“O mundo quer ouvir algo novo, então ouse”

Bhaskar fala sobre infância, relação com Alok, paternidade e referências
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Ele é DJ, produtor, pai, filho dos fundadores do Universo Paralello e irmão de ninguém menos que Alok. Bhaskar Petrillo pode se considerar uma pessoa privilegiada por vir de uma família com raízes tão fortes como essa, mas se hoje seu nome é conhecido por todos, deve-se principalmente a sua dedicação desde cedo.

Quando tinha apenas sete anos, viu seus pais Swarup e Ekanta se tornando DJs, absorvendo uma diversidade de referências musicais, desde Nirvana a The Prodigy, além de outros projetos eletrônicos. “Meu pai era guitarrista quando eu nasci. Aos 12, fiz minhas primeiras aulas de guitarra, mas acho que a bagagem que peguei deles foi o mais importante na minha formação musical”, lembrou Bhaskar, assumindo até mesmo que passava mais tempo fuçando o software Logic 5.4 do que jogando videogame.

As primeiras vezes no comando das CDJs foram ao lado de seu irmão gêmeo, Alok. Ele conta que nas primeiras festas a concentração era tanta que algumas pessoas reclamavam que a dupla não dava nem mesmo um sorriso: “Treinávamos muito, e na hora de tocar ficávamos olhando só para as CDJs (risos). Era dedicação total”. Desde cedo, os dois sempre se deram muito bem, principalmente na hora de tocar e produzir. “Tínhamos um gosto bem parecido, até quando um queria uma coisa e o outro não, conseguíamos chegar num consenso sem brigas”, continua.

Os irmãos iniciaram na música através do Logica, projeto de psytrance fundado pelos irmãos quando tinham 12 anos. Em 2018, eles voltaram ao passado com uma apresentação especial no Universo Paralello, trazendo à tona suas raízes na música eletrônica. “Foi nostálgico, é um projeto que guardo com muito carinho. Queria ter mais tempo pra me dedicar também ao Logica”, revela.

Bhaskar no Carnaval no Parque 2019, em Brasília. Foto: Divulgação

Antes disso, quando pequenos, ele e o irmão iam aos festivais como criança — “passávamos os dias na praia, brincando e fazendo coisas de moleque” —, e muitas portas foram abertas por conta de seus pais estarem inseridos no meio, promovendo raves desde os anos 90. Bhaskar lembra que vivia uma vida nômade, morando em diferentes lugares, de Amsterdã à Chapada dos Veadeiros: “Foi muito legal ter esse estilo de vida mais solto. Isso me amadureceu muito desde cedo”.

Na época do colégio, prestou vestibular para cinema, mas com o resultado negativo, continuou no caminho musical. “Meus pais sempre foram uma referência, mas nunca foi algo forçado. Acho que sempre me imaginei fazendo algo relacionado à música”, continua o artista, que acabou optando por seguir um estilo diferente do irmão, num campo menos popular.

“Eu e o Alok temos perfis artísticos diferentes. Ele sempre foi mais desinibido, comunicativo, e eu sempre mais reservado. Acho que isso influenciou o caminho que seguimos. Simplesmente fomos sinceros com o que gostamos e a música fez o restante”, diz. 

Nos últimos anos, Bhaskar se rendeu a algumas collabs com diversos artistas de fora da música eletrônica. Nomes como 3030, Anitta e Titãs já fazem parte de seu catálogo, afinal, para ele, estilos diferentes sempre serviram de inspiração, e a música eletrônica dá abertura para experimentar misturas inusitadas.

Com o irmão Alok, são poucas produções finalizadas até aqui. Além de “Epitáfio”, também “This City”, “Fuego” e a releitura de “Bella Ciao”, que contou também com a participação de Jetlag, Andre Sarate e Adolfo Celdran. Mas em primeira mão à Phouse, ele revela que ainda neste ano, uma nova faixa com a participação do irmão será lançada: “Está 90% pronta”.

É de se imaginar que, devido à agenda lotada de ambos os artistas, os encontros e abraços sejam pouco frequentes entre os dois, mas ainda assim a conversa é quase que diária. “Conversamos bastante sobre todo tipo de assunto, desde música até filhos, já que agora ele também vai ser pai. Temos personalidades diferentes, mas nos damos muito bem. Sabemos respeitar as diferenças e lidar um com outro”, comentou.

Bhaskar, que ganhou filho há pouco mais de um mês, agora está tendo que conciliar “duas profissões”, mas conta como faz para administrar bem ambas as tarefas. “Tô super feliz, tá bom demais! Sempre tento passar o máximo de tempo possível em casa durante a semana, e no fim de semana pegar os voos mais rápidos para voltar logo. Quem me acompanha nas redes sociais consegue ver o quanto sou um pai babão (risos)”, brinca.

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Com 2019 se aproximando da reta final, o momento agora está sendo de planejamento. O produtor trabalha na construção de um novo show, na finalização dos planos de sua festa autoral — com previsão para inaugurar ainda neste ano — e no lançamento de seu primeiro álbum, que deve vir à luz no início de 2020.

Tudo isso, precedido sempre por dois princípios fundamentais, que ele deixou como dica ao final da nossa conversa:

“Para quem deseja seguir esse caminho, eu sempre bato em duas teclas muito importantes. Primeiro, faça pela música. Os benefícios que a profissão te traz nunca podem ser o motivo de você ter entrado nela. Faça mesmo que aquilo não vá te dar dinheiro, talvez por um bom tempo, simplesmente porque te dá uma satisfação enorme de se expressar através da música.

E segundo, seja diferente. Todos nós temos referências e isso é importante, mas o mundo quer ouvir algo novo, então ouse, mostre algo que ninguém nunca ouviu. Ouvi essas palavras do Flume, um dos artistas em que mais me inspiro”.

* Marllon Gauche é colaborador da Phouse.

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