A Haçienda, que viveu no coração de Manchester entre 1982 e 1997 e foi crucial para o surgimento da cultura rave, acaba de ganhar um documentário.

Além da rivalidade futebolística entre o Manchester United e o Manchester City, a cidade de Manchester, no norte da Inglaterra, é famosa por sua riquíssima história musical. Dos estilos mais variados — do rock à dance music — e de subculturas peculiares, como o movimento Northern Soul, a cidade vem sendo há décadas um dos maiores centros culturais do mundo.

Boa parte dessa história diz respeito à Haçienda, club que viveu no coração de Manchester entre 1982 e 1997, cercado de altos e baixos, mas, principalmente, de episódios de grande valor para a história da cultura de pista. Idealizado e fundado pelos sócios de Factory Records Rob Gretton e Tony Wilson, o club viveu aos trancos e barrancos nos seus primeiros anos, sobrevivendo principalmente graças aos lucros proporcionados pelas vendas de discos do New Order [cujos integrantes também viraram sócios do lugar]. Até que o movimento acid house — do qual escrevi sobre na segunda-feira — mudou tudo.

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Imagens internas da Haçienda

Importada dos Estados Unidos no final dos anos 1980, a resposta britânica à house music explodiria como nunca antes, e a Haçienda — também conhecida como FAC 51 Haçienda, seu “número de catálogo” pela Factory — teve papel central ao ser um dos primeiros lugares a promover noites de house no Reino Unido. A partir de 1987, o club passou a bombar impressionantemente e teve papel importante para a evolução da cultura clubber e o nascimento das raves; de acordo com a Wikipedia, a boate foi considerada a mais famosa do mundo pela revista Newsweek, bem como o décimo evento-chave da história da música de pista, segundo o Guardian. Por fim, problemas de más administrações, segurança e tráfico de drogas levaram a Haçienda à falência.

Em 2002, o club foi demolido para dar lugar a um condomínio residencial, que ficou infamemente conhecido como The Haçienda Apartments. Antes disso, porém, o prédio foi desmontado e teve suas partes leiloadas para DJs, músicos e fãs guardarem consigo souvenires do lugar histórico. Sim, o ser humano é o único animal que transforma pedaços de parede e quinquilharias em objetos simbólicos de valor inestimado.

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É a partir dessa premissa que surgiu o documentário Do You Own The Dancefloor, no qual o cineasta de primeira viagem Chris Hughes foi em busca dessas relíquias, rastreando-as e revelando seu destino e seu significado. O filme foi lançado nesse último sábado, dia 15, no Royal Northern College of Music, e parte agora para diversas exibições em salas de cinema e festivais pelo mundo.

Trailer de Do You Own The Dancefloor

Segundo a BBC, o doc começa com uma filmagem antiga do Tony Wilson — que faleceu em 2007 — declarando que a nostalgia é uma doença, e que o prédio da Haçienda tinha mais é que ser demolido mesmo, pois o que importava era a memória das pessoas. Além do Wilson, a produção traz uma série de depoimentos de artistas e antigos frequentadores da casa, além, é claro, das pessoas que compraram seus restos mortais — do cara que emoldurou pedaços da pista de dança e os distribuiu aos amigos ao maluco que ficou com o urinol.

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Pedaço da parede com diversas assinaturas, inclusive a do Peter Hook, ex-baixista do New Order, que foi um dos sócios do club

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Fã que é fã compra o urinol da Haçienda e não lava

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O Peter Hook também foi um dos leiloeiros dos fragmentos da boate, mas guardou alguns pedaços da marcante decoração amarela com listras pretas para fazer uma série de baixos; segundo o músico, a madeira não foi tratada nem polida, então os instrumentos contêm marcas de sapatos e saltos, funcionando como “esculturas vivas”

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Ian Bowker se mudou pra Sidney, mas carrega sempre um pedaço de Manchester com ele — literalmente

Infelizmente, por enquanto podemos apenas ver o trailer acima, e ficamos no aguardo de que a obra venha para o Brasil ou pinte na íntegra na internet. Agora, se você quer conhecer mesmo a história da Haçienda e de como Manchester foi importante para a cultura DJ, você tem que sacar o filme 24 Hour Party People, de 2002, no qual um Tony Wilson interpretado por Steve Coogan é o narrador e protagonista de toda a saga. Um clássico fundamental que nos ajuda a entender de onde viemos.

Uma das grandes cenas de 24 Hour Party People: “Você vê? Eles estão aplaudindo o DJ. […] É isto; o nascimento da cultura rave; a beatificação da batida; a era da dança. Esse é o momento em que até mesmo o homem branco começou a dançar. Bem-vindos a Manchester!”

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