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Review

Ben Klock lidera uma das noites mais intensas do ano no Warung

Jonas Fachi

Publicado em

16/11/2017 - 18:35
Ben Klock Warung
Precedido por grandes DJs brasileiros, como ANNA e BLANCAh, o alemão voltou ao Warung esbanjando técnica e experiência

No último dia 03, o Warung Beach Club recebeu uma das noites voltadas ao techno mais intensas do ano. Alguns artistas foram escalados para preparar um público ansioso por assistir a um dos principais DJs que surgiu no cenário global dos últimos dez anos. Figuras brasileiras de expressão internacional, como Victor Ruiz, ANNA e BLANCAh, dividiram atenções em uma noite liderada pelo expoente alemão Ben Klock.

Às 23h, assisti a hora final do artista de entrada na noite. Tarter já tinha um bom público em mãos e com segurança jogou faixas que tinham ritmo ideal para o horário. Eram ainda bem alinhadas com a proposta da noite — poucos breaks, seriedade, e quase zero efeitos, apenas deixando a pista se ambientar. Victor Ruiz assumiu à meia-noite. Após sua primeira música, resolvi assistir à artista que a meu ver mais se destacou no cenário nacional no último ano. Quando assumiu o alter ego BLANCAh, a carismática produtora trouxe para seus trabalhos uma identidade sonora singular.

Desde o surgimento de Gui Boratto, há mais de uma década, não via um artista nacional com tamanha personalidade musical, e com uma série de variações de elementos de ritmo e linhas de baixo que impressionam. Começou seu set com calma, moldando aos poucos uma pista que sabia o que estava ouvindo, mostrando receptividade a ela em todos os momentos. Faixas do seu novo EP OSSO reinaram — destaco “Ílio” e “Talus” como pontos altos. Porém, acima de sua música, sempre dançante e com profundidade, me chamou atenção sua evolução no comando de pista. BLANCAh tem absorvido muitos aspectos imprescindíveis para a construção de um set que envolva a pista de dança, e os aplica com enorme perspicácia.

Ben Klock Warung

Às 02h, pude assistir à ANNA pela primeira vez. Comentários a seu respeito sempre foram positivos e ela recebeu uma pista com energia em alta. Desde os primeiros minutos, sua técnica mostrava o porquê tem sido tão requisitada por todo mundo, além de sua energia que faz diferença para chamar o público para si. Musicalmente, confesso que não é um estilo que consegue me prender, porém, em um club onde o soundsystem está beirando a perfeição e existe um público conectado, tudo fica mais interessante de se ouvir. A artista mostrou que antes de ser uma grande produtora, é uma DJ de primeira. Sua música de encerramento do set foi a que mais me agradou, atmosférica e com um toque dramático no lead.

Ben Klock Warung

Finalmente, eis que surge o grande momento da noite, sem falhar no seu horário. Para entendermos o estilo arrojado que Ben Klock trouxe para seu set, devemos primeiro fazer algumas considerações e voltar no tempo para relembrar seu primeiro show no Warung, ainda em 2014. Naquele ano, após se apresentar no conceituado Output, no Brooklyn, um dia antes de aterrissar no Brasil, Ben deixou uma manhã de inverno com direito a neve em Nova Iorque para pousar no Garden em pleno carnaval. Do gelo para uma noite quente brasileira em menos de 24 horas. Sua expressão inicial era de quem se perguntava o que estava fazendo ali, porém, em poucos minutos começou a entregar algo jamais visto no Sul do país até então. Foram duas horas obscuras e frenéticas selecionando alguns dos melhores discos que havia carregado mundo afora durante seus últimos anos.

Ben Klock Warung

Acredito que não só eu, mas diversas pessoas presentes naquela noite puderam redefinir os conceitos do que era techno em nosso distante cenário sul-americano. Após isso, ele teve outra vinda ao Warung, porém em uma noite com lineup carregado, e incompreensivelmente sem um bom horário para mostrar todo seu potencial. Com isso, me guardei para voltar a vê-lo somente quando recebesse a pista do Templo no “time” a que realmente compete um DJ do seu calibre. Eu me animei quando foi anunciada sua vinda fora das grandes datas comemorativas, pois sabia que ele jogaria no lugar certo, mesmo que por poucas horas. Aquela apresentação em 2014 ainda reverberava em minha mente, então fui para o club com a expectativa de finalmente sentir na pele um pouco das histórias que tanto tinha ouvido de clubbers berlinenses, sobre noites e dias sem fim na famosa usina abandonada que se tornou referência do techno mundial — o Berghain.

Ben Klock é um tipo raro de DJ, em extinção na atualidade. Forjado no calabouço de um dos clubes mais respeitados do planeta, ele aprendeu a ultrapassar todos os desafios a que um DJ pode ser confrontado diante de um público exigente. No Berghain, visto como uma espécie de “Harvard do techno” em Berlim, se formou e saiu para desbravar o resto do mundo levando consigo um conceito musical muito particular.

É interessante perceber como praticamente todos os DJs que fizeram escola em clubs, tocando por longas horas e sendo desafiados constantemente pelas diversas facetas que uma noite pode apresentar, têm certo feeling e sensibilidade muito acima do comum para controlar e envolver a pista de dança, seja de qual estilo vier. Foi isso de fato que ele fez ao assumir o comando às 04h. Sua sensibilidade apurada o fez em poucos minutos perceber o que era necessário para aquela situação. Muitas vezes o DJ não necessariamente precisa tocar o que o público espera, pois em muitas ocasiões o público não sabe o que esperar — ou do que precisa. Então, entra em cena esse perfil de DJ, que olha por todos os caminhos e escolhe o que mais parece ideal para o resto da noite fluir.

Dessa vez, seu semblante era de familiaridade com o ambiente. ANNA deixou a pista em chamas e com o BPM alto. Acredito que desde Sven Väth, no aniversário da casa em 2012, eu não ouvia algo tão acelerado. Não que isso fosse algum problema para o alemão; ele se desenvolveu com essa premissa e entrou com as primeiras faixas tirando de letra. Devemos também considerar que já era um horário bem avançado, então tanto quem deixa quanto quem entra precisa ser bem direto. Klock é acostumado a essas condições. Poderia simplesmente aumentar ainda mais o BPM só porque era o headliner, porém não entrou no jogo. Percebendo que o limite para a pista já havia sido colocado — e como suspeitei durante o set da brasileira sobre como ele agiria mais à frente —, resolveu cadenciar o ritmo, ainda que mantendo a intensidade e, principalmente, cortando breaks para impor todos os seus toques imparáveis e carregados de certa frieza.

Ben Klock Warung

Até o sistema de iluminação ficou mais contido, ajudando na criação do clima que Ben estava buscando impor. O momento da primeira hora foi o remix desconhecido de uma música muito conhecida de outro público da casa: “Forget the World”, de John Creamer e Stephane K, com o vocal ecoando por baixo de mais um ritmo industrial. Para muitos, seu som extremamente linear poderia parecer cansativo no primeiro momento, mas sua técnica excepcional nas mixagens fazia com que até mesmo os mais resistentes fossem entrando no clima. Depois da segunda hora, ele começou a soltar algumas variações e até arriscou alguns breaks longos, porém sempre voltando para seus elementos que misturam toques espaciais e misteriosos, tudo surgindo muito sutilmente e saindo devagar, enquanto os hi-hats e as baterias eram curtos e inquietos. Às 06h, a pista estava completamente envolvida, e algo ficou muito claro — para você ouvir um DJ desse tipo, é necessário tempo, pois ele precisa ambientar as mentes dispostas para depois soltar suas armas. “Subzero”, talvez seu clássico mais famoso, uma faixa que representa a nova era do techno desenvolvido na Alemanha, entra em cena para delírio dos mais atentos.

O momento foi o estopim para todos liberarem as energias contidas durante as duas horas anteriores. A cada nova virada, a cada música surpreendente, a reações eram fulminantes. Seus movimentos eram tão rápidos quanto a entrada do sol que tomava conta da pista. Um presente merecido para alguém que estava fazendo todos levitarem. Entramos às 07h sem sinais de baixa; ritmo inquebrável e uma tranquilidade assustadora em meio a um dos momentos mais difíceis para preparar o final. Mais uma vez, como em algumas outras festas do ano, a sensação era de que o set estava na metade do que seria algo antológico no fim. Avisado da necessidade de terminar, o vejo buscando no CDJ alguma música com certa demora.

Próximo das 07h30, meus ouvidos não negaram reconhecer um dos maiores clássicos de todos os tempos. É incrível quando você ouve uma música que jamais imaginaria das mãos daquele artista, e ela soou perfeitamente bem para seu final. Tratou-se de “Hale Bopp”, de Der Dritte Raum.

Ben Klock Warung

Sob aplausos e pedidos para não terminar, Ben Klock, como naquela noite quente de 2014, abriu um pouco mais a cortina frente aos olhos do entendimento de todos e mostrou que o horizonte sempre pode ser um pouco maior. Volte logo — um extended set é necessário.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Notícia

Marisco Festival tem programação diversa na próxima semana

Flávio Lerner

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Marisco Festival
Em 2017, o Marisco Festival rolou no Colégio do Jockey Club. Foto: Reprodução/Facebook
Terceira edição do festival mescla música, conversas e oportunidade para produtores

Organizado pela label Mareh Music, de Guga Roselli, o Marisco Festival traz uma programação bastante diversa para este ano, em São Paulo. A terceira edição do evento foi dividida em quatro datas: um show especial que rolou nessa última quarta [30], com banda em tributo ao lendário maestro brasileiro Lincoln Olivetti; dois dias da chamada “Talks”, que traz painéis, conversas e até juri para avaliar produtores brasileiros [dias 06 e 07]; e o festival em si, no dia 09, que traz Ed Motta como principal atração, além de DJs e produtores como Nuts, Selvagem, Edu Corelli e Roger Weekes e Ashley Beedle [Inglaterra].

Um dos destaques da Talks é uma grande oportunidade para novos talentos nacionais que produzem sons que casam com a proposta da Mareh — isto é, música eletrônica groovada e tropical, mais voltada à disco music, disco house, sons baleáricos e brasilidades. A mesa “New kids on the block” vai trazer dez músicas de produtores brasileiros para serem tocadas e julgadas ao vivo por três DJs experientes: Caio Taborda [Gop Tun], Mari Rossi [We Sounds] e Benjamin Ferreira [Stay Free].

+ Um mergulho na rica discoteca de Chaves e Chapolin

As faixas serão selecionadas mediante seleção prévia do DJ Camilo Rocha, um dos curadores do evento. Para participar, basta enviar até as 18h do dia 05 sua faixa em 320 kbps para o camilorocha68@gmail.com e ficar na torcida. Os dez escolhidos serão convidados a participar do evento — segundo o Camilo, quem não estiver em Sampa poderá assistir posteriormente à sessão em vídeo.

Além da mesa, haverá ainda inúmeros outros painéis com grandes expoentes da cena nacional, como Tessuto, Claudia Assef, L_cio, Carrot Green e Sonia Abreu.

Expoente do groove nacional, Marcos Valle foi atração em 2017. Foto: Reprodução/Site oficial

Confira a programação completa da Talks e do Festival:

Marisco Talks: Conversas e escutas sobre música

Local: Cobertura do Excelsior Hotel — Av. Ipiranga 770, Centro

QUARTA – 6 de junho

A cidade e a música 17h – 18h

Pena Schmidt, consultor de produção musical, Fabiana Batistela, diretora do SIM São Paulo, e Paulo Tessuto (DJ e fundador da festa Capslock) falam sobre desafios e oportunidades nas relações entre as cidades e a música que é vivenciada nelas.

Futuro do pretérito 18h15 – 19h15

Os produtores musicais L_cio e Carrot Green falam sobre os passos da criação do edit/remix, da recriação ao licenciamento, a partir de suas experiências nessa área.

Os discos mais raros do Brasil pt. 1 19h30 – 20h30

Os DJs Nuts e Paulão tocam e comentam raridades nacionais das suas coleções enquanto conversam com o público sobre música brasileira, colecionismo e garimpagem de discos. Mediação de Renata Simões.

Dancing queens: as mulheres da disco brasileira 20h45 – 21h45

Duas mulheres icônicas da disco music brasileira, a DJ Sonia Abreu e Vivian Costa Manso (Harmony Cats) falam sobre suas experiência como artistas femininas na indústria musical e na noite dos anos 70. Mediação de Claudia Assef.

QUINTA – 7 de junho

Disquecidos 16h – 17h

Há quatro anos a Vice Brasil vem contando as histórias por trás de discos que não estouraram em seus lançamentos, mas que se tornaram referências musicais, fetiches de colecionadores e raridades no mercado de vinis. O repórter Peu Araújo fala sobre os bastidores desses papos.

New kids on the block 17h15 – 18h15

Diante do público e um júri, novos produtores exibem faixas para julgamento ao vivo de três DJs com tarimba de anos de pista: Caio Taborda, Mari Rossi e Benjamin Ferreira.

REGRAS:

1) Cada produtor pode enviar apenas uma música

2) A música tem de ser em arquivo MP3 320 kbps. Para a seleção final, que será executada no evento, pediremos uma versão em WAV.

3) Preferimos que o estilo musical esteja coerente com a proposta do Marisco Festival, que fica no meio do caminho entre disco music, house e música brasileira.

4) Só serão aceitas músicas enviadas até 5 de junho às 18h.

5) Envie música ou link para camilorocha68@gmail.com

6) Os produtores selecionados serão avisados individualmente e convidados a ir ao evento.

Qual é a cara desse som? 18h30 – 19h30

Por que é importante construir uma identidade musical? E como se faz e não se faz isso? Venha ouvir as experiências e opiniões de três artistas sobre o tema: os DJs Max Underson, da Coletividade Namíbia e Capslock, Luanda Baldijão e Mauricio Fleury, do Bixiga 70.

Os discos mais raros do Brasil pt. 2 19h45 – 20h45

Augusto Olivani, da Selvagem, e Tata Ogan falam sobre pérolas da música brasileira da sua coleção, tocando discos e conversando com a plateia sobre coleção, pesquisa e recantos obscuros da música do país. Mediação de Guilherme Menegon.

Entrevista no palco – Ashley Beedle 21h00 – 22h00

Protagonista da música e pista britânica desde a acid house, participante de projetos históricos da house music como X-Press 2 e Black Science Orchestra, Beedle vai falar sobre história e carreira com Camilo Rocha. Uma oportunidade única de conhecer de perto os saberes e experiências de um dos mais celebrados veteranos da cena eletrônica.

Marisco Festival: Sábado, 09 de junho

Local: ainda a ser anunciado

Atrações:

Ed Motta (Baile do FlashBack)

Lincoln Olivetti BAND

Ashley Beedle

DJ Nuts

Selvagem

Edu Corelli 

Roger Weekes

Benjamin Ferreira

Vitor Kurc

DJ Paulão

Tata Ogan

Marcelo Dionisio

+ Mais nomes a serem anunciados

Os ingressos estão disponíveis via Event Brite. Mais informações podem ser encontradas no site oficial.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Entrevista

Grupo Laroc revela detalhes sobre novo clube underground

Flávio Lerner

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Laroc underground
Nova casa terá projeto arquitetônico semelhante ao Laroc. Foto: Divulgação
Nova casa ficará exatamente ao lado do Laroc Club, em Valinhos
* Atualizado em 28/05/2017, às 19h47

O Grupo Laroc anunciou recentemente que está abrindo uma nova casa noturna, totalmente voltada à música eletrônica underground. A partir daí, a Phouse entrou em contato com Mario Sergio de Albuquerque, sócio-diretor do Laroc Club, que, além de confirmar a inauguração do empreendimento para 2018, revelou à coluna mais detalhes sobre o novo espaço.

Quando e onde

Segundo Mario Sergio, já está definido: o clube abre entre outubro e novembro deste ano. A localização será literalmente ao lado do Laroc, no quilômetro 118 da Rodovia D. Pedro I, em Valinhos, SP. Logo, o complexo que já abriga o Laroc Club e a casa de shows Folk Valley ganhará um novo membro dentro de poucos meses.

“O novo club vem pra ser a terceira casa do grupo, dentro de um complexo que praticamente estamos criando de entretenimento na cidade de Valinhos. É exatamente ao lado do Laroc, numa área mais elevada, mais alta, com uma visão 360 das montanhas, bem mais verde, super bacana”, revela o business man. “É como se fosse uma segunda pista, mas não é. As conversas surgiram dessa maneira, mas decidimos que é outro clube, outro nome, outra identidade, outra história”, continua.

Por estar em fase final de desenvolvimento, o nome ainda não foi revelado.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma do pop.”

Por quê

Criado há dois anos e meio, o Laroc costuma dar muito espaço a artistas da cena house/techno underground, abrindo noites completamente voltadas a esse nicho. Essas noites, porém, não costumam encher a casa, que tem capacidade para até seis mil pessoas. Assim, Mario Sergio explica que em um ambiente menor, diminuindo o tamanho e o custo operacional, fica muito mais viável seguir trazendo essas atrações — e também mais interessante do que a ideia inicial de abrir uma segunda pista. Segundo ele, a casa terá capacidade para cerca de duas mil pessoas.

“A gente sabe que tem umas cinco datas no ano que aceitam uma segunda pista e que têm público suficiente pra acomodar mais do que as seis mil pessoas. Mas a gente também entende que abrir uma pista apenas cinco vezes no ano seria algo ocioso, então não seria tão interessante, já que a ideia é aumentar o volume de operações. O Laroc abre hoje em 18 datas no ano, vai passar a abrir 14 — uma por mês mais duas durante o Carnaval —, e o club novo vem pra abrir mais 12 datas. Com isso, os dois clubes passam a ter 26 datas, o que nos dá mais oito eventos no ano, e com maior pluralidade de atrações. Praticamente, de quatro finais de semana de um mês, o grupo abre em três: Laroc, club novo e Folk”, explica.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma de mais mainstream, mais comercial, mais pop. Esse é o principal motivo da abertura de um novo espaço: entender que a gente tem um público muito bom de techno/tech house, mas que o Laroc ainda é muito grande.”

Isso não significa, no entanto, que a sonoridade do Laroc será sempre a mesma. “Sempre bati na tecla de que o Laroc era um club multicultural que poderia atender qualquer tipo de evento, e isso continua existindo”, segue de Albuquerque. “Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

Laroc underground

Complexo de entretenimento em Valinhos tem Folk Valley, Laroc e espaço mais à direita para o novo clube. Foto: Divulgação

Identidade

Mario Sergio revela que o novo espaço traz a mesma assinatura visual das outras duas casas do complexo em Valinhos, mas adaptada para traduzir seu próprio conceito. “Todas as casas do grupo têm as mesmas características. Elas são conceituadas a partir da tenda, que é nosso artigo principal. Tanto Laroc quanto Folk têm a mesma característica arquitetônica, e o clube novo vem na mesma linha, inclusive de layout e acabamentos”, revela.

“O público é exigente em todas as vertentes, não é porque é underground ou mainstream, e a gente manterá esse nível de excelência, de qualidade, no clube novo. Vamos agregar bastante em produção, que é um diferencial da nossa parte, porque os clubes do underground são mais minimalistas, não têm tanto esse nível de exigência. Então este é mais um motivo pra trazermos esse conceito novo pro underground, com características fortes do nosso grupo.”

O sócio-diretor também explicou como se divide a construção do projeto gráfico: “A concepção do Laroc, os projetos, desenhos, foi feita por nós, os sócios. Somente a parte de stage design, light design e video content foi produzida por um escritório holandês, o TWOFIFTYK, que provavelmente estará conosco nesse projeto também, desenvolvendo a parte interna da tenda, de palco e tudo o mais. A gente deve ter um pouco mais de pegada cenográfica na parte externa, brincando com o ambiente, e deixar a casa com características diferentes — mais luz, menos led, menos papel picado, mas ao mesmo tempo com bastante efeito visual.”

“Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

O Laroc não corre riscos?

Em pouco tempo de existência, o Laroc vem sendo considerado por muitos — de artistas a frequentadores — como um dos melhores clubes do mundo. Perguntei ao Mario Sergio se, agora que o clube vai mais ou menos se dividir em dois, deixando a parte mais pop/comercial ao Laroc, ele não corre o risco de perder um pouco do seu charme e prestígio. O empresário foi acertivo:

“Não, muito pelo contrário. A gente ganha força como grupo agindo em bloco, a gente vê cases de sucesso pelo mundo como o próprio Hï Ibiza, que é um derivado do Ushuaïa — que é um pouco diferente, lá um é clube dia e o outro é noite… Nós manteremos o club novo também como sunset club, porque o ambiente segue tendo bastante a agregar, mantendo a história do pôr do sol como atrativo. Isso atrai mais fatores positivos e deixa o Laroc ainda mais exclusivo, porque diminui o número de aberturas: uma por mês dá pra ficar com saudade e querer ir de novo. Ao mesmo tempo, cria mais uma opção pra outra vertente musical, outro tipo de público, o que também será um diferencial nosso”.

A nova casa deve ter seu nome e mais detalhes revelados dentro dos próximos meses.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Notícia

DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

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Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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