dj meme

Confira a segunda parte do papo com o DJ Meme

Ao LOFT55, um dos DJs mais importantes do Brasil falou de seu apreço pelo novo, sua trajetória e o trabalho e a amizade com nomes que vão de Frankie Knuckles a Shakira.

* Por Flávio Lerner

Em outubro, você leu aqui na Phouse o papo que bati com o figuraça DJ Meme, um dos nomes mais célebres e importantes da história da nossa cultura de pista nacional. Como já havia sido destacado no texto, uma segunda parte da entrevista ainda sairia no LOFT55, site independente do qual sou editor e fundador.

Essa parte II saiu na semana passada, e, diferentemente da primeira — na qual abordamos algumas de suas visões sobre as cenas atuais —, focamos agora em detalhes da sua trajetória, que começou nas rádios cariocas e protagonizou o surgimento do remix no Brasil, no seu apreço pela novidade e renovação e em suas relações profissionais e pessoais com uns nomezinhos aí tipo Frankie Knuckles, David Morales, Dimitri From Paris, Lulu Santos, Roberto Carlos e Shakira.

Confira algumas passagens:

“Comecei [na noite] com 15 anos, pois colava no DJ Carlos Cacho, que fazia as matinês do club Papagaio, que eu frequentava todos os domingos, e um dia o cara passou mal. Da cabine ele fez um sinal pra mim, e quando eu cheguei perto ele pediu que eu tocasse pra ele pelo menos uma horinha. […] Quando percebi, aos 15 anos eu já tinha um horário oficial em todas as matinês, e depois passei com ele para a noite.”

“[Sobre o começo dos remixes, em fita-cassete] Não havia como marcar nada fisicamente no cassete. Eu fazia tudo de ouvido mesmo. Gravava um trecho da música, e quando queria mudar para outro… Pimba! Apertava o pause na máquina, trocava o trecho e soltava o pause onde eu queria. Foi um belo treinamento para o próximo passo, […] quando consegui um emprego na Transamérica FM, e ali no primeiro dia já ganhei um estúdio inteiro para desenvolver minha técnica com mais facilidades e recursos. Quando cheguei ao gravador de rolo, eu já era quase um mestre [risos].”

“Claro que ao longo do tempo eu desenvolvi uma rede de contatos gigantesca, que permite que eu leve o meu filho no camarim do Iron Maiden no Rock in Rio, por exemplo, mas você só consegue manter isso se der algo em troca, e a minha moeda não é nada além do resultado do meu trabalho, porque helicóptero pra dar carona eu não tenho.”

“Minha parceria mais famosa é mesmo com Lulu Santos, e essa dura até hoje, seja para produzir uma música nova ou sair pra jantar numa noite chuvosa do RJ. Posso seguramente dizer que […] Lulu é o artista que mais acrescentou ao meu trabalho e ao meu foco sobre estúdios e gravações enquanto produtor musical. Ele é foda mesmo. Não está aí até hoje à toa. Assim como o rei Roberto Carlos. Ambos têm um entendimento magistral sobre suas carreiras e a direção que devem tomar. Ano passado, tive o prazer quase interplanetário de estar durante três semanas em seu estúdio na Urca, e isso, brother, não tem preço.”

“A Shakira é um caso à parte. Em 1996, fui chamado pela Sony americana para dar forma a dois remixes de uma novata colombiana. Era o seu primeiro disco na Sony e eles apostavam tudo nela. Como o remix não era para o Brasil e nem para as rádios, eu tracei uma direção que desse para eu mesmo tocar na minha pista. Bingo! Era o estouro mundial de Estoy Aqui. Esse sucesso foi registrado pela Billboard americana, que atribuía a mim o primeiro hit mundial da cantora.”

“O Frankie [Knuckles] eu conheci como fã mesmo. Visitava sua cabine desde 1992, quando ia vê-lo tocar no Sound Factory Bar em NY. Entrava na cabine com sua permissão e só saía na última música. […] Ele gostava tanto do meu trabalho que me concedeu uma honra que nunca havia dado a ninguém: convenceu a sua manager Judy Weinstein [a primeira manager de DJs do mundo] que eu deveria fazer parte da sua seleta “família real” de artistas na Def Mix Productions, onde David Morales também era seu parceiro. Foi como se o Papa dissesse pra mim: ‘Agora você não reza mais. Suba ali no altar porque a partir de hoje você é um dos nossos’. Acho que foi a maior honraria que já recebi em toda a minha carreira, pois apenas seis DJs passaram por ali em quase 30 anos de Def Mix.”

“Meus sonhos de criança foram realizados. Eu sonhava em tocar no club que eu frequentava, ganhar discos de ouro e fazer remixes profissionais. Tudo isso rolou, mas os sonhos de adulto aparecem todos os dias. Com tanta possibilidade e flexibilidade, posso até pensar em fazer uma festa dentro de um vulcão, porque certamente acontecerá.”

A entrevista você confere na íntegra no LOFT55.

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