ref="">
Connect with us
Sevenn – Its Always You
Green Valley – Só Track Boa Leaderborder

Dre Guazzelli: “Gosto de mostrar que é possível ser DJ e praticar Yoga, beber e comer brócolis”

Luckas Wagg

Publicado há

Confira um papo exclusivo com o DJ brasileiro que tem se destacado mundialmente em festivais como Burning Man e Universo Paralello, além da sua marca INNER multi.art.

Eu já tinha ouvido bastante falar de Dre Guazzelli, mas tudo o que eu tinha visto sobre seu trabalho foi quando apareceu brevemente no programa das nossas parceiras do Gypsy Road, no Burning Man em 2014. Contudo, no Chilli Beans Fashion Cruise deste ano tive a honra de conhecê-lo pessoalmente, e trocamos uma ideia. Me surpreendi mesmo com o set do cara, e cheguei a pensar no começo que fosse algum gringo tocando — por ser algo um pouco diferente do que costumamos ver entre os artistas brasileiros.    

Fiquei ainda mais surpreso ao poder conhecer, em junho, a sua festa INNER multi.art, que aconteceu numa fábrica tombada em São Paulo, a Fabriketa. Foi incrível! Projeção visual nos prédios, a cabine da pista principal era uma caminhonete antiga, e muita decoração inusitada. Sem dúvidas, foi uma das melhores festas que já fui, com uma curadoria incrível de lineup.

Passados mais alguns meses, tive nova oportunidade de trocar uma ideia com o DJ, que desta vez concedeu um bate-papo exclusivo aqui pra Phouse. Confira:

A INNER é uma das festas mais incríveis que já tive o prazer de frequentar pelo Brasil, e fiquei com a impressão de que é também um movimento de arte, cultura e conscientização social. Como foi o seu início, quais os principais desafios e qual a principal mensagem que querem deixar?

A INNER multi.art nasceu em 2005 como uma vontade de fazer uma festa em que misturasse algo a mais além de música, amigos e bebidas. Algo que fosse mais lúdico, com mais artes visuais, interação e elementos que saíssem do ambiente comum. Foi uma longa trajetória até aqui e hoje estamos caminhando para a 17ª edição. Hoje temos mais ou menos cem artistas participando do evento, entre DJs, bandas, artistas gráficos, grafiteiros, artistas plásticos, videomakers, fotógrafos, performers circenses e cenógrafos. São três pistas diferentes — uma maior, que vai do deep house ao techno, uma de hip hop e outra ainda menor de música alternativa —, e um público médio de 3500 pessoas. A atmosfera que se cria é única; é uma das coisas mais importantes para uma festa, e que o dinheiro não compra. Esse é um dos principais ingredientes da INNER ter se transformado em uma festa única e com personalidade.

Um dos principais desafios no início é que eu já conseguia ver adiante, mas ainda não tinha ferramentas necessárias para colocar 100% em prática. Isso tudo vem com o tempo, né? Um segundo desafio era convencer minha família de que tocar e fazer festas também poderia ser uma maneira feliz e saudável de viver. Existe um desafio eterno que é estar sempre em constante evolução para não cair no óbvio.

A INNER multi.art tem mais de dez anos, e através dela e das atividades dentro dela conseguimos expandir e criar uma empresa chamada INNER enterprises. Através dela conectamos marcas, público e artistas. Hoje temos labels próprios como o Sábado Dre Tarde, onde eu toco ao pôr do sol por mais ou menos sete horas seguidas; o Réveillon AWE em Caraíva, na Bahia; os labels de hip hop Chocolate e Groovelicious; o label de techno LEEDS, em que trouxemos na última edição Stefano Noferini e Santé; e outros labels próprios como INNER gallery, INNER help, que é nosso braço de ajuda ao próximo, e mais alguns que ajudam a passar para os amigos e a sociedade um entretenimento feito com amor, um lugar para se sentir em casa e celebrar a vida, dançando música que gostamos.

Você possui uma rica história de execução da arte de discotecagem pelo mundo, tendo já se apresentado em importantes festivais como o Burning Man e Universo Paralello. Como tem conseguido “mixar” essa sua vida de empresário, produtor de eventos e DJ?

Lá atrás eu já sonhava em produzir minhas próprias festas, em ter um festival, viajar o mundo, conectar marcas e artistas amigos, e hoje consigo olhar para trás e ver que eu vivo o que uma década atrás era apenas um sonho. O segredo para conseguir unir essas três pontas é amar cada uma delas e ter paciência e foco. Com o objetivo traçado, essas partes que parecem separadas podem se conectar, e uma vez conectada a plataforma está pronta. Me encontro hoje com as pontas conectadas, o time formatado, um público cativo e eu como DJ começando a produzir minhas próprias músicas e sentindo que cada apresentação minha tem sido melhor que a outra.

Eu nunca sonhei em ser DJ apenas, mas em levar a INNER multi.art para fora de São Paulo e do Brasil. Sempre sonhei em transformar minhas apresentações em um show lúdico, e estamos no caminho, cada vez mais. Tocar e viajar só me trazem mais energia e criatividade para transformar e criar labels de festas, sustentar os que já existem, mostrar que é possível e instigar as pessoas. Isso me dá a exata segurança artística e empresarial necessária para fazer a diferença e ajudar a transformar o mundo em um lugar bem melhor para todos nós!

Foram 25 viagens para tocar nos últimos seis anos! Nove vezes em Ibiza passando por clubs como Privilège e Amnesia, beach clubs como Blue Marlin e discotecagens na Ibiza Global Radio e Sonica. Oito vezes em festas no alto das montanhas da Suíça e Áustria durante o dia com pessoas encasacadas e com neve contrapondo cenários como os do Burning Man, onde toquei nos últimos três anos e não pretendo parar jamais. Tudo isso só me faz sentir e relembrar que o mundo é vasto e as possibilidades são infinitas e que a escolha de fazer atividades interdependentes é minha missão de vida.

Dre no Burning Man, no programa Gypsy Road

Falando em Burning Man, você já esteve por lá diversas vezes, sendo uma dessas na companhia das nossas queridas amigas Giulia Lops, Carol e Riza, do Gypsy Road. No primeiro episódio, você aparece com uma mala de CDs e cita a seguinte frase: “A melhor moeda no lugar em que não tem dinheiro é a música, e a gente vai trocar por abraço”. Conte um pouco dessas experiências proporcionadas por esse incrível festival.

O Burning Man é o resultado de tudo que já vivi de incrível em festas e festivais. Lá não é um festival, é uma cidade que comporta diferentes tipos de pessoas, diferentes estilos musicais, diferentes atividades, campings que viram bairros, uma cidade que vive do amor. Uma cidade com pessoas que respiram sorrisos, que trocam palavras e conhecimento, que vivem em harmonia, que não pré-julgam o outro, que conhecem pessoas que transformam um dia em algo fora do tempo. Que deixam máscaras que somos obrigados a vestir caírem, que respeitam o outro ser, que tentam ao menos colocar o ego no bolso e simplesmente fazer o que vier a cabeça, com amor. O grande lance da vida é que a liberdade que tanto buscamos tem uma carga enorme de responsabilidade, e lá isso é visível. As pessoas lá aprendem a simplificar e viver o amor ao invés da dor. Amor é luz e dor é medo. Medo do que o outro vai achar, medo do seu namorado não gostar, medo de não ter likes na foto, medo de não se expressar, medo de atrasar, medo de usar a calça, medo de falar, medo de comer. Amor é a palavra chave da experiência Burning Man.

Lá, onde quer que você esteja, você acaba trocando conhecimento e recebendo presentes. O CD com minhas músicas foi uma forma de eu presentear pessoas com o que eu mais gosto de fazer nessa vida. A cada ano dou um upgrade nos presentes que levo e eu gosto muito de dar presentes durante o ano todo — e esse foi mais um ingrediente que fez gostar MUITO do Burning Man, dar e receber. Dar e não esperar nada em troca. Fazer pessoas sorrirem, fazer as pessoas se sentirem bem.

A viagem com as meninas foi incrível e elas deixaram a experiência ainda melhor, mais legal mais viva e cheia de risadas. Me deram todo apoio necessário para as minhas tocadas e me fizeram uma pessoa ainda mais feliz e realizada. Fizemos os episódios da viagem de 2014, a do ano passado fizemos um documentário que teve como foco a primeira instalação artística brasileira que levamos para o deserto (Projeto Mangueira) e a saga do início ao fim. Este ano fui lá tocar de novo e voltamos a fazer os episódios, que estão quase prontos e vamos divulgar no início de 2017.

Como se sente por ter entrado para a história do Burning Man, através do Projeto Mangueira? Há planos para outros projetos como esse?

Me sinto parte do todo e me sinto como uma das pessoas que ajudou de certa forma a vontade e a ideia de outros brasileiros que também passaram por lá! Esse ponto me lembra sobre o que falamos de conciliar as atividades de empresa, festas e DJ; essa instalação é um resultado concreto de que a união dos três fatores me ajudou muito. Sou grato pelas escolhas e pelas pessoas que me ajudaram a chegar até aqui e ao fato de eu ter seguido sempre meu coração acima de tudo.

Há planos nesse âmbito, há planos de levar um grupo maior de brasileiros para lá. Uma vontade e sonhos de fazer um art car com som e convidar os amigos mais especiais para tocar. Há planos de continuar semeando os princípios do Burning Man aqui no Brasil.

“Me sinto um piloto de avião e um chef de cozinha ao mesmo tempo. O som que eu faço é como comer comida saudável — não dá ressaca, mas energia!”

A primeira vez que vi você tocar foi no Chilli Beans Fashion Cruise 2016. Fiquei surpreso com aquela apresentação em alto mar, que foi marcada por uma seleção de faixas incríveis e um excelente live com um saxofonista. Como funciona o processo construção do seu set? Você estuda antes o público e o local ou apenas leva seu acervo e vai tirando as cartas da manga, sentindo a vibe?

Esses 13 anos tocando em diferentes pistas e situações me ajudaram muito a evoluir a minha sensibilidade em relação à pista e ao meu próprio gosto musical. Saber o que encaixar e em que momento, causar surpresa, causar felicidade, introspecção e alegria. Fazer as pessoas dançarem e ao mesmo tempo meditarem, fazer uma massagem cerebral durante meus sets.

Eu faço um estudo e filtro semanal de músicas que compro ou recebo de presente. Eu toco semanalmente em diferentes lugares e isso me ajuda muito a criar esse efeito camaleônico que me diferencia e me traz a energia necessária para fazer algo diferente sempre, e não algo superprogramado. Adoro levar meu acervo e lá definir e dividir o que eu vou tocar. Hoje em dia estou muito alinhado com o fato de realmente tocar o que me faz bem e isso naturalmente está reverberando nas pistas.

Eu toco desde um Universo Paralello até um Burning Man. De uma inauguração de uma loja ou lançamento de um carro da Audi até um jantar ou uma prática de yoga. De um casamento de um amigo que gosta de músicas como as nossas até uma festa que produzimos. Há um ano eu transformei um dos meus sonhos em festa, o Sábado Dre Tarde, que foi o label que levamos para o navio Chilli Beans. Nessa festa eu toco por sete horas seguidas, junto com saxofone ao vivo do mestre Salazar. Eu já fazia apresentações ao vivo com sax nas viagens para Europa, o que me deu uma vontade enorme de encontrar alguém aqui em que eu pudesse fazer o mesmo. Desde 2015 fazemos isso, e hoje 50% das minhas apresentações são com sax! Eu acho sexy e necessário. Num mundo às vezes tão plástico, um instrumento ao vivo faz as pessoas se sentirem mais confortáveis.

Foram 12 edições do Dre Tarde fora as tocadas normais ao longo da semana, o me dá “horas de voo”, como um piloto que após voar bastante se sente confortável para cuidar dos passageiros e ao mesmo tempo desfrutar de uma vista maravilhosa. Me sinto um piloto de avião e um chef de cozinha ao mesmo tempo. O som que eu faço é como comer comida saudável — não da ressaca, e sim energia [risos]!

Há alguns meses você se apresentou dentro de um boeing 747, em Frankfurt, com nomes como Claptone e Tiefschwartz. Como foi?

Uau, foi demais! Essa foi uma festa dentro do terminal 1 do aeroporto internacional de Frankfurt, acredita?! Foi maravilhoso e tocamos por cinco horas seguidas, todo mundo pulando dentro do avião, em cima das cadeiras, uma loucura. Essa foi uma afterparty da festa que estávamos tocando no estádio de futebol de Frankfurt, o Commerza Bank Arena, onde uma vez por ano acontece o World Club Dome — Big City Beats. Foi o segundo ano que toquei lá e foi maravilhoso. Tocamos numa pista menor e na principal vão artistas como Guetta, Martin Garix, Armin, Tiësto, e acho que praticamente todos que fazem parte de um lineup do mainfloor de um Tomorrowland. Dizem eles que esse evento é o maior “club indoor” do mundo — eu estive lá e não duvido muito, não [risos].

“Num mundo às vezes tão plástico, um instrumento ao vivo faz as pessoas se sentirem mais confortáveis.”

Em seu Instagram podemos notar que você tem um lifestyle bem diferente de outros artistas da música eletrônica. Como é seu dia a dia?

Eu tento buscar um equilíbrio de tudo que me faz bem. Yoga, alimentação saudável, terapias, massagem, viagens, natureza, meditação… Eu não como carne e me sinto melhor assim, mas ao mesmo tempo adoro um after [risos]! Gosto muito de festas, de pessoas, de dançar. Sinto falta de mais festivais como tinham antigamente, mas ao mesmo tempo me movimento para criar mais situações como aquelas. Gosto muito de escrever, de mostrar que é possível ser DJ e praticar Yoga, de que é possível beber e comer brócolis [risos]. Que o balanço é a chave e a solução para nossas insatisfações.

Pra finalizar, conte para nós como foi o seu ano de 2016, quais foram os principais desafios, as principais conquistas e o que podemos esperar da INNER e do Dre Guazzelli para 2017.

O ano de 2016 foi um desafio constante, acho que para todos. Com a empresa de eventos INNER-e, conseguimos escolher com clareza onde e como colocar energia. A INNER multi.art é um exemplo disso, conseguimos também trazer mais personalidade para nossas festas e cultivar parcerias que nos fazem bem e podar as que não estavam nos trazendo bons frutos. O Sábado Dre Tarde expandiu e cresceu sem perder a essência, mais pessoas se conectaram comigo e com os nossos eventos, e o que me deixa mais feliz é conseguir transformar as pessoas através da experiência criada.

Eu como DJ evoluí ainda mais e isso é um constante exercício que escolho fazer diariamente. Esse ano é especial porque toquei mais uma vez no Burning Man, na Europa e chego em um momento que esperei com muita paciência; o de produzir músicas próprias. Desenvolvi um processo de elencar parceiros ao redor do mundo e com eles fazer mais e melhor. O meu lema para tudo é “dividir para multiplicar”, e isso também entra na parte das minhas apresentações e produções.

Me sinto feliz e cheio de ideias e projetos para 2017 e com uma família em constante crescimento que me dá forças e energia para criar e realizar. Temos um projeto de viagens e que eu farei a cobertura das minhas tocadas, a emoção de viajar, os lugares legais daquela cidade e sem perder de vista os esportes e a natureza. Temos ainda neste ano nossa primeira festa de réveillon, em que eu toco com os primeiros raios de Sol vindos do oceano em Caraíva na Bahia, um lugar mágico e inspirador.

Hoje em dia eu toco mais fora do Brasil do que fora de São Paulo, o que me dá até arrepio de pensar o quanto eu ainda posso tocar por aqui. Isso transforma 13 anos em apenas a primeira parte dessa incrível jornada aqui. Termino o ano feliz e empolgado e agradeço a vocês por eu conseguir fazer uma retrospectiva emocionante não apenas de 2016, mas dos primeiros indícios de um sonho.

Deixe um comentário

Entrevista

Produtora mais nova do mundo? Com apenas 10 anos, a DJ Rivkah tem chamado a atenção da cena nacional

Flávio Lerner

Publicado há

Rivkah
Foto: Divulgação
Garota de Brasília cresceu rápido e virou atração entre grandes eventos e expoentes da cena eletrônica

Crianças prodígio costumam chamar a atenção no meio da música eletrônica pelo fator inusitado: ainda não é comum vermos gente tão nova discotecando profissionalmente, por razões óbvias que vão do fator ambiente [quase sempre mais adulto] à própria inserção no mercado de trabalho — passando ainda pelo fato de que um bom DJ requer uma boa bagagem musical, que por sua vez exige tempo de conhecimento e maturação.

Mas talvez o futuro breve nos reserve mais crianças que se destacam no ofício. Décadas após o A-Trak vencer o DMC, e poucos anos depois do “fenômeno” Arch Jnr, que ganhou reality na África com apenas três anos de idade — e que, vamos ser honestos, não parecia ter muita noção do estava rolando —, temos no Brasil mais um caso recente que vem atraindo cada vez mais olhares em uma velocidade impressionante: Rebecca Rangel, mais conhecida como DJ Rivkah [seu nome de batismo em hebraico].

Foto: Divulgação

A menina nasceu na Noruega, onde viveu até os seis anos de idade, mas tem cidadania brasileira e francesa, e hoje mora em Brasília com a mãe e o padrasto — “o maior incentivador e patrocinador de toda essa história”, segundo a mãe de Rebecca. Assim, com apenas dez anos, desde que decidiu abraçar de corpo e a alma essa carreira, vem chamando a atenção em eventos não só em sua cidade: no BRMC, que rolou nessa última semana, em São Paulo, Rivkah parecia onipresente, podendo ser vista a toda hora pelas salas em que se realizavam os painéis e circulando pelas áreas de lounge.

“A Rivkah sempre gostou muito de música, e já teve aulas de violino e teclado antes de virmos morar em Brasília. Desde os quatro anos ela já tinha música eletrônica no celular, em vez de músicas infantis. Ouvia muito Swedish House Mafia e Tiësto“, conta a orgulhosa mãe Valesca Rangel — constantemente presente ao lado da filha — em depoimento à Phouse. “Ela sempre pediu para ser DJ, e no ano passado eu a matriculei em um curso e acompanhei diariamente nas aulas. Um curso que duraria três meses ela terminou em apenas um!”

Na Praia, em Brasília, foi onde a Rivkah começou a chamar atenção

Logo, a menina já atraiu um dos tutores do curso, o DJ Sony, e ganhou a chance de tocar em um evento chamado “Na Praia”, que rolou entre junho e setembro, durante os finais de semana, na capital federal. “O DJ Sony deu a chance de a Rivkah tocar em um domingo à tarde, em um palco menor, e logo na primeira apresentação o espaço lotou. Rapidamente, foram muitas matérias em jornais e sites de Brasília. Ela explodiu rapidamente”, segue contando Valesca, que destaca que a filha já tem agenda fechada até outubro.

De fato, em conjunto com um trabalho forte de assessoria de imprensa, a menina saiu em diversas reportagens, de jornais locais a jornais do SBT. Assim, a família tratou de cuidar dos trâmites para que ela pudesse trabalhar legalmente, sempre com a presença de um adulto responsável — e Valesca não vê qualquer possibilidade da infância da filha ser prejudicada. “Fomos orientados pelo Conselho Tutelar a pedir um alvará na Vara da Infância, e assim foi feito. A Rivkah toca, se apresenta, mas não deixou de ser criança. Ela tem uma coleção de bonecas que é aumentada pelo menos duas vezes por ano, e gastamos com as bonecas talvez mais do que com equipamentos. Apesar de estar saindo enquanto as amigas estão ficando em casa, a maioria delas já está se relacionando com meninos, e a Rebecca nem pensa nisso ainda. Ela é madura para exercer seu dom, mas ainda é criança e se diverte como tal. A prioridade para ela é a escola, e ela está muito bem amparada psicologicamente.”

Foto: Divulgação

O fato de o ambiente da música eletrônica estar normalmente associado a uma embalagem mais adulta [noite, bebidas, drogas, sexo…] também não preocupa. “Para mim, a música eletrônica nunca remeteu a bebidas, drogas ou sexo, pois eu nunca bebi e sempre frequentei festas, raves e shows. Sou capaz de virar a noite sendo a pessoa mais feliz da festa bebendo Coca-Cola Zero (risos)! O primeiro evento em que a Rivkah participou foi o Na Praia, que tem um clima maravilhoso e muito familiar. Vende-se bebida da mesma forma que se vende bebida em qualquer praia brasileira. Os demais, em sua maioria, foram sunsets com censura livre em beach clubs, ou eventos em lojas, para famílias”, segue Valesca.

“Quando o evento é mais tarde, ela não tem contato com o público, a entrada de artista é diferenciada e ela fica em camarim ou área reservada. Quando não se apresenta, vamos em outros programas e assistimos com ela a atrações diversas. Na maioria das vezes, estamos no backstage ou camarote, que são ambientes mais reservados. Temos uma relação muito próxima, eu e ela, e a Rebecca realmente segue o dom de sua personalidade. Alok e Bhaskar cresceram dentro de festas rave, e quem conhece sabe que são muito bem criados e muito educados, de personalidade e caráter indiscutíveis.”

A dupla, aliás, é uma das maiores referências da garota, que cita o brazilian bass e o trance como suas principais vertentes. Outros nomes citados são Sevenn, Chemical Surf, Vintage Culture, JetLag, Capital Monkey, Skazi, Chapeleiro e Astrix — além de Guga Guizelini, do Make U Sweat, que a tem ajudado com dicas de produção musical. “Conhecer a Rivkah foi uma grata surpresa. Ela é super cativante, e não é apenas uma criança que gosta de música e de DJs — ela realmente sabe tocar, e bem! Tem presença de palco e arranca olhares surpresos o tempo inteiro! Certeza que se ela continuar apaixonada pelo que faz, tem um futuro brilhante pela frente”, afirmou o DJ.

Agora, a Rivkah quer ir ainda mais longe: depois de aulas de produção com Guga e outros nomes do cenário brasileiro, está finalizando a masterização de suas primeiras músicas, feitas em parceria com artistas de Brasília: uma collab com o DJ e produtor Icy Sasaki e uma canção com letra e voz de Babi Ceresa. A família já a está rotulando como a produtora mais nova do mundo, e pretende pleitear oficialmente esse título. “A assessoria dela e eu estamos preparando todas as evidências para requerer a quebra de recorde no Guinness, pois lá o produtor mais jovem do mundo é um menino de 12 anos”, complementa a mãe.

Com Guga Guizelini. Foto: Divulgação

Ainda é muito, muito cedo para saber se todo o hype em cima da menina irá se confirmar, e se ela de fato irá se tornar um big name nacional — ou mesmo se vai seguir a carreira como DJ e produtora depois de adulta. A essa altura, o que realmente importa é que Rebecca Rangel se divirta, sem muito compromisso.

Flávio Lerner é editor da Phouse.

LEIA TAMBÉM:

O DJ de três anos de idade Arch Jnr vai tocar ao lado de lendas da house music

Acredite se quiser: este DJ tem três anos de idade e zerou a TV sul-africana

No BRMC, Gui Boratto revela detalhes de seu quinto álbum de estúdio

Fundação do Tomorrowland lança escola de música e artes no Nepal

Um sintetizador para crianças? Conheça o Blipblox

Continue Lendo

Entrevista

Executivo próximo a Avicii fala sobre novo álbum, segredo do sucesso e comportamento peculiar do artista

Phouse Staff

Publicado há

Lonely Together
Foto: Reprodução
O presidente da Geffen Records fez revelações importantes sobre os bastidores do trabalho com o músico

Neil Jacobson, presidente da Geffen Records — selo que lançava as músicas de Avicii —, deu uma entrevista bastante profunda e esclarecedora para Shirley Halperin, da Variety, logo após a morte do artista. Jacobson trabalhava como A&R de Avicii desde que fechou contrato com a Interscope (selo-mãe da Geffen) para “Levels”, e, portanto, era uma das pessoas mais próximas dele.

Na entrevista, o executivo revelou que um novo álbum estava muito perto de ser lançado, que conversou com o sueco dois dias antes da sua morte, e falou sobre como o enxergava como um músico genial, pioneiro e diferenciado, que tinha como grande trunfo a capacidade de criar grandes melodias.

Confira algumas das melhores declarações de Jacobson para a Variety, em tradução feita pela Phouse:

— Trabalhei com o Tim por muito tempo. Ele era o meu cara. […] Foi um grande amigo, um grande garoto. Tenho cuidado em não cometer exageros com essas declarações porque isso é algo fácil de se fazer quando alguém falece, mas pode falar com qualquer pessoa que o conheceu e vão te dizer que ele era um garoto bom e gentil.

— Tim era um artista original. […] Ele era muito consciente sobre o que estava rolando, e muito interessado em seguir um caminho diferente. […] Sempre tinha um pé no momento atual e o outro em algo completamente diferente e inesperado.

— A primeira vez que ouvi falar nele foi no Identity Festival, por volta de 2010. […] Escutei “Levels” e fiquei tipo, “caramba, isso é grande”. Era uma grande música, um grande sample, uma grande ideia, um grande drop. E você olhava pra ele e ele tinha aquele look incrível — a camisa xadrez, o cabelo loiro, a grande música. Tinha um ar de que você não podia chegar perto dele, e esse mistério foi mantido no primeiro ano, quando “Levels” não parava de crescer. Foi o grande surgimento da EDM, a dance music moderna, e ele surfou aquela onda como um profissional. Ele estava bem em frente a ela.

— O grande lance do Tim era o seu senso incomum para melodias — do tipo que grudam na sua cabeça. […] Seu ingrediente secreto era a sua melodia. O seu entendimento sobre ela, como identificá-la. Ele sempre escolhia a correta, sempre sabia como dirigir os cantores, em como eles deveriam entrar e sair de cada vocal. Ninguém fazia o que o Tim fazia, e eu acho que é por isso que ele seguiu tendo hit atrás de hit.

— [Sobre o novo álbum]: Estávamos trabalhando nele, e era o melhor material do Avicii em anos, pra ser sincero. […] Ele estava muito inspirado e empolgado. Tivemos um mês de sessões no estúdio, e tínhamos que delimitar horários de encerramento, porque se deixasse, o Tim ia trabalhar por 16 horas seguidas, era a natureza dele. Você tinha que tirá-lo disso, tipo: “Tim, vamos lá, vai dormir, descanse um pouco”. É uma tragédia. Tínhamos esse músico incrível, mágico.

— [Sobre o futuro do álbum]: Não faço ideia do que vai ser agora. Vou dar um tempo e trocar uma ideia com a família dele, depois que as coisas se acalmarem. […] Vamos tentar pegar alguma recomendação da família e então trabalhar pra fazer algo que ele gostaria que fizéssemos.

— [Sobre colaborações no álbum]: Sim, há algumas. Prefiro não dizer quem são. O Tim tinha uma lista de pessoas com quem ele gostaria de trabalhar nesse disco. Na verdade essa foi a última coisa que conversamos, dois dias antes [da morte do artista]. É meio assustador.

— Sim, ele era um perfeccionista, um workaholic. Até que ele fosse para o lado oposto. Por que ele estava em Omã? Eu estava, tipo: “Tim, onde fica Omã? Eu nem faço ideia”. E ele: “Eu vou pra Omã. Vai ser divertido”. Este era ele: trabalhava muito forte e então dava meia volta como se fosse um piloto de guerra.

— Quando estávamos lançando o último EP — porque nós conversamos muito sobre o futuro da música, sobre não ser mais sobre álbuns nem singles, e por isso decidimos lançar em pequenos blocos —, logo antes de termos tudo pronto e entregue, eu ficava martelando na cabeça dele todos os dias. Como o cara do A&R, eu preciso ter o disco pronto. De repente, ele pega um avião e vai pra Machu Picchu. Não tivemos notícias por três dias. E aí ele posta um vídeo de uma lhama no Instagram com “Friend of Mine” tocando ao fundo. Claro, ele estava certo. Seus fãs enlouqueceram, aquilo viralizou na internet, virou o trending topic número um em tudo que é canto. Promoveu perfeitamente o disco de Machu Picchu. Este era ele. Tipo: “Sério, Tim? Uma lhama?”

— [Sobre voltar a fazer shows]: Volta e meia a gente tocava no assunto. “E se você fizesse esse show?” Ele respondia: “Não, não, não. Não vou voltar a tocar, mas se eu fosse fazer algo, provavelmente seria aparecer de surpresa num clube underground, só pela diversão”. Ele sentia falta disso, de discotecar. Ele amava a dance music. Você quer enlouquecer? Vá para o meio dos fãs em um show do Avicii. Ele entendia o fluxo e o refluxo de um set, como fazer as pessoas dançarem, como diminuir a intensidade e depois trazer elas de volta. Você acabaria chorando durante três quartos do show e sem saber por quê. Era isso que ele fazia, esse era o seu talento.

— Se o Avicii voltasse a tocar em um ou dois anos, acredito que o cachê seria um número de sete dígitos, só pra começar. Tem tantas pessoas que gostariam de vê-lo, de dançar e enlouquecer num show dele. Teria sido lindo.

— [Sobre os problemas de saúde e especulações de abuso de drogas]: Não posso falar muito sobre isso porque eu não sei. Posso dizer o seguinte: se algum desses rumores fosse verdade, acho que eu teria visto algo. E por mais que eu estivesse o tempo todo em volta dele, nunca vi nada disso. Ele não fazia festa. Ia para um clube para ouvir o DJ.

— [Respondendo sobre o que mais vai sentir falta na ausência do Avicii]: Não vou sentir falta dele me ligando às 04h15 da madrugada (risos). Ele não entendia o tempo, não fazia sentido pra ele. Era uma pessoa noturna, e não compreendia os limites dessa questão. Só posso falar sobre sua música e sua força criativa no estúdio. Seu respeito pela arte, pela criatividade. Ele lutou para ser um grande artista. Nunca foi algo como “essa música já está boa, vamos embora”. Tinha que ser excelente, e eu vou sentir falta disso.

LEIA TAMBÉM:

Em novo e emocionado depoimento, família indica que Avicii cometeu suicídio

Avicii repete a dose e solta teaser de mais uma nova faixa

Continue Lendo

Notícia

Em novo e emocionado depoimento, família indica que Avicii cometeu suicídio

Phouse Staff

Publicado há

Avicii suicídio
Foto: Reprodução
Família Bergling soltou novo comunicado para o público nesta quinta-feira

Dois dias depois de soltar seu primeiro comunicado para a imprensa, a família de Avicii voltou a falar — e desta vez, a mensagem foi bem mais reveladora. No novo comunicado, ao dizer que o músico “não conseguiu ir além” e “queria encontrar paz”, a família Bergling dá a entender que o DJ teria cometido suicídio.

Confira o depoimento na íntegra, em tradução livre feita pela Phouse:

Estocolmo, 26 de abril de 2018

Nosso amado Tim estava em busca de algo. Era uma alma artística frágil que procurava encontrar respostas para questões existenciais. 

Um perfeccionista que viajou e trabalhou duro em um ritmo que levou a um estresse extremo.

Quando ele parou com as turnês, queria encontrar um equilíbrio na vida entre ser feliz e conseguir fazer o que ele mais amava — música.

Ele realmente enfrentou muitos pensamentos sobre sentido, vida e felicidade.

Ele não conseguiu ir além.

Ele queria encontrar paz.

O Tim não foi feito para a máquina de negócios em que ele acabou se encontrando; era um cara sensível que amava seus fãs, mas evitava os holofotes.

Tim, você será amado para sempre, e deixa muitas saudades.

A pessoa que você era e a sua música vão manter sua memória viva.

Nós te amamos,

Sua família.

Tim deixa seus pais, Klas e Anki, seus dois irmãos, Anton e David, e sua irmã, Linda. O músico foi encontrado sem vida na sexta-feira passada (20), no Muscat Hills Resort, em Omã.

LEIA TAMBÉM:

Família de Avicii quebra o silêncio com comunicado para o público

Como o mundo da música reagiu à morte de Avicii

Morte impulsiona música de Avicii em vendas e plays

Polícia descarta ação criminosa na morte de Avicii

Continue Lendo

Publicidade

Green Valley So track Boa – 300×250
Scorsi – Autograf 300×250

Facebook

PLAYLIST

Trending

-->

Copyright © 2018 Phouse