Top 100 DJ Mag 2018

Ontem, assim como há um ano, a Phouse dedicou boa parte da sua tarde em cobrir o Top 100 da DJ Mag. Enquanto acompanhávamos os resultados, trazíamos atualizações e interagíamos com vocês, percebemos coisas importantes. A credibilidade do ranking vem caindo, ano a ano.

À noite, repostamos artigo de 2015 do nosso colunista Flávio Lerner, que é radicalmente contra a existência do poll. “Música não é competição”, escreveu ele à época em que Dimitri Vegas & Like Mike vinham sendo muito contestados por comprarem votos para alcançar a primeira posição daquele ano. “Não é possível colocar no mesmo saco um Arcade Fire e um Justin Bieber ou um MC Guimê e um Coral dos Meninos de Viena”, seguiu, “assim como um Eric Prydz e um Borgore — e, vejam só, estes dois estão classificados no mesmo Top 100.” O autor continuou a análise (que você pode ler aqui) levantando fatos que mostravam que o famigerado chart, cada vez mais, não passava de uma manobra de marketing para inflacionar cachês. Não se tratava mais apenas de uma brincadeira inocente a fim de levantar os DJs mais populares do mundo (e se é de fato um concurso de popularidade, como ele também indaga, por que não assumir-se como tal?), mas de um extenso e bem planejado jogo de xadrez do mercado.

O texto, na época, foi visto por muitos como contraditório: como a Phouse poderia abrir espaço pra uma opinião tão radical contra o ranking que ela mesma propaga ostensivamente? Mesmo deixando claro que é possível abrigarmos aqui colunistas com ideias independentes e diferentes entre si, ao fim do dia, chegamos à conclusão de que concordamos mais com Lerner do que imaginávamos. De fato, não seria mais útil os DJs investirem seu tempo, seu dinheiro e seus esforços na própria música do que num concurso sem muitos critérios e transparência? Entramos então num impasse: vamos seguir dando credibilidade pra uma lista sem sentido, que cataloga artistas completamente diferentes apenas por marketing? Por outro lado, como executaríamos um boicote — como o colunista defendeu — se é um assunto ainda tão relevante pros nossos leitores? Ignorá-lo não acabaria sendo mau jornalismo?

Claro, não deixamos também de ficar felizes vendo nomes da nossa cena brasileira despontando cada vez mais nele: Alok (#25), Vintage Culture (#54) e Felguk (#67) representam a maior presença brazuca na história do chart, o que é um indicativo da música eletrônica brasileira estar cada vez mais popular no planeta. Parabéns pra todos eles! Mesmo assim, chegamos à conclusão de que é hora de assumir um posicionamento: a Phouse defende jornalismo de qualidade, opiniões independentes e não vai deixar de repercutir as notícias que interessam a vocês. Ao mesmo tempo, reconhecemos, mais do que nunca, nossa responsabilidade na forma em como trazemos essas notícias. Tratar o Top 100 da DJ Mag como vínhamos fazendo até hoje, com forte cobertura, significava conferir mais poder e notoriedade do que ele merece. Não queremos mais compactuar com isso, pois também faz parte dos nossos ideais transmitir aquilo que acreditamos como o mais justo e honesto. E assinar embaixo de uma tabela que trata seres humanos, cada qual com seu valor individual para o seu fã — valores que não podem ser mensurados — em meros números, como se estivessem em um campeonato cujas primeiras posições revertem-se em mais faturamento, é algo que não contribui em nada com a cultura DJ; pelo contrário, fomenta birras, rivalidades e haterismo.

Em outras palavras: a partir de agora, passamos a mudar nossa maneira de lidar com esse jogo. Se por um lado não podemos ignorá-lo, também não precisamos endossá-lo. E aí agradecemos a vocês, leitores: os seus comentários referentes à lista só nos deram força para tomarmos essa decisão.

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