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Como a XXXPERIENCE completa 20 anos em uma cena imediatista

Flávio Lerner

Publicado em

11/11/2016 - 17:40

Erick Dias fala sobre os vinte anos de uma das marcas mais expressivas da cultura clubber brasileira.

Amanhã é uma data especialíssima para um dos maiores e mais representativos núcleos da cultura clubber nacional. A XXXPERIENCE, que tem celebrado seus vinte [isso mesmo, VINTE!] anos de atuação neste 2016 com festivais pontuais em diversos cantos do Brasil, fecha essa comemoração com chave de ouro no seu último ato do ano. Parte final de uma XXXtrilogy, que lançou três conceitos nos últimos três anos para marcar essa passagem [“Vale dos Dragões”; “Portal dos Desejos”; “Reino Mágico”], a #XXX20 traz à Arena Maeda, em Itu, nomes como Steve Angelo, Infected Mushroom, FTAMPA, Alok, Chapeleiro, ILLUSIONIZE, Tropkillaz, Skazi, Ben Klock, Dubfire, Stephan Bodzin, DJ Mau Mau, Volkoder, The Martinez Brothers, Claude VonStroke e muitos outros, em quatro palcos que representam EDM, trance, techno e tech house. Erick Dias, responsável por, junto ao sócio de No Limits, Edson Bolinha, liderar a XXX desde 1998, deu uma palavrinha retrospectiva sobre essas duas décadas de muito trabalho e muitas mudanças, em papo que você lê abaixo.

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São 20 anos de XXXPERIENCE, e 18 anos que vocês da No Limits trabalham à frente da marca. Como enxergam, de forma geral, as mudanças que rolaram no cenário da música eletrônica nesse tempo todo?

20 anos é um tempo e tanto. Muitas coisas mudaram ao longo desse período, tanto dentro do evento como na cena nacional e global. Passamos por várias fases, combatemos uma discriminação da mídia pesada no meio da década passada, nos reposicionamos — de rave a festival — e hoje vivemos um cenário de concorrência direta com grandes festivais internacionais que passaram a atuar no mercado brasileiro com um budget desproporcional, o que é bastante produtivo, pois alavanca o segmento, eleva o nível de entrega, faz com que o público tenha muito mais opções. No que tange à música em si, ela é cíclica. Ondas vão e vêm, sobretudo no Brasil. Permanecem em atividade os artistas que não surfam, mas que fazem um trabalho original, autêntico e que envolva as pessoas.

E pra vocês, enquanto empresa, o que mudou com o passar do tempo? Imagino que, se por um lado é muito melhor termos uma cena maior, mais profissional e mais sólida, por outro a competição aumenta bastante, o que é um desafio.

Como falei, a concorrência hoje é até desleal do ponto de vista de investimento. Entretanto, a solidez e a reputação de um evento como XXXPERIENCE fala muito alto. Alguns festivais que chegam ao país pela primeira vez também sofrem para se estabelecer, já que é preciso construir a marca aqui — não basta apresentar um lineup de primeira. Hoje trabalhamos com a estrutura mais enxuta possível e com o planejamento muito bem arquitetado para otimizar os resultados. O momento do país não é nada favorável e requer muita atenção.

Por marcar os 20 anos do projeto, 2016 tem sido um dos anos mais movimentados da XXXPERIENCE, mas, vislumbrado já há três anos, o plano era de que essa celebração fosse ainda maior, não é mesmo? De certa forma, rolou uma frustração por uma data tão especial ter calhado justamente com esse momento não favorável? Como vocês têm encarado esse desafio?

Sim, vou te falar que se o momento fosse outro, poderíamos levar pelo menos 50% a mais de pessoas. Mas não temos muito a reclamar. Graças a Deus, o planejamento da trilogia vai ser encerrado com chave de ouro. Neste sábado vamos entregar uma Edição Especial digna dos 20 anos. Estamos muito felizes em poder oferecer aquele lineup comemorativo para os fãs do trance, um Steve Angello no Love Stage, um Dubfire com Ben Klock e Stephan Bodzin para os techneiros, bem como The Martinez Brothers, Claude VonStroke, Amine Edge & DANCE e Adriatique para os fãs de deep e tech house. Sem contar o time nacional, que está muito bem representado, sem dúvidas. Crise à parte, vamos celebrar com força neste sábado!

 “Se não fosse um momento de crise, poderíamos levar pelo menos 50% a mais de pessoas.”

Você e o Edson Bolinha são os principais nomes a frente do projeto, mas em uma marca tão grande, com tanta estrutura e planejamento, imagino que exista toda uma vasta equipe por trás. Com quantas outras pessoas ou empresas vocês trabalham? Como se dá, resumidamente, essa divisão de tarefas?

No evento trabalham cerca de mil pessoas, entre colaboradores diretos e indiretos. Temos um gerente do evento, os líderes de cada setor, que coordenam suas equipes, e todo o restante do staff, que chega para prestar serviço no dia, após um longo processo de seleção e treinamento. Bolinha e eu sabemos de cada centímetro, planejamos uma Edição Especial com quase um ano de antecedência. Fazemos questão de controlar tudo bem de perto a fim de garantir qualidade máxima em cada ação.

No meio da dance music, grande parte das faixas, dos artistas e dos gêneros musicais já surge com prazo de validade — eles têm um ciclo de vida muito curto, em que nascem, crescem com muita força em pouco tempo e logo morrem. Como é fazer 20 anos em um meio em que essa descartabilidade é cada vez mais forte?

Não é fácil. Talvez o segredo seja colocar a mão na massa, se envolver de corpo e alma no dia a dia, como sempre fizemos. Essa “descartabilidade” é um hábito de comportamento da nova geração. Como tudo está disponível a qualquer momento, basta um Google, eles não se preocupam em se aprofundar em determinado tipo de conteúdo, em história ou arte. Soma-se a isso o fator cultural do país. Para se manter nesse cenário, é preciso envolver o público, dar o que eles querem, mas sempre surpreendê-los com algo inesperado. Isso serve para todos os players, marcas, eventos ou artistas.

Vocês são desbravadores da cena brasileira. Quais enxergam como as principais contribuições que a XXXPERIENCE trouxe pra esse nicho?

O evento foi pioneiro em muitos sentidos. Prêmios, turnês, lineups, CDs, DVDs, brindes, cenografia, e até em reposicionamento de marca. Se a música eletrônica é um fenômeno presente em livros, filmes, comerciais de TV, moda, jornais e revistas, a XXXPERIENCE é um dos alicerces dessa cultura no Brasil, inegavelmente.

“Os holandeses são a melhor referência. Eles transformaram a experiência do público consumidor de música eletrônica.”

Que outros núcleos e festivais da cena clubber vocês levam como inspiração e referência?

Os holandeses são a melhor referência. Eles transformaram a experiência do público consumidor de música eletrônica, reinventaram o jeito de consumir — ir a um festival deixou de ser um mero rolêzinho para ouvir seus DJs preferidos, passou a ser um espetáculo comandado por grandes artistas com cenografias absurdas. Isso transformou a cena global.

Como produtores executivos nesse mercado, vocês mantêm sempre um olho nas tendências que rolam no mundo todo, e no Brasil também. Que movimentos, cenas ou microcenas que estão sendo encubadas vocês observam com maior entusiasmo? Quais as principais apostas para o futuro?

Eu procuro viajar bastante e me manter antenado nas tendências. Acho que hoje vivemos um momento de transição, o que pode ser muito frutífero do ponto de vista criativo. É nessas horas que as mentes mais brilhantes conseguem se reinventar e fazer nascer novos gêneros e sons. Vejo com bons olhos a volta da house music tradicional, o retorno do trance com uma força esmagadora, a transição do electro house para o future house, o fortalecimento do techno e o reinado do “deep house”. Estou gostando de ver os nomes nacionais fazendo tracks com cantores brasileiros. Não é novidade, mas acho que ainda há muito a ser explorado nesse sentido.

A XXXPERIENCE começou influenciada pelo movimento raver europeu, e se manteve como rave por muitos anos, até migrar para o formato de festival — um dos maiores marcos da sua trajetória. Apesar de os festivais estarem cada vez mais populares, vocês não enxergam esse movimento de raves ressurgindo, de certa forma? Como vislumbram isso?

Sim, sem dúvidas. O trance voltou com tudo. Nossas últimas edições mostram isso e é justamente por esse motivo que o #XXX20 terá o Peace Stage em novo local, ainda maior e duas apresentações dessa linha no palco principal: Chapeleiro — que na real não é trance, mas fala com essa galera — e o back to back de Infected Mushroom e Skazi, que certamente vai ser histórico.

 “Se a música eletrônica é um fenômeno presente em livros, filmes, comerciais, moda, jornais e revistas, a XXXPERIENCE é um dos alicerces dessa cultura no Brasil.”

Em entrevista pro THUMP em 2014, você e o Bolinha falaram sobre os desafios de fazer as raves em uma época em que elas eram algo ainda bastante desconhecido e mal visto pela opinião pública. Hoje, como é a relação de vocês com a imprensa? Vocês ainda enxergam a música eletrônica muito estigmatizada mundialmente, sobretudo na relação com o uso de drogas?

Hoje nossa relação com a imprensa é muito mais suave. Acho que está superada essa associação exclusiva de drogas e música eletrônica. Toda a sociedade sabe que as drogas são uma questão de saúde pública e que elas estão por todos os lados, desde a esquina da sua casa até a sala de aula, infelizmente, mas fazemos a nossa parte com muita dedicação junto aos órgãos públicos competentes em cada edição do evento.

Quais os principais — mais peculiares, emocionantes ou engraçados — episódios que vocês têm pra contar desses 20 anos?

Um peculiar: a Edição Especial de dez anos, que foi um marco sem precedentes — reunimos 30 mil pessoas com um lineup unicamente trance e sem dispor de meios de comunicação de massa na campanha. Um emocionante: a apresentação de Paul van Dyk em 2010, encerrando o festival; ali realizamos um sonho. Um engraçado: não me recordo exatamente de um, mas de vários. Normalmente acontecem quando encerra o evento e os sócios se reúnem para celebrar e relaxar depois de mais de 18 horas de tensão.

Com essa última edição comemorativa dos 20 anos, encerra-se o #XXX20 bem como a XXXtrilogy. O que vocês podem nos adiantar para o ano que vem? E quantos anos vocês ainda vislumbram nessa empreitada? Podemos esperar mais 20 [risos]?

Olha, podem esperar muito ainda, com certeza. Enquanto houver tesão nessa parada toda, haverá XXXPERIENCE Festival com o mesmo amor de sempre. Sobre o ano que vem, ainda é muito cedo pra falar, mas já temos um ponto de partida e eu estou muito animado sobre isso. Aguardem! ~

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Entrevista

“Queremos saber o que o mundo acha do Rooftime”

Trio que chegou chegando na cena brasileira explica de onde veio e para onde vai

Flávio Lerner

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Rooftime
Gabriel Souza Pinto, Rodrigo Souza Pinto e Lisandro Carvalho formam o Rooftime. Foto: Lufre/Divulgação
* Com a colaboração de Lucio Morais Dorazio

Ter seu primeiro lançamento pela Spinnin’ Records e em parceria com um dos maiores nomes do seu país é um sonho praticamente inalcançável para muitos. Não para o Rooftime. O trio, formado pelos irmãos Gabriel e Rodrigo Souza Pinto (25 e 21 anos, respectivamente) com o amigo Lisandro Carvalho (21), fez sua estreia no final de setembro com “I Will Find”, collab com o Vintage Culture.

Pouco se sabe sobre o projeto, que não só nunca havia lançado uma música oficialmente, como também ainda não fez nenhuma apresentação ao vivo, nem no formato DJ set. Os caras, portanto, são novos não só na idade, como também estão chegando agora na cena — e dá pra dizer que já chegaram sentando na janelinha.

Além de ultrapassar um milhão de plays no Spotify e chegar a quase quatro milhões de visualizações no YouTube em questão de semanas, e de ser escolhida como música tema do Réveillon John John Rocks 2019 — que rola na praia de Jericoacoara, no Ceará —, a track indica uma sonoridade e um caminho repletos de potencial a serem seguidos pelo grupo.

Assim, entramos em contato com os rapazes, naturais de Itatiba–SP, para entender melhor de onde vieram e para onde vão daqui pra frente.

O clipe de “I Will Find” foi gravado em Jericoacoara, no cenário do John John Rocks

Contem pra gente um pouco sobre as origens de vocês e o primeiro contato com a música. Como surgiu o Rooftime?

Gabriel: Sempre fomos apaixonados pela música, mas sem grandes perspectivas. Eu já tinha acabado a faculdade de Administração com foco em Comércio Exterior na PUC–Campinas, havia trabalhado na área recentemente, mas não era o que me motivava. Nunca deixei que a música saísse da minha vida, então mantinha sempre o projeto com algumas bandas, junto com o Rodrigo todas as vezes.

Rodrigo: Na época, eu estava no segundo ano da faculdade, fazendo o mesmo curso que o meu irmão fez, mas também sentia que não era aquilo que eu queria. Sendo filhos de artistas, nós dois convivíamos com música desde o berço, então sabíamos que esse seria o nosso caminho também. Mas o grande problema era nos acharmos no meio musical e criar algo diferente.

Lisandro: Eu sempre tive essa preocupação também, porque comecei a produzir desde muito cedo, e queria encontrar algo totalmente fora da caixa. Tive um projeto antes, mas eu ainda sentia que não era o melhor em que eu poderia chegar. Tudo isso mudou quando eu conheci o Rodrigo na van, indo pra faculdade. Na época, eu fazia o mesmo curso de Administração. A gente começou a conversar sobre música, e todas as ideias bateram muito rápido!

Rodrigo: Não demorou muito para gente se reunir em casa, onde nos juntamos com o meu irmão. Isso foi no começo de 2017, no mês de maio, se eu não me engano. Afinamos o violão e saíram as primeiras melodias. Começamos na brincadeira, sem compromisso, como um hobby mesmo, sem muita ideia do que poderia acontecer. Desde então, a gente se reúne quase que diariamente pra fazer música, que é o que a gente ama fazer de verdade.

O nome “Rooftime” tem uma origem bem interessante. Contem melhor essa história pra gente.

Gabriel: No começo, não tínhamos um lugar reservado em casa pra poder criar. A gente se reunia no último andar de casa que, através de uma janela, dava acesso ao telhado. Subir lá, naquela época, era uma aventura, um mundo paralelo que encarávamos como um refúgio criativo, onde o mais importante era criar e ter ideias. Aos poucos isso foi se tornando rotina, e sempre que surgia alguma coisa nova, a gente dizia: “hora de subir no telhado”. Assim surgiu o nome “Rooftime”.

+ “I Will Find”, de Vintage Culture e Rooftime, é lançada pela Spinnin’

Quais são as maiores inspirações musicais de vocês?

Lisandro: Cada um de nós traz um pouco das nossas referências, mas pra compor nossa sonoridade, escutamos muita house music, indie rock, funk americano, soul, jazz e folk. Estamos sempre em busca de artistas novos e atentos a vários estilos, mas nossas inspirações hoje são Solomun, David August, RÜFÜS DU SOL, Claptone, Jan Blonqvist, Fatima Yamaha, Drake, Karmon, Milky Chance, Tube & Berger e alguns outros.

Podemos esperar que “I Will Find” seja uma boa amostra da identidade sonora do projeto? Uma coisa meio synth pop, mesclando elementos da house e do blues/rock — algo na linha do Elekfantz, mais ou menos

Rodrigo: A “I Will Find” é o melhor cartão de visitas possível. Nela, todo mundo pode ouvir e sentir a nossa intenção dentro da música eletrônica, com uma pegada acústica e sempre muito original. Acho que essa mistura de synth pop com um pouco da nossa essência é o que define nosso som, pois sempre sentimos que as faixas saem diferentes, mas também muito carregadas de emoção. Cada um dos três deposita tudo o que sente em cada música que criamos juntos, e acho que isso foge de qualquer denominação de estilo musical.

Rooftime
Foto: Lufre/Divulgação

Vocês nunca se apresentaram publicamente, mas sempre produziram. Como se dá esse processo de produção do trio?

Lisandro: A gente sempre tenta fazer algo com a nossa identidade, e na maioria das vezes o processo é bem orgânico, criativo e espontâneo. Não existe uma regra. Tudo começa no improviso: criamos juntos a harmonia, melodia e ritmo independente da aptidão musical de cada um. Temos bastante afinidade e as ideias acabando surgindo naturalmente.

Como surgiu a oportunidade de coproduzir com o Vintage Culture, logo no primeiro lançamento?

Gabriel: A “I Will Find” foi a primeira música que produzimos logo depois de nos conhecermos. Mal tínhamos um projeto formado, nem sequer um nome. Assim que terminamos, queríamos um feedback. Mandamos a música para o Lukas e ele abraçou a track na hora. Foi um ano de espera e de muita ansiedade, e agora, vendo a repercussão, não poderíamos estar mais felizes!

“Hoje conseguimos nos ver dentro do mundo musical de outra forma, muito diferente de antes, quando a única coisa em comum entre nós era um sonho” — Gabriel Souza Pinto.

E por que esperar um ano para esse lançamento? Foi uma estratégia de debutar o projeto já com o pé na porta?

Lisandro: Quando soubemos do interesse do Lukas pela faixa, tomamos a decisão de focar todos nossos esforços em produzir mais. Nem pensávamos mais na “I Will Find”, estávamos preocupados em consolidar nosso estilo musical e ficarmos cada vez mais entrosados no nosso processo criativo. Então, passamos todo esse tempo criando muitas outras músicas, trabalhando forte todo dia, muitas vezes até a madrugada, para que tivéssemos a certeza de que era o caminho certo.

Gabriel: Acho que tudo veio a calhar na hora certa. Por mais longa que tenha sido a espera para mostrar nosso trabalho para todos, sabemos que tudo foi muito proveitoso e necessário. Hoje conseguimos nos ver dentro do mundo musical de outra forma, muito diferente de antes, quando a única coisa em comum entre nós era um sonho.

Agora que o projeto foi lançado oficialmente, dá pra imaginar que vocês tenham já muitos outros lançamentos e gigs agendados pra logo mais. O que vem por aí?

Lisandro: Estamos nos preparando para lançar nossa segunda música, e a ansiedade não para de aumentar. Queremos lançá-la ainda neste ano, e estamos trabalhando forte nisso. Mas temos faixas preparadas para além do ano que vem, então tem muita coisa vindo por ai!

Gabriel: Também estamos estudando algumas possibilidades de gigs. Queremos ter certeza de nos apresentarmos na hora certa. Não podemos confirmar nada por enquanto, mas quem sabe no final do ano não surge alguma coisa?

Rodrigo: Estamos muito ansiosos pelo que está por vir. Temos colaborações com grandes artistas da cena a caminho, mas basicamente queremos que a nossa música ultrapasse as fronteiras e atinja um público cada vez maior. Queremos saber o que o mundo acha do Rooftime!

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Review

Menos é mais: menor, Federal Music apostou em line justo e cenário futurista

Oitava edição do festival mostrou amadurecimento da produção em Brasília

Nayara Storquio

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Review Federal Music
Foto: Coletivo 2takeapic/Divulgação
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Na última quinta-feira, dia 11, Brasília hospedou a oitava edição do Federal Music Festival. Aterrissando em um dos cartões postais da capital, a Torre de TV Digital, o evento de 2018 apostou na atmosfera oferecida ao público. Com estrutura cenográfica exclusiva, três palcos e mais conforto, o Federal 2018 focou mais na organização. Para cerca de dez mil pessoas, a produção ofereceu um lineup justo nas 12 horas de festa, mesmo apesar de o festival ser menor do que vinha sendo nos últimos anos, quando recebeu entre 20 mil e 30 mil frequentadores.

Se você já foi a Brasília, deve ter reparado que por lá a arquitetura é levada muito a sério. Dentre os monumentos icônicos da capital, a Torre de TV Digital é um dos mais futurísticos. No estacionamento da “Flor do Cerrado”, como a torre é chamada, foi onde foi montada esta edição.

Review Federal Music
Foto: Coletivo 2takeapic/Divulgação

Logo na entrada, a estrutura de andaimes que ostentava o nome do evento,  os parceiros e os patrocinadores, recebia a galera. O prédio de 120 metros de altura, e toda sua vibe espacial estilo casa dos Jetsons, contribuiu muito para o cenário inédito. Era impossível não admirar o monumento ao passear por ali.

Nesse cenário, três palcos estavam dispostos como opção para o público: Mantra Stage, House Mag Stage BURN DJ Stage. O palco da House Mag era a única estrutura totalmente coberta; não se sabe se por motivos meteorológicos ou de acústica, mas a cobertura não parecia fazer parte da cenografia, deixando o palco com um ar de galpão.

Review Federal Music
Foto: Coletivo 2takeapic/Divulgação

Todavia, a falta de ornamentação do toldo não influenciou em nada o sucesso da pista, que trouxe alguns dos nomes brasileiros de mais destaque na cena atual. O duo Cat Dealers, o KVSH, o Liu e o FELGUK foram os que lotaram completamente a capacidade de todas as áreas do palco — pista, camarotes e lounges. Helmer B2B Invictor, Devochka, VINNE, CIC, Evokings, Jude & Frank, Skullwell & Simple Jack e Raul Mendes & Áquila fechavam o time.

Do outro lado do estacionamento ficava o Mantra Stage, cuja cenografia não decepcionou. Composto por duas estruturas separadas, um gazebo colorido na pista e um palco psicodélico ornamentado com as figuras de dois camaleões, o Mantra teve ótima aceitação — sempre cheio, desde as 21h, quando tudo começou, até as 09h do dia seguinte.

Review Federal Music
Foto: Coletivo 2takeapic/Divulgação

Também não era pra menos, já que o palco, que trazia muito psytrance, foi comandado por ninguém menos que Astrix, Infected Mushroom, Skazi, Paranormal Attack. Performances de Hi Profile B2B Vegas, Reality Test, Phaxe, Dekel, Dimitri Nakov b2b Trindade, Freakaholics e Giaco & Wizards & 32 Project se apresentaram por ali. O poder do sistema de som era tão grande que interferiu em alguns sets dos outros palcos, porém o problema foi corrigido no decorrer do festival.

Entre House Mag e Mantra, ficavam a área de alimentação, bares, banheiros, lojinha oficial e demais áreas de conveniência. Um dos pontos altos foi o bar da BURN, que oferecia drinks diferenciados a R$ 26,00 cada. Eram quatro opções servidas num dos quatro copos exclusivos do evento, limitados em quantidade, para influenciar o público a ser mais sustentável.

O que funcionou consideravelmente no número de copos descartáveis, porém não com as garrafinhas d’água, que apesar de custarem R$ 8,00 a unidade, cobriram o chão no final do evento. O número de lixeiras pareceu não ser suficiente para o público esperado, que foi de aproximadamente dez mil pessoas.

Review Federal Music
Foto: Coletivo 2takeapic/Divulgação

Não podemos esquecer do BURN DJ Stage Room, onde houve um livestream com artistas locais. Os vencedores do concurso DJ Room também tocaram lá, e a atração especial foi o DJ Morttagua. Esse palco ficava bem atrás do House Mag Stage, e talvez tenha sido o único prejudicado nessa edição. Sua localização não era tão evidente quanto os demais, e o acesso era exclusivo a quem vinha dos lounges e camarotes.

Quem curtiu a maioria das edições do Federal Music notou uma grande evolução e maturidade na produção. Mesmo com o encurtamento dos recursos devido à crise no Brasil, o Federal mostrou que é possível entregar um evento digno sem fugir do prometido e aproveitando locais incríveis e pouco explorados da capital do país.

Nayara Storquio é redatora da Phouse.

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REVIEW

Segunda edição do Só Track Boa BH pode ser considerada a melhor de todos os tempos

Opinião foi endossada pelo próprio Vintage Culture

Luckas Wagg

Publicado há

Foto: Fabrizio Pepe
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Nesse último sábado, 29, rolou em Belo Horizonte mais uma edição do Só Track Boa Festival. Com um lineup recheado de grandes nomes, como Vintage Culture, Bruno Be, Malaa, KVSH, CIDVolac, não é exagero dizer que esta foi a melhor edição da franquia.

E vejam bem, não sou apenas eu quem está falando. O comentário do público em geral seguiu essa linha, em opinião compartilhada até pelo Vintage Culture, que nos contou, e depois publicou no Instagram, que esta foi a maior e melhor edição do Só Track Boa já realizada em toda a história — sim, até mesmo melhor que a edição principal, que rolou em São Paulo há pouquíssimo tempo.

Só Track Boa BH
Foto: Imagem Dealers/ Fabrizio Pepe

Ao contrário de SP, que teve dois palcos, a edição mineira contou apenas com o mainstage. Reunindo 20 mil pessoas no Estádio do Mineirão, a festa começou às 16 horas, com o energético set de RDT, seguido por LOthief. O tempo, porém, era chuvoso, o que deixou em cheque a sua possibilidade de sucesso. Mas para a surpresa de todos, nem a chuva nem nada atrapalhou o brilho do evento, que ficou lotado do início ao fim.

Organizado pelo reconhecido empresário Otacílio Mesquita e sua crew da OTM Produções junto à Entourage, o Só Track Boa Belo Horizonte foi sem dúvidas um dos festivais mais bonitos e bem organizados que pude conferir nos últimos tempos — e olhem que fui em bastante festivais por esse Brasilzão, hein! Apesar de o Mineirão ajudar muito, por ser um estádio novo e bem cuidado (ao contrário do Canindé, em São Paulo), a produção se preocupou com os mínimos detalhes. Desde bares, camarotes, acessos, tudo foi muito bem ornamentado e distribuído.

After do Vintage encerrou a festa. Foto: Fabrizio Pepe

Entre os destaques da noite, começamos pelo superstar e anfitrião Vintage Culture, que marcou presença do início ao fim. Atrás do palco, o artista tinha uma espécie de playground exclusivo para si e seus convidados, que puderam desfrutar de mesa de ping pong, totó, fliperama, bons drinks e uma área de descanso.

Apesar de ser uma das atrações mais esperadas e conhecidas da label, Lukas Ruiz surpreendeu com um set vibrante do início ao fim. Sua apresentação foi recheada de faixas autorais, incluindo os seus novos hits “Pour Over” e “I Will Find” — além de alguns bons clássicos da house music e um ao vivaço de “Cante Por Nós”, com a participação do cantor Breno Miranda. A apresentação do DJ também proporcionou ao público uma experiência única, com um audiovisual diferenciado e muito fogos e efeitos do início ao fim.

Foto: Imagem Dealers / Fabrizio Pepe

Quem também roubou a cena foi o mineiro KVSH, que já estava há oito meses sem “jogar em casa”, conforme declarou em um Stories pelo seu Instagram. O jovem prodígio entrou no palco por volta das 04h30 da manhã e conseguiu manter o público eufórico do início ao fim — que também contou com a apresentação ao vivo de Lagum cantando sua faixa com a DJ Samhara, “Eu Não Valho Nada”. O DJ fez também um tributo ao Avicii com um mashup de “Wake Me Up” com “Don’t You Worry Child” — exatamente como Axwell e Ingrosso fizeram no Ultra Europe.

Outro artista que surpreendeu foi o americano CID, que mandou uma houseira do início ao fim, tocando diversos clássicos e demonstrando toda sua experiência com a pista, em uma performance bem autêntica; além de Dashdot, que fez um set super linear e trouxe ao palco a DJ, produtora e cantora dinamarquesa Ashibah, que fez um live vocal, levando o público ao delírio.

+ CLIQUE AQUI para conferir nosso papo com a Ashibah

Não foi à toa que todos saíram comentando o fato daquela ter sido uma noite histórica. O line ainda contou com “apenas” Volac, Bruno BeMalaa, Chemical Surf com a participação especial do Gabriel o Pensador Gustavo Mota em um b2b insano com a Groove Delight; e fechou tudo com o Vintage retornando ao palco para um super after que foi até as 10h da manhã.

Mas além de lineup e estrutura, talvez o grande diferencial desta edição — e que motivou essa percepção geral de ter sido o melhor Só Track Boa Festival de todos — tenha sido o público, ensandecido, muito mais animado do que de costume. Percebi que na pista tinha muita gente mais nova, galerinha de 16, 17 anos, o que demonstra como a cena em BH está em crescimento, e fomentando um pessoal que virá a ser muito em breve a nova geração da cena eletrônica no Brasil.  

Assim, o Só Track Boa foi mágico, ficou na história da cena mineira e ganhou o coração dos frequentadores de uma vez por todas. Seguindo a sua saga de conquistar os quatro cantos do Brasil, o festival já tem data marcada para acontecer em Belém, no dia 20 de outubro, e Salvador, em 14 de novembro.

Luckas Wagg é CEO da Phouse.

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