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Como a XXXPERIENCE completa 20 anos em uma cena imediatista

Flávio Lerner

Publicado em

11/11/2016 - 17:40

Erick Dias fala sobre os vinte anos de uma das marcas mais expressivas da cultura clubber brasileira.

Amanhã é uma data especialíssima para um dos maiores e mais representativos núcleos da cultura clubber nacional. A XXXPERIENCE, que tem celebrado seus vinte [isso mesmo, VINTE!] anos de atuação neste 2016 com festivais pontuais em diversos cantos do Brasil, fecha essa comemoração com chave de ouro no seu último ato do ano. Parte final de uma XXXtrilogy, que lançou três conceitos nos últimos três anos para marcar essa passagem [“Vale dos Dragões”; “Portal dos Desejos”; “Reino Mágico”], a #XXX20 traz à Arena Maeda, em Itu, nomes como Steve Angelo, Infected Mushroom, FTAMPA, Alok, Chapeleiro, ILLUSIONIZE, Tropkillaz, Skazi, Ben Klock, Dubfire, Stephan Bodzin, DJ Mau Mau, Volkoder, The Martinez Brothers, Claude VonStroke e muitos outros, em quatro palcos que representam EDM, trance, techno e tech house. Erick Dias, responsável por, junto ao sócio de No Limits, Edson Bolinha, liderar a XXX desde 1998, deu uma palavrinha retrospectiva sobre essas duas décadas de muito trabalho e muitas mudanças, em papo que você lê abaixo.

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São 20 anos de XXXPERIENCE, e 18 anos que vocês da No Limits trabalham à frente da marca. Como enxergam, de forma geral, as mudanças que rolaram no cenário da música eletrônica nesse tempo todo?

20 anos é um tempo e tanto. Muitas coisas mudaram ao longo desse período, tanto dentro do evento como na cena nacional e global. Passamos por várias fases, combatemos uma discriminação da mídia pesada no meio da década passada, nos reposicionamos — de rave a festival — e hoje vivemos um cenário de concorrência direta com grandes festivais internacionais que passaram a atuar no mercado brasileiro com um budget desproporcional, o que é bastante produtivo, pois alavanca o segmento, eleva o nível de entrega, faz com que o público tenha muito mais opções. No que tange à música em si, ela é cíclica. Ondas vão e vêm, sobretudo no Brasil. Permanecem em atividade os artistas que não surfam, mas que fazem um trabalho original, autêntico e que envolva as pessoas.

E pra vocês, enquanto empresa, o que mudou com o passar do tempo? Imagino que, se por um lado é muito melhor termos uma cena maior, mais profissional e mais sólida, por outro a competição aumenta bastante, o que é um desafio.

Como falei, a concorrência hoje é até desleal do ponto de vista de investimento. Entretanto, a solidez e a reputação de um evento como XXXPERIENCE fala muito alto. Alguns festivais que chegam ao país pela primeira vez também sofrem para se estabelecer, já que é preciso construir a marca aqui — não basta apresentar um lineup de primeira. Hoje trabalhamos com a estrutura mais enxuta possível e com o planejamento muito bem arquitetado para otimizar os resultados. O momento do país não é nada favorável e requer muita atenção.

Por marcar os 20 anos do projeto, 2016 tem sido um dos anos mais movimentados da XXXPERIENCE, mas, vislumbrado já há três anos, o plano era de que essa celebração fosse ainda maior, não é mesmo? De certa forma, rolou uma frustração por uma data tão especial ter calhado justamente com esse momento não favorável? Como vocês têm encarado esse desafio?

Sim, vou te falar que se o momento fosse outro, poderíamos levar pelo menos 50% a mais de pessoas. Mas não temos muito a reclamar. Graças a Deus, o planejamento da trilogia vai ser encerrado com chave de ouro. Neste sábado vamos entregar uma Edição Especial digna dos 20 anos. Estamos muito felizes em poder oferecer aquele lineup comemorativo para os fãs do trance, um Steve Angello no Love Stage, um Dubfire com Ben Klock e Stephan Bodzin para os techneiros, bem como The Martinez Brothers, Claude VonStroke, Amine Edge & DANCE e Adriatique para os fãs de deep e tech house. Sem contar o time nacional, que está muito bem representado, sem dúvidas. Crise à parte, vamos celebrar com força neste sábado!

 “Se não fosse um momento de crise, poderíamos levar pelo menos 50% a mais de pessoas.”

Você e o Edson Bolinha são os principais nomes a frente do projeto, mas em uma marca tão grande, com tanta estrutura e planejamento, imagino que exista toda uma vasta equipe por trás. Com quantas outras pessoas ou empresas vocês trabalham? Como se dá, resumidamente, essa divisão de tarefas?

No evento trabalham cerca de mil pessoas, entre colaboradores diretos e indiretos. Temos um gerente do evento, os líderes de cada setor, que coordenam suas equipes, e todo o restante do staff, que chega para prestar serviço no dia, após um longo processo de seleção e treinamento. Bolinha e eu sabemos de cada centímetro, planejamos uma Edição Especial com quase um ano de antecedência. Fazemos questão de controlar tudo bem de perto a fim de garantir qualidade máxima em cada ação.

No meio da dance music, grande parte das faixas, dos artistas e dos gêneros musicais já surge com prazo de validade — eles têm um ciclo de vida muito curto, em que nascem, crescem com muita força em pouco tempo e logo morrem. Como é fazer 20 anos em um meio em que essa descartabilidade é cada vez mais forte?

Não é fácil. Talvez o segredo seja colocar a mão na massa, se envolver de corpo e alma no dia a dia, como sempre fizemos. Essa “descartabilidade” é um hábito de comportamento da nova geração. Como tudo está disponível a qualquer momento, basta um Google, eles não se preocupam em se aprofundar em determinado tipo de conteúdo, em história ou arte. Soma-se a isso o fator cultural do país. Para se manter nesse cenário, é preciso envolver o público, dar o que eles querem, mas sempre surpreendê-los com algo inesperado. Isso serve para todos os players, marcas, eventos ou artistas.

Vocês são desbravadores da cena brasileira. Quais enxergam como as principais contribuições que a XXXPERIENCE trouxe pra esse nicho?

O evento foi pioneiro em muitos sentidos. Prêmios, turnês, lineups, CDs, DVDs, brindes, cenografia, e até em reposicionamento de marca. Se a música eletrônica é um fenômeno presente em livros, filmes, comerciais de TV, moda, jornais e revistas, a XXXPERIENCE é um dos alicerces dessa cultura no Brasil, inegavelmente.

“Os holandeses são a melhor referência. Eles transformaram a experiência do público consumidor de música eletrônica.”

Que outros núcleos e festivais da cena clubber vocês levam como inspiração e referência?

Os holandeses são a melhor referência. Eles transformaram a experiência do público consumidor de música eletrônica, reinventaram o jeito de consumir — ir a um festival deixou de ser um mero rolêzinho para ouvir seus DJs preferidos, passou a ser um espetáculo comandado por grandes artistas com cenografias absurdas. Isso transformou a cena global.

Como produtores executivos nesse mercado, vocês mantêm sempre um olho nas tendências que rolam no mundo todo, e no Brasil também. Que movimentos, cenas ou microcenas que estão sendo encubadas vocês observam com maior entusiasmo? Quais as principais apostas para o futuro?

Eu procuro viajar bastante e me manter antenado nas tendências. Acho que hoje vivemos um momento de transição, o que pode ser muito frutífero do ponto de vista criativo. É nessas horas que as mentes mais brilhantes conseguem se reinventar e fazer nascer novos gêneros e sons. Vejo com bons olhos a volta da house music tradicional, o retorno do trance com uma força esmagadora, a transição do electro house para o future house, o fortalecimento do techno e o reinado do “deep house”. Estou gostando de ver os nomes nacionais fazendo tracks com cantores brasileiros. Não é novidade, mas acho que ainda há muito a ser explorado nesse sentido.

A XXXPERIENCE começou influenciada pelo movimento raver europeu, e se manteve como rave por muitos anos, até migrar para o formato de festival — um dos maiores marcos da sua trajetória. Apesar de os festivais estarem cada vez mais populares, vocês não enxergam esse movimento de raves ressurgindo, de certa forma? Como vislumbram isso?

Sim, sem dúvidas. O trance voltou com tudo. Nossas últimas edições mostram isso e é justamente por esse motivo que o #XXX20 terá o Peace Stage em novo local, ainda maior e duas apresentações dessa linha no palco principal: Chapeleiro — que na real não é trance, mas fala com essa galera — e o back to back de Infected Mushroom e Skazi, que certamente vai ser histórico.

 “Se a música eletrônica é um fenômeno presente em livros, filmes, comerciais, moda, jornais e revistas, a XXXPERIENCE é um dos alicerces dessa cultura no Brasil.”

Em entrevista pro THUMP em 2014, você e o Bolinha falaram sobre os desafios de fazer as raves em uma época em que elas eram algo ainda bastante desconhecido e mal visto pela opinião pública. Hoje, como é a relação de vocês com a imprensa? Vocês ainda enxergam a música eletrônica muito estigmatizada mundialmente, sobretudo na relação com o uso de drogas?

Hoje nossa relação com a imprensa é muito mais suave. Acho que está superada essa associação exclusiva de drogas e música eletrônica. Toda a sociedade sabe que as drogas são uma questão de saúde pública e que elas estão por todos os lados, desde a esquina da sua casa até a sala de aula, infelizmente, mas fazemos a nossa parte com muita dedicação junto aos órgãos públicos competentes em cada edição do evento.

Quais os principais — mais peculiares, emocionantes ou engraçados — episódios que vocês têm pra contar desses 20 anos?

Um peculiar: a Edição Especial de dez anos, que foi um marco sem precedentes — reunimos 30 mil pessoas com um lineup unicamente trance e sem dispor de meios de comunicação de massa na campanha. Um emocionante: a apresentação de Paul van Dyk em 2010, encerrando o festival; ali realizamos um sonho. Um engraçado: não me recordo exatamente de um, mas de vários. Normalmente acontecem quando encerra o evento e os sócios se reúnem para celebrar e relaxar depois de mais de 18 horas de tensão.

Com essa última edição comemorativa dos 20 anos, encerra-se o #XXX20 bem como a XXXtrilogy. O que vocês podem nos adiantar para o ano que vem? E quantos anos vocês ainda vislumbram nessa empreitada? Podemos esperar mais 20 [risos]?

Olha, podem esperar muito ainda, com certeza. Enquanto houver tesão nessa parada toda, haverá XXXPERIENCE Festival com o mesmo amor de sempre. Sobre o ano que vem, ainda é muito cedo pra falar, mas já temos um ponto de partida e eu estou muito animado sobre isso. Aguardem! ~

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Entrevista

Conquistando a Ásia: DJs brasileiros falam sobre o novo polo da música eletrônica

Nayara Storquio

Publicado há

Ásia
O jovem Liu estreia na Ásia nesta semana. Foto: Rafael Oliveira/Divulgação
Bhaskar, Liu, FELGUK e Cat Dealers relatam suas experiências no continente
* Com a colaboração, revisão e edição de Flávio Lerner

Quando falamos de dance music no contexto internacional, os primeiros destinos que vêm na nossa cabeça são Europa e Estados Unidos. Não se iluda; este é apenas mais um reflexo da influência musical e cultural que esses lugares têm sobre nós. A verdade é que o novo oásis da indústria da música eletrônica está bem mais longe do que imaginamos: na Ásia. E é pensando nisso que não só os Top DJs mundiais como também os brasileiros estão se aventurando em terras orientais e fazendo muito sucesso.

Que a Ásia vem roubando a atenção do mercado não é de hoje. É evidente que o continente proporciona condições ideais para realização de festivais, por exemplo. Se avaliarmos o clima, o público, as paisagens e o custo, fica fácil saber o porquê. Ainda em 2015, o CGA Strategy divulgou um ranking dos 250 melhores festivais do planeta, e a Ásia, com apenas dez concorrentes, emplacou cinco: o Sunburn, na Índia; o Zoukout, em Singapura; e Clockenflap e Storm Electronic Festival, na China. De lá pra cá, a cena só cresceu.

Sabendo da mina de ouro que se tornou o “mundo oriental”, os nossos DJs também resolveram desbravar o continente. Alok, FELGUK, Cat Dealers, Sevenn, Liu, Bhaskar, D-Stroyer, Gaby Endo, Wav3motion, Renato Cohen, Gui Boratto e André Pulse são alguns dos que se destacam nessa aventura, e a Phouse entrevistou alguns dessa lista que só aumenta.

Ásia

Foto: Divulgação

Neste sábado, dia 04, a label UP Club desembarca no Half Moon Festival, em Koh Phangan, Tailândia. O showcase do selo de Alok vai levar muita brasilidade consigo com Liu, Bhaskar, Shapeless, Ekanta, Logica (antigo projeto de Bhaskar e Alok) e o Tripical (o único artista que não é brasileiro) fechando o line. Alok já deixou suas marcas no Oriente, e é visto como um dos nomes que “puxou o carro” para os seus colegas terem mais espaço no outro lado do planeta. O DJ mais popular do Brasil faz várias turnês no continente asiático desde 2016, tocando em países como China, Indonésia, Vietnã e Filipinas.

Seu irmão, Bhaskar, também tem experiência no continente. O DJ já tocou no SKY Garden, em Bali, no 1900 Le Theatre, no Vietnã, além do próprio Half Moon Festival, e nos contou sobre suas impressões. “[Os asiáticos são] Um povo muito evoluído mentalmente. O que sinto é que é mais difícil perder a pista na Ásia. Todos estão super envolvidos do começo ao fim da apresentação, e parecem não se cansar nunca!”, complementa o DJ. O artista comentou também sobre as limitações da cena e sua crescente evolução. “Como a música eletrônica não tem barreiras, era de se esperar que chegasse aqui [na Ásia], e esse crescimento tem sido constante. Cada vez que eu volto eu noto a diferença. A única parte chata é que vários clubs têm limites de horários bem restritos, então se torna difícil fazer sets mais longos.”

Já o jovem Liu, que inclusive tem descendência chinesa, está chegando agora na cena oriental, e entende que o mercado asiático é promissor. “A Ásia é um dos maiores novos polos de música eletrônica do mundo, pois é um continente massivamente populoso e que está em constante expansão econômica”, argumentou. Ele defendeu ainda o “up” que tocar no continente pode dar na carreira.

“Acredito que exista uma grande relevância e respeito na carreira dos artistas em atingirem a Ásia, já que é um mercado fechado e difícil de chegar”. Liu revelou que já foi até convidado para participar de um reality show sobre DJs na China. “Foi uma grande honra em saber que represento os DJs chineses no Ocidente. Não sei se vou poder participar devido às minhas datas no Brasil”. O garoto toca nesta semana em dois showcases da UP Club (Vietnã, no dia 03, e Tailândia, no dia 04).

Os caras do Sevenn também podem ser considerados parte dessa história. Americanos de nascimento, mas brazucas de coração, os dois têm a maior parte da sua agenda hoje em dia voltada para o nosso país, sendo inclusive representados pela Artist Factory — agência de São Paulo que cuida da carreira de muitos dos nomes aqui citados. O Sevenn está com uma turnê recheada de destinos asiáticos para 2018. Só neste mês de agosto eles vão tocar no Japão, na Índia, na Tailândia e na Coreia no Sul. A Phouse tentou contato com o duo e o Alok para mais detalhes de suas experiências orientais, mas não recebemos resposta até o fechamento desta matéria.

Enquanto para uns a Ásia ainda parece ser “outro planeta”, para outros ela já faz parte da vida profissional. É o caso do FELGUK. Os brasileiros já tocam por lá há quatro anos, e revelaram pra gente que a presença eletrônica no continente só cresce. “Quando falamos da Ásia, falamos da maior população do mundo, a velocidade com que a música eletrônica cresce lá é impressionante. Os menores festivais são quase do tamanho dos maiores daqui. Acredito que nos próximos anos a Ásia será o novo polo da música eletrônica, se já não é”, comentam.

Os dois acrescentam que antes deles, o Wrecked Machines, antigo projeto do Gabe, já havia passado por lá. Ainda segundo os DJs, a vertente mais popular era o psytrance, e a maioria das festas e festivais aconteciam no Japão. Outra característica de destaque no cenário asiático de dance music é a estrutura. “São extremamente inovadores quando o assunto é produção de eventos. Os níveis de produção e tecnologia usados nos clubs e festivais, é de ficar de boca aberta”, lembrou o duo, que já tocou no M2 Club, em Shanghai, e V2Tokyo, no Japão.

“A música como um todo, inclusive a EDM, tem a capacidade de unir as pessoas, independentemente da cultura, do credo e da filosofia” — FELGUK.

Outra dupla que chegou na empreitada oriental recentemente é o Cat Dealers, cujos integrantes destacaram que grande parte da cena de lá é influenciada por padrões ocidentais. “O Top 100 da DJ Mag é bastante influente entre o público asiático. Vários países do continente têm acesso restrito a sites e redes sociais ocidentais, portanto países como a China usam o ranking para saber quem são os DJs em alta pelo mundo”, disseram, indo ao encontro da carta aberta ao público que 3LAU escreveu sobre a relação entre o Top 100 e a Ásia, em 2016.

Para os Dealers, a chegada ao continente asiático também foi proporcionada pela popularização de uma de suas produções mais recentes. Eles revelaram que “depois de ‘Sunshine’, que fez bastante sucesso na Rússia”, foi possível pôr a Ásia na agenda. A turnê incluiu shows na China, Hong Kong, Vietnã e Coreia do Sul, em julho deste ano. Apesar do crescimento do mercado, eles confessam que chegar na Ásia ainda é um “feito inusitado” para alguns. “Os outros DJs sempre nos perguntam como são os detalhes, como é a vibe do público, como são os clubs… Rola curiosidade demais, parece que fomos tocar na Lua”, brincam.

Os números não mentem: tanto os exemplos da exportação dos nossos DJs quanto as pesquisas evidenciam a Ásia como um potente mercado para o setor. Divulgado em maio, o IMS Business Report 2018 já tinha apontado a música eletrônica como o gênero que mais cresceu em popularidade no continente. O estudo revela que 64% da China e do Taiwan escutam dance music, chegando a 74% na Coreia do Sul. Dá pra apostar, então, que vai ter muito DJ indo pra lá nos próximos anos — e, tomara, cada vez mais brasileiros espalhando a sua arte.

Nayara Storquio é redatora da Phouse.

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Entrevista

Federal Music aposta em racionalidade e “pés no chão” para seguir bombando no Brasil

Nayara Storquio

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Federal Music
Raul Mendes no Federal Music. Foto: Filipe Miranda/Reprodução
Raul Mendes explica como driblou o desânimo e os obstáculos para seguir firme com seu festival

O nosso país não passa por um dos melhores momentos econômicos já há algum tempo, e isso afeta vários setores da dance music nacional, entre eles os festivais. Em tempos de vacas magras, o Federal Music Festival vem procurando se reinventar para se manter na agenda, driblando as adversidades impostas pelo momento, pelo público e pelo mercado.

Em 2015, depois de uma intensa campanha publicitária que atraiu pessoas de todas as partes do país, o Brasil conheceu o Federal Music. O festival surgiu em 2011, com o intuito de tornar Brasília uma das cidades referência em música eletrônica, e nesses sete anos acumulou mais de 190 mil frequentadores, virando tradição na capital nacional.

“É muito triste apostar em tendências e as pessoas quererem somente o ‘feijão com arroz’. Meus sócios me fizeram enxergar o evento mais como business: fazer só o que o público quer” — Raul Mendes

O “Federal”, como os brasilienses o apelidaram, é hoje o maior evento de música eletrônica da sua região. “Criamos a maior marca de música eletrônica do Centro-Oeste do país e temos grande parte nisso, pois não medimos esforços até então para trazer o que há de melhor no mundo para cá”, comenta o DJ e produtor Raul Mendes — sócio-fundador do evento ao lado do DJ Raff —, em contato com a Phouse.

Mesmo com os grandes resultados da popularização do gênero no Planalto Central, nem tudo foram flores na trajetória do evento. Com a chegada da crise, que forçou cancelamentos de festivais ao redor do país nos últimos anos, o Federal teve que remar para não desaparecer. “Brasília é uma cidade que anda para trás. Fica cada vez fica mais difícil empreender no mercado de entretenimento. É a comunidade batendo de um lado, a gente tentando resolver de outro, e o público criticando. Difícil equalizar essa vibe. Se tivéssemos mais incentivo e mais tolerância, seria o ideal”, segue Mendes.

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As dificuldades chegaram a um ponto crítico no ano passado, quando Raul chegou a anunciar seu afastamento, alegando desmotivação. “É muito triste apostar em tendências, investir pesado e as pessoas quererem somente o ‘feijão com arroz’ comercial que toca toda hora”, explica. “Em 2015, 2016 e 2017 foi assim, e cada vez piorando, então tomei a decisão de sair. Porém, o negócio não anda 100% sem a minha presença, e meus sócios me fizeram enxergar o evento mais como business: fazer só o que o público quer realmente ouvir, e pronto.”

A partir de agora, o Federal se planeja para driblar os imprevistos, contratempos e dificuldades impostas pelo macroambiente com “pé no chão, pouca emoção e trabalhando mais dentro do racional”. A edição de 2018 segue dentro dos conformes, e já tem algumas atrações confirmadas. Infected Mushroom, SKAZI, Astrix, Paranormal Attack, Reality Test, Trindade B2B Dimitri Nakov, Freakaholics e Hi-Profile são os nomes para o palco de psytrance em destaque até agora, enquanto os brasileiros Felguk, Liu, Devochka, Cat Dealers, Evokings, KVSH e VINNE, além do italiano Jude & Frank, são os DJs já escalados para o segundo palco, de low BPM/brazilian bass. Diversos outros nomes ainda serão anunciados.

Primeira fase, anunciada no começo do mês, já tem acréscimos

“No psytrance, os heróis são os artistas internacionais. Na house, deixamos de priorizar os gringos e estamos consumindo mais cena nacional. Analisamos quem está mais em evidência no momento em nossa cena — os artistas mais pedidos e os eventos que estão mais bombando”, explica o boss do Federal Music. Além dos dois palcos, em que prometem “cenografia inédita”, o evento trará novidades para este ano. Em primeira a mão, Raul nos adiantou que desta vez o festival terá sua primeira edição “que adentrará o dia”, em vez de se encerrar na madrugada, como de praxe. A produção ainda promete elevar as expectativas em qualidade: “Vamos ter uma entrega jamais vista. Nesta edição teremos muito a nível de experiência, fora o lineup”, concluiu.

Em local inédito, ainda mantido em segredo, a oitava edição do Federal Music vai rolar no dia 11 de outubro. Em lote promocional, os ingressos já disponíveis via Sympla.

Nayara Storquio é colaboradora da Phouse.

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Premiere

PREMIÈRE: Gezender, Moebiius – Samadhi (BLANCAh Remix)

Phouse Staff

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BLANCAh Hernan Cattaneo
Foto: Reprodução
Faixa será lançada em EP pela Neurom Records

Hoje tem lançamento de faixa exclusivo aqui pela Phouse. Trata-se do remix de BLANCAh para “Samadhi”, collab entre os produtores brasileiros Gezender e Moebius. A faixa faz parte do EP Tantra, que será lançado oficialmente no próximo dia 26, pelo selo berlinense Neurom Records. Além da original e da produção da BLANCAh, o disco traz remixes dos projetos paulistanos TessutoTeto Preto.

“A BLANCAh é nossa amiga há muitos anos. Ela é de Florianópolis, de onde eu vim, e onde o Moebiius mora, e nosso trabalho tem muitas coisas em comum”, explicou Gezender à imprensa. “Eu mostrei a música para ela, que adorou e topou fazer o remix.” Em contato com a Phouse, a artista complementou: 

“Geralmente quando eu aceito fazer remixes para outros artistas, tenho uma tendência de colocar muito da minha identidade, a ponto de quase parecer outra música. No caso desse remix específico, foi diferente. Foi o trabalho mais generoso que eu fiz porque fiz pensando no Tiago Franco [Gezender]. Pelo carinho que eu tenho por ele, pelo fato de eu já conhecê-lo há um tempão, por conhecer um pouquinho do gosto musical dele, da cena que ele criou em Floripa…”, declarou a BLANCAh. “Então eu tentei usar os sintetizadores um pouco mais rasgadinhos, alguns momentos lembrando de leve um electro, pensando bastante nas lembranças que eu tinha dele. Eu não criei muitas viagens etéreas nele, fui mais específica e direto ao ponto.”

E apesar de o EP só chegar daqui a sete dias, é nesta noite de quinta que vai rolar a festa de lançamento do EP. O rolê é no Tokyo, em São Paulo, a partir das 23h. O lineup traz os autores de Samadhi e dois dos remixers do EP: BLANCAh e Tessuto.

“Convidamos dois dos artistas que fizeram remixes para a ‘Samadhi’, com sets que passeiam entre house, electro e techno”, complementa Gezender. “As influências japonesas presentes no Tokyo, onde acontece a festa, passeiam também pelas nossas produções, e o local escolhido pra este lançamento vem muito a calhar. Vai ter pista fervendo até as 6h da manhã!”

Você pode conferir mais informações na página do evento.

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