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Dos primeiros discos ao lançamento pela Innervisions de Dixon; uma entrevista exclusiva com Davis

Jonas Fachi

Publicado em

16/11/2016 - 18:23

‘’A devoção à arte é uma premissa fundamental para alguém que se chama um artista.’’ É com essa premissa que o DJ, produtor e incitador cultural paulista Davis caminha para fechar mais um grande ano em sua carreira.

Um dos responsáveis pela democratização da noite eletrônica na maior cidade do país e um dos DJs mais requisitados em nossa cena atualmente, ele conta nesta entrevista exclusiva para Phouse um pouco do início da sua carreira, o lançamento de sua label com Zopelar, experiências em dos clubes mais respeitados da Europa e sua grande conquista no ano, lançando pela consagrada gravadora de Dixon, a Innervisions.

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Você ganhou evidência nos últimos anos na cena eletrônica e rapidamente conseguiu se estabelecer como um dos DJs mais respeitados do Brasil. Obviamente essa é uma visão externa e não retrata toda sua trajetória anterior, bem como o tempo que passou até se destacar, como foi?

Eu nasci e cresci na Zona Leste de São Paulo, rodeado de música, onde minha maior diversão na adolescência era sair com meus amigos para dançar e assistir meus DJs favoritos nos clubes da região, como Toco, Contramão e Overnight. Ainda carrego comigo a memória da primeira vez que entrei num clube, vi aquela massa de gente dançando ao som de um DJ numa mega cabine, um enorme show de luzes … foi especial. E, então, foi daí que nasceu meu interesse em discotecar. Naquela época juntava grana do lanche da escola para poder pagar a entrada nos clubes. Sendo assim, eu não tinha grana suficiente para comprar muitos discos, nem tampouco um toca-discos decente. Mas mesmo assim eu arriscava gravar, no aparelho de som do meu pai,  fitas K-7 para meus amigos e para poder tocar nos nossos “bailinhos” na garagem, era uma mistura bem tosca, composta de músicas da minha ampla coleção formada de 6 discos e algumas faixas que gravava de programas de rádio (lógico que com aquelas vinhetas bizarras de programas de rádio), mas era muito gratificante ver a reação dos meus amigos quando as ouviam.. Os salários dos meus primeiros empregos (office-boy, atendente de locadora, entre outros) serviram para comprar discos (Vinis e CDs).  Enfim, por diversas razões eu não segui com a discotecagem, mas não deixei nem um instante de colecionar música.

Daí, em 2000, após uma grande perda na minha vida, fui buscar na música uma motivação, um forma de equilibrar minha vida. Passei a comprar discos novamente, comprei um par de toca-discos, fui praticando, contando com a ajuda de outros amigos DJs (como André Ribeiro, Maurício UM e Ronald Pacheco) que me incentivavam a  tocar, sempre elogiando meu gosto musical.

Poucos anos depois, em meados de 2004 comecei a fazer as minhas próprias festas, criando assim uma impressão muito boa para o público e para outros artistas que tocaram comigo. Uma hora arrumava um puteiro desativado, noutra ocupava espaço de um bar, enfim, tudo muito pequeno, mas com muito amor pela música. E, assim, foi me tornando conhecido no cenário alternativo de São Paulo até chegar a tocar nos clubes de maior prestígio na cidade.

Você é visto como um artista que está sempre buscando ajudar o desenvolvimento da cena em que está inserido, certo? Ser um ‘’agitador cultural’’ daquilo que acredita hoje pode ser visto como um diferencial tão importante quanto produzir e tocar?

Sim, gosto colaborar com o desenvolvimento do ambiente musical. Porém, eu prefiro acreditar que tocar e produzir é o mais importante. Gosto muito de me envolver na concepção de uma experiência de dança, em propor uma imersão e oportunidades para outros artistas se expressarem com liberdade. Por exemplo, na ODD, os artistas tem uma situação que é muito mais memorável e atraente do que a maioria dos clubes. Isso lhes permite tocar música mais interessante e fazer uma maior impressão em seu público.

Como você tem visto a nova geração de produtores em São Paulo, nomes como L_cio e Zopelar são talentos inquestionáveis. Fale sobre suas colorações com eles e a label com o Pedro.

 Os meus queridos e talentosos amigos, Zopelar e L_cio, já não são tão novos assim … rsrs. A amizade com o Pedro nasceu em meados de 2006, de nossas vontades de trabalharmos juntos, pois ambos temos essa facilidade de trabalhar com outros artistas. E, como temos características complementares, conseguimos superar alguns limites, e construir uma forma muito particular. E foi assim que nasceu o In Their Feelings, da nossa enorme vontade de apresentar a música que melhor nos representa, em diversos formatos, em diversas vertentes, mas com a nossa cara. Onde nossos padrões são muito elevados, tanto para a seleção dos artistas, como a arte da capa, mixagem, masterização e distribuição.

O selo está prestes a completar um ano de existência, e colhemos um grande aprendizado, uma lista de excelentes artistas nos apoiando (Axel Boman, Jennifer Cardini, Dixon, The Drifter, Mano Le Tough, Seth Troxler, Âme, Cleveland, entre outros), destaque em lojas e na mídia internacional.

Nos últimos 3 anos temos observado o que pode-se chamar de ‘’flexibilização’’ da noite paulista, novas opções culturais e eventos como a ODD, que você ajudou a criar. Qual a sua visão sobre essa nova fase da cidade?

Prefiro denominar este momento  como a democratização da noite, onde a queda de uma monopólio era iminente. Veja que os cidadãos agora estão explorando a cidade da melhor forma e acredito que isto é irreversível. É gratificante ver um congloremado de gente comum criar uma noite enfervescente para cidade, oferecendo uma maior gama de arte, de opções de diversão à população, uma maior quantidade de oportunidades para os artistas se apresentarem. Enfim. O cidadão tem o direito de ter acesso a maior oferta de cultura bem como escolher onde se divertir na cidade onde mora.

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Em suas apresentações internacionais você teve a oportunidade de se apresentar em alguns dos clubes mais importantes do mundo, teria algum que gostaria de relatar a experiência?

Sim, um das mais marcantes foi minha apresentação em março deste ano no Robert Johnson. Foi uma noite da Innervisions, comigo, Dixon e Kristian (Âme). Fiz o warm up para Dixon que se revezou com o Kris por algumas horas, e depois ao final tocamos os 3 juntos, por longas horas. Foi muito especial pois recebi excelentes feedbacks do público, conheci muita gente nova e tive meus melhores amigos comigo na viagem. Foi inesquecível.

Lançar uma música pela Innervisions, uma das gravadoras mais respeitadas do momento, foi sua grande conquista neste ano?

Foi uma das maiores conquistas da vida, com certeza, mas é apenas o começo. Desde o primeiro EP na gravadora eu admirava muito a proposta musical da Innervisions, a estética do selo, a conduta dos artistas. Quando conheci o Dixon no Sónar em 2007, eu imaginava como seria se um dia eu lançasse música no selo … então dá para imaginar o quanto esse lançamento representa para mim.

Conte-nos como foi o processo criativo desta faixa e a parceria com Cameo Culture.

O Dave (Cameo Culture) se tornou um grande amigo desde sua primeira vinda ao Brasil. Sempre falávamos em dedicar tempo a uma colaboração, e assim começamos trocando remixes. Mas foi numa  segunda visita dele ao Brasil, ano passado, que começamos uma jam session (Davis, Cameo e Zopelar) que nasceu a Blind.  A primeira versão surgiu sem vocal, com uma levada bastante hipnótica, mas  foi quando ele voltou para Nova Iorque que me mandou uma nova versão com o vocal. Eu fiquei muito bem impressionado, mas cheguei a testar um vocal feminino naquela ocasião, mas optei por manter a voz original. Foi então que comecei a testar a faixa na pista, mas antigamente eu tinha muita restrição de tocar minhas próprias músicas, foi quando o Marcus Worgull me mandou email dizendo que tinha amado a faixa e que se poderia remixá-la bem como me encorajando a mandar a faixa para o Dixon. Naquela época eu já mandava tudo o que fazia para ele. Mas com a Blind, eu tive esse bloqueio momentâneo, pensava que a música não se encaixaria na Innervisions. Daí veio a surpresa, ele não só escreveu pedindo para assinar a música, como logo em seguida me disse para segurar a ansiedade pois a música estaria no Essential Mix em algumas semanas. Foi muito legal ver a faixa ser a mais procurada durante esses 6 meses mundo afora e agora vê-la no topo dos charts das lojas e recebendo suporte de artistas em todos os cantos.

A sua relação com Dixon e o pessoal da Inner já tem algum tempo, como foi que isso começou? Emendando, conte-nos também como tem sido a parceria da festa Lost In A Moment no Brasil, rolou inclusive uma edição em plena final de copa do mundo no Brasil, como foi?

Sim, como falei, conheci o Steffen em 2007, no Sónar, mas nossa relação foi se tornando mais próxima durante suas apresentações no Brasil onde tocamos juntos na maioria delas. Houve uma identificação e admiração recíproca pela música e pelas condutas. Foi assim que nos unimos para realizar as festas da Innervisions e Lost in a Moment no Brasil durante a Copa do Mundo.

Apesar do tropeço do Brasil perante a Alemanha, o famoso 7 x1, tive momentos muito especiais com meus amigos. Eu não sabia o amor que eles têm pelo futebol, expressado da forma alemã, sabe? Uma mistura de orgulho e alegria por terem vencido mas a dureza na hora de comemorar, rsrsrs. Eu brincava com eles, falando, “porra, vocês acabaram de ganhar a copa do mundo e não sabem comemorar”, “olhem, os brasileiros estão comemorando mais do que vocês”.

As festas foram um sucesso, sold out, muita diversão, ou seja, comemoraram do melhor jeito alemão, com muita festa e música boa. 

Teve uma foto de vocês no Maracanã na final onde a Alemanha foi campeã, certamente foi um dia especial…

Como mencionei acima, foi muito especial ver a Alemanha campeã e ver os amigos chorando de alegria, se abraçando, vibrando pela conquista. Foi emocionante para mim como para eles.

Quais são os planos para 2017, algum lançamento ou tour em construção?

Bem, tenho muitos planos mas prefiro guardá-los para depois. O que posso falar agora é que acabaram de anunciar um EP meu e do Zopelar na Connaisseur Recordings para 2017. E as tours seguem normais, a todo vapor.

Sempre tem aquelas músicas que os artistas acabam não conseguindo tirar do set por um bom tempo, por sempre funcionar, qual ou quais a sua no momento? 

Tenho várias, mas a faixa do momento é a House-Hole do duo My girlfriend is programming the roland tr909 making a house beat.

Você pode saber mais sobre o Davis no SoundCloud e no Resident Advisor

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Entrevista

“Music Mate” da ONNi, Bernardo Ziembik fala sobre as novidades do app

Alan Medeiros

Publicado há

ONNi
Foto: Divulgação
Aplicativo apresenta solução para as tão temidas filas em clubs e festivais
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Se você possui uma marca e quer alcançar caminhos nunca antes alcançados, precisa projetar um conjunto de iniciativas fora do padrão. O aplicativo ONNi, com base em Porto Alegre, tem buscado a renovação de todo um cenário desde o seu começo, propondo o fim das filas com todo processo de compra de ingresso e consumo pelo mobile. Mas não para por aí…

Desde o seu lançamento, em 2016, muitas evoluções já foram propostas, não somente ligadas à parte técnica do app, mas também no seu time. Uma das principais mudanças é a chegada dos “music mates”. A ideia é simples: profissionais de exposição nacional que vivem intensamente a cena artística são convidados a representar as ideias da ONNi em seus respectivos nichos e contextos. Para o mercado da música eletrônica, o escolhido foi o curitibano Bernardo Ziembik.

DJ e produtor, com larga experiência também na produção de eventos, Bernardo apresenta-se como a escolha certa para os objetivos do aplicativo nesse momento. Além de ter um ótimo know-how frente ao cenário, também é um entusiasta das inovações propostas pela empresa. A nosso convite, Bernardo falou um pouco mais sobre os planos da marca para 2018.

Como exatamente foi seu primeiro contato com a ONNi? Você, como público, já testou o aplicativo?

Conheci o aplicativo através de uma conferência que produzi com o Alataj, em Porto Alegre, em 2016. Eles foram super nossos parceiros e apoiadores, viabilizando um coquetel para todo o público presente. Como usuário já utilizei o app lá no RS. Primeiro em uma Levels, festa incrível de Porto Alegre, depois no DOMA, clube super cool na região central da capital. Nas duas ocasiões a experiência foi ótima, me trouxe um conforto gigante e uma economia de tempo em filas.

Music Mate me parece um conceito inovador e que diz muito sobre a jornada da ONNi até aqui. Conta pra gente: como essa parceria está funcionando?

A ONNi nasceu imersa na cena eletrônica. Com o passar do tempo, após validar o produto e a proposta, entendeu que precisava ampliar seu leque de festas para outros gêneros. A estratégia da marca para se relacionar com diferentes cenas foi criar o ”cargo” de Music Mate. Basicamente, é uma representação da ONNi em cada nicho: pop, rock, sertanejo… Depois de muitas conversas, estabelecemos uma parceria estratégica em que eu representaria a marca no segmento eletrônico. Como é um trabalho ligado a muito relacionamento, definimos que o termo “music mate” se encaixa perfeitamente, pois realmente a ideia é que todo esse contato com público, promoters e produtores que eu venho tendo seja focado em desenvolver a plataforma e trazer maior solução para quem a usa.

Qual a principal dificuldade que você tem tido no que diz respeito à negociação com os donos de clubs e festas?

Em Santa Catarina, nas primeiras reuniões, esbarramos na seguinte questão: internet. Como muitos dos clubes ficam em regiões afastadas da metrópole, o acesso à internet é bem precário. Sendo assim, o uso do aplicativo fica comprometido. De forma generalista, acredito que as pessoas têm certa dificuldade em entender que somos um sistema complementar, uma conforto e uma nova experiência para o consumidor. Além disso, tratamos de uma mudança de comportamento do consumo, questão que apenas com a constância de uso poderá ser alterada — mas estamos tendo uma receptividade bem bacana em algumas regiões, como em Joinville e Curitiba.

Existe a preocupação da ONNi em trabalhar com clientes que tenham um alinhamento de posicionamento com a marca?

Acreditamos muito na potencialização e no trabalho em conjunto com nossos clientes. Então, procuramos produtores e clubes que querem realmente trazer algo novo para o seu público e entendam que para aumentar seu faturamento e ter boa performance pelo aplicativo é necessário apresentar da forma correta. Esses fatos fazem com que exista uma segmentação dos clientes potenciais. Sem contar que nossa comunicação é bem jovem, moderna, nosso aplicativo trabalha com cartão de crédito… Isso faz com que os próprios usuários já tenham um perfil específico.

Quão importante têm sido seus conhecimentos adquiridos na carreira artística para desenvolver esse trabalho?

Graças aos meus dez anos de carreira, que estão sendo completados em 2018, pude ter contato com muita gente envolvida na produção de um evento. Então, mesmo que o aplicativo não seja utilizado de cara por essas pessoas, estou podendo coletar uma centena de feedbacks que estão sendo extremamente importantes para as atualizações do aplicativo. Exemplo: muito em breve trabalharemos também em versão web, pois essa demanda é grande no mercado de Santa Catarina e Paraná. Aqui também existe a necessidade de pagamento fora do cartão de crédito, então, com essa plataforma, poderemos vender tanto o ingresso quanto o consumo de bar via boleto. Verificamos também a necessidade de alguns clientes em ter uma plataforma que atenda melhor os clientes de mesas e camarotes. Estamos trabalhando nisso também!

Quais são seus principais objetivos com a ONNi para 2018?

Neste ano o objetivo principal é nos estabelecer como uma inovação no mercado da música no Brasil. Acabamos de lançar o novo aplicativo, que é nativo para iOS e Android. Está muito mais intuitivo, rápido e prático. A versão web para compra de ingressos e consumo é também uma super atualização para nós. A partir disso, nossa plataforma faz muito sentido para vários produtores. Agora também estamos começando a escalar nossas vendas, conseguindo atingir um número maior de produtores, criando várias comunidades nas regiões que atingimos e, assim, facilitando a mudança de comportamento proporcionada pelo aplicativo.

Das vantagens que a plataforma oferece, qual é a mais interessante na sua visão?

Para o produtor: uma nova forma de interação com o seu público e um aumento gradual do seu faturamento. Para o cliente: inovação para acabar com as filas, agilizar sua forma de compra e acesso aos eventos que façam sentido as suas preferências.

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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Entrevista

Techno de refúgio: iranianos falam sobre resistência e EP por selo brasileiro

Alan Medeiros

Publicado há

Blade&Beard
Foto: Reprodução
Refugiado na Suíça, Blade&Beard lança disco pelo selo capixaba Prisma Techno
* Edição e revisão: Flávio Lerner

Blade&Beard é um projeto iraniano focado em techno que ganhou destaque internacional após o documentário Raving Iran. Comandado pela diretora alemã Susanne Regina Meures, o longa traz a experiência dos DJs Arash Sharam e Anoosh Raki — hoje conhecidos como o duo Blade&Beard — em busca da liberdade de expressão musical.

Antes de falarmos sobre o documentário — que é excelente e que você já pôde ler sobre aqui na Phouse —, vale uma rápida reflexão sobre o regime político iraniano, um dos mais severos do mundo, responsável por colocar a população em uma forte atmosfera de controle e censura, que chega à música também. A lista de atrocidades do governo com a população que de alguma forma se envolve com música ocidental é algo completamente absurdo para os padrões ocidentais, mas uma realidade cruel para o povo do Irã (sobretudo mulheres, que entre tantas restrições, podem sequer dançar em público). Entre sintetizadores queimados e clubes fechados, prisão e tortura estão entre as penalidades para os “infiéis” — no filme, Anoosh conta que já foi pego e espancado “quase até a morte”.

+ CLIQUE AQUI para ler mais sobre “Raving Iran” e o cenário de repressão no país 

Arash e Anoosh tinham tudo para ser mais um número frente ao forte regime de censura de seu país, até Raving Iran ganhar a luz do dia. O documentário alcançou considerável sucesso de crítica no mundo todo e abriu portas para a dupla explorar o som que acreditam em outros países. O convite para o Street Parade de Zurique foi como uma carta de liberdade para os rapazes do Blade&Beard, que pediram exílio de sua terra natal logo após a apresentação. Hoje, a dupla está empenhada na missão de levar o som do projeto para gravadoras que compartilham dos mesmos ideais artísticos, e vem conquistando uma posição importante dentro desse disputado cenário.

É justamente na busca de bons selos para trabalhar em conjunto que a Prisma Techno entra na história. A gravadora capixaba lançou Moving the Moon, recente EP da dupla iraniana, que chegou a ser iniciado em um campo de refugiados. Com duas originais, “Aerolite” e a faixa-título, o release reflete exatamente o atual caminho que Blade&Beard estão trilhando no estúdio. No embalo dessa parceria, batemos um papo com os criadores do EP, que estão projetando uma tour em solo brasileiro junto ao time da Prisma nos próximos meses.

Raving Iran certamente mudou a vida de vocês pra sempre. Como surgiu a ideia de fazer o documentário? Quais foram as pessoas importantes nesse processo?

Com certeza mudou 50% das nossas vidas, e os outros 50% foi a nossa música que mudou tudo para nós. Sempre tocamos no Irã, no deserto e em todos os lugares que tivemos oportunidade de tocar. A ideia não foi nossa, foi da Susanne, e o que vocês viram foi nossa vida normal. Ela capturou parte disso e foi a pessoa mais importante nesse processo.

Como era o relacionamento de vocês com a cena de Tehran em um sentido mais amplo? O que vocês podem nos contar sobre a atmosfera do público e outros artistas?

Foi um pouco arriscado e assustador gravar no Irã, e literalmente colocamos nossa vida em risco apenas para mostrar nossa luta para as pessoas ao redor do mundo. Somos gratos por aqueles que nos ajudaram. Algumas pessoas simplesmente não se importaram, pois elas queriam que suas vozes fossem ouvidas, mesmo sabendo do risco.

Liberdade de expressão é uma das premissas para o desenvolvimento de qualquer cena artística. Além desse ponto, quais eram as outras dificuldades que vocês enfrentavam an cena de Tehran?

Nós não conseguíamos lançar nossas faixas para sermos ouvidos. Essa foi uma de muitas dificuldades que enfrentamos. Não é possível explicar, mas vocês provavelmente viram isso no filme.

De uma forma geral, vocês sentem que a comunidade eletrônica perdeu parte de seu espírito de resistência ao redor do globo? Se sim, há algo que possamos fazer para resgatar isso?

Não acho que tenha perdido o seu espírito, apenas mudou a sua forma e, agora, por exemplo, a música pop está misturada com eletrônica e está crescendo rápido — talvez em outro formato, mas continua a mesma coisa.

Moving the Moon, novo EP de vocês pela Prisma Techno, comprova o bom momento do projeto no estúdio. Como foi o processo criativo desse release?

É interessante que você esteja perguntando isso, porque fizemos o EP quando ainda estávamos no campo de refugiados e a base dele foi algo que fizemos lá. Uma vez que saímos, nós completamos no estúdio e esperamos que as pessoas gostem do produto final.

Gigs, novidades, lançamentos: o que podemos esperar de Blade&Beard para o segundo semestre de 2018?

Tem mais EPs que esperamos que sejam lançados em 2018, mais gigs e festivais. Ficaremos felizes em ver as pessoas que curtem a nossa música nas próximas gigs, e a grande novidade é que estaremos em tour com a Prisma Techno no Brasil. Com certeza vamos festejar com pessoas incríveis, estamos muito animados!

Para finalizar, uma pergunta pessoal: o que a música representa na vida de vocês?

A música é a nossa vida e a forma de expressarmos nossas emoções. Todo mundo tem sua própria forma de mostrar as emoções e essa é a nossa, através da música — e que coisa bonita que nós temos a sorte de trabalhar como músicos e com o que realmente amamos.

Alan Medeiros é colaborador da Phouse.

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Entrevista

Cat Dealers revelam novos planos e curiosidades sobre parceria com Cleo Pires

Phouse Staff

Publicado há

Cat Dealers Cleo
Foto: Reprodução
Dupla remixou uma das primeiras canções de Cleo na nova carreira

Na semana passada, como você viu aqui na Phouse, os Cat Dealers se destacaram com um remix para “Jungle Kid”, música da cantora Cleo — mais conhecida como a atriz global Cleo Pires, que lançou recentemente sua carreira paralela no mundo da música. A original é a faixa-título de EP lançado em março, com outras quatro faixas.

Mas como será que pintou essa inusitada parceria entre um dos duos de maior sucesso do cenário eletrônico brasileiro e uma das celebridades mais famosas do país? Pra responder a essa e a outras perguntas, Lugui e Pedrão tiraram um tempinho na agenda para contar à Phouse um pouco dos bastidores do remix — e ainda prometem novidades para o futuro breve com a artista! Leia abaixo:

Como surgiu a oportunidade para remixar a música?

Tivemos o prazer de receber o convite da Cleo e da equipe dela, que já conheciam e curtiam muito o nosso trabalho — incluindo nossa amiga BIAN, que é DJ, compositora e produtora musical, e também foi uma das compositoras da “Jungle Kid”. Ficamos super honrados e animados com essa produção.

Como foi o contato que tiveram com a Cleo no processo de produção do remix? Vocês já a conheciam pessoalmente?

Tanto nós quanto a Cleo temos uma rotina muito corrida. Além da carreira musical, ela está gravando a novela das sete, e estávamos nos preparando para a nossa tour na Ásia. Tivemos um contato à distância, mas intenso e produtivo para trocar uma ideia e alinhar a parceria. Graças à tecnologia, isso é possível e funciona (risos). Fizemos contato por telefone, whatsapp e por aí vai. E, no fim, quando mostramos o resultado final, ficamos muito felizes com a reação dela.

Já nos cruzamos em alguns eventos, antes mesmo de surgir o convite para fazer o remix, mas pessoalmente mesmo deve acontecer em breve. Estamos combinando novos projetos juntos, e esse encontro deve acontecer logo. Fiquem ligados, porque virá acompanhado de novidades!

+ Tiësto, Justice, Camelphat, Cat Dealers… Confira os novos sons do final de semana!

Quais foram os principais desafios para remixar “Jungle Kid”?

O principal desafio foi transformar a “Jungle Kid”, que tem uma pegada bastante diferente do que costumamos fazer, em um remix que encaixasse também na nossa sonoridade. O BPM original da música, por exemplo, era mais lento, mas conseguimos aumentar sem deixar a vibe incrível da original se perder. Estávamos sempre tocando o remix nos shows, e a resposta tem sido ótima. Inclusive nossos amigos DJs sempre vinham perguntar o nome da track, se era alguma cantora gringa ou algo do tipo.

Como é participar dos primeiros passos na música de uma estrela global já consolidada?

Nós ficamos muito felizes pela confiança que tiveram na gente. Poder participar desse início de carreira musical da Cleo foi uma oportunidade incrível e, por isso, tivemos o máximo cuidado nessa produção, principalmente por ela já ser uma artista consolidada, com uma grande trajetória.

Se tivessem que dar uma dica musical para a Cleo na nova carreira, qual seria?

A nossa maior dica, não só para ela, mas para todos, é se manter rodeada de pessoas do bem, que possam ajudar nessa jornada, e de se manter fiel a si mesma, às suas produções e aos seus instintos. Não há nada melhor, tanto para a artista quanto para os fãs, quando a música vem da alma, com verdade.

* Além desse papo, entrevistamos o duo sobre a festa Cat House, cuja próxima edição rola em 04 de agosto, em BH. Assista aqui.

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