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Entrevista

Fotógrafo de Alok narra sua trajetória e dá dicas para o sucesso na área

Pedro Fialdini

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Alisson Demétrio é o quarto personagem da série “Click: a música por trás das câmeras”, que investiga o trabalho dos fotógrafos da cena eletrônica.

Pense você na ingrata tarefa encarada por um fotógrafo que se dedica ao mercado da música. Seu trabalho é registrar da melhor forma possível, de maneira visual, um espetáculo que é na sua maior parte auditivo. Como transmitir toda a energia de um momento, de uma batida, em uma simples imagem? Sem dúvida, não é um trabalho para qualquer um. Exige talento, dedicação e uma conexão profunda com a música.

Na era em que as redes sociais são instrumento fundamental para a propagação da música eletrônica, DJs, produtores, labels, eventos e todos os outros agentes da cena têm usado fortemente o apelo visual como forma de divulgação de seus trabalhos. Instagram, Facebook, Snapchat e outros são diariamente tomados por imagens estonteantes de grandes festas, palcos maravilhosos, viagens a lugares exóticos e tudo mais que puder ser capturado pela lente de uma câmera.

O que poucos param pra pensar é que por trás de cada uma dessas fotos, há um profissional que dedica sua vida a isso, a passar a mensagem da música eletrônica através da fotografia. Na série Click: a música por trás das câmerasvamos te apresentar, em cinco capítulos, alguns dos maiores nomes da fotografia no mercado da música eletrônica brasileira. Eles estão nos maiores eventos, trabalham com os principais artistas e enxergam a música como mais ninguém.

CAPÍTULO 4: Alisson Demétrio

O quarto episódio da série nos apresenta a um dos personagens em maior evidência no cenário atualmente. O catarinense Alisson Demétrio é sem dúvida alguma um dos principais nomes da fotografia dentro da cena, sendo conhecido principalmente pelo trabalho realizado junto a Alok, com quem viaja durante as turnês ao redor do mundo.

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O trabalho de Alisson, porém, não se resume à parceria com o DJ mais popular do Brasil. A lista de artistas com quem já trabalhou é interminável, reunindo outros grandes nomes da cena nacional e internacional. Além disso, ele também cobre festas e eventos e até mesmo artistas de fora da cena eletrônica, como no sertanejo. O fotógrafo também faz parte do projeto Image Dealers com nosso entrevistado anterior, Pepe.

Com uma das lentes mais cobiçadas do Brasil hoje em dia, o homem que venceu as barreiras da própria música eletrônica e hoje vê sua arte valorizada em todo o cenário musical não nos escondeu nada.

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O que veio primeiro: a paixão pela música ou pela fotografia? E como as duas se uniram?

Comecei a me interessar por “fotografia de balada” porque tinha um amigo de Santa Catarina, o Diego Machado, que estudava comigo e trabalhava com isso. Eu achava demais ter os acessos que ele tinha, então em 2008 comprei uma Canon Sx30 Superzoom. Quando ainda morava em Curitiba, dava pra ver a superfície da lua com ela, só não dava pra fazer foto boa à noite. Me mudei para Jundiaí em 2011, e em 2012 comecei a fotografar festas na cidade com essa mesma câmera, que era horrível pra festas noturnas.

As fotos ficavam granuladas demais, mas eu queria aquilo e tinha que começar de alguma forma. No ano seguinte comprei uma câmera melhor e um flash, e montei o 501 Fotos. Desenvolvi um logo — que era uma cópia descarada do logo do Rukes.com —, uniformes, cartões e uma página no Facebook para postar os trabalhos que fazia na noite.

As festas não tinham muita estrutura; mesmo assim, sempre procurava dar o meu melhor ali e fui sendo reconhecido por isso. Sempre li muito sobre a área e fiz alguns pequenos cursos. Olhava todas as fotos das minhas referências na época, como Rukes, Rudgr, Gui Urban e os I Hate Flash. Tentava copiar o estilo até encontrar o meu.

Em 2014, consegui um credenciamento de imprensa para fotografar na Tribe, em Itu. Todo o custo de ida, estacionamento e comida foi por minha conta. Falaram que eu não teria acesso aos palcos, mas com um pouco de educação você consegue coisas incríveis, e foi assim que conquistei a simpatia do tour manager do Martin Garrix. Na época, ele já era um fenômeno, e o manager me deixou sozinho no palco fazendo as fotos.

No final, me pediu um cartão e eu entreguei. No dia seguinte recebi um e-mail dele pedindo algumas fotos; mandei algumas e ele postou uma. Ter uma foto postada pelo Martin Garrix foi o ápice na minha carreira até então. No mês seguinte vi que o Alok iria tocar na Anzu pela primeira vez e mandei um inbox na página dele, perguntando se poderia fotografá-lo. Usei como portfólio de apresentação as fotos que fiz na Tribe e o surpreendi; ele aceitou e gostou muito das fotos que fiz, e estamos na estrada até hoje viajando juntos.

Como é trabalhar com grandes DJs e estar sempre viajando com eles?

É muito louco. Você viaja muito, fotografa em vários Estados e cidades no mesmo final de semana, dorme pouco, se alimenta mal, tem que entregar as fotos o mais rápido possível, mas no final sempre está feliz, realizado por fazer o que sempre almejou na carreira. Fazer parte desse meio é uma realização profissional muito grande. Você tem acessos que ninguém mais tem: pode estar ali no meio de todos os DJs que você curte, que é fã, conversar com eles, trocar ideias e contatos. Para mim, o networking que você pode construir, as pessoas que você pode conhecer e reencontrar os amigos que trabalham na área são as melhores partes.

Viajar com DJ é ser mais que fotógrafo. Você se torna um membro de uma família onde todos se ajudam e são preocupados uns com os outros. Já cansei de ter que invadir quarto pra acordar alguém que perdeu o horário, de organizar camarim, fãs pra tirar foto, logística, chegada, saída e resolver muitas outras coisas que vão além da função de fotografo, mas que eu amo fazer.

“Ter uma foto postada pelo Martin Garrix foi o ápice na minha carreira até então.”

Conte um pouco da sua rotina e dos principais desafios da profissão.

Esse trabalho definitivamente não tem uma rotina. Ele tem algo que costumo chamar de “rituais”, como ir para aeroporto, passar no raio-x, embarcar, desembarcar, pegar van, hotel, show… Cada show é diferente. Mesmo se você já fotografou aquele lugar antes, os acessos mudam, a estrutura muda. Tento sempre chegar bem antes do artista no evento, para fazer um reconhecimento de área, conversar com as pessoas que estão trabalhando no evento e principalmente conhecer os acessos, as passagens, os lugares e ângulos que irei fotografar.

Percorro todos os caminhos pelos quais irei passar na hora do show, para calcular tempo e para não ter surpresas na hora. Um lugar que sempre vou e uso para fotografar é a housemix, aquela “casinha” no meio da galera, onde ficam os técnicos de som, luz e efeitos. Ali consigo ter uma visão ampla do show e registrar momentos importantes, sem ninguém me empurrando ou derrubando bebida na minha câmera. Ter um tratamento cordial com todos que estão trabalhando no evento é essencial. Ser sempre educado, pedir licença e agradecer é o básico. Isso vai diferenciar você dos outros, e te facilitará algumas coisas.

Qual foi o momento mais curioso da sua trajetória?

Nesses anos de carreira a gente acumula muitas histórias, mas na mais recente, estávamos no camarim, Alok estava atendendo à imprensa e em certo momento ele pediu pra trocar de lugar comigo, para dar entrevista para um veículo local. Eu falei: “Pode deixar que eu dou a entrevista”.

Ele começou a rir e saiu de perto, e a entrevistadora não sabia quem era Alok. Comecei a responder todas as perguntas por ele: onde nasceu, o que estava achando da cidade… e tentando segurar a risada, porque todos estavam chorando de rir! Até que ele surgiu na frente da câmera falando que eu era um impostor. Fora outras vezes que tirei foto com pessoas achando que sou ele, mas depois a gente desmente pra pessoa não ficar triste.

“Viajar com DJ é ser mais que fotógrafo. Você se torna um membro de uma família onde todos se ajudam e são preocupados uns com os outros.”

Como você resumiria sua carreira até este momento?

O ano passado foi o melhor até agora. Pude fotografar os maiores festivais, grandes DJs, conhecer pessoas incríveis, conhecer novos países e culturas, tudo através da minha fotografia. É incrível ver esse resultado: de onde a arte pode te levar, mas que nem sempre foi fácil. É um longo caminho até aqui, e ainda uma longa estrada a percorrer. Você só precisa ter bem claro na sua mente onde você quer chegar, mas principalmente de onde você veio, a estrada que percorreu. Eu tenho muito pra percorrer ainda, muita coisa que ainda quero conquistar.

O começo foi difícil. Fotografei muita festa ruim, já trabalhei muitas vezes de graça pra pegar experiência, tomei vários calotes, fui barrado em várias festas. Já tive equipamento roubado, fotografei no barro, na chuva, no calor insuportável, já jogaram bebida em mim, no meu equipamento, mas acho que tudo isso foi necessário pro aprendizado. Hoje sei como me virar sozinho em qualquer situação.

Que dicas daria para quem está começando?

– Tenha um planejamento de carreira. Saiba qual é seu objetivo, onde quer chegar e o que quer fazer.

– Se você não tem um estilo de fotografia, copie quem você admira até desenvolver o seu. Não é vergonha nenhuma copiar quem é bom.

– Conheça pessoas e faça amizades, dos seguranças ao pessoal da limpeza dos banheiros. Todos esses contatos são importantes.

– Chegue cedo no evento, procure ângulos que ninguém procurou, não se acomode nunca. Ande muito, não fique parado muito tempo no mesmo lugar e nem perca muito tempo conversando com amigos; eles atrapalham muito.

– Não se preocupe com equipamentos e lentes. Isso não vai fazer sua fotografia ser melhor. Faça o melhor na condição que você tem, enquanto você não tem condições de fazer melhor ainda.

– Não pergunte se você pode entrar em um palco ou camarote. Apenas vá entrando; se mandarem voltar, volte. Esse conselho é muito errado, mas me ajudou muito.

– Programe com antecedência os festivais e as festas que você quer ir. Tente se credenciar bem antes, nunca deixe pra semana do evento. Se não conseguir contato, fale com organizadores e promoters.

– E o principal: seja humilde e educado, sempre.

Veja alguns cliques de Alisson Demétrio:

Confira os outros capítulos da série Click: a música por trás das câmeras.

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Entrevista

Produtora mais nova do mundo? Com apenas 10 anos, a DJ Rivkah tem chamado a atenção da cena nacional

Flávio Lerner

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Rivkah
Foto: Divulgação
Garota de Brasília cresceu rápido e virou atração entre grandes eventos e expoentes da cena eletrônica

Crianças prodígio costumam chamar a atenção no meio da música eletrônica pelo fator inusitado: ainda não é comum vermos gente tão nova discotecando profissionalmente, por razões óbvias que vão do fator ambiente [quase sempre mais adulto] à própria inserção no mercado de trabalho — passando ainda pelo fato de que um bom DJ requer uma boa bagagem musical, que por sua vez exige tempo de conhecimento e maturação.

Mas talvez o futuro breve nos reserve mais crianças que se destacam no ofício. Décadas após o A-Trak vencer o DMC, e poucos anos depois do “fenômeno” Arch Jnr, que ganhou reality na África com apenas três anos de idade — e que, vamos ser honestos, não parecia ter muita noção do estava rolando —, temos no Brasil mais um caso recente que vem atraindo cada vez mais olhares em uma velocidade impressionante: Rebecca Rangel, mais conhecida como DJ Rivkah [seu nome de batismo em hebraico].

Foto: Divulgação

A menina nasceu na Noruega, onde viveu até os seis anos de idade, mas tem cidadania brasileira e francesa, e hoje mora em Brasília com a mãe e o padrasto — “o maior incentivador e patrocinador de toda essa história”, segundo a mãe de Rebecca. Assim, com apenas dez anos, desde que decidiu abraçar de corpo e a alma essa carreira, vem chamando a atenção em eventos não só em sua cidade: no BRMC, que rolou nessa última semana, em São Paulo, Rivkah parecia onipresente, podendo ser vista a toda hora pelas salas em que se realizavam os painéis e circulando pelas áreas de lounge.

“A Rivkah sempre gostou muito de música, e já teve aulas de violino e teclado antes de virmos morar em Brasília. Desde os quatro anos ela já tinha música eletrônica no celular, em vez de músicas infantis. Ouvia muito Swedish House Mafia e Tiësto“, conta a orgulhosa mãe Valesca Rangel — constantemente presente ao lado da filha — em depoimento à Phouse. “Ela sempre pediu para ser DJ, e no ano passado eu a matriculei em um curso e acompanhei diariamente nas aulas. Um curso que duraria três meses ela terminou em apenas um!”

Na Praia, em Brasília, foi onde a Rivkah começou a chamar atenção

Logo, a menina já atraiu um dos tutores do curso, o DJ Sony, e ganhou a chance de tocar em um evento chamado “Na Praia”, que rolou entre junho e setembro, durante os finais de semana, na capital federal. “O DJ Sony deu a chance de a Rivkah tocar em um domingo à tarde, em um palco menor, e logo na primeira apresentação o espaço lotou. Rapidamente, foram muitas matérias em jornais e sites de Brasília. Ela explodiu rapidamente”, segue contando Valesca, que destaca que a filha já tem agenda fechada até outubro.

De fato, em conjunto com um trabalho forte de assessoria de imprensa, a menina saiu em diversas reportagens, de jornais locais a jornais do SBT. Assim, a família tratou de cuidar dos trâmites para que ela pudesse trabalhar legalmente, sempre com a presença de um adulto responsável — e Valesca não vê qualquer possibilidade da infância da filha ser prejudicada. “Fomos orientados pelo Conselho Tutelar a pedir um alvará na Vara da Infância, e assim foi feito. A Rivkah toca, se apresenta, mas não deixou de ser criança. Ela tem uma coleção de bonecas que é aumentada pelo menos duas vezes por ano, e gastamos com as bonecas talvez mais do que com equipamentos. Apesar de estar saindo enquanto as amigas estão ficando em casa, a maioria delas já está se relacionando com meninos, e a Rebecca nem pensa nisso ainda. Ela é madura para exercer seu dom, mas ainda é criança e se diverte como tal. A prioridade para ela é a escola, e ela está muito bem amparada psicologicamente.”

Foto: Divulgação

O fato de o ambiente da música eletrônica estar normalmente associado a uma embalagem mais adulta [noite, bebidas, drogas, sexo…] também não preocupa. “Para mim, a música eletrônica nunca remeteu a bebidas, drogas ou sexo, pois eu nunca bebi e sempre frequentei festas, raves e shows. Sou capaz de virar a noite sendo a pessoa mais feliz da festa bebendo Coca-Cola Zero (risos)! O primeiro evento em que a Rivkah participou foi o Na Praia, que tem um clima maravilhoso e muito familiar. Vende-se bebida da mesma forma que se vende bebida em qualquer praia brasileira. Os demais, em sua maioria, foram sunsets com censura livre em beach clubs, ou eventos em lojas, para famílias”, segue Valesca.

“Quando o evento é mais tarde, ela não tem contato com o público, a entrada de artista é diferenciada e ela fica em camarim ou área reservada. Quando não se apresenta, vamos em outros programas e assistimos com ela a atrações diversas. Na maioria das vezes, estamos no backstage ou camarote, que são ambientes mais reservados. Temos uma relação muito próxima, eu e ela, e a Rebecca realmente segue o dom de sua personalidade. Alok e Bhaskar cresceram dentro de festas rave, e quem conhece sabe que são muito bem criados e muito educados, de personalidade e caráter indiscutíveis.”

A dupla, aliás, é uma das maiores referências da garota, que cita o brazilian bass e o trance como suas principais vertentes. Outros nomes citados são Sevenn, Chemical Surf, Vintage Culture, JetLag, Capital Monkey, Skazi, Chapeleiro e Astrix — além de Guga Guizelini, do Make U Sweat, que a tem ajudado com dicas de produção musical. “Conhecer a Rivkah foi uma grata surpresa. Ela é super cativante, e não é apenas uma criança que gosta de música e de DJs — ela realmente sabe tocar, e bem! Tem presença de palco e arranca olhares surpresos o tempo inteiro! Certeza que se ela continuar apaixonada pelo que faz, tem um futuro brilhante pela frente”, afirmou o DJ.

Agora, a Rivkah quer ir ainda mais longe: depois de aulas de produção com Guga e outros nomes do cenário brasileiro, está finalizando a masterização de suas primeiras músicas, feitas em parceria com artistas de Brasília: uma collab com o DJ e produtor Icy Sasaki e uma canção com letra e voz de Babi Ceresa. A família já a está rotulando como a produtora mais nova do mundo, e pretende pleitear oficialmente esse título. “A assessoria dela e eu estamos preparando todas as evidências para requerer a quebra de recorde no Guinness, pois lá o produtor mais jovem do mundo é um menino de 12 anos”, complementa a mãe.

Com Guga Guizelini. Foto: Divulgação

Ainda é muito, muito cedo para saber se todo o hype em cima da menina irá se confirmar, e se ela de fato irá se tornar um big name nacional — ou mesmo se vai seguir a carreira como DJ e produtora depois de adulta. A essa altura, o que realmente importa é que Rebecca Rangel se divirta, sem muito compromisso.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Entrevista

Executivo próximo a Avicii fala sobre novo álbum, segredo do sucesso e comportamento peculiar do artista

Phouse Staff

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Lonely Together
Foto: Reprodução
O presidente da Geffen Records fez revelações importantes sobre os bastidores do trabalho com o músico

Neil Jacobson, presidente da Geffen Records — selo que lançava as músicas de Avicii —, deu uma entrevista bastante profunda e esclarecedora para Shirley Halperin, da Variety, logo após a morte do artista. Jacobson trabalhava como A&R de Avicii desde que fechou contrato com a Interscope (selo-mãe da Geffen) para “Levels”, e, portanto, era uma das pessoas mais próximas dele.

Na entrevista, o executivo revelou que um novo álbum estava muito perto de ser lançado, que conversou com o sueco dois dias antes da sua morte, e falou sobre como o enxergava como um músico genial, pioneiro e diferenciado, que tinha como grande trunfo a capacidade de criar grandes melodias.

Confira algumas das melhores declarações de Jacobson para a Variety, em tradução feita pela Phouse:

— Trabalhei com o Tim por muito tempo. Ele era o meu cara. […] Foi um grande amigo, um grande garoto. Tenho cuidado em não cometer exageros com essas declarações porque isso é algo fácil de se fazer quando alguém falece, mas pode falar com qualquer pessoa que o conheceu e vão te dizer que ele era um garoto bom e gentil.

— Tim era um artista original. […] Ele era muito consciente sobre o que estava rolando, e muito interessado em seguir um caminho diferente. […] Sempre tinha um pé no momento atual e o outro em algo completamente diferente e inesperado.

— A primeira vez que ouvi falar nele foi no Identity Festival, por volta de 2010. […] Escutei “Levels” e fiquei tipo, “caramba, isso é grande”. Era uma grande música, um grande sample, uma grande ideia, um grande drop. E você olhava pra ele e ele tinha aquele look incrível — a camisa xadrez, o cabelo loiro, a grande música. Tinha um ar de que você não podia chegar perto dele, e esse mistério foi mantido no primeiro ano, quando “Levels” não parava de crescer. Foi o grande surgimento da EDM, a dance music moderna, e ele surfou aquela onda como um profissional. Ele estava bem em frente a ela.

— O grande lance do Tim era o seu senso incomum para melodias — do tipo que grudam na sua cabeça. […] Seu ingrediente secreto era a sua melodia. O seu entendimento sobre ela, como identificá-la. Ele sempre escolhia a correta, sempre sabia como dirigir os cantores, em como eles deveriam entrar e sair de cada vocal. Ninguém fazia o que o Tim fazia, e eu acho que é por isso que ele seguiu tendo hit atrás de hit.

— [Sobre o novo álbum]: Estávamos trabalhando nele, e era o melhor material do Avicii em anos, pra ser sincero. […] Ele estava muito inspirado e empolgado. Tivemos um mês de sessões no estúdio, e tínhamos que delimitar horários de encerramento, porque se deixasse, o Tim ia trabalhar por 16 horas seguidas, era a natureza dele. Você tinha que tirá-lo disso, tipo: “Tim, vamos lá, vai dormir, descanse um pouco”. É uma tragédia. Tínhamos esse músico incrível, mágico.

— [Sobre o futuro do álbum]: Não faço ideia do que vai ser agora. Vou dar um tempo e trocar uma ideia com a família dele, depois que as coisas se acalmarem. […] Vamos tentar pegar alguma recomendação da família e então trabalhar pra fazer algo que ele gostaria que fizéssemos.

— [Sobre colaborações no álbum]: Sim, há algumas. Prefiro não dizer quem são. O Tim tinha uma lista de pessoas com quem ele gostaria de trabalhar nesse disco. Na verdade essa foi a última coisa que conversamos, dois dias antes [da morte do artista]. É meio assustador.

— Sim, ele era um perfeccionista, um workaholic. Até que ele fosse para o lado oposto. Por que ele estava em Omã? Eu estava, tipo: “Tim, onde fica Omã? Eu nem faço ideia”. E ele: “Eu vou pra Omã. Vai ser divertido”. Este era ele: trabalhava muito forte e então dava meia volta como se fosse um piloto de guerra.

— Quando estávamos lançando o último EP — porque nós conversamos muito sobre o futuro da música, sobre não ser mais sobre álbuns nem singles, e por isso decidimos lançar em pequenos blocos —, logo antes de termos tudo pronto e entregue, eu ficava martelando na cabeça dele todos os dias. Como o cara do A&R, eu preciso ter o disco pronto. De repente, ele pega um avião e vai pra Machu Picchu. Não tivemos notícias por três dias. E aí ele posta um vídeo de uma lhama no Instagram com “Friend of Mine” tocando ao fundo. Claro, ele estava certo. Seus fãs enlouqueceram, aquilo viralizou na internet, virou o trending topic número um em tudo que é canto. Promoveu perfeitamente o disco de Machu Picchu. Este era ele. Tipo: “Sério, Tim? Uma lhama?”

— [Sobre voltar a fazer shows]: Volta e meia a gente tocava no assunto. “E se você fizesse esse show?” Ele respondia: “Não, não, não. Não vou voltar a tocar, mas se eu fosse fazer algo, provavelmente seria aparecer de surpresa num clube underground, só pela diversão”. Ele sentia falta disso, de discotecar. Ele amava a dance music. Você quer enlouquecer? Vá para o meio dos fãs em um show do Avicii. Ele entendia o fluxo e o refluxo de um set, como fazer as pessoas dançarem, como diminuir a intensidade e depois trazer elas de volta. Você acabaria chorando durante três quartos do show e sem saber por quê. Era isso que ele fazia, esse era o seu talento.

— Se o Avicii voltasse a tocar em um ou dois anos, acredito que o cachê seria um número de sete dígitos, só pra começar. Tem tantas pessoas que gostariam de vê-lo, de dançar e enlouquecer num show dele. Teria sido lindo.

— [Sobre os problemas de saúde e especulações de abuso de drogas]: Não posso falar muito sobre isso porque eu não sei. Posso dizer o seguinte: se algum desses rumores fosse verdade, acho que eu teria visto algo. E por mais que eu estivesse o tempo todo em volta dele, nunca vi nada disso. Ele não fazia festa. Ia para um clube para ouvir o DJ.

— [Respondendo sobre o que mais vai sentir falta na ausência do Avicii]: Não vou sentir falta dele me ligando às 04h15 da madrugada (risos). Ele não entendia o tempo, não fazia sentido pra ele. Era uma pessoa noturna, e não compreendia os limites dessa questão. Só posso falar sobre sua música e sua força criativa no estúdio. Seu respeito pela arte, pela criatividade. Ele lutou para ser um grande artista. Nunca foi algo como “essa música já está boa, vamos embora”. Tinha que ser excelente, e eu vou sentir falta disso.

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Em novo e emocionado depoimento, família indica que Avicii cometeu suicídio

Phouse Staff

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Avicii suicídio
Foto: Reprodução
Família Bergling soltou novo comunicado para o público nesta quinta-feira

Dois dias depois de soltar seu primeiro comunicado para a imprensa, a família de Avicii voltou a falar — e desta vez, a mensagem foi bem mais reveladora. No novo comunicado, ao dizer que o músico “não conseguiu ir além” e “queria encontrar paz”, a família Bergling dá a entender que o DJ teria cometido suicídio.

Confira o depoimento na íntegra, em tradução livre feita pela Phouse:

Estocolmo, 26 de abril de 2018

Nosso amado Tim estava em busca de algo. Era uma alma artística frágil que procurava encontrar respostas para questões existenciais. 

Um perfeccionista que viajou e trabalhou duro em um ritmo que levou a um estresse extremo.

Quando ele parou com as turnês, queria encontrar um equilíbrio na vida entre ser feliz e conseguir fazer o que ele mais amava — música.

Ele realmente enfrentou muitos pensamentos sobre sentido, vida e felicidade.

Ele não conseguiu ir além.

Ele queria encontrar paz.

O Tim não foi feito para a máquina de negócios em que ele acabou se encontrando; era um cara sensível que amava seus fãs, mas evitava os holofotes.

Tim, você será amado para sempre, e deixa muitas saudades.

A pessoa que você era e a sua música vão manter sua memória viva.

Nós te amamos,

Sua família.

Tim deixa seus pais, Klas e Anki, seus dois irmãos, Anton e David, e sua irmã, Linda. O músico foi encontrado sem vida na sexta-feira passada (20), no Muscat Hills Resort, em Omã.

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