Conheça Blazy, expoente do psytrance nacional

Artista falou à coluna LIFT OFF sobre o lançamento que reflete a nova fase da sua carreira
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Com mais de vinte milhões de streams em suas plataformas digitais, beirando uma centena de gigs por ano, produtor brasileiro mais jovem a alcançar o topo de vendas nos charts do Beatport e com uma legião de fãs que vai do Oiapoque ao Chuí, Blazy também está presente em outros países e é hoje um dos principais artistas do psytrance nacional.

Um verdadeiro prodígio, Blazy lançou sua primeira música aos 15 anos de idade e, hoje, aos 22, já coleciona gigs em países como Austrália, Suíça, México, França e Índia. Ele é daqueles que vivem a música de forma muito intensa, e muito já aconteceu com ele em, talvez, nem tanto tempo.

Olhando para alguns números, vê-se que é o segundo DJ brasileiro de psytrance mais ouvido do Spotify, e que também passeia pelas primeiras posições dos charts do Beatport, tendo por algumas semanas ocupado o tão sonhado número um de vendas do gênero em duas oportunidades. Uma, ao lado de Aura Vortex, com a faixa “Interlude”, e outra em remix para “Tandava”, do Shanti People, em colaboração com Gotiinari, que foi também a quarta música mais vendida no segmento em 2017.

Natural de Pelotas, no Rio Grande do Sul, Henrique Janelli hoje tem sua base em Curitiba. Lá, tem residência e o seu dia a dia de estúdio, de onde saem faixas que são lançadas por Alien Records, Spin Twist e Blue Tunes, grandes gravadoras de destaque internacional. Sendo assim, não estranha nem um pouco o fato dele, hoje, circular entre grandes artistas do estilo e ter sua música tocada nos maiores festivais do mundo. Neste ano, mais uma vez o verão europeu e seus festivais contarão com Blazy, que tem tour agendada nos meses de julho e agosto. Neste primeiro fim de semana de julho, toca na França, onde apresenta-se no Son Libre Festival, em Cabrieres, e no Psygate, em Bordeaux.

Um de seus lançamentos mais recentes foi um bootleg de “Innerbloom”, do RÜFÜS DU SOL, o qual demonstra uma nova fase em sua carreira. “Hoje estou formando uma nova identidade, mais melódica e sentimental. E essa é uma música que me traz um sentimento único, tipo saudades de algo que nunca vivi, como se fosse uma vontade de viver. É difícil de explicar, mas nada no mundo me faz sentir algo parecido. Por isso, escolhi ‘Innerbloom’ como o pontapé inicial de apresentação desse novo capítulo”, contou o DJ à coluna.

Vídeo feito por Hector Moreira traz cenas das viagens de Blazy pelo mundo

O trio australiano RÜFÜS DU SOL, que surgiu como um dos proeminentes atos eletrônicos ao vivo do mundo, tem em “Innerbloom” um de seus maiores sucessos. Parte de Bloom, segundo álbum do trio australiano, a faixa de mais de nove minutos é um hit de 2016 que contribuiu para a ascensão do grupo aos grandes festivais do planeta. Sasha, H.O.S.H. e dezenas de artistas internacionais remixaram essa música, representando, então, um ainda maior desafio para Blazy em criar sua própria versão — obviamente, com a pegada do psy.

+ RÜFÜS DU SOL explora a dualidade em novo álbum

A ideia surgiu a partir da criação do produtor recifense e amigo Thrive, que publicou um bootleg de “Innerbloom” há dois anos. Foi aquela produção que serviu como base para o release atual. A vibração e emoção que o gaúcho adiciona a esse remix é de fazer a pista chorar enquanto dança cheia de lembranças. Essa atmosférica épica e melódica é quebrada bruscamente com o grave, que se impõe como que a transformar melancolia em motivação — uma das características principais de suas músicas.

Bootleg lançado há dois anos por Thrive serviu como base para o trabalho de Blazy

No final de maio, quando foi publicado no SoundCloud, o remix de Blazy foi a música de trance mais ouvida da semana, e um mês depois, ultrapassou os 200 mil plays. “Eu sempre tive vontade de remixar essa música, e descobri que o Thrive tinha feito uma versão dela alguns anos atrás. Então, falei com ele para recriar a versão dele e adicionar a minha interpretação da música”, continuou Blazy.

Na sua produção, o artista ainda acrescentou na introdução os vocais dos australianos Dustin Tebbutt e Lisa Mitchell — que já haviam gravado juntos um cover para a música —, enquanto a mixagem e masterização ficaram por conta de Rafael Jacondino.

* Nazen Carneiro assina a coluna LIFT OFF na Phouse.

MAIS LIDAS DA SEMANA