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Análise

Linha do tempo: Veja o legado que o Anzuclub deixou à cena trance nacional

Fernando Matt

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Anzu Trance
De Armin van Buuren a Paul Oakenfold e Markus Schulz, passando por Ferry Corsten e Above & Beyond; relembre os grandes nomes da cena trance mundial que passaram pelo Anzuclub.
Agradecimentos: Marlon Bastos Barbosa e Cristiano Henrique Prazeres
Fotos: Anzuclub / Gui Urban / Natali Hernandez / Babalu / Eder Leandro / Reprodução 

Depois de 20 anos de historia e milhões de espectadores, o Anzuclub encerrou suas atividades nesse último sábado, dia 07, em uma festa que trouxe o belga Lost Frequencies como headliner, acompanhado por uma reunião de todos os DJs que um dia já foram residentes da casa.

Se você não conheceu, certamente ouvirá muitas histórias sobre várias apresentações inesquecíveis de um dos clubes mais antigos do Brasil. Inaugurado em 2 de outubro de 1997, o Anzu foi palco de grandes eventos da música eletrônica em terras tupiniquins.

Tornando-se um club semanal, já trouxe aproximadamente três milhões de pessoas para dançar, cantar, alegrar e se emocionar ao som dos DJs mais renomados do mundo — além da constelação de artistas nacionais que puderam se apresentar na casa.

Com o ciclo tendo se encerrado no último fim de semana, deixamos aqui uma última homenagem, com um resgate histórico dos artistas da cena trance e progressive que marcaram presença na casa, ficando para sempre em nossas memorias.

+ Fim de um ciclo: Saiba por que o Anzuclub está fechando

2004 – Scott Project

Anzu Trance

No sábado, 17 de janeiro de 2004, o Anzuclub promoveu uma das maiores festas itinerantes europeias com um dos maiores DJs da atualidade: Gatecrasher, com o alemão Scott Project (trance/hard-trance). A balada contou ainda com os residentes Mora e Edgard Fontes.

2004 – Armin van Buuren

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No dia 12 de junho daquele ano, o holandês foi até o Anzuclub para se apresentar pela primeira vez no Brasil. Naquele ano, Armin van Buuren era considerado o terceiro DJ mais popular do mundo, ficando atrás de Tiësto e Paul van Dyk.

2005 – Marco V

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Já em 2005, no dia 12 de março o Anzuclub recebeu novamente a festa do selo Godskitchen, que contou com o convidado Marco V, além dos residentes Mora, Edgard Fontes e Paulinho Boghosian. Naquele ano, o holandês era considerado o 16° DJ mais popular do mundo.

2006 a 2007 – SOTs

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Entre os anos de 2006 a 2007, os eventos SOT – State of Trance, do núcleo de trance brasileiro Energy BR, realizou aproximadamente dez edições no Anzuclub. Em parceria com o club, o projeto trouxe várias atrações internacionais além de lançar novos DJs nacionais em evidência no Brasil. O casting do núcleo contou com nomes como Jack, Fabio Stein, Danilo Ercole, Superti, o duo DTC (Dorph e Ted Corr), Everson K e Danny Oliveira.

2007 – Ali Wilson

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Em 31 de março de 2007, uma nova edição da SOT recebeu Ali Wilson. O top DJ britânico estava em turnê pelo Brasil naquele ano para promover o pré-lançamento de seu primeiro álbum solo, de sua própria gravadora Tekelec Records. Além da atração principal, o line contou com os DJs JackFabio SteinFranky Homma, Fabio Hed e o VJ Léo.

2007 – Brian Cross

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Ainda em 2007, o clube do interior paulista recebeu a festa Amnesia Ibiza World Tour, de um dos mais badalados clubs de Ibiza. Nessa primeira edição, que ocorreu vez em 7 de abril, o Anzu teve como atração principal o catalão Brian Cross, que naquele ano foi indicado em três categorias no prêmio Spanish DJ. Além de ser o residente das noites Armada, no Amnesia, Brian era a pessoa escolhida para fazer a tour mundial. O line contou ainda com os DJs Mora, Edgard Fontes e Netto.

2008 – Eddie Halliwell

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Com seu estilo único, o britânico Eddie Halliwell também marcou presença em Itu. No dia 12 de janeiro, Eddie mostrou que misturando trance, techno, house e electro, a pista do Anzu iria ficar pequena. Para aqueles que estiveram nessa data fatídica, o canto do público está até hoje em suas memorias: “EDDIE! EDDIE! EDDIE!”.

2008 – deadmau5

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Em 28 de junho, o Anzuclub recebia pela primeira vez no Brasil o canadense Joel Thomas Zimmerman, mais conhecido mundialmente como deadmau5. Naquele ano, Zimmerman ainda era pouco conhecido entre os brasileiros. Entretanto, não demorou muito tempo para que seu trabalho ganhasse o mundo.

2011 e 2012 – Ferry Corsten

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Apresentando-se por dois anos seguidos no Brasil, Ferry Corsten trouxe para Itu as maiores e melhores sensações que o público do trance tem de lembrança. Nos dias 15 de setembro de 2011 e 24 de setembro de 2012, o holandês manteve a sua tradição de se apresentar por horas e não sair da cabine até o sol nascer — tanto que até hoje é um dos artistas mais queridos do público do Anzu.

2012 – Sander van Doorn

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Em comemoração aos 15 anos do Anzuclub, no dia 13 de outubro outro DJ e produtor holandês, Sander van Doorn, foi a cereja do bolo. Com a ajuda de clássicos como “Grasshopper”, “Punk’d and Riff” e “Love is Darkness”, SVD levou o publico ao delírio. O lineup também contou com os residentes Viktor Mora e Ulisses Nunes.

2012 e 2013 – Paul van Dyk

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Uma das maiores lendas da música eletrônica também marcou presença no Anzu em duas oportunidades. O alemão Paul van Dyk participou em 17 de novembro de 2012 da famosa White Party do Anzuclub. Seu live foi tão marcante que a casa o convidou novamente para a festa de aniversario de 16 anos, em 12 de outubro de 2013.

2013 – W&W

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Seguindo a tradição de sempre realizar pre-parties, warmups e after-parties de festivais de Itu, o Anzuclub realizou em 15 de novembro o WarmupXXX17, evento que contou com a presença do duo holandês W&W.

Naquele ano, a dupla formada por Willem van Hanegem Jr. e Wardt van der Harst estava passando por um processo de transição do trance/progressive para o electro house, house e EDM.

Ainda assim, faixas como “Shotgun”, “Moscow”, “Ghost Town”, “Invasion”, “Alpha”, “Impact”, “Arena”, “Mustang” e “Mainstage” foram executadas para alegria do público do trance presente.

2013 e 2014 – Above & Beyond

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Outros artistas que também são queridos na casa são o trio britânico Above & Beyond, que somam duas aparições inesquecíveis. No dia 7 de setembro de 2014, Paavo Siljamäki e Tony McGuinness se apresentavam pela primeira vez no Anzuclub, e em 8 de março de 2014 a casa realizou sua tão famosa edição do Carnanzu, que contou com o trio — entretanto, Jono Grant e Paavo Siljamäki foram os escolhidos para vir ao Brasil.

Esta edição reservou uma surpresa que ninguém esperava: um pedido de casamento no meio da pista de dança, e com ajuda de Above & Beyond como cumplices. Durante a execução da música “Thing Called Love”, os DJs escreveram no telão do clube uma mensagem enviada por Fabio von Zuben à sua amada Gilmara Meneses (confira como foi esse momento aqui).

2016 – Paul Oakenfold

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Em 4 de junho do ano passado, o Anzuclub, em parceria com o projeto Trance In Brazil, teve o prazer de receber pela primeira vez uma das maiores lendas da história do trance mundial: Paul Oakenfold. Além da lenda britânica, o brasileiro Wrechiski completou o lineup da edição temática Just Back.

2017 – Markus Schulz

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Celebrando quatro anos de existência, o projeto Trance in Brazil se emparceirou mais uma vez ao Anzu para trazer outro grande nome da cena global — o alemão Markus Schulz.

No dia 16 de setembro, naquela que foi a penúltima abertura de portas da casa, o trance dominou o Main Stage mais famoso do Brasil, já que o lineup contou também com dois grandes nomes do cenário nacional: Danilo Ercole e Wrechiski. Além do palco principal, Markus ainda se apresentou no Afterhours, que levou o público a dançar até as 8h da manhã, fechando com chave de ouro a última atração de trance da história dos 20 anos da casa.

* Fernando Matt é colaborador eventual da Phouse.

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Entrevista

Produtora mais nova do mundo? Com apenas 10 anos, a DJ Rivkah tem chamado a atenção da cena nacional

Flávio Lerner

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Rivkah
Foto: Divulgação
Garota de Brasília cresceu rápido e virou atração entre grandes eventos e expoentes da cena eletrônica

Crianças prodígio costumam chamar a atenção no meio da música eletrônica pelo fator inusitado: ainda não é comum vermos gente tão nova discotecando profissionalmente, por razões óbvias que vão do fator ambiente [quase sempre mais adulto] à própria inserção no mercado de trabalho — passando ainda pelo fato de que um bom DJ requer uma boa bagagem musical, que por sua vez exige tempo de conhecimento e maturação.

Mas talvez o futuro breve nos reserve mais crianças que se destacam no ofício. Décadas após o A-Trak vencer o DMC, e poucos anos depois do “fenômeno” Arch Jnr, que ganhou reality na África com apenas três anos de idade — e que, vamos ser honestos, não parecia ter muita noção do estava rolando —, temos no Brasil mais um caso recente que vem atraindo cada vez mais olhares em uma velocidade impressionante: Rebecca Rangel, mais conhecida como DJ Rivkah [seu nome de batismo em hebraico].

Foto: Divulgação

A menina nasceu na Noruega, onde viveu até os seis anos de idade, mas tem cidadania brasileira e francesa, e hoje mora em Brasília com a mãe e o padrasto — “o maior incentivador e patrocinador de toda essa história”, segundo a mãe de Rebecca. Assim, com apenas dez anos, desde que decidiu abraçar de corpo e a alma essa carreira, vem chamando a atenção em eventos não só em sua cidade: no BRMC, que rolou nessa última semana, em São Paulo, Rivkah parecia onipresente, podendo ser vista a toda hora pelas salas em que se realizavam os painéis e circulando pelas áreas de lounge.

“A Rivkah sempre gostou muito de música, e já teve aulas de violino e teclado antes de virmos morar em Brasília. Desde os quatro anos ela já tinha música eletrônica no celular, em vez de músicas infantis. Ouvia muito Swedish House Mafia e Tiësto“, conta a orgulhosa mãe Valesca Rangel — constantemente presente ao lado da filha — em depoimento à Phouse. “Ela sempre pediu para ser DJ, e no ano passado eu a matriculei em um curso e acompanhei diariamente nas aulas. Um curso que duraria três meses ela terminou em apenas um!”

Na Praia, em Brasília, foi onde a Rivkah começou a chamar atenção

Logo, a menina já atraiu um dos tutores do curso, o DJ Sony, e ganhou a chance de tocar em um evento chamado “Na Praia”, que rolou entre junho e setembro, durante os finais de semana, na capital federal. “O DJ Sony deu a chance de a Rivkah tocar em um domingo à tarde, em um palco menor, e logo na primeira apresentação o espaço lotou. Rapidamente, foram muitas matérias em jornais e sites de Brasília. Ela explodiu rapidamente”, segue contando Valesca, que destaca que a filha já tem agenda fechada até outubro.

De fato, em conjunto com um trabalho forte de assessoria de imprensa, a menina saiu em diversas reportagens, de jornais locais a jornais do SBT. Assim, a família tratou de cuidar dos trâmites para que ela pudesse trabalhar legalmente, sempre com a presença de um adulto responsável — e Valesca não vê qualquer possibilidade da infância da filha ser prejudicada. “Fomos orientados pelo Conselho Tutelar a pedir um alvará na Vara da Infância, e assim foi feito. A Rivkah toca, se apresenta, mas não deixou de ser criança. Ela tem uma coleção de bonecas que é aumentada pelo menos duas vezes por ano, e gastamos com as bonecas talvez mais do que com equipamentos. Apesar de estar saindo enquanto as amigas estão ficando em casa, a maioria delas já está se relacionando com meninos, e a Rebecca nem pensa nisso ainda. Ela é madura para exercer seu dom, mas ainda é criança e se diverte como tal. A prioridade para ela é a escola, e ela está muito bem amparada psicologicamente.”

Foto: Divulgação

O fato de o ambiente da música eletrônica estar normalmente associado a uma embalagem mais adulta [noite, bebidas, drogas, sexo…] também não preocupa. “Para mim, a música eletrônica nunca remeteu a bebidas, drogas ou sexo, pois eu nunca bebi e sempre frequentei festas, raves e shows. Sou capaz de virar a noite sendo a pessoa mais feliz da festa bebendo Coca-Cola Zero (risos)! O primeiro evento em que a Rivkah participou foi o Na Praia, que tem um clima maravilhoso e muito familiar. Vende-se bebida da mesma forma que se vende bebida em qualquer praia brasileira. Os demais, em sua maioria, foram sunsets com censura livre em beach clubs, ou eventos em lojas, para famílias”, segue Valesca.

“Quando o evento é mais tarde, ela não tem contato com o público, a entrada de artista é diferenciada e ela fica em camarim ou área reservada. Quando não se apresenta, vamos em outros programas e assistimos com ela a atrações diversas. Na maioria das vezes, estamos no backstage ou camarote, que são ambientes mais reservados. Temos uma relação muito próxima, eu e ela, e a Rebecca realmente segue o dom de sua personalidade. Alok e Bhaskar cresceram dentro de festas rave, e quem conhece sabe que são muito bem criados e muito educados, de personalidade e caráter indiscutíveis.”

A dupla, aliás, é uma das maiores referências da garota, que cita o brazilian bass e o trance como suas principais vertentes. Outros nomes citados são Sevenn, Chemical Surf, Vintage Culture, JetLag, Capital Monkey, Skazi, Chapeleiro e Astrix — além de Guga Guizelini, do Make U Sweat, que a tem ajudado com dicas de produção musical. “Conhecer a Rivkah foi uma grata surpresa. Ela é super cativante, e não é apenas uma criança que gosta de música e de DJs — ela realmente sabe tocar, e bem! Tem presença de palco e arranca olhares surpresos o tempo inteiro! Certeza que se ela continuar apaixonada pelo que faz, tem um futuro brilhante pela frente”, afirmou o DJ.

Agora, a Rivkah quer ir ainda mais longe: depois de aulas de produção com Guga e outros nomes do cenário brasileiro, está finalizando a masterização de suas primeiras músicas, feitas em parceria com artistas de Brasília: uma collab com o DJ e produtor Icy Sasaki e uma canção com letra e voz de Babi Ceresa. A família já a está rotulando como a produtora mais nova do mundo, e pretende pleitear oficialmente esse título. “A assessoria dela e eu estamos preparando todas as evidências para requerer a quebra de recorde no Guinness, pois lá o produtor mais jovem do mundo é um menino de 12 anos”, complementa a mãe.

Com Guga Guizelini. Foto: Divulgação

Ainda é muito, muito cedo para saber se todo o hype em cima da menina irá se confirmar, e se ela de fato irá se tornar um big name nacional — ou mesmo se vai seguir a carreira como DJ e produtora depois de adulta. A essa altura, o que realmente importa é que Rebecca Rangel se divirta, sem muito compromisso.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Entrevista

Executivo próximo a Avicii fala sobre novo álbum, segredo do sucesso e comportamento peculiar do artista

Phouse Staff

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Lonely Together
Foto: Reprodução
O presidente da Geffen Records fez revelações importantes sobre os bastidores do trabalho com o músico

Neil Jacobson, presidente da Geffen Records — selo que lançava as músicas de Avicii —, deu uma entrevista bastante profunda e esclarecedora para Shirley Halperin, da Variety, logo após a morte do artista. Jacobson trabalhava como A&R de Avicii desde que fechou contrato com a Interscope (selo-mãe da Geffen) para “Levels”, e, portanto, era uma das pessoas mais próximas dele.

Na entrevista, o executivo revelou que um novo álbum estava muito perto de ser lançado, que conversou com o sueco dois dias antes da sua morte, e falou sobre como o enxergava como um músico genial, pioneiro e diferenciado, que tinha como grande trunfo a capacidade de criar grandes melodias.

Confira algumas das melhores declarações de Jacobson para a Variety, em tradução feita pela Phouse:

— Trabalhei com o Tim por muito tempo. Ele era o meu cara. […] Foi um grande amigo, um grande garoto. Tenho cuidado em não cometer exageros com essas declarações porque isso é algo fácil de se fazer quando alguém falece, mas pode falar com qualquer pessoa que o conheceu e vão te dizer que ele era um garoto bom e gentil.

— Tim era um artista original. […] Ele era muito consciente sobre o que estava rolando, e muito interessado em seguir um caminho diferente. […] Sempre tinha um pé no momento atual e o outro em algo completamente diferente e inesperado.

— A primeira vez que ouvi falar nele foi no Identity Festival, por volta de 2010. […] Escutei “Levels” e fiquei tipo, “caramba, isso é grande”. Era uma grande música, um grande sample, uma grande ideia, um grande drop. E você olhava pra ele e ele tinha aquele look incrível — a camisa xadrez, o cabelo loiro, a grande música. Tinha um ar de que você não podia chegar perto dele, e esse mistério foi mantido no primeiro ano, quando “Levels” não parava de crescer. Foi o grande surgimento da EDM, a dance music moderna, e ele surfou aquela onda como um profissional. Ele estava bem em frente a ela.

— O grande lance do Tim era o seu senso incomum para melodias — do tipo que grudam na sua cabeça. […] Seu ingrediente secreto era a sua melodia. O seu entendimento sobre ela, como identificá-la. Ele sempre escolhia a correta, sempre sabia como dirigir os cantores, em como eles deveriam entrar e sair de cada vocal. Ninguém fazia o que o Tim fazia, e eu acho que é por isso que ele seguiu tendo hit atrás de hit.

— [Sobre o novo álbum]: Estávamos trabalhando nele, e era o melhor material do Avicii em anos, pra ser sincero. […] Ele estava muito inspirado e empolgado. Tivemos um mês de sessões no estúdio, e tínhamos que delimitar horários de encerramento, porque se deixasse, o Tim ia trabalhar por 16 horas seguidas, era a natureza dele. Você tinha que tirá-lo disso, tipo: “Tim, vamos lá, vai dormir, descanse um pouco”. É uma tragédia. Tínhamos esse músico incrível, mágico.

— [Sobre o futuro do álbum]: Não faço ideia do que vai ser agora. Vou dar um tempo e trocar uma ideia com a família dele, depois que as coisas se acalmarem. […] Vamos tentar pegar alguma recomendação da família e então trabalhar pra fazer algo que ele gostaria que fizéssemos.

— [Sobre colaborações no álbum]: Sim, há algumas. Prefiro não dizer quem são. O Tim tinha uma lista de pessoas com quem ele gostaria de trabalhar nesse disco. Na verdade essa foi a última coisa que conversamos, dois dias antes [da morte do artista]. É meio assustador.

— Sim, ele era um perfeccionista, um workaholic. Até que ele fosse para o lado oposto. Por que ele estava em Omã? Eu estava, tipo: “Tim, onde fica Omã? Eu nem faço ideia”. E ele: “Eu vou pra Omã. Vai ser divertido”. Este era ele: trabalhava muito forte e então dava meia volta como se fosse um piloto de guerra.

— Quando estávamos lançando o último EP — porque nós conversamos muito sobre o futuro da música, sobre não ser mais sobre álbuns nem singles, e por isso decidimos lançar em pequenos blocos —, logo antes de termos tudo pronto e entregue, eu ficava martelando na cabeça dele todos os dias. Como o cara do A&R, eu preciso ter o disco pronto. De repente, ele pega um avião e vai pra Machu Picchu. Não tivemos notícias por três dias. E aí ele posta um vídeo de uma lhama no Instagram com “Friend of Mine” tocando ao fundo. Claro, ele estava certo. Seus fãs enlouqueceram, aquilo viralizou na internet, virou o trending topic número um em tudo que é canto. Promoveu perfeitamente o disco de Machu Picchu. Este era ele. Tipo: “Sério, Tim? Uma lhama?”

— [Sobre voltar a fazer shows]: Volta e meia a gente tocava no assunto. “E se você fizesse esse show?” Ele respondia: “Não, não, não. Não vou voltar a tocar, mas se eu fosse fazer algo, provavelmente seria aparecer de surpresa num clube underground, só pela diversão”. Ele sentia falta disso, de discotecar. Ele amava a dance music. Você quer enlouquecer? Vá para o meio dos fãs em um show do Avicii. Ele entendia o fluxo e o refluxo de um set, como fazer as pessoas dançarem, como diminuir a intensidade e depois trazer elas de volta. Você acabaria chorando durante três quartos do show e sem saber por quê. Era isso que ele fazia, esse era o seu talento.

— Se o Avicii voltasse a tocar em um ou dois anos, acredito que o cachê seria um número de sete dígitos, só pra começar. Tem tantas pessoas que gostariam de vê-lo, de dançar e enlouquecer num show dele. Teria sido lindo.

— [Sobre os problemas de saúde e especulações de abuso de drogas]: Não posso falar muito sobre isso porque eu não sei. Posso dizer o seguinte: se algum desses rumores fosse verdade, acho que eu teria visto algo. E por mais que eu estivesse o tempo todo em volta dele, nunca vi nada disso. Ele não fazia festa. Ia para um clube para ouvir o DJ.

— [Respondendo sobre o que mais vai sentir falta na ausência do Avicii]: Não vou sentir falta dele me ligando às 04h15 da madrugada (risos). Ele não entendia o tempo, não fazia sentido pra ele. Era uma pessoa noturna, e não compreendia os limites dessa questão. Só posso falar sobre sua música e sua força criativa no estúdio. Seu respeito pela arte, pela criatividade. Ele lutou para ser um grande artista. Nunca foi algo como “essa música já está boa, vamos embora”. Tinha que ser excelente, e eu vou sentir falta disso.

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Em novo e emocionado depoimento, família indica que Avicii cometeu suicídio

Phouse Staff

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Avicii suicídio
Foto: Reprodução
Família Bergling soltou novo comunicado para o público nesta quinta-feira

Dois dias depois de soltar seu primeiro comunicado para a imprensa, a família de Avicii voltou a falar — e desta vez, a mensagem foi bem mais reveladora. No novo comunicado, ao dizer que o músico “não conseguiu ir além” e “queria encontrar paz”, a família Bergling dá a entender que o DJ teria cometido suicídio.

Confira o depoimento na íntegra, em tradução livre feita pela Phouse:

Estocolmo, 26 de abril de 2018

Nosso amado Tim estava em busca de algo. Era uma alma artística frágil que procurava encontrar respostas para questões existenciais. 

Um perfeccionista que viajou e trabalhou duro em um ritmo que levou a um estresse extremo.

Quando ele parou com as turnês, queria encontrar um equilíbrio na vida entre ser feliz e conseguir fazer o que ele mais amava — música.

Ele realmente enfrentou muitos pensamentos sobre sentido, vida e felicidade.

Ele não conseguiu ir além.

Ele queria encontrar paz.

O Tim não foi feito para a máquina de negócios em que ele acabou se encontrando; era um cara sensível que amava seus fãs, mas evitava os holofotes.

Tim, você será amado para sempre, e deixa muitas saudades.

A pessoa que você era e a sua música vão manter sua memória viva.

Nós te amamos,

Sua família.

Tim deixa seus pais, Klas e Anki, seus dois irmãos, Anton e David, e sua irmã, Linda. O músico foi encontrado sem vida na sexta-feira passada (20), no Muscat Hills Resort, em Omã.

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