Às vésperas de estrear no Caos, LouLou Players fala sobre o Brasil

LouLou leva sua label para Campinas nesta sexta, com apresentações de Tim Baresko, Fran Bortolossi e Gaab

* Por Gabriela Loschi

** Edição e revisão: Flávio Lerner

Natural de Namur, na Bélgica, Jérôme Denis — o nome de batismo do LouLou Players — é provavelmente, ao lado do comparsa Kolombo, o belga mais familiar aos brasileiros. Com faixas emplacadas em gravadoras icônicas da música eletrônica, como Suara e Bunny Tiger, ele fundou a LouLou Records e traz a label para um showcase hoje no Caos, em Campinas, onde toca ao lado de Tim Baresko, Fran Bortolossi e Gaab

Aproveitando a oportunidade, e tendo suas passagens constantes pelo país, fizemos esta entrevista focada nas suas vivências em nosso solo tupiniquim, e o resultado foi um bate papo descontraído e super interessante — pois apesar de tocar por todo o mundo, é pelo Brasil que seu coração bate mais forte. Seu carisma e sua simpatia cativaram as pistas latinas e hoje muitos artistas nacionais recebem o seu apoio.

Agora, chegou a vez de Campinas receber sua sonoridade deep, groovy, divertida e cheia de frescor, características de sua própria personalidade. E de sabermos um pouco mais sobre o que ele pensa sobre o Brasil. Confira:

Remix com o parça Kolombo, recém-saído do forno

Qual foi sua primeira impressão sobre o Brasil quando você veio aqui pela primeira vez, em 2013?

Fiquei impressionado com a simpatia das pessoas, o país mais acolhedor que eu já visitei. Falando em festa, a energia é simplesmente incrível. Eu ainda me lembro de minha primeira turnê e festas por aqui, eu tive arrepios e estava me sentindo tão emocionado, que superou todas as minhas expectativas.

Minha primeira cidade visitada foi Floripa, e como você provavelmente sabe, eu me rendi totalmente ao encanto da Ilha da Magia.

Uma vez você contou que sua cidade favorita no Brasil é Florianópolis. Qual é a segunda?

Floripa é definitivamente um lugar onde é bom viver para um gringo como eu. Já para ficar alguns dias e curtir, realmente amo cidades como Itajaí, Búzios, Maresias… Sim, como você pode perceber, gosto de praias e pontos de surf… É uma questão de vibração e energia para mim, e esses lugares simplesmente me fazem me sentir bem. Estou ansioso para descobrir outros!

Falando de cena clubber e de festas, Curitiba é com certeza a mais impressionante! A cena é massiva.

Fran Bortolossi e LouLou Players curtindo a praia de Balneário Camboriú. Foto: Reprodução

Você lança e apoia muitos artistas brasileiros há muitos anos. Você ainda recebe muitos pedidos para o seu selo? O que você procura em um novo artista?

De fato, o número de brasileiros interessados pelo nosso selo foi e continua sendo incrível. Nós tivemos a chance de descobrir e lançar artistas realmente ótimos.

Hoje em dia, e como sempre fizemos, estamos em busca de nomes que estão vindo com algo especial. Estamos abertos a diferentes estilos musicais — pode ser deep, tech, progressivo… Queremos apenas músicas que conversem com a gente e que possamos tocar e curtir.

Quais são as principais diferenças que você vê na cena brasileira desde quando veio pela primeira vez até hoje?

A cena vem se desenvolvendo de uma maneira enorme. Tenho a sensação de que a música eletrônica se tornou um dos principais estilos musicais do país. As barreiras foram quebradas, a dance music que estava no underground agora é ouvida pelo grande público.

Eu sempre fico impressionado quando ando em cidades como Curitiba e Balneário Camboriú; há música eletrônica por toda parte. Carros, lojas, restaurantes, hotéis… É muito legal perceber que as pessoas estão ouvindo suas faixas na praia ou no carro!

Set de sua gig no Warung em janeiro

Qual faixa do LouLou Players é sempre muito bem recebida nas pistas de dança aqui?

“Hum Hum” é definitivamente a faixa que abriu as portas do país para mim, então eu gosto de tocar quando estou fazendo long sets.

Da mesma forma, “Touch Your Body” é provavelmente a minha favorita!

Vamos falar de comida? Prato brasileiro favorito.

O açaí é definitivamente algo que amo! Mas eu sou um grande fã de vegetais e frutas, então você pode imaginar como posso ser feliz aqui…

E quando vou para o Rio Grande do Sul, não importa o que aconteça, eu quero uma sopa de capeletti.

E pra beber?

Como amante de frutas, eu realmente gosto de beber sucos naturais. Eu simplesmente amo. Não é muito comum na Bélgica ter sucos frescos em bares ou restaurantes, então quando estou no Brasil, não há escolha melhor.

Comparando com as cervejas brasileiras, por que os belgas fazem melhor?

É um segredo belga, e por acordo com o governo eu não posso dar nenhuma informação, hahahah!

“Hum Hum” foi lançada com Sharam Jey em 2013

Há algo que você faz aqui no Brasil que não é capaz de fazer na Bélgica?

O modo de vida que eu tenho no Brasil é algo em que eu sou totalmente viciado — eu gosto de aproveitar bons sucos, frutas… E de pensar: “ok, vamos para a praia”, e então eu estou na praia em dez minutos. Mesmo relacionado a festas, algumas das melhores estão em Santa Catarina. Essas são as principais coisas que eu sinto muita falta quando volto para casa.

E o contrário?

Quando no Brasil, sinto falta do meu estúdio. Realmente preciso trabalhar nesse ambiente para produzir, então trabalhar com música na estrada é difícil para mim.

Também sinto falta da minha bicicleta. Eu sou um cara esportivo, totalmente viciado em mountain bike, e preciso de uma dose diária de passeio na natureza. Então isso realmente faz uma grande falta para mim. Mas neste verão, não há escolha — vou levá-la comigo!

E com certeza, meus amigos e familiares. Estar longe de casa por longos períodos também é difícil.

Tocando no Club 88, em Campinas. Foto: Divulgação

O que os brasileiros poderiam aprender com os belgas, e o que os belgas poderiam aprender com os brasileiros?

O brasileiro pode, definitivamente, nos ensinar como abrir o coração para os outros e para essa vida feliz. E com certeza os belgas podem ensinar a fazer cervejas, batatas fritas e chocolate — esses são nossos selos, hahahaha!

Quando você volta para a Bélgica, que tipo de presentes brasileiros você traz para familiares e amigos?

Sem escolha, Havaianas!

Você já deve ter ouvido que a política brasileira é uma bagunça. Como você enxerga isso?

Um grande país tem grandes problemas, com certeza. Mas no final eu percebo que estamos em uma bagunça em todo o mundo. Quanto mais velho eu fico, menos eu confio em política.

Estou triste com o sistema e em como as pessoas mudam quando têm poder.

Outro lançamento recente do DJ, em conjunto com Antdot e Meca

E como você acha que os europeus estão vendo isso?

As mídias européias adoram transmitir problemas de outros países para confortar suas próprias opiniões de cidadãos do mundo.

Mas, como eu disse, há problemas em todos os lugares ao redor do mundo, com certeza em diferentes níveis. Meu país é pequeno, mas nós temos milhares de problemas malucos. A quantidade de empresas falidas nunca foi tão alta como hoje em dia. Nós temos mais e mais pessoas sem emprego…

Quais são as suas expectativas para se apresentar no Caos e para trazer o showcase do seu selo?

Campinas é uma das minhas cinco cidades preferidas para tocar. A região tem um dos melhores públicos!

Eu tenho sido um convidado regular no belo Club 88, então eu estou realmente on fire pensando em finalmente voltar e descobrir o Caos, que se tornou em poucos meses um dos mais importantes clubes da América do Sul. Então estejam preparados!

LEIA TAMBÉM:

Share on facebook
Compartilhar no Facebook
Share on twitter
Compartilhar no Twitter
Share on whatsapp
Enviar no Whatsapp

Quer aprender a produzir a sua própria música?

Compre agora o curso Make Music Now com 10% de desconto na inscrição e soundbank do Studio Tronnic para Sylenth1 grátis!.
ADVERTISEMENT