DJ Mau Mau 30 anos
Um dos principais nomes da cena nacional comemora 30 anos como DJ neste sábado, em São Paulo; confira o depoimento e a playlist que o Mau Mau montou para a Phouse!

Modelo, inspiração, exemplo, referência, ícone, respeito… São inúmeras as palavras que clubbers e profissionais da cena house/techno poderiam usar para resumir o DJ Mau Mau. Afinal, não é qualquer DJ brasileiro que festeja 30 anos de profissão com uma trajetória consistente, sendo pioneiro em tempos de terra seca e tendo a capacidade de se manter atual e relevante depois de tantas transformações nesse cenário.

Exemplo disso é o último ato de seu ano comemorativo: após aproveitar a marca pra celebrar em diversos momentos especiais durante todo este 2017, a festa derradeira desses seus 30 anos de DJ não é nada parecido com um baile da saudade tocando flashback para tiozões saudosistas, mas a nova edição da Capslock de Paulo Tessuto — um dos maiores exemplos [e reflexos] do que é a cena clubber contemporânea.

Antes de discotecar pra jovens mudérnos e hedonistas no sábado — fechando com chave de ouro um ano que teve direito até a B2B com o DJ Marky no palco eletrônico do Rock in Rio —, o Mau Mau gentilmente topou dar um depoimento à coluna com uma breve retrospectiva de sua trajetória; de quebra, escolheu pra gente 30 músicas que representam essas três décadas de carreira, incluindo nomes como Kraftwerk, Front 242, Moby, John Tejada, Paul van Dyk, LFO, Carl Craig e Galaxy 2 Galaxy, além de uma faixa autoral.

+ Lúdico, subversivo e impactante: conheça o universo de Carlos Capslock

Basta, então, clicar na playlist abaixo [tracklist ao final do artigo] e ler as palavras a seguir pra curtir essa pequena viagem no tempo com um dos DJs-símbolo de São Paulo. Com vocês, DJ Mau Mau:

Sempre fui apaixonado por música. Na adolescência, minha experiência inicial foi através de vários grupos profissionais de dança que participei. No final dos anos 80, frequentei o Largo São Bento, em São Paulo, onde gangues e grupos de hip hop munidos de equipamentos de som portáteis se encontravam para disputas de breakdance. Foi nesse momento que o universo do DJ começou a me conquistar.

Um pouco antes de completar 18 anos, tive minha primeira oportunidade como DJ: no porão do casarão mais underground da cidade, o Madame Satã, reduto de punks, góticos e modernos, comandado pelos mestres Marquinhos MS e DJ Magal, duas grandes fontes de inspiração. Nos primeiros cinco anos, os toca-discos eram apenas um passatempo, e eu exercia outras atividades como sustento — fui bancário, trabalhei no escritório do DMC Brasil e fui coreógrafo do grupo Dance Division. Com o tempo, me apaixonei pela profissão, outras oportunidades apareceram e ganhei residências importantes no final dos anos 80: Club Malícia, US Beef Rock, Rouge Neon e Walkabout.

+ Exclusivo: DJ Marky fala sobre novos lançamentos e o que falta à cena brasileira

Nos anos 90, adotei o nome profissional de DJ Mau Mau, quando fui convidado para comandar a cabine de som do Sra. Kravitz, ao lado do DJ Renato Lopes. Naquele momento, meu trabalho ganhou destaque e pude desenvolver meu estilo, voltado para o underground. Em meados dos anos 90, nasceu em São Paulo o primeiro after hours do Brasil: o Hell’s Club. Convidado pelo promoter e amigo Pil Marques, comandei por quatro anos essa grande revolução que moldou um novo comportamento na noite.

Em seguida, outras residências importantes: o after do Club Base, com o promoter Paulo Silveira, e a noite Technova no Lov.e Club, a convite de Oscar Bueno. Depois dos anos 2000, fui residente da noite Mothership no D-EDGE, onde, depois de alguns anos, fui transferido para a residência do Superafter, em que sigo até hoje. Atualmente, também comando a noite Houseira, no Club Jerome, com meu amigo Roque Castro.

+ O que significa ser um DJ? Alguns dos principais nomes do país respondem

A carreira de DJ também me direcionou para a produção musical, em que desenvolvi muitos projetos e parcerias. Fazendo remixes e participações em shows, trabalhei com artistas nacionais importantes, como Roberto Carlos, Rita Lee, Marina Lima, Edgar Scandurra, Kiko Zambianchi, Edson Cordeiro, Laura Finocchiaro, DeFalla, Rodrigo Pitta, Franco Junior, Daniela Mercury, Jota Quest, Dudu Marote, Adriana Calcanhoto e o maestro Fabio Gomes Oliveira. Minhas músicas foram tocadas por DJs internacionais que admiro e que sempre foram fonte de inspiração: Laurent Garnier, Stacey Pullen, Mr C. e Carl Cox, entre outros.

A profissão também me proporcionou conhecer outros países e culturas. A convite do mestre Garnier, fiz minha primeira apresentação na França em 1995, no festival Trans Musicales, em Rennes. Depois ganhei residência por dois anos na festa francesa Open House, onde passei pelas principais capitais do país. Os convites internacionais não pararam: Inglaterra, Portugal, Alemanha, Turquia, Japão, Itália, Espanha, Bélgica, Estados Unidos, Argentina, Uruguai, Chile e Bolívia.

Em 2017, já recebi homenagem pelos anos de carreira do Nation Disco Club, primeiro reduto clubber em São Paulo, do final dos anos 80, comandado pelo DJ Mauro Borges, e também do Music Non Stop de Claudia Assef, entre outras comemorações. No início do ano, recebi o convite para tocar na Carlos Capslock através do L_cio e do Paulo Tessuto, e desde então estou muito ansioso.

+ Famoso edit de clássico de Chico Buarque ganha lançamento oficial

A Capslock é o tipo de festa que eu gostaria de frequentar, mas a minha agenda de trabalho não permite. Ter a oportunidade de comemorar essa data tão especial numa das festas mais legais da atualidade é um presente ao lado de amigos queridos! Tantos momentos de plena felicidade dedicados à música passaram voando, mas a paixão em pesquisar novos estilos musicais, desenvolver sons em estúdio e depois testar o resultado nas pistas pelo mundo continua a mesma do início de carreira.

São 30 anos de dedicação e amor. Assim, preparei uma retrospectiva com 30 músicas que marcaram minha carreira. São composições em estilos diferentes que em algum momento fizeram parte do meu repertório, e mesmo as mais antigas ainda soam bem atuais. ​Divirtam-se!

Tracklist:

[Anos 80]

1- Section 25 – Looking from a Hilltop (Megamix)

2- Colourbox – Hipnition

3- Front 242 – Don’t Crash

4- Kraftwerk – Numbers

5- Test Dept – The Faces of Freedom 1,2,3

6- Fast Eddie – Acid Thunder

7- Mike Dunn – Life Goes On

8- Adonis – No Way Back

9- Bam Bam – Give It To Me (Club Mix)

[Anos 90]

10- LNR – Work It To The Bone (The Original Classic)

11- West Bam – Alarm Clock

12- Dr. Baker – Kaos 1989

13- LFO – LFO

14- Xpansions – Move Your Body

15- DSR – Babaloo

16- Capricorn – 20 Hz

17- Speedy J – Something For Your Mind

18- Moby – Go

19- Humate – Love Stimulation (Paul van Dyk’s Love Club Mix)

20- Galaxy 2 Galaxy – Hi-Tech Jazz

21- Secret Cinema 2 ‎- Straight Forward

22- Kosmic Messenger – Flash

23- Jonny L – This Time (Carl Craig Mix 2)

[Anos 2000]

24- M4J – Macumba

25- DJ Mau Mau – Space Funk

26- John Tejada – Sweat (On The Walls)

27- The Martian – Particle Shower

28- Gabriel Ananda – Doppelwhipper

29- Luna City Express – Fresh

30- Justin Maxwell & John Tejada – I’ve Got Acid

A Capslock com o DJ Mau Mau rola neste sábado, dia 09, em São Paulo, em local ainda não revelado; o line ainda traz Tessuto, L_cio, Ella De Vuono, Max Underson, Vitor Lagoeiro e o alemão Sebastian Voigt.

Flávio Lerner é editor da Phouse; leia mais artigos de sua coluna.

CONFIRA TAMBÉM:

Um mergulho na rica discoteca de Chaves e Chapolin

Famoso edit de clássico de Chico Buarque ganha lançamento oficial

EXCLUSIVO: Claudia Assef confirma nova edição de “Todo DJ Já Sambou”

“Sem solidez, sem profundidade, não há futuro”; uma entrevista com o lendário DJ Meme

Relatos de um Fim de Século; a história do último club porto-alegrense a celebrar a cultura DJ

Receba novidades no e-mail

Receba o melhor da Phouse em seu email!

You May Also Like

Assista à primeira parte do documentário de Nicky Romero

Em “Redefine”, o DJ irá contar suas experiências ao longo da carreira

Quem é WOAK, o jovem piauiense que encantou a Armada Music

Produtor assinou contrato de cinco singles com a famosa gravadora de Armin van Buuren

Saiba mais sobre o HOLOSPHERE, novo live de Eric Prydz

Com 2,4 milhões de LEDs, o projeto será inaugurado no Tomorrowland

Só Track Boa Festival está de volta a Belo Horizonte

Edição mineira de 2018 foi considerada por muitos a melhor de todos os tempos

Vintage Culture reconhece erro e se manifesta sobre polêmica no Insta

DJ mostrou humildade depois de postar brincadeira de mau gosto na internet; Everson K analisa o caso

Novo uniforme do Manchester City homenageia clube histórico do Reino Unido

Em parceria com a PUMA, o time de futebol faz tributo ao lendário clube The Haçienda

Plástico zero em festivais é a meta da Live Nation para o futuro

O impacto ambiental é uma preocupação cada vez maior entre as produtoras de eventos

Londres receberá exposição sobre acid house e cultura clubber

Nomes como Seth Troxler e Craig Richards contribuíram para a iniciativa

Em nova entrevista, CEO fala sobre EDC e sua paixão pelos festivais

Pasquale Rotella conversou com a Forbes

Pai de Avicii fala sobre morte do filho e combate à depressão

Klas Bergling foi entrevistado pela CNN