Apoena

À frente da Allnite Music, o DJ brasileiro Apoena mostra que o vinil não está morto

Do museu para as pistas, o disco de vinil está cada vez mais enraizado no cenário musical
** Edição e revisão: Flávio Lerner

O mundo tem dado passos largos quando o assunto é tecnologia, tanto na música como em diversos outros segmentos. No caminho oposto, encontramos alguns exemplos que, independentemente dos novos recursos de mixagem que aparecem, seguem fielmente a arte e a cultura do uso de discos na hora em que se apresentam pelas pistas ao redor do globo.

É o caso de Henrique Casanova, mais conhecido como DJ Apoena, gaúcho que tem visto seu nome crescer na cena do vinil desde 2010, quando teve destaque no selo inglês Autoreply/Stuga. Sua seriedade e seu compromisso com a qualidade técnica da mixagem são alguns pontos que auxiliam no progresso de sua carreira, fazendo com que consiga atingir um envolvimento perfeito com o público.

 

Mesmo com alguns brasileiros voltando a comprar vinil nos últimos anos e ajudando a reviver um pouco mais essa cultura, o mercado não possui muita força em território nacional, principalmente se tratando da música eletrônica underground. Essa história começou no final da década de 40, quando foi gravado e apresentado o primeiro Long Play (LP), em Nova Iorque. No Brasil, os vinis apareceram três anos depois e tiveram seu auge nos anos 70 e 80, mas hoje encontram muitas dificuldades para se restabelecerem no país.

Em 2017, a Vinil Brasil abriu as portas para a fabricação de discos na cidade de São Paulo, sendo atualmente uma das únicas a realizar a prensagem no Brasil. Ao redor do mundo, uma nova geração de fábricas de vinil vem aparecendo, e o dado mais recente (segundo o Universo do Vinil) contabiliza 90 espaços espalhados em 29 países, sendo os Estados Unidos os principais fabricantes, com 33 deles.

 

Apesar de ser um número animador para personagens como Apoena, ainda será preciso encarar e superar o mercado imaturo para o segmento, vencer algumas barreiras (como a dificuldade na importação e os altos impostos) e acreditar nos mais jovens — público que, de acordo com especialistas, é quem ajuda o vinil a crescer por aqui.

Fundada pelo produtor gaúcho em 2014, a Allnite Music é uma das marcas que não deixam de apostar na mágica dos discos, e com certeza é a label nacional de maior sucesso nesse universo. Focando em house e techno, seus releases são todos em vinil, e a cada lançamento é fácil ser surpreendido tanto pela qualidade sonora como pela construção cuidadosa apresentada do início ao fim das faixas.

Prova disso foi o estrondoso sucesso do EP Edits Brazuca, lançado no início do ano e alcançando ótimos números. Anteriormente, ele também já havia reafirmado sua posição na cena com “Basement Jam”, uma collab com o icônico produtor alemão Alex Agore, com forte presença de elementos da house old school (ouça acima).

  

Agora, no seu mais novo EP, Nebulosa, todas as três músicas são de autoria do próprio Apoena, e demonstram um excelente equilíbrio entre deep e tech house, ao mesmo tempo em que resgatam algumas características mais imersivas já apresentadas em outros lançamentos pelo selo. O disco, como próprio nome já diz, permite uma breve viagem pelo espaço, se mostrando versátil com a mudança de cada faixa — sendo o lado A estrelado pela faixa-título “Nebulosa”, e o lado B por “Asteroides” e “O-Type”.

Todas as músicas que chegam aos nossos ouvidos através do selo vêm carregadas de significados. Talvez seja essa paixão pelo vinil escondida atrás de ótimas produções que garantem cada vez mais o sucesso da Allnite e o espaço em que ela ocupa no cenário musical. Com toda essa força, a gravadora é um bom exemplo de que a indústria do vinil vive e ainda viverá por um bom tempo se depender de pessoas dedicadas e comprometidas como o Henrique. Como é especial ter a bandeira verde e amarela tão bem representada nesse cenário!

* Marllon Gauche é colaborador da Phouse.

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