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Entrevista

Com a :DOE :DANCE, o DJ Ban está trazendo o verdadeiro espírito do Dia do DJ ao Brasil

Flávio Lerner

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Doe Dance
DJ Ban Schiavon, fundador da :DOE :DANCE
O Dia do DJ não é sobre DJs; é sobre solidariedade

Normalmente o Dia do DJ aqui no Brasil é tratado como uma data para saudar seus DJs favoritos e mandar os parabéns pros amigos que gostam de se arriscar naquele ao vivo nas carrapetas. Também pode ser um dia apropriado pra mandar memes engraçadões no Facebook e até pra refletir sobre as origens da cultura de pista. Mas na verdade, como a história mostra, o Dia do DJ surgiu para algo muito maior. Não é sobre DJs, é sobre união, altruísmo e solidariedade — pode soar meio piegas, mas é fato.

+ O Dia do DJ também é um dia de reflexão

A data surgiu em 2002, através da união entre a World DJ Fund e a Nordoff Robbins Music Therapy, para realizar em parceria com os disc-jóqueis — que naquela época já haviam se consolidado como pop stars — uma série de eventos beneficentes em diversos países. O primeiro grande evento de celebração da data teve nomes como Sasha, Carl Cox, Pete Tong e Danny Tenaglia ajudando a arrecadar mais de 400 mil libras a instituições de caridade. No nosso país, até o ano passado, não tínhamos conhecimento de nenhuma ação do tipo.

+ ESPECIAL DIA DO DJ: O que significa ser um DJ? Alguns dos principais nomes do Brasil respondem

Até que o DJ Ban Schiavon, figuraça da cena brasileira e dono da escola de DJs que leva seu nome, acostumado desde 2001 a realizar sorteios e premiações importantes aos seus alunos e seguidores, decidiu importar pra cá esse verdadeiro espírito da data. Há exato um ano, ele lançava a :DOE :DANCE, que em sua primeira campanha arrecadou cerca de R$ 12 mil para o GRAAC, mobilizando diversos DJs e produtores da cena para doarem itens valiosos, ingressos de festas ou horas de workshops; a venda desses produtos é o que alimenta as arrecadações para as campanhas da iniciativa.

+ Iniciativa surge para abraçar causas humanitárias através de união do mercado da música eletrônica

Nesses 365 dias, o :DOE :DANCE ajudou diversas outras instituições — como o Lar das Mãezinhas, que foi ajudado graças a um leilão que Ban realizou com mais de 500 discos de sua coleção —, e agora, em sua sétima campanha, volta novamente a mirar no GRAAC, que ajuda crianças e adolescentes com câncer. “O :D:D completa um ano hoje, 09 de março, o Dia do DJ, que como você sabe, foi criado lá na gringa como uma data de atividade social. Embora a DJ Ban EMC já tenha feito inúmeras ações sociais no passado, a inspiração veio justamente após visita ao GRAAC, quando observamos que somente a Ban não daria conta do recado”, contou o idealizador do projeto, em contato à coluna.

+ Para o :DOE :DANCE, DJ Ban leiloa de mais de 500 discos de clássicos do techno

Além de pegar emprestada a influência que os DJs e produtores de música eletrônica possuem hoje em dia para contribuir com causas sociais, o :DOE :DANCE deve ter um efeito colateral muito bem-vindo à cena brasileira: combater as infrutíferas birrinhas por ego e unir geral em uma causa maior. “Num mercado em que muitos dizem união, nós propomos isso, uma vez que o beneficiado é uma causa fora da curva desse mercado… Ou seja, através de  atividades realizadas pelo :D:D, conseguimos alavancar com cunho social a tal união”, explica o Ban. “Via :D:D, tivemos diversas outras escolas de música eletrônica juntas, na Ban ou fora dela. O objetivo é que se alguém quiser fazer algo em qualquer lugar do Brasil ou do mundo, com o nome de :DOE :DANCE ou ‘coco com rapadura’, ele possa. Tá ajudando o próximo, já era”, complementou.

+ O que as mulheres querem transformar na cena eletrônica atual

“Não será possível por causa do :DOE :DANCE uma união saudável [da cena eletrônica], nem nessa encarnação nem na próxima. Não adianta, cada um vai olhar sempre pro seu umbigo, é do ser humano. O que eu vejo é que uma parte da sociedade que não vive essa cena como nós vivemos pode ver ela com outra cara. Ele pode não saber que tem uma birra do DJ ‘X’ com o DJ ‘Y’, e ele pode ver que aqueles DJs ali tão juntos, fazendo algo em prol da sociedade. Fiz eventos aqui na Ban que tinham, sim, concorrentes e caras que não se bicavam, mas eles estavam aqui por um ideal. E o ideal sempre é a causa.”

+ Plusnetwork, Entourage, Lula, Bolsonaro e a guerra de egos na cena eletrônica

A nova ação para ajudar o GRAAC começou no dia 19 de fevereiro, e deve ir até a primeira semana de abril. Segundo o Schiavon, alguns atrasos na programação fizeram com que ele tivesse que reprogramar atividades e aumentar o prazo da campanha. A ideia, desta vez, é chegar até os R$ 15 mil.

Você pode conferir tudo que está programado para essa campanha, saber como ajudar e ler mais sobre a iniciativa no site da :DOE :DANCE.

* Flávio Lerner é editor na Phouse; leia mais de sua coluna.

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Notícia

DJ Marky leva sua festa Influences para novo espaço cultural em SP

Flávio Lerner

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Tokyo
Foto: Reprodução
Inaugurado em maio, o Tokyo ocupa um prédio de nove andares com diversas atividades

Nesta sexta-feira, 18, o lendário DJ Marky estreia um novo ambiente para sua já tradicional Influences, noite em que usa toda sua técnica nos decks para passear pelas músicas que moldaram seu caráter musical — da música brasileira, passando pela disco, soul, funk e jazz à house music e ao drum’n’bass, sobretudo em discos antigos e raros, que o DJ vem colecionando em países como Japão, Portugal, Austrália e Inglaterra.

No ano passado, quando o entrevistei, o Marky falou sobre o conceito da Influences: “É uma festa em que toco todos os estilos que foram essenciais na minha carreira. É mais do que uma noite, é uma aula. As pessoas têm que ir com a cabeça aberta. E direto recebo vários DJs, justamente porque é uma noite diferente, que falta no circuito, já que a maioria das noites é só o mesmo estilo de música”.

Em 2014, o DJ Marky mandou um set de influências no Boiler Room

A festa, que nasceu no Vegas e depois mudou para o Pan-Am, será hoje no Tokyo, espaço cultural e gastronômico inaugurado neste mês no centro da capital. Longe do conceito tradicional de casa noturna, o Tokyo ocupa um prédio inteiro de nove andares na Rua Major Sartório; os andares reúnem karokê, bar, restaurante, instalações e oficinais de economia criativa durante o dia. Na cobertura, uma pista de dança com vista para o Copan e o Edifício Itália — e é nela que Marky comandará a noite, a partir das 23h.

A ideia da Influences, que teve sua última edição realizada em março de 2017, é voltar a fixar uma periodicidade a cada um mês e meio, quando o artista está no Brasil. Apesar de as possibilidades serem boas, o Tokyo ainda não está confirmada como nova casa oficial da festa. Você pode conferir mais detalhes da noite de hoje na página do evento.

Vídeo promocional revela mais detalhes do funcionamento do Tokyo

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Notícia

Parceria entre Boiler Room e Ballantine’s retorna ao Brasil em novo projeto

Flávio Lerner

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Boiler Room São Paulo
Foto: Reprodução
Série “Hybrid Sounds” mescla artistas eletrônicos com nomes orgânicos 

Juntos há cinco anos, Boiler Room e a marca de uísque Ballantine’s já montaram projetos ousados e incríveis no cenário musical. A partir de 2016, a união foi ainda mais longe com o lançamento da série Stay True, que visitava diversos países com lineups cuidadosamente curados para celebrar a cultura de cada nacionalidade. Naquele ano, tivemos nada menos que o Boiler Room Stay True Brazil — o lendário Boiler Room de Recife, que fez história em nosso país. Em 2017, a parceria voltou rebatizada como True Music, trazendo nomes como Seth Troxler e Little Louie Vega a Salvador, junto a expoentes brazucas como Fatnotronic e Renato Ratier, e agora, em 2018, a Stay True traz seu novo projeto, Hybrid Sounds, para São Paulo.

A proposta da Hybrid Sounds é trazer lives inéditos e inesperados, colocando no mesmo palco artistas de música eletrônica com projetos acústicos, que provavelmente nunca se encontrariam em outra oportunidade. Em SP, isso será visto através do conceituado grupo do underground paulistano Teto Preto, que tocará em conjunto com a produtora berlinense rRoxymore. Expoente da Chicago house, Derrick Carter é o headliner do evento, enquanto a MC Linn da Quebrada e o cantor e compositor Tom Zé — um dos grandes nomes da música brasileira — completam o lineup.

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Em local ainda mantido em segredo, o Boiler Room True Music: Hybrids Sounds São Paulo rola no dia 23 de maio, uma quarta-feira, e terá transmissão ao vivo pela plataforma, como de praxe. O evento sucede as edições que rolaram em Moscou e em Beirut, no Líbano, e antecede a edição de Valência, na Espanha, que encerra o projeto. Ao final, um EP da série Hybrid Sounds será lançado, com faixas inéditas dos artistas que colaboraram em cada região (Teto Preto X rRoxymore em SP; Overmono X Solo Operator em Moscou; Dollkraut X Zeid & Maii em Beirut; e KiNK com um artista ainda não revelado, em Valência).

Para quem quer participar da festa, é necessário se inscrever no site e torcer para ganhar o convite por e-mail.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Análise

O indie dance original respira com a volta do Friendly Fires

Flávio Lerner

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Friendly Fires
Foto: Reprodução
Depois de mais de seis anos sem lançamentos, o trio britânico que marcou os anos 2000 está de volta

Fundado em 2006, o trio britânico de dance-rock/indie danceFriendly Fires foi importantíssimo para uma guinada mais eletrônica e dançante à cena indie da década passada, que encontrava-se em sua era de ouro com a ascensão de bandas como The Killers, Franz Ferdinand, The Strokes e Bloc Party. Seu surgimento — somado à ascensão de grupos como Klaxons, Chromeo, Cut CopyMetronomy e o brasileiro Cansei de Ser Sexy — fez com que aquele cenário mais centrado nas guitarras passasse a ter um foco maior nos sintetizadores e nas batidas. O LCD Soundsystem não estava mais sozinho.

Comandando pelo carismático e rebolativo Ed Macfarlane — com suas dancinhas impagáveis ao vivo e nos videoclipes —, o Friendly Fires explodiu mesmo em 2008, com o primeiro e homônimo álbum, e desde então acumulou milhões de fãs no mundo inteiro. Nunca fizeram exatamente música eletrônica de pista, mas bebiam claramente de fontes como a house e o synth pop de grupos como New Order e Depeche Mode. E não só isso: a batida e a vibe ensolarada das músicas trazia muito da música brasileira. Singles como “Jump in the Pool” e “Kiss of Life” surgiram com fortes elementos de percussão de samba — e em 2008 e 2009, o grupo chegou a realizar apresentações em conjunto com uma escola de samba.

Em 2011, às vésperas do lançamento do segundo álbum, Pala, que se afastava ainda mais do indie rock, foram capa da conceituada revista inglesa NME, e tiveram a ousadia de dizer que preferiam escutar Justin Timberlake do que Morrissey — antigo líder do grupo The Smiths, que dominou a cena indie nos anos 80. Pra roqueiros britânicos que levam esse tipo de comparação muito a sério [o que, arrisco dizer, seja boa parte do público da revista], uma declaração do tipo soava como heresia.

O trio seguiu sua vida muito bem, obrigado. Pala também fez sucesso, e o FF seguiu apresentando-se em shows lotados no mundo inteiro nos próximos anos. Mas pararam de fazer música. Em 2014, deram um tempo de vez, e só foram voltar agora, quatro anos depois, com shows de retorno na Inglaterra realizados nas últimas semanas. E claro, novo single — o primeiro em mais de seis anos.

“Love Like Waves” foi lançada no último dia 05, e segue a linha do Friendly Fires que já estamos acostumados, sem grandes alterações na estrutura sonora. É uma canção boa e agradável, que resgata o saudosismo dos fãs e empolga pelas novas possibilidades, mas também não chega a ser dos melhores sons já feitos pelo trio.

Novos singles devem surgir nas próximas semanas, culminando, em breve, com o aguardadíssimo terceiro álbum. Se mantiver a qualidade dos LPs do passado, tem tudo para ser um dos grandes lançamentos de 2018.

Bóra relembrar outros grandes singles do grupo:

* Nota do Autor: Indie dance/nu disco, assim como progressive house e deep house, foi mais um dos estilos que caiu naquela salada de tags do Beatport, na década passada, e acabou passando a ser usado para se referir a uma sonoridade completamente diferente. Aqui, evidentemente, falo sobre o indie dance original, que vai de bandas como o Cut Copy a produtores como o Tensnake.

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