível e extremamente humilde!

Pra completar essa história, fui chamado para fotografar o seu showcase, e a sua apresentação me proporcionou um dos melhores momentos da minha vida, pelo qual sou muito grato!

Como você resumiria a essência do seu trabalho?

Já estou há três anos trabalhando com baladas; são mais de 300 eventos, dentre os quais posso mencionar Tomorrowland Brasil 2016, Spirit, XXXperience 20 Anos, Electric Zoo, todos os melhores clubs de São Paulo e muitas festas de techno, como Leeds, DGTL e Ressonância. A experiência me ajudou a criar um estilo de fotografia voltado ao público de música eletrônica. Amo fazer fotos espontâneas da galera curtindo a vibe da festa, dançando com aquele sorriso no rosto. Isso é muito gratificante. Gosto muito também de uma edição diferente e colorida — faço fotos realçando as cores reais, mas também me divirto em alterar essa realidade nas edições, criando uma atmosfera particular, mudando as cores, colocando filtros e luzes, revelando não apenas o que as pessoas viram, mas também o que sentiram.

O principal objetivo dessa alteração da realidade é poder mostrar o que cada evento é, pois cada um é único e merece um tratamento de luz e cor diferente. Uma balada de techno, por exemplo, precisa de mais sombras, enquanto uma de EDM requer cores mais vivas.

Veja mais alguns cliques de Fernando Sigma:

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