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Entrevista

“Cocada”: artistas revelam bastidores da conceituada compilação

Jonas Fachi

Publicado há

Cocada
Leo Janeiro (Foto: Divulgação)
Leo Janeiro reuniu um timaço de artistas brasileiros para produzir a nova coletânea da Get Physical

Lançada em 18 de fevereiro, a compilação Cocada tem reverberado por todo o país e mundo afora por aliar valorização de talentos locais à autenticidade sempre notável de seu mentor, Leo Janeiro. Através de uma parceria inédita com um dos selos mais respeitados do planeta — Get Physical —, Leo selecionou uma série de mais de 15 artistas nacionais para propor sonoridades com algum perfil contemplativo e de menor energia, em que os detalhes técnicos e arranjos menos voltados ao dancefloor tinham base comum.

Entretanto, olhando para as classificações designadas pelo Beatport, pode-se encontrar trabalhos que vão desde deep house e house progressivo até techno e minimal. Contudo, as faixas tiveram um sentido harmônico com o Continuous Mix feito por seu idealizador.

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A grande missão da coletânea era servir como uma espécie de link para novos artistas a um selo mundialmente conhecido, os colocando ainda ao lado de outros produtores consagrados de nosso país, como Digitaria e HNQO. A Phouse foi buscar saber um pouco mais desse projeto através do olhar de alguns dos participantes, além de um depoimento do próprio Leo sobre os bastidores do projeto. Confira abaixo alguns artistas escolhidos, que gentilmente nos concederam algumas palavras sobre seus processos de criação em estúdio.

Bruce Leroys

Nosso objetivo em toda música que compomos é que ela vá direto para o case dos DJs. Majoritariamente, fazemos música para o dancefloor. Essa faixa [“Rev is out”] foi a primeira lançada em nossa história que não fizemos a própria master, então focamos tudo na mix para que a master pudesse interferir o mínimo possível no que queríamos de resultado.

Nela, usamos várias camadas de instrumentos para tentar recriar os acordes de filtered house no lugar de usarmos samples de disco. A “Rev is out” resume um pouco da nossa busca por uma sonoridade clássica e atemporal. O nome se inspirou no sample que usamos do discurso clássico de Gil Scott-Heron sobre uma revolução mais subliminar fora das televisões. A “Rev is Out” traduz bem o nosso momento criativo, técnico e pessoal.

Flow & Zeo

Não temos uma regra para o nosso processo criativo. Cada música é uma história diferente… Às vezes a inspiração surge de uma melodia, de um groove, de outra música, enfim, de diversas maneiras. No caso da “Maresia” em especial, demos início ao trabalho já pensando na compilação Cocada. Por ser um projeto somente com artistas nacionais, buscamos dar uma brasilidade ao som que estávamos criando, com elementos de groove percussivo, melodias leves e astral pra cima, trazendo uma atmosfera bem tropical.

Digitaria

Para fazermos esse remix foi muito divertido e ao mesmo tempo foi um grande desafio. O original que recebemos era uma música regional brasileira, devia ter mais ou menos uns 70 BPM, tivemos que quebrar a cabeça durante dias pra entendermos como iríamos transpor a vibe dela para algo que tivesse um pouco da nossa cara. Além disso, estávamos no meio de uma tour longa e consequentemente longe do nosso estúdio — tivemos que compor e mixar em estúdios na Ásia e no Brasil.

Foi um processo um pouco mais complicado que a média, mas extremamente prazeroso e recompensador. Tem também o prazer de trabalhar com amigos e produtores do Brasil, já que não moramos mais aí. Ficamos extremamente felizes de ver uma compilação como essa tomando corpo num selo tão foda. Respeito máximo!

Hauy

“Redpath” é o nome da rua em que moro e tenho meu estúdio em Toronto, onde a faixa foi produzida. Sobre a criação, minhas músicas, geralmente, têm muitos elementos e bastante informação. Em “Redpath”, tentei pensar simples e fazer um som mais clean, com uma única melodia e (quase) um só timbre, mas que ele fosse crescendo gradualmente e se expandindo até se fragmentar. Se eu pudesse citar uma inspiração, falaria que foi um set do Atish gravado no Stereo Montreal, em que a maioria das faixas também eram focadas em um único timbre, com bastante groove e variações.

Mumbaata

Para nós é uma grande realização participar desse projeto com artistas brasileiros, principalmente por assinarmos duas faixas nessa coletânea. Na “Blaze”, em parceria com Leo Janeiro, utilizamos alguns instrumentos orgânicos que gravamos na casa do percussionista Leandro Negro. Por outro, lado na “BR-116”, com Andre Salata, buscamos uma estética sintética e distorcida, usando e abusando de efeitos e pedais.

Nuno Deconto

Certo dia comecei uma jam com Korg Minilogue junto com a TR-09. Depois de várias gravações, fiquei tocando, adicionando elementos e mixando por dias. Resultou numa track com teclas cintilantes e neon sintetizadores em fluxo contínuo com uma bateria hipnótica, exatamente como eu queria: deep, hipnótico e futurista. A faixa “Raizes” resultou no meu primeiro release, depois de anos produzindo.

Rodrigo Ferrari

“10PM” não foi criada para a compilação. Na verdade ela já estava comprometida para meu próximo EP, era o que estava saindo do forno quando Leo me solicitou para o release. O processo de criação da faixa não foi diferente do que estou acostumado a fazer: beats e basslines primeiro, criando um groove e a partir daí complementos de melodia, harmonia, efeitos e automações. Apesar de apostar muito no potencial da faixa, achei que talvez não fosse coerente para a proposta do label. Fiquei contente com o retorno positivo de todos e me propus a fazer alguns ajustes finais, como o synth que é bem marcante na volta dos breaks, deixando-a redonda! O resultado está aí, Top #40 no segmento pelo Beatport com poucos dias de venda. Go Cocada!

Afternude

“Tribal Syndrome” é uma track muito especial para nós. Desenvolvida a partir de um vocal indígena, usamos uma introdução melódica que transmite uma positividade inigualável, levando o público a uma completa imersão em seu clima extremamente vibrante.

Lacozta

“Plano” foi feita a partir de uma base que o Daniel fez e levou para o Laércio [L_cio] para finalizarem juntos. Aliás, esse é o processo que o Lacozta tem utilizado nas últimas produções. A track tem esse nome porque nesse dia fizemos um plano para que o projeto virasse. Vai ou racha. Tá indo!

HNQO

O elemento inicial da “Sorrow” foi um ritmo percussivo gravado à mão em um violão, utilizando um capotraste para travar um acorde e obter a ressonância da caixa acústica no tom deste acorde. As melodias foram criadas com base nessa percussão, que dita o ritmo da faixa do início ao fim.

Renato Ratier

Cocada foi um projeto muito desejado e estou muito contente de fazer parte 
desta bela criação artística. Falando sobre a minha track, ela traz linhas fortes do piano com pads ácidos do techno, criando uma atmosfera profunda na pista. A maior influencia é sempre o mix entre as diversas noites do club, entre as várias culturas e estilos musicais. Como meu background é bastante diversificado, isso transborda na parte criativa, e espero ter trazido algo interessante para a compilação. 

Cocada

Leo Janeiro está em tour com o projeto pelo país e conversou com a Phouse por telefone para contar um pouco sobre todas as fases do projeto Cocada.

Desenvolvimento:

“Um processo longo, cansativo, mas ao mesmo tempo muito bacana, porque te coloca em contato com diversas oportunidades, diferentes tipos de artistas, e você acaba também tendo um panorama geral do que vem sendo feito pelos artistas nacionais”.

Seleção:

“Recebemos muitas coisas legais, porém não tínhamos como inserir tudo. Tentamos fazer algum tipo de peneira, pra poder ter realmente somente as músicas que acreditávamos. O processo foi feito sempre respeitando o que cada um achava. A nível de parceria, foi muito legal, pois eles [Get Physical] deram total carta branca pra eu poder trazer tudo, e todos ouvirem juntos nas estratégias”.

Lançamento:

“Foi muito bom. As músicas estão nos charts de vários DJs. Alguns artistas estão se destacando. O CD que vamos distribuir nas festas da tour — que já está acontecendo — está lindo”.

Continuidade:

“Agora trabalhar para os próximos anos, para a gente continuar tendo bons artistas, continuar trabalhando de forma legal, e que a compilação possa fazer essa conexão do Brasil com o resto do mundo, e em especial que ela possa ajudar novos artistas a terem uma oportunidade de mostrar sua música”.

Resultados:

“Pra fechar, o mais importante dessa compilação é uma portinha que a gente abre e que é bem interessante por vermos o entusiasmo do pessoal da Get Physical com todo projeto. Isso tudo foi feito em uma parceria muito forte e agora dá frutos ao que fizemos”.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

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Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Parceria entre Boiler Room e Ballantine’s retorna ao Brasil em novo projeto

Flávio Lerner

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Boiler Room São Paulo
Foto: Reprodução
Série “Hybrid Sounds” mescla artistas eletrônicos com nomes orgânicos 

Juntos há cinco anos, Boiler Room e a marca de uísque Ballantine’s já montaram projetos ousados e incríveis no cenário musical. A partir de 2016, a união foi ainda mais longe com o lançamento da série Stay True, que visitava diversos países com lineups cuidadosamente curados para celebrar a cultura de cada nacionalidade. Naquele ano, tivemos nada menos que o Boiler Room Stay True Brazil — o lendário Boiler Room de Recife, que fez história em nosso país. Em 2017, a parceria voltou rebatizada como True Music, trazendo nomes como Seth Troxler e Little Louie Vega a Salvador, junto a expoentes brazucas como Fatnotronic e Renato Ratier, e agora, em 2018, a Stay True traz seu novo projeto, Hybrid Sounds, para São Paulo.

A proposta da Hybrid Sounds é trazer lives inéditos e inesperados, colocando no mesmo palco artistas de música eletrônica com projetos acústicos, que provavelmente nunca se encontrariam em outra oportunidade. Em SP, isso será visto através do conceituado grupo do underground paulistano Teto Preto, que tocará em conjunto com a produtora berlinense rRoxymore. Expoente da Chicago house, Derrick Carter é o headliner do evento, enquanto a MC Linn da Quebrada e o cantor e compositor Tom Zé — um dos grandes nomes da música brasileira — completam o lineup.

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Em local ainda mantido em segredo, o Boiler Room True Music: Hybrids Sounds São Paulo rola no dia 23 de maio, uma quarta-feira, e terá transmissão ao vivo pela plataforma, como de praxe. O evento sucede as edições que rolaram em Moscou e em Beirut, no Líbano, e antecede a edição de Valência, na Espanha, que encerra o projeto. Ao final, um EP da série Hybrid Sounds será lançado, com faixas inéditas dos artistas que colaboraram em cada região (Teto Preto X rRoxymore em SP; Overmono X Solo Operator em Moscou; Dollkraut X Zeid & Maii em Beirut; e KiNK com um artista ainda não revelado, em Valência).

Para quem quer participar da festa, é necessário se inscrever no site e torcer para ganhar o convite por e-mail.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Análise

O indie dance original respira com a volta do Friendly Fires

Flávio Lerner

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Friendly Fires
Foto: Reprodução
Depois de mais de seis anos sem lançamentos, o trio britânico que marcou os anos 2000 está de volta

Fundado em 2006, o trio britânico de dance-rock/indie danceFriendly Fires foi importantíssimo para uma guinada mais eletrônica e dançante à cena indie da década passada, que encontrava-se em sua era de ouro com a ascensão de bandas como The Killers, Franz Ferdinand, The Strokes e Bloc Party. Seu surgimento — somado à ascensão de grupos como Klaxons, Chromeo, Cut CopyMetronomy e o brasileiro Cansei de Ser Sexy — fez com que aquele cenário mais centrado nas guitarras passasse a ter um foco maior nos sintetizadores e nas batidas. O LCD Soundsystem não estava mais sozinho.

Comandando pelo carismático e rebolativo Ed Macfarlane — com suas dancinhas impagáveis ao vivo e nos videoclipes —, o Friendly Fires explodiu mesmo em 2008, com o primeiro e homônimo álbum, e desde então acumulou milhões de fãs no mundo inteiro. Nunca fizeram exatamente música eletrônica de pista, mas bebiam claramente de fontes como a house e o synth pop de grupos como New Order e Depeche Mode. E não só isso: a batida e a vibe ensolarada das músicas trazia muito da música brasileira. Singles como “Jump in the Pool” e “Kiss of Life” surgiram com fortes elementos de percussão de samba — e em 2008 e 2009, o grupo chegou a realizar apresentações em conjunto com uma escola de samba.

Em 2011, às vésperas do lançamento do segundo álbum, Pala, que se afastava ainda mais do indie rock, foram capa da conceituada revista inglesa NME, e tiveram a ousadia de dizer que preferiam escutar Justin Timberlake do que Morrissey — antigo líder do grupo The Smiths, que dominou a cena indie nos anos 80. Pra roqueiros britânicos que levam esse tipo de comparação muito a sério [o que, arrisco dizer, seja boa parte do público da revista], uma declaração do tipo soava como heresia.

O trio seguiu sua vida muito bem, obrigado. Pala também fez sucesso, e o FF seguiu apresentando-se em shows lotados no mundo inteiro nos próximos anos. Mas pararam de fazer música. Em 2014, deram um tempo de vez, e só foram voltar agora, quatro anos depois, com shows de retorno na Inglaterra realizados nas últimas semanas. E claro, novo single — o primeiro em mais de seis anos.

“Love Like Waves” foi lançada no último dia 05, e segue a linha do Friendly Fires que já estamos acostumados, sem grandes alterações na estrutura sonora. É uma canção boa e agradável, que resgata o saudosismo dos fãs e empolga pelas novas possibilidades, mas também não chega a ser dos melhores sons já feitos pelo trio.

Novos singles devem surgir nas próximas semanas, culminando, em breve, com o aguardadíssimo terceiro álbum. Se mantiver a qualidade dos LPs do passado, tem tudo para ser um dos grandes lançamentos de 2018.

Bóra relembrar outros grandes singles do grupo:

* Nota do Autor: Indie dance/nu disco, assim como progressive house e deep house, foi mais um dos estilos que caiu naquela salada de tags do Beatport, na década passada, e acabou passando a ser usado para se referir a uma sonoridade completamente diferente. Aqui, evidentemente, falo sobre o indie dance original, que vai de bandas como o Cut Copy a produtores como o Tensnake.

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