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Como a música eletrônica brasileira mainstream explodiu na gringa

Em 2019, diversos artistas do país lançaram por gigantes internacionais — cenário que há cinco anos era inimaginável. O que mudou?

* Edição e revisão: Flávio Lerner

Sim, o mercado brasileiro está exportando música eletrônica. Cada vez mais nossos artistas nacionais que fazem um som mais comercial estão tendo destaque e visibilidade na gringa.

Fiz um levantamento rápido de tracks de artistas do mainstream brasileiro que mostra essa realidade. Ano após ano, o número de releases brazucas nas grandes gravadoras internacionais só aumenta.

Música eletrônica
Imagem: Phouse

Essa revolução no mainstream começou lá em 2013/2014, com a ascensão do Felguk e do FTampa — dois projetos dos primeiros DJs superstars do Brasil que tiveram reconhecimento internacional.

Ambos “abriram o matagal” e mostraram para os gringos, e até para nós brasileiros, que artistas nacionais têm capacidade e potencial de fazer música boa e conquistar outros mercados.

A geração seguinte, de Vintage Culture, Alok e Cat Dealers, ampliou essa vitrine. Estes são os únicos brasileiros hoje no Top 100 da DJ Mag, conquistando posições importantes, como o 11º lugar de Alok em 2019, e o 19º do Vintage em 2018.

A “Hear Me Now”, de Alok, Zeeba e Bruno Martini, é até agora o maior case de sucesso de uma track eletrônica brasileira que vira hit mundial. Em 2016, além de ter conquistado o primeiro lugar no Top 100 do Spotify Brasil (concorrendo com músicas do funk e do sertanejo), conseguiu a incrível façanha de ser a 26º música mais tocada no mundo no Spotify, entre grandes nomes da música pop global.

Desde então, Vintage e Alok lançaram, somados, mais de 20 singles pela Spinnin’ Records — de “Fuego” a “In The Dark”. Esta última, do Vintage Culture, conquistando a terceira posição no ranking geral do Beatport, que lista as músicas mais baixadas da plataforma.

Isso tudo traz muita relevância para os artistas brasileiros e eleva o mercado nacional frente a outros mercados globais fortes. Como consequência, mais labels estrangeiras interessadas — como STMPD, do Martin Garrix, Heldeep, do Oliver Heldens, Axtone, do Axwell, Armada Music, de Armin… — e mais artistas brasileiros quebrando barreiras, como Chemical Surf, Dubdogz, ILLUSIONIZE, JØRD, Evokings, Breaking Beattz, Beowülf e LOthief, entre outros.

Collab do Breaking Beattz com o Felix Jaehn entrou como trilha sonora oficial da franquia de games milionária Need For Speed. Relembre os detalhes aqui.

Mas por que que o Brasil está bem na gringa? Como aconteceu essa mudança de cenário? O que mudou?

Vejo quatro motivos pra isso:

  1. A EDM, que teve sua época de outro entre 2012 e 2015, começou a saturar, e nisso, abriu-se espaço para novas sonoridades e novos artistas.
  2. Em paralelo, no Brasil, houve um desenvolvimento e profissionalização muito grande dos DJs/produtores, ou seja, a nova geração estava se capacitando, focando muito em produção musical e fazendo tracks de qualidade nível internacional.
  3. Como o mercado internacional ficou órfão da EDM e carente de novidades, as labels gringas estão experimentando e procurando a próxima grande tendência — ou seja, a próxima grande sonoridade que vai dominar o mercado mainstream. E o Brasil é um dos poucos mercados do mundo que está fazendo esse movimento musical único e diferente.
  4. O mercado brasileiro é muito grande. São muitos jovens consumidores de música eletrônica, e isso significa um ambiente muito lucrativo. As labels sabem que o país é uma mina de ouro, e sabem que se lançarem tracks dos grandes artistas nacionais, elas vão bombar muito aqui e ter um resultado financeiro e de streams que compensará todo o investimento, independentemente do sucesso que possa ter internacionalmente.

E o que vai ser daqui pra frente? 

O próximo desafio para os artistas brasileiros é realmente bombar nas pistas, clubs e festivais da Europa e Estados Unidos. A maioria dos singles brazucas lançados pelas gravadoras estrangeiras atendeu mais ao mercado nacional do que qualquer outra coisa. Não caiu de fato nas graças dos gringos como as tracks do FISHER, por exemplo.

A “Hear Me Now” foi um case no streaming. Você consegue apontar uma track brasileira que foi um hit nas pistas lá fora?

Acredito que a track que tenha chegado mais perto disso seja a “My Girl”, do Vintage Culture com o Fancy Inc. A boa notícia é que, com o número maior de de artistas tendo visibilidade internacional, nossas chances aumentam consideravelmente!

Quer saber mais? Assista abaixo o vídeo que gravei sobre o tema para o meu canal no YouTube!

Matheus Tavares assina a coluna sobre mercado, marketing e música eletrônica na Phouse.

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