La Femme Aninha

Aninha fala sobre a carreira e anuncia nova residência

Expoente da cena nacional, a DJ veterana, especialista em warmups e residente do Warung, revela o próximo clube em que promete fazer história

Uma das artistas mais queridas e respeitadas do cenário nacional há quase 20 anos, Aninha é reconhecida por seus warmups compostos de uma verdadeira aula de bom gosto e técnica. Com agenda sempre repleta de shows de norte a sul do país, além de turnês internacionais, uma das residentes mais antigas do Warung Beach Club soma apresentações históricas ao lado de gigantes da cena internacional, que frequentemente rasgam elogios ao seu talento inquestionável, construído por anos de personalidade musical própria.

Em uma era de artistas trocando de estilo constantemente, a DJ com base em Curitiba é uma das maiores referências sul-americanas de consistência sonora sem seguir tendências. Contudo, sua carreira ainda transcende a vida atrás dos decks através da liderança nos bastidores do mercado, ajudando a catapultar novos artistas e realizando seus próprios eventos.

Dona da AIA Records e sócia da Seas — label party que conquistou Balneário Camboriú por ser uma das últimas resistências de vida noturna da Barra Sul —, a DJ em breve lançará sua nova empreitada: a festa “Cr/se” (leia-se “crise”), em parceria com HNQO e Fabø. O projeto promete uma experiência única e revitalizadora para a cena. Além disso, Aninha nos contou em primeira mão que é a mais nova residente do Terraza Music Park, em Floripa.

Nesta entrevista exclusiva, ela nos conta detalhes sobre a carreira, os desafios do mercado e fala sobre sua nova residência.

https://soundcloud.com/aninhadj/warung-beach-club-04th-january

Em tantos anos de carreira você coleciona uma série de apresentações emblemáticas, sempre relembradas pelos seus fãs. Poderia contar-nos sobre algum momento em especial ao longo de sua trajetória?

É difícil contar apenas um momento nesses 16 anos. Mas diria que tocar no Skol Beats SP (2006), antes do Loco Dice, tocar no Circoloco DC10 Ibiza (2006) antes de Tania Vulcano, abrir para a Magda no Warung (2013) — onde precisei estender meu set devido a problemas técnicos no laptop dela — e tocar antes do Villalobos, também no Warung (2011). Todos esses momentos foram desafiadores, de grande crescimento e claro, muito especiais.

Esta é uma pergunta recorrente em entrevistas com artistas que já possuem anos de estrada, porém gostaria de saber sua opinião também. Quais são as principais diferenças e os desafios de um DJ que está iniciando uma carreira hoje em relação ao artista de dez anos atrás?

A tecnologia é a principal delas. No meu caso, tocava com vinyl, mas não havia internet rápida para ouvir as músicas. Precisava ligar para as lojas ou passar cerca de oito horas pesquisando com internet discada — depois da meia noite, pra não atrapalhar minha família. Hoje está tudo tão fácil e mastigado, com todos os recursos à mão da galera, os melhores equipamentos, riders cumpridos [risos]. Naquela época não havia toca-discos na maioria das cidades, então precisava transportar sozinha a case de discos e as MKs. Não havia também tanto cuidado com logística, marketing e posicionamento, no entanto, não dávamos tanta importância, já que o principal objetivo era levar sua música para o número maior de cidades e pessoas que pudesse. Hoje o desafio é se manter interessante para esta geração que não se preocupa somente com a música, mas com o conjunto do artista.

Você sempre se destacou na importante e imprescindível função de preparar a pista para outros artistas. Parece que novos DJs têm dificuldade de assimilar como se deve comandar uma pista nos primeiros horários. Como você tem observado gente nova nessa função?

Isso não acontece apenas com os novos artistas, é algo geral. Mas será que eles gostam de ter essa função? Ou usam daquele horário para mostrar seu talento para ser no futuro o artista principal? Ou quem sabe não havia espaço no lineup para encaixá-lo da melhor forma? Vejo que muitos artistas tocam as mesmas músicas que tocariam como headliners com o BPM baixo, mas não podemos julgá-los, já que muitos passaram anos tocando seus estilos da melhor forma. Cabe ao promoter ter a sensibilidade na hora de definir seu evento e ao artista tentar ser sempre flexível para escolher músicas que encaixem para determinado horário. Enfim, “N” motivos. Por outro lado, conheço outros tantos que fazem o warump com maestria, e que se destacam em qualquer horário de uma festa.

No último ano você protagonizou importantes noites em horários avançados. Como você tem conseguido adaptar seu set para atender a um momento da noite que exige mais energia, sem perder sua identidade? Você tem pensando em trabalhar mais vezes nessas fases da noite?

Sempre toquei em horários de mais destaque em outras cidades — aliás, adoro mostrar meu trabalho com mais amplitude. Mas muitas vezes não tive oportunidade no Warung ou em outros clubs, por causa de construção e coerência do lineup. Isso é normal.

Além de artista, você vem realizando uma série de eventos, a exemplo do Seas. Houve o anúncio de outra label party que está a caminho, denominada “Cr/se”. Conte-nos os detalhes sobre esses projetos, e no que diferem um do outro.

O Seas é nosso projeto de Balnaério Camboriú voltado à house com esse ar de praia — impossível não ser assim ali na região —, onde tenho como sócios o Nezello e o [seu irmão] Sharles Nezello. Faremos eventos em parceria com outros clubs e nossos próprios com mais independência. O Seas está tomando uma proporção muito maior do que esperávamos a curto prazo e estamos super felizes com o resultado!

Sobre o Cr/se, é nosso novo projeto em Curitiba, mais urbano e independente, de house a techno, com parceria dos artistas locais e outros núcleos independentes do Brasil. Estamos na fase final da estruturação dele e queremos fazer algo simples, em que todos se sintam livres, com valores justos, mas com muita qualidade.

Tenho acompanhado seus mini-vídeos em estúdio com o Fabø. Você parece estar destinando maior tempo para a produção musical. Como conciliar tudo? Quando serão os próximos lançamentos?

Sim. Consegui resgatar toda essa parte criativa que estava congelada nos últimos cinco anos, pois estava totalmente voltada à [antiga agência] 24bit, e posteriormente a Alliance [nova agência]. Já terminamos 12 tracks juntos, temos três lançamentos marcados para fevereiro e março (via Kingstreet Sounds, AIA-D e Eisenwaren), mas estamos aguardando a resposta dos outros selos. Sozinha tenho também um lançamento no meu selo AIA com um remix do L_cio em abril, um remix para a Any Mello e outro lançamento na Austro Music.

O mercado da música eletrônica é cíclico e muito dinâmico. Você está com uma nova residência no Terraza, club que hoje em dia pode ser considerado um dos mais underground do Brasil e que ajudou a moldar a cena em Florianópolis. Conte-nos um pouco sobre essa nova fase.

Sempre tive essa relação de amor com o Terraza. Mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer. A oportunidade chegou na melhor hora e estou muito feliz. O club está em sua fase mais madura e com muitos planos para um novo posicionamento no mercado. Estamos em momentos bem parecidos e ajudarei o [DJ residente] Ricardo Lin e todo o grupo no que for preciso para que esse crescimento aconteça.

Como artista, é preciso sempre estar se reinventado e se unindo a pessoas que tenham o mesmo ideal. Quando você iniciou, imaginava que estaria onde está hoje? Qual a chave para manter-se relevante em um mercado cada vez mais competitivo?

Nossa, nunca imaginei. Mesmo porque, era tudo muito novo em Santa Catarina. Eu só me dei conta que estava sério quando não conseguia mais estudar por causa das minhas viagens e tive que largar o emprego também. Sobre manter-se relevante, devemos observar as novas ondas e nos adaptarmos a elas sem perder a nossa essência. Estamos em constante mudança e isso não se limita apenas ao Brasil. Sou artista da velha guarda, mas que ama estar entre os novos grupos, de ouvi-los e aprender com eles. Gosto de olhar para frente e de ser prática. Se não deu certo em algo ou se não me adapto, já invento outra coisa e bola pra frente. O importante é não parar.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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