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Entrevista

Experiência dentro e fora das pistas: Diogo Accioly fala sobre a carreira

Alan Medeiros

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Diogo Accioly
Agenciado por duas marcas expressivas dos cenários nacional e internacional, o paulistano vive hoje uma das melhores fases de sua longa trajetória

Mais de 15 anos de carreira e uma bagagem de peso adquirida através de apresentações em alguns dos principais países do cenário eletrônico deram ao paulistano Diogo Accioly o know how necessário para encarar com eficiência diferentes tipos de pista. Dentro e fora dos palcos, seu trabalho de grande relevância e cuidado já proporcionou momentos marcantes para a dance music brasileira, seja através de sets em clubs como Warung, Beehive e D-EDGE, ou acompanhando tours de caras como Marco Resmann, Matthias Meyer e Phonique.

Atualmente, Diogo é agenciado pela D.Agency, no Brasil, e pela W-Agency em toda Europa. Isso representa uma forte ligação com dois dos principais clubs do mundo: D-EDGE e Watergate, respectivamente. Em suas últimas apresentações, Accioly tem caminhado cada vez mais em direção a atmosferas ligadas ao techno com raízes em Berlim e Detroit. Isso é um reflexo de seus recentes trabalhos no estúdio (ele fala mais sobre assunto abaixo) e o contato com grandes artistas do gênero em meio a suas viagens em turnê.

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Aproveitando o excelente ano de Diogo (somente em 2017 foram duas passagens interessantes pela Europa), trocamos um papo exclusivo sobre sua vida e carreira. Confira:

Você chegou há pouco da sua segunda tour na Europa neste ano, certamente cheio de novas experiências. O que você pode destacar pra gente a respeito desse período?

Este ano foi muito especial, porque foi o primeiro que fiz a minha tour representado pela W-Agency. Além de Europa, passei por Marrocos e Jordânia, pude trabalhar em estúdio com alguns amigos e tive gigs incríveis! Cada temporada é uma experiência diferente.

Na minha última apresentação antes de voltar por Brasil, toquei por 11 horas e meia no Sisyphos, em Berlim, com meu grande amigo Marco Resmann. Foi com certeza um dos pontos altos da tour.

Aqui no Brasil você é representado pelo D.Agency, enquanto na Europa quem cuida de seus bookings é a W-Agency, agência do Watergate. Quão importante é ter duas marcas tão poderosas gerenciando a sua carreira?

A minha história com os dois clubs é antiga e somos uma grande família. Os nomes D-EDGE e Watergate são muito fortes no cenário mundial e isso só me faz querer trabalhar ainda mais. Tenho uma sintonia muito grande com o pessoal de ambas as agências e vejo que eles estão sempre trabalhando pra fazer o melhor para minha carreira.

Percebemos que seu set tem caminhado cada vez mais em direção ao techno. É possível dizer que isso tem uma relação direta com as marcas e os artistas que você tem trabalhado recentemente?

De certa forma, sim. Eu tenho buscado tocar faixas que me surpreendem de alguma maneira e sempre busco referências de artistas que eu admiro. D-EDGE e Watergate sempre me proporcionaram um intercâmbio de ideias com esses artistas, sejam eles do techno, da house ou da disco. O interessante pra mim é pegar essas referencias e transformar em algo com a minha cara, na cabine do club ou no estúdio.

Com sua experiência de mais de uma década no dancefloor, como você observa o atual momento do cenário underground no Brasil, e quais são os próximos passos a serem dados na sua opinião?

Cada vez mais, eventos que buscam trazer um pouco mais de diversidade e cultura musical vêm surgindo, e isso só vem a acrescentar. Vejo principalmente núcleos do Sul do país e de São Paulo acreditando em novos formatos e trazendo artistas que, de repente, não participam daquele circuito habitual. Acredito que quando a arte vem em primeiro lugar, o cenário só tende a crescer.

Quais são seus planos referentes à produção musical? Há algo para sair nos próximos meses?

Tenho passado bastante tempo no estúdio ultimamente. Eu e o Marco [Resmann] trabalhamos num EP para o selo do D-EDGE e tenho algumas outras faixas a serem lançadas por outros selos, que por enquanto não posso falar [risos]. Algumas surpresas estão por vir!

Você tem trabalhado com alguns dos nomes mais interessantes que vêm para o Brasil ano após ano. Como tem sido essa troca de experiências?

Tenho muitos amigos que são artistas que sempre admirei. Essa intimidade me proporciona conhecer o trabalho de cada um deles um pouco mais a fundo ou simplesmente conversar sobre a cena. O Brasil vem cada vez mais se destacando e chamando a atenção no mundo da música e isso reflete no trabalho deles também.

Para finalizar, uma pergunta pessoal. Qual é o seu grande objetivo de vida enquanto DJ?

Eu gosto de me apresentar e sair em turnês. Acho que viajar e conhecer o maior número de lugares possíveis, lugares que eu jamais imaginaria conhecer se não fosse DJ, é o meu objetivo principal. Diferentes culturas e pessoas me inspiram.

Alan Medeiros é colaborador eventual da Phouse.

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Entrevista

Saiba tudo sobre o Caos, novo clube do underground de Campinas, que estreia com Carl Craig

Jonas Fachi

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Caos
Em entrevista exclusiva, Eli Iwasa, uma das fundadoras do novo clube campineiro, traz todos os detalhes do empreendimento e revela, em primeira mão, a atração especial de abril
* Com a colaboração de Flávio Lerner
* Foto de capa por Bill Ranier; artes e vídeos promocionais por Muto

Quando em 29 de maio de 2013 a “japa do techno” Eli Iwasa abriu as portas do Club 88 pela primeira vez — junto com seus sócios Rodolfo Salin, Antonio Carlos Diaz, Juka Pinsetta e João Mota —, era a concretização de um sonho que cresceu, transbordou, fomentou a cena local e dentro de uma semana se transforma em uma nova realização: o club Caos, que inaugura em Campinas no dia 22 trazendo pela primeira vez à cidade a lenda do techno de Detroit, Carl Craig.

E Carl é aquele artista para o qual a palavra “lenda” realmente se encaixa, sem cair em banalizações ou esvaziamentos. Tanto que foi escolhido a dedo pela DJ, empresária, sócia-proprietária e curadora Eliana Iwasa para ser a grande atração do primeiro ato desse novo empreendimento no interior de São Paulo.

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Eli possui mais de 15 anos de carreira na música eletrônica, e já passou por clubs como o lendário Lov.e em São Paulo, o Kraft em Campinas e diversos eventos e gigs pelo país afora — seja como produtora, curadora ou DJ. À frente do Club 88, que continua funcionando normalmente no belíssimo Jockey Club de Campinas, a artista bookou artistas como Mind Against e Michael Meyer, e agora o momento é de expansão.

O Caos é o segundo estabelecimento do grupo e foi desenhado para abrigar artistas de maior porte — além de Craig, já estão confirmados Marco Carola (12/01) e um grande artista israelense (para abril) que ainda não foi anunciado oficialmente, revelado em primeira mão por Eli nesta entrevista exclusiva que você lê abaixo.

+ Em turnê pela América Latina, Carl Craig volta ao Brasil neste fim de ano

Assim, o Caos promete estimular ainda mais a já movimentada cena do interior paulista, com seu espaço industrial aconchegante e ressignificado especialmente para que as pessoas sintam-se livres na pista, guiadas pela soberania musical.

Confira todos os detalhes que Eli nos revelou sobre o novo reduto underground campineiro:

Como mostrado na apresentação do projeto à imprensa, o Caos chega para cobrir uma demanda local por artistas de maior renome, devido à falta de capacidade no Club 88 atualmente. Quando vocês perceberam que existia esse potencial latente para um projeto maior?

Sempre houve um desejo de receber esses artistas, e o Caos nasceu justamente para possibilitar essa realização. Quando procuramos o local, pensamos no tamanho ideal que nos permitisse viabilizar esses nomes que sonhamos tanto em bookar, e que oferecesse uma experiência diferente do Club 88. Nós voltamos ao nosso começo, onde o que importava era a música sem muitas firulas — com apenas som e luz que proporcionassem algo bem intenso na pista.

Talvez um dos grandes diferenciais desse novo club é sua localização. Parece existir no Brasil uma tendência extraída da Europa por espaços com características industriais. O que o Caos vai apresentar de diferente em relação à estrutura, capacidade e, mais importante, atendimento e soundsystem?

O Caos ocupa um antigo galpão industrial, onde ficava uma siderúrgica — uma das características mais interessantes do espaço é que ele conta com diversas janelas, com luz natural inundando o club assim que amanhece. O ambiente é rústico, cru, mas é fundamental que as pessoas tenham conforto.

A pista conta com dois bares grandes, uma área externa bem ampla, e vamos trabalhar com o sistema cashless, que é super moderno e garante maior tranquilidade para você consumir na festa. Quanto ao soundsystem, vamos deixar para quem for à inauguração, mas posso te adiantar que é de uma marca que usamos em alguns de nossos eventos em Campinas.

“É simbólico ter na inauguração um artista que nos faz revisitar nosso passado ao mesmo tempo em que nos faz olhar para frente — porque Carl Craig é história, mas nunca deixou de ser um visionário.”

Não é qualquer clube que consegue inaugurar com uma das lendas de Detroit, Carl Craig. Qual a expectativa para sua vinda? O Caos tem pretensão de oferecer quantas horas de apresentação para os convidados?

O techno de Detroit sempre foi uma influência muito grande para mim, e Craig um dos meus produtores favoritos. É um artista que se manteve atualizado, atuando um diversas frentes, e  cuja música só reforçou sua relevância ao longo dos anos. Depois da apresentação arrebatadora no DGTL em São Paulo, a expectativa realmente é muito alta. Acho que é muito simbólico ter um artista como ele na noite de inauguração de um club que nos faz revisitar nosso passado ao mesmo tempo em que nos faz olhar para frente — porque Carl é história, mas nunca deixou de ser um visionário.

Além de você como anfitriã, teremos o lendário Mauricio Lopes e o duo campinense Black Sun na estreia do Caos. Em relação a residentes, existem nomes cotados?

O time de residentes de um club se forma conforme sua história é escrita, e os personagens importantes para ela aparecem nesse processo. Os residentes do Club 88 estão entre os melhores DJs de Campinas e região, em minha opinião, e conquistaram seu lugar com a qualidade de seus sets ali. No Caos, tenho certeza que este grupo também vai se formar no seu ritmo e tempo.

Caos

Antes de tudo, vem o Caos

Em janeiro, outro nome importante do circuito global chega a Campinas: Marco Carola. Nessas duas primeiras datas, podemos observar que o techno e o tech house prevalecem. É esse o estilo de música que o Caos vai focar, ou haverá abertura para outros nomes importantes de estilos como deep house ou house progressivo?

Um ponto importante é que não vamos levantar bandeira de estilo algum — o que importa é a qualidade musical. Temos o techno de Detroit de Carl Craig, o tech house cheio de classe de Marco Carola, mas também confirmamos o Guy J no dia 06 de abril, para quem gosta de progressive house, além de três artistas de techno que ainda não posso relevar, mas que estão entre os mais relevantes do estilo.

Além de uma data mensal fixa, o espaço irá receber outros gêneros de música, como o hip hop. Como vai funcionar exatamente esse diálogo entre estilos e públicos tão diferentes?

Já temos uma programação diversificada no Club 88, e nossos projetos de hip hop e pop (o Groove Urbano e a Wolf) também terão suas noites no Caos mensalmente. Cada noite e cada público servem para enriquecer nosso trabalho, nossa experiência, e o que podemos oferecer ao público.

“Não vamos levantar bandeira de estilo algum — o que importa é a qualidade musical.”

Parece haver uma tendência recente de novos clubes, com propostas cada vez mais nichadas, surgindo pelo Brasil. Como você enxerga esse atual momento do mercado dos clubes e da cena eletrônica em geral? Crises econômicas à parte, você diria que este é um dos melhores momentos para abrir esse tipo de negócio no país?

Sempre acreditei que crises trazem muitas oportunidades. O interior de SP abriga muitos dos maiores festivais do Estado, tem um público que consome avidamente música eletrônica, provou que é importante celeiro de talentos, com ótimos produtores e DJs, e conta com o Club 88 e o Laroc, que investem fortemente em sua direção artística de forma constante — assim, percebemos que havia demanda e espaço para um novo club. Num momento em que o mercado está tão retraído, por que não encarar mais um empreendimento se tudo conspirou a favor?

Como é o processo de estudo e incubação da ideia de criar um novo clube até, efetivamente, o seu nascimento? Conta pra gente o trabalho que envolve a criação de um empreendimento desse tipo.

Nosso trabalho é muito intuitivo — sempre falo que não servimos como modelo de negócio algum, de uma maneira mais tradicional assim falando [risos]. Lógico que todos esses anos de experiência servem como base para tomada de decisões, e no caso do Caos, foi apenas seguir um desejo latente em ter um espaço maior, para não termos que criar uma estrutura temporária cada vez que quiséssemos expandir nossas atividades para fora do Club 88. Todos nós temos uma inquietude que nos faz sempre pensar qual o próximo passo, o próximo negócio, evento…

Quando o 88 completou quatro anos, sentimos que era hora de crescer. A primeira coisa é encontrar o local adequado — ou no nosso caso, descobrir um local e pensar que seria incrível ter um club ali, como foi com o prédio do Jockey Club. Eu já tinha em mente que artistas gostaria de trazer, e corremos para a obra ser finalizada a tempo.

“Não há excessos: o Caos é uma grande pista de dança com um baita soundsystem e uma iluminação projetada para criar a atmosfera certa para dançar.”

Quais são as principais referências que nortearam o conceito e os princípios do Caos?

De alguma maneira, o Caos é como o final e início de um ciclo, e sentimos que é um retorno às nossas origens, quando o que realmente importava era apenas a música, mas com o olhar para o futuro. Tudo que era excesso foi retirado: o club é uma grande pista de dança com um baita soundsystem e uma iluminação projetada e pensada para criar a atmosfera certa para dançar. Desde a comunicação até a decoração, tudo foi simplificado, sem rodeios, sem exageros, para que você tenha a experiência e a percepção mais pessoais possíveis.

Espero que as pessoas realmente vivenciem uma imersão musical ao som de ótimos artistas, e possam compartilhar conosco a realização de mais um sonho.

Como o Caos vai se diferenciar de todos os outros clubes conceituais do mercado brasileiro?

Posso falar da estrutura, do espaço, dos bookings, mas o que na verdade sempre nos diferenciou, e espero que continue no Caos, é a relação que criamos com as pessoas que prestigiam nosso trabalho, com nossa equipe e com os artistas. Esse apreço pelo outro, por uma boa festa — é claro — e o amor genuíno ao que fazemos é o que vai tornar o Caos especial.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Entrevista

Albuquerque: “Faço questão de inovar sempre; cada cenário, cada estação do ano requer um som diferente”

Jonas Fachi

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Entrevista Albuquerque
Um dos DJs mais conceituados no Brasil, o curitibano Albuquerque fala com a Phouse sobre ascensão e gestão da carreira, Warung Recordings, Radiola, ADE e a cena de Curitiba

É inegável, hoje ele é um dos DJs mais ativos e requisitados do país. Seu talento sempre foi a força motriz por trás do sucesso que o leva a se apresentar em clubs como Warung, em Itajaí, onde é residente, até o Watergate em Berlim.

Porém, para ser um DJ que gere influência e seja uma marca reconhecida no cenário, existem outros fatores que fazem a diferença para se destacar em um mercado tão competitivo como o nosso, e Ricardo Albuquerque é um especialista nesse quesito.

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Neste ano, ele assinou um remix para o respeitado produtor Christoph pela Warung Recordings, gravadora que ajuda a gerir ao lado de Leo Janeiro. Ao mesmo tempo, esteve em tour por países como EUA, Espanha e Portugal, onde se apresentou no consagrado BPM Festival.

Esse equilíbrio de se fazer relevante atrás dos decks e no estúdio, aliado a uma agência de respeito e a pessoas que cuidam de sua imagem com o máximo profissionalismo, o fazem estar sempre sendo cotado para os horários nobres dos eventos em que se apresenta, vivendo o que ele mesmo considera seu melhor momento. Nesta entrevista, fomos buscar saber do artista todos os segredos do seu sucesso, além da evolução da cena eletrônica em sua cidade, Curitiba.

O talento sempre foi e sempre será a força motriz por trás do sucesso de um artista, porém existem outros fatores que fazem a diferença para se destacar em um mercado tão competitivo como o nosso. No que um DJ precisa estar mais atento para que seu nome esteja sempre relevante e ao mesmo tempo não se torne cansativo?

Acredito que não exista uma ciência exata para se alcançar destaque, mas com certeza, num mercado tão cheio e concorrido, é mais do que necessário que o artista esteja bem assessorado. Sozinho, é muito difícil fazer qualquer coisa. Eu procuro contar com ótimos profissionais e isso vai de management à assessoria de imprensa e agência, todos muito bem capacitados e que convergem as ideias com as minhas. É muito importante falarmos a mesma língua quando o assunto é a carreira; todos da equipe têm que entender a peculiaridade de um trabalho artístico, que vai muito além de cada gig.

Sobre não se tornar cansativo, me preocupo muito com isso. Procuro sempre criar temas novos para nossas festas, buscar inspirações em áreas diferentes e, claro, variar meu repertório. Não sou o tipo de DJ que é escalado pra fazer warmup e toca o mesmo set do peak time. Faço questão de inovar sempre — cada cenário, cada estação do ano requer um som diferente. Quem acompanha meu Soundcloud sabe muito bem disso. Surpreender o público faz parte do meu dia a dia e eu curto muito, me dá vontade de fazer mais!

Você esteve participando mais uma vez do ADE neste ano. Quais foram suas impressões? O artista que não esta lá está um passo atrás do mercado?

Sim, foi nosso quarto ADE. Fico impressionado com a quantidade de pessoas que vão pra Amsterdã nesse período e não participam da conferência. Claro que a cidade é fantástica, os coffee shops são iradíssimos e as festas surreais, mas ir até lá e não ouvir o que os mestres têm a dizer? Mancada!

Não acho que seja necessário estar lá todos os anos, é um programa bem oneroso, mas com certeza minha evolução como gerenciador da minha carreira e do meu selo se deve a esse encontro anual. Os temas são totalmente relevantes à nossa profissão, portanto é mais que claro pra mim que estar lá me faz crescer a longo prazo. Surgem novas ideias, novas percepções, constatações, tudo nos agrega muito — a longo prazo, repito.

“Num mercado tão cheio e concorrido, é mais do que necessário que o artista esteja bem assessorado. Sozinho, é muito difícil fazer qualquer coisa.”

Em sua tour pela Europa, você se apresentou na edição portuguesa do BPM Festival, fazendo um B2B muito comentado com o Chaim. Como surgiu essa parceria? 

Eu e meus amigos somos fãs do Chaim há cerca de seis anos. Nos conhecemos pessoalmente no BPM México de janeiro — na ocasião conheci a esposa dele, que também trabalha na indústria de festas. Ela nos apresentou, e quando nos reencontramos em Portugal eu fiz questão de chegar cedo pra acompanhar o set dele. Devido aos atentados recorrentes na Europa, a fiscalização da entrada do club estava demorando muito e vi que ele acabou tocando pra bem pouca gente.

Quando ele terminou o set, o convidei pra tocar comigo mais tarde, tendo em vista também que era um showcase do Warung, nós éramos os anfitriões e ele o convidado. Ele topou e tocamos juntos no meu slot. Claro que por conhecer o trabalho dele há tempos, foi mais fácil adaptar a linha; acabamos cedendo um pouquinho cada um. É desafiador, claro, mas muito legal!

Na próxima semana você se apresentará na tour da Kubik em Curitiba — festa que busca uma proposta audiovisual diferente. Qual a expectativa de receber o evento em sua cidade?

A Radiola Kubik será a única noite do projeto com 16 horas de festa, e com algumas surpresas também. Queríamos um diferencial e isso se reverte em bônus para o público. Eu me apresentei na Kubik São Paulo em 2015 e achei muito legal a conexão entre o som e o disparo das luzes nos cubos. O local será o mesmo do Tribaltech e tenho certeza que todos irão sair satisfeitos. Me apresento à meia-noite, e nosso convidado internacional, Guti, se apresenta às 02h.

“Corremos atrás de patrocínios, licenças, alvarás e toda burocracia necessária pra levar qualidade pro público. Se depender do Estado, não sai nada, e se sai é mal feito.”

Parece ser uma tendência Curitiba receber eventos de música eletrônica em lugares antes não imaginados. O Tribaltech agora tem um novo local muito elogiado dentro da cidade, o Warung está marcando época na pedreira Paulo Leminski. Você acredita que é apenas uma fase ou o poder público como um  todo tem concedido maior abertura a diferentes culturas musicais?

Eu acredito ser só o começo. O público quer o novo e nós também. Com certeza esses locais novos e inusitados surgem por mérito dos organizadores e produtores de eventos. A festa dos cinco anos da Radiola, por exemplo, foi no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, por nosso esforço. É triste dizer, mas se depender do Estado não sai nada, e se sai é mal feito. Corremos atrás de patrocínios, licenças, alvarás e toda burocracia necessária pra levar qualidade pro público. Quando o evento tem envolvimento das secretarias é feito por obrigação. Eu nunca vi um que preste, nem quando quem está lá no comando se esforça. Mas enfim, Curitiba tem essa chama diferenciada por parte dos núcleos. Aqui o som fala mais alto, e espero que continue assim.

Há algum tempo você anunciou que a Radiola Records estava tirando um tempo nos lançamentos para buscar aprimoramento musical. Em que fase se encontra a gravadora agora? Podemos esperar lançamentos em breve?

Mais que musical, esse aprimoramento foi profissional. Uma label, assim como qualquer empresa, precisa se organizar. Essa pausa fizemos há mais de um ano. No momento, temos 27 lançamentos disponíveis nas lojas e mais quatro até janeiro na agulha. O último foi o Lost Souls EP, uma bomba que toco sempre e quase derrubou o Watergate [risos]. Todos vieram me perguntar o que era aquela faixa, e era minha e do [produtor argentino] Tomy Wahl feita aqui na Radiola, quando ele veio pra tour. Essa track também saiu com um remix do romeno JUST2.

Pela frente nos releases, teremos mais uma faixa minha com remix do Dionigi, Caoak com remix do Ronnie Spiteri, Ariel Merisio com remix do Boghosian e algumas surpresas pro primeiro semestre de 2018. Aumentamos a equipe e vamos pra cima!

Você tem realizado seus próprios eventos, levando a Radiola para esse meio também. Existe um interesse em consolidar a marca também como um evento musical, ou são festas pontuais?

A Radiola Label Night é a festa temática do nosso selo e já tem seis anos. Nesse período estivemos nos principais clubs e festas do país, como Warung, Beehive, D-EDGE, Place Lounge e Colours. São mais de 40 eventos realizados em que já tivemos em nossos lineups diversos artistas internacionais relevantes, como Nick Curly, Djebali, Hot Since 82, David Glass, Oli Furness, Tomy Wahl, Jesse Perez, Joyce Muniz, Jamie Trench, Emanuel Satie, Dorian Paic, Russ Yallop, Gallya, Shosho, Ricky Ryan, entre outros. A marca de festas sem dúvida tem o foco musical e de entretenimento.

Em 2018 estamos lançando nosso novo website para facilitar pros contratantes. Além disso, teremos as festas Jardim Elétrico e Sonido Profundo, que dependem da disposição do lugar pra realização. Respondendo a pergunta, sim, pretendemos consolidar ainda mais a marca Radiola.

Como tem sido conciliar uma agenda carregada de shows, produzir música, eventos e ainda gerir juntamente com o Leo Janeiro a Warung Recordings? Você acredita que está vivendo a melhor fase da sua carreira?

A cada ano que entra, percebo estar vivendo o melhor momento da carreira — tudo isso devido a muito trabalho e força de vontade, de todos da equipe. É complicado conciliar tudo o que quero fazer, mas sinto que lidar com isso é o que eu mais gosto. As gigs são basicamente nos finais de semana, então o que eu faria da vida se não fosse fazer música e festa? Estou curtido muito produzir e tenho muita coisa pra lançar nos próximos meses.

Tenho um álbum em um projeto novo em que já tenho dez músicas prontas e alguns esqueletos pra desenvolver. Sobre a Warung Recordings, evidentemente é o selo do club. Como já disse em outras ocasiões, eu e o Leo gerenciamos hoje e nos dividimos em diversas funções do selo, mas ele não nos pertence — pertence à empresa Warung. Podemos opinar e indicar alguns artistas, mas tudo é passado pra direção, que opta pela quantidade de lançamentos e pelo material que quer fazer. Muita gente me manda demos sem nunca ter tocado lá ou sem ter vinculo algum com o espaço; eu tento explicar que não mando nas diretrizes do selo, fazemos esse trabalho por amor ao club e a música.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Entrevista

João Brasil: “Sou tipo um rapper, um funkeiro; minha matéria-prima é meu cotidiano”

Castelan

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Por

João Brasil
Rock in Rio, funk, EDM, Brazilian Bass, memes, morte da cultura dos mashups e novo clipe: confira um papo transante com o “cronista” João Brasil
* Com a supervisão e colaboração de Flávio Lerner

Em poucas semanas, damos as boas-vindas para mais um verão. Novos sons, hits e festas chegam em quantidades grandes para ajudar a suportar o calor que já bate na nossa porta. Mais ou menos nessa época do ano passado, o grande hit era claro: “Michael Douglas”, do João Brasil, havia se tornado uma febre fonográfica instantânea — em todos os cantos do país, geral deixava bem claro que nunca mais iria dormir.

Completando agora uma década de carreira, e após já ter desfrutado da exposição de hits como “Moleque Transante” (este pelo projeto Rio Shock), “Baranga” e incontáveis mashups, João embarcou em uma nova fase, mais eletrônica, onde pôde refrescar seu som através do EP #Naite, que, dentro da estética que batizou de “Low Funk” — que mistura seu amor pelo funk carioca a diversas outras referências da dance music e brasilidades populares —, traz quatro músicas, incluindo “Latinha”; novo single que, assim como “Michael Douglas”, vai deixar os entendedores entenderem do que se trata seus “lá-lá-lás” e “ló-ló-lós”.

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Aproveitando o gancho desta entrevista, o João nos convidou para mostrar com exclusividade aqui na Phouse o clipe de “Latinha”, que traz imagens de nada menos que sua performance no último Rock in Rio. De quebra, decidiu conversar conosco a respeito disso e de muitas outras questões da sua carreira — papo que você pode conferir logo depois de assistir ao clipe abaixo, em primeira mão!

O clipe de “Latinha” será lançado oficialmente nesta quinta-feira

João, conheci o teu trabalho através do projeto 365 mashups, de 2010, e ali ouvi misturas que nunca tinha sequer imaginado. Queria que você contasse um pouco sobre a importância desse projeto e o que ele te trouxe em termos de carreira.

Esse foi o maior projeto que fiz na vida. Realmente fiz um mashup por dia durante um ano. Estava morando em Londres e fazendo mestrado, foi muito intenso. O projeto me levou para espaços como o jornal The Guardian, proporcionou uma parceria minha com o Fatboy Slim no disco dele, me colocou para tocar em festivais como o Back to Black, também em Londres e tocar durante a queima de fogos do Réveillon de Copacabana para mais de dois milhões de pessoas.

“A nova política da internet praticamente matou a cena de mashup. Estamos voltando aos anos 80, com o Spotify como a nova rádio e o músico independente com cada vez menos voz.”

Os mashups reinaram até o começo desta década, mais ou menos; depois, podemos notar um declínio acentuado na popularidade deles. O que você acha dessa cultura dos mashups e por que ela caiu tão acintosamente nos últimos anos?

A nova política da internet praticamente matou a cena de mashup. Derrubaram minha página no Soundcloud, assim como as de diversos artistas que faziam mashups e remixes. Hoje em dia, praticamente, não conseguimos subir nenhum remix ou mashup que não seja oficial. Antes mesmo de completar o upload do mashup, o sistema o derruba. É uma pena, estamos voltando aos anos 80 — o Spotify e os outros players de streaming viraram a nova rádio, e as grandes gravadoras voltaram a ter uma importância muito grande. O músico independente está com cada vez menos voz a cada ano que passa.

Talvez nada represente melhor a capacidade de mashups do João Brasil do que esse clássico que mistura um pagode do Grupo Raça, um beat de funk e um dos gols mais perdidos da história do futebol brasileiro

Você lançou recentemente o novo EP, #Naite, com um show de sucesso no Rock in Rio. Como foi fazer o lançamento em um festival tão importante?

Foi épico. Foi o melhor dia da minha vida profissional como um performer. A galera estava muito animada, pulando muito, vibe incrível. Montamos o meu maior show até hoje, com painel de LED, fogos, brincadeiras com o público e tudo mais a que tínhamos direito. Era um mar de gente, foi inesquecível para todo mundo que estava lá. A galera recebeu as novas músicas muito bem e já tinha gente cantando algumas delas, foi demais!

“Eu sou um observador e cronista do que acontece ao meu redor. Sou tipo um rapper, um funkeiro, onde a minha matéria-prima para as canções está no meu cotidiano.”

A faixa “Michael Douglas” virou seu maior hit até hoje. Conta um pouco pra gente do meme e de como surgiu a ideia de fazer esse som.

Eu estava no Sul, em Atlântida, no club Pista 3. Estava todo mundo muito animado, éramos um grupo grande, todo mundo pulando e se abraçando. Vários DJs amigos do Sul, o crew de Brasília New Chicks On The Block, todo mundo cantando “Nunca mais eu vou dormir”, sobre outra música que estava rolando. Aí eu mandei “Ih, que isso?! Michael Douglas!”, o povo chorou de rir, pirou. Pensei na hora: tenho um hit. Voltei para o Rio e produzi a música em uma semana. A minha cabeça de “mashupeiro” logo fez a música soar como um mashup de funk com EDM.

Reza a lenda que esse áudio de Whatsapp que originou o meme “Michael Douglas”

Por que você acha que “Michael Douglas” explodiu tanto? Você entende que tem mais a ver com a sonoridade dela ou pelo fato de se tratar de uma piada com um meme?

Ela fala com todo mundo. O cara mais velho que adora o ator Michael Douglas, o baladeiro insider que sabe o que “Michael Douglas” significa na noite e as crianças que não querem dormir nunca. Atingiu a todos. Os amigos da minha filha de cinco anos cantam na escola. Realmente o que aconteceu foi algo surreal. E a sonoridade fácil ajudou a disseminação também: batida de funk e synths de EDM.

#Naite é o mais recente EP do produtor

“Michael Douglas” faz alusão ao MDMA, e “Latinha” brinca com Loló. Você por acaso quer ser o novo Tim Maia cantando “Chocolate”?

Ou a Rita Lee cantando “Lança Perfume”? [Risos] Adoraria ser o novo Tim Maia, mas me contento em ser um observador e cronista do que acontece ao meu redor. Sou tipo um rapper, um funkeiro, onde a minha matéria-prima para as canções está no meu cotidiano.

Estamos divulgando aqui em primeira mão o clipe de “Latinha”. Você tem alguma curiosidade pra nos contar sobre a faixa, o vídeo e seu processo de produção?

A ideia que tive foi: quero uma música épica, eletrônica, com humor e cantada em português, bem na linha de “Michael Douglas”, mas sem batida de funk. O funk iria ficar na interpretação do vocal, na vibe mesmo. Confesso que me incomodo que a maioria dos produtores de música eletrônica do Brasil tem nomes gringos e faz músicas em inglês. Não sou contra ninguém compor em inglês, eu mesmo já compus, mas compor apenas nesse idioma, sendo brasileiro, eu acho um pouco estranho.

“A maioria dos produtores de música eletrônica do Brasil tem nomes gringos e só faz músicas em inglês. Não sou contra ninguém compor em inglês, eu mesmo já compus, mas acho um pouco estranho.”

Não é a minha onda, gosto muito de música brasileira. Eu chamei o Brazza Squad para fazer o drop da música. O remix que eles fizeram de “Michael Douglas” ficou fantástico, toco sempre nos meus sets, e foi natural chamá-los para uma colaboração na “Latinha”. Não poderia ter escolhido parceria melhor para essa faixa. O clipe, todo filmado no Rock in Rio, passa bem a energia dessa nossa colaboração.

João Brasil

João Brasil e Brazza Squad, no Rock in Rio

Trabalhar com o Brazza Squad foi uma mistura inédita na sua carreira? Existe alguma mistura ainda não feita que você quer levar para o público?

Foi a primeira vez que colaborei com DJs de Brazilian Bass. Curti muito o resultado, gosto muito do estilo. Já tinha feito mashups nessa onda, mas nunca uma música do zero. Ainda quero fazer muitas novas misturas nessa vida [risos], principalmente com esses funks novos a 150 BPM que estão rolando agora nas comunidades do Rio.

No final de agosto saiu o clipe da faixa “Youtubers”, uma ode psicodélica a uma galera que hoje influencia a opinião das pessoas em alguma medida, e em uma entrevista pro G1 você até os chamou de “novos rockstars”. Até quando você acha que dura este momento de ouro dessa galera?

Acho que dura ainda um bom tempo. O YouTube é a nova televisão da molecada mais nova. Outro dia fui numa palestra sobre o Musical.ly e descobri o mundo dos “musers”. Eles foram os maiores responsáveis por espalhar o “Michael Douglas” para a criançada, fizeram várias versões. Ainda vamos ver muitas plataformas e influenciadores surgirem. Está tudo cada vez mais rápido, porém os melhores vão saber aproveitar a oportunidade e surfar as diferentes ondas, ao mesmo tempo em que muitos vão ficar pelo caminho.

João Brasil

João, no Rock in Rio, executando seu passinho clássico: a “sarrada gravitacional”

Como tem sido o retorno das pessoas a essa sua mistura entre EDM e funk carioca? Pela nossa experiência, o grosso do público da cena eletrônica no Brasil tem um preconceito enorme com o funk…

Eu amo funk, adoro as batidas. Sou do Rio, e por aqui é muito difícil não ter um pouco dessa influência. O preconceito com o funk não é exclusivo do público da dance music, muita gente tem. É uma música produzida, originalmente, por negros e pobres. O preconceito não é apenas musical, infelizmente. Odeio preconceito e adoro funk — os mashups e minhas misturas são maneiras que encontrei de construir um mundo onde todos possam se divertir, independentemente de sua origem, classe social, orientação sexual, religião ou cor.

“Minhas misturas são maneiras que encontrei de construir um mundo onde todos possam se divertir, independentemente de sua origem, classe social, orientação sexual, religião ou cor.”

Ao mesmo tempo, o estilo se desenvolveu muito nos últimos anos, e faz sucesso tanto nas favelas quanto nas festas de playboy. Você tem alguma ideia de por que existe ainda tanta resistência no Brasil ao funk carioca?

O Brasil sempre viveu um complexo de vira-lata, sempre achou que tudo que vem de fora é melhor, e isso não é de hoje. Não damos valor às nossas verdadeiras riquezas, aos nossos verdadeiros talentos. Ainda precisamos ter nomes gringos e músicas em inglês para ter música na playlist Eletro BR do Spotify. Ainda precisamos contratar um gringo como o Diplo ou o Hardwell para tocar nossa própria música — como “Baile de Favela” — para nós mesmos. Ainda temos muito que evoluir como sociedade.

Depois desses últimos lançamentos, quais são os planos? Uma turnê por aqui no exterior? Mais videoclipes?

Depois de “Latinha”, vamos finalizar o clipe de “Rave de Favela”, que será lançado até o final do ano. Vou lançar mais um single também. Entro numa agenda intensa aqui pelo Brasil no verão com a turnê do #Naite, que só vai acabar no carnaval, e depois parto para a Europa e os Estados Unidos para a minha turnê gringa no verão de lá.

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