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Da BASE ao Tomorrowland; a trajetória e a visão da “personalidade do ano”, Luiz Eurico Klotz

Flávio Lerner

Publicado em

04/05/2016 - 15:57

Com 20 anos de música eletrônica, o diretor da Plus Talent e ID&T Brasil e criador do Skol Beats conta sua história e os bastidores da agência e do Tomorrowland.

O empresário Luiz Eurico Klotz começou a trabalhar com música eletrônica já nos seus 30 anos, quando foi convidado pra entrar como sócio no Club BASE, inaugurado em São Paulo em 1996 — uma das primeiras casas brasileiras a trazer grandes DJs internacionais. Essa experiência daria uma nova guinada em sua carreira, em que ele se especializaria e se transformaria num dos grandes nomes dos bastidores da cena eletrônica no Brasil.

Depois do BASE veio o clube U-Turn, em 1999, e em seguida a fundação do famoso Skol Beats, o primeiro grande festival brasileiro de dance music, que rolou anualmente entre 2000 e 2009. Ainda no começo do novo milênio, fundou uma das maiores agências de DJs do Brasil, a Plus Talent, em sociedade com Edo van Duyn e Silvio Conchon. Paralelamente, tocou outros eventos tipo Nokia Trends, Dream Valley e XXXperience.

Mais recentemente, a Plus Talent foi adquirida pela multinacional SFX, fazendo com que o Luiz Eurico se tornasse diretor geral também da ID&T Brasil — filial brasileira da companhia que gere o Tomorrowland. Foi assim que o festival, que teve sua segunda edição recentemente, chegou ao nosso País, e obviamente o Klotz é um dos figurões por trás de tudo.

Antes desse último Tomorrowland, porém, trocamos uma ideia com o Luiz Eurico sobre sua trajetória, cena e mercado brasileiro, reclamações em mídias sociais [incluindo a polêmica do Vintage Culture], crises econômicas, line-ups de festivais e projeções pro futuro, em papo que você confere abaixo.

Por que você considera que foi eleito “Personalidade do Ano” pelo RMC?

Acredito que pela soma do meu trabalho em todos esses anos de carreira. Desde 96, levando vários artistas para o Club BASE, o qual era sócio, em São Paulo, e assim iniciando o trabalho de agenciamento, pois trazia-os para tocar e negociava as atrações para outros lugares no País. Começou então a base da agência [Plus Talent], somando-se ainda o trabalho com o Skol Beats, que durou nove anos, e todo o trabalho desenvolvido em inúmeras curadorias de festivais e grandes eventos — fizemos o Fatboy Slim na praia do Flamengo [em 2004]! —, além de outros tantos festivais, tours e agências que participo direta ou indiretamente. Com a vinda do Tomorrowland e outros eventos maiores, acho que isso só fundamentou uma carreira de 20 anos de trabalho ligado ao mercado; o que não é pouco, não é? Então não há algo específico, acredito que seja a soma de tudo que já fiz, com a ajuda de muita gente, ao longo desses anos; foi importante para a cena brasileira.

Você foi chamado para a criação do conceito do Skol Beats, certo? Como se deu exatamente a criação do projeto?

Não exatamente. Mostrei a eles que existia um momento correto para o festival. Quando eu era sócio do BASE, a Camel começou a patrocinar o Camel Connection, em 1998. Foi o primeiro projeto grande em que uma marca investia em trazer grandes nomes da cena eletrônica mundial para um clube no Brasil. O BASE foi um divisor de águas para a cena brasileira; trouxemos nomes como Sasha, Nick Warren, Kevin Saunderson e Deep Dish. O Camel Connection era um projeto tão legal que, no ano seguinte, a marca queria fazer algo fora do club. Estava na hora de fazer um festival, só que a Camel era licenciada e foi vendida. Naquele momento eu já era sócio da U-Turn, outra casa noturna em SP, e me aproximei mais ainda do pessoal da Ambev/Skol da época, e formatamos assim o Skol Beats — uma iniciativa minha junto com a Ambev.

Você é sócio do cara que ajudou a revolucionar a cena eletrônica brasileira e o drum’n’bass no mundo, e que já tinha uma experiência de agente de DJs na Bulldozer, da Inglaterra. Como você conheceu o Edo van Duyn, e o que fez ele se tornar sócio na Plus Talent?

O Edo tinha uma noite de drum’n’bass em Londres chamada Movement. Foi ele quem começou a levar o Marky e o Patife para a Inglaterra. A gente se conheceu em alguns festivais, enquanto ele fazia a curadoria de alguns eventos de d’n’b. Depois disso, ele conheceu uma brasileira e passou a fazer uma festa Movement no Lov.e [em SP]. Como ele quis mudar pro Brasil, eu o convidei para trabalharmos juntos em 2002.

Como a Plus Talent baseia a sua curadoria de novos talentos?

Abordamos e estudamos o potencial de cada artista, a capacidade de produção, capacidade de apresentação e o futuro na cena em que escolheu tocar. Estudamos também o mercado, a empatia, existem vários critérios. É lógico que uma agência busca um artista que possa agenciar o máximo possível, mas não é o curto prazo que nos interessa. Para nós, o mais importante é saber se a pessoa tem o perfil e a seriedade, se vai ter a capacidade profissional de produção, de entrega, e a persistência pra ser um artista no longo prazo.

O Brasil atualmente vive crise política e econômica, mas o interesse do público e a qualificação do mercado de DJs vêm numa crescente, concorda?

Por obra do destino o fato do Brasil estar em crise política e econômica — com o dólar e o euro tão altos em relação ao real — faz com que os artistas nacionais ganhem destaque na cena nacional. Você vê artistas crescendo, sendo privilegiados, cachês crescendo proporcionalmente, e o fato de estarmos em crise faz com que o promoter tenha que escolher onde apostar suas fichas. Ele vê no artista nacional de renome, que tem possibilidade de encher sua casa, uma saída excelente com relação ao DJ de pequeno/médio porte ou até do de grande porte internacional. Hoje em dia é muito difícil zerar a conta. Então se de um lado a crise existe, do outro lado o mercado brasileiro está muito aquecido.

Além da crise brasileira, temos também a crise da SFX. Como, na prática, ela afeta o trabalho de vocês? É um período muito duro o atual?

A crise da SFX não nos atinge, pois é só sobre os ativos dos EUA. A operação fora de lá vai bastante bem, obrigado. Agora, o cenário macroeconômico brasileiro não pode se deteriorar mais. Aí não é o Tomorrowland que vai ser sacrificado, são os fornecedores ideais, parceiros, patrocínios… Todo o universo em volta do festival fica afetado, então não é só a gente querer, é conseguirmos fazer.

A SFX comprou a Plus Talent em setembro de 2014, e a crise da companhia começou a bater no ano passado. Vocês tinham noção de que as coisas podiam dar uma desestabilizada quando fizeram o negócio? E quais as principais razões para fechar com eles? Foi uma venda que mudou muita coisa no mercado brasileiro?

A gente não tinha noção da crise, acredito que ninguém tinha. A gente sabia que poderia mudar alguma coisa, mas ninguém sabia que seria uma crise moral e política tão grande quanto foi. As razões para fechar foram participar de um grupo forte, estar em contato com várias empresas do mesmo ramo e trocar inteligência, informação. É por causa disso que somos os operadores e produtores do Tomorrowland Brasil e de outras marcas que vêm de fora.

Logicamente para nós mudou muita coisa, e consequentemente fazendo isso pela empresa no Brasil também mudou o mercado brasileiro. Então de qualquer ângulo eu sempre vejo essa transação com bons olhos, independentemente da crise momentânea.

Como funciona a curadoria do Tomorrowland, e como vocês têm recebido as críticas dessa última edição?

Estou no mercado há 20 anos e desde a época do Skol Beats eu escutava isso [reclamações]. A curadoria é feita de vários critérios, muita gente fazendo, aqui dentro, lá fora, gente de fora da agência, e os critérios são vários: quem já tocou, quem precisa ou não tocar de novo, quem aqui dentro da agência merece… As críticas são bem-vindas, a gente vai escutar todas, agora, ninguém é unanimidade. O Dunga não é! Imagina você ser o técnico da seleção brasileira e não ter crítica nenhuma. Impossível! A polêmica sempre vai existir, todo mundo está no direito de dar sua opinião, mas faz parte. Como em outros festivais, de concorrentes, tem agências que colocam 100% de seu line-up, a gente nunca fala nada; a gente entende. Então, eu vejo que reclamar faz parte da vida e da mídia social do brasileiro, mas a maioria a gente consegue agradar — isso é o que importa.

O Vintage Culture deu aquela declaração polêmica sobre ficar de fora por não ser da Plus Talent… Essa rivalidade entre as agências não acaba prejudicando a experiência de quem paga o ingresso?

Ele tem todo o direito de ficar chateado de não estar no nosso evento. Mas eu pergunto: se quando a agência que o representa [Entourage] faz a Kaballah, ela coloca alguém da Plus Talent? Por acaso ficamos reclamando? Não! Ele tocou o ano passado, pode ser que o convidemos para o ano que vem, não sei. O fato é que ele foi o único que deu uma declaração enquanto os outros milhões que não vão tocar não deram nenhuma. Ele está no direito dele, não é? Mas nenhum artista nosso fica reclamando que não toca em outros festivais. Se ele se sente bem fazendo isso, quem sou eu pra falar?

Os grandes festivais e clubs, no Brasil e no mundo — sejam mais populares, como Tomorrowland e Green Valley, ou com propostas mais nichadas, como BPM, Warung… —, parecem rodar sempre nos mesmos nomes nos últimos anos. Não falta um pouco de ousadia e criatividade pra dar espaço a tantos outros artistas talentosos periféricos?

Essa é uma pergunta bastante pertinente e eu posso explicar da seguinte maneira: do mesmo jeito que é dever de todo e qualquer festival entregar coisas novas, repare que cada vez que se coloca um novo nome, os frequentadores das mídias sociais sempre pedem os mesmos: “ah, por que não tem o Avicii? Por que não tem o Calvin Harris?”. Mas acho que pelos nossos festivais e pelo Warung, vem sendo feito um balanceamento entre nomes conhecidos e nomes novos, só que o público tem que estar aberto também para sair do que ele sempre ouviu e experimentar coisas novas. Qual a validade de um festival, se não também esta?

O que você pode prever para o futuro do mercado brasileiro?

Os ciclos das músicas vêm e vão. Agora o EDM teve o seu boom há quatro anos, este ano está com menos força, pois é uma música com muita energia e pouca melodia. Eu acho que sempre haverá espaço para música boa, qualquer que seja o seu estilo. Se  for boa, não importa se é EDM, comercial, techno, deep house… Seja o que for, todo mundo vai gostar. Agora, sem dúvida nenhuma, os criadores de cada cena têm uma tendência em buscar novas coisas, e o underground e as músicas menos comerciais tendem a se renovar mais. O comercial encontra uma fórmula e usa até esgotar, já o underground nunca está satisfeito — ele sempre busca mais renovação. Então ter os dois juntos, cada um em uma ponta, é o que faz a cena andar. Sempre vão acontecer coisas novas, e o público tem que estar aberto a ouvi-las. O DJ vem no natal, réveillon, carnaval, e falam: “pô, por que não tá no festival de novo?”. Mas de novo? Vá ouvir o cara que você nunca ouviu! Fiquem abertos, passeiem mais pelo festival.

E o que falta ao mercado da música eletrônica brasileiro?

O Estado brasileiro não nos atrapalhar. Existir uma legislação específica para eventos, e  não baseada em uma legislação de construção civil. Queremos uma política tributária que seja de acordo com nosso tipo de negócio, e não essa cascata de tributos em toda e qualquer área. Impostos e importações menores, para tecnologias e até mesmo coisas que não temos aqui. Máquinas de operação para facilitar trabalhos. Enfim, o que precisa é o Brasil ficar mais moderno, mais ágil e mais empreendedor. O País não tem uma política de eventos que ajude o empreendedor. O que precisa é deixar a gente trabalhar, e neste momento o Brasil não está deixando.  ~

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Notícia

Gui Boratto lança “Pentagram”, seu quinto álbum de estúdio

Phouse Staff

Publicado há

Gui Boratto Pentagram
Foto: Reprodução
Disco sucede “Abaporu”, de 2014

Nesta sexta-feira, enfim foi lançado via Kompakt o aguardado quinto álbum de estúdio de Gui BorattoPentagram. Em menos de uma hora, o LP traz 12 faixas de um Boratto inspirado e que parece saber exatamente o que está fazendo e onde quer chegar, em um caldeirão de referências que vão desde as bandas de synth pop dos anos 80 (como New Order, Depeche Mode e Tears For Fears) a produtores vanguardistas de hoje em dia, como James Holden — passando ainda, é claro, pela escultora brasileira Lygia Clark, que influenciou no conceito visual do disco.

No BRMC, o músico já havia falado das influências estéticas que o levaram ao conceito da obra, que carrega uma ampla bagagem de arquitetura (formação acadêmica de Gui), geometria e design. “Eu queria transmitir o ponto de vista do pentagrama científico: não é algo religioso“, disse agora, em release de imprensa. A última faixa do disco, “618”, tem exatos seis minutos e 18 segundos, e iguala com a proporção áurea do pentagrama.

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A música é dinâmica, maximalista e viajante, repleta de musicalidade. Como já havia dito — também no painel do BRMC —, este é seu álbum mais orgânico, recheado de instrumentos acústicos, sobretudo cordas e instrumentos de orquestra, mais notáveis em “Scene 2”, que tem uma pegada jazz. Há também sintetizadores modulares, como o clássico Buchla. Em “Overload”, Luciana Villanova, que já participou em canções como “Beautiful Life” e “No Turning Back”, volta a emprestar sua voz a uma produção do marido.

Ouça Pentagram:

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Entrevista

Casal que faz techno unido, permanece unido: como o amor gerou o Binaryh

Phouse Staff

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Dia dos namorados
Foto: Acervo pessoal
Camila Giamelaro conta a história do seu relacionamento com o parceiro de vida e de estúdio, Rene Castanho 

Música eletrônica boa é sempre feita com amor, certo? E o que dizer quando esse amor é compartilhado? Neste dia dos namorados, convidamos Camila Giamelaro, metade do duo de techno etéreo Binaryh — projeto que ela divide com sua cara-metade, o Rene Castanho — pra contar pra gente como foi que tudo surgiu: de um relacionamento que parecia que nunca ia rolar ao nascimento de um dos projetos mais frutíferos da cena underground nacional.

Porque casal que faz techno unido, permanece unido. Conta pra gente, Camila:

Rene e Camila no primeiro Natal juntos. Foto: Acervo pessoal

Eu e o Rene nos conhecemos em 2009, quando eu estava procurando um lugar para aprender a tocar e acabei encontrando a DJ Ban. Na época, fiz o curso de DJ e o Rene dava aulas de produção musical, por isso a gente nunca se cruzou pelos corredores. No final do meu curso, acabei fazendo amizade com o pessoal da escola, então vez ou outra aparecia por lá pra bater papo. Foi nessas idas que o conheci, mas naquela época ambos estávamos namorando outras pessoas.

Em 2012, por mera coincidência, estávamos os dois solteiros. Eu continuava indo à escola, mas com menos frequência. Quando o Rene descobriu o meu “estado civil” ele começou a investir, me convidando pra ir mais vezes à DJ Ban, chamando pra sair… Com o final do relacionamento recente, eu não tava muito interessada, e quis apenas manter amizade, mas ele, como bom brasileiro, não desistiu, e seguiu firme e forte nas investidas.

O casal Rene e Camila formou o Binaryh em 2016. Foto: Acervo pessoal

No início de 2013, o próprio Ban Schiavon me convidou pra conhecer as novas instalações da escola, que ainda estava em reforma. Quando cheguei ao último andar, um pessoal da DJ Ban trabalhava em ajustes — entre eles, claro, o Rene. Quando o Ban me perguntou o que achei da nova escola, respondi brincando:

— Achei demais, e inclusive quando eu comprar minha casa vou contratar vocês pra reformar tudo: você, Ban, vai ser o mestre de obras, o Rafa vai cuidar da parte elétrica, a Dani vai supervisionar tudo… E você Rene, que tá parado, o que você pode fazer?

— Eu vou morar com você — respondeu, em tom muito sério.

Camila e Rene na DJ Ban. Foto: Acervo pessoal

Enquanto todo mundo ria, eu fiquei sem palavras, morrendo de vergonha porque nós não éramos tão íntimos pra uma resposta daquelas. O Ban desconversou, e o assunto morreu por aquele dia. Na semana seguinte, combinei com alguns amigos de ir a um club ver o Marc Houle tocar. O Rene ficou sabendo e ligou oferecendo carona (ele morava no bairro do Tatuapé, em São Paulo, e eu em São Bernardo do Campo — totalmente fora de mão). Ainda com um pouco de vergonha da resposta sobre a brincadeira da casa, agradeci e neguei o convite.

Na noite da balada a gente se encontrou na porta, e foi bastante constrangedor. Foi aí que apareceu do nada um amigo de longa data e não me largou mais, deixando o Rene totalmente de escanteio. A partir daquela noite ele começou a repensar se valia a pena ou não continuar investindo, já que só dava bola fora.

Camila e Rene no famoso Berghain, em Berlim. Foto: Acervo pessoal

Em fevereiro, comemorei meu aniversário no D-EDGE, com um lineup que prometia ninguém menos que Richie Hawtin e Matador — infelizmente o primeiro não apareceu, por causa de uma forte nevasca que rolou no Canadá e atrasou o voo dele. O Rene foi de “all in”: resolveu que aquela seria sua última investida, tudo ou nada. Cheguei cedo pra aproveitar o club ainda vazio com os amigos, e no meio da noite ele aparece. Não sei bem explicar, mas ali foi o momento em que comecei a olhar pra ele de uma forma diferente. Papo vai, papo vem, um cigarro aqui e outro ali, e finalmente acontece o nosso primeiro beijo.

Passamos a nos falar todos os dias, e o primeiro encontro depois daquela noite foi tão natural que a gente parecia estar namorando há muito tempo. Alguns meses depois, o Rene decidiu que era hora de realizar aquela profecia: fomos morar juntos, já que nos dávamos tão bem e estávamos trabalhando no mesmo lugar — eu havia sido recém-contratada pela DJ Ban também.

Primeira apresentação do Binaryh Live. Foto: Acervo pessoal

Em 2014, tivemos nosso primeiro filho: um selo de techno que serviu para nos mostrar que realmente temos uma sintonia excelente nas ideias e tomadas de decisões. Naquele ano, o Rene montou seu estúdio na sala de estar do apartamento, e eu comecei a participar das produções, apenas dando algumas ideias de como as músicas poderiam ficar melhores.

Com o passar do tempo e mais duas lindas vira-latas pra conta da nossa família, a minha participação naturalmente foi aumentando, e foi assim que surgiu o Binaryh, com o intuito de apenas de lançar música. Mas tudo muda quando a gente conhece a BLANCAh, e nossa amizade cresce. Não demorou pra que ela nos apresentasse pra Steyoyoke, label alemã em que ela já atuava, e foi uma grata surpresa quando o selo nos acolheu super bem também.

Em setembro de 2016, lançamos nosso primeiro EP, Primary Code. O resto, como vocês já sabem — ou já leram aqui — é a história do casal acontecendo.

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Entrevista

Grupo Laroc revela detalhes sobre novo clube underground

Flávio Lerner

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Laroc underground
Nova casa terá projeto arquitetônico semelhante ao Laroc. Foto: Divulgação
Nova casa ficará exatamente ao lado do Laroc Club, em Valinhos
* Atualizado em 28/05/2017, às 19h47

O Grupo Laroc anunciou recentemente que está abrindo uma nova casa noturna, totalmente voltada à música eletrônica underground. A partir daí, a Phouse entrou em contato com Mario Sergio de Albuquerque, sócio-diretor do Laroc Club, que, além de confirmar a inauguração do empreendimento para 2018, revelou à coluna mais detalhes sobre o novo espaço.

Quando e onde

Segundo Mario Sergio, já está definido: o clube abre entre outubro e novembro deste ano. A localização será literalmente ao lado do Laroc, no quilômetro 118 da Rodovia D. Pedro I, em Valinhos, SP. Logo, o complexo que já abriga o Laroc Club e a casa de shows Folk Valley ganhará um novo membro dentro de poucos meses.

“O novo club vem pra ser a terceira casa do grupo, dentro de um complexo que praticamente estamos criando de entretenimento na cidade de Valinhos. É exatamente ao lado do Laroc, numa área mais elevada, mais alta, com uma visão 360 das montanhas, bem mais verde, super bacana”, revela o business man. “É como se fosse uma segunda pista, mas não é. As conversas surgiram dessa maneira, mas decidimos que é outro clube, outro nome, outra identidade, outra história”, continua.

Por estar em fase final de desenvolvimento, o nome ainda não foi revelado.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma do pop.”

Por quê

Criado há dois anos e meio, o Laroc costuma dar muito espaço a artistas da cena house/techno underground, abrindo noites completamente voltadas a esse nicho. Essas noites, porém, não costumam encher a casa, que tem capacidade para até seis mil pessoas. Assim, Mario Sergio explica que em um ambiente menor, diminuindo o tamanho e o custo operacional, fica muito mais viável seguir trazendo essas atrações — e também mais interessante do que a ideia inicial de abrir uma segunda pista. Segundo ele, a casa terá capacidade para cerca de duas mil pessoas.

“A gente sabe que tem umas cinco datas no ano que aceitam uma segunda pista e que têm público suficiente pra acomodar mais do que as seis mil pessoas. Mas a gente também entende que abrir uma pista apenas cinco vezes no ano seria algo ocioso, então não seria tão interessante, já que a ideia é aumentar o volume de operações. O Laroc abre hoje em 18 datas no ano, vai passar a abrir 14 — uma por mês mais duas durante o Carnaval —, e o club novo vem pra abrir mais 12 datas. Com isso, os dois clubes passam a ter 26 datas, o que nos dá mais oito eventos no ano, e com maior pluralidade de atrações. Praticamente, de quatro finais de semana de um mês, o grupo abre em três: Laroc, club novo e Folk”, explica.

“A nova casa vai prezar muito pela capacidade musical e liberdade para experimentações, com identidade forte no underground. Assim, deixamos o Laroc com o estigma de mais mainstream, mais comercial, mais pop. Esse é o principal motivo da abertura de um novo espaço: entender que a gente tem um público muito bom de techno/tech house, mas que o Laroc ainda é muito grande.”

Isso não significa, no entanto, que a sonoridade do Laroc será sempre a mesma. “Sempre bati na tecla de que o Laroc era um club multicultural que poderia atender qualquer tipo de evento, e isso continua existindo”, segue de Albuquerque. “Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

Laroc underground

Complexo de entretenimento em Valinhos tem Folk Valley, Laroc e espaço mais à direita para o novo clube. Foto: Divulgação

Identidade

Mario Sergio revela que o novo espaço traz a mesma assinatura visual das outras duas casas do complexo em Valinhos, mas adaptada para traduzir seu próprio conceito. “Todas as casas do grupo têm as mesmas características. Elas são conceituadas a partir da tenda, que é nosso artigo principal. Tanto Laroc quanto Folk têm a mesma característica arquitetônica, e o clube novo vem na mesma linha, inclusive de layout e acabamentos”, revela.

“O público é exigente em todas as vertentes, não é porque é underground ou mainstream, e a gente manterá esse nível de excelência, de qualidade, no clube novo. Vamos agregar bastante em produção, que é um diferencial da nossa parte, porque os clubes do underground são mais minimalistas, não têm tanto esse nível de exigência. Então este é mais um motivo pra trazermos esse conceito novo pro underground, com características fortes do nosso grupo.”

O sócio-diretor também explicou como se divide a construção do projeto gráfico: “A concepção do Laroc, os projetos, desenhos, foi feita por nós, os sócios. Somente a parte de stage design, light design e video content foi produzida por um escritório holandês, o TWOFIFTYK, que provavelmente estará conosco nesse projeto também, desenvolvendo a parte interna da tenda, de palco e tudo o mais. A gente deve ter um pouco mais de pegada cenográfica na parte externa, brincando com o ambiente, e deixar a casa com características diferentes — mais luz, menos led, menos papel picado, mas ao mesmo tempo com bastante efeito visual.”

“Não é porque vamos ter um club menor que eu vou deixar de trazer artistas de techno pro Laroc. Se eu tiver um Carl Cox, um Solomun, vou fazer ali.”

O Laroc não corre riscos?

Em pouco tempo de existência, o Laroc vem sendo considerado por muitos — de artistas a frequentadores — como um dos melhores clubes do mundo. Perguntei ao Mario Sergio se, agora que o clube vai mais ou menos se dividir em dois, deixando a parte mais pop/comercial ao Laroc, ele não corre o risco de perder um pouco do seu charme e prestígio. O empresário foi acertivo:

“Não, muito pelo contrário. A gente ganha força como grupo agindo em bloco, a gente vê cases de sucesso pelo mundo como o próprio Hï Ibiza, que é um derivado do Ushuaïa — que é um pouco diferente, lá um é clube dia e o outro é noite… Nós manteremos o club novo também como sunset club, porque o ambiente segue tendo bastante a agregar, mantendo a história do pôr do sol como atrativo. Isso atrai mais fatores positivos e deixa o Laroc ainda mais exclusivo, porque diminui o número de aberturas: uma por mês dá pra ficar com saudade e querer ir de novo. Ao mesmo tempo, cria mais uma opção pra outra vertente musical, outro tipo de público, o que também será um diferencial nosso”.

A nova casa deve ter seu nome e mais detalhes revelados dentro dos próximos meses.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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