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Entrevista

Aninha fala sobre a carreira e anuncia nova residência

Jonas Fachi

Publicado em

08/02/2018 - 18:53
La Femme
Expoente da cena nacional, a DJ veterana, especialista em warmups e residente do Warung, revela o próximo clube em que promete fazer história

Uma das artistas mais queridas e respeitadas do cenário nacional há quase 20 anos, Aninha é reconhecida por seus warmups compostos de uma verdadeira aula de bom gosto e técnica. Com agenda sempre repleta de shows de norte a sul do país, além de turnês internacionais, uma das residentes mais antigas do Warung Beach Club soma apresentações históricas ao lado de gigantes da cena internacional, que frequentemente rasgam elogios ao seu talento inquestionável, construído por anos de personalidade musical própria.

Em uma era de artistas trocando de estilo constantemente, a DJ com base em Curitiba é uma das maiores referências sul-americanas de consistência sonora sem seguir tendências. Contudo, sua carreira ainda transcende a vida atrás dos decks através da liderança nos bastidores do mercado, ajudando a catapultar novos artistas e realizando seus próprios eventos.

Dona da AIA Records e sócia da Seas — label party que conquistou Balneário Camboriú por ser uma das últimas resistências de vida noturna da Barra Sul —, a DJ em breve lançará sua nova empreitada: a festa “Cr/se” (leia-se “crise”), em parceria com HNQO e Fabø. O projeto promete uma experiência única e revitalizadora para a cena. Além disso, Aninha nos contou em primeira mão que é a mais nova residente do Terraza Music Park, em Floripa.

Nesta entrevista exclusiva, ela nos conta detalhes sobre a carreira, os desafios do mercado e fala sobre sua nova residência.

Em tantos anos de carreira você coleciona uma série de apresentações emblemáticas, sempre relembradas pelos seus fãs. Poderia contar-nos sobre algum momento em especial ao longo de sua trajetória?

É difícil contar apenas um momento nesses 16 anos. Mas diria que tocar no Skol Beats SP (2006), antes do Loco Dice, tocar no Circoloco DC10 Ibiza (2006) antes de Tania Vulcano, abrir para a Magda no Warung (2013) — onde precisei estender meu set devido a problemas técnicos no laptop dela — e tocar antes do Villalobos, também no Warung (2011). Todos esses momentos foram desafiadores, de grande crescimento e claro, muito especiais.

Esta é uma pergunta recorrente em entrevistas com artistas que já possuem anos de estrada, porém gostaria de saber sua opinião também. Quais são as principais diferenças e os desafios de um DJ que está iniciando uma carreira hoje em relação ao artista de dez anos atrás?

A tecnologia é a principal delas. No meu caso, tocava com vinyl, mas não havia internet rápida para ouvir as músicas. Precisava ligar para as lojas ou passar cerca de oito horas pesquisando com internet discada — depois da meia noite, pra não atrapalhar minha família. Hoje está tudo tão fácil e mastigado, com todos os recursos à mão da galera, os melhores equipamentos, riders cumpridos [risos]. Naquela época não havia toca-discos na maioria das cidades, então precisava transportar sozinha a case de discos e as MKs. Não havia também tanto cuidado com logística, marketing e posicionamento, no entanto, não dávamos tanta importância, já que o principal objetivo era levar sua música para o número maior de cidades e pessoas que pudesse. Hoje o desafio é se manter interessante para esta geração que não se preocupa somente com a música, mas com o conjunto do artista.

Você sempre se destacou na importante e imprescindível função de preparar a pista para outros artistas. Parece que novos DJs têm dificuldade de assimilar como se deve comandar uma pista nos primeiros horários. Como você tem observado gente nova nessa função?

Isso não acontece apenas com os novos artistas, é algo geral. Mas será que eles gostam de ter essa função? Ou usam daquele horário para mostrar seu talento para ser no futuro o artista principal? Ou quem sabe não havia espaço no lineup para encaixá-lo da melhor forma? Vejo que muitos artistas tocam as mesmas músicas que tocariam como headliners com o BPM baixo, mas não podemos julgá-los, já que muitos passaram anos tocando seus estilos da melhor forma. Cabe ao promoter ter a sensibilidade na hora de definir seu evento e ao artista tentar ser sempre flexível para escolher músicas que encaixem para determinado horário. Enfim, “N” motivos. Por outro lado, conheço outros tantos que fazem o warump com maestria, e que se destacam em qualquer horário de uma festa.

No último ano você protagonizou importantes noites em horários avançados. Como você tem conseguido adaptar seu set para atender a um momento da noite que exige mais energia, sem perder sua identidade? Você tem pensando em trabalhar mais vezes nessas fases da noite?

Sempre toquei em horários de mais destaque em outras cidades — aliás, adoro mostrar meu trabalho com mais amplitude. Mas muitas vezes não tive oportunidade no Warung ou em outros clubs, por causa de construção e coerência do lineup. Isso é normal.

Além de artista, você vem realizando uma série de eventos, a exemplo do Seas. Houve o anúncio de outra label party que está a caminho, denominada “Cr/se”. Conte-nos os detalhes sobre esses projetos, e no que diferem um do outro.

O Seas é nosso projeto de Balnaério Camboriú voltado à house com esse ar de praia — impossível não ser assim ali na região —, onde tenho como sócios o Nezello e o [seu irmão] Sharles Nezello. Faremos eventos em parceria com outros clubs e nossos próprios com mais independência. O Seas está tomando uma proporção muito maior do que esperávamos a curto prazo e estamos super felizes com o resultado!

Sobre o Cr/se, é nosso novo projeto em Curitiba, mais urbano e independente, de house a techno, com parceria dos artistas locais e outros núcleos independentes do Brasil. Estamos na fase final da estruturação dele e queremos fazer algo simples, em que todos se sintam livres, com valores justos, mas com muita qualidade.

Tenho acompanhado seus mini-vídeos em estúdio com o Fabø. Você parece estar destinando maior tempo para a produção musical. Como conciliar tudo? Quando serão os próximos lançamentos?

Sim. Consegui resgatar toda essa parte criativa que estava congelada nos últimos cinco anos, pois estava totalmente voltada à [antiga agência] 24bit, e posteriormente a Alliance [nova agência]. Já terminamos 12 tracks juntos, temos três lançamentos marcados para fevereiro e março (via Kingstreet Sounds, AIA-D e Eisenwaren), mas estamos aguardando a resposta dos outros selos. Sozinha tenho também um lançamento no meu selo AIA com um remix do L_cio em abril, um remix para a Any Mello e outro lançamento na Austro Music.

O mercado da música eletrônica é cíclico e muito dinâmico. Você está com uma nova residência no Terraza, club que hoje em dia pode ser considerado um dos mais underground do Brasil e que ajudou a moldar a cena em Florianópolis. Conte-nos um pouco sobre essa nova fase.

Sempre tive essa relação de amor com o Terraza. Mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer. A oportunidade chegou na melhor hora e estou muito feliz. O club está em sua fase mais madura e com muitos planos para um novo posicionamento no mercado. Estamos em momentos bem parecidos e ajudarei o [DJ residente] Ricardo Lin e todo o grupo no que for preciso para que esse crescimento aconteça.

Como artista, é preciso sempre estar se reinventado e se unindo a pessoas que tenham o mesmo ideal. Quando você iniciou, imaginava que estaria onde está hoje? Qual a chave para manter-se relevante em um mercado cada vez mais competitivo?

Nossa, nunca imaginei. Mesmo porque, era tudo muito novo em Santa Catarina. Eu só me dei conta que estava sério quando não conseguia mais estudar por causa das minhas viagens e tive que largar o emprego também. Sobre manter-se relevante, devemos observar as novas ondas e nos adaptarmos a elas sem perder a nossa essência. Estamos em constante mudança e isso não se limita apenas ao Brasil. Sou artista da velha guarda, mas que ama estar entre os novos grupos, de ouvi-los e aprender com eles. Gosto de olhar para frente e de ser prática. Se não deu certo em algo ou se não me adapto, já invento outra coisa e bola pra frente. O importante é não parar.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Entrevista

“Music Mate” da ONNi, Bernardo Ziembik fala sobre as novidades do app

Alan Medeiros

Publicado há

ONNi
Foto: Divulgação
Aplicativo apresenta solução para as tão temidas filas em clubs e festivais
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Se você possui uma marca e quer alcançar caminhos nunca antes alcançados, precisa projetar um conjunto de iniciativas fora do padrão. O aplicativo ONNi, com base em Porto Alegre, tem buscado a renovação de todo um cenário desde o seu começo, propondo o fim das filas com todo processo de compra de ingresso e consumo pelo mobile. Mas não para por aí…

Desde o seu lançamento, em 2016, muitas evoluções já foram propostas, não somente ligadas à parte técnica do app, mas também no seu time. Uma das principais mudanças é a chegada dos “music mates”. A ideia é simples: profissionais de exposição nacional que vivem intensamente a cena artística são convidados a representar as ideias da ONNi em seus respectivos nichos e contextos. Para o mercado da música eletrônica, o escolhido foi o curitibano Bernardo Ziembik.

DJ e produtor, com larga experiência também na produção de eventos, Bernardo apresenta-se como a escolha certa para os objetivos do aplicativo nesse momento. Além de ter um ótimo know-how frente ao cenário, também é um entusiasta das inovações propostas pela empresa. A nosso convite, Bernardo falou um pouco mais sobre os planos da marca para 2018.

Como exatamente foi seu primeiro contato com a ONNi? Você, como público, já testou o aplicativo?

Conheci o aplicativo através de uma conferência que produzi com o Alataj, em Porto Alegre, em 2016. Eles foram super nossos parceiros e apoiadores, viabilizando um coquetel para todo o público presente. Como usuário já utilizei o app lá no RS. Primeiro em uma Levels, festa incrível de Porto Alegre, depois no DOMA, clube super cool na região central da capital. Nas duas ocasiões a experiência foi ótima, me trouxe um conforto gigante e uma economia de tempo em filas.

Music Mate me parece um conceito inovador e que diz muito sobre a jornada da ONNi até aqui. Conta pra gente: como essa parceria está funcionando?

A ONNi nasceu imersa na cena eletrônica. Com o passar do tempo, após validar o produto e a proposta, entendeu que precisava ampliar seu leque de festas para outros gêneros. A estratégia da marca para se relacionar com diferentes cenas foi criar o ”cargo” de Music Mate. Basicamente, é uma representação da ONNi em cada nicho: pop, rock, sertanejo… Depois de muitas conversas, estabelecemos uma parceria estratégica em que eu representaria a marca no segmento eletrônico. Como é um trabalho ligado a muito relacionamento, definimos que o termo “music mate” se encaixa perfeitamente, pois realmente a ideia é que todo esse contato com público, promoters e produtores que eu venho tendo seja focado em desenvolver a plataforma e trazer maior solução para quem a usa.

Qual a principal dificuldade que você tem tido no que diz respeito à negociação com os donos de clubs e festas?

Em Santa Catarina, nas primeiras reuniões, esbarramos na seguinte questão: internet. Como muitos dos clubes ficam em regiões afastadas da metrópole, o acesso à internet é bem precário. Sendo assim, o uso do aplicativo fica comprometido. De forma generalista, acredito que as pessoas têm certa dificuldade em entender que somos um sistema complementar, uma conforto e uma nova experiência para o consumidor. Além disso, tratamos de uma mudança de comportamento do consumo, questão que apenas com a constância de uso poderá ser alterada — mas estamos tendo uma receptividade bem bacana em algumas regiões, como em Joinville e Curitiba.

Existe a preocupação da ONNi em trabalhar com clientes que tenham um alinhamento de posicionamento com a marca?

Acreditamos muito na potencialização e no trabalho em conjunto com nossos clientes. Então, procuramos produtores e clubes que querem realmente trazer algo novo para o seu público e entendam que para aumentar seu faturamento e ter boa performance pelo aplicativo é necessário apresentar da forma correta. Esses fatos fazem com que exista uma segmentação dos clientes potenciais. Sem contar que nossa comunicação é bem jovem, moderna, nosso aplicativo trabalha com cartão de crédito… Isso faz com que os próprios usuários já tenham um perfil específico.

Quão importante têm sido seus conhecimentos adquiridos na carreira artística para desenvolver esse trabalho?

Graças aos meus dez anos de carreira, que estão sendo completados em 2018, pude ter contato com muita gente envolvida na produção de um evento. Então, mesmo que o aplicativo não seja utilizado de cara por essas pessoas, estou podendo coletar uma centena de feedbacks que estão sendo extremamente importantes para as atualizações do aplicativo. Exemplo: muito em breve trabalharemos também em versão web, pois essa demanda é grande no mercado de Santa Catarina e Paraná. Aqui também existe a necessidade de pagamento fora do cartão de crédito, então, com essa plataforma, poderemos vender tanto o ingresso quanto o consumo de bar via boleto. Verificamos também a necessidade de alguns clientes em ter uma plataforma que atenda melhor os clientes de mesas e camarotes. Estamos trabalhando nisso também!

Quais são seus principais objetivos com a ONNi para 2018?

Neste ano o objetivo principal é nos estabelecer como uma inovação no mercado da música no Brasil. Acabamos de lançar o novo aplicativo, que é nativo para iOS e Android. Está muito mais intuitivo, rápido e prático. A versão web para compra de ingressos e consumo é também uma super atualização para nós. A partir disso, nossa plataforma faz muito sentido para vários produtores. Agora também estamos começando a escalar nossas vendas, conseguindo atingir um número maior de produtores, criando várias comunidades nas regiões que atingimos e, assim, facilitando a mudança de comportamento proporcionada pelo aplicativo.

Das vantagens que a plataforma oferece, qual é a mais interessante na sua visão?

Para o produtor: uma nova forma de interação com o seu público e um aumento gradual do seu faturamento. Para o cliente: inovação para acabar com as filas, agilizar sua forma de compra e acesso aos eventos que façam sentido as suas preferências.

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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Entrevista

Techno de refúgio: iranianos falam sobre resistência e EP por selo brasileiro

Alan Medeiros

Publicado há

Blade&Beard
Foto: Reprodução
Refugiado na Suíça, Blade&Beard lança disco pelo selo capixaba Prisma Techno
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Blade&Beard é um projeto iraniano focado em techno que ganhou destaque internacional após o documentário Raving Iran. Comandado pela diretora alemã Susanne Regina Meures, o longa traz a experiência dos DJs Arash Sharam e Anoosh Raki — hoje conhecidos como o duo Blade&Beard — em busca da liberdade de expressão musical.

Antes de falarmos sobre o documentário — que é excelente e que você já pôde ler sobre aqui na Phouse —, vale uma rápida reflexão sobre o regime político iraniano, um dos mais severos do mundo, responsável por colocar a população em uma forte atmosfera de controle e censura, que chega à música também. A lista de atrocidades do governo com a população que de alguma forma se envolve com música ocidental é algo completamente absurdo para os padrões ocidentais, mas uma realidade cruel para o povo do Irã (sobretudo mulheres, que entre tantas restrições, podem sequer dançar em público). Entre sintetizadores queimados e clubes fechados, prisão e tortura estão entre as penalidades para os “infiéis” — no filme, Anoosh conta que já foi pego e espancado “quase até a morte”.

+ CLIQUE AQUI para ler mais sobre “Raving Iran” e o cenário de repressão no país 

Arash e Anoosh tinham tudo para ser mais um número frente ao forte regime de censura de seu país, até Raving Iran ganhar a luz do dia. O documentário alcançou considerável sucesso de crítica no mundo todo e abriu portas para a dupla explorar o som que acreditam em outros países. O convite para o Street Parade de Zurique foi como uma carta de liberdade para os rapazes do Blade&Beard, que pediram exílio de sua terra natal logo após a apresentação. Hoje, a dupla está empenhada na missão de levar o som do projeto para gravadoras que compartilham dos mesmos ideais artísticos, e vem conquistando uma posição importante dentro desse disputado cenário.

É justamente na busca de bons selos para trabalhar em conjunto que a Prisma Techno entra na história. A gravadora capixaba lançou Moving the Moon, recente EP da dupla iraniana, que chegou a ser iniciado em um campo de refugiados. Com duas originais, “Aerolite” e a faixa-título, o release reflete exatamente o atual caminho que Blade&Beard estão trilhando no estúdio. No embalo dessa parceria, batemos um papo com os criadores do EP, que estão projetando uma tour em solo brasileiro junto ao time da Prisma nos próximos meses.

Raving Iran certamente mudou a vida de vocês pra sempre. Como surgiu a ideia de fazer o documentário? Quais foram as pessoas importantes nesse processo?

Com certeza mudou 50% das nossas vidas, e os outros 50% foi a nossa música que mudou tudo para nós. Sempre tocamos no Irã, no deserto e em todos os lugares que tivemos oportunidade de tocar. A ideia não foi nossa, foi da Susanne, e o que vocês viram foi nossa vida normal. Ela capturou parte disso e foi a pessoa mais importante nesse processo.

Como era o relacionamento de vocês com a cena de Tehran em um sentido mais amplo? O que vocês podem nos contar sobre a atmosfera do público e outros artistas?

Foi um pouco arriscado e assustador gravar no Irã, e literalmente colocamos nossa vida em risco apenas para mostrar nossa luta para as pessoas ao redor do mundo. Somos gratos por aqueles que nos ajudaram. Algumas pessoas simplesmente não se importaram, pois elas queriam que suas vozes fossem ouvidas, mesmo sabendo do risco.

Liberdade de expressão é uma das premissas para o desenvolvimento de qualquer cena artística. Além desse ponto, quais eram as outras dificuldades que vocês enfrentavam an cena de Tehran?

Nós não conseguíamos lançar nossas faixas para sermos ouvidos. Essa foi uma de muitas dificuldades que enfrentamos. Não é possível explicar, mas vocês provavelmente viram isso no filme.

De uma forma geral, vocês sentem que a comunidade eletrônica perdeu parte de seu espírito de resistência ao redor do globo? Se sim, há algo que possamos fazer para resgatar isso?

Não acho que tenha perdido o seu espírito, apenas mudou a sua forma e, agora, por exemplo, a música pop está misturada com eletrônica e está crescendo rápido — talvez em outro formato, mas continua a mesma coisa.

Moving the Moon, novo EP de vocês pela Prisma Techno, comprova o bom momento do projeto no estúdio. Como foi o processo criativo desse release?

É interessante que você esteja perguntando isso, porque fizemos o EP quando ainda estávamos no campo de refugiados e a base dele foi algo que fizemos lá. Uma vez que saímos, nós completamos no estúdio e esperamos que as pessoas gostem do produto final.

Gigs, novidades, lançamentos: o que podemos esperar de Blade&Beard para o segundo semestre de 2018?

Tem mais EPs que esperamos que sejam lançados em 2018, mais gigs e festivais. Ficaremos felizes em ver as pessoas que curtem a nossa música nas próximas gigs, e a grande novidade é que estaremos em tour com a Prisma Techno no Brasil. Com certeza vamos festejar com pessoas incríveis, estamos muito animados!

Para finalizar, uma pergunta pessoal: o que a música representa na vida de vocês?

A música é a nossa vida e a forma de expressarmos nossas emoções. Todo mundo tem sua própria forma de mostrar as emoções e essa é a nossa, através da música — e que coisa bonita que nós temos a sorte de trabalhar como músicos e com o que realmente amamos.

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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Entrevista

Cat Dealers revelam novos planos e curiosidades sobre parceria com Cleo Pires

Phouse Staff

Publicado há

Cat Dealers Cleo
Foto: Reprodução
Dupla remixou uma das primeiras canções de Cleo na nova carreira

Na semana passada, como você viu aqui na Phouse, os Cat Dealers se destacaram com um remix para “Jungle Kid”, música da cantora Cleo — mais conhecida como a atriz global Cleo Pires, que lançou recentemente sua carreira paralela no mundo da música. A original é a faixa-título de EP lançado em março, com outras quatro faixas.

Mas como será que pintou essa inusitada parceria entre um dos duos de maior sucesso do cenário eletrônico brasileiro e uma das celebridades mais famosas do país? Pra responder a essa e a outras perguntas, Lugui e Pedrão tiraram um tempinho na agenda para contar à Phouse um pouco dos bastidores do remix — e ainda prometem novidades para o futuro breve com a artista! Leia abaixo:

Como surgiu a oportunidade para remixar a música?

Tivemos o prazer de receber o convite da Cleo e da equipe dela, que já conheciam e curtiam muito o nosso trabalho — incluindo nossa amiga BIAN, que é DJ, compositora e produtora musical, e também foi uma das compositoras da “Jungle Kid”. Ficamos super honrados e animados com essa produção.

Como foi o contato que tiveram com a Cleo no processo de produção do remix? Vocês já a conheciam pessoalmente?

Tanto nós quanto a Cleo temos uma rotina muito corrida. Além da carreira musical, ela está gravando a novela das sete, e estávamos nos preparando para a nossa tour na Ásia. Tivemos um contato à distância, mas intenso e produtivo para trocar uma ideia e alinhar a parceria. Graças à tecnologia, isso é possível e funciona (risos). Fizemos contato por telefone, whatsapp e por aí vai. E, no fim, quando mostramos o resultado final, ficamos muito felizes com a reação dela.

Já nos cruzamos em alguns eventos, antes mesmo de surgir o convite para fazer o remix, mas pessoalmente mesmo deve acontecer em breve. Estamos combinando novos projetos juntos, e esse encontro deve acontecer logo. Fiquem ligados, porque virá acompanhado de novidades!

+ Tiësto, Justice, Camelphat, Cat Dealers… Confira os novos sons do final de semana!

Quais foram os principais desafios para remixar “Jungle Kid”?

O principal desafio foi transformar a “Jungle Kid”, que tem uma pegada bastante diferente do que costumamos fazer, em um remix que encaixasse também na nossa sonoridade. O BPM original da música, por exemplo, era mais lento, mas conseguimos aumentar sem deixar a vibe incrível da original se perder. Estávamos sempre tocando o remix nos shows, e a resposta tem sido ótima. Inclusive nossos amigos DJs sempre vinham perguntar o nome da track, se era alguma cantora gringa ou algo do tipo.

Como é participar dos primeiros passos na música de uma estrela global já consolidada?

Nós ficamos muito felizes pela confiança que tiveram na gente. Poder participar desse início de carreira musical da Cleo foi uma oportunidade incrível e, por isso, tivemos o máximo cuidado nessa produção, principalmente por ela já ser uma artista consolidada, com uma grande trajetória.

Se tivessem que dar uma dica musical para a Cleo na nova carreira, qual seria?

A nossa maior dica, não só para ela, mas para todos, é se manter rodeada de pessoas do bem, que possam ajudar nessa jornada, e de se manter fiel a si mesma, às suas produções e aos seus instintos. Não há nada melhor, tanto para a artista quanto para os fãs, quando a música vem da alma, com verdade.

* Além desse papo, entrevistamos o duo sobre a festa Cat House, cuja próxima edição rola em 04 de agosto, em BH. Assista aqui.

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