“É muito difícil ser DJ no Brasil”: Erick Jay fala sobre novo título mundial

Campeão do mundo em 2016, o DJ paulistano venceu agora o DMC Online

Campeão do DMC e do IDA World em 2016, Erick Jay conquistou no último dia 02 o terceiro título mundial de sua carreira: o DMC Online. Criada em 2011, a modalidade funciona à distância, permitindo que DJs de qualquer canto do mundo participem.

Assim, além de levar mais um caneco para casa, o paulistano seguirá para Londres para lutar pelo bicampeonato do DMC World DJ Championship. A competição rola no dia 28 de setembro, no Islington Assembly Hall. O DJ Nino, que venceu o último DMC Brasil em junho [Jay ficou em segundo lugar] será o outro representante do país.

A performance que rendeu o título do DMC Online 2019

“É como se fosse uma missão, e a missão foi cumprida com sucesso. Porque é muito difícil ser DJ no Brasil. Questão de equipamento, de conseguir o espaço… A tecnologia tá nos ajudando, mas é muito difícil ainda”, contou Erick à Phouse. “Foi uma conquista super bem-sucedida, porque quem tem esses mundiais [na América do Sul] só somos nós aqui do Brasil. Os únicos mundiais que temos, fui eu que ganhei. Então é pro mundo ver que temos bastantes DJs aqui talentosíssimos.”

Para Jay, detentor ainda de nove títulos nacionais [DMC Brasil 2009, 2010, 2011, 2014 e 2015; Hip Hop DJ 2006, 2007 e 2008; e Quartz Riscos e Batidas 2014], o segredo para ganhar essas competições é ser ousado e criativo — e nisso, assim como no futebol, os brasileiros são mestres.

“Os caras gostam de ver coisas novas. Não basta você ter técnica. O nosso diferencial é que os DJs de campeonato dos outros países erram e entram em pânico. Eles não têm aquele jeitinho suingado brasileiro, de sair do erro com classe, sem desespero”, argumentou.

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Erick Jay é representante de uma das mais interessantes expressões da cultura DJ: o turntablismo, também conhecido como discotecagem de performance. São os artistas que constroem seus sets dando um show em habilidade técnica e repertório — quem é bom, mixa basicamente qualquer música. Infelizmente, essa cultura apresentou uma queda nos últimos anos, e no Brasil, tornou-se muito nichada, ganhando mais representatividade no universo do hip hop.

“No Brasil, a cultura turntablista era mais forte nos anos 80, 90 e 2000. De 2005 pra cá deu uma boa caída, porque os campeonatos foram acabando. Mundialmente, ainda continua, porque o turntablista usa o campeonato pra se divulgar. Ganhando, portas vão se abrindo, nos bailes, festas e festivais. Lá fora, continua essa tradição. Mas pra mim, continua sendo um diferencial numa pista”, seguiu, sem deixar de trazer uma visão otimista.

“As pessoas precisam estudar mais os DJs, a história, o seu diferencial. E o turntablismo brasileiro vem ganhando um espaço mundial agora. Eu vejo, quando vou ministrar aula, que o interesse vem aumentando — principalmente em garotos, para diferenciarem os seus sets. Eu espero que o turntablismo brasileiro cresça. Ele ainda está muito isolado. Precisamos de mais DJs fazendo performance em programas de TV”, finalizou.

O DMC Online

Diferentemente das edições nacionais e da etapa mundial, o DMC Online é uma plataforma em que DJs de qualquer lugar podem competir à distância, por vídeo.

O campeonato tem três etapas. Na primeira, centenas de vídeos inscritos competem pelo voto popular. Os dez mais votados classificam para o segundo round, no qual um juri especializado escolhe três semifinalistas. Essas primeiras duas etapas repetem-se outras duas vezes, até sobrarem nove competidores. Desses nove, os três primeiros lugares se classificam para o DMC World.

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

Novo uniforme do Manchester City homenageia clube histórico do Reino Unido

Em parceria com a PUMA, o time de futebol faz tributo ao lendário clube The Haçienda

A PUMA revelou hoje seus uniformes para a temporada 2019/2020 do Manchester City — e a novidade veio com uma grande surpresa para os fãs de música eletrônica: o uniforme 2 homenageia a cultura clubber da cidade.

Em 2015, anos antes de me tornar editor da Phouse, já tinha contado toda a história da Haçienda, clube lendário de Manchester que funcionou entre 1982 e 1997, um dos primeiros a promover a house music no Reino Unido. Mas esta é provavelmente a primeira vez que a casa encontra tributo no futebol.

A sua icônica decoração amarela com listras pretas na diagonal está agora devidamente impressa nos ombros da camisa reserva da equipe de Pep Guardiola, Gabriel Jesus, De Bruyne e companhia. Inteiramente preto, o kit ainda traz detalhes coloridos nas mangas, em outra apologia ao início da era raver da Inglaterra.

O craque argentino Sergio Agüero atacando de modelo. Ao fundo, uma simulação do design da Haçienda. Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Substituindo a Nike na confecção dos uniformes do time, a PUMA resolveu homenagear a herança cultural e industrial de Manchester. O titular, na sua tradicional cor azul clara, faz menção à Revolução Industrial. “O uniforme Home [titular] de 2019/20 tira a sua inspiração da herança industrial de Manchester, celebrando a bravura, a luta e a personalidade que emergiram dos moinhos de algodão da cidade”, diz o site do City em português.

Novo uniforme titular do Manchester City faz referência à Revolução Industrial

“O padrão de ondas de tecido Jacquard ao longo da camisa é uma representação visual dos teares, que foram parte fundamental da revolução industrial em Manchester. O icônico azul do City é realçado com roxo, uma cor usada em históricos uniformes Away [reserva] e que figura no uniforme principal pela primeira vez”, continua o texto. Sobre o segundo uniforme, escreveram:

“O uniforme Away 2019/20 celebra os anos de ‘Madchester’, um período de extraordinária atividade cultural no fim dos anos 80 e começo dos 90. O uniforme é diretamente inspirado na antiga casa noturna The Hacienda, que foi o epicentro da música, de bandas, de DJs e de artistas emergentes. Usando a cor preta como base, esse uniforme ostenta listras amarelas no ombro esquerdo; uma referência à icônica identidade gráfica da The Hacienda. Um adicional de rosa e do azul do Manchester City criam uma representação colorida deste lendário ícone cultural, que já foi o coração pulsante da cidade.”

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“A parceria entre o Manchester City e a PUMA vai além do futebol. Nós queremos que os torcedores do mundo todo e os mancunianos locais se sintam inseridos nisso, e tudo começa com a combinação dos nossos designs criativos com a autenticidade da história e da cena musical de Manchester”, revelou Adam Petrick, diretor de marketing da PUMA, ao site do clube.

“Nós queremos levar o Manchester City e as iniciativas de marca da PUMA juntos sempre e onde pudermos, e isso significa ir além do campo — até áreas maiores da cultura do futebol, como games, a comunidade, moda e música. É assim que realmente podemos impactar os fãs de futebol de todos os tipos e idades.”

Filme da campanha dos novos uniformes traz o rapper de Manchester Bugzy Malone, ao lado dos craques Sergio Agüero, Oleksandr Zinchenko, o time feminino sub-14 e o treinador Pep Guardiola.

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

“Quando disserem que seu sonho é impossível, você está no caminho certo”

Depois de estágio com o antigo manager de Afrojack, Sunroi é a nova aposta da Artist Factory

Jovem, natural de Goiânia, com estágio no estúdio do ex-manager de Afrojack, DNA musical, dedicação ao trabalho e, claro, apaixonado por música eletrônica. A Phouse conversou com Sunroi, produtor de 26 anos que está se lançando ao mercado brasileiro depois de uma importante vivência na Europa, para investigar por que ele se transformou na mais nova aposta da Artist Factory, que agencia nomes como Alok, Liu e Bhaskar.

Neto do compositor sertanejo Don Bira, o artista revela que a música sempre esteve em seu sangue, mas que foi na infância, nas rádios de Bruxelas, que descobriu a dance music. “Por ter essa influência na família, sempre fui eclético, gosto de música boa. Mas lá pelos oito, nove anos, descobri essa música diferente, que ainda não era tão conhecida, e viria a se tornar minha paixão”, conta Hójjamaz de Melo Moreira, o Sunroi.

Lançada em maio com Wolsh e Bahsi, “On My Way” é o principal single de Sunroi até então

“Meu pai só coloca nome louco nos filhos. Tenho uma irmã chamada Hamany e outra que se chama Hadarah”, brinca. Depois de conhecer a nova paixão em solo belga, Hójjamaz — ou Roger, para os amigos — começou a estudar produção musical na caruda, aos 16 anos. “Quando entendi que existia todo um mundo por trás disso, entrei numa escola de produção, mas saí muito cedo. Tudo o que ensinavam ali eu já sabia. Comecei a tocar nos bares de Bruxelas, e aí achei que a Bélgica tava pequena”, continua.

Foi então que, aos 19, resolveu visitar a Dancefair, em Amsterdã — tradicional encontro do mercado da música eletrônica, mais ou menos como o ADE, mas mais voltado aos profissionais da indústria —, e sair entregando pendrive com suas primeiras produções. Nisso, conseguiu chamar a atenção de Bobby Burns, chefão da Wall Recordings e manager do Afrojack à época. “Entreguei o pendrive a ele, passou uma semana e ele me ligou. Convidou pro estúdio, queria ouvir meu som”, narra.

Fã de Avicii, Sunroi lançou bootleg para “S.O.S”, em parceria com o MOJJO

O que parecia um simples convite despretensioso se transformou numa realidade que o jovem Hójjamaz sequer poderia sonhar: acabou largando o emprego que tinha na prefeitura de Bruxelas para morar na capital holandesa, meca da música eletrônica, em um quarto anexo por quase três anos. “O Bobby tinha um estúdio onde todo mundo passava, então foi uma grande oportunidade de aprender e expandir meu trabalho. Eu não era amigo dele, não falava inglês nem holandês; nossa comunicação era a música. Mas aos poucos aprendi as línguas e comecei a abrir várias portas”, segue.

Assim, o garoto foi se profissionalizando, a ponto de produzir com destaque, nos bastidores, para vários artistas. Depois de mais uns anos morando novamente na Bélgica, sentiu-se pronto para enfim lançar seu próprio projeto. No ano passado, conheceu a turma da Artist Factory no ADE, e a química não demorou a acontecer. Os executivos viram um grande potencial para ser trabalhado, e já o convidaram para fazer parte do time e morar em São Paulo.

Remix para o Valentine saiu em EP pela Armada Music, em 2018

“Acreditar e apostar em novos artistas é um dos alicerces da Artist Factory Management, porque entendemos a importância de fomentar o crescimento do cenário da música eletrônica nacional. E isso só é possível apostando em novos artistas nacionais, bem como valorizando artistas internacionais que estão começando e despontando”, explica o CEO da Artist Factory, Felipe Lobo. “Tivemos a oportunidade de conhecer o Sunroi em Amsterdã durante nossa participação no ADE e, de imediato, percebemos sua paixão pela música, que fica claramente representada em suas produções. Ele, que já vinha produzindo em colaboração com outros artistas, tem uma qualidade técnica impressionante e acreditamos muito no seu potencial como DJ e produtor.”

Para Hójjamaz, entretanto, não foi apenas o seu talento que despertou a atenção de Bobby Burns e da AF. “Muitos têm talento, mas não pegam duro, não fazem acontecer, ficam reclamado. Acho que o que viram em mim foi mais a vontade de fazer acontecer. Eu chego e falo: ‘quero trabalhar, fazer música, criar uma história’. Acredito que isso desperta um interesse maior nas pessoas. Me falavam que era impossível, e eu fui acreditando até fazer dar certo. Por isso, quando lhe disserem que seu sonho é impossível, é porque você está no caminho certo”, reflete o artista, que se mostra muito feliz com a nova rotina como Sunroi.

“We Rolling”: outra collab com Wolshi, lançada pela Heldeep de Oliver Heldens

“Desde que cheguei, tem sido muito bom. Quando vi aquele escritório enorme da Artist Factory, pensei: ‘é lá que quero estar’. No Carnaval fiz cinco datas, já cheguei tocando, tenho rodado bastante pelo Brasil em diversos eventos. A gente nunca para”, diz o músico, que se inspira em Lost Frequencies, Avicii, R3HAB e Calvin Harris. “Gosto muito dessa vertente mais pop — canções com melodias alegres e misturando o orgânico com a música eletrônica. Mas entendo a importância de, como DJ, lançar tracks para clubs”, complementa.

Agora, com collabs com nomes nacionais importantes no horizonte — entre eles, Bhaskar e Rooftime —, uma agenda intensa promovida pela Box Talents e a volta de uma convivência mais próxima com a família [os pais voltaram para Goiânia], Hójjamaz está em casa, e o Sunroi tem todos os ingredientes para brilhar no cenário eletrônico nacional.

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

“Já nasceu pronto”; conheça Kallel, o DJ prodígio que vem encantando o Sul do Brasil

Com apenas dez anos de idade, Kallel segue os passos do pai, que garante, orgulhoso, o talento do menino

Quando falamos em DJs mirins, crianças que ainda estão na escola mas já saem discotecando como gente grande, é natural que algumas pessoas torçam o nariz, duvidando da real qualidade de um DJ com apenas uma década de vida. Porém, uma rápida olhada na trajetória e na arte do menino Kallel, paranaense de dez anos, natural de Curitiba, já é suficiente para desarmar os olhares mais céticos.

Isso pode ser explicado por duas grandes razões: base e aptidão. Kallel Santos é o filho caçula de Cleunice Silva e Jefferson Santos. O pai, mais conhecido como Jeff Romero, tem uma carreira de mais de 20 anos como DJ e professor de discotecagem na capital do Paraná.

Live Set Vinyl

Live Set Vinyl#TECH #HOUSE

Posted by Kallel on Wednesday, October 3, 2018

“O Kallel demonstrou interesse pela música desde muito pequeno. Ele puxou o pai, é uma coisa natural”, conta Jefferson à Phouse. Com 16 anos, a filha mais velha, Callyane, também tem a veia musical: cantora, já gravou algumas acapellas para o irmão, que tem o tech house e a bass house como principais vertentes, mas também foi bem instruído em outros estilos, como psytrance, deep house e techno.

“A gente foi recentemente num show do Almir Sater — grande referência da música brasileira —, e ele falou assim: ‘quem é cantor, já nasce pronto’. Isso serve para o Kallel. Ele tem o dom. Eu dava aula, ele se mostrava interessado na mixagem, e realmente entrou como uma fórmula mágica na cabeça dele. Conseguiu desempenhar todas as funções que os alunos normalmente demoram seis meses. O Kallel tem ouvido absoluto”, explica o pai, cheio de orgulho.

Kallel aprendendo as bases com menos de dois anos de idade

Para lapidar bem o talento percebido no filho — que se diz inspirado por nomes que vão de David Guetta e Carl Cox a Vintage Culture e ILLUSIONIZE —, Jeff fez questão de começar pela base, compartilhando uma rica bagagem musical, a história da música eletrônica e ensinando o herdeiro a mixar não apenas com CDJ, mas também com vinil.

“Hoje, qualquer pessoa que tem um pendrive ou uma controladora, fala que é DJ. Mas eu procurei passar as raízes da música eletrônica para ele, ensinando os valores, a história. E além de tudo, ele tem uma puta presença de palco, o feeling de pista — porque a gente sabe que não adianta simplesmente ser o melhor produtor, DJ, se não tem presença de palco. Então ele é como nosso próprio Almir Sater falou: já nasceu pronto”, complementa.

Kallel
Foto: Divulgação

É por isso que o menino vem colhendo frutos desde muito cedo. Fora os diversos convites que recebeu para mandar sets na rádio Dance Paradise e a residência no núcleo Divino Bass, Kallel toca com frequência em casas noturnas de Curitiba e Santa Catarina desde 2017, quando tinha apenas oito anos — já passou por clubes como Millennium [onde também é residente], Spazio Van, Taj [em Balneário Camboriú] e Banana Joe [São Francisco do Sul], aparecendo como atração para milhares de pessoas ao lado de nomes como Gabe, Bry Ortega, Gabriel Boni, Chemical Surf, Liu, Pimp Chic e Monkeyz.

Ainda assim, como explica o pai, que também é seu manager e booker, a ideia é pegar leve. “Procuramos fechar uma data por mês, pra que não o desgaste e também não se torne uma atração repetitiva em Curitiba”, continua. Segundo ele, o filho terá uma miniturnê brasileira nas férias de inverno, com direito a passagem por um dos clubes mais prestigiados de Santa Catarina.

Mandando aquele ao vivo…

O ano de 2017 também foi quando Kallel começou a estudar produção musical, e os primeiros resultados já têm aparecido com uma velocidade impressionante: em maio, lançou seu primeiro single, “When Tho Days”, pela britânica House of Bangerz — sublabel da House of Hustler, por onde um segundo lançamento, “Yeah”, está previsto para agosto, em uma coletânea do selo.

E como se não fosse o bastante, Jeff nos revelou que um release por nada menos que a Dirtybird, de Claude VonStroke, também está a caminho. Quem fez a ponte foi o amigo Rafael Moraes, mais conhecido como Holt 88 — um dos diversos artistas que têm se dedicado a dar suporte e ajudar a promover o menino. Moraes é um dos coautores da futura faixa, que também leva colaboração dos Monkeyz.

Estudante dedicado de música há dois anos, Kallel também recebe a ajuda do pai para uma das partes mais complexas de uma produção musical: mixagem e masterização. “Eu mesmo estou fazendo um curso para me aprimorar em engenharia de som. Você acaba gastando uma semana pra fazer uma mix e uma master — isso quando o produtor faz dentro das regras em relação à equalização e harmonia, e o Kallel aprendeu muito bem essa parte”, segue Jefferson.

O professor revela que o talento do filho já chamou atenção para fora do Brasil, tendo recebido propostas para gigs na Austrália, na Bélgica e no Vietnã, além do convite para integrar o roster de uma agência israelense. Entretanto, o pai não quer apressar as coisas e prejudicar a normalidade da sua rotina. “Até conversamos sobre um contrato, mas talvez ainda não seja hora. Tem questão de escola, de uma série de detalhes…”, afirma, também deixando claro que Kallel toca e pratica quando se sente à vontade, sem pressão.

Kallel
Estudando produção musical. Foto: Divulgação

“Ele é uma criança normal. Joga videogame, vê vídeos, estuda, tira notas excelentes… A gente simplesmente deixa ele ser livre para exercer o seu talento. Muitos pais e outros DJs falam me falam: ‘pô, queria muito ter tido um pai igual a você, que é da cena eletrônica e apoia o filho’. Quantos Kallel será que o Brasil não tem? Só que muitas vezes, falta apoio da família”, reflete.

Para o garoto discotecar, Jeff garante que há todo um sistema profissional. “Pra ele, ainda não é trabalho, é uma diversão, então acaba se tornando uma coisa saudável. Ele chega meia hora antes, faz o set, tira fotos — adora! — e vai embora com a sensação de dever cumprido. E eu sei que muitas pessoas questionam que não é um ambiente pra criança. Eu digo pra você que o filho é espelho dos pais, e o mundo se torna ruim quando você procura o que não presta. Bebida e cigarro existem até em uma panificadora — e eu não bebo nem fumo, pra deixar claro”, argumenta.

“Nos clubs, você tem maior controle. Se você tem os protocolos, não tem por que ter receio. Temos o alvará judicial, e estamos sempre atentos em relação à segurança, nos eventos e nas mídias sociais, até pra garantir a integridade dele e de quem está com ele. Procuramos trabalhar nisso como uma agência mesmo. Seguimos firmes e felizes, acreditando que estamos no caminho certo”, conclui.

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

ILLUSIONIZE estreia na Dirtybird com “melhor música que já fiz”

“This Is My Flow” faz parte do projeto de expansão internacional do artista

Depois de dividir seus últimos lançamentos entre a Armada Music e sua própria label, Elevation, ILLUSIONIZE estreou nesta sexta-feira em outra grande gravadora internacional: a Dirtybird Records, de Claude VonStroke.

E não se trata de apenas mais um lançamento. Segundo o próprio Pedro Mendes, “This Is My Flow” é nada menos que a melhor produção já feita por ele. “Esta é a melhor música que eu fiz até hoje, em termos de técnica e de energia. Primeiro, eu peguei um noise, um timbre, e depois transformei isso na música que estamos ouvindo hoje. Há alguns anos, eu era leigo em termos de produção, então, esta música representa claramente a minha evolução. Tenho muito orgulho de falar que ‘This is My Flow’ é a música mais completa que eu tenho até hoje, em todos os sentidos, tanto que tornou-se a minha preferida atualmente”, explicou o artista à Phouse.

A assinatura pela Dirtybird vem em um bom momento, já que o ILLUSIONIZE está focando agora em ampliar seu alcance no mercado internacional; mas o namoro já é antigo. “Essa parceria começou em 2014, quando enviei a ‘Bass’ para o Claude VonStroke. Ele respondeu uns meses depois dizendo que queria a track, mas eu já havia lançado pela Bunny Tiger. Mandei algumas outras músicas pra eles, mas sempre que eles respondiam, eu já tinha assinado com outras labels”, contou.

“Nesses três anos, não enviei mais música, pois senti que nenhuma se encaixaria com o selo — até eu produzir a ‘This is My Flow’. Eu sabia que tinha chegado o momento, e, assim que a enviei, já estava convicto de que daria certo. Dessa vez, decidi esperar, pois sabia que eles responderiam logo com a confirmação!”, continuou o artista.

“A Dirtybird Records é um selo muito respeitado no exterior, além de ser uma label em que eu me identifico muito, pela parceria que os artistas têm entre si, pelo próprio Claude VonStroke, além de todas as pessoas que estão envolvidas com a gravadora. A Dirtybird vai além, é uma família. Isso me inspira e é algo que eu também quero fazer aqui no Brasil, com a Elevation Music Records. Só de estar junto com eles, já é muito benéfico e satisfatório”, concluiu.

Turnê na Ásia e expansão internacional

ILLUSIONIZE no S20 Festival, na Tailândia. Foto: Divulgação

Na primeira quinzena de abril, ILLUSIONIZE passou pelo VOLAR Club, em Hong Kong, e ainda tocou no S2O Festival, em Bangkok, na Tailândia, ao lado de grandes nomes internacionais, como Fatboy Slim, Tiësto e Steve Aoki. Assim como a faixa pela Dirtybird, a minitour asiática faz parte do projeto de expansão de carreira no mercado internacional, que já havia contado com apresentação nos Estados Unidos em janeiro. “Percebi que era o momento de trabalhar minha carreira no exterior quando tive minha primeira oportunidade de me apresentar lá fora… Foi quando vi que minha música era consumida em vários lugares do mundo, não apenas aqui no Brasil”, destacou.

Com uma agenda de shows e compromissos lotada, o produtor vem intercalando seu foco no Brasil e no exterior. “É bem balanceado, na verdade, mas hoje, a falta de tempo às vezes acaba sendo uma das maiores dificuldades. Não vejo isso com maus olhos, mas como um momento da minha vida que preciso passar — em outras palavras, aprendizado”, acrescentou. “A turnê na Ásia foi inesquecível! Tive uma recepção extremamente calorosa e adorei conhecer um pouco mais sobre a cultura dos países que passei! Agora sigo animado, porque em julho vamos para França e Dublin [Irlanda], e em agosto, Amsterdã”, encerrou o DJ.

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

L_cio cria novo projeto para live acts em São Paulo

Programada para junho, a primeira edição da AKT traz o produtor alemão Stimming

Referência do cenário underground paulistano, L_cio está com um novo projeto para a noite da cidade. A chamada AKT dará sequência ao que o artista vinha fazendo com a L_VE, que teve oito edições no último ano: uma festa apenas com live acts no lineup.

A AKT, iniciativa com os sócios Caio Maddalena e Rodrigo Régis, tem estreia programada para o dia 07 de junho, em local ainda não revelado da capital paulista. O lineup traz como grande atração o produtor alemão Stimming, que esteve no Brasil pela última vez em showcase da Diynamic em 2016, quando inclusive tocou no Tomorrowland. Mari Herzer [Mamba Negra], Stroka [Plusnetwork/MEMNTGN], TYV [Gop Tun] e o próprio L_cio fecham o time desta primeira edição.

Além dos lives, a AKT traz parcerias importantes já neste primeiro momento: a Sala28 [parceria de L_cio em seu próximo álbum] será responsável pela ambientação e luz, e a C-PRO é a encarregada pelo áudio, enquanto a Entourage entra como parceira na parte de marketing e divulgação. Os ingressos já estão disponíveis via Sympla.

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“A ideia é valorizar a performance do produtor nacional ou estrangeiro, proporcionando uma experiência real de criação ou execução de músicas ao vivo, mostrando como o artista interfere na música in loco”, contou L_cio à Phouse. O idealizador garante que, apesar de ser mais autoral, um live act não deve em nada a um DJ set em termos de bombar uma pista.

“O que muda [entre DJ set e live] é a preferência pela plataforma, pelo formato, e não o resultado final. Já tive o Gaturamo [antigo duo com Zopelar], e criávamos todas as músicas na hora. Pela nossa experiência, teremos sempre um lineup que consegue segurar a pista assim como se tivéssemos quatro ou cinco DJs”, acrescentou.

Ainda de acordo com ele, a AKT deve acontecer em uma periodicidade mais elástica, provavelmente trimestral ou quadrimestral — sempre em um ponto diferente de São Paulo.

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

Flying Lotus mostra faceta boogie em dois novos sons

Produtor dá indícios da cara do seu próximo álbum

De maneira low profile, como é de costume, o produtor americano Flying Lotus soltou duas músicas novas de seu novo álbum, Flamagra, anunciado na última semana. E se o primeiro single, com David Lynch, não chegou a ser exatamente muito musical, desta vez as melodias estão em alta — talvez como nunca antes em sua discografia.

+ Flying Lotus terá novo álbum depois de cinco anos

“Spontaneous” — collab com o grupo indie eletrônico Little Dragon — e “Takashi” trazem um groove funkeado, uma harmonia alegre e uma pegada “boogie summer 80’s” que destoam dos beats padrões de FlyLo, normalmente mais sombrios e caóticos. O som chega a lembrar o produtor Toro y Moi, que não à toa, está listado como um dos colaboradores do novo álbum.

Será que o restante do disco seguirá essa toada? Em breve, saberemos!

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

Coração no passado, cabeça no futuro; Elekfantz confirma novo álbum

Dupla fala sobre o último single e entrega detalhes do segundo disco de estúdio

[Leo Piovezani e Daniel Kuhnen. Foto: Guilherme Oliveira/Divulgação]

Nessa última sexta-feira, o Elekfantz lançou mais uma faixa nova: “When We Were Young”. Em contato com a Phouse, a dupla confirmou que trata-se, de fato, de um novo single que, assim como “Work It Out” e “The Promisse”, integrará seu novo álbum, sucessor de Dark Tales & Love Songs, que já vai fazer cinco anos. Ainda não há, porém, um nome e um dia de lançamento definidos.

“When We Were Young” segue conceito similar ao que apresentaram no single anterior: pegada nostálgica, anos 80, com um videoclipe que reflete perfeitamente a estética. Neste caso, o vídeo traz gravações caseiras da infância e adolescência do Leo Piovezani, mostrando a família e os seus primeiros passos na música. Daniel Kuhnen aparece mais ao final, nas lembranças de quando os dois artistas se conheceram e começaram a fazer música juntos.

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“‘When We Were Young’ e ‘The Promisse’ foram feitas em momentos bem diferentes. Escolhemos elas em sequência por combinarem, mas não nasceram juntas. ‘The Promisse’ foi feita há uns oito anos, e ‘WWWY’, no ano passado. Fiz ela em uma tarde, praticamente”, contou Leo.

“’É uma música muito pessoal, fala sobre a nossa adolescência, uma época confusa e inocente, cheia de paixão, sonhos e bobagens. Acredito que muita gente vai se identificar. Como eu não tenho registros em vídeo e o Leo conseguiu resgatar muita coisa, conseguimos criar uma história que vai da infância dele, passando pela adolescência, quando nos conhecemos e ele entrou de cabeça na música, até nosso reencontro com o início dos Elekfantz”, complementou Daniel, destacando que é sua música favorita do projeto. “É a minha música favorita do Elekfantz até aqui. Não sei explicar o porquê, simplesmente é.”

Como os três singles revelados até aqui trazem um conceito bem amarrado, perguntei se nostalgia é a palavra que define o segundo álbum do duo, no que os caras responderam que pode ser uma delas, mas não a única. “A ‘WWWY’ já nasceu com essa harmonia esperançosa, assim como o single anterior. Acho que é essa harmonia que dá isso que você chama de nostalgia, além de alguns synths que remetem aos anos 80. Mas ela ainda tem elementos na composição que são até de techno“, destacou Piovezani.

“Lembro que quando a fiz, foi a música que mais chamou a atenção do Gui [Boratto] e do Dani, na hora de fazer a seleção para o álbum. Na época, não era pra mim a que mais chamava a atenção, mas ela ficou, a gente começou a tocar, deu bastante trabalho na produção. Depois do estúdio do Gui, em São Paulo, a mixamos em Los Angeles e masterizamos em Londres, então talvez isso tenha a tornado bem especial. Mas tem tanta música legal no próximo disco, que pra mim seria tudo single”, brincou.

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“Desde o início, o Elekfantz foi a mistura de nossas influências. Como nós dois crescemos nos anos 80, essa influência é natural, vai do Depeche Mode ao Tears For Fears, mas também tem resquícios das nossas bandas favoritas dos anos 70 e 90. A junção de tudo isso com o techno, que descobri quando estive em Berlim e me aprofundei quando o Warung abriu perto de casa, moldaram o nosso som. Temos o coração no passado, mas a cabeça no futuro”, acrescentou Kuhnen.

Leo Piovezani ainda lembrou do famigerado “desafio do segundo álbum”, que serve como prova de fogo pra praticamente todos os projetos musicais com uma carreira sólida. “Esse segundo disco é muito importante, provavelmente o que a gente mais se esforçou. Como você sabe, o segundo álbum de qualquer banda é importante, ainda mais agora que a gente já tem bastante fã, as pessoas já tem uma expectativa. Acho que a turma que gosta de ‘She Knows’ e de ‘Blush’ vai se identificar com o novo material”, concluiu.

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

Como a fabric escolheu o Brasil para seu primeiro showcase internacional

Clube inglês acaba de desembarcar no país com Craig Richards e Ben UFO

[Foto: LarryJ (Resident Advisor)/Reprodução]

Depois de um 2016 turbulento com um fechamento forçado e uma reabertura no comecinho de 2017, a conceituadíssima casa noturna fabric, fundada em Londres em 1999, chegou plena ao seu 20º ano de vida, e para isso, planejou um período todo especial, repleto de festas comemorativas.

Essas festas fazem parte da série fabric XX, que começou em janeiro e deve se estender por todo 2019, intensificando-se em outubro — mês em que normalmente celebra seu aniversário. Serão ao todo 20 festas, dentre as quais 13 já foram anunciadas. Mas o que chama a atenção é o fato de que nem todas elas serão na Inglaterra, com anúncios dos primeiros showcases internacionais da história do clube: por enquanto, no Brasil e na Espanha.

O desembarque brasileiro acaba de acontecer. Neste feriado de Páscoa, são três noites em solo verde e amarelo, trazendo dois DJs britânicos com uma forte história ligada ao clube: Craig Richards e Ben UFO. O primeiro desses eventos já foi nessa quinta-feira, na RARA, festa nômade do Rio de Janeiro, que rolou na Fabrika [sem trocadilhos óbvios]. Hoje, é a vez da fabric invadir o Warung Beach Club, fechando tudo no sábado, no D-EDGE.

Arte: Reprodução

“Foram 20 anos apresentando nosso som no espaço underground que chamamos de lar em Londres. Depois de tudo o que aconteceu com o nosso fechamento, achávamos que era o fim, e que as pessoas não poderiam mais experimentar o espírito desse clube novamente. Pensamos que, se as pessoas não podem mais vir até nós, nós devemos ir a elas”, contou a diretora artística da fabric, Judy Griffith, exclusivamente à Phouse.

“Assim, vamos ver eventos da fabric pipocando em diferentes lugares ao redor do mundo. Quisemos de primeira já incluir o Brasil, por que não? É o Brasil! Tivemos sorte o bastante em encontrar nos lugares escolhidos — RARA, Warung e D-EDGE — outros promoters que compartilham uma ethos similar à nossa, e um amor, uma paixão e dedicação em levar nossa cultura para frente. Sentimos que eles eram as pessoas certas para entregar o que fazemos da melhor forma possível”, seguiu Judy.

Quem intermediou a conexão entre Inglaterra e Brasil foi o empresário e booker Fabrício Porongaba, que através de sua agência, Insomnia Music, faz bookings dos showcases do Warung e do D-EDGE na Europa e na Ásia, além de ser agente e tour manager de Renato Ratier e amigo de Francisco Frondizi, cofundador da RARA.

Judy explicou que ela e Fabrício já se conheciam há um bom tempo, e sempre falavam sobre fazer uma colaboração do tipo. “Com a ajuda dele, finalmente as estrelas se alinharam e fizemos acontecer. Estamos na expectativa. Craig Richards e Ben UFO são a combinação perfeita para representar o som e as vibes da fabric”, concluiu.

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O curador musical do Warung, Gustavo Rassi, confirmou a história pra gente. “A fabric nos procurou através de um amigo em comum, o Fabrício Porongaba, e achamos muito legal essa parceria. Tudo está sendo muito bem alinhado. Não teremos cenografia prevista, apenas a curadoria feita juntamente com a Judy Griffith, que é responsável pela curadoria da Fabric desde a sua fundação”, contou.

“Já trabalhamos com Ben UFO anteriormente e apreciamos muito seu trabalho. Quanto ao Craig Richards, será a estreia dele no Warung Beach Club; ele é o residente mais tradicional na fabric e, pessoalmente, já ouvimos o som dele desde os anos 90, quando ele lançou [a coletânea] Tyrant, junto com o Lee Burridge“, acrescentou Gustavo, que ainda garantiu que essa parceria não acaba por aqui:

“Teremos ainda neste ano uma festa em Londres. Acredito que essa aproximação vai gerar outros frutos em 2020”.

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

O que sabemos sobre o Tropical Burn, o “Burning Man brasileiro”

Marcado para junho, no Rio Grande do Norte, o evento tem três modalidades de ingressos

Faltando cerca de dois meses para o Tropical Burn — evento brasileiro inspirado no Burning Man, anunciado há mais de um ano —, entramos em contato com Daniel Devas [também conhecido como Daniel Strickland], um dos principais nomes da comunidade Burner do nosso país. Daniel é um dos responsáveis pela organização do rolê, e nos revelou algumas informações importantes para quem está pretendendo ir.

Quando e onde

A data anunciada no final de 2018 [de 19 a 25 de junho] foi alterada para o período entre 20 e 24 de junho. O local, que permaneceu em segredo por bastante tempo, foi revelado em fevereiro: será na praia de Baía Formosa, no Rio Grande do Norte [foto]. O município fica a no extremo leste do estado, a cerca de 90km de Natal.

Ingressos

Desde o dia 22 de março, o Tropical Burn disponibilizou os seus ingressos em três modalides: ticket doador, ticket padrão e ticket solidário. O doador é um ingresso mais caro, de 1.500 reais, feito para quem pode e quer contribuir, em uma escala maior, com a realização do evento. De acordo com Daniel, são os únicos ingressos vendidos por livre acesso. “Esses ingressos ajudam a financiar obras como o tempo e o ‘man’, que queimarão no último dia”, conta.

Os outros dois ingressos são mais baratos — R$ 800,00 e R$ 400,00, respectivamente — mas necessitam de processos mais complexos. “Para ter acesso aos ingressos, as pessoas precisam contatar líderes de acampamento ou líderes de projetos de arte”, explica Daniel. Esses líderes podem ser encontrados no site do Tropical Burn, através da área exclusiva para cadastrados.

A partir do contato, os organizadores vão realizar uma espécie de entrevista com os interessados, para ter certeza de que estes estão por dentro dos princípios contraculturais do Burning Man. “Somente os líderes de projeto e de acampamento têm acesso aos códigos que dão direito a compra de ingressos. Desta forma, qualquer pessoa que quiser um tíquete, precisa entrar em contato com eles”, continua Daniel.

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“Assim, já passam por uma aculturação — já que todos os líderes de projeto já passaram por esse processo e entendem bem a responsabilidade que têm. Com isso, cria-se um filtro em que as pessoas precisam se informar e entender o que é o evento, e explicar por que estão em busca desse código, por exemplo. Obviamente não é um sistema à prova de bala, mas tem um efeito automático: evita que pessoas que acham que estão indo para uma balada consigam comprar grande parte dos ingressos”, justifica.

O ingresso solidário, de 400 reais, por sua vez, só será disponibilizado para pessoas de menor poder aquisitivo. Para isso, haverá evidentemente uma análise da renda de cada comprador; o teto é um rendimento mensal de até quatro salários mínimos [quase quatro mil reais]. Quem quiser pleitear essa oportunidade, entretanto, tem apenas até o próximo dia 30 para fazer a compra. As outras duas modalidades prosseguem normalmente, sem prazo definido.

A preocupação dos organizadores é genuína, já que o Burning Man é um acontecimento diferente de qualquer outro festival, e exige que as pessoas estejam de acordo com a sua ética. “O Burning Man, antes que qualquer outra coisa, é um evento de comportamento. Por esse motivo, a organização está tomando medidas para proteger os princípios. Quem quiser participar do evento precisa buscar informações e se aculturar”, conclui Devas.

Voluntários

A novidade mais recente é a abertura do formulário de voluntários, que está prestes a rolar dentro das próximas horas. Nele, vão poder se inscrever aqueles que desejam participar ainda mais ativamente, ajudando a contribuir com a organização e o funcionamento de todo o esquema. Como o Burning Man não tem fins lucrativos, os voluntários são cruciais. A inscrição também será feita pelo site oficial.

Tema

Todo Burning Man tem um tema, e com as edições regionais não é diferente. O tema escolhido para o Tropical Burn é o “Divine Mother”, “Mãe Divina”.

“O ventre feminino é o lugar onde é gerada toda a existência. É onde cada um de nós teve seu começo. Assim também começa a trajetória do Tropical Burn, uma nova história em uma Nova Era, onde a energia feminina pulsa positivamente no interior da Mãe Terra e nutre todo o Cosmos.

Homenageamos as mulheres e lembramos que por trás de cada filho existe uma mãe que proporcionou a sua existência. Convocamos os filhos da Nova Era a se unir em uma celebração e comunhão com os nossos ancestrais e com os elementos da natureza. Vamos levantar a bandeira da causa planetária, semeando nossas melhores sementes para um futuro de paz e união, enquanto saudamos nossa Mãe Divina”, diz o site.

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

Bruno Martini fala sobre live que será debutado no Laroc

Músico testará novo formato neste sábado, 13

Já faz alguns anos que os live sets tomaram de assalto o universo da música eletrônica underground, surgindo como contraponto aos DJ sets. De alguma maneira, é uma forma do artista não apenas se diferenciar, por estar tocando instrumentos ao vivo, mas principalmente de poder mostrar seu trabalho autoral nas pistas de dança — uma adaptação do show tradicional à cultura de pista, em que normalmente DJs fazem colagens originais improvisadas, adequando a sua arte ao contexto e ao público.

No mainstream, entretanto, apesar de a maioria dos grandes nomes preocupar-se em fazer sets quase que exclusivamente com suas próprias produções, o formato live acabou não pegando. E talvez o Bruno Martini possa vir a ser pioneiro desta mudança: o produtor paulistano estreia neste sábado, 13, seu novo show no Laroc Club, em tarde que também conta com o duo holandês Sunnery James & Ryan Marciano e o duo brazuca Chemical Surf.

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Nele, Bruno irá misturar discotecagem com jams em teclado, pads de bateria e violão, trazendo improvisos sobre suas próprias músicas. Além disso, a live de Martini terá convidados especiais: grandes amigos que emprestaram suas vozes para as músicas do produtor, como Zeeba, Mayra, Fiuk e Di Fabianno, vão cantar ao vivo. Outros, como Vitor Kley, Dennis DJ e Vitin, não poderão participar fisicamente desta vez, mas terão suas imagens garantidas no telão, em conjunto com o trabalho de vídeo e luzes que está sendo cuidadosamente preparado para a data.

“Já faz anos que eu tinha a ideia de criar esse show, mas foi só nos últimos três, quatro meses que resolvi realmente focar e colocá-lo em prática”, contou Bruno, ao telefone. “Eu simplesmente queria fazer algo especial e que é muito verdadeiro pra mim, trazendo aquilo que sempre fiz no estúdio para os palcos — mostrando um pouco a sensação de se estar dentro do estúdio comigo, mas ao mesmo tempo, com a energia e a emoção de um show ao vivo”, explicou.

O DJ e produtor afirmou que, por ser multi-instrumentista, sempre teve a vontade de levar esse seu lado para os palcos, para poder mostrar com mais precisão “quem é o Bruno de verdade”, exercendo sua criatividade. Inspirado por músicos como Kygo, Timbaland eChainsmokers, Martini ainda garantiu que não vê o formato de live como superior ao DJ set, que ele disse amar e prentender seguir fazendo pelo mundo.

O espetáculo será testado e a partir daí, o músico decidirá como seguirá fazendo, com a possibilidade de adicionar outros instrumentistas no futuro. Para isso, nada melhor que fazer a estreia em casa, com pessoas queridas. “Não tinha festa e lugar melhores que o Laroc. Sou muito amigo do Sunnery e do Ryan, e o Laroc é um clube que eu adoro, já toquei diversas vezes e sempre me sinto em casa”, acrescentou, destacando que já há outras datas fechadas para a experiência.

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

Red Bull Music Academy será descontinuada

Um dos programas musicais mais conceituados do mundo chega ao fim

A empresa de consultoria alemã Yadastar confirmou nesta quarta-feira que sua parceria com a Red Bull será descontinuada em 31 de outubro. Isso significa que a Red Bull Music Academy chegará ao final — ao menos da forma como a conhecemos —, já que o projeto era realizado através dessa parceria.

“Pelas duas últimas décadas, a Red Bull deu à Yadastar a oportunidade de construir em conjunto um programa cultural de alcance global. Você deve conhecer os frutos desse relacionamento sob o nome guarda-chuva de Red Bull Music Academy”, escreveu a empresa em um comunicado no Twitter.

“Agora, a Yadastar e a Red Bull decidiram de comum acordo em suspender essa parceria ao final de outubro de 2019. Tivemos o privilégio de trabalhar com algumas das pessoas mais brilhantes e talentosas do mundo todo, então queremos aproveitar esta oportunidade para agradecer a todos que tornaram essa jornada possível”, segue a nota. “O mundo está cheio de grandes ideias, e essa foi uma delas.”

Ao Resident Advisor, a Red Bull afirmou que continuará envolvida com projetos musicais, e deu a entender que planeja uma espécie de Red Bull Music Academy descentralizada. Confira as palavras da empresa na íntegra, em tradução da Phouse:

Depois de 20 anos apoiando artistas de todo o planeta com seu programa musical em um mundo de mudanças rápidas, a Red Bull seguirá mantendo o seu propósito de lançar mão de uma plataforma global para promover a criatividade — mas está mudando seus meios.

A Red Bull vai se distanciar de uma abordagem centralizada, movendo-se gradualmente da estrutura existente e implementando um novo setup que empoderará os países parceiros da marca e utilizará expertise local. A Red Bull seguirá explorando novas formas de promover artistas promissores de vanguarda, onde quer que eles estejam.

Ainda segundo o RA, não está claro quantos empregos serão perdidos, e a companhia não quis comentar sobre isso. Extensões online da RBMA, como a Red Bull Radio, também vão deixar de existir.

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Fundada em 1998, a Red Bull Music Academy tornou-se um dos programas mais conceituados de música no mundo, ao reunir anualmente, em diferentes metrópoles do globo, duas turmas de cerca de 30 alunos cada, cuidadosamente selecionados através de longos formulários de inscrição.

Os sortudos escolhidos pelo programa teriam direito a semanas de palestras e workshops com artistas inspiradores, além de visitas programadas a clubes, shows e museus, e um intercâmbio cultural e musical intenso promovido em sessões de estúdio.

Nomes como Nina Kraviz, Black Coffee, Mano Le Though, Flying Lotus, Hudson Mohawke, Aloe Blacc, Katy B., Palms Trax, TOKiMONSTA, Dorian Concept e os brasileiros Zopelar, Eli Iwasa, Carrot Green, Daniel Limaverde, Luisa Puterman, Érica Alves, Silva e Benjamin Sallum foram alunos da RBMA.

Por sua vez, artistas do calibre de Frankie Knuckles, Jeff Mills, Derrick May, Laurent Garnier, Giorgio Moroder, Moodymann, The Black Madonna, Fatima Al Qadiri, Kaytranada, Goldie, Robyn, Kindness, Björk, Brian Eno, Erykah Badu, Janelle Monáe, Iggy Pop e Ice-T foram alguns dos inúmeros tutores que deram sua contribuição no período — e boa parte dessas palestras está disponível no YouTube.

Em 2018, a academia celebrou seus 20 anos através de um programa em Berlim, no que foi sua última edição.

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

Liu celebra faixa tocada no Mainstage do Ultra

DJ conta como produção antiga chegou até Oliver Heldens e outros expoentes da EDM

* Com a colaboração de Lucio Morais Dorazio

Liu publicou em suas redes sociais um trecho do set de Oliver Heldens em que o DJ holandês aparece tocando remix do jovem brasileiro para “The Next Episode”, clássico de 2001 do Dr. Dre com o Snoop Dogg.

“Sem palavras para descrever esse momento! Heldens sempre foi um grande ídolo, e nunca imaginei ver nosso som chegar no Mainstage de um dos maiores festivais do mundo”, escreveu.

Oliver Heldens tocando meu remix no MAINSTAGE do Ultra Music Festival! 🔥Sem palavras para descrever esse momento! Heldens sempre foi um grande ídolo, e nunca imaginei ver nosso som chegar no mainstage de um dos maiores festivais do mundo 🇧🇷🙏 -Oliver Heldens playing my remix at Ultra's MAINSTAGE!

Posted by Liu on Monday, April 1, 2019

A história não deixa de ser curiosa, já que o remix — um bootleg, na verdade — foi lançado por ele há dois anos, no começo da saga do brasileiro, e não chegou a bombar. Agora, porém, o som parece ter sido descoberto pelos DJs gringos; segundo Liu, Kungs, Jonas Blue, Lost Frequencies e principalmente Don Diablo a têm tocado em seus sets.

“A construção dela é bastante original porque foge do ‘molde’ padrão, composto por elevação, drop e vocal. Na ‘Next Episode’, se você reparar bem, tem a elevação, vocal e aí vem o drop. Isso é algo relativamente novo. Talvez seja esse o xis da questão, somado também ao vocal muito poderoso”, teorizou.

https://www.youtube.com/watch?v=VEf8Ql0OAOs

“Ver artistas em que eu me espelho tocando minha música é uma das maiores concretizações do meu trabalho. E um segredo: eu ouvi a original pela primeira vez em um festival. Fui pra casa e fiquei com ela na cabeça, vi o potencial e sabia que precisava produzir alguma coisa. Fui pro estúdio e em aproximadamente duas horas e meia eu terminei essa versão”, acrescentou o DJ.

Liu revelou também que, com o Oliver Heldens, a relação está ainda mais intensa, já que eles têm mantido contato com frequência. “Troquei muita ideia com o Oliver Heldens, falamos muito pelo Twitter. Mandei uma música pra ele, e ele curtiu bastante”. Será que tem collab pintando por aí?

+ Oliver Heldens e mais nove: assista a sets do Ultra Miami 2019

+ Homenageando suas origens, Liu lança sua própria gravadora

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

Renascimento: após sair da Steyoyoke, BLANCAh celebra nova fase em selo britânico

Prestes a lançar EP pela Renaissance, a brasileira fará sua estreia no Reino Unido, ao lado de Solomun

Depois de anos de ascensão, 2018 foi um pouco mais complicado para a BLANCAh. Foram poucos lançamentos e algumas dores de cabeça que culminaram com sua saída da Steyoyoke, selo alemão que vinha sendo sua casa — e sua família, como ela mesma dizia — desde o início do projeto.

Passada a turbulência, ela está voltando ao caminho que vinha trilhando, e com novidades importantes. A produtora catarinense fechou com a label britânica Renaissance, conhecida por suas famosas compilações com expoentes do cenário underground, como Maceo Plex, Tale of Us, Hernán Cattáneo, Sasha, John Digweed e o brasileiro Gui Boratto.

Podcast lançado pela Renaissance nesta semana marca a nova era de BLANCAh

O primeiro lançamento da artista pelo “novo lar” será no final de maio: um EP chamado Cold Lights, com a faixa título (que, inclusive, leva também os seus vocais) e uma versão dub. Antes disso, as boas-vindas serão em grande estilo. No dia 17 de maio, BLANCAh fará parte do lineup da festa Renaissance Birmingham Part II, em que ninguém menos que Solomun será o headliner. Esta será a sua primeira data no Reino Unido.

“Nem imaginava estar alcançando tudo isso agora. O nome ‘Renaissance’ faz muito sentido nesse momento: o destino, ou o acaso, ou seja lá o que for, escolheu a dedo, porque me sinto nesse momento de renascimento, de sair da minha antiga gravadora, de experimentar aquele gosto de quase morte — porque não deixa de ser um luto o que a gente vive nessas trocas, até porque foi um término não tão agradável —, e poder ter a possibilidade de renascer, de voltar pra cena como produtora de novo, numa gravadora tão emblemática”, contou BLANCAh à Phouse.

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“Na Steyoyoke, tudo o que eu criava, o pessoal assinava embaixo e lançava, mas agora eu estou diante de um novo modus operandi, em que eles dão feedback, pedem mudanças. Esse processo todo foi angustiante pra mim, em vários momentos me deixou infeliz [risos], porque sempre me vi mais como uma artista me expressando do que tendo que me adequar com alguns padrões. Mas acredito que é o início de uma jornada nova, em que tenho ainda minha identidade musical, mas com uma pegada um pouco mais adequada ao que o mercado vem consumindo no meu segmento”, explicou.

Ainda para este ano, há também a previsão de um novo álbum — sucessor de Nest —, que já se encontra em processo avançado. E aqui ela destaca que teve 100% de liberdade para fazer do seu jeito. “Estou feliz por conseguir manter um equilíbrio na minha produção, podendo me expressar da forma que eu quero e chegar num resultado interessante”, concluiu.

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

Brazil Music Conference anuncia primeiro BRMC Diálogos

Programada para abril, miniconferência é uma das grandes novidades do BRMC para 2019

Repleto de novidades para este ano, o BRMC anunciou nesta quarta-feira a primeira edição do chamado BRMC Diálogos — uma espécie de miniconferência que será realizada em diversas regiões do Brasil. A primeira, entretanto, será também na cidade sede do evento: São Paulo, no dia 03 de abril, uma quarta-feira.

Sem entrar em muitos detalhes, o release de imprensa promete “uma tarde de debates, pitches e networking com grandes representantes do mercado”, além de muitas informações trazidas pelo primeiro BRMC Report — série de relatórios repletos de pesquisas e dados do mercado da música eletrônica, que devem ser lançados a cada dois meses.

As inscrições serão gratuitas, mas limitadas. Uma segunda edição está sendo planejada para junho, em Minas Gerais.

Outras novidades

Como você leu aqui, o BRMC formou sociedade com a Dream Factory para este ano. Agora, a assessoria de imprensa informou à Phouse que a grande aposta da empresa é fazer do Brazil Music Conference uma plataforma para além dos eventos físicos.

Isso justifica a criação dos Reports, que somam-se ao tradicional Anuário do Mercado. Além deles, a estratégia para o evento principal é dividi-lo em três modalidades: BRMC Suave, BRMC Academy e BRMC Expert.

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O primeiro corresponderá a um dia de atividades (o sábado, 02 de novembro), com entrada gratuita; o segundo, um plano de inscrição mais barato, que inclui uma parte da programação mais voltada para DJs e produtores; enquanto o terceiro é o pacote completo, abrangendo atividades mais voltadas a negócios e a executivos do mercado.

Mais informações serão reveladas nas próximas semanas. O Brazil Music Conference 2019 rola novamente no Unibes Cultural, em São Paulo, entre os dias 30 de outubro e 02 de novembro.

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

D-Nox escolhe o brasileiro ZAC para começar novo projeto

Sob o nome “Passion!”, os produtores formam duo, gravadora e label party

Membro do clássico duo que formou por uma década com Beckers, o veterano DJ alemão D-Nox está prestes a lançar outro projeto promissor — desta vez, com o expoente catarinense ZAC, que explodiu em 2018 [conforme você viu aqui]. Juntos, eles formam o Passion!, nome guarda-chuva que abriga o duo, uma gravadora e uma label party.

O pontapé inicial do projeto já tem data marcada: 06 de abril, no Amazon Club, em Chapecó — lugar onde a ideia foi concebida, depois de um B2B expontâneo entre ambos. “O projeto começou sem pretensão alguma, em uma noite em que fiz o warmup para o D-Nox. Logo depois, recebi um convite dele pra tocarmos juntos. Fomos das 05h às 09h, batendo todos os recordes do Amazon”, contou ZAC à Phouse. “Depois daquela noite, chegamos à conclusão de que juntos tínhamos algo a oferecer ao universo.”

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A Passion! ainda tem um segundo evento anunciado: na tarde de 18 de maio, no Parque Ney Braga, em Londrina. Em ambos, o lineup é formado pelos dois artistas, que se apresentarão tanto solo quanto em back to back. De acordo com ZAC, o primeiro lançamento da gravadora está previsto para a metade de maio — um EP que trará as primeiras músicas do projeto.

Antes, no dia 04 de abril, a dupla terá uma coletânea de curadoria própria lançada pela Sprout — um dos selos de D-Nox. A VA trará 14 faixas inéditas, incluindo o trabalho de artistas como BLANCAh, Binaryh, Gabe e Luthier. D-Nox vem aqui em uma collab com Kalil, enquanto ZAC assina faixa com Andre Gazzola e um remix para Fat Sushi.

O alemão radicado em Buenos Aires, por sinal, lançou ontem mesmo seu mais novo EP pela Movement Recordings. Chamado Never, o disco traz colaborações com Uone e Western, além de remixes de Paul Anthonee e Dusk. Ouça abaixo:

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

Plusnetwork traz nova edição do Circoloco ao Brasil

Festa volta ao país depois de cinco anos

A Plusnetwork anunciou nessa segunda-feira o retorno ao Brasil de um dos rolês mais prestigiados de Ibiza: o Circoloco, famoso after de house e techno das segundas-feiras do DC10. Até este momento, poucos detalhes foram revelados para o público — entre eles, a data, 10 de maio, uma sexta-feira, e a cidade, São Paulo.

Em contato com a Phouse, entretanto, a Plus adiantou que o evento será na ARCA, novo espaço cultural da capital inaugurado em outubro, em antiga fábrica desativada da Vila Leopoldina. O projeto tem entre seus sócios Mario Sergio Albuquerque (Laroc/Ame) e Maurício Soares (ex-Plusnetwork), além de Andrea Galasso e Tatiana Aulicino.

No próximo dia 07, o lineup será revelado, enquanto a venda dos ingressos está prevista para abrir no dia 11.

A festa vem para vingar janeiro de 2017, quando uma edição chegou a ser anunciada no Brasil, mas acabou não saindo do papel. Em 2018, porém, rolou showcase da label no Warung, com Seth Troxler, The Martinez Brothers e Albuquerque, durante o Carnaval.

Em 2007 e 2013, também houve edições do Circoloco no Brasil — a primeira, novamente no Warung; a segunda, em tour que passou por The Week (Rio de Janeiro), D-EDGE, Warung e Magnolia Beach Club (Bahia), além de showcase no MOB Festival. Nomes como Seth Troxler, Maceo Plex e Tale of Us foram algumas das atrações.

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

Confira “Paciencia”, o 1º álbum de Phillipi & Rodrigo (Fatnotronic)

Lançado na última sexta pela DEEWEE, “Paciencia” levou cerca de três anos para ganhar forma

Depois de uma série de gigs e edits de disco music como Fatnotronic, as coisas começaram a mudar para Phillipi A. e Rodrigo Gorky em 2016, quando lançaram seu primeiro EP pela DEEWEE, selo dos irmãos belgas Dewale, também conhecidos como 2manydjs ou Soulwax. A partir dali, a dupla passou a assinar também como Phillipi & Rodrigo.

“Os irmãos Dewale são conhecidos por gostar de várias coisas exclusivas e por fazer muito mind fuck. Faz parte da pira deles confundir, mexer com as cabeças das pessoas, e ‘Phillipi & Rodrigo’ é o Fatnotronic com os verdadeiros nomes, o que torna a historia mais única [risos]”, me contou o Phillipi na época. Desde então, todos os lançamentos da dupla pela DEEWEE passaram a levar a nova assinatura, limitando o Fatnotronic para os edits e as gigs.

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Agora, essa história atingiu seu ponto mais alto com o lançamento de Paciencia, o primeiro álbum do projeto. O disco traz nove faixas — entre elas, as já bem conhecidas “Karma” e “Mantra”, além dos dois singles mais recentes: “Retrogrado” e a faixa-título, “Paciencia”.

O LP segue uma pegada similar durante todo seu percurso, com canções baleáricas em português, pitadas de acid house, jazz e música brasileira e letras lisérgicas, que tratam sobre temas metafísicos como o cosmos e os signos do zodíaco. Entre as mais pisteiras, estão “Karma” e “Barbarella” — que casam bem com sunsets e warmups — e “Paciencia”, a viagem mais dinâmica do pacote. Outro destaque é “Minas”, uma bonita ode ao estado de Minas Gerais.

Segundo o release de imprensa, o disco já vem contando com suporte de pesos pesados internacionais, como Disclosure, Mano Le Tough, Tiga, Joe Goddard, Black Coffee e Carl Craig. Gosto de quem faz som fora da caixa, se não, acaba caindo naquela fórmula do sucesso e você fica na zona de conforto, não explora outras coisas”, declarou Phillipi.

Já o Rodrigo [ex-Bonde do Rolê, e que tem atuado nos últimos anos como produtor da Pabllo Vittar] complementou: “Sempre tentamos fazer um disco que daqui a dez anos possa ouvir e não soar datado. E esses são sempre meus álbuns favoritos. Esse foi nosso desafio”.

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

EXCLUSIVO: Conheça as primeiras atrações do DGTL São Paulo

Descobrimos os primeiros artistas a serem anunciados pelo festival

Apuramos os primeiros nomes que estarão presentes no próximo DGTL São Paulo: Bonobo, Richie Hawtin, Jeff Mills, Amelie Lens, Âme em B2B com o KiNK, Eli Iwasa em B2B com a Valesuchi e Amanda Mussi. Essa primeira fase deve ser anunciada oficialmente nos próximos dias.

Esta será a primeira vez de Hawtin em uma edição do DGTL, enquanto o B2B entre Âme e KiNK — em formato live — vai rolar pela segunda vez na história [a primeira foi durante a edição do DGTL no último Amsterdam Dance Event].

Confirmado logo depois do encerramento da edição do ano passado, o 3º DGTL São Paulo está programado para o dia 04 de maio, em local inédito na capital paulista.

Relembre o aftermovie espetacular de 2018:

* Flávio Lerner é editor da Phouse.

Grupo Alphabeat lança empresa de booking artístico

Saiba mais sobre a Alpha Talent Agency, spin-off da Alphabeat Records

Fundada em setembro de 2017, a Alphabeat Records — label brasileira que assina coluna na Phouse, que também atua fazendo agenciamento de shows e gerenciamento de carreiras artísticas — acaba de expandir e tornar ainda mais profissional o seu negócio. Com um crescimento considerável nestes 16 meses de atuação [são mais de cem lançamentos e 30 milhões de plays no Spotify], a gravadora resolveu levar sua atividade de booking e management para outro patamar, e abriu a Alpha Talent Agency (ATA).

Com a ATA, os sócios conseguiram separar e definir melhor as operações da companhia, deixando a Alphabeat 100% focada nos novos sons. A Alpha já conta com uma equipe experiente em estratégia de vendas e é comandada pelo sócio-diretor Klauss Goulart, que já trabalha há dez anos na área de agenciamento de turnês nacionais e internacionais. O próprio grupo Alphabeat surgiu da parceria entre a Live Talentos [gestora de carreiras musicais, que trabalha com grandes nomes da música brasileira] e a QWERTY.ID, que fornece consultoria e gestão de carreira, com foco em música eletrônica. A expertise, portanto, sempre esteve ali.

Alpha
Escritório da Alphabeat, em São Paulo. Foto: Divulgação

“Com pouco mais de um ano de vida, vendemos mais de 1.500 shows, e para 2019 começamos a entrar no mercado de tours internacionais, já tendo shows marcados com Galantis, Dzeko e tours de artistas nacionais para fora do Brasil”, revela Goulart. “O plano da Alphabeat sempre foi cuidar não só da música, mas também dos shows dos artistas. No nosso entendimento, as atividades, quando coordenadas, rendem um melhor resultado.”

Já neste primeiro momento, a Alpha já conta com pouco mais de 20 artistas em seu casting, incluindo artistas de peso no cenário brasileiro, como Tropkillaz, Manimal (projeto do Junior Lima com o Julio Torres) e o trio Make U Sweat. André Teles, Anna de Ferran, Crow, DH, Dudu Linhares, Ecologyk, Heitor Melo, Joe Kinni, Juliana Barbosa, Julio Torres, Kiko Franco, Lipe Forbes, Michael Prado, Milena Scheide, On’A Beat, Pedro Almeida, Rakka, RodMac, Rodrigo Sá, Sandeville, Seakret, Smile, The Otherz e Woak são os outros nomes agenciados pela ATA.

Grande parte desses nomes também acumula lançamentos pela Alphabeat Records, como é possível perceber na coluna do selo aqui na Phouse. “Com as operações separadas, nós podemos ter artistas que têm suas músicas lançadas na gravadora sem ter a venda de shows. E vice-versa, como é o caso do Tropkillaz, que tem contrato com uma major”, continua Klauss, que ainda destaca que o trabalho integrado entre todas as áreas é um dos fatores-chave para fechar bons contratos. “Temos uma estrutura com gravadora, editora, bookings, management e três salas de estúdio dentro do escritório. Vários dos nossos artistas passam horas a fio produzindo dentro ‘de casa’. O ambiente artístico em um clima familiar é um dos nossos diferenciais.”

Sócio-fundador da Alphabeat, Ronaldo Cunha explica que o próximo passo é expandir o roster de artistas — tanto do selo quanto da nova agência — para abrigar outras vertentes da dance music: “Como podemos perceber até então, o foco inicial tem sido em vertentes mais populares de house e urban music, mas estamos esperando o momento certo para lançar subsselos direcionados ao underground e a outros subgêneros”.

Para o futuro, o cenário é extremamente positivo na visão dos sócios. “Estamos muito otimistas! O mercado para música eletrônica e DJs é cada vez mais extenso. Estamos entrando em todos os tipos de eventos pelo país”, finaliza Goulart.

* Flávio Lerner é editor da Phouse.