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Opinião

Nos passos de Boratto? Remix de Cattaneo indica que BLANCAh pode explodir globalmente

Jonas Fachi

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BLANCAh Hernan Cattaneo
O remix do maestro argentino com o israelense Audio Junkies chega em fevereiro, em coletânea do sexto aniversário do selo de BLANCAh
* Com a colaboração de Flávio Lerner

Em 2006, Hernan Cattaneo vivia o auge de sua carreira em meio à apresentação de um dos discos mais aguardados daquele ano. Intitulado Sequential pela consagrada gravadora Renaissance, o CD continha faixas de artistas como Bushwacka, 16 Bit Lolitas e Way Out West. Entretanto, após o lançamento, outro nome acabou chamando atenção de todos. Com uma irreverente e distinta forma de arranjar elementos somados a timbres ainda não vistos na cena, sua faixa “Arquipélago” foi colocada de cara na abertura da compilação.

Era o tipo sonoro que colocaria todo o resto da construção musical sob ligação. Tratava-se do primeiro single do ainda desconhecido produtor brasileiro que mais tarde se transformaria em um dos mais respeitados do mundo. Gui Boratto teve um dos primeiros reconhecimentos através de um artista do primeiro escalão, pelos ouvidos afiados do DJ argentino. Fazer parte da compilação automaticamente colocou Gui diante de um público super atento e colecionador, um primeiro passo fundamental em sua carreira.

Doze anos depois, Cattaneo continua sua jornada artística única, porém agora carregando a frente de seu nome o titulo de “Maestro” das pistas de dança de todo mundo. Uma vez mais, parece que o ícone sul-americano tem seus ouvidos voltados para um artista brasileiro que vem despontando internacionalmente — não apenas apoiando suas produções, mas agora também estabelecendo uma parceria de estúdio que poucas vezes abriu em 30 anos de carreira.

Imagem do DJ argentino em seu estúdio em Buenos Aires cercado por sua coleção de discos (Foto: LA NACION/Juan Pablo Soler)

Ontem, a catarinense BLANCAh fez o anúncio oficial de que Hernan — em conjunto do talentosíssimo produtor israelense Audio Junkies — tinha remixado “Talus”, faixa que fez parte de seu aclamado EP Osso, lançado em agosto de 2017. Em postagem no Facebook, a artista escreveu:

“A alguns meses atrás convidei Hernan Cattaneo para remixar uma música minha e pra minha alegria ele aceitou no ato.
Depois de algumas sessões de estúdio com seu parceiro de produção Audio Junkies os dois me entregaram esse remix lindo da minha música ‘Talus’. Acho que eu nunca encontrarei as palavras certas que definam este exato momento da minha carreira, a felicidade que sinto por ter o suporte de um artista como Hernan, e muito menos o que senti ao ver o Mestre tocando o remix que ele fez pra mim no Templo Warung Beach Club.
Muchas gracias desde el fondo de mi corazón Hernan Cattaneo, Thank you so much Audio Junkies”.

+ Hernan Cattaneo faz história com o primeiro “All Night Long” do Warung

“Talus” irá ser lançada apenas em vinil, o que coloca ainda mais profundidade ao novo EP pela gravadora que BLANCAh tem como sua casa, a Steyoyoke. O disco — que chega no dia 15 de fevereiro — se trata da sexta compilação anual de aniversário do selo, que traz remixes inéditos de faixas lançadas pelos seus artistas durante a temporada. Além da música da brasileira com remix de Hernan e Audio Junkies, compõem o EP outros três trabalhos que foram destaque em 2017, também recebendo novas interpretações: “Overflow”, de Nick Devon, em remix de Simon Doty e Nairo; “Paramour”, do Soul Button, com remix de Martin Roth; e “Syndicate”, de Clawz Sg e Nick Devon, remixado por Township Rebellion (você pode ouvir uma prévia de cada música aqui).

“Recebi a incumbência de encontrar alguém pra remixar uma música minha pra esse projeto [compilação da Steyoyoke]. E aí por acaso eu tava na Argentina e num primeiro momento pensei em fazer uma conexão com artistas brasileiros, pra ver se alguém se interessava em fazer um remix. Contatei alguns, que não se interessaram em fazer parte do projeto, e aí eu pensei: quer saber? Vou sonhar um pouco mais alto. Vai que o Hernan aceita, já que ele andou dando suporte pra algumas das minhas músicas e já tinha declarado abertamente que era meu fã”, contou a artista, agora em contato com a Phouse. “Criei coragem, fui pro tudo ou nada — porque o ‘não’ eu já tinha — e mandei um e-mail pra ele, explicando a proposta. Em menos de 24 horas ele respondeu dizendo que seria um prazer. Eu fiquei mega feliz, quase morri, pensei que ele nem ia responder [risos]!”

Hernan Cattaneo tocando o remix de “Talus” no Warung

Alcançar a importância global que Gui conseguiu desde “Arquipélago” é algo difícil de fazer, porém, com a benção de um dos maiores DJs de todos os tempos e a atenção da enorme quantidade de fãs que o seguem ao redor do planeta, BLANCAh pode estar dando mais um grande passo em sua carreira para se tornar um artista global. E mais: em um nível talvez até mais importante do que participar de uma das famosas compilações do Maestro, afinal, poucos produtores até hoje tiveram uma faixa remixada por Hernan. No Brasil, é algo inédito.

A artista tem muito a comemorar, pois seu “voo” está cada vez mais supremo. Até onde ela vai chegar? Talvez o particular interesse de Hernan por seu trabalho diga algo sobre. Assim como com o Gui em 2006, o argentino percebeu que se trata de uma identidade musical nova, própria e sem seguir tendências — premissas básicas que ele carrega consigo.

+ BLANCAh disseca ave e perde quilos para seu novo EP; escute “Osso”

Vale lembrar — como já publicado na Phouse —  que a Steyoyoke está em tour inédita pelo Brasil nesses dias. Depois de passar pelo Terraza Floripa no último final de semana, o showcase da gravadora alemã chega nesta sexta ao D-EDGE, e encerra no sábado no clube Chakra, em São Bento, Santa Catarina. No mesmo dia, o Maestro, que cumpre tour pela América do Sul, também estará no Brasil, estreando no Laroc Club. A promessa é de longset.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Notícia

DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

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Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Notícia

Parceria entre Boiler Room e Ballantine’s retorna ao Brasil em novo projeto

Flávio Lerner

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Boiler Room São Paulo
Foto: Reprodução
Série “Hybrid Sounds” mescla artistas eletrônicos com nomes orgânicos 

Juntos há cinco anos, Boiler Room e a marca de uísque Ballantine’s já montaram projetos ousados e incríveis no cenário musical. A partir de 2016, a união foi ainda mais longe com o lançamento da série Stay True, que visitava diversos países com lineups cuidadosamente curados para celebrar a cultura de cada nacionalidade. Naquele ano, tivemos nada menos que o Boiler Room Stay True Brazil — o lendário Boiler Room de Recife, que fez história em nosso país. Em 2017, a parceria voltou rebatizada como True Music, trazendo nomes como Seth Troxler e Little Louie Vega a Salvador, junto a expoentes brazucas como Fatnotronic e Renato Ratier, e agora, em 2018, a Stay True traz seu novo projeto, Hybrid Sounds, para São Paulo.

A proposta da Hybrid Sounds é trazer lives inéditos e inesperados, colocando no mesmo palco artistas de música eletrônica com projetos acústicos, que provavelmente nunca se encontrariam em outra oportunidade. Em SP, isso será visto através do conceituado grupo do underground paulistano Teto Preto, que tocará em conjunto com a produtora berlinense rRoxymore. Expoente da Chicago house, Derrick Carter é o headliner do evento, enquanto a MC Linn da Quebrada e o cantor e compositor Tom Zé — um dos grandes nomes da música brasileira — completam o lineup.

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Em local ainda mantido em segredo, o Boiler Room True Music: Hybrids Sounds São Paulo rola no dia 23 de maio, uma quarta-feira, e terá transmissão ao vivo pela plataforma, como de praxe. O evento sucede as edições que rolaram em Moscou e em Beirut, no Líbano, e antecede a edição de Valência, na Espanha, que encerra o projeto. Ao final, um EP da série Hybrid Sounds será lançado, com faixas inéditas dos artistas que colaboraram em cada região (Teto Preto X rRoxymore em SP; Overmono X Solo Operator em Moscou; Dollkraut X Zeid & Maii em Beirut; e KiNK com um artista ainda não revelado, em Valência).

Para quem quer participar da festa, é necessário se inscrever no site e torcer para ganhar o convite por e-mail.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Análise

O indie dance original respira com a volta do Friendly Fires

Flávio Lerner

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Friendly Fires
Foto: Reprodução
Depois de mais de seis anos sem lançamentos, o trio britânico que marcou os anos 2000 está de volta

Fundado em 2006, o trio britânico de dance-rock/indie danceFriendly Fires foi importantíssimo para uma guinada mais eletrônica e dançante à cena indie da década passada, que encontrava-se em sua era de ouro com a ascensão de bandas como The Killers, Franz Ferdinand, The Strokes e Bloc Party. Seu surgimento — somado à ascensão de grupos como Klaxons, Chromeo, Cut CopyMetronomy e o brasileiro Cansei de Ser Sexy — fez com que aquele cenário mais centrado nas guitarras passasse a ter um foco maior nos sintetizadores e nas batidas. O LCD Soundsystem não estava mais sozinho.

Comandando pelo carismático e rebolativo Ed Macfarlane — com suas dancinhas impagáveis ao vivo e nos videoclipes —, o Friendly Fires explodiu mesmo em 2008, com o primeiro e homônimo álbum, e desde então acumulou milhões de fãs no mundo inteiro. Nunca fizeram exatamente música eletrônica de pista, mas bebiam claramente de fontes como a house e o synth pop de grupos como New Order e Depeche Mode. E não só isso: a batida e a vibe ensolarada das músicas trazia muito da música brasileira. Singles como “Jump in the Pool” e “Kiss of Life” surgiram com fortes elementos de percussão de samba — e em 2008 e 2009, o grupo chegou a realizar apresentações em conjunto com uma escola de samba.

Em 2011, às vésperas do lançamento do segundo álbum, Pala, que se afastava ainda mais do indie rock, foram capa da conceituada revista inglesa NME, e tiveram a ousadia de dizer que preferiam escutar Justin Timberlake do que Morrissey — antigo líder do grupo The Smiths, que dominou a cena indie nos anos 80. Pra roqueiros britânicos que levam esse tipo de comparação muito a sério [o que, arrisco dizer, seja boa parte do público da revista], uma declaração do tipo soava como heresia.

O trio seguiu sua vida muito bem, obrigado. Pala também fez sucesso, e o FF seguiu apresentando-se em shows lotados no mundo inteiro nos próximos anos. Mas pararam de fazer música. Em 2014, deram um tempo de vez, e só foram voltar agora, quatro anos depois, com shows de retorno na Inglaterra realizados nas últimas semanas. E claro, novo single — o primeiro em mais de seis anos.

“Love Like Waves” foi lançada no último dia 05, e segue a linha do Friendly Fires que já estamos acostumados, sem grandes alterações na estrutura sonora. É uma canção boa e agradável, que resgata o saudosismo dos fãs e empolga pelas novas possibilidades, mas também não chega a ser dos melhores sons já feitos pelo trio.

Novos singles devem surgir nas próximas semanas, culminando, em breve, com o aguardadíssimo terceiro álbum. Se mantiver a qualidade dos LPs do passado, tem tudo para ser um dos grandes lançamentos de 2018.

Bóra relembrar outros grandes singles do grupo:

* Nota do Autor: Indie dance/nu disco, assim como progressive house e deep house, foi mais um dos estilos que caiu naquela salada de tags do Beatport, na década passada, e acabou passando a ser usado para se referir a uma sonoridade completamente diferente. Aqui, evidentemente, falo sobre o indie dance original, que vai de bandas como o Cut Copy a produtores como o Tensnake.

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