Eli Iwasa: 20 marcos em 20 anos

A japa do techno completou duas décadas fomentando o cenário da música eletrônica; levantamos 20 acontecimentos que merecem destaque, dão sustento e justificam a fase incrível que a DJ paulista atravessa

Eli Iwasa tocando no Time Warp São Paulo 2019. Foto: Thiago Xavier/Divulgação

* Por Isabela Junqueira

** Edição e revisão: Flávio Lerner

Em 1999, a música eletrônica no Brasil já era um ritmo expressivo e potente, porém ainda pouco conhecido e propagado. Se hoje existe um cenário de — quase — plena aceitação e difusão do gênero, é graças a quem trabalhou durante anos na fomentação e propagação do estilo e da ideologia que cercam a vertente.

Eliana Iwasa é uma dessas pessoas. Quem já a viu discotecando, conhece o trabalho primoroso de mixagem feito pela DJ que atualmente é dona de uma das agendas femininas mais cheias do país. Mas o trabalho de Eli não para nas mixagens.

É se aprofundando na história desta super mulher que percebemos como, em 20 anos, a adolescente que não passava de uma fã de bandas de pós-punk, industrial e EBM se tornou um fenômeno em plena ascensão no cenário mundial do techno. A japa já discotecou em inúmeros lugares pelo mundo. Só neste ano, foram três turnês internacionais, levando os ritmos que mais gosta para o palco de dez grandes festivais pelo Brasil e mundo, entre muitos acontecimentos. Mas o que permitiu que esses marcos acontecessem, e como eles se deram?

Eli começou o estreitamento com o techno, mais especificamente, quando era apaixonada por bandas que faziam amplo uso de sintetizadores e elementos eletrônicos em suas faixas. Em seu aniversário de 18 anos, foi comemorar no club Massivo, onde encontrou sua primeira referência nesse novo universo que acabará de descobrir: Mauro Borges.

Ali começou uma história de amor que segue de forma consistente até hoje, e não só acompanhando o crescimento da cena brasileira, como participando ativamente de sua construção. Mas para entender o que a torna uma personagem tão icônica, precisamos fazer uma viagem de volta no tempo e conhecer os 20 marcos da carreira de uma das principais disc jockeys do Brasil.

1999 – A primeira rave de techno de São Paulo

Eli Iwasa
Flyer do festival. Foto: Arquivo pessoal

1. Em um cenário de quase que nula aceitação e conhecimento, ela assume ao lado de Alex S. a responsabilidade de realizar a primeira rave com um lineup cem por cento movido a acid techno, juntando os londrinos D.A.V.E. the Drummer e Chris Liberator pela primeira vez em São Paulo: Groove Nation.

2000 – Entrada para o time do lendário Lov.e Club

2. Eli entra para o time do Lov.e, clube localizado na Vila Olímpia que foi o responsável pela difusão do drum’n’bass no Brasil. Ela passa a comandar a curadoria das noites de sexta com sua festa Technova, o que durou cerca de sete anos — dos quais dois foram eleitos consecutivamente como “melhor noite fixa” pelo Noite Ilustrada de Erika Palomino.

Eli Iwasa
Na sala VIP do Lov.e Club. Da esquerda para a direita: Renato Cohen, Eli Iwasa, Richie Hawtin e Misstress Barbara. Foto: Fabio Mergulhão

2001 – Primeira gig

3. Depois de dois anos trabalhando na noite, teve sua primeira apresentação como DJ no Club Absinto, em São Paulo, amplamente conhecido por ser um lugar extremamente eclético.

2003 – A base de sua consolidação

Eli Iwasa
Eli no Rex Club. Foto: Anne Feles

4. Sua primeira apresentação internacional foi no Rex Club, em Paris. O club completou 27 anos e segue firme e forte até os dias de hoje como um dos principais do mundo.

5. A DJ também foi selecionada para a respeitada Red Bull Music Academy, participando da edição na África do Sul, e sendo colega de ninguém menos que Black Coffee

6. No mesmo ano, lançou Love is on the Air, programa do Lov.e Club na Energia 97 FM, em que convidados faziam DJ sets ao vivo. Iwasa colocou o gênero underground em uma das rádios mais escutadas da capital paulista.

2006 – Mudança para Campinas

Eli Iwasa
Flyer de noite de 2008 no Kraft. Foto: Arquivo pessoal

7. Mudando-se para Campinas, ajuda a transformar a região em um novo hotspot da música eletrônica no Brasil, ao se tornar sócia do famoso club Kraft. A partir desse momento, passa a trabalhar em prol da cena eletrônica não só como DJ e curadora, mas como empresária. É no interior de São Paulo que Eli se estabelece e passa a fomentar de forma assídua o cenário underground.

2011 – Salvando as noites underground interioranas

DJ Marky no Pianno Club, em agosto de 2012. Foto: JS Fotografia

8. Em virtude da demanda de uma noite especificamente dedicada ao underground (da qual a cidade estava carente), é inaugurado o Pianno Club no Jockey Club de Campinas, um embrião do que futuramente se tornaria o premiado Club 88.

2013 – Pianno transforma-se no premiado Club 88

Mind Against no Club 88 em janeiro de 2017. Foto: Bill Ranier

9. Pianno vira Club 88 após uma grande renovação em seu espaço, e se torna o clube mais tradicional da cidade, dentro de um prédio histórico art nouveau. Ali, a artista pôde exercer um intenso trabalho de curadoria e sentir o verdadeiro retorno e engajamento de seu público, que trouxe a segurança para um passo maior: o Caos.

2017 – Nasce o Caos

Laurent Garnier no Caos em janeiro de 2018. Foto: Bill Ranier

10. Eli abre sua quarta casa noturna: Caos. Um superclub em um galpão revitalizado que trouxe alguns dos maiores artistas da música eletrônica underground do mundo: Laurent Garnier, Marcel Dettmann, Carl Craig, Nina Kraviz, Ben Klock, Recondite, Rødhåd, Sascha Funke e Adriatique, entre outros. O Caos permite à artista, além da liberdade para uma longa discotecagem — como ela tanto adora —, a chance de trazer grandes nomes que o 88 não permitia.

2018 – O início do que estava por vir

Eli Iwasa
Eli tocando no Warung. Foto: Gustavo Remor

11. Torna-se residente do Warung Beach Club

12. Faz uma turnê na Europa e toca em clubs icônicos e conceituados da música eletrônica mundial: Egg em Londres, Pacha em Barcelona e Watergate em Berlim.

13. Triplica sua presença no cenário clubber brasileiro, é convidada para o lineup dos principais festivais e clubs, e é prestigiada na edição impressa da DJ Mag britânica como uma “artista a se conhecer”.

Eli Iwasa
Eli na DJ Mag britânica. Foto: Arquivo pessoal

2019 – “O ano mais incrível de minha vida”

Eli Iwasa
Eli no Rock in Rio. Foto: Gui Urban

14. Consolida-se como uma das DJs mais bookadas do Brasil, com cerca de três datas por final de semana, leva o techno a dez grandes festivais e faz a sua estreia em alguns do principais eventos do país: Gop Tun, Rock in Rio, Photon e Time Warp.

15. Faz duas tours pela América Latina e uma pela Europa.

Eli foi atração da RESISTANCE na Bolívia. Foto: Reprodução

16. O Caos consolida-se como uma das principais casas noturnas de house e techno do Brasil e parte para o terceiro ano com noites memoráveis.

Caos na capa do caderno de cultura de um dos principais jornais da cidade de Campinas. Foto: Arquivo pessoal

17. Ganha episódio na primeira temporada da série Quando elas tocam, do Canal BIS, que narrou a vida de seis mulheres que influenciam as mais variadas cenas musicais brasileiras.

18. O ADE a convida para ser jurada no painel “Demolition”, ao lado de nomes importantes da dance music, como Dave Clarke e Todd Terry. Eli também é convidada pelo DJ Tennis para tocar na famigerada festa da Life and Death durante a conferência, fazendo as honras para Simple Symmetry, Red Axes e DJ Tennis ao lado de Axel Boman, na festa de uma das labels mais legais da Europa.

Eli Iwasa
Eli Iwasa tocando no Thuisheaven, na festa da Life and Death. Foto: JAR Photo

19. Sua relação com a moda se estreita ainda mais quando ela assina a trilha sonora de dois desfiles de Di Fávaro e é convidada para estrelar a campanha da marca paranaense Chaouiche.

Eli Iwasa
Campanha Chaouiche 2019. Foto: Vitor Augusto

20. Eli é indicada pela primeira vez como “Melhor DJ” pelo Women’s Music Event Awards (WMEA), principal premiação voltada para mulheres no mundo da música, que contará com transmissão ao vivo pela TNT.

Eli Iwasa
Foto: Reprodução

Ufa! É sabendo de tudo isso que percebemos que o sucesso de Eli Iwasa nunca foi uma questão de sorte. Além de traçar sua carreira com amor e consistência, a paulista suou muito para se tornar essa figura pontual do cenário eletrônico, doando-se de corpo e alma.

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