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Entrevista

Albuquerque: “Faço questão de inovar sempre; cada cenário, cada estação do ano requer um som diferente”

Jonas Fachi

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Entrevista Albuquerque
Um dos DJs mais conceituados no Brasil, o curitibano Albuquerque fala com a Phouse sobre ascensão e gestão da carreira, Warung Recordings, Radiola, ADE e a cena de Curitiba

É inegável, hoje ele é um dos DJs mais ativos e requisitados do país. Seu talento sempre foi a força motriz por trás do sucesso que o leva a se apresentar em clubs como Warung, em Itajaí, onde é residente, até o Watergate em Berlim.

Porém, para ser um DJ que gere influência e seja uma marca reconhecida no cenário, existem outros fatores que fazem a diferença para se destacar em um mercado tão competitivo como o nosso, e Ricardo Albuquerque é um especialista nesse quesito.

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Neste ano, ele assinou um remix para o respeitado produtor Christoph pela Warung Recordings, gravadora que ajuda a gerir ao lado de Leo Janeiro. Ao mesmo tempo, esteve em tour por países como EUA, Espanha e Portugal, onde se apresentou no consagrado BPM Festival.

Esse equilíbrio de se fazer relevante atrás dos decks e no estúdio, aliado a uma agência de respeito e a pessoas que cuidam de sua imagem com o máximo profissionalismo, o fazem estar sempre sendo cotado para os horários nobres dos eventos em que se apresenta, vivendo o que ele mesmo considera seu melhor momento. Nesta entrevista, fomos buscar saber do artista todos os segredos do seu sucesso, além da evolução da cena eletrônica em sua cidade, Curitiba.

O talento sempre foi e sempre será a força motriz por trás do sucesso de um artista, porém existem outros fatores que fazem a diferença para se destacar em um mercado tão competitivo como o nosso. No que um DJ precisa estar mais atento para que seu nome esteja sempre relevante e ao mesmo tempo não se torne cansativo?

Acredito que não exista uma ciência exata para se alcançar destaque, mas com certeza, num mercado tão cheio e concorrido, é mais do que necessário que o artista esteja bem assessorado. Sozinho, é muito difícil fazer qualquer coisa. Eu procuro contar com ótimos profissionais e isso vai de management à assessoria de imprensa e agência, todos muito bem capacitados e que convergem as ideias com as minhas. É muito importante falarmos a mesma língua quando o assunto é a carreira; todos da equipe têm que entender a peculiaridade de um trabalho artístico, que vai muito além de cada gig.

Sobre não se tornar cansativo, me preocupo muito com isso. Procuro sempre criar temas novos para nossas festas, buscar inspirações em áreas diferentes e, claro, variar meu repertório. Não sou o tipo de DJ que é escalado pra fazer warmup e toca o mesmo set do peak time. Faço questão de inovar sempre — cada cenário, cada estação do ano requer um som diferente. Quem acompanha meu Soundcloud sabe muito bem disso. Surpreender o público faz parte do meu dia a dia e eu curto muito, me dá vontade de fazer mais!

Você esteve participando mais uma vez do ADE neste ano. Quais foram suas impressões? O artista que não esta lá está um passo atrás do mercado?

Sim, foi nosso quarto ADE. Fico impressionado com a quantidade de pessoas que vão pra Amsterdã nesse período e não participam da conferência. Claro que a cidade é fantástica, os coffee shops são iradíssimos e as festas surreais, mas ir até lá e não ouvir o que os mestres têm a dizer? Mancada!

Não acho que seja necessário estar lá todos os anos, é um programa bem oneroso, mas com certeza minha evolução como gerenciador da minha carreira e do meu selo se deve a esse encontro anual. Os temas são totalmente relevantes à nossa profissão, portanto é mais que claro pra mim que estar lá me faz crescer a longo prazo. Surgem novas ideias, novas percepções, constatações, tudo nos agrega muito — a longo prazo, repito.

“Num mercado tão cheio e concorrido, é mais do que necessário que o artista esteja bem assessorado. Sozinho, é muito difícil fazer qualquer coisa.”

Em sua tour pela Europa, você se apresentou na edição portuguesa do BPM Festival, fazendo um B2B muito comentado com o Chaim. Como surgiu essa parceria? 

Eu e meus amigos somos fãs do Chaim há cerca de seis anos. Nos conhecemos pessoalmente no BPM México de janeiro — na ocasião conheci a esposa dele, que também trabalha na indústria de festas. Ela nos apresentou, e quando nos reencontramos em Portugal eu fiz questão de chegar cedo pra acompanhar o set dele. Devido aos atentados recorrentes na Europa, a fiscalização da entrada do club estava demorando muito e vi que ele acabou tocando pra bem pouca gente.

Quando ele terminou o set, o convidei pra tocar comigo mais tarde, tendo em vista também que era um showcase do Warung, nós éramos os anfitriões e ele o convidado. Ele topou e tocamos juntos no meu slot. Claro que por conhecer o trabalho dele há tempos, foi mais fácil adaptar a linha; acabamos cedendo um pouquinho cada um. É desafiador, claro, mas muito legal!

Na próxima semana você se apresentará na tour da Kubik em Curitiba — festa que busca uma proposta audiovisual diferente. Qual a expectativa de receber o evento em sua cidade?

A Radiola Kubik será a única noite do projeto com 16 horas de festa, e com algumas surpresas também. Queríamos um diferencial e isso se reverte em bônus para o público. Eu me apresentei na Kubik São Paulo em 2015 e achei muito legal a conexão entre o som e o disparo das luzes nos cubos. O local será o mesmo do Tribaltech e tenho certeza que todos irão sair satisfeitos. Me apresento à meia-noite, e nosso convidado internacional, Guti, se apresenta às 02h.

“Corremos atrás de patrocínios, licenças, alvarás e toda burocracia necessária pra levar qualidade pro público. Se depender do Estado, não sai nada, e se sai é mal feito.”

Parece ser uma tendência Curitiba receber eventos de música eletrônica em lugares antes não imaginados. O Tribaltech agora tem um novo local muito elogiado dentro da cidade, o Warung está marcando época na pedreira Paulo Leminski. Você acredita que é apenas uma fase ou o poder público como um  todo tem concedido maior abertura a diferentes culturas musicais?

Eu acredito ser só o começo. O público quer o novo e nós também. Com certeza esses locais novos e inusitados surgem por mérito dos organizadores e produtores de eventos. A festa dos cinco anos da Radiola, por exemplo, foi no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, por nosso esforço. É triste dizer, mas se depender do Estado não sai nada, e se sai é mal feito. Corremos atrás de patrocínios, licenças, alvarás e toda burocracia necessária pra levar qualidade pro público. Quando o evento tem envolvimento das secretarias é feito por obrigação. Eu nunca vi um que preste, nem quando quem está lá no comando se esforça. Mas enfim, Curitiba tem essa chama diferenciada por parte dos núcleos. Aqui o som fala mais alto, e espero que continue assim.

Há algum tempo você anunciou que a Radiola Records estava tirando um tempo nos lançamentos para buscar aprimoramento musical. Em que fase se encontra a gravadora agora? Podemos esperar lançamentos em breve?

Mais que musical, esse aprimoramento foi profissional. Uma label, assim como qualquer empresa, precisa se organizar. Essa pausa fizemos há mais de um ano. No momento, temos 27 lançamentos disponíveis nas lojas e mais quatro até janeiro na agulha. O último foi o Lost Souls EP, uma bomba que toco sempre e quase derrubou o Watergate [risos]. Todos vieram me perguntar o que era aquela faixa, e era minha e do [produtor argentino] Tomy Wahl feita aqui na Radiola, quando ele veio pra tour. Essa track também saiu com um remix do romeno JUST2.

Pela frente nos releases, teremos mais uma faixa minha com remix do Dionigi, Caoak com remix do Ronnie Spiteri, Ariel Merisio com remix do Boghosian e algumas surpresas pro primeiro semestre de 2018. Aumentamos a equipe e vamos pra cima!

Você tem realizado seus próprios eventos, levando a Radiola para esse meio também. Existe um interesse em consolidar a marca também como um evento musical, ou são festas pontuais?

A Radiola Label Night é a festa temática do nosso selo e já tem seis anos. Nesse período estivemos nos principais clubs e festas do país, como Warung, Beehive, D-EDGE, Place Lounge e Colours. São mais de 40 eventos realizados em que já tivemos em nossos lineups diversos artistas internacionais relevantes, como Nick Curly, Djebali, Hot Since 82, David Glass, Oli Furness, Tomy Wahl, Jesse Perez, Joyce Muniz, Jamie Trench, Emanuel Satie, Dorian Paic, Russ Yallop, Gallya, Shosho, Ricky Ryan, entre outros. A marca de festas sem dúvida tem o foco musical e de entretenimento.

Em 2018 estamos lançando nosso novo website para facilitar pros contratantes. Além disso, teremos as festas Jardim Elétrico e Sonido Profundo, que dependem da disposição do lugar pra realização. Respondendo a pergunta, sim, pretendemos consolidar ainda mais a marca Radiola.

Como tem sido conciliar uma agenda carregada de shows, produzir música, eventos e ainda gerir juntamente com o Leo Janeiro a Warung Recordings? Você acredita que está vivendo a melhor fase da sua carreira?

A cada ano que entra, percebo estar vivendo o melhor momento da carreira — tudo isso devido a muito trabalho e força de vontade, de todos da equipe. É complicado conciliar tudo o que quero fazer, mas sinto que lidar com isso é o que eu mais gosto. As gigs são basicamente nos finais de semana, então o que eu faria da vida se não fosse fazer música e festa? Estou curtido muito produzir e tenho muita coisa pra lançar nos próximos meses.

Tenho um álbum em um projeto novo em que já tenho dez músicas prontas e alguns esqueletos pra desenvolver. Sobre a Warung Recordings, evidentemente é o selo do club. Como já disse em outras ocasiões, eu e o Leo gerenciamos hoje e nos dividimos em diversas funções do selo, mas ele não nos pertence — pertence à empresa Warung. Podemos opinar e indicar alguns artistas, mas tudo é passado pra direção, que opta pela quantidade de lançamentos e pelo material que quer fazer. Muita gente me manda demos sem nunca ter tocado lá ou sem ter vinculo algum com o espaço; eu tento explicar que não mando nas diretrizes do selo, fazemos esse trabalho por amor ao club e a música.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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Entrevista

30 músicas para 30 anos: DJ Mau Mau celebra 3 décadas de carreira com playlist exclusiva

Flávio Lerner

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DJ Mau Mau 30 anos
Um dos principais nomes da cena nacional comemora 30 anos como DJ neste sábado, em São Paulo; confira o depoimento e a playlist que o Mau Mau montou para a Phouse!

Modelo, inspiração, exemplo, referência, ícone, respeito… São inúmeras as palavras que clubbers e profissionais da cena house/techno poderiam usar para resumir o DJ Mau Mau. Afinal, não é qualquer DJ brasileiro que festeja 30 anos de profissão com uma trajetória consistente, sendo pioneiro em tempos de terra seca e tendo a capacidade de se manter atual e relevante depois de tantas transformações nesse cenário.

Exemplo disso é o último ato de seu ano comemorativo: após aproveitar a marca pra celebrar em diversos momentos especiais durante todo este 2017, a festa derradeira desses seus 30 anos de DJ não é nada parecido com um baile da saudade tocando flashback para tiozões saudosistas, mas a nova edição da Capslock de Paulo Tessuto — um dos maiores exemplos [e reflexos] do que é a cena clubber contemporânea.

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Antes de discotecar pra jovens mudérnos e hedonistas no sábado — fechando com chave de ouro um ano que teve direito até a B2B com o DJ Marky no palco eletrônico do Rock in Rio —, o Mau Mau gentilmente topou dar um depoimento à coluna com uma breve retrospectiva de sua trajetória; de quebra, escolheu pra gente 30 músicas que representam essas três décadas de carreira, incluindo nomes como Kraftwerk, Front 242, Moby, John Tejada, Paul van Dyk, LFO, Carl Craig e Galaxy 2 Galaxy, além de uma faixa autoral.

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Basta, então, clicar na playlist abaixo [tracklist ao final do artigo] e ler as palavras a seguir pra curtir essa pequena viagem no tempo com um dos DJs-símbolo de São Paulo. Com vocês, DJ Mau Mau:

Sempre fui apaixonado por música. Na adolescência, minha experiência inicial foi através de vários grupos profissionais de dança que participei. No final dos anos 80, frequentei o Largo São Bento, em São Paulo, onde gangues e grupos de hip hop munidos de equipamentos de som portáteis se encontravam para disputas de breakdance. Foi nesse momento que o universo do DJ começou a me conquistar.

Um pouco antes de completar 18 anos, tive minha primeira oportunidade como DJ: no porão do casarão mais underground da cidade, o Madame Satã, reduto de punks, góticos e modernos, comandado pelos mestres Marquinhos MS e DJ Magal, duas grandes fontes de inspiração. Nos primeiros cinco anos, os toca-discos eram apenas um passatempo, e eu exercia outras atividades como sustento — fui bancário, trabalhei no escritório do DMC Brasil e fui coreógrafo do grupo Dance Division. Com o tempo, me apaixonei pela profissão, outras oportunidades apareceram e ganhei residências importantes no final dos anos 80: Club Malícia, US Beef Rock, Rouge Neon e Walkabout.

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Nos anos 90, adotei o nome profissional de DJ Mau Mau, quando fui convidado para comandar a cabine de som do Sra. Kravitz, ao lado do DJ Renato Lopes. Naquele momento, meu trabalho ganhou destaque e pude desenvolver meu estilo, voltado para o underground. Em meados dos anos 90, nasceu em São Paulo o primeiro after hours do Brasil: o Hell’s Club. Convidado pelo promoter e amigo Pil Marques, comandei por quatro anos essa grande revolução que moldou um novo comportamento na noite.

Em seguida, outras residências importantes: o after do Club Base, com o promoter Paulo Silveira, e a noite Technova no Lov.e Club, a convite de Oscar Bueno. Depois dos anos 2000, fui residente da noite Mothership no D-EDGE, onde, depois de alguns anos, fui transferido para a residência do Superafter, em que sigo até hoje. Atualmente, também comando a noite Houseira, no Club Jerome, com meu amigo Roque Castro.

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A carreira de DJ também me direcionou para a produção musical, em que desenvolvi muitos projetos e parcerias. Fazendo remixes e participações em shows, trabalhei com artistas nacionais importantes, como Roberto Carlos, Rita Lee, Marina Lima, Edgar Scandurra, Kiko Zambianchi, Edson Cordeiro, Laura Finocchiaro, DeFalla, Rodrigo Pitta, Franco Junior, Daniela Mercury, Jota Quest, Dudu Marote, Adriana Calcanhoto e o maestro Fabio Gomes Oliveira. Minhas músicas foram tocadas por DJs internacionais que admiro e que sempre foram fonte de inspiração: Laurent Garnier, Stacey Pullen, Mr C. e Carl Cox, entre outros.

A profissão também me proporcionou conhecer outros países e culturas. A convite do mestre Garnier, fiz minha primeira apresentação na França em 1995, no festival Trans Musicales, em Rennes. Depois ganhei residência por dois anos na festa francesa Open House, onde passei pelas principais capitais do país. Os convites internacionais não pararam: Inglaterra, Portugal, Alemanha, Turquia, Japão, Itália, Espanha, Bélgica, Estados Unidos, Argentina, Uruguai, Chile e Bolívia.

Em 2017, já recebi homenagem pelos anos de carreira do Nation Disco Club, primeiro reduto clubber em São Paulo, do final dos anos 80, comandado pelo DJ Mauro Borges, e também do Music Non Stop de Claudia Assef, entre outras comemorações. No início do ano, recebi o convite para tocar na Carlos Capslock através do L_cio e do Paulo Tessuto, e desde então estou muito ansioso.

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A Capslock é o tipo de festa que eu gostaria de frequentar, mas a minha agenda de trabalho não permite. Ter a oportunidade de comemorar essa data tão especial numa das festas mais legais da atualidade é um presente ao lado de amigos queridos! Tantos momentos de plena felicidade dedicados à música passaram voando, mas a paixão em pesquisar novos estilos musicais, desenvolver sons em estúdio e depois testar o resultado nas pistas pelo mundo continua a mesma do início de carreira.

São 30 anos de dedicação e amor. Assim, preparei uma retrospectiva com 30 músicas que marcaram minha carreira. São composições em estilos diferentes que em algum momento fizeram parte do meu repertório, e mesmo as mais antigas ainda soam bem atuais. ​Divirtam-se!

Tracklist:

[Anos 80]

1- Section 25 – Looking from a Hilltop (Megamix)

2- Colourbox – Hipnition

3- Front 242 – Don’t Crash

4- Kraftwerk – Numbers

5- Test Dept – The Faces of Freedom 1,2,3

6- Fast Eddie – Acid Thunder

7- Mike Dunn – Life Goes On

8- Adonis – No Way Back

9- Bam Bam – Give It To Me (Club Mix)

[Anos 90]

10- LNR – Work It To The Bone (The Original Classic)

11- West Bam – Alarm Clock

12- Dr. Baker – Kaos 1989

13- LFO – LFO

14- Xpansions – Move Your Body

15- DSR – Babaloo

16- Capricorn – 20 Hz

17- Speedy J – Something For Your Mind

18- Moby – Go

19- Humate – Love Stimulation (Paul van Dyk’s Love Club Mix)

20- Galaxy 2 Galaxy – Hi-Tech Jazz

21- Secret Cinema 2 ‎- Straight Forward

22- Kosmic Messenger – Flash

23- Jonny L – This Time (Carl Craig Mix 2)

[Anos 2000]

24- M4J – Macumba

25- DJ Mau Mau – Space Funk

26- John Tejada – Sweat (On The Walls)

27- The Martian – Particle Shower

28- Gabriel Ananda – Doppelwhipper

29- Luna City Express – Fresh

30- Justin Maxwell & John Tejada – I’ve Got Acid

A Capslock com o DJ Mau Mau rola neste sábado, dia 09, em São Paulo, em local ainda não revelado; o line ainda traz Tessuto, L_cio, Ella De Vuono, Max Underson, Vitor Lagoeiro e o alemão Sebastian Voigt.

Flávio Lerner é editor da Phouse; leia mais artigos de sua coluna.

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Notícia

Dekmantel São Paulo revela divisão de datas de seu lineup diurno

Flávio Lerner

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Dekmantel São Paulo Day
Festival rola entre os dias 03 e 04 de março; a programação noturna deve ser anunciada em breve

Há cerca de um mês, o Dekmantel anunciou as primeiras informações de sua segunda edição brasileira, com lineup parcial, datas e local. Hoje, nas redes, o festival revelou a divisão entre os dois dias de festival — 03 e 04 de março —, conforme você pode ver na arte abaixo.

Em contato com a coluna, a assessoria de imprensa do Dekmantel São Paulo confirmou que aqueles 48 artistas divulgados previamente correspondem à programação diurna do festival — mais experimental, orgânica e intimista, enquanto a noturna é mais pista de dança.

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A programação noturna ainda é inteiramente desconhecida, tanto em relação às suas atrações quanto aos preços de ingressos (significantemente mais baratos) e até mesmo ao seu local — o reformado Playcenter será palco apenas do “day program”.

+ Novo local, datas e lineup: Dekmantel São Paulo anuncia edição para 2018

Cerca de 15 DJs devem ser anunciados no próximo mês para o “night program”, junto com a abertura de venda dos respectivos ingressos e a divulgação do local.

A venda para os ingressos separados por dia abre nesta quarta, dia 06, via Eventbrite.

Flávio Lerner é editor da Phouse; leia mais textos de sua coluna.

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Review

Mais relevante do que nunca, o Warung comemorou seus 15 anos com grandes perspectivas

Jonas Fachi

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Warung 15 anos review
Vivendo seu auge, o clube da Praia Brava recebeu Chris Liebing e um showcase da All Day I Dream no segundo dia de sua comemoração de aniversário.
Fotos por Gustavo Remor (à exceção da primeira)

Quantos clubs no mundo têm 15 anos de vida? Alguns poucos. No último dia 14, o Warung Beach Club alcançou essa marca estando mais relevante do que nunca. Ainda, se considerarmos que enfrentou todos os tipos de dificuldade que uma instituição poderia passar, ter chegado tão longe possivelmente é um feito único. E mais: conquistado completamente fora dos grandes centros geradores de conteúdo cultural eletrônico no mundo, mesmo assim, desde os primeiros anos o Templo recebeu reconhecimento da mídia internacional como um dos mais importantes do circuito global, algo inimaginável para o Brasil até então.

Porém, todas as pessoas que fazem parte dessa história — desde os DJs de todo o planeta que pedem para se apresentar a até quem o conheceu pela primeira vez na última festa — sabem que alguma coisa diferente acontece lá dentro. Desde o icônico título “Paradise Found”, concedido pela revista britânica DJ Mag em 2006, a “um dos lugares para se conhecer antes de morrer” (de outras publicações), o club reuniu noites e manhãs que poderiam ser facilmente recontadas em documentários ou livros, aqueles registros que irão permanecer na eternidade. Entretanto, não precisamos citar os diversos momentos emblemáticos ou fatos marcantes com algum DJ, afinal se tornaria algo injusto escolher um ou outro.

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que é importante destacar é que estar fora do eixo global eletrônico nunca foi nenhum demérito para a região do litoral norte de Santa Catarina. Todos que vivem a avançada cena desenvolvida em mais de três décadas sabem que o que foi construído não se deve em nada para o resto do mundo. Alguns clubs como Baturité e Ibiza, em Balneário Camboriú, tiveram relevância fundamental para o surgimento do Warung e em tudo que veio a criar mais tarde. Por isso, este review especial de aniversario é uma oportunidade para fazer algumas considerações que julgo serem importantes na contextualização do evento mais longo do ano, com comemorações se iniciando ainda às 16h do dia 18 de novembro.

Warung 15 anos review

Uma das imagens mais famosas do club, usada como capa do álbum Warung Brazil 001, produzido por 16 Bit Lolitas, em 2008 (foto por Fábio Mergulhão)

O Warung foi idealizado para absorver um cenário local efervescente, porém sua história ao longo desses 15 anos de atividade conta que ele fez um pouco mais. Muito além de oferecer algo inédito em uma região com fortes tendências à cultura de pista, o Templo passou a ditar o ritmo não apenas local, mas de toda a região Sul do país. Hoje, é possível perceber o impacto social profundo por gerações de clubbers quando se descobre que pessoas alteraram escolhas fundamentais de vida em função de poder fazer parte do estilo cultural que o club apoia e representa. Isso é algo que talvez em nenhum outro lugar tenha acontecido de forma tão brilhante, fazendo tudo parecer ainda mais surreal.

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Qual o segredo? Não existe apenas um. Como tudo na vida, uma carreira bem-sucedida ou um fato marcante, o Warung é resultado de uma série de acontecimentos que não estavam nos scripts, somados a caminhos pensados estrategicamente sobre uma alta dose de coragem, tudo isso sem possibilidade de voltar atrás. Para manter uma instituição relevante por tanto tempo é preciso mais do que planejamento, investimento e vontade; é preciso perceber os diversos pontos-chave durante a trajetória, em que várias novas situações surgem em cima da mesa e não se pode deixar passar.

Warung 15 anos review

Se hoje se tornou uma marca consolidada nacional e internacionalmente, realizando inclusive mais eventos fora do que em sua própria casa, é porque houve pessoas por trás que nunca deixaram de acreditar no potencial intrínseco que ela possuía. Um dos pontos mais admiráveis do relacionamento do Templo com o público é que em nenhum momento foi deixada transparecer toda a dificuldade que só quem trabalha na noite pode saber. A verdade é que a música sempre esteve acima de tudo.

Outro ponto de notoriedade é que, durante todos esses anos, a curadoria da casa fez e faz um trabalho excepcional. A busca por equilíbrio entre os estilos e a abertura por ouvir o que as pessoas desejam são fundamentais. Porém, o que chama atenção é a capacidade de sempre captarem o melhor timing para trazer os artistas, quase sempre alinhado com seus momentos de destaque no cenário global.

Pode parecer bobagem, mas em uma cena sul-americana, para uma casa trabalhar com a quantidade de artistas internacionais que o Warung apresenta quinzenalmente, não pode existir muitos espaços para erros. Como exemplo, por vezes é melhor você deixar algum nome fora por dois anos ou mais, para quando ele voltar, existir uma expectativa acumulada suficiente para lotar a casa.

Warung 15 anos review

Quando observamos os artistas escolhidos para fazer parte da segunda noite de comemorações, fica evidente a tradição de captar o momento certo de cada um deles. Vamos pegar o caso de Lee Burridge. Ele fez parte dos primeiros anos do club quando esteve no seu auge, após a virada do século. Depois, passou um longo período distante de nossa cena, a ponto de os novos frequentadores nem saberem que já tinha se apresentado em outra era.

Lee renasceu em 2012 junto com Matthew Decay, iniciando uma nova era dos baixos BPMs. Seu estilo leve, tribal e emotivo foi impresso em músicas que serviram como ponto de partida, como “Für Die Liebe”, segundo lançamento da All Day I Dream, e “Lost in a Moment” — obra que ajudou a definir o estilo sonoro que Dixon apostaria para a Innervisions. De lá para cá, o inglês voltou à frente do cenário liderando um time de talentosos produtores que eram desconhecidos até então. Com eles, vem realizando eventos em diversas cidades, com maior destaque em Los Angeles e Nova Iorque, ajudando-as inclusive a reviver suas cenas locais. O mais legal é que Lee sempre liderou sua label/party lado a lado com seus produtores — prova disso é ter concedido o horário final do show case a YokoO, no Garden.

Warung 15 anos review

A proposta de iniciar o evento ainda à tarde para o clima estar totalmente de acordo com a ideia das festas day/night da ADID foi um pouco arriscada, visto que já houve outras tentativas por parte do club de iniciar mais cedo, sem adesão do público. Desta vez, porém, os protagonistas da música iriam estar desde o início, e o conceito da label convidada ajudou na atratividade.

Lee era um dos poucos lendários que ainda faltava riscar de minha lista. Quando adentrei o Garden às 18h em ponto, ele estava se aprontando para assumir o comando após Lost Desert. O dia havia sido marcado por uma intensa chuva pela manhã e o sol estava coberto por nuvens no fim da tarde; mesmo assim, a surpresa de já ter uma ótima pista curtindo a sonoridade única proposta por eles foi impressionante.

Warung 15 anos review

Sempre me entusiasmo quando ouço logo os primeiros minutos de set de artistas que pertencem à geração dos anos 90, como Burridge, em que mostram a sensibilidade na mixagem e um estilo de construção de set que só caras dessa época sabem fazer. A descontração por parte de todos e o clima mais próximo que ele estava criando, somados a seu carisma e a um sistema de som na medida, fizeram todos se esquecerem de que ainda era o começo da festa. Ninguém pôde se preservar, e o ritmo dançante do DJ fez todos vibrarem.

Na segunda hora, Lee entrou em uma onda inesperada, fugindo das melodias e pendendo para um lado sério e fechado, porém ainda com poderosos baixos e baterias tribais. Era talvez sua forma de “subir o ritmo”, não com a intensidade, mas dentro de um estilo que lembra sons destinados ao auge da noite. O interessante de ver um DJ desse nível é que você sempre pode esperar mais dele, pois em algum momento irá fugir um pouco do óbvio.

Primeira hora de set Lee Burridge, transmitida pela BE-AT.TV

Na terceira hora, seu set recebe maior introspecção e momentos de melodias cinematográficas ganham espaço. Era sua resposta diante da escuridão que havia chegado — um novo momento para os ouvintes. As decorações com flores por todos os lados perderam atenção para o sistema de leds pendurados na vertical, uma das iluminações mais criativas que já vi no club. Aliás, em noites comemorativas é tradição você encontrar decorações e iluminações diferentes. A felicidade estampada no rosto do artista dizia o quanto dessa proposta tinha dado certo, jogando luz sobre uma possibilidade de adaptação para o Warung no futuro.

Entrando na parte final de um set de três horas, mas que tranquilamente poderia ser de seis, é impossível não destacar a emoção de todos na faixa “Cocoon”, de Mirian Vaga, com uma reinterpretação fabulosa de Guy J — só poderia ser dele. Nas últimas faixas o ritmo estava estabelecido e YokoO parecia tranquilo para assumir o comando.

Quando você está prestes a assistir a um artista que só conhece pela qualidade das produções, é normal ficar um pouco reticente. Porém, o francês impôs um ritmo até mais rápido do que ocorria até então, talvez como uma forma de já quebrar o gelo em um ambiente novo. Aos poucos e com sabedoria, trouxe tudo novamente para o “estado ADID” de apreciar música. Quando falam que pegar um evento da label é uma verdadeira experiência musical, isso nada mais é do que a verdade. Guardadas as devidas proporções, é claro, entre os produtores que compuseram o lineup do showcase, você pode perceber que os seus elementos básicos, já citados aqui, sempre estarão presentes.

Warung 15 anos review

YokoO alternou entre momentos super emocionais e outros carregados de energia. Enquanto isso, Lee fazia questão de descer junto ao público atrás do palco para conversar, bater fotos e trocar experiências sobre sua música. Ele é o tipo de cara que faz amizade com todos, gosta de ouvir o que você tem para falar — são poucos os artistas que têm essa disposição. Um exemplo para a cultura de superioridade que muitos novos artistas tentam impor junto a seus públicos.

Começando a segunda fase das comemorações à meia-noite, resolvi tirar um tempo para descansar e conversar com amigos. O club — que ainda recebia Stephan BodzinRenato RatierVolkoderBoghosianFlow & Zeo — não estava lotado, com público na medida ideal para aproveitar qualquer um dos espaços. Subi ao Inside para assistir à hora final de Mind Against. O duo estava aplicando uma sonoridade de muita personalidade. Sabe aquele clima de aniversário, quando você acha algum artista no meio da noite e se surpreende? Era com eles. Após isso, voltei a atentar-me à música somente na entrada de Chris Liebing, às 04h. O lendário DJ alemão é outro caso de escolha do momento ideal — nesse caso, para finalmente fazer seu debut.

Warung 15 anos review

Nos últimos anos ele estabeleceu uma ótima relação com o país, e aplicou um set muito elogiado no Warung Day Festival neste ano. Estava pronto para assumir a eterna pista principal, e de quebra, em um momento tão importante. Que estava à altura, ninguém tinha dúvidas. Chris conquistou uma legião de fãs ao redor do planeta com seu talento particular em calcular a intensidade do seu techno que cada pista deve receber.

Desde o começo, a sensação era de que ele já conhecia o Templo há anos, com ritmo e momentos explosivos calibrados para enfrentar o restante da noite até o amanhecer. Com o dia novamente em posição, Liebing cadenciou suas ações por meia hora, e depois voltou a fazer a pista vibrar. Às 08h, eu já estava realizado em também lhe assistir pela primeira vez, então resolvi me retirar um pouco antes do final — algo que poucas vezes fiz em tantos anos frequentando a casa.

Talvez o sentimento de sair um pouco antes do termino fale algo sobre o que podemos esperar do Warung para os próximos anos e, principalmente, o que representam esses 15 de atividade. Foram muitos acontecimentos para se guardar, mas o sentimento ainda é de que se pode evoluir mais. É cedo para falarmos em legado, ainda que ele já exista.

Warung 15 anos review

Momento mais aguardado: o nascimento do sol em frente ao mar (imagem de alguma noite durante os 15 anos de club)

Em um futuro distante, a história do Warung vai ser descoberta por alguma nova sociedade na prateleira mais alta dos registros, onde, ao verem do que se tratava, sentirão inveja do quão felizes eram as pessoas que tiveram a chance de frequentar o espaço de madeira conhecido por desafiar tudo para se colocar entre os maiores de todos os tempos. Sabe o que é melhor nesse review de aniversário? É que não somos o futuro, somos o presente; estamos fazendo parte de tudo.

* Jonas Fachi é colunista na Phouse; leia mais de seus textos.

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