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Como a XXXPERIENCE completa 20 anos em uma cena imediatista

Flávio Lerner

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Erick Dias fala sobre os vinte anos de uma das marcas mais expressivas da cultura clubber brasileira.

Amanhã é uma data especialíssima para um dos maiores e mais representativos núcleos da cultura clubber nacional. A XXXPERIENCE, que tem celebrado seus vinte [isso mesmo, VINTE!] anos de atuação neste 2016 com festivais pontuais em diversos cantos do Brasil, fecha essa comemoração com chave de ouro no seu último ato do ano. Parte final de uma XXXtrilogy, que lançou três conceitos nos últimos três anos para marcar essa passagem [“Vale dos Dragões”; “Portal dos Desejos”; “Reino Mágico”], a #XXX20 traz à Arena Maeda, em Itu, nomes como Steve Angelo, Infected Mushroom, FTAMPA, Alok, Chapeleiro, ILLUSIONIZE, Tropkillaz, Skazi, Ben Klock, Dubfire, Stephan Bodzin, DJ Mau Mau, Volkoder, The Martinez Brothers, Claude VonStroke e muitos outros, em quatro palcos que representam EDM, trance, techno e tech house. Erick Dias, responsável por, junto ao sócio de No Limits, Edson Bolinha, liderar a XXX desde 1998, deu uma palavrinha retrospectiva sobre essas duas décadas de muito trabalho e muitas mudanças, em papo que você lê abaixo.

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São 20 anos de XXXPERIENCE, e 18 anos que vocês da No Limits trabalham à frente da marca. Como enxergam, de forma geral, as mudanças que rolaram no cenário da música eletrônica nesse tempo todo?

20 anos é um tempo e tanto. Muitas coisas mudaram ao longo desse período, tanto dentro do evento como na cena nacional e global. Passamos por várias fases, combatemos uma discriminação da mídia pesada no meio da década passada, nos reposicionamos — de rave a festival — e hoje vivemos um cenário de concorrência direta com grandes festivais internacionais que passaram a atuar no mercado brasileiro com um budget desproporcional, o que é bastante produtivo, pois alavanca o segmento, eleva o nível de entrega, faz com que o público tenha muito mais opções. No que tange à música em si, ela é cíclica. Ondas vão e vêm, sobretudo no Brasil. Permanecem em atividade os artistas que não surfam, mas que fazem um trabalho original, autêntico e que envolva as pessoas.

E pra vocês, enquanto empresa, o que mudou com o passar do tempo? Imagino que, se por um lado é muito melhor termos uma cena maior, mais profissional e mais sólida, por outro a competição aumenta bastante, o que é um desafio.

Como falei, a concorrência hoje é até desleal do ponto de vista de investimento. Entretanto, a solidez e a reputação de um evento como XXXPERIENCE fala muito alto. Alguns festivais que chegam ao país pela primeira vez também sofrem para se estabelecer, já que é preciso construir a marca aqui — não basta apresentar um lineup de primeira. Hoje trabalhamos com a estrutura mais enxuta possível e com o planejamento muito bem arquitetado para otimizar os resultados. O momento do país não é nada favorável e requer muita atenção.

Por marcar os 20 anos do projeto, 2016 tem sido um dos anos mais movimentados da XXXPERIENCE, mas, vislumbrado já há três anos, o plano era de que essa celebração fosse ainda maior, não é mesmo? De certa forma, rolou uma frustração por uma data tão especial ter calhado justamente com esse momento não favorável? Como vocês têm encarado esse desafio?

Sim, vou te falar que se o momento fosse outro, poderíamos levar pelo menos 50% a mais de pessoas. Mas não temos muito a reclamar. Graças a Deus, o planejamento da trilogia vai ser encerrado com chave de ouro. Neste sábado vamos entregar uma Edição Especial digna dos 20 anos. Estamos muito felizes em poder oferecer aquele lineup comemorativo para os fãs do trance, um Steve Angello no Love Stage, um Dubfire com Ben Klock e Stephan Bodzin para os techneiros, bem como The Martinez Brothers, Claude VonStroke, Amine Edge & DANCE e Adriatique para os fãs de deep e tech house. Sem contar o time nacional, que está muito bem representado, sem dúvidas. Crise à parte, vamos celebrar com força neste sábado!

 “Se não fosse um momento de crise, poderíamos levar pelo menos 50% a mais de pessoas.”

Você e o Edson Bolinha são os principais nomes a frente do projeto, mas em uma marca tão grande, com tanta estrutura e planejamento, imagino que exista toda uma vasta equipe por trás. Com quantas outras pessoas ou empresas vocês trabalham? Como se dá, resumidamente, essa divisão de tarefas?

No evento trabalham cerca de mil pessoas, entre colaboradores diretos e indiretos. Temos um gerente do evento, os líderes de cada setor, que coordenam suas equipes, e todo o restante do staff, que chega para prestar serviço no dia, após um longo processo de seleção e treinamento. Bolinha e eu sabemos de cada centímetro, planejamos uma Edição Especial com quase um ano de antecedência. Fazemos questão de controlar tudo bem de perto a fim de garantir qualidade máxima em cada ação.

No meio da dance music, grande parte das faixas, dos artistas e dos gêneros musicais já surge com prazo de validade — eles têm um ciclo de vida muito curto, em que nascem, crescem com muita força em pouco tempo e logo morrem. Como é fazer 20 anos em um meio em que essa descartabilidade é cada vez mais forte?

Não é fácil. Talvez o segredo seja colocar a mão na massa, se envolver de corpo e alma no dia a dia, como sempre fizemos. Essa “descartabilidade” é um hábito de comportamento da nova geração. Como tudo está disponível a qualquer momento, basta um Google, eles não se preocupam em se aprofundar em determinado tipo de conteúdo, em história ou arte. Soma-se a isso o fator cultural do país. Para se manter nesse cenário, é preciso envolver o público, dar o que eles querem, mas sempre surpreendê-los com algo inesperado. Isso serve para todos os players, marcas, eventos ou artistas.

Vocês são desbravadores da cena brasileira. Quais enxergam como as principais contribuições que a XXXPERIENCE trouxe pra esse nicho?

O evento foi pioneiro em muitos sentidos. Prêmios, turnês, lineups, CDs, DVDs, brindes, cenografia, e até em reposicionamento de marca. Se a música eletrônica é um fenômeno presente em livros, filmes, comerciais de TV, moda, jornais e revistas, a XXXPERIENCE é um dos alicerces dessa cultura no Brasil, inegavelmente.

“Os holandeses são a melhor referência. Eles transformaram a experiência do público consumidor de música eletrônica.”

Que outros núcleos e festivais da cena clubber vocês levam como inspiração e referência?

Os holandeses são a melhor referência. Eles transformaram a experiência do público consumidor de música eletrônica, reinventaram o jeito de consumir — ir a um festival deixou de ser um mero rolêzinho para ouvir seus DJs preferidos, passou a ser um espetáculo comandado por grandes artistas com cenografias absurdas. Isso transformou a cena global.

Como produtores executivos nesse mercado, vocês mantêm sempre um olho nas tendências que rolam no mundo todo, e no Brasil também. Que movimentos, cenas ou microcenas que estão sendo encubadas vocês observam com maior entusiasmo? Quais as principais apostas para o futuro?

Eu procuro viajar bastante e me manter antenado nas tendências. Acho que hoje vivemos um momento de transição, o que pode ser muito frutífero do ponto de vista criativo. É nessas horas que as mentes mais brilhantes conseguem se reinventar e fazer nascer novos gêneros e sons. Vejo com bons olhos a volta da house music tradicional, o retorno do trance com uma força esmagadora, a transição do electro house para o future house, o fortalecimento do techno e o reinado do “deep house”. Estou gostando de ver os nomes nacionais fazendo tracks com cantores brasileiros. Não é novidade, mas acho que ainda há muito a ser explorado nesse sentido.

A XXXPERIENCE começou influenciada pelo movimento raver europeu, e se manteve como rave por muitos anos, até migrar para o formato de festival — um dos maiores marcos da sua trajetória. Apesar de os festivais estarem cada vez mais populares, vocês não enxergam esse movimento de raves ressurgindo, de certa forma? Como vislumbram isso?

Sim, sem dúvidas. O trance voltou com tudo. Nossas últimas edições mostram isso e é justamente por esse motivo que o #XXX20 terá o Peace Stage em novo local, ainda maior e duas apresentações dessa linha no palco principal: Chapeleiro — que na real não é trance, mas fala com essa galera — e o back to back de Infected Mushroom e Skazi, que certamente vai ser histórico.

 “Se a música eletrônica é um fenômeno presente em livros, filmes, comerciais, moda, jornais e revistas, a XXXPERIENCE é um dos alicerces dessa cultura no Brasil.”

Em entrevista pro THUMP em 2014, você e o Bolinha falaram sobre os desafios de fazer as raves em uma época em que elas eram algo ainda bastante desconhecido e mal visto pela opinião pública. Hoje, como é a relação de vocês com a imprensa? Vocês ainda enxergam a música eletrônica muito estigmatizada mundialmente, sobretudo na relação com o uso de drogas?

Hoje nossa relação com a imprensa é muito mais suave. Acho que está superada essa associação exclusiva de drogas e música eletrônica. Toda a sociedade sabe que as drogas são uma questão de saúde pública e que elas estão por todos os lados, desde a esquina da sua casa até a sala de aula, infelizmente, mas fazemos a nossa parte com muita dedicação junto aos órgãos públicos competentes em cada edição do evento.

Quais os principais — mais peculiares, emocionantes ou engraçados — episódios que vocês têm pra contar desses 20 anos?

Um peculiar: a Edição Especial de dez anos, que foi um marco sem precedentes — reunimos 30 mil pessoas com um lineup unicamente trance e sem dispor de meios de comunicação de massa na campanha. Um emocionante: a apresentação de Paul van Dyk em 2010, encerrando o festival; ali realizamos um sonho. Um engraçado: não me recordo exatamente de um, mas de vários. Normalmente acontecem quando encerra o evento e os sócios se reúnem para celebrar e relaxar depois de mais de 18 horas de tensão.

Com essa última edição comemorativa dos 20 anos, encerra-se o #XXX20 bem como a XXXtrilogy. O que vocês podem nos adiantar para o ano que vem? E quantos anos vocês ainda vislumbram nessa empreitada? Podemos esperar mais 20 [risos]?

Olha, podem esperar muito ainda, com certeza. Enquanto houver tesão nessa parada toda, haverá XXXPERIENCE Festival com o mesmo amor de sempre. Sobre o ano que vem, ainda é muito cedo pra falar, mas já temos um ponto de partida e eu estou muito animado sobre isso. Aguardem! ~

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Entrevista

Produtora mais nova do mundo? Com apenas 10 anos, a DJ Rivkah tem chamado a atenção da cena nacional

Flávio Lerner

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Rivkah
Foto: Divulgação
Garota de Brasília cresceu rápido e virou atração entre grandes eventos e expoentes da cena eletrônica

Crianças prodígio costumam chamar a atenção no meio da música eletrônica pelo fator inusitado: ainda não é comum vermos gente tão nova discotecando profissionalmente, por razões óbvias que vão do fator ambiente [quase sempre mais adulto] à própria inserção no mercado de trabalho — passando ainda pelo fato de que um bom DJ requer uma boa bagagem musical, que por sua vez exige tempo de conhecimento e maturação.

Mas talvez o futuro breve nos reserve mais crianças que se destacam no ofício. Décadas após o A-Trak vencer o DMC, e poucos anos depois do “fenômeno” Arch Jnr, que ganhou reality na África com apenas três anos de idade — e que, vamos ser honestos, não parecia ter muita noção do estava rolando —, temos no Brasil mais um caso recente que vem atraindo cada vez mais olhares em uma velocidade impressionante: Rebecca Rangel, mais conhecida como DJ Rivkah [seu nome de batismo em hebraico].

Foto: Divulgação

A menina nasceu na Noruega, onde viveu até os seis anos de idade, mas tem cidadania brasileira e francesa, e hoje mora em Brasília com a mãe e o padrasto — “o maior incentivador e patrocinador de toda essa história”, segundo a mãe de Rebecca. Assim, com apenas dez anos, desde que decidiu abraçar de corpo e a alma essa carreira, vem chamando a atenção em eventos não só em sua cidade: no BRMC, que rolou nessa última semana, em São Paulo, Rivkah parecia onipresente, podendo ser vista a toda hora pelas salas em que se realizavam os painéis e circulando pelas áreas de lounge.

“A Rivkah sempre gostou muito de música, e já teve aulas de violino e teclado antes de virmos morar em Brasília. Desde os quatro anos ela já tinha música eletrônica no celular, em vez de músicas infantis. Ouvia muito Swedish House Mafia e Tiësto“, conta a orgulhosa mãe Valesca Rangel — constantemente presente ao lado da filha — em depoimento à Phouse. “Ela sempre pediu para ser DJ, e no ano passado eu a matriculei em um curso e acompanhei diariamente nas aulas. Um curso que duraria três meses ela terminou em apenas um!”

Na Praia, em Brasília, foi onde a Rivkah começou a chamar atenção

Logo, a menina já atraiu um dos tutores do curso, o DJ Sony, e ganhou a chance de tocar em um evento chamado “Na Praia”, que rolou entre junho e setembro, durante os finais de semana, na capital federal. “O DJ Sony deu a chance de a Rivkah tocar em um domingo à tarde, em um palco menor, e logo na primeira apresentação o espaço lotou. Rapidamente, foram muitas matérias em jornais e sites de Brasília. Ela explodiu rapidamente”, segue contando Valesca, que destaca que a filha já tem agenda fechada até outubro.

De fato, em conjunto com um trabalho forte de assessoria de imprensa, a menina saiu em diversas reportagens, de jornais locais a jornais do SBT. Assim, a família tratou de cuidar dos trâmites para que ela pudesse trabalhar legalmente, sempre com a presença de um adulto responsável — e Valesca não vê qualquer possibilidade da infância da filha ser prejudicada. “Fomos orientados pelo Conselho Tutelar a pedir um alvará na Vara da Infância, e assim foi feito. A Rivkah toca, se apresenta, mas não deixou de ser criança. Ela tem uma coleção de bonecas que é aumentada pelo menos duas vezes por ano, e gastamos com as bonecas talvez mais do que com equipamentos. Apesar de estar saindo enquanto as amigas estão ficando em casa, a maioria delas já está se relacionando com meninos, e a Rebecca nem pensa nisso ainda. Ela é madura para exercer seu dom, mas ainda é criança e se diverte como tal. A prioridade para ela é a escola, e ela está muito bem amparada psicologicamente.”

Foto: Divulgação

O fato de o ambiente da música eletrônica estar normalmente associado a uma embalagem mais adulta [noite, bebidas, drogas, sexo…] também não preocupa. “Para mim, a música eletrônica nunca remeteu a bebidas, drogas ou sexo, pois eu nunca bebi e sempre frequentei festas, raves e shows. Sou capaz de virar a noite sendo a pessoa mais feliz da festa bebendo Coca-Cola Zero (risos)! O primeiro evento em que a Rivkah participou foi o Na Praia, que tem um clima maravilhoso e muito familiar. Vende-se bebida da mesma forma que se vende bebida em qualquer praia brasileira. Os demais, em sua maioria, foram sunsets com censura livre em beach clubs, ou eventos em lojas, para famílias”, segue Valesca.

“Quando o evento é mais tarde, ela não tem contato com o público, a entrada de artista é diferenciada e ela fica em camarim ou área reservada. Quando não se apresenta, vamos em outros programas e assistimos com ela a atrações diversas. Na maioria das vezes, estamos no backstage ou camarote, que são ambientes mais reservados. Temos uma relação muito próxima, eu e ela, e a Rebecca realmente segue o dom de sua personalidade. Alok e Bhaskar cresceram dentro de festas rave, e quem conhece sabe que são muito bem criados e muito educados, de personalidade e caráter indiscutíveis.”

A dupla, aliás, é uma das maiores referências da garota, que cita o brazilian bass e o trance como suas principais vertentes. Outros nomes citados são Sevenn, Chemical Surf, Vintage Culture, JetLag, Capital Monkey, Skazi, Chapeleiro e Astrix — além de Guga Guizelini, do Make U Sweat, que a tem ajudado com dicas de produção musical. “Conhecer a Rivkah foi uma grata surpresa. Ela é super cativante, e não é apenas uma criança que gosta de música e de DJs — ela realmente sabe tocar, e bem! Tem presença de palco e arranca olhares surpresos o tempo inteiro! Certeza que se ela continuar apaixonada pelo que faz, tem um futuro brilhante pela frente”, afirmou o DJ.

Agora, a Rivkah quer ir ainda mais longe: depois de aulas de produção com Guga e outros nomes do cenário brasileiro, está finalizando a masterização de suas primeiras músicas, feitas em parceria com artistas de Brasília: uma collab com o DJ e produtor Icy Sasaki e uma canção com letra e voz de Babi Ceresa. A família já a está rotulando como a produtora mais nova do mundo, e pretende pleitear oficialmente esse título. “A assessoria dela e eu estamos preparando todas as evidências para requerer a quebra de recorde no Guinness, pois lá o produtor mais jovem do mundo é um menino de 12 anos”, complementa a mãe.

Com Guga Guizelini. Foto: Divulgação

Ainda é muito, muito cedo para saber se todo o hype em cima da menina irá se confirmar, e se ela de fato irá se tornar um big name nacional — ou mesmo se vai seguir a carreira como DJ e produtora depois de adulta. A essa altura, o que realmente importa é que Rebecca Rangel se divirta, sem muito compromisso.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Entrevista

Executivo próximo a Avicii fala sobre novo álbum, segredo do sucesso e comportamento peculiar do artista

Phouse Staff

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Lonely Together
Foto: Reprodução
O presidente da Geffen Records fez revelações importantes sobre os bastidores do trabalho com o músico

Neil Jacobson, presidente da Geffen Records — selo que lançava as músicas de Avicii —, deu uma entrevista bastante profunda e esclarecedora para Shirley Halperin, da Variety, logo após a morte do artista. Jacobson trabalhava como A&R de Avicii desde que fechou contrato com a Interscope (selo-mãe da Geffen) para “Levels”, e, portanto, era uma das pessoas mais próximas dele.

Na entrevista, o executivo revelou que um novo álbum estava muito perto de ser lançado, que conversou com o sueco dois dias antes da sua morte, e falou sobre como o enxergava como um músico genial, pioneiro e diferenciado, que tinha como grande trunfo a capacidade de criar grandes melodias.

Confira algumas das melhores declarações de Jacobson para a Variety, em tradução feita pela Phouse:

— Trabalhei com o Tim por muito tempo. Ele era o meu cara. […] Foi um grande amigo, um grande garoto. Tenho cuidado em não cometer exageros com essas declarações porque isso é algo fácil de se fazer quando alguém falece, mas pode falar com qualquer pessoa que o conheceu e vão te dizer que ele era um garoto bom e gentil.

— Tim era um artista original. […] Ele era muito consciente sobre o que estava rolando, e muito interessado em seguir um caminho diferente. […] Sempre tinha um pé no momento atual e o outro em algo completamente diferente e inesperado.

— A primeira vez que ouvi falar nele foi no Identity Festival, por volta de 2010. […] Escutei “Levels” e fiquei tipo, “caramba, isso é grande”. Era uma grande música, um grande sample, uma grande ideia, um grande drop. E você olhava pra ele e ele tinha aquele look incrível — a camisa xadrez, o cabelo loiro, a grande música. Tinha um ar de que você não podia chegar perto dele, e esse mistério foi mantido no primeiro ano, quando “Levels” não parava de crescer. Foi o grande surgimento da EDM, a dance music moderna, e ele surfou aquela onda como um profissional. Ele estava bem em frente a ela.

— O grande lance do Tim era o seu senso incomum para melodias — do tipo que grudam na sua cabeça. […] Seu ingrediente secreto era a sua melodia. O seu entendimento sobre ela, como identificá-la. Ele sempre escolhia a correta, sempre sabia como dirigir os cantores, em como eles deveriam entrar e sair de cada vocal. Ninguém fazia o que o Tim fazia, e eu acho que é por isso que ele seguiu tendo hit atrás de hit.

— [Sobre o novo álbum]: Estávamos trabalhando nele, e era o melhor material do Avicii em anos, pra ser sincero. […] Ele estava muito inspirado e empolgado. Tivemos um mês de sessões no estúdio, e tínhamos que delimitar horários de encerramento, porque se deixasse, o Tim ia trabalhar por 16 horas seguidas, era a natureza dele. Você tinha que tirá-lo disso, tipo: “Tim, vamos lá, vai dormir, descanse um pouco”. É uma tragédia. Tínhamos esse músico incrível, mágico.

— [Sobre o futuro do álbum]: Não faço ideia do que vai ser agora. Vou dar um tempo e trocar uma ideia com a família dele, depois que as coisas se acalmarem. […] Vamos tentar pegar alguma recomendação da família e então trabalhar pra fazer algo que ele gostaria que fizéssemos.

— [Sobre colaborações no álbum]: Sim, há algumas. Prefiro não dizer quem são. O Tim tinha uma lista de pessoas com quem ele gostaria de trabalhar nesse disco. Na verdade essa foi a última coisa que conversamos, dois dias antes [da morte do artista]. É meio assustador.

— Sim, ele era um perfeccionista, um workaholic. Até que ele fosse para o lado oposto. Por que ele estava em Omã? Eu estava, tipo: “Tim, onde fica Omã? Eu nem faço ideia”. E ele: “Eu vou pra Omã. Vai ser divertido”. Este era ele: trabalhava muito forte e então dava meia volta como se fosse um piloto de guerra.

— Quando estávamos lançando o último EP — porque nós conversamos muito sobre o futuro da música, sobre não ser mais sobre álbuns nem singles, e por isso decidimos lançar em pequenos blocos —, logo antes de termos tudo pronto e entregue, eu ficava martelando na cabeça dele todos os dias. Como o cara do A&R, eu preciso ter o disco pronto. De repente, ele pega um avião e vai pra Machu Picchu. Não tivemos notícias por três dias. E aí ele posta um vídeo de uma lhama no Instagram com “Friend of Mine” tocando ao fundo. Claro, ele estava certo. Seus fãs enlouqueceram, aquilo viralizou na internet, virou o trending topic número um em tudo que é canto. Promoveu perfeitamente o disco de Machu Picchu. Este era ele. Tipo: “Sério, Tim? Uma lhama?”

— [Sobre voltar a fazer shows]: Volta e meia a gente tocava no assunto. “E se você fizesse esse show?” Ele respondia: “Não, não, não. Não vou voltar a tocar, mas se eu fosse fazer algo, provavelmente seria aparecer de surpresa num clube underground, só pela diversão”. Ele sentia falta disso, de discotecar. Ele amava a dance music. Você quer enlouquecer? Vá para o meio dos fãs em um show do Avicii. Ele entendia o fluxo e o refluxo de um set, como fazer as pessoas dançarem, como diminuir a intensidade e depois trazer elas de volta. Você acabaria chorando durante três quartos do show e sem saber por quê. Era isso que ele fazia, esse era o seu talento.

— Se o Avicii voltasse a tocar em um ou dois anos, acredito que o cachê seria um número de sete dígitos, só pra começar. Tem tantas pessoas que gostariam de vê-lo, de dançar e enlouquecer num show dele. Teria sido lindo.

— [Sobre os problemas de saúde e especulações de abuso de drogas]: Não posso falar muito sobre isso porque eu não sei. Posso dizer o seguinte: se algum desses rumores fosse verdade, acho que eu teria visto algo. E por mais que eu estivesse o tempo todo em volta dele, nunca vi nada disso. Ele não fazia festa. Ia para um clube para ouvir o DJ.

— [Respondendo sobre o que mais vai sentir falta na ausência do Avicii]: Não vou sentir falta dele me ligando às 04h15 da madrugada (risos). Ele não entendia o tempo, não fazia sentido pra ele. Era uma pessoa noturna, e não compreendia os limites dessa questão. Só posso falar sobre sua música e sua força criativa no estúdio. Seu respeito pela arte, pela criatividade. Ele lutou para ser um grande artista. Nunca foi algo como “essa música já está boa, vamos embora”. Tinha que ser excelente, e eu vou sentir falta disso.

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Em novo e emocionado depoimento, família indica que Avicii cometeu suicídio

Phouse Staff

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Avicii suicídio
Foto: Reprodução
Família Bergling soltou novo comunicado para o público nesta quinta-feira

Dois dias depois de soltar seu primeiro comunicado para a imprensa, a família de Avicii voltou a falar — e desta vez, a mensagem foi bem mais reveladora. No novo comunicado, ao dizer que o músico “não conseguiu ir além” e “queria encontrar paz”, a família Bergling dá a entender que o DJ teria cometido suicídio.

Confira o depoimento na íntegra, em tradução livre feita pela Phouse:

Estocolmo, 26 de abril de 2018

Nosso amado Tim estava em busca de algo. Era uma alma artística frágil que procurava encontrar respostas para questões existenciais. 

Um perfeccionista que viajou e trabalhou duro em um ritmo que levou a um estresse extremo.

Quando ele parou com as turnês, queria encontrar um equilíbrio na vida entre ser feliz e conseguir fazer o que ele mais amava — música.

Ele realmente enfrentou muitos pensamentos sobre sentido, vida e felicidade.

Ele não conseguiu ir além.

Ele queria encontrar paz.

O Tim não foi feito para a máquina de negócios em que ele acabou se encontrando; era um cara sensível que amava seus fãs, mas evitava os holofotes.

Tim, você será amado para sempre, e deixa muitas saudades.

A pessoa que você era e a sua música vão manter sua memória viva.

Nós te amamos,

Sua família.

Tim deixa seus pais, Klas e Anki, seus dois irmãos, Anton e David, e sua irmã, Linda. O músico foi encontrado sem vida na sexta-feira passada (20), no Muscat Hills Resort, em Omã.

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