Entrevista

Como uma festa de faculdade se tornou um dos maiores festivais de Santa Catarina

No dia 20 de maio marcamos presença em mais uma edição do festival Injeção Eletrônica, que teve seu início como uma festa de faculdade e com o passar do tempo se transformou em nada mais nada menos do que em um dos maiores festivais de música eletrônica do Brasil.

Realizado no Music Park, em Jurerê Internacional, o Injeção Eletrônica apresentou em sua última edição nomes como Viktor Mora, Liu e Digitaria.

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Para entender todo esse fenômeno que recentemente reuniu aproximadamente 10 mil pessoas, fomos conferir o festival de perto e aproveitamos para trocar uma ideia com um dos produtores e DJ residente do evento; Alff, da PHE Produções.

Olá Alff, tudo bem? Conte pra nós como surgiu o Injeção Eletrônica? 

Fala galera! Primeiramente, obrigado pelo espaço! É uma honra pra mim falar com a revista que considero a mais importante da cena eletrônica brasileira atualmente. A Injeção Eletrônica surgiu em meados de agosto de 2013, quando um grupo de alunos do Centro Acadêmico de Odontologia da UFSC (CAOQA) tiveram a idéia embalados pela onda do Dream Valley (Festival descontinuado que era realizado pelo Grupo GV). A idéia era fazer uma festa universitária focada em música eletrônica e que fosse open bar, algo até então inexistente em Florianópolis. A galera do CAOQA já tinha relacionamento por ter feito um evento anterior com a Agência PHE – que curtiu a idéia de imediato – e também chamou o pessoal do Centro Acadêmico da Engenharia Elétrica que estava querendo fazer uma festa do curso. E assim, com as três partes, começaram as reuniões.

Muito legal isso. Vocês imaginavam que o evento iria tomar essa proporção?

Jamais! A maior label universitária da época atingia cerca de 5 mil pessoas de público e nós já achávamos isso algo absurdo de se alcançar. Nossa primeira festa, em abril de 2014, queríamos o um público de 1500 pessoas em um único palco e já foi insano que, na primeira edição, alcançamos 2500 pessoas e tivemos que fazer duas pistas. O público estava empolgado pela “onda Tomorrowland” e acredito que isso ajudou muito a idéia a se difundir. Lançamos a nossa fan page em novembro de 2013 e a festa rapidamente estava sendo falada em toda universidade. A verdade é que tivemos uma idéia boa no momento certo e, aliado a isso, a equipe trabalhou duro ao longo de todas edições para aproveitar o máximo e crescer.

O que diferencia o Injeção Eletrônica dos outros festivais que acontecem pelo Brasil?

Acredito que cada evento tem o seu diferencial e temática. Certamente o Open Bar é algo que chama muito a atenção na Injeção Eletrônica e pode ser considerado o principal diferencial. Entretanto, também trabalhamos duro para transformar nossa label em mais do que um simples festival. Há três edições procuramos tematizar o evento dentro de um storytelling buscando, com personagens e histórias fictícias, transformar o evento em uma experiência que está sendo vivida pelo público. Tudo isso alinhado com um bom line up, layout de estrutura, efeitos especiais e demais complementos que planejamos da melhor maneira possível.

Além de disso tudo que você citou, um dos destaques do evento é o line-up. Quais são os critérios que vocês utilizam para escolher os artistas para cada edição?

Nós temos três residentes do festival: ALFF (eu), Du Kloppel e Kosmo. Cada um cuida das pistas Celebrate Palace, Palladium Cave e Resistance Forest, respectivamente. Basicamente os residentes fazem a curadoria do seu palco e apresentam os artistas de interesse pra comissão organizadora que, por sua parte, finaliza aprovando ou dando sugestões quanto aos artistas apresentados. Obviamente que é sempre necessário trazer artistas que sejam “ticket-sellers” e tenham já bom nome na cena. Entretanto, estamos sempre de olho em novos talentos. O Liu, por exemplo, não tocava quando me apresentou o material dele a primeira vez e fechei ele pelo valor de um artista local pois achei o som dele incrível. Em resumo: a curadoria esta sempre de olho em quem está fazendo um bom e diferenciado trabalho!

Em relação a essa crise financeira, que afetou diversos eventos e festivais pelo Brasil, o que representou para vocês? Qual impacto teve e o que fizeram para driblá-la e continuar crescendo?

Certamente ela (a crise) teve seu impacto em nosso festival também. Nossa quinta edição em maio de 2016 foi a com o maior público atingindo cerca de 10 mil pessoas e ainda não conseguimos repeti-la, mas posso dizer que estou feliz com as 8 mil pessoas da sexta edição e 9 mil pessoas da sétima edição agora. Estamos com planos futuros que serão anunciados muito em breve. Vamos procurar diversificar a marca, ela está precisando de uma “oxigenação”.

Voltando ao tema principal do nosso papo; como uma festa de faculdade se tornou um dos maiores festivais de Santa Catarina?

Penso que em primeiro lugar é importante dizer que tivemos uma grande idéia no momento certo. Em segundo lugar, posso dizer que temos uma equipe incrível e comprometida. Nossa comissão acredita no que faz e cuida com carinho da marca. Da mesma maneira, procuramos manter um relacionamento próximo com nossos colaboradores e ajudar os cursos idealizadores das mais diversas formas. Já chegamos até a comprar aparelhos odontológicos para doar às clínicas da UFSC dentre outras ações e o feedback vem em forma de ajuda dos mesmos em continuar a divulgar o projeto. Procuramos realmente levar em frente a mensagem da música eletrônica que é conectar pessoas.

Por fim, qual o seu balanço sobre essa edição? E o que podemos esperar para a próxima

Minha nota para esta sétima edição foi nota 8. Um dos pontos perdidos acredito que foi pelas fortes chuvas nos quatro dias que antecederam o evento e também durante o festival. Chuva é sempre um fator que atrapalha bastante qualquer tipo de evento. Mas em geral posso dizer que estamos bem satisfeitos. As 10 horas de Injeção Eletrônica passaram como 10 minutos novamente, de tão intensa que é a experiência e a conexão com o público. Sobre os planos futuros: Vamos revelar em breve! Fiquem ligados!

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