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Entrevista

Com a :DOE :DANCE, o DJ Ban está trazendo o verdadeiro espírito do Dia do DJ ao Brasil

Flávio Lerner

Publicado em

09/03/2018 - 19:56
Doe Dance
DJ Ban Schiavon, fundador da :DOE :DANCE
O Dia do DJ não é sobre DJs; é sobre solidariedade

Normalmente o Dia do DJ aqui no Brasil é tratado como uma data para saudar seus DJs favoritos e mandar os parabéns pros amigos que gostam de se arriscar naquele ao vivo nas carrapetas. Também pode ser um dia apropriado pra mandar memes engraçadões no Facebook e até pra refletir sobre as origens da cultura de pista. Mas na verdade, como a história mostra, o Dia do DJ surgiu para algo muito maior. Não é sobre DJs, é sobre união, altruísmo e solidariedade — pode soar meio piegas, mas é fato.

+ O Dia do DJ também é um dia de reflexão

A data surgiu em 2002, através da união entre a World DJ Fund e a Nordoff Robbins Music Therapy, para realizar em parceria com os disc-jóqueis — que naquela época já haviam se consolidado como pop stars — uma série de eventos beneficentes em diversos países. O primeiro grande evento de celebração da data teve nomes como Sasha, Carl Cox, Pete Tong e Danny Tenaglia ajudando a arrecadar mais de 400 mil libras a instituições de caridade. No nosso país, até o ano passado, não tínhamos conhecimento de nenhuma ação do tipo.

+ ESPECIAL DIA DO DJ: O que significa ser um DJ? Alguns dos principais nomes do Brasil respondem

Até que o DJ Ban Schiavon, figuraça da cena brasileira e dono da escola de DJs que leva seu nome, acostumado desde 2001 a realizar sorteios e premiações importantes aos seus alunos e seguidores, decidiu importar pra cá esse verdadeiro espírito da data. Há exato um ano, ele lançava a :DOE :DANCE, que em sua primeira campanha arrecadou cerca de R$ 12 mil para o GRAAC, mobilizando diversos DJs e produtores da cena para doarem itens valiosos, ingressos de festas ou horas de workshops; a venda desses produtos é o que alimenta as arrecadações para as campanhas da iniciativa.

+ Iniciativa surge para abraçar causas humanitárias através de união do mercado da música eletrônica

Nesses 365 dias, o :DOE :DANCE ajudou diversas outras instituições — como o Lar das Mãezinhas, que foi ajudado graças a um leilão que Ban realizou com mais de 500 discos de sua coleção —, e agora, em sua sétima campanha, volta novamente a mirar no GRAAC, que ajuda crianças e adolescentes com câncer. “O :D:D completa um ano hoje, 09 de março, o Dia do DJ, que como você sabe, foi criado lá na gringa como uma data de atividade social. Embora a DJ Ban EMC já tenha feito inúmeras ações sociais no passado, a inspiração veio justamente após visita ao GRAAC, quando observamos que somente a Ban não daria conta do recado”, contou o idealizador do projeto, em contato à coluna.

+ Para o :DOE :DANCE, DJ Ban leiloa de mais de 500 discos de clássicos do techno

Além de pegar emprestada a influência que os DJs e produtores de música eletrônica possuem hoje em dia para contribuir com causas sociais, o :DOE :DANCE deve ter um efeito colateral muito bem-vindo à cena brasileira: combater as infrutíferas birrinhas por ego e unir geral em uma causa maior. “Num mercado em que muitos dizem união, nós propomos isso, uma vez que o beneficiado é uma causa fora da curva desse mercado… Ou seja, através de  atividades realizadas pelo :D:D, conseguimos alavancar com cunho social a tal união”, explica o Ban. “Via :D:D, tivemos diversas outras escolas de música eletrônica juntas, na Ban ou fora dela. O objetivo é que se alguém quiser fazer algo em qualquer lugar do Brasil ou do mundo, com o nome de :DOE :DANCE ou ‘coco com rapadura’, ele possa. Tá ajudando o próximo, já era”, complementou.

+ O que as mulheres querem transformar na cena eletrônica atual

“Não será possível por causa do :DOE :DANCE uma união saudável [da cena eletrônica], nem nessa encarnação nem na próxima. Não adianta, cada um vai olhar sempre pro seu umbigo, é do ser humano. O que eu vejo é que uma parte da sociedade que não vive essa cena como nós vivemos pode ver ela com outra cara. Ele pode não saber que tem uma birra do DJ ‘X’ com o DJ ‘Y’, e ele pode ver que aqueles DJs ali tão juntos, fazendo algo em prol da sociedade. Fiz eventos aqui na Ban que tinham, sim, concorrentes e caras que não se bicavam, mas eles estavam aqui por um ideal. E o ideal sempre é a causa.”

+ Plusnetwork, Entourage, Lula, Bolsonaro e a guerra de egos na cena eletrônica

A nova ação para ajudar o GRAAC começou no dia 19 de fevereiro, e deve ir até a primeira semana de abril. Segundo o Schiavon, alguns atrasos na programação fizeram com que ele tivesse que reprogramar atividades e aumentar o prazo da campanha. A ideia, desta vez, é chegar até os R$ 15 mil.

Você pode conferir tudo que está programado para essa campanha, saber como ajudar e ler mais sobre a iniciativa no site da :DOE :DANCE.

* Flávio Lerner é editor na Phouse; leia mais de sua coluna.

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Perfil

Entenda a ascensão internacional do DJ e produtor brasileiro Kalil

Lançamentos por grandes labels fazem do paulista um dos principais nomes do techno no Brasil

Alan Medeiros

Publicado há

Kalil
Foto: Divulgação

Nos últimos anos a cena techno brasileira tem servido ao mundo alguns talentos em ascensão, como o caso do talentoso produtor paulista Kalil. O começo de sua carreira foi justamente em um período de grandes inovações relacionadas à forma de consumo de música, e isso foi fundamental para o desenvolvimento não só dele, mas de toda uma geração.

Na virada da última década, a internet passou a representar um capítulo importante na disseminação de conteúdo por parte de artistas independentes, principalmente através de plataformas como SoundCloud e YouTube, que de certa forma reduziram a importância de uma grande gravadora para o start de uma carreira consolidada. Em paralelo com o Facebook e outras redes, colocaram uma ferramenta poderosa na mão de alguns artistas.

      

Kalil claramente soube aproveitar esse momento e foi capaz de construir uma base de fãs engajada, e o mais importante: evoluir seu próprio perfil artístico ao longo dos anos. Desde o começo se comentava que suas produções tinham algo diferenciado, e hoje isso não se trata de uma aposta — estamos falando de algo concreto, especialmente se levarmos em consideração os últimos acontecimentos de sua carreira.

Com uma presença mais forte no mercado nacional, Kalil passou a alçar voos internacionais também, seja através de gigs em países como França, Suíça e Alemanha, ou através de lançamentos por labels como Noir Music, Senso Sounds e Sprout — referências absolutas dentro do techno. Algumas de suas últimas conquistas incluem suportes de nomes como Carl Cox, Maceo Plex, Monika Kruse, Karotte e outros big names da dance music internacional.

     

Ainda é cedo para dizer se Kalil se tornará em breve uma grande estrela do estilo a nível global. Não há como negar, porém, que o brasileiro está mostrando maturidade para guiar sua própria jornada de evolução com sabedoria e inteligência, sempre influenciado pelas batidas inspiradoras de seu próprio coração.

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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Notícia

Nevoeiro desfalca XXXPERIENCE e TribalTech; entenda o caso

Artistas que iriam de um festival para o outro acabaram não conseguindo viajar

Flávio Lerner

Publicado há

XXXPERIENCE e TribalTech
Foto: Sigma F/Reprodução

Nesse sábado, 22, dois dos mais aguardados festivais da cena eletrônica nacional aconteceram simultaneamente: XXXPERIENCE e TribalTech. Tentando evitar o mau tempo que atrapalhou anos anteriores de ambos os eventos — o que justamente motivou a XXX para transferir sua data de novembro para setembro —, os dois rolaram numa boa, sem temporal nenhum pra acabar com a vibe. Mesmo assim, a zica climática atacou por outro lado, e acabou desfalcando as duas festas.

Por causa do forte nevoeiro que atingiu Curitiba, os dois aeroportos da capital [Afonso Pena e Bacacheri] fecharam, além do Aeroporto Municipal de Ponta Grossa e do Aeroporto Internacional de Navegantes, em Santa Catarina. Com isso, a aeronave particular — contratada em parceria entre os dois festivais — que sairia no começo da madrugada de São Paulo para levar Len Faki, Dubfire e Tessuto ao TribalTech, e posteriormente Ben Klock e Gabe para São Paulo, não conseguiu decolar.

+ “O festival vai ficar muito mais interativo”; Erick Dias fala sobre a #XXX22

Além deles, Guy Gerber cancelou anteriormente com os dois festivais, alegando na última quinta-feira que teve sua casa invadida e pertences roubados, incluindo seu passaporte. Já o voo comercial que levava o sueco Gaudium, atração do palco de trance 3DTTRIP, do TribalTech, atrasou, o que fez com o que o artista não chegasse a tempo para tocar. 

A XXX contornou o problema colocando Renato Ratier para estender o seu set, que já encerraria o Union Stage, por quatro horas, assumindo também o horário de Ben Klock, enquanto o Joy Stage, que fecharia com o Gabe, acabou terminando mais cedo; já o Guy Gerber foi substituído por um B2B entre ANNA e Patrice Bäumel, que já eram atrações do Union. 

+ TribalTech Enlighten: confira detalhes da próxima edição do festival

No TribalTech, Len Faki e Dubfire, que seriam as últimas atrações do TribalTech Stage, foram substituídos por Ben Klock [que estendeu seu set em meia hora] e Anthony Parasole, que originalmente tocaria no Timetech [e acabou sendo substituído por um segundo set do alemão Sammy Dee]. Já no Secret Stage, um B2B entre Renato Cohen e RHR fechou o palco, no lugar de Tessuto. O festival acabou sendo encerrado uma hora antes do programado.

Em contato com a Phouse, a assessoria do TT afirmou que já está em contato com as agências dos artistas para tentar trazê-los novamente a Curitiba. Enquanto isso, a produção da XXX afirma também ter a intenção de trazer Ben Klock para a edição do ano que vem.

Antes, ambas as labels já haviam pedido desculpas ao público e explicado o problema em suas respectivas redes sociais.

NOTA OFICIAL.

Posted by Tribaltech on Sunday, September 23, 2018

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Notícia

Marisco Festival tem programação diversa na próxima semana

Flávio Lerner

Publicado há

Marisco Festival
Em 2017, o Marisco Festival rolou no Colégio do Jockey Club. Foto: Reprodução/Facebook
Terceira edição do festival mescla música, conversas e oportunidade para produtores

Organizado pela label Mareh Music, de Guga Roselli, o Marisco Festival traz uma programação bastante diversa para este ano, em São Paulo. A terceira edição do evento foi dividida em quatro datas: um show especial que rolou nessa última quarta [30], com banda em tributo ao lendário maestro brasileiro Lincoln Olivetti; dois dias da chamada “Talks”, que traz painéis, conversas e até juri para avaliar produtores brasileiros [dias 06 e 07]; e o festival em si, no dia 09, que traz Ed Motta como principal atração, além de DJs e produtores como Nuts, Selvagem, Edu Corelli e Roger Weekes e Ashley Beedle [Inglaterra].

Um dos destaques da Talks é uma grande oportunidade para novos talentos nacionais que produzem sons que casam com a proposta da Mareh — isto é, música eletrônica groovada e tropical, mais voltada à disco music, disco house, sons baleáricos e brasilidades. A mesa “New kids on the block” vai trazer dez músicas de produtores brasileiros para serem tocadas e julgadas ao vivo por três DJs experientes: Caio Taborda [Gop Tun], Mari Rossi [We Sounds] e Benjamin Ferreira [Stay Free].

+ Um mergulho na rica discoteca de Chaves e Chapolin

As faixas serão selecionadas mediante seleção prévia do DJ Camilo Rocha, um dos curadores do evento. Para participar, basta enviar até as 18h do dia 05 sua faixa em 320 kbps para o camilorocha68@gmail.com e ficar na torcida. Os dez escolhidos serão convidados a participar do evento — segundo o Camilo, quem não estiver em Sampa poderá assistir posteriormente à sessão em vídeo.

Além da mesa, haverá ainda inúmeros outros painéis com grandes expoentes da cena nacional, como Tessuto, Claudia Assef, L_cio, Carrot Green e Sonia Abreu.

Expoente do groove nacional, Marcos Valle foi atração em 2017. Foto: Reprodução/Site oficial

Confira a programação completa da Talks e do Festival:

Marisco Talks: Conversas e escutas sobre música

Local: Cobertura do Excelsior Hotel — Av. Ipiranga 770, Centro

QUARTA – 6 de junho

A cidade e a música 17h – 18h

Pena Schmidt, consultor de produção musical, Fabiana Batistela, diretora do SIM São Paulo, e Paulo Tessuto (DJ e fundador da festa Capslock) falam sobre desafios e oportunidades nas relações entre as cidades e a música que é vivenciada nelas.

Futuro do pretérito 18h15 – 19h15

Os produtores musicais L_cio e Carrot Green falam sobre os passos da criação do edit/remix, da recriação ao licenciamento, a partir de suas experiências nessa área.

Os discos mais raros do Brasil pt. 1 19h30 – 20h30

Os DJs Nuts e Paulão tocam e comentam raridades nacionais das suas coleções enquanto conversam com o público sobre música brasileira, colecionismo e garimpagem de discos. Mediação de Renata Simões.

Dancing queens: as mulheres da disco brasileira 20h45 – 21h45

Duas mulheres icônicas da disco music brasileira, a DJ Sonia Abreu e Vivian Costa Manso (Harmony Cats) falam sobre suas experiência como artistas femininas na indústria musical e na noite dos anos 70. Mediação de Claudia Assef.

QUINTA – 7 de junho

Disquecidos 16h – 17h

Há quatro anos a Vice Brasil vem contando as histórias por trás de discos que não estouraram em seus lançamentos, mas que se tornaram referências musicais, fetiches de colecionadores e raridades no mercado de vinis. O repórter Peu Araújo fala sobre os bastidores desses papos.

New kids on the block 17h15 – 18h15

Diante do público e um júri, novos produtores exibem faixas para julgamento ao vivo de três DJs com tarimba de anos de pista: Caio Taborda, Mari Rossi e Benjamin Ferreira.

REGRAS:

1) Cada produtor pode enviar apenas uma música

2) A música tem de ser em arquivo MP3 320 kbps. Para a seleção final, que será executada no evento, pediremos uma versão em WAV.

3) Preferimos que o estilo musical esteja coerente com a proposta do Marisco Festival, que fica no meio do caminho entre disco music, house e música brasileira.

4) Só serão aceitas músicas enviadas até 5 de junho às 18h.

5) Envie música ou link para camilorocha68@gmail.com

6) Os produtores selecionados serão avisados individualmente e convidados a ir ao evento.

Qual é a cara desse som? 18h30 – 19h30

Por que é importante construir uma identidade musical? E como se faz e não se faz isso? Venha ouvir as experiências e opiniões de três artistas sobre o tema: os DJs Max Underson, da Coletividade Namíbia e Capslock, Luanda Baldijão e Mauricio Fleury, do Bixiga 70.

Os discos mais raros do Brasil pt. 2 19h45 – 20h45

Augusto Olivani, da Selvagem, e Tata Ogan falam sobre pérolas da música brasileira da sua coleção, tocando discos e conversando com a plateia sobre coleção, pesquisa e recantos obscuros da música do país. Mediação de Guilherme Menegon.

Entrevista no palco – Ashley Beedle 21h00 – 22h00

Protagonista da música e pista britânica desde a acid house, participante de projetos históricos da house music como X-Press 2 e Black Science Orchestra, Beedle vai falar sobre história e carreira com Camilo Rocha. Uma oportunidade única de conhecer de perto os saberes e experiências de um dos mais celebrados veteranos da cena eletrônica.

Marisco Festival: Sábado, 09 de junho

Local: ainda a ser anunciado

Atrações:

Ed Motta (Baile do FlashBack)

Lincoln Olivetti BAND

Ashley Beedle

DJ Nuts

Selvagem

Edu Corelli 

Roger Weekes

Benjamin Ferreira

Vitor Kurc

DJ Paulão

Tata Ogan

Marcelo Dionisio

+ Mais nomes a serem anunciados

Os ingressos estão disponíveis via Event Brite. Mais informações podem ser encontradas no site oficial.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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