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Entrevista

“Cocada”: artistas revelam bastidores da conceituada compilação

Jonas Fachi

Publicado em

09/03/2018 - 16:11
Cocada
Leo Janeiro (Foto: Divulgação)
Leo Janeiro reuniu um timaço de artistas brasileiros para produzir a nova coletânea da Get Physical

Lançada em 18 de fevereiro, a compilação Cocada tem reverberado por todo o país e mundo afora por aliar valorização de talentos locais à autenticidade sempre notável de seu mentor, Leo Janeiro. Através de uma parceria inédita com um dos selos mais respeitados do planeta — Get Physical —, Leo selecionou uma série de mais de 15 artistas nacionais para propor sonoridades com algum perfil contemplativo e de menor energia, em que os detalhes técnicos e arranjos menos voltados ao dancefloor tinham base comum.

Entretanto, olhando para as classificações designadas pelo Beatport, pode-se encontrar trabalhos que vão desde deep house e house progressivo até techno e minimal. Contudo, as faixas tiveram um sentido harmônico com o Continuous Mix feito por seu idealizador.

+ Com inéditas de brasileiros, Steyoyoke lança compilação especial

A grande missão da coletânea era servir como uma espécie de link para novos artistas a um selo mundialmente conhecido, os colocando ainda ao lado de outros produtores consagrados de nosso país, como Digitaria e HNQO. A Phouse foi buscar saber um pouco mais desse projeto através do olhar de alguns dos participantes, além de um depoimento do próprio Leo sobre os bastidores do projeto. Confira abaixo alguns artistas escolhidos, que gentilmente nos concederam algumas palavras sobre seus processos de criação em estúdio.

Bruce Leroys

Nosso objetivo em toda música que compomos é que ela vá direto para o case dos DJs. Majoritariamente, fazemos música para o dancefloor. Essa faixa [“Rev is out”] foi a primeira lançada em nossa história que não fizemos a própria master, então focamos tudo na mix para que a master pudesse interferir o mínimo possível no que queríamos de resultado.

Nela, usamos várias camadas de instrumentos para tentar recriar os acordes de filtered house no lugar de usarmos samples de disco. A “Rev is out” resume um pouco da nossa busca por uma sonoridade clássica e atemporal. O nome se inspirou no sample que usamos do discurso clássico de Gil Scott-Heron sobre uma revolução mais subliminar fora das televisões. A “Rev is Out” traduz bem o nosso momento criativo, técnico e pessoal.

Flow & Zeo

Não temos uma regra para o nosso processo criativo. Cada música é uma história diferente… Às vezes a inspiração surge de uma melodia, de um groove, de outra música, enfim, de diversas maneiras. No caso da “Maresia” em especial, demos início ao trabalho já pensando na compilação Cocada. Por ser um projeto somente com artistas nacionais, buscamos dar uma brasilidade ao som que estávamos criando, com elementos de groove percussivo, melodias leves e astral pra cima, trazendo uma atmosfera bem tropical.

Digitaria

Para fazermos esse remix foi muito divertido e ao mesmo tempo foi um grande desafio. O original que recebemos era uma música regional brasileira, devia ter mais ou menos uns 70 BPM, tivemos que quebrar a cabeça durante dias pra entendermos como iríamos transpor a vibe dela para algo que tivesse um pouco da nossa cara. Além disso, estávamos no meio de uma tour longa e consequentemente longe do nosso estúdio — tivemos que compor e mixar em estúdios na Ásia e no Brasil.

Foi um processo um pouco mais complicado que a média, mas extremamente prazeroso e recompensador. Tem também o prazer de trabalhar com amigos e produtores do Brasil, já que não moramos mais aí. Ficamos extremamente felizes de ver uma compilação como essa tomando corpo num selo tão foda. Respeito máximo!

Hauy

“Redpath” é o nome da rua em que moro e tenho meu estúdio em Toronto, onde a faixa foi produzida. Sobre a criação, minhas músicas, geralmente, têm muitos elementos e bastante informação. Em “Redpath”, tentei pensar simples e fazer um som mais clean, com uma única melodia e (quase) um só timbre, mas que ele fosse crescendo gradualmente e se expandindo até se fragmentar. Se eu pudesse citar uma inspiração, falaria que foi um set do Atish gravado no Stereo Montreal, em que a maioria das faixas também eram focadas em um único timbre, com bastante groove e variações.

Mumbaata

Para nós é uma grande realização participar desse projeto com artistas brasileiros, principalmente por assinarmos duas faixas nessa coletânea. Na “Blaze”, em parceria com Leo Janeiro, utilizamos alguns instrumentos orgânicos que gravamos na casa do percussionista Leandro Negro. Por outro, lado na “BR-116”, com Andre Salata, buscamos uma estética sintética e distorcida, usando e abusando de efeitos e pedais.

Nuno Deconto

Certo dia comecei uma jam com Korg Minilogue junto com a TR-09. Depois de várias gravações, fiquei tocando, adicionando elementos e mixando por dias. Resultou numa track com teclas cintilantes e neon sintetizadores em fluxo contínuo com uma bateria hipnótica, exatamente como eu queria: deep, hipnótico e futurista. A faixa “Raizes” resultou no meu primeiro release, depois de anos produzindo.

Rodrigo Ferrari

“10PM” não foi criada para a compilação. Na verdade ela já estava comprometida para meu próximo EP, era o que estava saindo do forno quando Leo me solicitou para o release. O processo de criação da faixa não foi diferente do que estou acostumado a fazer: beats e basslines primeiro, criando um groove e a partir daí complementos de melodia, harmonia, efeitos e automações. Apesar de apostar muito no potencial da faixa, achei que talvez não fosse coerente para a proposta do label. Fiquei contente com o retorno positivo de todos e me propus a fazer alguns ajustes finais, como o synth que é bem marcante na volta dos breaks, deixando-a redonda! O resultado está aí, Top #40 no segmento pelo Beatport com poucos dias de venda. Go Cocada!

Afternude

“Tribal Syndrome” é uma track muito especial para nós. Desenvolvida a partir de um vocal indígena, usamos uma introdução melódica que transmite uma positividade inigualável, levando o público a uma completa imersão em seu clima extremamente vibrante.

Lacozta

“Plano” foi feita a partir de uma base que o Daniel fez e levou para o Laércio [L_cio] para finalizarem juntos. Aliás, esse é o processo que o Lacozta tem utilizado nas últimas produções. A track tem esse nome porque nesse dia fizemos um plano para que o projeto virasse. Vai ou racha. Tá indo!

HNQO

O elemento inicial da “Sorrow” foi um ritmo percussivo gravado à mão em um violão, utilizando um capotraste para travar um acorde e obter a ressonância da caixa acústica no tom deste acorde. As melodias foram criadas com base nessa percussão, que dita o ritmo da faixa do início ao fim.

Renato Ratier

Cocada foi um projeto muito desejado e estou muito contente de fazer parte 
desta bela criação artística. Falando sobre a minha track, ela traz linhas fortes do piano com pads ácidos do techno, criando uma atmosfera profunda na pista. A maior influencia é sempre o mix entre as diversas noites do club, entre as várias culturas e estilos musicais. Como meu background é bastante diversificado, isso transborda na parte criativa, e espero ter trazido algo interessante para a compilação. 

Cocada

Leo Janeiro está em tour com o projeto pelo país e conversou com a Phouse por telefone para contar um pouco sobre todas as fases do projeto Cocada.

Desenvolvimento:

“Um processo longo, cansativo, mas ao mesmo tempo muito bacana, porque te coloca em contato com diversas oportunidades, diferentes tipos de artistas, e você acaba também tendo um panorama geral do que vem sendo feito pelos artistas nacionais”.

Seleção:

“Recebemos muitas coisas legais, porém não tínhamos como inserir tudo. Tentamos fazer algum tipo de peneira, pra poder ter realmente somente as músicas que acreditávamos. O processo foi feito sempre respeitando o que cada um achava. A nível de parceria, foi muito legal, pois eles [Get Physical] deram total carta branca pra eu poder trazer tudo, e todos ouvirem juntos nas estratégias”.

Lançamento:

“Foi muito bom. As músicas estão nos charts de vários DJs. Alguns artistas estão se destacando. O CD que vamos distribuir nas festas da tour — que já está acontecendo — está lindo”.

Continuidade:

“Agora trabalhar para os próximos anos, para a gente continuar tendo bons artistas, continuar trabalhando de forma legal, e que a compilação possa fazer essa conexão do Brasil com o resto do mundo, e em especial que ela possa ajudar novos artistas a terem uma oportunidade de mostrar sua música”.

Resultados:

“Pra fechar, o mais importante dessa compilação é uma portinha que a gente abre e que é bem interessante por vermos o entusiasmo do pessoal da Get Physical com todo projeto. Isso tudo foi feito em uma parceria muito forte e agora dá frutos ao que fizemos”.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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LIFT OFF

Infected Mushroom brinda fãs com novo álbum cheio de energia

“Head of NASA and the 2 Amish Boys” segue a linha “raiz” do disco anterior

Nazen Carneiro

Publicado há

Infected Mushroom
Foto: Reprodução
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Passadas duas décadas, o Infected Mushroom continua sendo o projeto de psytrance mais vendido do mundo. Em 2017, Return to the Sauce marcou o retorno da dupla às suas raízes, e agora o novo álbum — Head of NASA and the 2 Amish Boys, primeiro lançamento pela gravadora Monstercat — segue essa linha.

“Quase um ano e meio de trabalho foi aplicado na construção desse álbum. Acreditamos que o disco seja um marco em nossa carreira”, afirmaram Amit Duvdevani e Erez Elsen para a imprensa. A primeira faixa, “Bliss with Mushrooms”, tem dez minutos de puro psy, e é fruto de mais uma colaboração com Bliss. Na sequência, “Guitarmass” — como o nome já indica — traz a guitarra, marca registrada de ambos os artistas, além de plugins exclusivos dos “cogumelos infectados” a 145 BPM.

Dando nome ao álbum, “Head of NASA” tem uma atmosfera sci-fi e espacial, e está ligada a “uma brincadeira sobre alguns dos membros da nossa equipe, que acabou evoluindo para uma história complexa de ficção científica, que por sua vez levou a esse conceito espacial do álbum”, conforme a própria dupla revelou à Billboard Dance. Já “Chenchen Barvaz” faz referência aos timbres utilizados, que remetem aos grasnados dos patos (“barvaz” significa pato em hebraico).

Todas essas faixas estão tocando mundo afora, mas “Walking on the Moon” tem destaque especial. Inspirada no estilo brasileiro capitaneado por Alok, o brazilian bass — o que é abertamente admitido pela dupla —, o som contém uma estrutura forte, algo incomum para o Infected. Além disso, “Walking on the Moon” foi incluída no jogo Rocket League Vs Monstercat, o que trouxe novos ouvintes ao som do duo.

“Here We Go Go Go” traz melodias profundas — mesmo —, e segundo os artistas, se encaixa muito bem tanto no início quanto no final dos seus sets. Finalizando o álbum, uma track muito especial que mostra a diversidade e abertura da dupla para a experimentação. “Lost in Space” tem a colaboração do rapper israelense Tuna e da girl band A-WA, e combina três idiomas: inglês, hebraico e árabe. Mistura e inovação sem esquecer as raízes — a cara do Infected Mushroom!

Nazen Carneiro é colaborador da Phouse.

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Review

“Pedra Preta”, o 1º álbum do Teto Preto, é um grito de resistência

O celebrado grupo do underground paulistano mostra sua maturidade artística em seu primeiro full lenght

Alan Medeiros

Publicado há

Pedra Preta
Foto do clipe de "Pedra Preta": Reprodução/Facebook

Nos últimos anos, São Paulo se transformou em um caldeirão cultural com uma chama multicolorida a iluminar um mar de ideias brilhantes. Nesse cenário, diversas mentes criativas surgiram, mostraram a que vieram e se tornaram referência para uma série de iniciativas que passaram a pipocar pelo país. No olho desse furacão, exercendo posição de protagonismo, lá estava a Mamba Negra e, consequentemente, o Teto Preto.

A relação entre festa e grupo é intrínseca. O Teto Preto nasceu na pista da Mamba e obviamente foi criado por frequentadores e entusiastas da festa. Nesse processo, o grupo foi decisivo para construção do perfil sonoro que tanto marcou a Mamba Negra frente ao seu público. Muito além da música, estamos falando de arte em diferentes camadas — estamos falando de representatividade. A festa representa a banda, a banda representa a festa. Por sua vez, o público se sente fortemente representado por ambos.

Os primeiros trabalhos do Teto Preto foram lançados pelo selo da Mamba, o MAMBA rec, em 2016. O EP Gasolina foi prensado em vinil com duas faixas extremamente marcantes: “Já Deu Pra Sentir” e “Gasolina”. O resultado? Dois hits históricos para jornada do grupo. Na sequência, um hiato de dois anos até “Bate Mais”, single em antecipação ao Pedra Preta, primeiro álbum de estúdio completo da banda, que chegou às plataformas digitais neste mês com oito faixas, sendo sete originais e inéditas.

 

Pedra Preta reflete a atual maturidade artística de seus compositores, mas não deixa a chama da ousadia e irreverência se apagar. Novamente, não se trata apenas de música: Laura Diaz (Carneosso), Loic Koutana, Pedro Zopelar, Savio de Queiroz e William Bica promovem um grito de resistência ao longo de todas as faixas que formam o full lenght. A atmosfera densa do disco dita o ritmo de uma narrativa longa e inteligente, que aborda assuntos como a tragédia do Museu Nacional neste ano.

Por falar em “Pedra Preta”, vale ressaltar que a faixa-título do álbum também ganhou um clipe. Lançado ontem, 22, e com duração de mais de oito minutos, o vídeo dirigido por Rudá Cabral, Laura Diaz e Joana Leonzini traz um storytelling denso e aberto a interpretações, mas com uma clara crítica ao conservadorismo da sociedade brasileira e honrosa menção ao perfil de público da Mamba Negra — o trabalho foi coproduzido pela MAMBA rec em parceria com a Planalto. Sem dúvida alguma, Pedra Preta é uma vitória importante para a sobrevivência da cultura eletrônica de vanguarda no Brasil.

  

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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ESPECIAL

Tha_guts e o som envolvente que rege o selo da Gop Tun

Produtor gaúcho é uma boa mostra do amadurecimento da Gop Tun Records

Alan Medeiros

Publicado há

Gop Tun Records
Tha_guts. Foto: Divulgação

Neste mês de novembro, o coletivo paulistano Gop Tun celebrou seis anos de uma história construída muito em cima da seriedade com que o coletivo paulistano trata seus projetos artísticos, dentro e fora da pista. Referência na cena house/disco brasileira, o atual patamar do projeto permite que algumas de suas iniciativas sejam encaradas como formadoras de opinião.

Para isso, uma das principais ferramentas do núcleo é a Gop Tun Records, gravadora que possui um catálogo ainda enxuto em número de releases, mas que em 2018 e principalmente 2019, deve ser expandido através de uma intensificada no cronograma. Até então, cada ano tinha entre um e dois lançamentos. Neste ano, foi observado um aumento no fluxo, já que até aqui, três releases ganharam a luz do dia através da plataforma criada pelo coletivo paulistano.

+ Orgânica e ecumênica: uma história oral da Gop Tun

Atualmente, o time de artistas que compõe o quadro de lançamentos do selo é composto por residentes da Gop, por nomes de forte influência frente à indústria nacional (como Renato Cohen) e algumas mentes brilhantes de outras partes do mundo, como HNNY, Prins Thomas e Lauer.

Para os próximos meses, Bruno Protti (aka TYV) e Gui Scott, duas das cabeças pensantes da gravadora, contam que haverá uma expansão no time de artistas, com mais nomes brasileiros e sul-americanos entrando para o casting da label. Sem a pressão de obrigatoriamente pensar em vinil, a Gop Tun Records se mostra mais apta para apostas e ousadias em seu programa de lançamentos.

+ Um papo com os caras da Gop Tun, que estão trazendo o Dekmantel a São Paulo

O último EP da gravadora foi assinado pelo produtor gaúcho Tha_guts, um novo nome frente a geração atual de produtores brasileiros. Guto Pereira, mente por trás do projeto, entregou à Gop um release denso e repleto de referências distintas que se revelam ao longo das cinco faixas originais. O trabalho sucede Plastic Noise, disco que o revelou para o cenário da eletrônica brasileira. Após o full lenght lançado de maneira quase que independente, Guto decidiu se aproximar da música eletrônica de pista em suas jams de estúdio, e o resultado foi esse belíssimo trabalho lançado pelo selo do coletivo.

Ao ouvir as faixas de Mirror, é possível entender essa complexidade envolvente que tange o trabalho do coletivo paulistano em seus mais diversos projetos. Tal fato dá autoridade para que o núcleo e os artistas envolvidos em suas festas e seus releases possam se desenvolver de forma assertiva. Além das cinco faixas originais, Guto também assinou um futuro single com a gravadora, que deve ser trabalhado somente no segundo semestre de 2019. Enquanto isso não acontece, ouça na íntegra o seu mais recente lançamento:

  

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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