Entrevista

Conheça o autor dos cliques de Vintage Culture, Só Track Boa e Kaballah

Fabrizio Minghini, o “Pepe”, é o terceiro personagem da série “Click: a música por trás das câmeras”, que investiga o trabalho dos fotógrafos da cena eletrônica.

Pense você na ingrata tarefa encarada por um fotógrafo que se dedica ao mercado da música. Seu trabalho é registrar da melhor forma possível, de maneira visual, um espetáculo que é na sua maior parte auditivo. Como transmitir toda a energia de um momento, de uma batida, em uma simples imagem? Sem dúvida, não é um trabalho para qualquer um. Exige talento, dedicação e uma conexão profunda com a música.

Na era em que as redes sociais são instrumento fundamental para a propagação da música eletrônica, DJs, produtores, labels, eventos e todos os outros agentes da cena têm usado fortemente o apelo visual como forma de divulgação de seus trabalhos. Instagram, Facebook, Snapchat e outros são diariamente tomados por imagens estonteantes de grandes festas, palcos maravilhosos, viagens a lugares exóticos e tudo mais que puder ser capturado pela lente de uma câmera.

O que poucos param pra pensar é que por trás de cada uma dessas fotos, há um profissional que dedica sua vida a isso, a passar a mensagem da música eletrônica através da fotografia. Na série Click: a música por trás das câmerasvamos te apresentar, em cinco capítulos, alguns dos maiores nomes da fotografia no mercado da música eletrônica brasileira. Eles estão nos maiores eventos, trabalham com os principais artistas e enxergam a música como mais ninguém.

CAPÍTULO 3: Fabrizio Pepe

Fabrizio “Pepe” Minghini, mais conhecido apenas como Pepe, tem 28 anos e é paulistano da gema. Sócio-fundador da empresa Image Dealers, que já conta com inúmeros projetos e clientes na área da fotografia, dedica a maior parte de seu tempo acompanhando três projetos gigantes na cena eletrônica brasileira: Só Track Boa, Vintage Culture e Kaballah.

Tarimbado por essas credenciais, Pepe é o terceiro entrevistado da nossa série.

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O que veio primeiro: a paixão pela música ou pela fotografia? E como as duas se uniram?

As duas coisas nasceram quase juntas, mas de formas diferentes. Sempre fui apaixonado pela música eletrônica e vivo frequentando baladas e festivais desde 2008. Já meu amor pela fotografia veio um pouco antes, com esportes, mas só por volta de 2013 comprei minha primeira câmera. No começo de 2014, conheci o Ecologyk no Clash Club; eu estava sem emprego e ofereci pra ele um serviço exclusivo de fotos. Era algo diferente, pois eu iria acompanha-lo pessoalmente, e não cobrir a balada em si. Foi aí que tudo começou.

Como é trabalhar com grandes DJs e estar sempre viajando com eles?

Viajar com o Vintage Culture e outros DJs de peso da cena é muito exaustivo. Temos tours, responsabilidades e até uma conduta diferente da postura normal de um fotógrafo da noite. Nosso trabalho é muito mais imediatista, precisamos estar sempre com material pronto assim que acaba a gig, afinal já tem outra logo em seguida.

Mas ao mesmo tempo, é extremamente recompensador: poder apresentar seu trabalho para o mundo todo, ao lado de profissionais tão grandes, torna essa vitrine ou essa loucura muito animal, e receber sorrisos com um momento que registramos é inigualável.

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Conte um pouco da sua rotina e dos principais desafios da profissão

Hoje minha rotina não se resume apenas a fotografar. Tenho um time do qual me orgulho muito, e planejar para que todos estejam trabalhando e sempre afiados é um dos desafios da nossa equipe. Já com o time Vintage Culture, é trabalho 24h por dia. Quando não estamos na gig, estamos planejando, pensando e buscando sempre novidades para dar o próximo passo.

Um dos maiores desafios da nossa profissão com certeza é a prostituição do mercado.  Muita gente busca nossa posição atrás da “fama” e das viagens, oferecendo seu trabalho a um preço extremamente baixo ou até mesmo de graça. O que essas pessoas não medem é o esforço que fazemos para dar nosso melhor, o quanto nossos equipamentos custam, e o quanto estudamos para estar ali.  A desvalorização da profissão com certeza é nosso maior desafio.

Qual foi o momento mais curioso da sua trajetória?

Nossa, acho que quem me conhece sabe que vivo mais momentos curiosos que normais (risos)! Uma vez fui a uma festa no Centro-Oeste do país; estava com o Vintage Culture, e na festa tinha o fotógrafo local, que disse admirar muito meu trabalho.

Durante a noite toda, parecia que eu tinha uma sombra: eu levantava a mão, lá estava o sujeito; eu pegava um copo, lá ele surgia… Resumo da brincadeira: ele me mandou um book meu trabalhando, mas me pediu algumas fotos do Vintage, pois havia esquecido de fotografá-lo!

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Como você enxerga o mercado da fotografia de música eletrônica atualmente?

Hoje me dá orgulho ver o mercado recheado de profissionais fodas! Com tudo que a música eletrônica vive no país, é natural que as profissões paralelas cresçam também. Lembro que quando comecei, me inspirava muito no Gui Urban, mas no país não tinha mais nenhuma referência gigante do que eu buscava. Atualmente, não consigo contar mais nas mãos quantos caras eu pago pau!

Veja mais alguns cliques de Fabrizio Pepe:

+ Confira os outros capítulos da série Click: a música por trás das câmeras.

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