Ellen Allien
* Por Gabriela Loschi
** Edição e revisão: Flávio Lerner

Para alegria de todos aqueles que amam um batuque sintético bem louco e hipnotizante nas pistas, o Caos, club que tem balançado as estruturas do interior paulista uma sexta-feira por mês, abre suas portas exclusivamente neste sábado (25) para receber a genuína e multifacetada artista berlinense Ellen Allien em apresentação única no Brasil — porque sim, ela pode.

Idealizadora do imponente selo BPitch Control, que lança não só o seu trabalho, mas de outros gigantes da cena, como Paul Kalkbrenner (astro do famoso filme Berlin Calling), Ellen é indiscutivelmente uma das mulheres mais respeitadas do techno mundial. A alemã está na Colômbia em tour e chega ao Brasil para apresentar seu techno incandescente em três horas de set, que provavelmente englobarão algumas novas faixas do EP Take a Stand  — as primeiras em 20 anos que ela lança por outra label que não a sua BPitch.

Com lançamento previsto para a próxima sexta, 31, pela Nonplus Records, tivemos acesso ao disco na íntegra, e posso afirmar: se trata de uma pérola techneira tão poderosa quanto dançante. Enquanto o disco não chega, você pode escutar um preview abaixo, e me acompanhar aqui nestas palavras pra já ir aquecendo pra amanhã.

Para entender o que está por trás deste novo trabalho, precisamos voltar para quando o techno de Berlim foi moldado nos porões das squats em toda a capital alemã. Ellen não só estava lá participando de tudo, como continua sendo uma defensora incansável de todos os aspectos dessa cultura, imprimindo os valores em cada um de seus trabalhos: da sua série de eventos internacionais, Vinylism, à sua música.

Take A Stand é o EP de estreia na Nonplus (selo do inglês Boddika), e como não poderia deixar de ser, carrega elementos implacáveis para a pista, mostrando toda a paixão que sempre a moveu em 30 anos de carreira. Ellen consegue imprimir toda a sua experiência e sua personalidade alegre, expansiva e empática neste novo trabalho, mas deu às três faixas do EP densidade crítica e a ideia de ser sobre (e para) o aqui e o agora.

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“Minha própria história e as experiências na cena techno me inspiraram a motivar as pessoas a defenderem o que pensam, por suas opiniões e seus direitos. Muitas pessoas dizem que o techno não é político, mas por que não? Ele pode sim ser político, obviamente”, afirma a produtora, já mostrando que sua música tem poder — e não estamos falando só do grave e da energia.

Ellen coloca um estrondoso apelo à ação ao mesmo tempo em que aposta no poder unificador da cultura raver. A faixa-título que abre a sequência traz os seus vocais, como se ela estivesse recitando amor ao universo, às pessoas e ao poder que todas elas carregam. Enquanto suas letras podem parecer meio vagas no início — “tomar uma posição a favor ou contra o quê?” —, elas vão desvendando seu mistério enquanto a trilha se desenrola gradualmente.

Ellen Allien
Foto: Divulgação

Começando como um barulho esparso do porão, “Take a Stand” lentamente se transforma em um hino ácido e vai mudando seu curso sutilmente até o final. Ao longo de dez minutos e meio, Ellen Allien revive o otimismo alegre da revolução original do techno, enquanto se posiciona contra a falta de alegria inerente a tantos technos hoje em dia. “Esta é uma revolução que você pode dançar”, afirma o seu release de imprensa.

No lado B, “Trigger” é uma viagem igualmente hipnotizante pelo “buraco de minhoca” da cultura raver contemporânea. Combinando um groove contundente com uma linha de baixo “achatada” e “amortecida”, ela dialoga com porões e salonas underground com seus pingos de suor.

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Em “Flying Objects”, a artista usa sua voz novamente, desta vez terminando o que poderia muito bem ser o manifesto musical oficial para o que ela geralmente se refere a “space techno” — uma declaração futurista colorida que não deixa ninguém desanimado.

É um belíssimo trabalho musical que traz toda a poesia de seu ser (que em muitos momentos se confunde com a própria pista) embutida. Quem tiver a sorte de poder conferir de perto a mulher que deu o pontapé inicial na carreira de muitos artistas que explodiram mundo afora após passarem por sua gravadora, como Modelesektor e Appartat, não vai se arrepender. Você pode conferir mais informações sobre o evento neste link.

* Gabriela Loschi é colaboradora eventual da Phouse.

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