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Review EDC Brasil 2015 – Muito a elogiar, mas muito a aprender

No último final de semana, o Electric Daisy Carnival aterrissou no Brasil e abalou as estruturas do autódromo de Interlagos, em São Paulo. Um dos maiores festivais do planeta, com edições em Las Vegas, Orlando etc., o EDC gerou uma enorme expectativa por parte dos fãs que aguardavam ansiosos pelos headliners e pela fantástica atmosfera do evento. Mesmo um pouco prejudicado pela chuva e por algumas falhas de organização, o resumo do festival é positivo: shows espetaculares e momentos inesquecíveis ficarão na memória dos milhares de presentes ao autódromo. A Phouse, porém, vai a fundo e te mostra em detalhes os pontos fortes e fracos do Electric Daisy Carnival Brasil 2015.

Estrutura

EDC brasil 2015 - Phouse

Sem dúvidas o EDC Brasil estava muito bonito. Uma atmosfera boa, palcos de muito bom gosto e a sensação de estar no centro da festa em plena Las Vegas. Apesar da boa impressão inicial, a estrutura do evento deixou a desejar em alguns pontos. Um fator que de cara chamou a atenção foi o piso do basspod e Kinectfield. São Paulo é a terra da garoa. Dezembro é um mês de verão, notório por ser bastante chuvoso. Ainda assim, a organização pareceu despreparada para lidar com o temporal que atingiu o festival no final da tarde e no meio da noite do sábado.

No kinectField, o palco principal, uma enorme área não recebeu cuidado alguma em relação ao piso, abrindo espaço para o desagradável lamaçal que tomou conta da pista durante boa parte do sábado. No bassPod, a situação foi bastante similar e falta de preparo gerou situações perigosas e constrangedoras para os frequentadores. Fica a sugestão de observar a estrutura de piso presente no Tomorrowland Brasil, onde a maior parte das superfícies recebeu cobertura adequada e ofereceu melhores condições à plateia.

O sistema de bar presente no evento também foi um dos principais pontos negativos em relação à estrutura. O uso das fichas unitárias de R$2,50 gerou algum incômodo e lentidão, com um tempo de impressão muito longo para grandes quantidades. Soluções mais modernas como tokens ou pulseiras pré-pagas, métodos amplamente utilizados por outros festivais, poderiam dar aos bares do EDC uma dinâmica mais rápida e eficiente. Outro aspecto a se notar foram algumas paralizações no som durante as apresentações de The Magician e Jamie Jones no neonGarden e algumas reclamações sobre o volume estar muito baixo no bassPod e no kinectField.

Antes do evento

Apesar de propostas diferentes e até mesmo de suas reputações no Brasil serem de magnitudes muito díspares, o esforço de marketing do EDC foi bastante inferior em comparação ao do Tomorrowland Brasil. A divulgação, o buzz em torno do evento foi muito maior antes do Tomorrowland do que antes do EDC, o que acabou criando grande diferença na repercussão dos dois festivais. Algumas atitudes da organização também irritaram bastante o público antes mesmo da festa começar.

Promessas de anúncios de atrações em datas que não eram cumpridas, taxas de conveniência vergonhosas (que gerarem até multa da justiça de MG) e promoções absurdas e completamente inesperadas, que prejudicaram enormemente quem se antecipou e comprou seu ingresso mais cedo. Tudo isso criou bastante indignação de boa parte dos fãs, que bombardearam as páginas do festival nas redes sociais com críticas e reclamações. Apesar destes graves problemas, a página do EDC no Facebook estava bem bacana e organizada, com staff respondendo o público com simpatia e informalidade, fornecendo informações importantes e criando uma boa relação com os seguidores.

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Publicação reproduzida do Facebook

Dentro do evento

Infelizmente, houve notícias de diversos casos de furtos dentro do festival. Isto não é exclusividade do EDC e tem sido um problema frequente em todos os tipos de evento no Brasil. Algo difícil de monitorar e combater, os furtos tem sido um pesadelo para quem frequenta eventos no país. Apesar deste ponto negativo em comum com todos os outros festivais, o público do EDC estava bem animado e com certeza se divertiu bastante. Muitos não tinham a menor ideia do que significava a sigla do evento e poucos aderiram à verdadeira cultura do evento, de vestir fantasias , de criar a verdadeira atmosfera de um carnaval.

EDC Brasil Figurantes

Até mesmo os próprios figurantes do evento apareceram pouco e foram pouco vistos no meio da galera. Como já mencionado na parte da estrutura, os palcos e a cenografia foram um show a parte, todos muito bonitos e de visual espetacular. No sábado, uma das lindas corujas do kinectField teve sua cabeça danificada por conta do temporal e a eficiência e rapidez com que a organização providenciou o conserto foram elogiáveis. De forma geral, em meio à algazarra e alegria a maioria dos problemas acabou esquecida pelo público, que curtiu muito as grande performances do festival.

Imagem virou meme no Facebook
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Atrações / Palcos

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kinectField

kinectField Stage

O palco principal do festival recebeu muitos nomes de peso ao longo dos dois dias de shows. Na sexta-feira, as irmãs NERVO fizeram uma apresentação bastante animada e interagiram muito com o público. Sem dúvida a grande apresentação da noite ficou por conta do jovem astro holandês Martin Garrix, em um show excepcional e cheio de grandes momentos, como durante seu remix de “Can’t Feel My Face”. O show de Tiesto dividiu opiniões, mas o público foi a loucura quando o veterano tocou o clássico “Adagio For Strings”.

No sábado, a performance de Skrillex recebeu muitos elogios da maioria do público. Apesar da  iniciativa de vestir uma camisa do Corinthians (que dividiu opiniões)  e de polemizar com mesclas de funk e sertanejo, o set foi em geral bem recebido e deu grande destaque ao americano. Ele ainda teve tempo para dar uma palhinha na apresentação de Vintage Culture, fazendo um rápido b2b com o brasileiro. As lendas do trance Above & Beyond fizeram um show marcante para os amantes do gênero, com diversos momentos emocionantes e que levantaram a galera.

Uma das atrações mais aguardadas por ser uma grande novidade, o highest new entry da DJ Mag, KSHMR, correspondeu às expectativas e entregou um belíssimo set, repleto de criações próprias e também se destacou no segundo dia do evento. Vários artistas brasileiros também marcaram presença com apresentações de qualidade, como Marcelo CIC e Felguk.

Garden
neonGarden

neonGarden Stage

O palco mais confortável e preparado para os dois dias de festival sem dúvidas foi o neonGarden. Único ambiente com piso adequado para curtir com conforto e segurança, livre do grande lamaçal que invadiu o festival no segundo dia.

Durante a sexta-feira, um dos sets que criou boa reação do público ficou por conta de Jamie Jones, que deu um bom espetáculo. Para quem já curtia e conhecia o trabalho do galês, a performance não foi nenhuma surpresa, mas ele causou excelente impressão ao público em geral. No entanto, o grande destaque deste primeiro dia foi a dupla Victor Ruiz e Any Mello, fechando a pista com grande apresentação e levantando a galera.

No sábado, o set de Luciano levou o título de melhor set do palco, com uma fantástica apresentação recheada com muito techno e tracks fenomenais. A galera foi ao delírio com a performance do suíço, grande destaque do neonGarden. O canadense Marc Houle também de destacou com uma boa apresentação, com ótima recepção do público.

bassPod
bassPod

bassPod Stage

Infelizmente, o bassPod reuniu um público considerado pequeno durante a maioria das performances, provavelmente devido à relativa baixa popularidade do gênero no Brasil, em comparação com as dos demais palcos. Os destaques do palco ficaram por conta de DATSIK, OMULU, Adventure Club e Yellow Claw. Além disso, houve o bom set do veterano DJ Marky para praticamente plateia nenhuma, com o palco deserto devido ao lamaçal causado pela chuva.

Resumo

De maneira geral, foi um excelente trabalho da curadoria artística do festival, que trouxe ao mesmo tempo nomes de peso do cenário mainstream, e muitos sons diferentes e pouco explorados no Brasil pertencentes a uma cena mais underground. Este papel de apresentar novas vertentes a um público muito acostumado com o som dominante do mercado é um dos grande legados do EDC Brasil de 2015.

Como dissemos de início, o EDC foi um belíssimo festival, muito bem aproveitado e elogiado pelo público que participou desta grande festa. Sem dúvida existe muito trabalho a fazer para a próxima edição, já confirmada por Pasqualle Rotella, fundador da Insomniac para o ano que vem, em outro época do ano. Ainda assim, a atmosfera do público brasileiro e as grandes apresentações foram contagiantes e inesquecíveis para quem esteve lá, e só podemos torcer para que a edição de 2016 tenha menos problemas e seja ainda melhor que a deste ano.

Review por: Pedro Fialdini / Luckas Wagg

EDC brasil 2015

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