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Da Pacha ao Cafe de La Musique; o empresário Mário Bulhões narra a sua saga na noite carioca

O empresário da noite carioca Mário Bulhões Pedreira está se aventurando em uma nova empreitada. Depois de sete anos administrando a Pacha Búzios, filial da famosa casa de Ibiza, Bulhões percebeu que os tempos estavam mudando. “Minha relação com o grupo [Pacha] é ótima, mas tinha algumas coisas que já não concordava. Comecei a me sentir como uma babá que ama o filho que cuida, mas que sonha em ter seu próprio filho”, disse em entrevistas no ano passado, quando planejava abrir uma casa conceito em forma de um aquário, no mesmo lugar onde ficava seu club anterior.

Os planos, contudo, acabaram mudando de direção quando, pouco mais tarde, o herdeiro de uma família tradicional do Direito recebeu a oportunidade de inaugurar uma nova filial, desta vez da famosa marca brasileira Cafe de La Musique. “O Cafe é uma marca eclética quanto ao gênero musical. O foco é o público específico e a qualidade de serviço, embora a marca tenha tido extrema relevância na cena eletrônica, mas não se limitando a ela, como era na Pacha. Além disso tenho alguns labels na cena eletrônica como ‘Ibiza Comes To Rio’ e ‘Let it Glow’,  que não têm sido trabalhados ultimamente. Sem sócios, não tenho como abraçar o mundo”, disse à Phouse.

Sem a possibilidade momentânea de dividir sua atenção com mais de um único filho — usando sua própria metáfora —, Mário deixou o plano do “aquário” em Búzios de canto, para quando conseguir montar uma estrutura que comporte todos os seus projetos. Assim, “depois de sete anos, 658 eventos, 635 mil pessoas, 5900 horas de som ligado, mais de 450 DJs e nenhum minuto sem música eletrônica” no balneário fluminense, o rapaz inaugurou o luxuoso Cafe carioca no último inverno, em um terraço na sede do Flamengo, na Gávea, e já trouxe nomes como Betoko, Bernardo Campos, Rodrigo Sha, Crossover e Elekfantz.

Com ingressos que variam entre R$ 100,00 e R$ 400,00 — além dos camarotes, que chegam a até R$ 30 mil —, o Cafe de La Musique está iniciando sua temporada de verão. Para seu empreendedor, isso significa um recomeço e um crescimento profissional, mas acima de tudo, uma adaptação ao cenário econômico atual, aos anseios sociais de um nicho houseiro mais abastado e, sobretudo, às particularidades do novo mercado EDM. Confira, nas palavras do próprio Mário Bulhões, que narra não apenas como empresário, mas também como clubber, a sua trajetória:

Conheci a música eletrônica aos 15 anos, em 1999, frequentado a novidade da cidade. Era quase uma sociedade paralela. As raves eram pequenas, para grupos de 500 pessoas em Vargem Grande e com estrutura precária. As pessoas só estavam lá para curtir o som e a grande maioria beber água [risos]. Era incrível. A paixão daquela galera, que entrava em transe ao som do psy trance logo me encantou pelo segmento musical. Era simpatizante da turma, adorava, mas não fazia parte daquela tribo. 

Logo depois vieram o techno e o drum’n’bass: Patife, Marky, Anderson Noise criaram novas tribos e festas na cidade. Naquela época havia o preconceito geral ligando o house à turma GLS. Lembro bem de falar sobre o gênero há aproximadamente 15 anos para o amigo e produtor Marcos Dault — ele com seus hinos Banzi, Skazzi, Infected… Na época ele só acreditava no psy [risos]! O house fez um boom no mercado, o estilo incentivava mais o consumo de bebidas alcoólicas, consequentemente aumentando o faturamento do negócio. “Puxava champanhe.” 

Comecei a fazer festas para amigos em casa; eram muitas e cada vez com mais gente legal. Anderson Noise, Mary Zander, Papagaio, quantos DJs tocaram nessas festas… Mas naquela época eu era o patrocinador na farra, e era uma puta farra! Logo depois vieram marcas como Bacardi e Triton querendo patrocinar. Não iria ganhar dinheiro, mas não iria mais gastar para fazer minhas festinhas. Era tudo incrível, quanto mais com 21 anos! 

Ok, meus pais cansaram de emprestar a casa da família para os eventos. Só vi uma saída: finalmente transformar em negócio. Bem, em 2008, aos 23, após um ano de obras, consegui inaugurar a Pacha Búzios, sem sócios. Na cara e na coragem. A música eletrônica já era forte, mas ainda não havia se tornado um gênero de pop stars. O respeito que eu tinha pela marca Pacha, seu pioneirismo e sua tradição no segmento da música eletrônica fizeram com que eu me aprofundasse no assunto, sempre com a visão de empresário (respeito muito os DJs para brincar de ser um)

Sozinho, consegui contratar meus ídolos. Cada ano havia alguns vindo: Avicii, Axwell, Calvin Harris, Sebastian Ingrosso, Pete Tong, Bob Sinclar, Dubfire, John Digweed, Dirty South, Tocadisco, Otto Knows, Chuckie, Laidback Luke, e mais centenas de DJs. Era lindo. Resumindo: me arrisquei, aprendi, curti, perdi e ganhei. O mais importante: aprendi a amar a música eletrônica com frieza empresarial. Lembro de pagar R$ 60 mil para Avicii, R$ 110 mil para Calvin Harris, R$ 40 mil para Axwell, e de ter cancelado uma gig, por erro no nosso booking, com Dimitri Vegas e Like Mike por R$12mil. A conta fechava. 

Hoje, Avicii custa R$ 1 milhão, Calvin Harris R$ 2 milhões… E a nossa economia oscilando, com o dólar e euro surreais. Me assustei. Junto com tudo isso surgiu o deep como alternativa — linda, mas paradoxal. Os DJs não são tão caros, mas a conta diminuía na receita do bar. Nada de garrafas de champanhe na mesa. 

Como empresário, comecei a observar outros caminhos. Parei de olhar para Ibiza para perceber Jurere, St. Tropez. Por mais que não fosse a minha tribo na época, eu sempre me dei muito bem com ela, me remeteu às festas na minha casa. Nessa turma encontrei festeiros que não se importavam com os DJs renomados; se importavam em ter boa música, bom serviço e estarem entre si. “Toca Calvin Harris, mas ninguém quer saber se ele está lá.” Eles não gostam de pagar ingresso (ninguém gosta), afinal estão entre amigos. Mas bebem como se estivessem em casa e adoram house! 

Esse mercado me encantou, como profissional e por ter conseguido resgatar e conquistar novas amizades. Me lembrou a origem de tudo. Percebi que nunca quis ser empresário da noite. Queria reunir uma turma legal como as saudosas festas em casa e fazer amigos. Ser empresário é uma consequencial árdua, mas gloriosa — uma eterna batalha. 

Por isso, saiu Pacha e entrou Cafe de La Musique. Com isso surgiram novas contratações, bookings bem mais complexos, os promoters. Deixo o legado do meu grupo (2008–2015). Não tive sócios na Pacha Búzios, mas tive grandes guerreiros apaixonados no meu time. Fizemos história e trouxemos os maiores DJs do mundo, dando o devido respeito à marca Pacha. 

Felicidade para todas as tribos, adoro e respeito todas. Sucesso para todos do mercado, sei o quanto é difícil e prazeroso. Vamos nos reunir em um festival!

Mário Bulhões

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