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Ben Klock lidera uma das noites mais intensas do ano no Warung

Jonas Fachi

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Ben Klock Warung
Precedido por grandes DJs brasileiros, como ANNA e BLANCAh, o alemão voltou ao Warung esbanjando técnica e experiência

No último dia 03, o Warung Beach Club recebeu uma das noites voltadas ao techno mais intensas do ano. Alguns artistas foram escalados para preparar um público ansioso por assistir a um dos principais DJs que surgiu no cenário global dos últimos dez anos. Figuras brasileiras de expressão internacional, como Victor Ruiz, ANNA e BLANCAh, dividiram atenções em uma noite liderada pelo expoente alemão Ben Klock.

Às 23h, assisti a hora final do artista de entrada na noite. Tarter já tinha um bom público em mãos e com segurança jogou faixas que tinham ritmo ideal para o horário. Eram ainda bem alinhadas com a proposta da noite — poucos breaks, seriedade, e quase zero efeitos, apenas deixando a pista se ambientar. Victor Ruiz assumiu à meia-noite. Após sua primeira música, resolvi assistir à artista que a meu ver mais se destacou no cenário nacional no último ano. Quando assumiu o alter ego BLANCAh, a carismática produtora trouxe para seus trabalhos uma identidade sonora singular.

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Desde o surgimento de Gui Boratto, há mais de uma década, não via um artista nacional com tamanha personalidade musical, e com uma série de variações de elementos de ritmo e linhas de baixo que impressionam. Começou seu set com calma, moldando aos poucos uma pista que sabia o que estava ouvindo, mostrando receptividade a ela em todos os momentos. Faixas do seu novo EP OSSO reinaram — destaco “Ílio” e “Talus” como pontos altos. Porém, acima de sua música, sempre dançante e com profundidade, me chamou atenção sua evolução no comando de pista. BLANCAh tem absorvido muitos aspectos imprescindíveis para a construção de um set que envolva a pista de dança, e os aplica com enorme perspicácia.

Ben Klock Warung

Às 02h, pude assistir à ANNA pela primeira vez. Comentários a seu respeito sempre foram positivos e ela recebeu uma pista com energia em alta. Desde os primeiros minutos, sua técnica mostrava o porquê tem sido tão requisitada por todo mundo, além de sua energia que faz diferença para chamar o público para si. Musicalmente, confesso que não é um estilo que consegue me prender, porém, em um club onde o soundsystem está beirando a perfeição e existe um público conectado, tudo fica mais interessante de se ouvir. A artista mostrou que antes de ser uma grande produtora, é uma DJ de primeira. Sua música de encerramento do set foi a que mais me agradou, atmosférica e com um toque dramático no lead.

Ben Klock Warung

Finalmente, eis que surge o grande momento da noite, sem falhar no seu horário. Para entendermos o estilo arrojado que Ben Klock trouxe para seu set, devemos primeiro fazer algumas considerações e voltar no tempo para relembrar seu primeiro show no Warung, ainda em 2014. Naquele ano, após se apresentar no conceituado Output, no Brooklyn, um dia antes de aterrissar no Brasil, Ben deixou uma manhã de inverno com direito a neve em Nova Iorque para pousar no Garden em pleno carnaval. Do gelo para uma noite quente brasileira em menos de 24 horas. Sua expressão inicial era de quem se perguntava o que estava fazendo ali, porém, em poucos minutos começou a entregar algo jamais visto no Sul do país até então. Foram duas horas obscuras e frenéticas selecionando alguns dos melhores discos que havia carregado mundo afora durante seus últimos anos.

Ben Klock Warung

Acredito que não só eu, mas diversas pessoas presentes naquela noite puderam redefinir os conceitos do que era techno em nosso distante cenário sul-americano. Após isso, ele teve outra vinda ao Warung, porém em uma noite com lineup carregado, e incompreensivelmente sem um bom horário para mostrar todo seu potencial. Com isso, me guardei para voltar a vê-lo somente quando recebesse a pista do Templo no “time” a que realmente compete um DJ do seu calibre. Eu me animei quando foi anunciada sua vinda fora das grandes datas comemorativas, pois sabia que ele jogaria no lugar certo, mesmo que por poucas horas. Aquela apresentação em 2014 ainda reverberava em minha mente, então fui para o club com a expectativa de finalmente sentir na pele um pouco das histórias que tanto tinha ouvido de clubbers berlinenses, sobre noites e dias sem fim na famosa usina abandonada que se tornou referência do techno mundial — o Berghain.

Ben Klock é um tipo raro de DJ, em extinção na atualidade. Forjado no calabouço de um dos clubes mais respeitados do planeta, ele aprendeu a ultrapassar todos os desafios a que um DJ pode ser confrontado diante de um público exigente. No Berghain, visto como uma espécie de “Harvard do techno” em Berlim, se formou e saiu para desbravar o resto do mundo levando consigo um conceito musical muito particular.

É interessante perceber como praticamente todos os DJs que fizeram escola em clubs, tocando por longas horas e sendo desafiados constantemente pelas diversas facetas que uma noite pode apresentar, têm certo feeling e sensibilidade muito acima do comum para controlar e envolver a pista de dança, seja de qual estilo vier. Foi isso de fato que ele fez ao assumir o comando às 04h. Sua sensibilidade apurada o fez em poucos minutos perceber o que era necessário para aquela situação. Muitas vezes o DJ não necessariamente precisa tocar o que o público espera, pois em muitas ocasiões o público não sabe o que esperar — ou do que precisa. Então, entra em cena esse perfil de DJ, que olha por todos os caminhos e escolhe o que mais parece ideal para o resto da noite fluir.

Dessa vez, seu semblante era de familiaridade com o ambiente. ANNA deixou a pista em chamas e com o BPM alto. Acredito que desde Sven Väth, no aniversário da casa em 2012, eu não ouvia algo tão acelerado. Não que isso fosse algum problema para o alemão; ele se desenvolveu com essa premissa e entrou com as primeiras faixas tirando de letra. Devemos também considerar que já era um horário bem avançado, então tanto quem deixa quanto quem entra precisa ser bem direto. Klock é acostumado a essas condições. Poderia simplesmente aumentar ainda mais o BPM só porque era o headliner, porém não entrou no jogo. Percebendo que o limite para a pista já havia sido colocado — e como suspeitei durante o set da brasileira sobre como ele agiria mais à frente —, resolveu cadenciar o ritmo, ainda que mantendo a intensidade e, principalmente, cortando breaks para impor todos os seus toques imparáveis e carregados de certa frieza.

Ben Klock Warung

Até o sistema de iluminação ficou mais contido, ajudando na criação do clima que Ben estava buscando impor. O momento da primeira hora foi o remix desconhecido de uma música muito conhecida de outro público da casa: “Forget the World”, de John Creamer e Stephane K, com o vocal ecoando por baixo de mais um ritmo industrial. Para muitos, seu som extremamente linear poderia parecer cansativo no primeiro momento, mas sua técnica excepcional nas mixagens fazia com que até mesmo os mais resistentes fossem entrando no clima. Depois da segunda hora, ele começou a soltar algumas variações e até arriscou alguns breaks longos, porém sempre voltando para seus elementos que misturam toques espaciais e misteriosos, tudo surgindo muito sutilmente e saindo devagar, enquanto os hi-hats e as baterias eram curtos e inquietos. Às 06h, a pista estava completamente envolvida, e algo ficou muito claro — para você ouvir um DJ desse tipo, é necessário tempo, pois ele precisa ambientar as mentes dispostas para depois soltar suas armas. “Subzero”, talvez seu clássico mais famoso, uma faixa que representa a nova era do techno desenvolvido na Alemanha, entra em cena para delírio dos mais atentos.

O momento foi o estopim para todos liberarem as energias contidas durante as duas horas anteriores. A cada nova virada, a cada música surpreendente, a reações eram fulminantes. Seus movimentos eram tão rápidos quanto a entrada do sol que tomava conta da pista. Um presente merecido para alguém que estava fazendo todos levitarem. Entramos às 07h sem sinais de baixa; ritmo inquebrável e uma tranquilidade assustadora em meio a um dos momentos mais difíceis para preparar o final. Mais uma vez, como em algumas outras festas do ano, a sensação era de que o set estava na metade do que seria algo antológico no fim. Avisado da necessidade de terminar, o vejo buscando no CDJ alguma música com certa demora.

Próximo das 07h30, meus ouvidos não negaram reconhecer um dos maiores clássicos de todos os tempos. É incrível quando você ouve uma música que jamais imaginaria das mãos daquele artista, e ela soou perfeitamente bem para seu final. Tratou-se de “Hale Bopp”, de Der Dritte Raum.

Ben Klock Warung

Sob aplausos e pedidos para não terminar, Ben Klock, como naquela noite quente de 2014, abriu um pouco mais a cortina frente aos olhos do entendimento de todos e mostrou que o horizonte sempre pode ser um pouco maior. Volte logo — um extended set é necessário.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Notícia

Gui Boratto homenageia pioneiro do tango em show inusitado em Paris; assista!

Flávio Lerner

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Gui Boratto Tango
Em programa da TV francesa, o músico improvisou ao lado de instrumentista letã para uma plateia que contou até com um dos “robôs” do Daft Punk

Ao lado da importante instrumentista Ksenija Sidorova — original da Letônia e integrante da Orquestra Sinfônica de Viena —, o conceituado produtor e arquiteto brasileiro Gui Boratto protagonizou uma bela homenagem a um dos criadores do tango, o argentino Astor Piazzolla.

A apresentação, em formato live, rolou em outubro, em Paris, e teve direito até a convidado de honra: um dos “robôs” do Daft Punk. “Foi lindo, até o Thomas Bangalter do Daft Punk estava lá na plateia! Foi muito foda!”, resumiu o boss da D.O.C. Records, em contato com a coluna.

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O espetáculo durou quase meia hora, e agora, com vídeo disponibilizado ontem no YouTube, podemos assistir ao show na íntegra [veja abaixo]. O próprio Gui destaca que foi ele quem escolheu trabalhar com a música do Piazzolla, pois já havia um flerte antigo com o lendário jazzista que resultou na faixa de 2011 “Soledad”, do seu terceiro álbum.

O músico admite que levou quase dois meses pra tirar as harmonias do Piazzolla e fazer os arranjos da forma que queria, pensando em como criar as harmonias para encaixar com o acordeão de Sidorova.

O projeto faz parte da segunda temporada do Variations, conteúdo exclusivo que une música eletrônica e orgânica reunindo músicos das duas áreas para homenagear ídolos do jazz — em outras ocasiões, o programa já trouxe Marc Romboy e Kenny Larkin para, ao lado de instrumentistas famosos, interpretar John Coltrane e Miles Davis, respectivamente. Além deles, Dubfire e Rebotini também já participaram.

O Variations é apresentado pela Culturebox, canal cultural da tevê francesa, e sempre gravado ao vivo na sala de espetáculos La Cigale, clube parisiense que data da belle époque, nascido em 1887. “La Cigale é um lugar cheio de história que remonta ao começo do século: já pegou fogo e foi reinaugurado nos anos 90. Pra mim, foi um prazer sem igual me apresentar nessa obra arquitetônica, acima de tudo”, concluiu o Gui Boratto, que, também como arquiteto, está sempre atento a esses detalhes.

Flávio Lerner é editor da Phouse; leia mais artigos de sua coluna.

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Entrevista

Saiba tudo sobre o Caos, novo clube do underground de Campinas, que estreia com Carl Craig

Jonas Fachi

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Caos
Em entrevista exclusiva, Eli Iwasa, uma das fundadoras do novo clube campineiro, traz todos os detalhes do empreendimento e revela, em primeira mão, a atração especial de abril
* Com a colaboração de Flávio Lerner
* Foto de capa por Bill Ranier; artes e vídeos promocionais por Muto

Quando em 29 de maio de 2013 a “japa do techno” Eli Iwasa abriu as portas do Club 88 pela primeira vez — junto com seus sócios Rodolfo Salin, Antonio Carlos Diaz, Juka Pinsetta e João Mota —, era a concretização de um sonho que cresceu, transbordou, fomentou a cena local e dentro de uma semana se transforma em uma nova realização: o club Caos, que inaugura em Campinas no dia 22 trazendo pela primeira vez à cidade a lenda do techno de Detroit, Carl Craig.

E Carl é aquele artista para o qual a palavra “lenda” realmente se encaixa, sem cair em banalizações ou esvaziamentos. Tanto que foi escolhido a dedo pela DJ, empresária, sócia-proprietária e curadora Eliana Iwasa para ser a grande atração do primeiro ato desse novo empreendimento no interior de São Paulo.

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Eli possui mais de 15 anos de carreira na música eletrônica, e já passou por clubs como o lendário Lov.e em São Paulo, o Kraft em Campinas e diversos eventos e gigs pelo país afora — seja como produtora, curadora ou DJ. À frente do Club 88, que continua funcionando normalmente no belíssimo Jockey Club de Campinas, a artista bookou artistas como Mind Against e Michael Meyer, e agora o momento é de expansão.

O Caos é o segundo estabelecimento do grupo e foi desenhado para abrigar artistas de maior porte — além de Craig, já estão confirmados Marco Carola (12/01) e um grande artista israelense (para abril) que ainda não foi anunciado oficialmente, revelado em primeira mão por Eli nesta entrevista exclusiva que você lê abaixo.

+ Em turnê pela América Latina, Carl Craig volta ao Brasil neste fim de ano

Assim, o Caos promete estimular ainda mais a já movimentada cena do interior paulista, com seu espaço industrial aconchegante e ressignificado especialmente para que as pessoas sintam-se livres na pista, guiadas pela soberania musical.

Confira todos os detalhes que Eli nos revelou sobre o novo reduto underground campineiro:

Como mostrado na apresentação do projeto à imprensa, o Caos chega para cobrir uma demanda local por artistas de maior renome, devido à falta de capacidade no Club 88 atualmente. Quando vocês perceberam que existia esse potencial latente para um projeto maior?

Sempre houve um desejo de receber esses artistas, e o Caos nasceu justamente para possibilitar essa realização. Quando procuramos o local, pensamos no tamanho ideal que nos permitisse viabilizar esses nomes que sonhamos tanto em bookar, e que oferecesse uma experiência diferente do Club 88. Nós voltamos ao nosso começo, onde o que importava era a música sem muitas firulas — com apenas som e luz que proporcionassem algo bem intenso na pista.

Talvez um dos grandes diferenciais desse novo club é sua localização. Parece existir no Brasil uma tendência extraída da Europa por espaços com características industriais. O que o Caos vai apresentar de diferente em relação à estrutura, capacidade e, mais importante, atendimento e soundsystem?

O Caos ocupa um antigo galpão industrial, onde ficava uma siderúrgica — uma das características mais interessantes do espaço é que ele conta com diversas janelas, com luz natural inundando o club assim que amanhece. O ambiente é rústico, cru, mas é fundamental que as pessoas tenham conforto.

A pista conta com dois bares grandes, uma área externa bem ampla, e vamos trabalhar com o sistema cashless, que é super moderno e garante maior tranquilidade para você consumir na festa. Quanto ao soundsystem, vamos deixar para quem for à inauguração, mas posso te adiantar que é de uma marca que usamos em alguns de nossos eventos em Campinas.

“É simbólico ter na inauguração um artista que nos faz revisitar nosso passado ao mesmo tempo em que nos faz olhar para frente — porque Carl Craig é história, mas nunca deixou de ser um visionário.”

Não é qualquer clube que consegue inaugurar com uma das lendas de Detroit, Carl Craig. Qual a expectativa para sua vinda? O Caos tem pretensão de oferecer quantas horas de apresentação para os convidados?

O techno de Detroit sempre foi uma influência muito grande para mim, e Craig um dos meus produtores favoritos. É um artista que se manteve atualizado, atuando um diversas frentes, e  cuja música só reforçou sua relevância ao longo dos anos. Depois da apresentação arrebatadora no DGTL em São Paulo, a expectativa realmente é muito alta. Acho que é muito simbólico ter um artista como ele na noite de inauguração de um club que nos faz revisitar nosso passado ao mesmo tempo em que nos faz olhar para frente — porque Carl é história, mas nunca deixou de ser um visionário.

Além de você como anfitriã, teremos o lendário Mauricio Lopes e o duo campinense Black Sun na estreia do Caos. Em relação a residentes, existem nomes cotados?

O time de residentes de um club se forma conforme sua história é escrita, e os personagens importantes para ela aparecem nesse processo. Os residentes do Club 88 estão entre os melhores DJs de Campinas e região, em minha opinião, e conquistaram seu lugar com a qualidade de seus sets ali. No Caos, tenho certeza que este grupo também vai se formar no seu ritmo e tempo.

Caos

Antes de tudo, vem o Caos

Em janeiro, outro nome importante do circuito global chega a Campinas: Marco Carola. Nessas duas primeiras datas, podemos observar que o techno e o tech house prevalecem. É esse o estilo de música que o Caos vai focar, ou haverá abertura para outros nomes importantes de estilos como deep house ou house progressivo?

Um ponto importante é que não vamos levantar bandeira de estilo algum — o que importa é a qualidade musical. Temos o techno de Detroit de Carl Craig, o tech house cheio de classe de Marco Carola, mas também confirmamos o Guy J no dia 06 de abril, para quem gosta de progressive house, além de três artistas de techno que ainda não posso relevar, mas que estão entre os mais relevantes do estilo.

Além de uma data mensal fixa, o espaço irá receber outros gêneros de música, como o hip hop. Como vai funcionar exatamente esse diálogo entre estilos e públicos tão diferentes?

Já temos uma programação diversificada no Club 88, e nossos projetos de hip hop e pop (o Groove Urbano e a Wolf) também terão suas noites no Caos mensalmente. Cada noite e cada público servem para enriquecer nosso trabalho, nossa experiência, e o que podemos oferecer ao público.

“Não vamos levantar bandeira de estilo algum — o que importa é a qualidade musical.”

Parece haver uma tendência recente de novos clubes, com propostas cada vez mais nichadas, surgindo pelo Brasil. Como você enxerga esse atual momento do mercado dos clubes e da cena eletrônica em geral? Crises econômicas à parte, você diria que este é um dos melhores momentos para abrir esse tipo de negócio no país?

Sempre acreditei que crises trazem muitas oportunidades. O interior de SP abriga muitos dos maiores festivais do Estado, tem um público que consome avidamente música eletrônica, provou que é importante celeiro de talentos, com ótimos produtores e DJs, e conta com o Club 88 e o Laroc, que investem fortemente em sua direção artística de forma constante — assim, percebemos que havia demanda e espaço para um novo club. Num momento em que o mercado está tão retraído, por que não encarar mais um empreendimento se tudo conspirou a favor?

Como é o processo de estudo e incubação da ideia de criar um novo clube até, efetivamente, o seu nascimento? Conta pra gente o trabalho que envolve a criação de um empreendimento desse tipo.

Nosso trabalho é muito intuitivo — sempre falo que não servimos como modelo de negócio algum, de uma maneira mais tradicional assim falando [risos]. Lógico que todos esses anos de experiência servem como base para tomada de decisões, e no caso do Caos, foi apenas seguir um desejo latente em ter um espaço maior, para não termos que criar uma estrutura temporária cada vez que quiséssemos expandir nossas atividades para fora do Club 88. Todos nós temos uma inquietude que nos faz sempre pensar qual o próximo passo, o próximo negócio, evento…

Quando o 88 completou quatro anos, sentimos que era hora de crescer. A primeira coisa é encontrar o local adequado — ou no nosso caso, descobrir um local e pensar que seria incrível ter um club ali, como foi com o prédio do Jockey Club. Eu já tinha em mente que artistas gostaria de trazer, e corremos para a obra ser finalizada a tempo.

“Não há excessos: o Caos é uma grande pista de dança com um baita soundsystem e uma iluminação projetada para criar a atmosfera certa para dançar.”

Quais são as principais referências que nortearam o conceito e os princípios do Caos?

De alguma maneira, o Caos é como o final e início de um ciclo, e sentimos que é um retorno às nossas origens, quando o que realmente importava era apenas a música, mas com o olhar para o futuro. Tudo que era excesso foi retirado: o club é uma grande pista de dança com um baita soundsystem e uma iluminação projetada e pensada para criar a atmosfera certa para dançar. Desde a comunicação até a decoração, tudo foi simplificado, sem rodeios, sem exageros, para que você tenha a experiência e a percepção mais pessoais possíveis.

Espero que as pessoas realmente vivenciem uma imersão musical ao som de ótimos artistas, e possam compartilhar conosco a realização de mais um sonho.

Como o Caos vai se diferenciar de todos os outros clubes conceituais do mercado brasileiro?

Posso falar da estrutura, do espaço, dos bookings, mas o que na verdade sempre nos diferenciou, e espero que continue no Caos, é a relação que criamos com as pessoas que prestigiam nosso trabalho, com nossa equipe e com os artistas. Esse apreço pelo outro, por uma boa festa — é claro — e o amor genuíno ao que fazemos é o que vai tornar o Caos especial.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Notícia

Ícone do house progressivo, Nick Warren é headliner de festa em São Paulo

Jonas Fachi

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Nick Warren São Paulo
O segundo evento do núcleo Unik ID traz o expoente britânico de volta à cidade que tem um peso especial em sua carreira

Nesta semana, uma longa espera chegará ao fim. Depois de quatro anos, um dos mais consagrados DJs da história da dance music desembarca novamente no Brasil. Quase 20 anos após ter marcado época em São Paulo ao escolher a cidade para gravar sua segunda compilação pela Global Underground (ouça abaixo), o inglês está de volta para consolidar um novo ciclo musical na capital financeira do Brasil.

Falar de Nick Warren não é uma tarefa fácil. Sua trajetória impressionante como DJ e brilhante como produtor musical o colocou frente a frente com o que já houve de melhor na cena clubber e festival no mundo. Podemos dizer que a apresentação do próximo sábado, em evento realizado pelo núcleo Unik ID, será algo emblemático. Por quê? Para entender, precisamos voltar um pouco no tempo e relembrar a estreita relação que o DJ de Bristol já teve com a cidade.

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Em 1998, durante a explosão do estilo house progressivo desenvolvido por ele e ícones como Sasha, John Digweed e Danny Howells no Reino Unido, Nick apostou na capital paulista para compilar um de seus álbuns mais interessantes e distintos. Foi um dos raros momentos em que o artista flertou com techno de maneira magistral, acabando por conceber um disco que poderia ser facilmente apresentado nos dias de hoje.

Vale ainda destacar que nenhum outro artista compilou tantos álbuns para a gravadora mais importante dos anos 90 e 2000. Foram oito cidades escolhidas a dedo por Nick para expressar sua música e também adaptá-la ao movimento local. A escolha por São Paulo serviu como uma pequena amostra do potencial que a cidade já apresentava em ser uma das lideres de desenvolvimento eletrônico no mundo, como mais tarde veio a se tornar. Durante todo esse tempo, o artista obteve grandes momentos por aqui, em clubs com o Warung, o Sirena e, mais recentemente, na Amazon.

Em 2017, o público paulista de apreciadores do estilo que o DJ ajudou a criar e consolidar pode dizer que teve um ano especial. A vinda de nomes como John Digweed, Guy J, Hernan Cattaneo e agora Nick Warren fecha uma temporada que deverá ser lembrada como de mudança e abertura de ideias para outros estilos. Nick estará dando uma volta na história quando iniciar seu long set em um dos eventos mais aguardados dos últimos tempos. Em recente publicação em sua página no Facebook, o artista demonstrou todo entusiasmo para voltar à cidade: “Brasil, eu já estava com saudades de vocês!”.

O núcleo Unik ID, uma das bandeiras mais fortes da capital para o house progressivo, chega para realizar sua segunda edição já contando com um artista do mais alto escalão do cenário conceitual. Tudo isso foi possível após o retorno positivo no primeiro evento, em que trouxeram dois produtores de destaque nos últimos anos — Cid Inc e Darin Epsilon.

Nick Warren São Paulo

Sábado, dia 16, a pista em anexo ao AUDIO Club receberá ainda um B2B com dois talentosos produtores que vêm se destacando em nossa cena: Luciano Scheffer e Goraieb. Completam o lineup Pedro Capelossi, Gui Milani e Pk Live. Você pode conferir mais informações no Facebook.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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