Conheça o “Aphex Twin da roça”, um dos melhores produtores da dance music experimental brasileira

De Jorge Ben a Bob Marley, dos Saltimbancos à turma do Chaves, o mineiro psilosamples torna a IDM acessível ao diluí-la na cultura pop

Do interior de Minas Gerais para o mundo, o produtor psilosamples, alcunha de Zé Rolê, é uma das figuras centrais da cena independente e experimental da dance music brazuca. O Zé já vem ganhando muito destaque na mídia especializada nesse tipo de nicho há pelo menos três anos, quando lançou “Mental Surf” [Desmonta, 2012], mas ainda é um enorme desconhecido na visão macro da música eletrônica brasileira.

Apelidado de “Aphex Twin da roça”, o psilosamples faz uma IDM frenética, psicodélica e cheia de breaks, tal qual o famoso produtor inglês, mas com um toque muito brasileiro e caipira, que reflete a infância em meio à simplicidade e a natureza de Pouso Alegre, onde se criou.

Do disco “Mental Surf”, Ovelha Negra usa samples d’Os Saltimbancos

A partir desse álbum, o Zé está mesmo sempre participando de algum rolê — seja tocando em festivais mundo afora, seja lançando na internet um dos seus edits/bootlegs que brincam ao desconstruir clássicos da cultura popular, sobretudo brasileira. Tais edits são sempre usados em suas incríveis performances live, que são quebradas e chapantes, mas ainda assim superdançantes. Em 2012, se apresentou no Sónar São Paulo, quando o festival ainda era legal, e no ano passado abriu pro Caetano Veloso, no Circo Voador [RJ].

Bob Marley e Jorge Ben são apenas alguns exemplos de “vítimas” do produtor mineiro

O cara faz parte do agitador coletivo paulistano Voodoohop e é responsável por dois álbuns oficiais — além do “Mental Surf”, lançou neste ano o “REC/LOOP” [Desmonta], que chegou a ser vendido em fita cassete — e dois discos prévios a sua fase profissional: “As Aventuras de Zé no Planeta Roça” [2007] e o “Gentalha”, EP de 2010 que sampleia a trilha e os diálogos da versão brasileira do Chaves. Priceless.

Pois é, pois é, pois é, pois é, pois é, pois é, pois é, pois é, pois é

Se a estrutura musical do psilosamples é complexa, a pessoa por trás do projeto é extremamente simples. Já tive a oportunidade de conversar por horas com a figura ao vivo, quando tocamos juntos no interior do Rio Grande do Sul, e posso garantir que é um dos artistas menos estrela que já conheci; humildão e gente fina pacas. Possível reflexo justamente dessa criação na roça, o fato é que a simplicidade do produtor toma de assalto também à estranheza que a sua música pode provocar; as melodias agradáveis e os samples familiares, que remetem à cultura pop, suavizam toda a cabeçudice que normalmente vem atrelada à IDM. Ah, isso também se reflete nas suas preferências tecnológicas: produção musical no Fruity Loops, live tocado sem controlador MIDI, espremendo o mouse do computador na unha.

Mais recentemente, o nosso amigo soltou em sua fanpage outra pérola: YEYÉ, para coletânea da Tropical Twista Records, que mostra sua consistência de sempre. Não tem ruim pro Zé Rolê.

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