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Dos primeiros discos ao lançamento pela Innervisions de Dixon; uma entrevista exclusiva com Davis

Jonas Fachi

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‘’A devoção à arte é uma premissa fundamental para alguém que se chama um artista.’’ É com essa premissa que o DJ, produtor e incitador cultural paulista Davis caminha para fechar mais um grande ano em sua carreira.

Um dos responsáveis pela democratização da noite eletrônica na maior cidade do país e um dos DJs mais requisitados em nossa cena atualmente, ele conta nesta entrevista exclusiva para Phouse um pouco do início da sua carreira, o lançamento de sua label com Zopelar, experiências em dos clubes mais respeitados da Europa e sua grande conquista no ano, lançando pela consagrada gravadora de Dixon, a Innervisions.

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Você ganhou evidência nos últimos anos na cena eletrônica e rapidamente conseguiu se estabelecer como um dos DJs mais respeitados do Brasil. Obviamente essa é uma visão externa e não retrata toda sua trajetória anterior, bem como o tempo que passou até se destacar, como foi?

Eu nasci e cresci na Zona Leste de São Paulo, rodeado de música, onde minha maior diversão na adolescência era sair com meus amigos para dançar e assistir meus DJs favoritos nos clubes da região, como Toco, Contramão e Overnight. Ainda carrego comigo a memória da primeira vez que entrei num clube, vi aquela massa de gente dançando ao som de um DJ numa mega cabine, um enorme show de luzes … foi especial. E, então, foi daí que nasceu meu interesse em discotecar. Naquela época juntava grana do lanche da escola para poder pagar a entrada nos clubes. Sendo assim, eu não tinha grana suficiente para comprar muitos discos, nem tampouco um toca-discos decente. Mas mesmo assim eu arriscava gravar, no aparelho de som do meu pai,  fitas K-7 para meus amigos e para poder tocar nos nossos “bailinhos” na garagem, era uma mistura bem tosca, composta de músicas da minha ampla coleção formada de 6 discos e algumas faixas que gravava de programas de rádio (lógico que com aquelas vinhetas bizarras de programas de rádio), mas era muito gratificante ver a reação dos meus amigos quando as ouviam.. Os salários dos meus primeiros empregos (office-boy, atendente de locadora, entre outros) serviram para comprar discos (Vinis e CDs).  Enfim, por diversas razões eu não segui com a discotecagem, mas não deixei nem um instante de colecionar música.

Daí, em 2000, após uma grande perda na minha vida, fui buscar na música uma motivação, um forma de equilibrar minha vida. Passei a comprar discos novamente, comprei um par de toca-discos, fui praticando, contando com a ajuda de outros amigos DJs (como André Ribeiro, Maurício UM e Ronald Pacheco) que me incentivavam a  tocar, sempre elogiando meu gosto musical.

Poucos anos depois, em meados de 2004 comecei a fazer as minhas próprias festas, criando assim uma impressão muito boa para o público e para outros artistas que tocaram comigo. Uma hora arrumava um puteiro desativado, noutra ocupava espaço de um bar, enfim, tudo muito pequeno, mas com muito amor pela música. E, assim, foi me tornando conhecido no cenário alternativo de São Paulo até chegar a tocar nos clubes de maior prestígio na cidade.

Você é visto como um artista que está sempre buscando ajudar o desenvolvimento da cena em que está inserido, certo? Ser um ‘’agitador cultural’’ daquilo que acredita hoje pode ser visto como um diferencial tão importante quanto produzir e tocar?

Sim, gosto colaborar com o desenvolvimento do ambiente musical. Porém, eu prefiro acreditar que tocar e produzir é o mais importante. Gosto muito de me envolver na concepção de uma experiência de dança, em propor uma imersão e oportunidades para outros artistas se expressarem com liberdade. Por exemplo, na ODD, os artistas tem uma situação que é muito mais memorável e atraente do que a maioria dos clubes. Isso lhes permite tocar música mais interessante e fazer uma maior impressão em seu público.

Como você tem visto a nova geração de produtores em São Paulo, nomes como L_cio e Zopelar são talentos inquestionáveis. Fale sobre suas colorações com eles e a label com o Pedro.

 Os meus queridos e talentosos amigos, Zopelar e L_cio, já não são tão novos assim … rsrs. A amizade com o Pedro nasceu em meados de 2006, de nossas vontades de trabalharmos juntos, pois ambos temos essa facilidade de trabalhar com outros artistas. E, como temos características complementares, conseguimos superar alguns limites, e construir uma forma muito particular. E foi assim que nasceu o In Their Feelings, da nossa enorme vontade de apresentar a música que melhor nos representa, em diversos formatos, em diversas vertentes, mas com a nossa cara. Onde nossos padrões são muito elevados, tanto para a seleção dos artistas, como a arte da capa, mixagem, masterização e distribuição.

O selo está prestes a completar um ano de existência, e colhemos um grande aprendizado, uma lista de excelentes artistas nos apoiando (Axel Boman, Jennifer Cardini, Dixon, The Drifter, Mano Le Tough, Seth Troxler, Âme, Cleveland, entre outros), destaque em lojas e na mídia internacional.

Nos últimos 3 anos temos observado o que pode-se chamar de ‘’flexibilização’’ da noite paulista, novas opções culturais e eventos como a ODD, que você ajudou a criar. Qual a sua visão sobre essa nova fase da cidade?

Prefiro denominar este momento  como a democratização da noite, onde a queda de uma monopólio era iminente. Veja que os cidadãos agora estão explorando a cidade da melhor forma e acredito que isto é irreversível. É gratificante ver um congloremado de gente comum criar uma noite enfervescente para cidade, oferecendo uma maior gama de arte, de opções de diversão à população, uma maior quantidade de oportunidades para os artistas se apresentarem. Enfim. O cidadão tem o direito de ter acesso a maior oferta de cultura bem como escolher onde se divertir na cidade onde mora.

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Em suas apresentações internacionais você teve a oportunidade de se apresentar em alguns dos clubes mais importantes do mundo, teria algum que gostaria de relatar a experiência?

Sim, um das mais marcantes foi minha apresentação em março deste ano no Robert Johnson. Foi uma noite da Innervisions, comigo, Dixon e Kristian (Âme). Fiz o warm up para Dixon que se revezou com o Kris por algumas horas, e depois ao final tocamos os 3 juntos, por longas horas. Foi muito especial pois recebi excelentes feedbacks do público, conheci muita gente nova e tive meus melhores amigos comigo na viagem. Foi inesquecível.

Lançar uma música pela Innervisions, uma das gravadoras mais respeitadas do momento, foi sua grande conquista neste ano?

Foi uma das maiores conquistas da vida, com certeza, mas é apenas o começo. Desde o primeiro EP na gravadora eu admirava muito a proposta musical da Innervisions, a estética do selo, a conduta dos artistas. Quando conheci o Dixon no Sónar em 2007, eu imaginava como seria se um dia eu lançasse música no selo … então dá para imaginar o quanto esse lançamento representa para mim.

Conte-nos como foi o processo criativo desta faixa e a parceria com Cameo Culture.

O Dave (Cameo Culture) se tornou um grande amigo desde sua primeira vinda ao Brasil. Sempre falávamos em dedicar tempo a uma colaboração, e assim começamos trocando remixes. Mas foi numa  segunda visita dele ao Brasil, ano passado, que começamos uma jam session (Davis, Cameo e Zopelar) que nasceu a Blind.  A primeira versão surgiu sem vocal, com uma levada bastante hipnótica, mas  foi quando ele voltou para Nova Iorque que me mandou uma nova versão com o vocal. Eu fiquei muito bem impressionado, mas cheguei a testar um vocal feminino naquela ocasião, mas optei por manter a voz original. Foi então que comecei a testar a faixa na pista, mas antigamente eu tinha muita restrição de tocar minhas próprias músicas, foi quando o Marcus Worgull me mandou email dizendo que tinha amado a faixa e que se poderia remixá-la bem como me encorajando a mandar a faixa para o Dixon. Naquela época eu já mandava tudo o que fazia para ele. Mas com a Blind, eu tive esse bloqueio momentâneo, pensava que a música não se encaixaria na Innervisions. Daí veio a surpresa, ele não só escreveu pedindo para assinar a música, como logo em seguida me disse para segurar a ansiedade pois a música estaria no Essential Mix em algumas semanas. Foi muito legal ver a faixa ser a mais procurada durante esses 6 meses mundo afora e agora vê-la no topo dos charts das lojas e recebendo suporte de artistas em todos os cantos.

A sua relação com Dixon e o pessoal da Inner já tem algum tempo, como foi que isso começou? Emendando, conte-nos também como tem sido a parceria da festa Lost In A Moment no Brasil, rolou inclusive uma edição em plena final de copa do mundo no Brasil, como foi?

Sim, como falei, conheci o Steffen em 2007, no Sónar, mas nossa relação foi se tornando mais próxima durante suas apresentações no Brasil onde tocamos juntos na maioria delas. Houve uma identificação e admiração recíproca pela música e pelas condutas. Foi assim que nos unimos para realizar as festas da Innervisions e Lost in a Moment no Brasil durante a Copa do Mundo.

Apesar do tropeço do Brasil perante a Alemanha, o famoso 7 x1, tive momentos muito especiais com meus amigos. Eu não sabia o amor que eles têm pelo futebol, expressado da forma alemã, sabe? Uma mistura de orgulho e alegria por terem vencido mas a dureza na hora de comemorar, rsrsrs. Eu brincava com eles, falando, “porra, vocês acabaram de ganhar a copa do mundo e não sabem comemorar”, “olhem, os brasileiros estão comemorando mais do que vocês”.

As festas foram um sucesso, sold out, muita diversão, ou seja, comemoraram do melhor jeito alemão, com muita festa e música boa. 

Teve uma foto de vocês no Maracanã na final onde a Alemanha foi campeã, certamente foi um dia especial…

Como mencionei acima, foi muito especial ver a Alemanha campeã e ver os amigos chorando de alegria, se abraçando, vibrando pela conquista. Foi emocionante para mim como para eles.

Quais são os planos para 2017, algum lançamento ou tour em construção?

Bem, tenho muitos planos mas prefiro guardá-los para depois. O que posso falar agora é que acabaram de anunciar um EP meu e do Zopelar na Connaisseur Recordings para 2017. E as tours seguem normais, a todo vapor.

Sempre tem aquelas músicas que os artistas acabam não conseguindo tirar do set por um bom tempo, por sempre funcionar, qual ou quais a sua no momento? 

Tenho várias, mas a faixa do momento é a House-Hole do duo My girlfriend is programming the roland tr909 making a house beat.

Você pode saber mais sobre o Davis no SoundCloud e no Resident Advisor

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Entrevista

Produtora mais nova do mundo? Com apenas 10 anos, a DJ Rivkah tem chamado a atenção da cena nacional

Flávio Lerner

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Rivkah
Foto: Divulgação
Garota de Brasília cresceu rápido e virou atração entre grandes eventos e expoentes da cena eletrônica

Crianças prodígio costumam chamar a atenção no meio da música eletrônica pelo fator inusitado: ainda não é comum vermos gente tão nova discotecando profissionalmente, por razões óbvias que vão do fator ambiente [quase sempre mais adulto] à própria inserção no mercado de trabalho — passando ainda pelo fato de que um bom DJ requer uma boa bagagem musical, que por sua vez exige tempo de conhecimento e maturação.

Mas talvez o futuro breve nos reserve mais crianças que se destacam no ofício. Décadas após o A-Trak vencer o DMC, e poucos anos depois do “fenômeno” Arch Jnr, que ganhou reality na África com apenas três anos de idade — e que, vamos ser honestos, não parecia ter muita noção do estava rolando —, temos no Brasil mais um caso recente que vem atraindo cada vez mais olhares em uma velocidade impressionante: Rebecca Rangel, mais conhecida como DJ Rivkah [seu nome de batismo em hebraico].

Foto: Divulgação

A menina nasceu na Noruega, onde viveu até os seis anos de idade, mas tem cidadania brasileira e francesa, e hoje mora em Brasília com a mãe e o padrasto — “o maior incentivador e patrocinador de toda essa história”, segundo a mãe de Rebecca. Assim, com apenas dez anos, desde que decidiu abraçar de corpo e a alma essa carreira, vem chamando a atenção em eventos não só em sua cidade: no BRMC, que rolou nessa última semana, em São Paulo, Rivkah parecia onipresente, podendo ser vista a toda hora pelas salas em que se realizavam os painéis e circulando pelas áreas de lounge.

“A Rivkah sempre gostou muito de música, e já teve aulas de violino e teclado antes de virmos morar em Brasília. Desde os quatro anos ela já tinha música eletrônica no celular, em vez de músicas infantis. Ouvia muito Swedish House Mafia e Tiësto“, conta a orgulhosa mãe Valesca Rangel — constantemente presente ao lado da filha — em depoimento à Phouse. “Ela sempre pediu para ser DJ, e no ano passado eu a matriculei em um curso e acompanhei diariamente nas aulas. Um curso que duraria três meses ela terminou em apenas um!”

Na Praia, em Brasília, foi onde a Rivkah começou a chamar atenção

Logo, a menina já atraiu um dos tutores do curso, o DJ Sony, e ganhou a chance de tocar em um evento chamado “Na Praia”, que rolou entre junho e setembro, durante os finais de semana, na capital federal. “O DJ Sony deu a chance de a Rivkah tocar em um domingo à tarde, em um palco menor, e logo na primeira apresentação o espaço lotou. Rapidamente, foram muitas matérias em jornais e sites de Brasília. Ela explodiu rapidamente”, segue contando Valesca, que destaca que a filha já tem agenda fechada até outubro.

De fato, em conjunto com um trabalho forte de assessoria de imprensa, a menina saiu em diversas reportagens, de jornais locais a jornais do SBT. Assim, a família tratou de cuidar dos trâmites para que ela pudesse trabalhar legalmente, sempre com a presença de um adulto responsável — e Valesca não vê qualquer possibilidade da infância da filha ser prejudicada. “Fomos orientados pelo Conselho Tutelar a pedir um alvará na Vara da Infância, e assim foi feito. A Rivkah toca, se apresenta, mas não deixou de ser criança. Ela tem uma coleção de bonecas que é aumentada pelo menos duas vezes por ano, e gastamos com as bonecas talvez mais do que com equipamentos. Apesar de estar saindo enquanto as amigas estão ficando em casa, a maioria delas já está se relacionando com meninos, e a Rebecca nem pensa nisso ainda. Ela é madura para exercer seu dom, mas ainda é criança e se diverte como tal. A prioridade para ela é a escola, e ela está muito bem amparada psicologicamente.”

Foto: Divulgação

O fato de o ambiente da música eletrônica estar normalmente associado a uma embalagem mais adulta [noite, bebidas, drogas, sexo…] também não preocupa. “Para mim, a música eletrônica nunca remeteu a bebidas, drogas ou sexo, pois eu nunca bebi e sempre frequentei festas, raves e shows. Sou capaz de virar a noite sendo a pessoa mais feliz da festa bebendo Coca-Cola Zero (risos)! O primeiro evento em que a Rivkah participou foi o Na Praia, que tem um clima maravilhoso e muito familiar. Vende-se bebida da mesma forma que se vende bebida em qualquer praia brasileira. Os demais, em sua maioria, foram sunsets com censura livre em beach clubs, ou eventos em lojas, para famílias”, segue Valesca.

“Quando o evento é mais tarde, ela não tem contato com o público, a entrada de artista é diferenciada e ela fica em camarim ou área reservada. Quando não se apresenta, vamos em outros programas e assistimos com ela a atrações diversas. Na maioria das vezes, estamos no backstage ou camarote, que são ambientes mais reservados. Temos uma relação muito próxima, eu e ela, e a Rebecca realmente segue o dom de sua personalidade. Alok e Bhaskar cresceram dentro de festas rave, e quem conhece sabe que são muito bem criados e muito educados, de personalidade e caráter indiscutíveis.”

A dupla, aliás, é uma das maiores referências da garota, que cita o brazilian bass e o trance como suas principais vertentes. Outros nomes citados são Sevenn, Chemical Surf, Vintage Culture, JetLag, Capital Monkey, Skazi, Chapeleiro e Astrix — além de Guga Guizelini, do Make U Sweat, que a tem ajudado com dicas de produção musical. “Conhecer a Rivkah foi uma grata surpresa. Ela é super cativante, e não é apenas uma criança que gosta de música e de DJs — ela realmente sabe tocar, e bem! Tem presença de palco e arranca olhares surpresos o tempo inteiro! Certeza que se ela continuar apaixonada pelo que faz, tem um futuro brilhante pela frente”, afirmou o DJ.

Agora, a Rivkah quer ir ainda mais longe: depois de aulas de produção com Guga e outros nomes do cenário brasileiro, está finalizando a masterização de suas primeiras músicas, feitas em parceria com artistas de Brasília: uma collab com o DJ e produtor Icy Sasaki e uma canção com letra e voz de Babi Ceresa. A família já a está rotulando como a produtora mais nova do mundo, e pretende pleitear oficialmente esse título. “A assessoria dela e eu estamos preparando todas as evidências para requerer a quebra de recorde no Guinness, pois lá o produtor mais jovem do mundo é um menino de 12 anos”, complementa a mãe.

Com Guga Guizelini. Foto: Divulgação

Ainda é muito, muito cedo para saber se todo o hype em cima da menina irá se confirmar, e se ela de fato irá se tornar um big name nacional — ou mesmo se vai seguir a carreira como DJ e produtora depois de adulta. A essa altura, o que realmente importa é que Rebecca Rangel se divirta, sem muito compromisso.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

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Entrevista

EDX: “Vários DJs brasileiros ganharão reconhecimento internacional nos próximos anos”

Phouse Staff

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Foto: Divulgação
Um papo exclusivo com o expoente suíço EDX

Veterano da cena eletrônica com mais de duas décadas de um caminho de sucesso como DJ, o suíço Maurizio Colella, mais conhecido como EDX, é um dos expoentes da EDM global que possui uma das relações mais fortes com o mercado brasileiro. Há dois anos, sua agência Sirup desenvolveu em conjunto com a DJcom o selo Muzica Records, que funciona até hoje para promover artistas da América Latina, sobretudo brasileiros.

O DJ já havia nos revelado que o Brasil é um de seus principais, senão o principal mercado em que atua atualmente, e que pode ser considerado praticamente um dos nossos. Sua última participação por aqui foi em outubro, quando tocou no Playground BH e no Federal Music, e já há planos para uma nova turnê tupiniquim em breve. Pensando nisso, e na esteira de seus sucessos recentes, como “Anthem” — que bombou em playlists do Spotify como a brasileira EDM Room — e o remix para Janelle Monáe, trocamos uma ideia com o produtor sobre seus principais feitos recentes, novidades para o curto prazo e, claro, sua relação com o nosso país.

Maurizio, você continua lançando faixas surpreendentes, como “Anthem” e seu remix para “Make Me Feel”, da Janelle Monáe. Qual a diferença entre seus lançamentos regulares e a assinatura”Dubai Skyline”, que você utiliza para alguns remixes?

Foi uma jornada bem longa até aqui e ainda me faz muito feliz viajar pelo mundo e lançar novas músicas. Eu sempre tento trazer algo novo e fora da caixa em cada uma de minhas produções. “Anthem” foi uma faixa que fiz pensando nos festivais e clubes mais pra cima. Estou muito contente com o feedback e apoio que recebi nesse som. Quando se trata de remixes, eu sempre tento manter uma vibe e toque único no trabalho. A linha de remixes Dubai Skyline é destinada para lançamentos mais house e “radio friendly”.

Você já frequenta o Brasil há muito tempo e teve a oportunidade de conhecer melhor nosso país. Quais são suas coisas favoritas sobre o Brasil?

A cultura brasileira é gigante e diversa, o Brasil é praticamente um continente. Desde o início, eu só tive boas experiências, e é um dos meus destinos favoritos. Dez anos atrás foi minha primeira apresentação no Brasil e continuo sempre animado para voltar. Acho que foi amor à primeira vista. Eu também amo o churrasco brasileiro e a culinária em geral, o que é um bônus.

Os seus DJ sets no Brasil são muito diferentes dos que você costuma tocar pela Europa?

Não necessariamente. Em geral, eu sempre tento ler o público e dar a eles uma experiência única. Normalmente no Brasil meus sets acabam sendo um pouco mais sexy.

“Meu som precisa ser sexy e fazer as pessoas se sentirem felizes.”

Como você vê o desenvolvimento do mercado da música eletrônica no nosso país? 

Minha empresa tem uma colaboração com um selo brasileiro chamado Muzika, para ajudar a lançar artistas latino-americanos. Isso me ajuda a descobrir diversos artistas do país. O Brasil é um mercado único e com muitos profissionais, e eu acredito que vários DJs brasileiros irão ganhar reconhecimento internacional nos próximos anos.

Janelle Monáe é uma artista incrível e a faixa “Make Me Feel” está rapidamente se tornando um dos maiores lançamentos dela. Você pode nos contar um pouco sobre a história por trás do seu remix?

O selo da Janelle [Bad Boy Records] me convidou para produzir o remix. Eu costumo receber muitos pedidos, e naquele mesmo dia havia mais outros quatro, mas quando ouvi “Make Me Feel” senti uma grande conexão com a música, é uma grande obra. Eu acredito que é uma faixa que pode ganhar atenção tanto nas rádios quanto nos clubes. Eu não mudei muito a pegada funky, mas deixei ela com mais energia e uma vibe sexy. Espero que gostem!

Fora do mundo eletrônico, quais são suas inspirações? O que você ouve quando não está ouvindo música eletrônica?

Eu viajo noite e dia, e quando não estou no estúdio ou em algum clube, estou sentado na cadeira do meu escritório trabalhando, e tem música pra todo lado. Isso não me dá muito tempo para ouvir outras coisas. Eu sempre gostei muito de Barry White quando eu era criança, com certeza inspirou meu tipo de som. Precisa ser sexy e fazer as pessoas se sentirem felizes.

O que podemos esperar de novidades? Você já tem planos para retornar ao Brasil?

Estamos trabalhando na minha turnê de 2018, e contará com algumas datas no Brasil. É sempre bom ficar de olho na minha agenda através do meu site. Música nova é sempre uma prioridade para mim, então fiquem de olho! Estou pensando em adicionar uma vibe mais “deep progressivo” nos meus próximos lançamentos.

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Entrevista

Em grande fase, Beowülf assina com Plus e Armada e concede sua primeira entrevista

Phouse Staff

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Beowülf
Às vésperas de lançar pelo selo de Armin, Beowülf fala com a imprensa pela primeira vez

Há cerca de um ano e meio, apareceu no cenário eletrônico brasileiro, quase como uma tempestade, um cara com uma bandana que esconde seu rosto, e traz o desenho de um animal místico. Marcantes, suas tracks rapidamente entraram para os sets de alguns dos principais DJs do Brasil e bateram os sete dígitos nas plataformas de streaming.

Com conhecimento musical profissional e forte veia clubber, o misterioso Beowülf rapidamente protagonizou momentos sonhados por todo artista que está começando uma carreira, como se apresentar duas vezes no Ultra Brasil — onde estreou —, tocar pelos principais clubs e eventos do país, ganhar uma residência (no caso, no Field Club, em Papanduva–SC), fazer collabs com expoentes do seu estilo (como FELGUK, Cat Dealers, KVSH e JØRD) e ter uma base de fãs extremamente leal e participativa.

Tocando no último Rio Music Carnival

Este mês de março foi um tanto mais especial para Beowülf do que o costume, já que ele entrou para o casting da Plusnetwork e se prepara agora para lançar seu novo single, “Plomo”, pela Armada Deep — sublabel da gigante Armada Music, de Armin van Buuren, com quem assinou contrato. A track só vai sair oficialmente no dia 29 de março, mas já figura nas tracklists dos shows de gigantes do cenário como Martin Garrix e Dimitri Vegas & Like Mike.

Para celebrar este momento, Beowülf, apesar de seguir mantendo sua verdadeira identidade em segredo, concordou em conceder à Phouse sua primeira entrevista exclusiva. No texto a seguir, você pode conferir esse papo, em que conversamos sobre essas novas conquistas, suas influências, a construção do seu personagem, relação com os fãs e postura como profissional.

Conte-nos mais sobre essa persona que você criou para o projeto Beowülf. O quanto de “herói” existe no personagem que você encarou para a sua carreira artística?

Sou fã de uma boa história, seja ela contada através do cinema ou da música. O Beowülf, do conto antigo, era um caçador de monstros e dragões [mitologia nórdica]. Toda vez que uma cidade ou um povo eram atacados por alguma criatura, ele era contratado para matar a fera, por maior e mais assustadora que ela fosse. Gosto de pensar que herdo um pouco desse espírito destemido toda vez que uso a bandana. Sempre enfrento meus desafios e objetivos com muita garra e determinação, especialmente nesse mundo doido da música.

Fale um pouco sobre suas inspirações musicais: quem são suas maiores referências e o que você costuma ouvir dentro e fora da música eletrônica?

Sou bastante eclético, mas os gêneros que mais curto são rock, hip-hop, blues, jazz, reggae, música latina, música clássica e claro, música eletrônica — house e derivados, dubstep, trap, moombahton, funk, drum’n’bass… Acho que levo um pouco disso tudo para o estúdio quando vou produzir. Mas no geral, costumo me inspirar em produtores inovadores que considero “next level”, como Skrillex, Knife Party, deadmau5, Boombox Cartel e Matroda.

“Não é apenas música, não é apenas marketing, não é apenas performance, e sim o conjunto.”

A sua primeira aparição como DJ aconteceu logo no palco do Ultra Brasil. O que isso representou para a sua carreira? Ao mesmo tempo em que te impulsionou no início, trouxe também uma certa pressão de se manter alocado no mercado?

Ter a estreia do seu projeto em um dos mais consagrados festivais do mundo, ainda por cima em sua cidade natal, é a melhor estreia possível [risos]. Me deu aquele sentimento de estar indo no caminho certo, e foi extremamente motivante. Desde então, venho trabalhando muito, focado e determinado para não deixar a bola cair, sempre dando o melhor de mim. Meu plano é tentar ser o melhor que eu puder ser, seja no estúdio, no palco ou nos bastidores.

Seu crescimento foi muito rápido, mas consistente. Assinou com a Sony Music, entrou na Plusnetwork e agora vai lançar pela Armada Music. Olhando para trás, quais são os elementos que você considera terem sido decisivos para trilhar um caminho sólido em tão pouco tempo?  

No início lancei muitas tracks em pouco tempo porque queria que o público conhecesse a minha identidade sonora, a minha marca. Umas bombaram mais que outras, mas a “Suavemente” acabou virando um hit e isso trouxe bastante reconhecimento. A bandana também foi algo que acrescentou muito para todo o conceito do Beowülf. E por fim, fazer um trabalho organizado, com planejamento, estratégia e uma equipe competente com “sangue no olho” também teve peso.

É notória a atenção que você deposita nas produções. Sua agenda de lançamentos é bem alta, e músicas como “Suavemente” e “Like Home” já passaram dos três milhões de plays no Spotify. Como se dá o seu processo criativo em estúdio, e em que formato você se sente mais à vontade produzindo?

Eu sempre procuro ir para o estúdio com a cabeça bem aberta, sem tentar copiar outros produtores que são do mesmo gênero. Acho muito importante desenvolver uma identidade musical própria, o que não é nada fácil, então eu foco bastante nisso. Quando faço uma track, geralmente começo pelo drop ou por algum sample — um vocal, um riff de guitarra, uma melodia inusitada…

Desenvolvo a ideia principal e em seguida trabalho nos detalhes. Eu gosto muito de produzir sozinho, mas trabalhar com parceiros é ótimo para ser objetivo ao tomar decisões juntos, o que acaba acelerando o processo de produção. Sou meio indeciso quando o assunto é timbre, então isso ajuda. São muitas opções para tudo. Quem produz música eletrônica sabe bem o que estou dizendo [risos].

Você também criou os “DRUM REMIXES”, vídeos em que toca músicas, em sua maioria suas, em uma bateria. Você é músico de formação?

Estudei música na escola e tive algumas bandas durante a adolescência. Com umas dessas bandas, tive oportunidade de gravar faixas em estúdios, me apresentar ao vivo e também tocar em peças musicais. Eu toco um pouco de tudo [risos], mas meu instrumento mesmo, que toco desde pequeno, é a bateria. Sou formado em Desenho Industrial, mas nunca exerci a profissão.

É comum na cena eletrônica vermos artistas usando máscaras para esconder suas verdadeiras identidades e construir personas misteriosas. Isso vem ao menos desde o Daft Punk, e hoje temos vários outros expoentes do tipo, como deadmau5, marshmello, SBTRKT… Por que você também optou por esse caminho, e o que te motiva a se manter anônimo para o grande público?

No meu caso foi importante porque eu tinha outros projetos de música eletrônica que rodaram pelo Brasil e outros países, e ao criar o Beowülf eu queria separar as coisas. Queria que as pessoas gostassem de mim pela minha música e não por quem eu sou. A bandana acabou se tornando mais do que algo para esconder o rosto — se tornou uma marca.

Falando em bandana, ela já se tornou parte importante da sua trajetória. Frequentemente vemos fãs utilizando uma bandana sua inclusive em apresentações de outros artistas. Como funciona, as pessoas pedem bandanas pra você? Você imaginava que algo do tipo poderia rolar?

Nunca esperava que a bandana fosse causar esse efeito todo. Usei ela mais para ocultar minha identidade mesmo, mas acabou se tornando algo muito maior. Achei muito legal como isso aconteceu naturalmente. Muita gente me pede uma, então eu levo sempre algumas para os shows e dou para a galera que está animadaça na frente do palco.

Infelizmente, são poucas bandanas por show, mas em breve venderei pela minha loja virtual para todo o Brasil. Algumas pessoas pedem para eu mostrar o rosto e já até tentaram arrancar ela à força algumas vezes [risos], mas pretendo continuar assim. Quando qualquer pessoa usa a bandana, ela encarna o espírito da lenda e se torna o Beowülf. Foi assim que surgiu a hashtag #WeAreBeowülf.

Tocando “Plomo” no Rio Music Carnival

Já que estamos falando de público, sua página possui um engajamento muito bom comparado a outros artistas. Como foi que você conseguiu construir uma base de fãs tão sólida? Que dicas você pode dar a outros artistas?

Acho que ser verdadeiro e atencioso com meus fãs, ter um trabalho sério, com tracks de qualidade constantes, dedicação. Não é apenas música, não é apenas marketing, não é apenas performance, e sim o conjunto. Eu recomendaria ter amor aos detalhes — seja nas músicas, redes sociais e carreira em geral —, e também, para se diferenciar de alguma forma, ser original, pois hoje em dia está tudo muito igual nesse mercado.  

Quais serão os próximos passos e planos do Beowülf?

Estou agora colhendo os primeiros frutos da “Plomo”, que já teve support de artistas como Martin Garrix e Dimitri Vegas & Like Mike. Estou muito ansioso para o lançamento dela. Depois disso, pretendo continuar lançando uma música a cada três ou quatro semanas, pois tenho mais de dez prontas no momento, entre remixes, originais, collabs… Não vejo a hora de poder mostrar todas essas tracks para o mundo.

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