O curitibano soltou um vídeo nas redes sociais pedindo desculpas e o fim do preconceito na música.

Falamos na terça sobre a treta da vez na cena nacional: as palavras de raiva direcionadas ao público gaúcho no Facebook pessoal do Repow pegaram muito mal com toda galera do Rio Grande do Sul. O esperado pedido de desculpas enfim veio, e parece sincero. Não só porque ele dá a cara à tapa em vídeo, mas porque mostra um pedaço do seu set no GARDEN [onde se desencadeou a polêmica] em que ele admite o apreço que tem pela região: “O Estado que eu mais toco é o Rio Grande do Sul, então eu tenho um carinho enorme por vocês”.

E não foi só o Repow que pisou na bola; eu também errei ao escrever que ele foi vaiado na apresentação. O que realmente aconteceu é que uma galera que estava no palco principal pra ver o israelense Blastoyz — que tocaria logo depois do paranaense — se incomodou com seu set, sobretudo por uma acapella de “Tá Tranquilo, Tá Favorável”. Provavelmente, foi parte dessas pessoas que manifestou ódio nas redes sociais; foram incontáveis xingamentos e agressões ao DJ [tanto no evento do GARDEN no Facebook quanto em mensagens diretas] por dois minutos de funk carioca — estilo de dance music mais genuinamente brasileiro, respeitado mundialmente de Afrika Bambaataa a Diplo, mas que recebe uma discriminação que beira o fascismo por parte de muitos brasileiros. Essa é uma tecla que martelamos faz tempo, mas o ódio e a ignorância se recusam a escutar qualquer argumento; e é por isso que o Repow termina a sua postagem de desculpas pedindo “não ao preconceito musical”, uma campanha justa que deveria ser abraçada por mais artistas.

Na matéria de terça, não conseguimos o retorno dele, mas agora, enfim, foi possível trocar uma palavrinha com o rapaz — esse papo você confere abaixo. Ele falou merda, está sofrendo as consequências e pediu desculpas. Segue o jogo ou vamos continuar no linchamento em praça pública?

Então, como você tá?

Tô bem cara, mantendo a cabeça erguida…

Como se sentiu quando viu a bola de neve que seu post gerou?

Eu me senti muito confuso, pois eu não sabia que atitude tomar. Pedi dezenas de opiniões e cada um pensava de uma forma, então resolvi agir com o coração. E claro, muito arrependido e decepcionado comigo mesmo por ter feito um comentário infeliz.

E quando postou que o público do RS era o pior do Brasil, o que quis dizer na verdade?

Então, antes do meu comentário fiquei triste por me ofenderem só porque algumas pessoas não gostaram de eu ter tocado dois minutos de funk num set de 1h30. Batalho tanto pelo #NaoAoPreconceitoMusical e isso foi totalmente esquecido na festa. Aliás, não toquei funk e sim algumas acapellas, o que não é novidade nos meus sets desde há pelo menos oito meses.

Não tocou o seu remix de “Baile de Favela”?

Eu não toquei esse meu remix, diferente do que andam dizendo por aí, porque tentei evitar ao máximo polemizar, mas não podia deixar de tocar o “Tá Tranquilo, Tá Favorável”, que não passa nenhuma mensagem ruim, é apenas uma letra que compartilha o “deboísmo”, haha.

Quantas pessoas, mais ou menos, te incomodaram na internet?

Putz, não sei, mas foi algo fora do normal. O mais grave foi no evento de Facebook da festa. Na minha pagina teve uns 20 comentários, acho, mas também muitos elogios. Teve críticas sensatas, mas 90% foram ofensas ignorantes.

Isso você diz pelo seu set, por ter tocado funk?

Exato. A partir daí perdi a cabeça e postei um comentário infeliz. Como disse, nada justifica meu erro…

Nunca tinha recebido xingamentos assim antes?

Nunca.

Por isso na hora você pensou que o público do RS era mais complicado?

Nunca pensei isso, o problema é que de cabeça quente escrevi errado… Toco no RS há anos. Galera de lá sabe disso, foi um fato isolado.

Mas muitos que têm te defendido falaram isso. O Daniel Forster comentou que no RS a galera tem mais preconceito e resistência a essas “audácias” de se tocar funk.

Não gostar é o direito de cada um. Preconceito e ofensas são algo totalmente diferente e têm que deixar de existir na nossa cena.

Então você não acha então que o público gaúcho é mais difícil nesse sentido?

Cara, eu acho que não, pois tem os outros públicos também de outros tipos de festa. No RS é muito normal postarem feedbacks pós-festa no evento do Facebook, e isso gera muita ofensa e ódio. Percebo que nos outros Estados, esses eventos perderam a força.

E como a pista reagiu durante seu set, sobretudo no “Tá Tranquilo…”?

Não me recordo, pra ser sincero, mas foi algo normal. Como eu mixo as músicas muito rápido eu não consigo olhar muito pra pista.

Não sentiu na hora nenhuma rejeição assim mais forte?

Sinceramente não, por isso fiquei tão surpreso com as ofensas no Facebook.

Quão grande você acha que foi o prejuízo pra você depois dessa situação toda? Vai ter muito trabalho pra reconquistar o público gaúcho?

Com certeza há uma grande perda. Espero que não [dê muito trabalho], foi um público diferente que me ofendeu. Tem muito gaúcho apreciador do meu som, e os fãs de verdade reconheceram que foi um ato isolado da minha parte.

Quem é esse público preconceituoso na música eletrônica e como podemos combatê-lo?

Esse tipo de público está em todas as partes, isso se dá muito pela guerra EDM x underground. Cabe aos artistas educar essa galera, abrir a cabeça e não pensar só no próprio gosto musical. A falta de respeito está muito presente nos profissionais do nosso mercado.

Mas o funk carioca é quem mais sofre esse preconceito nesse meio…

Talvez é o que esteja “mais em alta”, mas sabemos o quanto existe um preconceito de EDM x underground também. O ódio está generalizado e isso precisa acabar. 

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